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Império Serrano abre Grupo Especial com inovação do casal e esbarra em diversos quesitos com problemas

Por Geissa Evaristo. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Primeira escola de samba a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo Especial com o enredo ‘o que é, o que é?’, de autoria do carnavalesco Paulo Menezes, o Império Serrano contava com o enorme desafio de cantar em forma de samba-enredo o sucesso de Gonzaguinha da MPB “O que é, o que é?” como hino imperiano para 2019, além de superar a crise já anunciada no período pré-carnavalesco. Brigando para permanecer no grupo de elite do carnaval carioca, a verde e branco da Serrinha sofreu com o temporal que atingiu a sua concentração. A Liesa precisou atrasar em 45 minutos o início dos desfiles.

O entrosamento dos cantores Leléu e Anderson Paz junto da bateria Sinfônica do Samba, sob a regência de mestre Gilmar, conseguiu fazer o samba ter um bom funcionamento ao longo dos 73 minutos de desfile. O ponto negativo ficou por conta das apresentações do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Na tentativa de inovar, a dupla se apresentou do alto de uma plataforma e sofreu com o vento, tendo sua execução prejudicada nas cabines de julgadores.O acabamento das alegorias, além da simplicidade das fantasias, também não colaboraram para um espetáculo à altura da história da agremiação, campeã nove vezes no Grupo Especial.

Comissão de Frente

Coreografados por Claudia Motta, os integrantes da comissão de frente do Império Serrano contaram com duas crianças entre os componentes do quesito. A coreografia apresentada foi com base na letra da música de Gonzaguinha, com bastante teatralização e movimentos bem coordenados durante as apresentações. O grupo apresentou “Nascer ou Renascer? Eis a questão” do alto de um tripé. Vestidos de mendigos deixaram a reflexão de que as crianças que nos ensinam a ficarmos mais puros e que, apesar de tudo, a vida é bonita, é bonita e é bonita.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira teve dificuldade no primeiro módulo, apresentando-se no mesmo elemento cenográfico da comissão de frente. A dupla subia em um “elevador”, ao entrar na plataforma a porta-bandeira teve dificuldades. O bailado foi executado com um certo temor por Verônica Lima. Aos poucos a plataforma subiu e quanto mais alto, mais o vento castigou o casal. No meio da apresentação para o primeiro módulo a dupla pareceu ter a segurança necessária, mas no final a bandeira enrolou pela primeira vez, voltou rapidamente a desembolar. Na despedida quando o carro já estava andando a bandeira enrolou mais uma vez ficando embolada por mais tempo do que da primeira. Frente ao segundo módulo, a bandeira voltou a enrolar.

O problema aconteceu também uma vez no terceiro e no quarto novamente. Vestidos de “A vida é energia”, o figurino continha luzes e chamava bastante atenção. Verônica e Diogo são experientes e estão entre os melhores casais do Especial e não precisam passar pela situação de desfilar e dançar em cima de uma plataforma suspensa. Ambos teriam mais tranquilidade para exibir todo o talento que possuem no solo sagrado da Sapucaí.

Samba-Enredo

A polêmica e as preocupações de que de maneira estrutural o Império Serrano não tinha um samba-enredo, precisando transformar um clássico da MPB em uma obra a ser cantada na avenida pode ser mal interpretada pelos jurados, porém, de maneira até surpreendente, a composição se comportou muito bem, conduzida pela dupla Anderson Paz e Leléu. O destaque, é claro, fica por conta do refrão principal da canção. O trecho de melodia mais “trepada”, quando o samba chega na parte “Você diz que é luta e prazer/ Ele diz que a vida é viver/ Ela diz que melhor é morrer/ Pois amada não é/ E o verbo é sofrer” teve também bom desempenho, porém se tratando de Império Serrano o canto poderia ter sido bem mais forte.

Evolução

A escola evoluiu sem problemas de lentidão ou correria no desfile, ou seja, não houve oscilações de andamento, porém os espaçamentos entre alas não foi perfeito. Em muitos momentos foram vistas alas entrando em outras alas ou alas espaçadas demais para a ala da frente. Vale destacar que o componente do Império Serrano, no entanto, brincou solto na pista. A escola finalizou seu desfile com 53 minutos.

Harmonia

A música de Gonzaguinha é de total conhecimento público e não seria diferente com o componente do Império Serrano. O samba, que sofreu bastante crítica pela adaptação, mostrou-se valente e foi bem cantado pela comunidade imperiana, mas poderia ter sido mais forte principalmente entre as últimas alas da Avenida. A obra, por não se tratar de um samba-enredo de fato, estruturalmente falando, teve um andamento hoje raramente usado em desfiles e também contribuiu com um maior apelo popular de quem estava assistindo.

Enredo

O Império Serrano se propôs a levantar várias perguntas acerca do que seria a vida com o seu enredo de 2019, sob a criação do carnavalesco Paulo Menezes, responsável pelo inesquecível carnaval de 2006 ” O Império do Divino”. Com o carnaval 2019 o Império Serrano abordou uma reflexão sobre a vida e o viver, o que as pessoas pensam sobre isso e como se comportam diante dela. De onde viemos e se vamos para algum lugar. Dividido em seis setores, o enredo abordou: a visão pela ciência, a visão religiosa, a visão humana, a dicotomia e a maneira que o homem se comporta para o bem e para o mal, finalizando com uma homenagem a Dona Ivone Lara, falecida no ano passado. Uma das mulheres mais importantes da história do samba.

Fantasias

Com um conjunto de fantasias aquém do que se espera para uma agremiação do Grupo Especial, a escola apresentou problemas já na primeira ala. As bolinhas que se acendiam, assim como a decoração do abre alas, passaram com muitas apagadas. Na segunda ala alguns componentes não traziam o resplendor com a pomba, uma referência a Oxalá.

A musa frente a segunda alegoria não calçava sapatos. Na ala 13 “Seria a vida uma ilusão”, o adereço da cabeça estava caindo. A ala de passistas não se apresentou com calçados uniformes. Foram observados vários tipos de calçados na cor prata, visivelmente um improviso. Na ala 19, novamente problemas de acabamento, as bolinhas da decoração estavam soltando e caindo. Na ala das crianças, que desfilou feliz, cantando o samba e sambando muito, alguns estavam sem o chapéu e na ala de baianas, logo atrás, saias rasgadas, descosturando e as placas decorativas descolando.

Alegorias

O tripé pede passagem que trazia o nome da escola iluminado, apagou em parte das letras ainda no primeiro módulo de julgadores e seguiu apagado até o final. No abre-alas “Ela é a batida de um coração” a decoração das fantasias das composições e do próprio carro estavam algumas apagadas e algumas acesas. A segunda alegoria “É o sopro do criador” trazia a maior escultura apresentada pela escola. Para fala da religião, a alegoria remeteu ao afresco de Michelangelo ” A criação de Adão” onde Deus, com um toque do seu dedo, cria e dá vida ao primeiro homem. A partir da terceira alegoria o carnavalesco altera as cores da escola até então mais escuras nesse setor e traz uma palheta mais clara. A quinta alegoria “Eu fico com a pureza da resposta das crianças” passou completamente apagada e a sexta e última alegoria fez uma homenagem a Dona Ivone Lara através do departamento feminino da agremiação.

Bateria

Com um andamento mais cadenciado, a bateria contribui positivamente para o desfile da Verde e Branca da Serrinha. Com breques que convidavam o componente e o público a cantar, a Sinfônica de mestre Gilmar contagiou os presentes. A rainha Quitéria Chagas brilhou e se comportou como uma verdadeira rainha apresentando a bateria frente aos módulos de julgadores. Vale destacar o figurino dos ritmistas “Seria a vida uma guerra?”, que vestidos de militares formavam um belo visual.

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