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Jovem ritmista da Mocidade ganha notoriedade como barbeiro e ganha como cliente o intérprete Wander Pires

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055F287B 02E2 46A1 B880 3D39D1962CBFO estilo inconfundível de Wander Pires ganhou um parceiro muito especial. Neste sábado durante a final de samba na quadra, o intérprete deu um trato no seu visual com o jovem Célio, 22, ritmista da bateria Não Existe Mais Quente. Célio possui a formação de barbeiro, após realizar um curso na quadra, em uma parceria da Mocidade com o Senac.
Célio já conseguiu sua casa própria, é casado e tem um filho, apesar de ainda jovem. Mas sem dúvida ganhar como cliente ninguém menos que Wander Pires foi a grande conquista de Célio. A reportagem do CARNAVALESCO acompanhou o processo de preparação de Wander Pires em seu camarim exclusivo na quadra da Mocidade. Célio falou de como se tornou barbeiro e conquistou o cliente especial.
DEA92D99 7FB3 495D 85A2 D0858B509867“O curso foi aqui na quadra. Me interessei após terminar os estudos. Ganhei prioridade pois era ritmista da escola. Comecei cortando no portão da minha casa. Trabalho em um salão e sonho em ter o meu próprio. Terminei a minha casa agora, tenho uma filha de 8 meses. O motorista do Wander começou a cortar comigo e eu pedi para ele levar ele no salão. Mas eu nem imaginava que levaria. Um dia ele chegou lá de surpresa. Eu nem acreditei. Desde esse momento passei a cortar o cabelo dele”, conta Célio.
Wander Pires, além da voz, possui como caraterística uma grande preocupação com o visual. São marcantes seus figurinos e penteados. Na quadra durante a final usou um figurino para cantar no show da escola e outro no ato de apresentação do samba vencedor.
95B122A9 EA67 474D 87B7 50377A135768A Mocidade, ciente de sua responsabilidade social em uma região da cidade carente de oportunidades aos menos favorecidos, mantém uma parceria com o Senac para cursos de profissionalização de jovens como Célio, que teve a vida mudada graças à oportunidade oferecida pela escola.

Viradouro faz evento de prevenção de acidentes e é vista como exemplo pela Liesa

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curso viradouro

A Viradouro promoveu em seu barracão, na Cidade do Samba, a 1ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho. No evento que aconteceu entre os dias 9 e 13 de setembro, 70 funcionários assistiram palestras ministradas por profissionais de diversas áreas, abordando temas relacionados ao trabalho em equipe, motivação, trabalho em altura, movimentação de carga, higiene ocupacional e combate a incêndio. Foram disponibilizados testes de Hepatite B, Hepatite C, Sífilis e HIV a todos os participantes.

Alex Fab e Dudu Falcão, diretores de carnaval da escola, coordenaram a 1ª SIPAT da Viradouro, que foi gerenciada por Alessandro Garcia, técnico em Segurança do Trabalho da vermelho e branco. Fab destaca que a iniciativa foi mais uma etapa do processo que a agremiação vem implantando no local que prepara alegorias e fantasias em busca de excelência nas atividades.

“A gente vem procurando, ano a ano, aprimorar a relação da Viradouro com os funcionários, não só tirando todos da informalidade, mas implementando medidas que deixem o funcionamento do barracão o mais próximo possível do mundo empresarial fora do Carnaval. Pra isso, a presidência da escola vem cumprindo todas as etapas necessárias”, revela o dirigente.

Funcionários dos ateliês de confecção de fantasias e adereços, de ferragens, carpintaria e pintura de arte assistiram a palestras de profissionais do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), da Secretaria Municipal de Saúde, da Subsecretaria de Atendimento Básico do município e da Brigada de Incêndio da Liga das Escolas de Samba (Liesa).

No encerramento da 1ª SIPAT da Viradouro, estiveram no barracão, além de Marco Antônio Rodrigues, vice-presidente Financeiro da escola, Elmo José dos Santos, Gustavo Mostof e Edson Marcos, representando a Liesa.

Elmo, que é diretor de carnaval da Liga, destacou o papel que a Viradouro ocupa atualmente entre as escolas do Grupo Especial carioca.

“Nunca imaginei que uma escola que veio de baixo (numa referência ao recente retorno da agremiação ao grupo de elite), degrau por degrau, hoje é o espelho pra várias escolas aqui da Cidade do Samba. Esse trabalho que a Viradouro vem fazendo é um exemplo pro nosso Carnaval”, ressaltou o dirigente no discurso de fechamento do ciclo de palestras.

Renascer de Jacarepaguá repete para o Carnaval 2020 fórmula de sucesso do samba encomendado

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Por Lucas Santos. Fotos: Magaiver Fernandes

Seguindo o modelo já consolidado na escola nos últimos anos, a Renascer de Jacarepaguá apresentou o samba para 2020 que foi encomendado aos autores Cláudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau. A apresentação oficial à comunidade foi marcada por feijoada e pela participação das co-irmãs Unidos de Padre Miguel, cujo intérprete para 2020 é o compositor Diego Nicolau, e a Imperatriz Leopoldinense.

Com o enredo, “Eu que te benzo, Deus que te cura”, a escola aposta na fé e sabedoria das benzedeiras apresentando a história destas tradicionais mulheres que usam a oração para proporcionar a cura física e espiritual. Após o intérprete Leonardo Bessa entoar alguns sambas de anos anteriores, uma encenação apresentando uma rezadeira curando um doente no palco, precedeu o canto do hino de 2020.

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A encomenda de sambas nos últimos anos tem rendido a escola obras que receberam muitos elogios como a música do enredo de 2017, “O papel e o Mar”. Mas, para os compositores o segredo não está na encomenda e sim nos temas escolhidos.

“Acho que antes de o segredo do sucesso dos sambas ser a encomenda é o fato de que a Renascer tem primado por excelentes enredos. É muito mais provável que de um grande enredo saia um grande samba. A Renascer ajuda os compositores a fazer grandes hinos. Acho que desse samba de 2020, a letra seja uma das mais inspiradas que nós fizemos e acho que por falar de fé em uma escola que é muito família, né, faz com que renda bastante”, explica Diego Nicolau.

Cláudio Russo também citou a importância das escolhas de enredo da Renascer para o processo de confecção do samba, mas citou algumas vantagens que a obra por encomenda traz no geral.

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“Eu acho que o sucesso da Renascer tem relação com a belíssima escolha do enredo. Isso é que tem sido o diferencial. E eu acho que a vantagem da encomenda é que a gente arrisca mais, a gente pode arriscar porque se a escola não aprovar alguma coisa nova, a gente volta e faz de novo. Na final os compositores arriscam menos com medo de saírem cedo da disputa”.

Ambos os compositores, foram unânimes no entendimento de que o processo tradicional de concurso de sambas deva sofrer mudanças significativas.

“Eu não sei se a encomenda é o melhor negócio no geral. Até acho que não seja. É preciso baratear a disputa como algumas escolas fizeram, Mangueira, por exemplo. O mais especial desse samba é a alma dele. O samba tem alma. É verdadeiro. Esse samba fala muito da nossa raiz. Eu e os nossos parceiros tentamos trazer a alma das rezadeiras. E ela aparece a partir do momento que a gente faz o samba como uma pessoa que está doente e pede a ajuda delas”, conta Cláudio Russo.

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“Eu acho que falando do processo tradicional das disputas precisa passar por uma reformulação, precisa reaproximar os compositores, que não tem dinheiro mas tem talento, da disputa dando a eles a chance de vencer. Acho que criar mecanismos que corte os gastos desnecessários é importante” aconselha Diego Nicolau.

Já o presidente Antônio Carlos Salomão prefere valorizar a beleza das obras que a Renascer tem levado para o carnaval. O dirigente também deu de ombros a incerteza de verbas para a série A.

“Olha só, não vai ser surpresa né? Há cinco anos que eu venho com os melhores sambas do carnaval. Esperava já uma grande obra, né, vindo do Moacyr, do Diego e do Cláudio. Fui anteontem na gravação para botar a base e está muito legal. Veja só, vou fazer o carnaval como todo ano se faz. Não adianta! Presidente de escola de samba é maluco, é otário, é alienado. Mas, presidente bota a escola na rua. Não pergunta como, porque ninguém sabe responder isso. Em alguns funciona melhor, em outros é pior, mas a escola vai pra rua do mesmo jeito”.

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Para o diretor de carnaval da Vermelha e branca de Jacarepaguá, Macaco Branco, a encomenda de sambas é um modelo necessário no contexto atual que tem se consolidado na Renascer.

“A Renascer já vem adotando esse modelo de encomenda já há algum tempo e tem sido muito positivo para a escola, pois tem trazido notas boas e a escola tem feito grandes desfiles. Acaba sendo bom pra escola a encomenda, porque hoje pra gente abrir uma quadra para disputa de samba acaba sendo muito caro, a gente tem um custo muito alto. Isso começou na época que a escola ficou sem quadra devido a obra do BRT, e aí não tinha como ter disputa de samba. E deu muito certo isso. E por não ter dinheiro para estar fazendo eventos na quadra, o presidente Salomão, até por essa crise, optou por continuar a encomendar o samba”.

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Macaco Branco também se disse tranquilo para conciliar o posto de mestre de bateria da Vila Isabel com a função exercida na Renascer.

“Eu sou um cara pilhado. Sempre gostei de carnaval e gosto de trabalhar. Essa função de diretor de carnaval eu gosto e já fui em outras agremiações. É só conciliar a agenda. E eu ainda sou músico da Mart’nália”.

Leonardo Bessa falou da emoção de voltar ao carnaval do Rio e prefere deixar a decisão do modelo de escolha do samba para a definição de cada escola.

“É uma satisfação muito grande e uma alegria, e sobretudo uma certeza de que estou seguindo o caminho certo, e graças a Deus recebi um grande presente da Renascer com esse samba belíssimo que eu vou ter a honra, o prazer e a responsabilidade de cantar ele na Avenida. Cada escola sabe o que é melhor pra si. Na Renascer tem dado certo, a parceria de Moacyr Luz, Cláudio Russo e Diego Nicolau tem oferecido ao carnaval sambas belíssimos”.

Ney Junior elogia direcionamento cultural da escola

Estreando na Renascer em 2020, o carnavalesco Ney Junior já passou por grupos de base. Agora na Renascer, Ney elogiou os últimos enredos que a escola apresentou e definiu o tema desse ano como algo a altura da agremiação de Jacarepaguá.

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“É uma honra trazer um pouco da minha arte para uma escola que tem desfiles muito culturais e muito bons. Os resultados são uma consequência do trabalho. A gente está bastante organizado esse ano para que a gente possa não errar tanto. E o enredo causou um grande impacto no mundo do samba e a gente pretende fazer com que a renascer venha brigando e possa passar uma mensagem acima de tudo de paz, acima de tudo de orgulho a essas pessoas que dedicam e abdicam de suas vidas em prol do bem do outro. Na produção do samba eu conversei muito com os compositores, a gente visitou muitas rezadeiras para extrair tudo aquilo que elas têm para nos oferecer”.

Bateria da Renascer virá representando marinheiros

Agora mais a vontade no cargo, já se preparando para seu segundo carnaval como mestre de bateria, Júnior Sampaio adiantou a reportagem do CARNAVALESCO que os ritmistas em 2020 representarão marinheiros e que a bateria virá um pouco maior.

“Para o meu primeiro ano como mestre de bateria, cinco meses de trabalho, muita gente saiu devido a troca e muita gente voltou, algumas pessoas que nunca desfilaram na bateria, a gente fez toda uma mudança na afinação e na estrutura da bateria e na levada, e conseguimos trazer a nossa proposta de trazer uma bateria que toque samba de uma forma tradicional,mas ainda assim, ousada, e conseguimos representar bem a escola em 2019”.

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Em relação ao carnaval do próximo ano, Júnior fala em buscar a excelência.

“Para 2020, a proposta é trazer a bateria ainda mais tradicional, mais padronizada e buscar a nota máxima. Queremos subir o sarrafo”.

Casal aposta em entrosamento para melhorar desempenho em 2020

Dançando pela primeira vez na escola em 2019, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luiz Felipe e Thainá Teixeira, acredita muito na manutenção do trabalho dedicado para alcançar resultados melhores em 2020.

“No carnaval de 2019 nossa rotina de ensaio foi bem intensa. E a gente ficou muito feliz porque no dia do desfile conseguimos fazer aquilo que a gente preparou. Para 2020 a gente pretende mudar algumas coisas, até porque a gente vai trabalhar em cima das justificativas dos jurados, mas sem ficar neuróticos por isso e acreditando em tudo. Tem coisa que a gente não concorda, mas trabalhando em cima do geral e manter a preparação forte e intensa”, acredita Thainá.

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“A gente mantém a garra, mas o mais importante pra 2020 é que o entrosamento é maior, a gente já tá se falando no olhar, um já sabe o que o outro vai fazer. Em 2019 foi o primeiro ano juntos e agora já nos conhecemos mais. Com o samba já definido vai ficar mais fácil para a coreografia”, disse Luiz Felipe.

Sobre o figurino para o carnaval de 2020, Thainá Teixeira adiantou um detalhe ainda preservando muito da surpresa.

“Nós já vimos o protótipo, está lindo. Nosso figurino é irreverente, e assim, é uma surpresa. Foi uma surpresa para gente e dentro do enredo é algo inesperado, mas vai ser linda”.

A Renascer de Jacarepaguá será a sexta a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Série A. “Eu que te benzo, Deus que te cura” é o título do enredo da escola.

Ouça o samba-enredo da Renascer de Jacarepaguá para o Carnaval 2020 na versão do CD

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Compositores: Cláudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau
Intérprete: Leonardo Bessa

Rezadeira, dá licença mãe senhora
Esta dor que sinto agora
Não me deixa outra saída
Dói no peito, a inspiração perdida
Num pedido que implora pelo santo amor à vida
Eu tô pra baixo, mais caído que espinhela
Requenguela sem um facho de razão
Já mandei fechar a porta e a tramela
E pus cancela no meu coração
Pro mau olhado, só um galho de arruda
Peço ajuda à folha de manjericão
Oh minha santa benzedeira me acuda
“Ocê” me cuida e me dá proteção

Aroeira, senhor, aroeira
Sentada à mesa, mãe da brandura
Aroeira, senhor, aroeira
É vela acesa, copo d’água e reza pura

Rogo a ti toda a graça da bondade
Faz surgir anjos da dignidade
Para o combate do espinho com a flor

Oh preta velha, meu Brasil quer tua cura
Pra tirar a amargura deste povo sofredor

Benza Deus, meu caminhar
Joga no mar toda feitiçaria
Sou Renascer de Jacarepaguá
Em nome do pai e da Virgem Maria

Galeria de fotos: apresentação do samba da Renascer para o Carnaval 2020

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Secretário de Cultura cutuca Crivella: ‘Carnaval será abraçado pelo governo’

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    O secretário estadual de Cultura do Rio de Janeiro, Ruan Lira, esteve presente na final de samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, na noite deste sábado e madrugada de domingo.

    Ao discursar no palco, ele ressaltou o compromisso do governo Witzel com os desfiles das escolas de samba e disparou para cima do prefeito Marcelo Crivella.

    “O prefeito Marcelo Crivella que me perdoe, mas com todo respeito à ele, o governo do estado vai abraçar o Carnaval. Para nossa gestão a festa não é um gasto, é investimento em geração de emprego, cultura e fomento ao turismo. Nossa secretaria junto do governador Witzel está empenhada em encontrar soluções para valorizar o maior espetáculo da terra”.

    Império da Tijuca 2020: anúncio do samba-enredo campeão

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    Jack Vasconcelos: ‘Elza é um ato político ambulante’

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    Por Diogo Sampaio. Fotos: Allan Duffes

    Ao conversar com o site CARNAVALESCO, durante a final de samba-enredo para o Carnaval 2020, Jack Vasconcelos comentou a força do enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel e deu uma visão rápida da proposta que será realizada na homenagem para Elza Soares.

    “Elza é um ato político ambulante. Eu me senti muito a vontade com o tema. Acho que até um pouco do meu nome ter sido lembrado para esse enredo é por conta do viés político. Eu me identifico muito com discurso e com o trabalho que ela tem. E pesquisar sobre a vida da Elza, ouvir as músicas dela, querer entender e entrar na cabeça dela… Por que ela escolheu tais músicas para cantar? Eu não posso adiantar como será, mas posso garantir que não é uma biografia simples, de retrato por exemplo”.

    O carnavalesco da Mocidade revelou a ótima recepção por parte dos independentes.

    “Desde o momento que eu cheguei na escola entendi que o meu papel esse ano era de ser um instrumento. Eu não enxergo o enredo como meu, por exemplo. Quando eu cheguei, o tema já estava escolhido. E eu já sabia o quanto as pessoas estavam esperando por ele. Sei o quanto cada independente sente um pouco dono do enredo também, porque todo mundo fala muito dele, há muitos anos. Fui escolhido para ser a ferramenta para que tudo isso fosse possível, para que isso tudo fosse realizado. Para mim, é um ano atípico nesse sentido: Não foi um enredo que eu propus, que originalmente eu queria fazer, mas eu me sinto escolhido para ser o braço, para ser a mão, que vai edificar isso tudo. E para mim é uma honra”.

    O artista também comentou a crise econômica que vivem as escolas de samba e citou o andamento do trabalho na verde e branco da Vila Vintém.

    “Fazer carnaval, fazer arte no Brasil em geral, não é fácil e nunca foi. Quem escolhe esse caminho tem de ter consciência de que a vida não será tranquila. Eu acredito que esses anos de acesso, que ainda são muito recentes na minha memória e no meu raciocínio de carnaval, me ajudam muito a fazer trabalhos que não são tão caros, em termo de dinheiro, como eles aparentam ser. É muito fácil fazer carnaval quando se tem grana: É só colocar uma pluma, um material importado, que vai ficar bonito. A crise financeira força a nós reaproximar dos fundamentos de uma escola de samba. É claro que tem o lado muito ruim disso tudo, que é o ataque encima da importância que a escola de samba têm culturalmente como identidade. Então, a gente sabe que essa falta de dinheiro tem origem nisso. Isto que é complicado, que é difícil. Devemos ficar atentos e combater da forma que a gente puder. No momento, a gente está terminando protótipos e fazendo o projeto dos carros alegóricos. Também já começamos a entregar destaques. Estamos com um cronograma bem pensado com a direção de carnaval, justamente para otimizar o nosso tempo e o nosso dinheiro”.

    MOCIDADE 2020: festa toma conta da quadra com o anúncio do samba campeão

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    Essa nega tem poder! Parceria de Sandra de Sá faz história e vence disputa de samba da Mocidade

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    Por Guilherme Ayupp, Eduardo Fonseca e Diogo Sampaio. Fotos: Allan Duffes

    O Maracanã do Samba, alcunha da nova quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, mais uma vez fez jus ao apelido. O gigante de concreto localizado no coração da Avenida Brasil viveu uma daquelas noites memoráveis para conhecer o samba-enredo da Estrela Guia para o Carnaval 2020. Favorito desde as audições iniciais e depois com as eliminatórias na quadra, o samba composto pela cantora Sandra de Sá e os poetas Igor Vianna, Dr. Márcio, Solano Santos, Renan Diniz, Jefferson Oliveira, Professor Laranjo e Telmo Augusto foi aclamado campeão, nos braços do povo. A Mocidade apresenta o enredo ‘Elza Deusa Soares’ no Carnaval 2020. A temática será desenvolvida pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. A verde e branca será a quinta a desfilar na segunda-feira de carnaval.

    Duas ausências foram sentidas na grande final, embora tenha sido uma grande noite. A homenageada, Elza Soares, não pode comparecer por estar realizando um show em São Paulo. E a cantora Sandra de Sá, compositora do samba campeão, também estava se apresentando em Minas Gerais e não conseguiu chegar para celebrar sua histórica vitória.

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    Fazer história na Mocidade não é uma tarefa qualquer. Além do fato de o samba ter sido campeão enfrentando na grande final poderosos caciques da composição na Estrela Guia de Padre Miguel, outro fato histórico pode ser registrado na memorável final. O samba vencedor não tem um único compositor que já tenha sido campeão na verde e branca.

    Igor Viana possui linhagem independente. Ele é filho de Nei Viana, um dos mais lendários intérpretes da Mocidade. De reconhecido talento, é o atual cantor da Unidos de Bangu. Igor destacou para o site CARNAVALESCO os aspectos que na sua visão fizeram com que o samba se sagrasse vencedor.

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    “Eu e meus parceiros buscamos a vitória, era um sonho nosso. O meu trecho predileto da obra é ‘Se acaso você chegar, com a mensagem do bem, o mundo vai despertar, deusa da vila vintém. És a estrela…meu povo esperou tanto pra revê-la’. É um trecho de muita representatividade. A Mocidade atendeu o chamado do seu povo, com a sua grande homenageada em vida, apta a cantar na avenida a sua vida, a plenos pulmões”, declarou.

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    Uma autêntica avalanche em forma de samba-enredo. Um refrão arrebatador, com uma melodia que se encaixa à perfeição para a bateria da Mocidade, foi cantado a plenos pulmões por toda a quadra durante os cerca de 25 minutos que se apresentou. Segmentos, torcedores, camarotes. Todos em uníssono disseram em letras garrafais o samba que gostariam.

    Elza é um ato político ambulante

    Ao conversar com o site CARNAVALESCO, Jack Vasconcelos comentou a força do enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel para o Carnaval 2020.

    “Elza é um ato político ambulante. Eu me senti muito a vontade com o tema. Acho que até um pouco do meu nome ter sido lembrado para esse enredo é por conta do viés político. Eu me identifico muito com discurso e com o trabalho que ela tem. E pesquisar sobre a vida da Elza, ouvir as músicas dela, querer entender e entrar na cabeça dela… Por que ela escolheu tais músicas para cantar? Eu não posso adiantar como será, mas posso garantir que não é uma biografia simples, de retrato por exemplo”.

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    O carnavalesco da Mocidade revelou a ótima recepção por parte dos independentes.

    “Desde o momento que eu cheguei na escola entendi que o meu papel esse ano era de ser um instrumento. Eu não enxergo o enredo como meu, por exemplo. Quando eu cheguei, o tema já estava escolhido. E eu já sabia o quanto as pessoas estavam esperando por ele. Sei o quanto cada independente sente um pouco dono do enredo também, porque todo mundo fala muito dele, há muitos anos. Fui escolhido para ser a ferramenta para que tudo isso fosse possível, para que isso tudo fosse realizado. Para mim, é um ano atípico nesse sentido: Não foi um enredo que eu propus, que originalmente eu queria fazer, mas eu me sinto escolhido para ser o braço, para ser a mão, que vai edificar isso tudo. E para mim é uma honra”.

    Escola prepara desfile com 3 mil a 3500 componentes

    Em entrevista ao CARNAVALESCO, o diretor Marquinho Marino falou sobre a previsão de início dos ensaios de rua da escola de Padre Miguel.

    “Vamos começar em dezembro. Serão dois domingos antes do Natal. Haverá uma parada para as festas de final de ano e partir de janeiro será todos os domingos até o carnaval. Total de 12 ensaios até o carnaval. A Mocidade levará para Avenida cinco carros sendo um acoplado. E tripés acoplados ao abre-alas. Teremos entre 3000 e 3500 de componentes no desfile”, revela.

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    Marino garantiu que o planejamento do desfile não será mudado com a redução em cinco minutos feita pela Liesa. O diretor também comentou como está o trabalho com o carnavalesco Jack Vasconcelos.

    “Partimos do pressuposto que qualquer samba escolhido hoje tem entre 2 minutos e 2:20 e quando você parar o casal e a comissão na cabine perde-se perto de 5 minutos. Como teremos uma cabine a menos, automaticamente esses 5 minutos serão substituídos. O trabalho com o Jack Trabalho está sendo muito prazeroso. Estamos muito satisfeitos. Não só com o trabalho estético de fantasia e alegoria, como com o projeto e uma equipe muito forte na elaboração dos protótipos das fantasias”.

    Perguntado sobre o impacto na escola com a saída de Rodrigo Pacheco, Marino preferiu não comentar: “Isso é um assunto interno e da presidência. Prefiro não opinar”, disse.

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    O vice administrativo da Mocidade, Luiz Claudio, conversou com o site CARNAVALESCO e abordou a crise no carnaval e revelou o que o independente pode esperar do desfile de 2020.

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    “A crise financeira é um fato que persegue todas as escolas do Rio. Seja do grupo Especial ou da Série A. Nos últimos meses estamos tentando entender na Mocidade o que vamos arrecadar para 2020 e dentro deste valor encaixar o nosso carnaval e o nosso desfile dentro dessa receita que vai entrar. Eu posso garantir que a escola vai entrar na avenida em perfeitas condições. Desde que voltamos em 2014, vocês tem acompanhado a excelência dos desfiles e a Mocidade vem numa curva muito boa. Podem esperar mais um carnaval de excelência e o tão sonhado título”.

    Bateria ensaia naipes separadamente

    A bateria ‘Não Existe Mais Quente’, a mais famosa do carnaval, não obteve a nota máxima no julgamento de 2019. Mesmo assim, o mestre Dudu, de linhagem independente, seguirá o mesmo conceito de trabalho deste ano, com o treinamento de naipes em separado, como conta o mestre ao site CARNAVALESCO.

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    “A bateria não gabaritou mas o trabalho foi feito. Conhecemos o ensaio com muita antecedência, fizemos um trabalho guiado. Isso me deu um resultado positivo, pois pude limpar bossas. O resultado foi muito satisfatório. Vamos manter o mesmo trabalho, com 264 ritmistas”.

    Dudu lembra a história de Elza Soares com a bateria, afinal foi na sua voz que a ‘Não Existe Mais Quente’ ficou eternizada. O mestre faz mistério com relação à fantasia da bateria.

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    “Trabalhar em casa é mais fácil e fico feliz pelo momento. O enredo também remete à bateria. Mestre André trabalhou junto com a Elza. O Jack já me passou as coordenadas, é segredo ainda. Para mim é um momento muito importante. A escola escolheu o melhor hino para o desfile”.

    O show é sempre cobrado em relação à bateria da Mocidade. Dudu comenta a novidade no regulamento da Liesa, onde quem não parar na altura do módulo não poderá ser punido. Entretanto, ele destaca que a escolha do andamento é o segredo para um bom desempenho na avenida.

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    “Eu sou favorável, embora eu não goste de comentar regulamento. Desfilei em 2013 com sete bossas. Foi o ano que mais ousei. Um bom desempenho não significa paradinhas. Eu sou favorável a um andamento bem feito, adequado ao desfile, ao samba. Eu acho que é por aí”.

    ‘Elza Soares é um ícone do país’, afirma Wander Pires

    A voz marcante de Wander Pires pode novamente se misturar com a de Elza Soares na faixa do CD do Grupo Especial. Ela que já gravou um alusivo no álbum de 2019, desta vez como enredo da Mocidade pode pintar novamente no disco. Wander espera com ansiedade a repetição do momento.

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    “A Elza é um ícone do país, não só da Mocidade. É mais uma grandiosa honra. Um momento muito feliz meu na Mocidade. É possível que ela participe da faixa. Ano passado ela já fez. Esse ano eu estou aguardando esse momento. Na avenida sei que é mais complicado, mas o importante é ela estar conosco no desfile”

    O intérprete se encaminha para o seu quarto desfile consecutivo pela Mocidade, o que já é a segunda sequência mais longa desde seu surgimento, quando cantou na escola entre 1994 e 1999. Wander afirma que o momento de cantar o samba campeão é sempre de muita expectativa.

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    “É uma grande expectativa, a gente como sempre sente algo diferente, depois de um longo processo, a comunidade fica esperando a gente cantar o samba campeão. Eu mesmo fico sem saber, esperando o que vai acontecer. Não falta poesia no nosso samba. A Mocidade tem histórico de sambas melodiosos, e esse não é diferente”.

    Casal passa por saia justa e bateria dá show de excelência

    A final da Mocidade foi uma ode de respeito ao público e organização de um evento. Embora por força maior a grande homenageada não pudesse comparecer por agenda profissional, quem esteve no Maracanã do Samba viu uma aula de como se apresenta um show. A começar pela bateria Não Existe Mais Quente, com uma autêntica exibição de gala na quadra, levando as pessoas ao autêntico delírio. O naipe de chocalhos ostentava letras em neon em sua vestimenta. Nada mais com a cara da Mocidade. Em seguida, o intérprete Wander Pires desfilou sua reconhecida categoria relembrando os memoráveis sambas da agremiação.

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    Um saia justa ocorreu na apresentação do casal Diogo Jesus e Bruna Santos. Na hora que a imagem do mestre-sala apareceu no telão da quadra, foi possível ouvir vaias. A diretoria da escola tentou abafar pedindo aplausos, mas foi em vão. O dançarino foi contratado para o lugar do antigo mestre-sala, Marcinho, que junto com Cris Caldas foram demitidos da Mocidade, causando grande rejeição na comunidade, apesar de ambos serem muito talentosos.

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    A dupla conversou com a equipe do site CARNAVALESCO. Diogo ressaltou que agora vive uma nova fase. “Sou maduro. Minha saída da Mocidade não foi muito conforme a gente espera, pela porta da frente. Mas acredito que a Mocidade superou, o Diogo Jesus superou, e agora basta a comunidade superar e abraçar a gente”.

    Bruna ainda parece estar sonhando em ter alcançado o posto de primeira porta-bandeira da Mocidade. “É gratificante demais. É incrível eu estar podendo defender o primeiro pavilhão da minha escola, de onde eu comecei. Essa apresentação hoje foi uma emoção enorme. Sentir o calor da comunidade me abraçando”.

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    Como foram as apresentações dos outros finalistas:

    Zé Glória: Último samba a subir ao palco, não se intimidou com a avalanche deixada pela obra de Sandra de Sá e seus parceiros. Conduzido mais uma vez de maneira brilhante por Tinga, foi o samba que mais se aproximou de ameaçar a vitória de Sandra de Sá.

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    Jefinho Rodrigues: Uma apresentação que ficou aquém para uma parceria que buscava defender o título. Deixou a nítida sensação de entrega dos pontos, uma vez que o favoritismo de um samba era latente. Destaque para a dupla Diego Nicolau e Evandro Malandro na condução do samba.

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    Paulo César Feital: Parceria que conseguiu mudar os rumos da Mocidade no quesito desde 2017, desta vez errou a mão. A obra é era excessivamente grande, tornando a apresentação cansativa e arrastada. Foi o samba mais irregular da final.

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