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Beija-Flor vive expectativa de final inesquecível para o Carnaval 2020

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quadra beija

Uma noitada de samba na quadra da Beija-Flor não é uma experiência fácil de esquecer para quem a vive. Quem for a Nilópolis na noite desta quinta-feira, quando a agremiação escolhe seu hino oficial para o Carnaval 2020, há de viver um desses momentos memoráveis. A Deusa da Passarela recebeu uma safra de sambas que é apontada pelo diretor de carnaval, Dudu Azevedo, como a melhor que já viu em sua trajetória no carnaval.

“Eu creio ter sido uma das melhores safras que já trabalhei na minha carreira. São três obras de muita qualidade e todas tem a premissa de nos ajudar em um grande desfile. Possibilitam um bom desempenho da bateria, além de um canto forte da comunidade. Isso tudo sem citar a adequação perfeita à sinopse de nossos carnavalescos, Alexandre Louzada e Cid Carvalho”, elogia.

Dudu Azevedo foi contratado para o cargo após o carnaval deste ano, onde trabalhou na União da Ilha. Após passagens por Salgueiro e Grande Rio, o dirigente conta que a recepção na maior campeã da Era Sambódromo é algo que ele não esperava que fosse tão calorosa.

“A minha chegada na Beija-Flor, com o acolhimento de todos os setores da escola me surpreenderam bastante, confesso. É uma verdadeira família na escola, todos imbuídos em trabalhar para levar um belo carnaval para a avenida”, destaca.

Três parcerias estão na final: Jr Beija-Flor, Thiago Alves e Junior Trindade; Magal Clareou, Diogo Rosa, Julio Assis, Jean Costa, Dario Jr e Thiago Soares; e J. Velloso, Kirrazinho, Marquinhos Beija-Flor, Leo do Piso, Théo M. Netto e Dimenor Beija-Flor.

Um grupo de seletos notáveis terá a incumbência de escolher o samba da Beija-Flor para o Carnaval 2020. Após cada obra ter 20 minutos em média para se apresentar, nove pastas irão definir o samba campeão para o desfile de 2020.

Os gestores da escola Gabriel David e Almir Reis, o diretor de carnaval Dudu Azevedo, os comandantes da harmonia Valber Frutuoso e Simone, o intérprete Neguinho da Beija-Flor, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso, o coreógrafo Marcelo Misailidis e os departamentos cultural e de carnaval.

Serviço:

Final de Samba na Beija-Flor
Data: Quinta, 10 de outubro
Horário: A partir das 21h
Atrações: Apresentação show com segmentos da Beija-Flor e apresentação dos três sambas finalistas
Preço: R$ 20 (entrada)
Local: Quadra da Beija-Flor de Nilópolis – Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, Nilópolis
Informações: (21) 3743-0340

Riotur assume Terreirão e Milton Cunha será curador de Centro de Referência do Samba

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    marcelo alves riotur

    A Riotur assumiu a administração do Terreirão do Samba e desde então tem desenvolvido um projeto, com foco na iniciativa privada, para remodelar a utilização do espaço, oferecendo uma agenda permanente de atividades no local.

    Reduto histórico do samba carioca, o Terreirão assumirá o papel de centro de referência do gênero, com áreas para exposições, palestras e debates; um centro de gastronomia típica, bares e uma agenda de rodas de samba. A curadoria da programação do novo espaço cultural ficará a cargo de Milton Cunha, conhecedor da história do carnaval e do samba.

    “O potencial do projeto de um centro de referência no Terreirão do Samba, que além do caráter histórico, tem fácil acesso e localização privilegiada, somado a uma agenda ativa e diversificada, é imenso. Já estamos conversando com possíveis patrocinadores, interessados em expor suas marcas para cariocas e turistas que forem visitar o Terreirão”, explica Marcelo Alves, presidente da Riotur.

    Paraíso do Tuiuti abre inscrições para alas de comunidade

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    comunidade tuiuti

    O Paraíso do Tuiuti começa na próxima segunda-feira, as inscrições para os interessados em desfilar nas alas de comunidade da escola. O cadastramento será feito a partir das 19h, na quadra da agremiação. Os interessados devem levar documentos básicos, como RG, CPF, comprovante de residência e uma foto 3×4. A taxa da matrícula será de R$ 80 (com direito a camisa do enredo).

    Logo após o cadastro, a partir das 20h, a agremiação também iniciará os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2020.

    “O componente que quiser desfilar conosco no ano que vem precisa fazer essa inscrição. Faremos esse cadastramento toda segunda-feira. A pessoa faz a inscrição e já fica para o ensaio de canto”, explica Júnior Schall, diretor de carnaval da azul e amarelo de São Cristóvão.

    No ano que vem, o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval. Mesma posição de desfile que garantiu o vice-campeonato para a escola em 2018. O enredo da agremiação é “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

    A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.

    De forma rápida e objetiva, Rosas de Ouro grava faixa pro CD 2020

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    Por Matheus Mattos

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    Última agremiação a realizar a gravação da faixa ao vivo para o CD do Carnaval 2020, o Rosas de Ouro foi umas das mais rápidas a passar pela tenda. A bateria não poupou bossas, mas trouxe um andamento confortável ao samba. O coral foi pulsante, e contou também com dois robôs que coreografaram junto à comunidade.

    Ao CARNAVALESCO, mestre Rafa da Bateria com Identidade destacou que rapidez não significa superioridade.

    “Foi uma bela gravação, pessoal entrosado, com o samba na cabeça. A bateria estava bem ensaiada, nós fizemos três ensaios durante a semana e por isso que foi rápido. Não é porque a gente é melhor, ensaiamos e trabalhamos. O samba também é fácil, de boa dicção, e nos ajudou”.

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    O principal responsável pela bateria também revelou bossas e arranjos que utilizará no desfile.

    “O andamento foi entre 144 e 146 BPM (batidas por minuto). As bossas foi uma junção de ideia de diretores e os meninos do Duetto. Temos mais duas bossas pra colocar, vamos modificar algumas coisas pro desfile. A introdução vai mudar, cortamos ela no meio. Tem um arranjo no samba de crescente, e tudo isso aí vai pro carnaval. São quatro arranjos e mais três bossas que são muito grandes”.

    Celi Costa reinará à frente da bateria do Acadêmicos do Sossego

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    rainha sossego

    A Swing da Batalha já tem uma nova majestade. Celi Costa reinará à frente dos ritmistas do Mestre Laion Jorge na Sapucaí em 2020. Secretária Executiva, a rainha já foi passista do Salgueiro e desfilou como composição em carros alegóricos. Afastada da avenida por três anos, Celi retorna a passarela do samba no cargo mais cobiçado entre as beldades.

    “Fiquei lisonjeada com o convite da escola, estou muito feliz em voltar à Sapucaí ainda mais como Rainha de Bateria do Acadêmicos do Sossego. Já conversei com o Mestre Laion, já quero começar a frequentar os ensaios da bateria para fazermos um belo trabalho”, revelou Celi.

    A coroação da beldade acontece no dia 19 de Outubro, data que a agremiação fará uma grande festa, no Ginásio do Clube 5 de Julho, para comemorar os 50 anos da escola e apresentar o samba-enredo oficial do Carnaval 2020.

    O Acadêmicos do Sossego abrirá o sábado de Carnaval da Série A com o enredo “Os Tambores de Olokun”, do carnavalesco Marco Antonio Falleiros.

    Comunidade da Águia de Ouro demonstra força e garra durante gravação do CD para 2020

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    Por Matheus Mattos

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    Penúltima agremiação a gravar a faixa do CD, o Águia de Ouro trouxe o característico hino para o alusivo e um ritmo de bateria seguro, buscando a valorização do samba-enredo. Mestre Juca da Batucada da Pompeia, em entrevista ao CARNAVALESCO, elogiou estrutura para as gravações e revelou que característica da bateria não está na complexidade das bossas.

    “É uma estrutura maravilhosa, a rapaziada da técnica também, um pessoal capacitado. A cada ano o CD do Carnaval está ficando melhor, todas as baterias colocando a sua cara. Acho que esse ano vai ser o melhor, e a cada ano vai melhorar. A gente gravou no 146 BPM (batidas por minuto) e as nossas bossas sempre são feitas na melodia do samba. Elas são simples, com chamada de repinique, retorno de primeira e segunda. A gente não faz bossa com retorno em contratempo porque achamos que é correr um risco desnecessário”.

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    O samba do Águia foi cantando com muita força pelo coral, justificando os bons resultados em harmonia. A dupla de intérpretes, Douglinhas e Tinga, estive presente e desempenhou o papel sem atrasos. Douglinhas, que também ajudou na animação do coral, também elogiou a estrutura das gravações.

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    “A gente sempre vem com uma expectativa muito boa pra fazer a gravação. Eu fiquei muito satisfeito com a estrutura que a Liga proporcionou pro carnaval de São Paulo, cada ano que passa a gente nota que está ficando cada vez melhor. A gente fica muito feliz porque viemos lá de trás, de mil novecentos e pouco (risos), e fazer parte desse momento é uma alegria imensa. A gente cantou o samba em Dó sustenido e andamento de 146”.

    Samba dos Gaviões da Fiel com ótimo entrosamento entre coral e bateria no CD 2020

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    Por Matheus Mattos

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    Os Gaviões da Fiel gravaram a faixa da escola no CD oficial do Carnaval 2020 com empolgação e valorização do canto do coral. Os componentes trouxeram balões em preto e branco nas mãos, contribuindo visualmente durante as coreografias.

    A bateria Ritimão trouxe um ritmo característico da escola, valorizando o samba e desenhos dentro da melodia. A batucada não gravou com os xequeres, mas a faixa conta com o som do timbal. Ao CARNAVALESCO, mestre Ciro Gomes contou sobre impressão e afirmou que trecho do refrão será bem valorizado.

    “A impressão foi a melhor possível. A gente esperava realmente isso, valorizamos a melodia do samba é o ponto alto samba que é o ‘Canta Gaviões’. Podem esperar que esse trecho vai dar o que falar no carnaval. A gente gravou no andamento 142 BPM (batidas por minuto), fizemos uma introdução, bossa do refrão do meio e o apagão no final. Coisa simples, um arroz com feijão bom ensaiado, e achamos o resultado bem bacana”.

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    O cantor Ernesto Teixeira adotou uma postura segura e orientou o coral durante a gravação, junto aos diretores da escola. O intérprete revelou que tom do samba foi diminuído em comparação ao da eliminatória.

    “Mais um grande trabalho da organização da Liga e a Gaviões da Fiel veio aqui fazer o seu papel, mostrando um pouquinho daquilo que a gente vai apresentar pro carnaval de 2020. O samba é muito bom, o astral também acima de tudo. 50 anos é pra brigar pelo título. O andamento foi 142, alusivo 94, o tom do samba foi Fa sustenido. O concorrente era Sol, mas era a Grazzi que cantava, uma voz feminina. A gente trouxe mais pra baixo mas com o mesmo brilho”.

    Compositores finalistas da Beija-Flor falam da ansiedade para grande final desta quinta

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    festa beija

    A Beija-Flor define nesta quinta o hino oficial para o Carnaval 2020, quando a escola apresenta o enredo ‘Se essa rua fosse minha’, dos carnavalescos Alexandre Louzada e Cid Carvalho. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com os grandes artistas da grande final, os compositores, sobre a expectativa pela memorável noite na quadra da azul e branca nilopolitana.

    Júnior Trindade, um assíduo frequentador de finais na escola, elenca para o site os pontos de destaque do samba 05 e tece elogios ao enredo que a escola preparou para o desfile do ano que vem.

    trindade

    “Nosso samba tem nome e sobrenome. Beija Flor de Nilópolis. Buscamos os sambas da escola como referência e fizemos uma obra com o DNA nilopolitano. É impossível ouvir nosso samba e não dizer, ‘isso é Beija-Flor’. Essa obra nos toca em vários trechos: ‘Lá vou eu nessa roda gigante, nilopolitano eterno aprendiz…’, é uma referência às voltas da vida, aos caminhos que nos levam a aprender sempre e tirar das cicatrizes, força pra novos objetivos. ‘Não esqueço meu passado nem por onde eu andei’, como esquecer o passado? As glórias? As lágrimas? É uma conexão com as lembranças. ‘Ogunhê, meu protetor na avenida até o fim, no asfalto pra vencer, Maior é o Beija Flor…’, maior é e sempre será o Beija Flor. O enredo que fala de caminhos. Nele é possível fazer uma viagem pelas ruas e veredas, aos caminhos feitos pela humanidade e os caminhos dos corações, em especial os nilopolitanos. Sem dúvida a magia vai se revelar e mais uma estrela vamos alcançar”.

    Júlio Assis, um dos poetas do time do samba 01, esmiúça a parte predileta da composição de sua parceria e declara o seu amor pela escola através do samba que fizeram para essa disputa.

    magal

    “Compomos a poesia de um nilopolitano que vive, sonha e tem fé na vida que leva, passa pelos caminhos físicos e espirituais sem temer nada e ninguém, mas sempre respeitando a todos e no fim de tudo, tem orgulho de levar o beija-flor no peito. A nossa escola precisa de um samba aguerrido como o da nossa parceria. Entendemos que teremos o resultado tão esperado, com a nossa obra. ‘Me vejo em teu caminho, nessa imensidão azul do teu amor. E às vezes perdido, eu me encontro em suas asas Beija-Flor.’ Gostamos muito desse trecho, pois ele representa exatamente o tamanho do amor que nossa escola tem com cada componente da nossa comunidade e como esse amor é recíproco. Muitas vezes, mesmo com muitos problemas particulares, encontramos lá, em nossos ensaios, um acolhimento sem igual por parte da Beija-Flor. É sempre incrível estar lá. É um enredo belíssimo. Bem simples no título, mas muito complexo no seu desenvolvimento. É a especialidade da nossa escola, desenvolvimento de enredos complexos. Nesse em especial achamos que o diferencial será a forma de abordagem de todos os caminhos percorridos na vida. Esses caminhos, não são somente ruas e avenidas. A Beija-Flor vai surpreender, com toda certeza, ao abordar todos os caminhos q a vida nos leva”, esclarece.

    Jorge Velloso, presidente da ala de compositores da Beija-Flor, encara mais uma decisão. Unido à parceria bicampeã pela escola, conta os pontos positivos de seu samba e do enredo da Beija-Flor.

    veloso

    “É um samba completo com uma letra de fácil entendimento sobre o enredo, com uma melodia para cima, que vai nos ajudar muito principalmente por sermos a última escola a desfilar fechando o carnaval. Gosto do trecho ‘Quem Chega De Rumos A Fora, Se Achega À Gente Sambista, Aflora Um Festival De Prata Em Plena Pista’, esse trecho remete à Marquês De Sapucaí. Por aqui a cada ano quando chega o carnaval, chegam milhares de turistas, amantes da festa, componentes, espectadores pra ver, ouvir a Deusa da Passarela e se juntar a nós em um grande festival de prata em plena pista. Gosto muito desse trecho embora tenha outros que muito me emocionem. Nosso enredo é inédito, vai falar sobre as ruas mundo à fora. Acredito na proposta e no desenvolvimento do enredo pela escola. Estou muito confiante e feliz”, destacou.

    Estudo da sinopse: Estácio de Sá 2020

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    Estácio de Sá – Existência e temporalidade na experiência do ser Pedra

    Nome do enredo: Pedra
    Nome da carnavalesca: Rosa Magalhães

    Para o carnaval de 2020, a pedra deixa sua posição de objeto e passa a ser a
    protagonista da narrativa carnavalesca da comunidade do morro de São Carlos. O G.R.E.S.
    Estácio de Sá apresenta o enredo “Pedra”, construído pela carnavalesca Rosa Magalhães, a
    fim de discutir questões como a existência no tempo e como a vida – seja a da pedra, seja a humana – é constituída por embates e conflitos. Em sua sinopse, a carnavalesca nos apresenta alguns recortes da história do Brasil ligados à exploração de pedras, principalmente em serras; ao entendimento místico das pedras por nossos antepassados; e dados mais poéticos e subjetivos sobre as rochas, que atravessam os citados anteriormente.

    A maior tensão observada nas pedras que o enredo da Estácio coloca em nosso
    caminho é entre o existir e o desaparecer. Tensão essa que também pode ser percebida no
    universo das escolas de samba e, sistematicamente, em nossos universos íntimos. Existir no Grupo Especial e não desaparecer do imaginário do sambista é um dos maiores objetivos de toda agremiação. Para isso, dão enfoque ao pertencimento às suas comunidades e edificam o afeto de seus componentes por meio de sambas que evocam essa relação, como por exemplo o próprio samba exaltação da escola do São Carlos: “O meu coração se abriu em flor / Tu és o pavilhão do amor!”. A Estácio, em seu retorno ao grupo especial, e no profundo desejo de permanecer, busca inspiração no que é ser pedra – existir em sua grandiosa experiência histórica e resistir nos embates contemporâneos. A perseverança diária pela continuidade do ser e do habitar norteia uma sinopse que, ao final, questiona a permanência do estado da nossa morada, a pedra que nos abriga – o planeta Terra.

    O texto de Magalhães é um cristal que encontramos em nosso caminho e que precisa
    ser tocado, percebido e mesmo quebrado, para revelar os mistérios que guarda em seu
    interior. A narrativa é desenvolvida por recortes de lugares e de situações, é caracterizada por suas rupturas que não almejam um discurso linear ou canônico. A autora fragmenta a história oficial e escolhe aqueles cascalhos que melhor se encaixam em sua ficção para, enfim, criar um mostruário de pedras – poéticas e históricas. A sinopse, neste caso, cumpre sua função de apresentar o enredo que será desenvolvido na avenida e ao invés de deixar as respostas evidentes no texto, deixa apenas perguntas e incertezas. Magalhães nos mostra o caminho, nos mostra as pedras, mas deixa para nós a tarefa de sentar frente a frente com a pedra e conversar com ela, descobrir sua história, seus segredos e seus ensinamentos.

    Penso que a frase da sinopse “A beleza sólida desse material é a essência de nosso
    planeta” é uma ferramenta primordial no trabalho de entender a construção de Rosa Magalhães. Independente se preciosas ou não, as pedras guardam em si a história do lugar em que habitamos. Estar diante de uma pedra é testemunhar uma presença secular, um ser que existe em sua constante metamorfose há milhares de anos. É um gesto de muita prepotência do ser humano estar com uma pedra e não reconhecer nela a essência do habitar a Terra. É possível dizer que o desfile da Estácio de Sá apresentará a todo momento o diálogo entre a sensibilidade da pedra e o seu uso comercial, esgarçado pela exploração humana. A maneira como nos relacionamos com as pedras foi modificada devido às diferentes percepções que os indivíduos tiveram ao longo do tempo. Quando Magalhães fala sobre a Serra dos Carajás, essa alteração fica bem evidente. A princípio, o solo pedregoso era a fonte da vida humana, o lugar de onde vínhamos. Com a chegada da visão colonizadora, o solo passa a ser uma rica fonte de produtos a serem explorados no mercado financeiro. A pedra foi desencantada pela ganância.

    Por outro lado, um dos grandes feitos do enredo de Magalhães é colocar a pedra como
    sinônimo de permanência do tempo. Ela inicia a sinopse com essa proposta de representação e ao longo do texto podemos capturar esse conceito nos fatos narrados. As pedras são portadoras de memórias e têm muito a nos dizer. Assim como as que foram extraídas em Minas Gerais no século XVIII são a materialidade da devastação do nosso território, as pedras portuguesas que pisamos pelo Rio de Janeiro presenciam décadas de injustiças sociais. Além disso, é interessante pensar o enredo da Estácio de Sá como um disparador para reflexões sobre os pequenos detalhes da vida, para observar as marcas das miudezas e ouvir o que a mística da natureza tem para nos dizer. Os elementos são ressignificados de acordo com a perspectiva adotada para os observá-los. Rosa Magalhães nos apresenta, no mínimo, duas maneiras de se relacionar com as pedras e nos deixa a possibilidade de escolher como iremos nos comportar diante de uma, da próxima vez que tivermos a oportunidade. A carnavalesca não oferece resposta. Ela provoca, atiça e se retira. Deixa o leitor-sambista com suas próprias conclusões. Todo caminho é habitado por pedras e cada indivíduo escolhe se conectar ou não a elas.

    O texto de Rosa Magalhães nos dá poucas certezas sobre elementos visuais (fantasias
    e alegorias) que poderão ser vistos na avenida. Não dá para afirmar uma setorização, mas é possível esperar um setor que fale sobre a exploração mineral em Minas Gerais e outro que aborde o assunto na região da Serra dos Carajás. Também é possível arriscar que o desfile trará um setor que fale apenas sobre a atividade mineradora em Parauapebas e sobre como ela fomentou uma amálgama de pessoas vindas de todas as regiões do país. O setor de encerramento do desfile é uma incógnita que será respondida apenas no domingo de carnaval. Penso que Rosa traduzirá o recado das pedras em um final potente e incisivo.

    O enredo apresentado por Rosa Magalhães é importante não só para o carnaval, mas
    também para outros âmbitos de nossa sociedade. Quem dera se a percepção e o gesto afetivo de Rosa alcançasse ao menos boa parte da população brasileira e a fizesse refletir sobre a maneira como temos tratado as pedras. Mas, infelizmente, se não se tem dado atenção nem mesmo às pedras, quem dirá à poesia, à arte e ao outro que sofre ao nosso lado carente de um olhar atento e generoso. Vivemos em uma temporalidade integrada que não é percebida. Mas as pedras sentem. As pedras já presenciaram tanta coisa nesse pequeno fragmento do universo e continuarão aqui quando tudo – talvez – voltar ao que era antes. Nosso planeta é pedra – ele sente, registra e retribui.

    À Estácio de Sá e à Rosa Magalhães fica o desejo de um ótimo carnaval permeado
    pela sabedoria ancestral das pedras que constituem o caminho da folia. Espero que a
    comunidade da agremiação possa existir em seu canto mais alto até quando somente as
    pedras puderem ouvir.

    Autor: Cleiton França de Almeida – [email protected]
    Graduando em Artes Visuais – Escultura (EBA/UFRJ)
    Coordenador Geral/OBCAR/UFRJ
    Leitor orientador: Tiago Freitas
    Doutorando em Linguística/UFRJ e
    Doutorando em História da Arte/UERJ
    Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj

    Portela 2020: veja apresentações dos sambas finalistas

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    A Portela definiu os três sambas que estão classificados para a final para o Carnaval 2020. A decisão acontece na sexta-feira, dia 11 de outubro. Abaixo, você pode ouvir as três parcerias finalistas.