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Prefeitura anuncia realização de obras no Sambódromo para o Carnaval 2020

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    A Prefeitura do Rio e a Riotur anunciam obras na Marquês de Sapucaí, orçadas em R$ 8,1 milhões, para adequar o equipamento às exigências de segurança feitas por órgãos públicos de fiscalização. Essa primeira etapa de obras visa a liberação do Sambódromo para o Carnaval Rio 2020. A reforma no Sambódromo terá um cronograma de execução rígido, com início previsto para os próximos dias e término até o Carnaval 2020. O programa será definido em uma reunião com os entes municipais, envolvendo a Rio-Urbe, a RioLuz e a Riotur, para que seja feita a liberação dos recursos pela Secretaria de Fazenda.

    As obras serão executadas por empresas licitadas pelos órgãos municipais envolvidos na operação e preveem mudanças na estrutura do aparelho, incluindo melhorias nas arquibancadas, sistemas elétrico e pluvial, combate a incêndio e pânico e gradeamento dos setores, entre outros.

    “Palco dos desfiles das escolas de samba durante o Carnaval e de shows e eventos de porte internacional, o Sambódromo é um importante atrativo da cidade do Rio, que precisa ser modernizado, para oferecer mais conforto, segurança e aprimorar a experiência dos espectadores, em consonância com as exigências do Corpo de Bombeiros e do Ministério Públicos”, anuncia Marcelo Alves, presidente da Riotur.

    Conheça o conceito da nova iluminação do Sambódromo avaliada em R$ 18 milhões

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      Os carnavalescos e os presidentes das 13 escolas de samba do Grupo Especial conheceram nesta quarta-feira, em reunião na sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), o projeto da nova iluminação do Sambódromo. A ideia foi bem aceita pelos artistas e dirigentes, mas esbarra em pontos importantes: o primeiro é o tempo para viabilizar os recursos financeiros para a iniciativa (no máximo em uma semana). O segundo ponto é o valor que deverá ser investido em um período em que as agremiações estão na luta incansável por recursos para desenvolverem seus desfiles.

      Segundo o site CARNAVALESCO apurou o valor da novidade é de R$ 18 milhões, sendo que a Riotur indica o caminho para que verba saia através da Light, por meio da Lei de Incentivo, que depende do aval do governo estadual. O governador Wilson Witzel já teve participação fundamental no Carnaval 2019, quando apoiou a realização dos ensaios técnicos na Sapucaí (por meio da própria Light pela Lei do ICMS), tão fundamentais para cidade carente de eventos populares, e ainda conseguiu incentivar os desfiles das escolas do Grupo Especial.

      Por isso, os presidentes e artistas acreditam na manutenção do apoio do governo Witzel, que deve ser concretizado ainda esse ano, mas estão cautelosos sobre a troca da iluminação da Avenida. A decisão sobre a verba para iluminação que precisa ser feita rapidamente estaria em segundo plano, já que a ordem no momento é ter verba para realizar os desfiles e os ensaios técnicos. Dessa forma, a proposta pode acontecer ainda para 2020, mas pode ser levada para os desfiles de 2021.

      O diretor de fotografia de carnaval e entretenimento da TV Globo, Césio Lima, que já fez a iluminação do Sambódromo nos carnavais de 2003 e 2004 (foto abaixo), esteve presente na reunião para apresentar seu projeto. Ao site CARNAVALESCO, ele contou as novidades e que colocadas em prática vão modificar o lado cênico de todos os desfiles. No entanto, ele lembrou que as escolas não precisam se preocupar para 2020, já que se for aprovado o projeto será feito no modo básico, no primeiro ano, justamente para não mexer agora no projeto de iluminação de cada agremiação.

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      “Nos desfiles de 2003 e 2004 fizemos uma iluminação de show no Grupo Especial. A gente tem de se adequar à realidade e a primeira etapa do projeto consiste em trocar os 12 refletores brancos em 9 de led e 3 RGBs (coloridos apenas para as arquibancadas). Além de cores mais vivas tenho o controle da intensidade, acendimento e posso focar a luz de uma maneira mais uniforme. Cada carnavalesco poderia trabalhar a luz na intensidade que preferir. Poderia ser dado destaque no casal, mexer inclusive com o ritmo da bateria, como se faz em shows de rock”, explicou Césio Lima ao site CARNAVALESCO.

      Entusiasta do projeto, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, falou que sua ideia é que aconteça ainda para o Carnaval 2020 a mudança na iluminação do Sambódromo.

      “Em um mês a gente finaliza, pois é apenas troca. Os carnavalescos entenderam muito bem o projeto. Importante frisar que os refletores que forem retirados serão destinados à área externa do Sambódromo, em escolas públicas que estejam necessitando, em quadras, praças. Trabalhamos com o prazo apertado de uma semana, entre a aprovação da lei e a liberação da verba. Não penso na hipótese de não conseguir. A iluminação do Sambódromo está para ser trocada há mais de 15 anos. Esse é um foco meu desde que assumi a Riotur em janeiro de 2017. Realizamos esse teste com um desses refletores e a potência dele equivale a 12 dos que hoje estão na Sapucaí”, disse.

      O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, enalteceu o projeto e citou também os telões que fizeram sucesso no Carnaval de 2019 e devem ser mantidos pela Riotur para 2020.

      “É um projeto que a gente tem vontade de colocar em prática há muitos anos. O presidente da Riotur se mostrou muito interessado. Os telões no Carnaval 2019 já foram muito importante. Se a gente conseguir superar as dificuldades e encontrar uma saída para essa questão e ver a iluminação do Sambódromo com conceito de modernidade será maravilhoso”, afirmou Castanheira.

      Desfiles do Grupo Especial em 2020 vão ter cinco notas por quesito e novidade nas cabines de jurados

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        Em reunião plenária na sede da Liga das Escolas de Samba (Liesa) os presidentes das 13 escolas que vão desfilar no Carnaval 2020 assinaram o regulamento para os desfiles do ano que vem. A principal novidade é a mudança no número de notas que vão ser lidas na apuração (cinco e não quatro como em 2019), na quarta-feira de cinzas, e o corte de um módulo de jurados (saiu o módulo que ficava no setor 8 das arquibancadas).

        “As escolas assinaram o regulamento do Carnaval 2020. Ficou decidido em plenário que teremos cinco julgadores, as cinco notas vão ser lidas, válidas, e vamos eliminar a maior e menor nota para a contagem do resultado. Vamos ter três cabines de julgamento. A primeira no setor 3 das arquibancadas com cabines duplas, uma simples no setor 6 e duas cabines duplas no setor 10. O único sorteio que será feito é o do posicionamento de cada jurado”, explicou o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.

        O dirigente também falou sobre a presença dos carnavalescos das 13 escolas de samba na sede da Liesa e abordou o momento que vive o carnaval do Rio de Janeiro.

        “As escolas estão enfrentando dificuldades para tocar o carnaval pela falta de recursos. Estamos trocando experiências diante do grande desafio que se tornou fazer o carnaval. Fazer evento no Rio de Janeiro e no Brasil não é tão simples e estamos tentando nos superar a cada ano, buscando solução para melhorar o espetáculo e fazer os ensaios técnicos. O encontro com os carnavalescos é para buscar cada vez mais a participação e gerar o impacto nos desfiles. Temos que manter a resistência do carnaval e o conceito de festa e alegria para o nosso Rio de Janeiro e país. Quem está na ponta, lá no barracão, está amassado com essa crise, mas estão se superando e fazendo grandes espetáculos. Com mais diálogo estamos tentando transformar e virarmos logo essa página triste no samba do Rio de Janeiro”, disse Castanheira.

        Cante com a Portela: samba-enredo para o Carnaval 2020

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        O site CARNAVALESCO segue a série de vídeos ‘Cante com a escola’. A quarta escola é a Portela. A Majestade do Samba apresentará em 2020 o enredo “Guajupiá, Terra Sem Males”. Nesta sexta-feira é a vez da São Clemente.

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        A proposta dessa nova série do site é trazer o samba-enredo com os componentes cantando, sem percussão e cordas, apenas no gogó e palma da mão. É a hora de conhecer a obra da Portela (compositores: Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro, D´Sousa e Araguaci). Veja no vídeo abaixo.

        Beija-Flor prepara faixa com fome de vitória e Neguinho dando toque final

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        Depois da 11° colocação no carnaval de 2019, pode se dizer que para o próximo ano, a Beija-Flor virá muito determinada para mudar esse panorama. Encerrando o desfile na segunda feira, a escola também confia em repetir o retrospecto que sempre lhe deu a vitória quando foi a última escola a desfilar no Especial.

        Recuperado de uma pequena cirurgia, Neguinho apenas participou da etapa final das gravações na Companhia dos Técnicos, colocando a voz oficial do samba de 2020. Durante a gravação da voz que guiaria os instrumentos, o cantor Bakaninha representou o time de intérpretes da Beija-Flor ressaltando a importância do intérprete oficial para abrilhantar ainda mais a obra de 2020.

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        “É uma gratificação muito grande representar o carro de som comandado pelo Neguinho que está se recuperando de uma cirurgia, mas que colocou sua voz na gravação oficial e se Deus quiser esse samba maravilhoso vai nos ajudar a conquistar nosso objetivo que é o título”.

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        O músico Rafael Prates, responsável pelos arranjos para a faixa da escola, já esteve na mesma função em 2018 ano do último título e revelou o apelido de “pé quente” em relação à Deusa da Passarela.

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        “Em 2018, eu era um dos compositores do samba e fui chamado para fazer os arranjos. A escola terminou com o título e fui chamado de novo este ano, e até falaram de ‘pé quente’ (risos). No arranjo coloquei tudo encaixado na melodia, tem muito diálogo entre o violão de sete cordas e o cavaquinho. Voltei a origem, a parte mais musical do CD, pois é álbum comercializado no mundo todo, tem que ser um arranjo para qualquer um tocar. Na Beija-Flor é a única faixa com a introdução de cavaquinho. E tem uns vocais na romaria, um trabalho de coro em algumas partes”.

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        Para a gravação do CD, o diretor de carnaval Dudu Azevedo contou um pouco de como a escola se preparou para fazer um bonito trabalho.

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        “Todo mundo já firme para fazer essa gravação. Ficamos o final de semana ensaiando para essa gravação, fizemos uma reunião com a nossa diretoria, todo mundo cantando. Está aí nosso carro de som, pode ter certeza que nós vamos seduzir e encantar todo mundo que ouvir o samba da Beija-Flor”.

        Já Mestre Rodney valorizou muito a melodia do samba, ressaltando a facilidade que a obra vai dar para bateria fazer bossas e convenções.

        “Nós preparamos algumas convenções aproveitando o que o samba tem de melhor que é a melodia, um samba muito rico. Acho que está legal, o bom gosto que é de praxe da nossa bateria. Pode ter certeza que está bonito. A gente vai assimilando melhor e cada vez que a gente escuta a gente vai criando mais, aguardem a faixa da Beija-Flor”.

        Com apoio da Light, Riotur projeta troca das luzes por refletores de LED com luz especial de espetáculo no Sambódromo

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          O presidente da Riotur, Marcelo Alves, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Jorge Castanheira e carnavalescos das escolas do Grupo Especial se reúnem nesta quarta-feira, às 19h, na sede da Liesa, em plenária para debater sobre a nova iluminação do Sambódromo. A iniciativa da Riotur é a substituição das luzes por refletores de LED com luz especial de espetáculo, visando melhorar a visibilidade e transformar a experiência na Sapucaí.

          A concessionária de energia Light se interessou em investir no projeto que, agora, espera apenas a posição do Governo do Estado para seguir seu curso. “Esperamos a resposta positiva do Governo para garantirmos o recurso oferecido pela Light por meio da Lei de Incentivo e proporcionarmos um espetáculo ainda maior e melhor na Marquês de Sapucaí”, declarou o presidente da Riotur, Marcelo Alves.

          Cante com o Salgueiro: samba-enredo para o Carnaval 2020

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          O site CARNAVALESCO segue a série de vídeos ‘Cante com a escola’. A terceira escola é o Salgueiro. A Academia do Samba apresentará em 2020 o enredo “O rei negro do picadeiro”. A proposta dessa nova série do site é trazer o samba-enredo com os componentes cantando, sem percussão e cordas, apenas no gogó e palma da mão.

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          É a hora de conhecer a obra do Salgueiro (compositores: Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino). Veja no vídeo abaixo. Nesta quinta-feira é a vez da Portela.

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          Estudo da sinopse: Salgueiro 2020

          Rocinha: conheça o samba-enredo para o Carnaval 2020

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          Compositores: Cláudio Russo, Fadico e Anderson Benson
          Intérprete: Ciganerey

          NASCEU MARIA!
          NOBREZA EM SUA TRIBO AFRICANA
          TÃO LIVRE QUANTO OS VENTOS DA SAVANA
          E A LUA CHEIA PRA TESTEMUNHAR
          QUE A DOR, CORTA O MAR
          CHORA MARIA!
          QUE ÁGUA DO OCEANO SABE O GOSTO
          DÁ LÁGRIMA QUE ESCORRE EM SEU ROSTO
          E OS SANTOS QUE APORTAM NO CAIS DA BAHIA
          PROTEGEM QUEM JÁ FOI MERCADORIA

          LEILOEIRO CANTA O LOTE
          N’OUTRO CANTO O CHICOTE
          SEGUE A VIA DA BRAVURA
          É MARIA DA NEGRURA

          ERGUEU QUILOMBO
          DEU UM TOMBO NO APARATO
          DESSES CAPITÃES DO MATO
          CLAMANDO LIBERTAÇÃO
          JA FOI VIDRAÇA, FEZ DA LUTA UMA CORAÇA
          E HOJE O NEGRO SEM MORDAÇA
          VEM EXPOR SUA GRATIDÃO
          LUMIA O CRUZEIRO DAS ALMAS
          QUE É LINHA DE FORÇA MAIOR
          A GIRA JÁ VAI COMEÇAR!
          HOJE A ROCINHA É MAGÉ NO CATIMBÓ
          RISCA A PEMBA NO TERREIRO, PEDE A BÊNÇÃO A MINHA VÓ

          MARIA CONGA É QUE VENCE DEMANDA!
          MARIA CONGA É QUE VENCE DEMANDA!
          SARAVÁ VÓ BENZEDEIRA PRETA VELHA DE ARUANDA

          ‘Samba da Tom Maior é top 3 do carnaval’, afirma diretor musical da escola

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          Caminhando para o terceiro carnaval como diretor musical da Tom Maior, Rafa Malva vem
          consolidando um trabalho aliado com a modernidade, utilizando arranjos de cordas e
          aberturas vocais em partes estratégicas. É importante ponderar que, um diretor musical é responsável exclusivamente por questões musicais dentro da respectiva agremiação, assumindo responsabilidades técnicas e de organização da ala. O cargo em questão decide presença ou não de aberturas vocais por parte dos intérpretes, desenhos melódicos e é a principal ponte de contato entre bateria e ala musical.

          Analisando trabalhos anteriores, Rafa Malva tem postura moderna e ousada, principalmente, no que se refere ao cavaco. Ao CARNAVALESCO, o diretor da Tom Maior comenta que arranjos para o desfile tem inspiração no enredo e mantém segredo sobre novidades.

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          “Já tenho bastantes coisas na mente, a ideia agora é passar o samba. Ainda estamos no
          processo de divisão com os cantores, passado isso formamos as ideias de cordas e depois
          juntamos com a ala musical. Eu não vou poder falar muito porque tem a surpresa. A galera está gostando dos arranjos dos últimos anos, e a ideia é deixar bem negritude, e é o que o samba pede”.

          O enredo da Tom Maior é uma grande homenagem ao povo negro, que aborda a cultua afro
          até chegar nos dias atuais do Brasil. Rafa destaca pontos positivos do samba, revela largada fora do padrão e afirma que hino é um dos melhores do estado.

          “O samba está muito dentro do enredo. Ele é muito funcional, principalmente, para gente que desfila como segunda escola. Tem uma melodia maravilhosa. Vamos fazer uma coisa inédita nesse ano, e começaremos o samba pelo refrão do meio, que é o marco do samba. Parabenizo os compositores por esse samba maravilhoso, e na minha opinião, sem média com ninguém, está no top 3 do carnaval”.

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          Pra quem acompanha as atividades da Tom Maior, puderam notar a presença de uma voz
          feminina junto à equipe do carro de som. Além da contribuição para a ala, a cantora também faz o alusivo para o samba de 2020. Rafa Malva apresenta e destaca trabalho diferenciado.

          “É a Mayara, ela é uma maravilhosa cantora. Na realidade, ela já grava corais, e já tinha
          observado. Conversei com ela, passei pra diretoria e hoje ela está fechada com a gente. Como no início do samba tem um toque feminino, coloquei no CD e ela vem fazendo na avenida também. A Mayara vem na avenida dividindo com o Bruno, fazendo terças, as oitavas, tudo aquilo que uma mulher, cantora de verdade sabe fazer. Ela é uma cantora de verdade, guardem esse nome aí”.

          Estudo do enredo: Vila Isabel 2020

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          Unidos de Vila Isabel: Brincando de ser Gente Grande; A Esperança Brasília nos Braços de um jovem Curumim chamado Brasil

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          Enredo: Gigante pela Própria Natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil
          Nome do Carnavalesco: Edson Pereira

          A escola de samba Unidos de Vila Isabel trará para o ano de 2020 o enredo “Gigante pela Própria Natureza: Jaçanã e um indígena chamado Brasil”. Nele será apresentado uma nova leitura da capital federal, Brasília – Distrito Federal, feita pelo carnavalesco Edson Pereira em parceria com os antropólogos Clark Mangabeira e Victor Marques. O enredo surgiu de uma parceria entre a escola de samba e o governo do Distrito Federal, nos permitindo compreender que existiu cota de patrocínio para a realização do esperado carnaval da Vila Isabel, terceira colocada em 2019.

          Entretanto, Brasília não será retratada pela agremiação com viés político, social ou cultural ao qual ela se tornou pertencente para a população, será apresentado para o povo do carnaval uma leitura do DF lúdico (análise minha). Trata-se de uma criação mitológica para apresentar a história do enredo. Analisando a escrita do texto, Edson Pereira e sua equipe construiu uma sinopse não tão comum para representar um enredo CEP (homenagens à cidades, Estados ou países), nele, o carnavalesco transporta Brasília, que por anos é representada pela alma política do país, para uma Brasília criança, narrativa metaforizada e transformadora. No texto somos teletransportados para uma aldeia aonde vive um pequeno indígena chamado Brasil que “pesca com vontade danada de gente grande”; que a partir de um sonho vindo de um belo cochilo em sua canoa, conhece uma jaçanã (ave) que lhe trás uma grande profecia, o menino Brasil terá uma irmãzinha, que será forte e carregará muita esperança para o povo brasileiro.

          Como desenvolvimento do enredo podemos levantar diversas referências históricas e de personalidades importantes para a construção de Brasília. Em sua viagem nas asas da jaçanã, o menino Brasil sobrevoa diversas partes do grande mundo que o espera, conhecendo diversos povos que ali chegavam ou viviam. Podemos trazer como referência “os brancos de cabeça amarela”, como as grandes colônias de europeus que desembarcaram no Brasil com os seus gigantes navios em busca de riquezas. Outra
          referência é o povo “preto que clamava igualdade e liberdade, que oravam aos seus
          deuses”, como a grande população negra escravizada no período da colonização.

          A narrativa nos mostra também a representação de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, duas grandes referências na construção arquitetônica de Brasília, como “pajés construtores”; que formaria as “duas asas unidas”. Novamente sobrevoando o mundo, o pequeno indígena junto a sua nova amiga jaçanã, conhece “gente suada do litoral”; que vivia “embebida nas cantorias e novas bossas”, fazendo referência aos cariocas que eram contemplados por ter o Rio de Janeiro como o DF. Notamos aí também uma alusão à Bossa Nova, identidade musical em evidência deste período. O texto mestre revela também embates políticos vividos na história, como a transportação do Distrito Federal, antes no estado do Rio de Janeiro, para um grande projeto criado por Juscelino Kubitschek, no atual território de Brasília.

          Partindo para mais um voo, a grande ave levou o menino Brasil para conhecer mais uma gente que vivia naquela terra prometida, encontrando famílias que “padeciam no sol lascado de brasileiro de testas”. Tais famílias estão representando a grande população do nordeste do país que sobreviviam no severo sertão. Famílias que nunca perderam a fé em clamar por uma vida nova, um lugar novo e cheio de esperança.

          Por ter uma escrita muito lúdica e proporcionar uma leitura muito leve, fácil de se compreender, podemos levantar e imaginar diversas formas de criação artística e seleção do que será apresentado nos seguimentos e alas da escola. O enredo proporciona uma pluralidade de possibilidades de trabalho com diferentes estéticas. Ao trabalhar o lado lúdico e mitológico dos indígenas, o enredo possibilita uma riqueza na estética “amazônica” por retratar floresta, fauna, rituais e lendas.

          Podemos opinar também que a Vila não abandonará outros pontos importantes do enredo, onde é trabalhada a pluralidade cultural do país pelas diferentes regiões. Logo, podemos esperar um carnaval multi, no que diz respeito à arte estética. Podemos vislumbrar que os seguimentos e alas estarão representando os diversos lugares que o menino percorreu. Podemos esperar por alas representando essas localidades, identidades musicais e os grandes povos que estão amalgamados na construção do país e da esperançosa Brasília.

          Diante de todos os pontos positivos, apresentamos uma consideração/contribuição: o escritor Daniel Mundukuru da etnia Mundukuru – doutor em educação – pede que façamos uma revisão do termo “índio” porque para ele a palavra “índio” entrou no imaginário e a palavra muda de conotação ao longo da história, e virou apelido. “Um apelido traz sempre um aspecto negativo e reforça algo ruim”, reforça. Daniel Munduruku explica que a palavra índio também tem uma conotação ideológica muito forte, e faz com que as pessoas liguem a aspectos ruins, como achar que índio é preguiçoso, selvagem, canibal ou atrasado. O autor indica que seja utilizado o termo “indígena” e pensamos que esta revisão também deveria ser alocada no texto final a ser entregue para os julgadores e para a grande mídia.

          Consideração feita, podemos concluir nesta análise preliminar que o enredo “Gigante pela Própria Natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil“, se tornará mais um marco da safra de carnavais grandiosos da agremiação, transmitindo para o público um carnaval repleto de efeitos metafóricos que engloba, o mitológico e o folclórico, com muita riqueza de detalhes e produção. Consideramos que está fórmula de representação de enredos CEP mostra para os telespectadores que o carnaval explora diversas vertentes artísticas, tornando possível trabalhar temáticas por diversas possibilidades e formas, inclusive de uma forma lúdica, clara ao olhar, que chama o público para prestigiar este grande espetáculo.

          Do Distrito Federal Carioca ao Distrito Federal Brasiliense vamos embarcar com
          a Unidos de Vila Isabel.

          Autor: Alvaro Jorge Santos de Carvalho – [email protected]
          Pedagogia – Faculdade de Educação/UFRJ
          Membro efetivo/OBCAR/UFRJ
          Leitor Orientador: Tiago José Freitas Batista
          Doutorando em Linguística/UFRJ
          Doutorando em História da Arte/UERJ
          Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj