Ouça o samba-enredo da União do Parque Acari para o Carnaval 2026
Compositores: Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão
Sou eu, Brasil
Da retinta matriz africana
Ascendente que a arte proclama
No palco do meu carnaval
Descerrada a cortina
A dança ilumina ao terceiro sinal
É o samba de novo, e a força do povo
A estrela divina, negra bailarina
Quitutes e cores, Maria Baiana
Acordam tambores! Desperta Aruanda!
Ibarabo o terreiro ganhou platéia
Ecoou o batuque dos ancestrais
Quem consagrou foi Joãozinho da Goméia
Rei Nagô, resistência dos rituais
É farra do côco, ladainha
Cenários, ensaios, livraria
Tem frevo rasgado de sombrinha
Musical Dramaturgia
Calunga, Maracatu, louvado seja Exu
Bahia de felicidade
Ninguém calou nossa voz, a história fala por nós
Requintes de Brasilidade
Lança teus “Caboclos”
Que o amor se manifesta
Desce a ladeira!
Zum zum zum tem capoeira
Gira mundo e faz a festa
A ribalta alumiou
Nossa trupe vai passar
Preto velho abençoou
O legado popular
No cordão de Acari
Ela é soberana
O teatro é aqui
Viva Brasiliana
União do Parque Acari apresenta samba e reforça identidade cultural rumo ao Carnaval 2026
A União do Parque Acari apresentou, na noite do último domingo, o samba-enredo que embalará o desfile de 2026. A obra, encomendada aos consagrados compositores Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão, dá voz ao enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão. A proposta mergulha na essência da cultura nacional, reafirmando o compromisso da escola da Zona Norte com a valorização da arte brasileira e a representatividade no carnaval. O evento, que reuniu a comunidade e toda a equipe da agremiação, marcou o início de uma nova jornada de preparação para a Série Ouro, mantendo o tom de crescimento que tem caracterizado a trajetória da Acari na Sapucaí.
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Carnavalesco da escola, Guilherme Estevão destacou que o enredo é resultado de um projeto guardado por anos e que agora encontra o momento certo para vir à avenida.
“O enredo sobre o Brasil é um projeto que tenho em mente há muito tempo. É um tema que me é muito caro, guardado para um momento especial. Acredito que este é o momento ideal, pois representa a consolidação da escola na Série Ouro”, explicou.
O artista, que vem recebendo elogios pelos trabalhos anteriores, enxerga em “Brasiliana” uma continuidade da identidade construída pela Acari: um carnaval cultural, educativo e profundamente ligado às raízes brasileiras.

“A escola de samba é um projeto educativo, um espaço de construção de conhecimento. O enredo deve cumprir esse papel. A parceria com o Moacyr Luz, o Fred Camacho e agora com o Gustavo Clarão representa a continuidade de um projeto bem-sucedido. Considero o samba deste ano o melhor da história da escola na Sapucaí”, afirmou Guilherme.
Sobre a parte plástica do desfile, o carnavalesco adianta que o público pode esperar um espetáculo vibrante.
“Será um desfile muito colorido, ainda mais bonito do que o do ano passado. Os carros continuarão com bastante movimento, mas serão maiores e mais volumosos. As fantasias mergulharão no universo do espetáculo brasileiro”.
Novo casal de mestre-sala e porta-bandeira: sintonia e emoção
A noite também marcou a apresentação do novo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acari, Renan Oliveira e Amanda Poblete.
Renan falou sobre o encerramento da antiga parceria e a empolgação com o novo desafio: “A notícia de que não seguiria dançando com Laís foi inesperada, mas o carnaval é um ambiente profissional. A amizade e o respeito permanecem. Agora, iniciar o trabalho com Amanda está sendo maravilhoso. Ela é uma porta-bandeira experiente e nossa conexão foi imediata”.

Amanda, por sua vez, revelou que quase ficou fora da avenida. “Sim, considerei não desfilar em 2026. Foram dezesseis anos de experiência, e a ideia de não dançar novamente me abalou. Mas o convite da Acari me devolveu a alegria. Dissemos ‘sim’ imediatamente”.
O casal já recebeu o desenho da fantasia e se mostrou encantado com o que vem por aí. “Foi uma surpresa muito positiva. Fiquei muito feliz com o desenho, é simbólico e emocionante”, contou Amanda.
Renan complementou: “O samba nos trouxe confiança. É um grande samba, e estamos entusiasmados para dançar com ele”.
Presidente Dudu: ‘Entramos na avenida para vencer’
À frente da escola, o presidente Dudu celebrou os resultados de 2025, amplamente elogiados, mas afirmou que a busca por evolução é constante.
“Reconhecemos que, sendo uma escola em crescimento, ainda há muito a aprimorar. Mas com a equipe que temos, o casal, a comissão de frente, a bateria, harmonia e o trabalho do Guilherme Estevão, estamos corrigindo detalhes e mirando um carnaval ainda melhor”.
O dirigente reforçou o sonho de alcançar o Grupo Especial. “Nossa comunidade é apaixonada pelo carnaval. Entramos na avenida para vencer e competir em igualdade de condições. Somos adversários, não inimigos. Vamos buscar o título com garra, força e trabalho sério”.

Sobre a escolha do samba encomendado e o perfil cultural, Dudu foi direto: “O Brasil é rico em cultura, e o carnaval reflete isso. A encomenda com nomes como Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão garante um samba de altíssimo nível. É uma decisão que reforça nossa identidade”.
Apesar das dificuldades financeiras comuns às agremiações da Série Ouro, o presidente acredita na força do trabalho coletivo: “O apoio público poderia ser maior, mas com patrocínio, dedicação e muito esforço, conseguimos realizar um grande carnaval”.
Entrosamento e emoção: a dupla de intérpretes Tainara e Leozinho
A dupla de intérpretes Tainara Martins e Leozinho Nunes também comentou sobre a repercussão positiva do desfile de 2025 e a expectativa para o novo ciclo.
“O enredo foi belíssimo e o samba encantou o público. Agora, esperamos repetir o sucesso com ‘Brasiliana’, que tem tudo para emocionar novamente”, disse Tainara.
Leozinho destacou a parceria e a relação fraterna com a cantora: “Dudu me presenteou com uma irmã mais velha. Temos uma amizade sincera, com muito respeito e diversão. Essa sintonia reflete no palco e no carro de som”.

Tainara retribuiu o carinho: “É fácil cantar com o Leozinho. Ele tem quase vinte anos de carreira e me ensina muito. Nossa parceria é de respeito e aprendizado constante”.
Sobre o perfil cultural da escola, Leozinho enfatizou: “Acari tem sete anos de existência e precisa firmar sua identidade. As encomendas de sambas e enredos culturais ajudam nisso. O público da Sapucaí já demonstra muito carinho pela escola, que vem se tornando querida e respeitada”.
Direção de Carnaval reforça foco e união
Os diretores de carnaval, Cida e Yago, também avaliaram o último desfile e revelaram os planos para 2026. “Identificamos alguns erros de harmonia que já estamos corrigindo. Tivemos um bom resultado, com o oitavo lugar, mas queremos mais. Esteticamente, evoluímos muito e vamos seguir nessa linha”, contou Cida.

Yago adiantou que os ensaios de rua começam em novembro: “Vamos reunir canto, harmonia e evolução, trazendo nossa comunidade ainda mais para perto. Pretendemos desfilar com cerca de 18 alas e entre 1500 e 1800 componentes. O barracão já está a todo vapor”.
Coreografia e emoção na Comissão de Frente
O coreógrafo Fábio Batista, responsável pela Comissão de Frente, celebrou o convite e destacou a identificação com o enredo. “Estou emocionado por participar desse projeto. O enredo fala sobre o ‘Brasiliano’, considerado o primeiro teatro dançado e dramático do país, algo que dialoga diretamente com a minha trajetória como artista negro. É uma responsabilidade enorme”.

Segundo ele, o trabalho está em fase de criação, mas o samba já inspira novas ideias coreográficas. “Recebi o samba há duas semanas, e já começo a imaginar as cenas. Quanto mais cedo o samba chega, melhor para a dramaturgia da comissão”.
Força da bateria sob comando de Daniel e Erick
Os mestres Daniel e Erick mantêm o ritmo do sucesso da bateria da Acari. Em 2025, conquistaram a pontuação máxima e agora buscam repetir o feito. “Foi um trabalho árduo e muito gratificante. Estamos motivados a alcançar novos objetivos em 2026”, disse Daniel.
Erick complementou: “O enredo nos inspira a explorar ritmos afro e novas sonoridades. Vamos trazer referências dos teatros negros e traduzir isso na batida da bateria”.

A dupla reforçou ainda a importância da parceria com os intérpretes. “Tainara e Leozinho já estão entrosados com a gente desde 2024. Essa união é essencial para manter a força da escola”, concluiu Daniel.
Renascimento de Luciana Ppicorelli: a rainha da superação
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a apresentação da nova rainha de bateria, Luciana Ppicorelli. Após 14 anos afastada do carnaval, ela retorna em grande estilo.
“Passei por momentos difíceis, com depressão e burnout. Disseram que meu tempo tinha passado. Mas decidi provar o contrário. Toda mulher pode alcançar seus objetivos”, afirmou emocionada.

Luciana contou que foi recebida com carinho pela comunidade: “Quando recebi o convite da Acari, fiquei muito feliz e honrada. A escola é acolhedora, o presidente é maravilhoso, e já me sinto parte da família. Agora, estou ansiosa e pronta para brilhar novamente”.
Liga RJ divulga calendário de ensaios técnicos para a Série Ouro 2026
A Liga RJ divulgou nesta segunda-feira o calendário oficial dos ensaios técnicos das escolas de samba da Série Ouro para o Carnaval 2026. As apresentações acontecerão no Sambódromo, no Centro do Rio, entre os dias 23 e 25 de janeiro, reunindo as 15 agremiações que desfilam no grupo em três dias de programação. O primeiro dia de ensaios começará às 21h, enquanto as atividades de sábado e domingo terão início às 18h.
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Na sexta-feira (23/01), vão atravessar a Sapucaí as seguintes escolas: Unidos do Jacarezinho, Em Cima da Hora, Unidos da Ponte, Acadêmicos de Vigário Geral e Unidos de Padre Miguel. No dia seguinte, sábado (24/01), será a vez de Botafogo Samba Clube, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, União de Maricá e União da Ilha realizarem seus ensaios. Inocentes de Belford Roxo, Arranco, Império Serrano, Unidos do Porto da Pedra e Estácio de Sá encerram o final de semana no domingo (25/01).
Presidente da Liga RJ, Hugo Junior afirmou que a divulgação antecipada do cronograma foi pensada para favorecer o planejamento das escolas e o envolvimento de suas comunidades.
“A ideia de antecipar o calendário é permitir que cada agremiação se organize com tranquilidade, mobilizando seus segmentos e componentes para que possam aproveitar ao máximo os ensaios na Sapucaí. Será um novo formato em 2026, com todas num final de semana, agitando a cidade que já vai estar respirando o Carnaval desde cedo”, afirmou.
Os ensaios técnicos são uma etapa fundamental da preparação das escolas para os desfiles oficiais. Assim como nos demais anos, eles terão entrada franca. Em 2026, as escolas da Série Ouro vão desfilar nos dias 13 e 14 de fevereiro.
Ouça o samba-enredo do Império Serrano para o Carnaval 2026
Compositores: Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio
Sou eu, a Flor do Mulungu
Brilham os olhos d’Água! Orayeyê! É de Mamãe Oxum!
Sou Ponciá Consagrada
Entregue às palavras
E ao axé das ancestrais
Se tempos atrás
Ecoavam vozes do porão
Hoje reescrevo a história
poesia a despertar nas pretas mãos
Nos becos da minha memória
Meu verbo é ouro de aluvião
Meu verso é barro de artesão
Pra Folia de Reis, chamo vô e chamo tio
Na Folia de Reis, vou vivendo por um “fio”
Ô lê lê, lá vem batuque, pra congada começar
Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar!
Não é fácil emergir nesse contraste
Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir
No refúgio desses becos e vielas
De mãos dadas com Sabela
Eu só quero ser feliz
O Rio que me acolheu me ensinou também a florir
Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui
Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil
Me torno imortal no Livro Brasil
Malungo! Que Negro- Estrela possa ser reconhecido
Sem o choro de um futuro interrompido
Por todo preto, escreviver!
“A gente combinamos de não morrer!” (Combinamos de não morrer!)
Chamei Maria, preta velha jongueira…
Vovó Joana, pra benzer Madureira
Busquei Ivone pra matar essa saudade
O negro é raiz da liberdade!
É Kizomba de preta literatura!
É escrita sem censura no Império a florescer!
Casa de Preto também é Academia
Serrinha… Ponciá Yalodê!
‘É escrita sem censura’! Parceria de Hamilton Fofão vence samba no Império Serrano em homenagem à Conceição Evaristo
Por Marcos Marinho e Matheus Vinícius
O Império Serrano definiu, na manhã deste domingo, o hino que vai embalar a comunidade da Serrinha na busca pelo título da Série Ouro no Carnaval 2026. Após uma noite de grande festa, o resultado foi anunciado às 6h, consagrando a parceria formada por Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio como vencedora da disputa. O samba dará voz ao enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, homenagem à escritora mineira Conceição Evaristo, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A obra promete unir a força da literatura negra à tradição imperiana, celebrando a escrevivência e o poder transformador da palavra que nasce da favela e floresce no mundo.
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Conceição Evaristo celebra o poder da literatura no samba
Emocionada com a homenagem, a escritora Conceição Evaristo destacou a importância simbólica de ver sua trajetória literária se transformar em samba-enredo.
“É uma alegria muito grande pensar que eu chego aqui por causa de um texto literário. Pensar que a literatura tem esse poder de convocação, para mim, vale mais do que qualquer prêmio. Eu tenho certeza que vou encontrar o aplauso do povo. Antes, quando eu entrava na avenida, as pessoas já gritavam meu nome, e agora será ainda mais emocionante. Vai ser um momento de encontro muito grande entre o público, a literatura e o samba”, afirmou.

Conceição também ressaltou a relevância da representatividade no desfile: “O que não pode ficar de fora é o fato de eu ser uma mulher negra. Isso tem uma importância muito grande pra gente. O enredo não pode esconder a nossa identidade”.
Samba vencedor emociona compositores e comunidade

Para os compositores da parceria campeã, a vitória coroou uma noite de celebração e pertencimento. Lico Monteiro falou com gratidão pela conquista: “Não tenho palavras para agradecer à parceria pelo convite. Ganhar no Império Serrano é um sentimento inesquecível, porque aqui é uma escola diferente. Tenho certeza de que a comunidade vai cantar muito esse samba”.
Já Hamilton Fofão, cria da Serrinha e sobrinho-neto do lendário Silas de Oliveira, não conteve a emoção.

“É um sonho. Sou nascido e criado no Morro da Serrinha. Comecei no Império do Futuro, fiz tudo como um imperiano apaixonado faria. Estou dando continuidade a essa corrente maravilhosa que é o Império Serrano. Esse é o meu primeiro samba-enredo campeão na escola, e a emoção é indescritível”.
Ele ainda destacou seu trecho preferido da obra: “A parte que mais me toca é ‘É Kizomba de preta literatura! É escrita sem censura no Império a florecer! Casa de preto também é academia! Serrinha! Ponciá Yalodê!’. É uma linda homenagem à nossa grande escritora Conceição Evaristo”.

Renato Esteves exalta sinergia e confiança na comunidade
O carnavalesco Renato Esteves, responsável pelo enredo e pela parte plástica, destacou a maturidade artística conquistada nos últimos anos e o envolvimento profundo com a comunidade imperiana.
“O Carnaval de 2025 foi um grande aprendizado. Foi o que reafirmou meu amor pelo Império Serrano, por essa festa e pelo ato de fazer carnaval. Aqui é quintal de casa. Fico super à vontade. A comunidade e a diretoria me abraçam. É um casamento perfeito”, refletiu.

Renato revelou que o enredo nasceu de um desejo antigo e que a escolha de Conceição Evaristo aconteceu de forma natural: “Eu já tinha esse enredo guardado e calhou que Dona Conceição nos escolheu também. Foi sinergia, foi o que tinha que acontecer e está acontecendo de maneira muito bonita”.
Sobre os preparativos no barracão, garantiu: “Os protótipos já estão finalizados, e estamos iniciando a reprodução. O ritmo é muito bom”.
Presidente Flávio França: ‘Império está focado em fazer um carnaval grandioso’
O presidente Flávio França comemorou a escolha do samba e reforçou o propósito coletivo que move a comunidade imperiana:
“A comunidade está unida e focada em fazer esse grandioso carnaval. Dona Conceição é uma mulher preta que representa a nossa comunidade. A literatura e a cultura têm um diálogo importante que pode impactar a juventude. Estamos consolidados, com um planejamento que tem foco e qualidade”.

França também explicou a escolha do tema: “Eu já pensava em levar um tema literário que dialogasse com a cultura. A história da Dona Conceição é perfeita. Sou amante da literatura e faço parte do movimento negro, do Jongo da Serrinha. A escrevivência dela conversa diretamente com a minha vivência”.
Sobre o desenvolvimento visual, ele mostrou confiança: “O Renato (Esteves, carnavalesco) acertou a mão. Já começamos a fase de reprodução no barracão. Agora é colocar o carnaval na avenida sem medo de errar”.

Intérprete Vitor Cunha: 35 anos de história e emoção renovada
O intérprete Vitor Cunha falou sobre o orgulho de representar o canto imperiano: “Cheguei aqui em 1992, com 12 anos. Meu pai, Carlinhos da Paz, foi intérprete da escola, e desde então o Império Serrano faz parte da minha vida. É uma história de amor e resistência. Estamos montando o carro de som, e agora teremos um formato mais minimalista, com menos cantores e fones de ouvido. É uma nova fase, um novo estilo, mas com a mesma emoção”.

Sobre a parceria com a bateria, destacou a tradição e o talento do novo mestre: “A bateria sempre foi um xodó. O mestre Sopinha é cria da casa, herdeiro de grandes nomes. O Império sempre teve a melhor bateria do Rio, e isso continua”.
Mestre Sopinha mantém essência e promete surpresas
O jovem Felipe Santos (Sopinha) elogiou o trabalho herdado e garantiu que a bateria manterá sua identidade: “A bateria está muito boa. Era o trabalho do mestre Vitinho, que dispensa comentários. Não mudei muita coisa, porque o time é o mesmo”.

Ele confirmou que o agogô seguirá como instrumento símbolo da escola e adiantou que algumas bossas já estão desenhadas, mas fez mistério: “Já temos algumas bossas prontas, mas é segredo. O agogô é a identidade do Império Serrano”.
Diretor de carnaval: ‘Estamos resgatando o brilho dos imperianos’
O diretor de carnaval Jeferson Carlos lembrou os desafios enfrentados pela escola e a recuperação da autoestima da comunidade após o difícil ano de 2025: “Viemos de um momento doloroso, mas estamos reconstruindo e resgatando o brilho dos imperianos. Hoje, com a quadra lotada, mostramos que seguimos fortes. O Renato (Esteves, carnavalesco) conseguiu interligar a história da Conceição Evaristo com a história do imperiano. Plasticamente, o desfile está belíssimo”.

Jeferson também revelou planos para os ensaios e números de componentes: “Devemos ter entre 2.500 e 3.000 componentes. Os ensaios de rua começam na primeira semana de dezembro, sempre às terças. A ideia é fortalecer o canto e o chão da escola”.
Casal celebra nova fase

A porta-bandeira Maura vibrou ter o mestre-sala Matheus como parceiro de dança: “Foi uma felicidade imensa. Já dançamos juntos e ele é um parceirão. Ele tem uma dança tradicional, malandra e muito dele. É maravilhoso dançar com ele”.
Ela elogiou o carnavalesco: “O Renato superou as expectativas. A fantasia está linda, exatamente como eu sonhava. Ele conseguiu traduzir tudo o que imaginei”.

O mestre-sala Matheus retribuiu o carinho e destacou a harmonia da dupla: “A Maura é uma porta-bandeira clássica, delicada e forte ao mesmo tempo. É difícil encontrar essa mescla. Estamos ensaiando muito para garantir nota máxima”.
Mais imagens da final

Mancha Verde comemora 30 anos, apresenta novo mestre-sala e homenageia Marcelo Silva
A Mancha Verde completou 30 anos no último sábado e comemorou com sua comunidade em um evento que se tornou histórico não apenas pela data simbólica, mas também por conta de uma importantíssima mudança nos quadros da agremiação. Desde 2014 como mestre-sala da escola, Marcelo Silva despediu-se da comunidade e, literalmente, passou o bastão para Thiago Bispo, que estará à frente do quesito ao lado de Adriana Gomes. Presente em todos os eventos de alta magnitude do samba paulistano, o CARNAVALESCO acompanhou a celebração, que também marcou o primeiro ensaio da Mancha Verde para o Carnaval 2026, quando a agremiação reeditará o enredo “Pelas mãos do mensageiro do axé, a lição de Odu Obará: a humildade”, apresentado originalmente em 2012.
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Tomada de decisão
Perguntado sobre quando decidiu deixar de ser mestre-sala, Marcelo abriu o coração: “Eu costumo falar que não foi quando eu tomei a decisão de parar, eu falo que foi quando eu tive coragem. Eu já venho amadurecendo essa ideia desde o pós-Carnaval de 2023, e, em 2024, aconteceu tudo o que aconteceu. Acho que não foi por acaso, foi providencial e eu só não tinha coragem. Quando comecei a pensar em me despedir, senti que era o fechamento de um ciclo, graças a novos ciclos que se abriram na minha vida: em relação ao trabalho, à continuidade dos meus estudos, a novas responsabilidades. Eu teria que aceitar as novas oportunidades da minha vida ou deixar algumas coisas”, comentou.
Antes da decisão, muita reflexão aconteceu: “Pensei em várias situações e na minha história no Carnaval de São Paulo, que eu considero muito bonita. Por tudo isso, eu venho amadurecendo a ideia. Em 2025, voltei a desfilar e desfilei com muito orgulho. Após o Carnaval, conversando com o presidente e com a Adriana, tive coragem de tomar essa decisão. Não foi nada ligado a chateação, cobrança ou pressão, muito pelo contrário. Já são 32 anos de Carnaval, eu não poderia ir para o meu 33º ano sem me dedicar como me dediquei nos 32 anteriores”, disse.
Lembranças
A noite da sexta-feira de Carnaval de 2024 foi marcante por uma série de motivos. Um deles foi a notícia de que Marcelo estava vetado do desfile por ter contraído dengue. Para substituí-lo, Thiago foi destacado e conseguiu a nota máxima no quesito.

É claro que tal situação foi lembrada por Marcelo ao ser perguntado se a escolha da Mancha Verde por Thiago, então segundo mestre-sala, foi óbvia: “A escolha pelo Thiago foi óbvia não apenas pelo Carnaval de 2024: ela foi óbvia pelo gabarito do Thiago, pelo mestre-sala que ele é. Ele vem crescendo desde lá de trás, quando começou com a gente. Mesmo se não tivesse acontecido o que aconteceu em 2024, se ele não tivesse assumido e trazido as notas, com certeza o óbvio também seria o Thiago. Não tinha por que ser outra pessoa, sendo que a gente tem alguém na casa com condição de assumir o primeiro cargo. Não seria justo da minha parte nem da escola trazer alguém de fora se há uma pessoa preparada”, afirmou.
Marcelo seguiu desenvolvendo o raciocínio: “Eu estou aqui para passar o bastão para o Thiago, e o fato de a escolha ser óbvia tem a ver com eu não saber se aceitaria passar o pavilhão para alguém de fora. Não como desrespeito a quem vem de fora, não é isso. É porque eu sou um mestre-sala de tradição. Em todas as escolas pelas quais passei, recebi um bastão para assumir aquele posto. Uma das histórias mais lindas da minha vida é ter recebido o bastão das mãos do Gabi e da Vivi, o Casal do Milênio do Carnaval de São Paulo. Se fosse alguém de fora, eu daria meu apoio, mas não me sentiria tão bem quanto estou me sentindo hoje, passando o pavilhão para alguém da escola e que, agora, ficou óbvio que tinha que ser ele”, frisou.

Thiago relembrou como foi ser o primeiro mestre-sala naquele desfile: “Em 2024, a gente foi pego de surpresa. A gente não tinha a mínima ideia de que isso ia acontecer, e não gostaria que acontecesse. Primeiro ponto: a gente sabe que o Marcelo e a Adriana têm uma garantia de nota, uma segurança muito maior. Segundo ponto: a gente teve um dia e meio (e olhe lá) para fazer um trabalho. Eu e a Adriana dançávamos em eventos aqui e ali, mas nunca com essa responsabilidade. Tivemos dificuldades naquele desfile, mas, graças a Deus, conseguimos superar”, relembrou.
“Se a gente pegar aquele mini trabalho de menos de 48 horas para cá, é outra dança. Estamos fazendo um preparo diferenciado, colocando mais energia, trabalhando bastante sincronismo. Demanda mais tempo, até porque a Adriana e o Marcelo tinham um estilo de dança e uma forma própria de pensar. Quando troca a parceria, é uma nova linha de raciocínio. A gente está criando a nossa dança, e espero que seja agradável para todo mundo. Eu, particularmente, estou gostando. É um trabalho novo, muito diferente. Como o Marcelo falou, é uma nova mentalidade. Quando você é segundo mestre-sala, tudo é mais rápido; como primeiro, já é diferente: você tem tempo para elaborar, precisa ter mais qualidade nos movimentos para que tudo saia perfeitamente. Estou adorando e espero que vocês gostem quando verem”, completou.
Concordâncias
Agora com novo mestre-sala, Adriana Gomes, porta-bandeira da Mancha Verde, concordou com o antigo companheiro: “A gente fala muito que está numa escola de samba. E, quando a gente está numa escola de samba, tem aquela comunidade, o ensinamento. Eu acho que sim, era óbvia a escolha pelo Thiago. E faz parte da história de uma escola de samba um passar para o outro e é isso o que está acontecendo. A história que o Thiago construiu dentro da Mancha Verde foi de crescimento e de construção, para chegar até onde ele chegou. Em um Grêmio Recreativo e Cultural, você aprende e ensina; a gente passa e aprende também. Essa troca é o que faz chegar ao resultado final”, destacou.

O presidente da instituição, Paulo Serdan, foi pelo mesmo caminho: “Foi uma decisão óbvia, sim. Até porque seria desleal, por parte da entidade, se não fosse. O tempo todo que ele se dedicou à escola, quando a gente teve o Marcelo com dengue e ele pulou, se entregou, ensaiou e se dedicou demais. O Thiago tem o mesmo perfil de caráter do Marcelo. Na minha cabeça, sempre foi um pensamento reto de que o Thiago ia ter a vez dele”, comemorou.
Data especial
Além do aniversário da própria escola, Thiago lembrou que o 18 de outubro é especial por outro motivo que também tem a ver com a “Mancha Guerreira”: “Antes de vir para cá, em casa, eu estava pensando sobre toda a minha trajetória. Exatamente hoje eu completo 11 anos de escola: nessa data, fui apresentado como terceiro mestre-sala. E eu sou uma pessoa privilegiada por ter um primeiro casal como o Marcelo e a Adriana, prestando todo o apoio, suporte, carinho e dicas que a gente vem recebendo durante anos. Você vai aprendendo um pouco a cada dia. Receber esse bastão do Marcelo, para mim, é muito gratificante. É uma forma de coroar tudo que a gente vem trabalhando desde os quatro anos de idade. Saber que uma pessoa tão gabaritada e multicampeã tem esse carinho, esse gesto, é essencial. Fico extremamente feliz”, declarou.
Mentalidade
Outro tema recorrente nas entrevistas realizadas pela reportagem foi o quanto assumir o posto de primeiro mestre-sala exige psicologicamente de um componente. Marcelo explicou:
“Quando a gente passa de segundo para primeiro casal, muita coisa muda. Tenho certeza de que ele já deve ter percebido isso. Até o psicológico muda! E ele é uma pessoa que tem condição para essa mudança. A condição de mestre-sala ele tem, sempre teve, independente de 2024. O óbvio está aí: é o Thiago. E não foi apenas uma decisão, foi também uma conversa com o presidente e com a Adriana e todos achavam isso óbvio”, disse.

Em outro momento, o antigo mestre-sala voltou a citar a parte mental como importante: “Ele tem a história bonita dele como mestre-sala e vai continuar com uma nova responsabilidade. Como eu disse, a cabeça fica completamente diferente, mas tenho certeza de que ele será e já é um grande mestre-sala. Agora, ele vai se consolidar como o grande mestre-sala que já é”, afirmou.
Adriana também destacou que, para ela, o novo companheiro exige adaptações: “Não é porque eu tenho mais experiência que vai ser do meu jeito. Um casal é uma construção, que tem que ser feliz para todo mundo. Se dançar sem estar feliz, não adianta, não tem dança bonita. Eu não sou automática, eu sou emoção. A dança tem todos os balizamentos, mas eu preciso ter emoção. Tenho que prestar atenção nisso: trazer essa mentalidade para ele, fazer com que entenda que, agora, ele é o centro das atenções. Eu assumi o primeiro pavilhão na minha vida há 23 anos, em 2003. Nesse processo, a gente tem que entender qual é o nosso lugar, o nosso caminho e a nossa posição. Eu tenho que ser a que abraça, que acolhe, que dá o caminho. Mas esse caminho eu tenho que construir junto com ele, senão, não faz sentido”, frisou.
Aos mestres, com carinho
Thiago fez questão de exaltar as qualidades do, agora, antigo primeiro casal da Mancha Verde, a começar por Marcelo: “Em 2024, antes de a gente entrar na pista, eu conversei com o Marcelo e peguei todas as dicas possíveis, todas as informações. A gente precisa entender nossa necessidade e aprender com quem tem conhecimento. Eu faço questão de estar com o Marcelo: mesmo ele não desfilando como mestre-sala, queremos ele próximo, é importante isso”, destacou.

Depois, foi a vez de Adriana: “A Adriana é uma porta-bandeira que eu conheço desde que me conheço como mestre-sala. E eu vou falar: ela me pegou no colo! Eu fico muito contente porque, além de ser uma das maiores porta-bandeiras do Carnaval de São Paulo e a história dela é inacreditável, ela também é uma amiga, uma pessoa que sempre esteve comigo. Mesmo em outras entidades, antes de chegar à Mancha, ela sempre esteve próxima, sempre frequentou minha casa, sempre teve muito carinho comigo e com a minha família. Fica difícil falar sobre a Adriana”, disse.
E, para encerrar, palavras que valem para ambos: “A única coisa que quero é agradecer a eles. O pessoal fala da elegância do Marcelo e ele é assim 24 horas. É uma pessoa sensacional, sempre teve um carinho incrível comigo. A gente sempre teve um quadro muito unido e conectado. E a Adriana é uma guerreira, aquela pessoa que a gente sabe: ela entra na pista e o mundo para para vê-la. Eu só tenho a agradecer”, comentou.
Outras questões
Adriana refletiu sobre a experiência e sobre tantos nomes históricos que passaram pelo segmento no carnaval paulistano: “Tem que ensaiar sempre! Mas, como ele falou, é uma diferença de estilos. São 28 anos que eu estou dançando e vi várias gerações. Peguei Dona Gilsa, Vivi, Gabi, Nenê, Sônia, Simone, Maria Inês… a cada hora eu vou construindo uma nova história que se alinha muito bem com a anterior. A gente está com quase quatro meses de ensaio e quatro quilos a menos. Está um processo muito coeso, com uma troca muito boa”, disse.

Por fim, Paulo Serdan revelou que, embora contasse com toda a confiança da presidência, a sucessão no cargo de mestre-sala nunca foi uma questão na Mancha Verde: “Até o anúncio do Marcelo, a gente nunca tinha conversado sobre o Thiago ser o primeiro mestre-sala. Nunca. E eu também nunca prometi nada para ele, até porque a gente tinha o Marcelo e a Adriana. Ele é muito correto. Estamos muito bem servidos, porque, além da dança, temos que preservar o que há de mais importante aqui: os seres humanos. Eu tinha certeza de que um dia seria ele e o dia dele chegou”, finalizou.
Noite estrelada
Intitulada internamente como “Bailar das Estrelas”, a noite teve direito a Parabéns a Você cantado em plena quadra por Fredy Vianna, intérprete da Mancha Verde, e bolo oferecido às crianças da comunidade. Antes das homenagens a Marcelo, a escola realizou o primeiro ensaio rumo ao desfile de 2026, com excelente resposta do público a um samba-enredo eternizado na história não apenas da agremiação, como também do carnaval paulistano, considerado por muitos o melhor da história da escola.
A homenagem a Marcelo também teve espaço para lembrar Mirian Acedo, antiga segunda porta-bandeira da agremiação e companheira de Thiago, vítima de um câncer no cérebro em 2024. Antes da roda de pavilhões com representantes de várias agremiações do Carnaval paulistano, o mestre-sala que se despediu da função bailou com porta-bandeiras de Unidos de São Lucas, Pérola Negra, Camisa Verde e Branco e Barroca Zona Sul, pavilhões que defendeu ao longo da carreira. Tudo isso sob o olhar de grandes nomes da história do samba paulistano, como o Casal Soberano (Gabi e Vivi), Raimundo Mercadoria e Ednei Mariano.
Após a passagem do bastão, evento tradicionalíssimo resgatado pela Mancha Verde para marcar a mudança de casal de mestre-sala e porta-bandeira, Paulo Serdan presenteou Marcelo com um pavilhão da escola e chamou Marcos Aurélio e Wender Luciano, coreógrafos da comissão de frente, para anunciar uma surpresa: a partir daquela data, Marcelo passaria a integrar o grupo responsável pelo segmento algo que ele já havia manifestado disposição para assumir.
Novo pavilhão
Para encerrar os marcantes 30 anos da Mancha Verde, Paulo Serdan anunciou oficialmente a mudança no pavilhão da escola: agora, a agremiação terá também duas estrelas alusivas aos títulos do antigo Grupo de Escolas de Samba Desportivas. Elas serão prateadas e ficarão centralizadas entre as vermelhas — que representam os dois títulos do Grupo Especial.
Corte Real 2026: definidos os finalistas que disputarão um lugar na realeza do Carnaval Carioca de 2026
Está chegando a hora das grandes finais! Na última sexta-feira foi realizado o segundo dia das semifinais, dedicado à disputa dos reis e rainhas, em um dia marcado por muita agitação, casa cheia e celebração. Com uma disputa de 20 candidatas a Rainha e 10 a Rei, apenas metade de cada foi selecionado para a final do dia 24. Entre os postulantes do dia, classificaram-se os candidatos a Rei Anderson Matheus (7), Danilo Vieira (2), Djeferson Mendes (6), Jonata dos Santos (12) e Pablo Jales (3). As candidatas a Rainha foram Ana Carolina Antunes (28), Ana Luiza Carneiro (8), Caroline Xavier (29), Gabriela Carvalho (42), Ingrid Ferreira (34), Jéssica Almeida (9), Luana Fernandes (2), Rhunda Monteiro (23), Samara Trindade (13) e Thays Busson (22).
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Wilson Neto, o Rei Momo de 2022, e Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, realizaram a apresentação da noite com muita energia e emoção. O evento teve início às 19h, na Cidade do Samba, com entrada gratuita, e quem esteve lá, presenciou uma verdadeira noite de dedicações de amor ao samba.
A banca de jurados, formada a cada edição por representantes, amantes e estudiosos do nosso samba e da nossa cultura, contou com presenças ilustres, como Tia Surica, figura lendária e matriarca da Portela; Lucinha Nobre, Porta-Bandeira multi-campeã e Estandarte de Ouro; Mari Mola, embaixadora e Rainha do Carnaval em 2023; Bárbara Ferreira, jornalista e escritora; Nilce Fran, vice-presidente da Portela e Célia Fernandes, presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil. Também fizeram parte da mesa o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o vice-presidente Luís Monsores e o diretor de operações Flávio Teixeira.
“Ver tantos candidatos dedicados à Corte Real é uma prova de quanto o Carnaval move corações e desperta sonhos. Cada um tem sua história, seu brilho e seu jeito único de representar o Rio. Que todos possam aproveitar esse momento com alegria e orgulho. Boa sorte aos finalistas, o importante é celebrar juntos a força da nossa festa!”, disse Bernardo Fellows.
Como não podia faltar em um dia de celebração do carnaval, o samba foi forte no palco. O grupo Moça Prosa, formado por mulheres que participavam de uma oficina de percussão feminina na Pedra do Sal, abriu os trabalhos com excelência, recebendo todos que chegavam com muita animação. Após o tempo dedicado à homenagem para Rosa Magalhães, o Salgueiro, sua ex-escola, entrou no palco para fazer jus à sua memória. Com cores fortes e sambas mais ainda, a vermelho e branco encantou o público ao apresentar seu samba-enredo de 2026, que é dedicado à grande carnavalesca.
Com a condução do Rio Samba Show, a disputa foi tomada por diversos candidatos fortíssimos, que deixaram suas histórias de vida, posicionamentos e dedicação no palco. O espetáculo foi encerrado com a apresentação do Terreiro de Crioulo, roda de samba que viaja diversas cidades do Brasil, mas que tem sua raiz fincada na Zona Oeste do Rio, e é um sucesso absoluto entre os eventos da cidade.
O dia foi dedicado à lendária Rosa Magalhães, um dos maiores nomes da história do carnaval. Formada na “Revolução Salgueirense” dos anos 60, Rosa detém o recorde de mais títulos conquistados no Sambódromo, sendo cinco pela Imperatriz (1994, 95, 99, 2000 e 2001), um pela Vila Isabel (2013) e, antes da avenida, conquistou o último título do Império Serrano em 1982. Magalhães faleceu em 2024 e será o enredo do Salgueiro no desfile de 2026.
“Eu tô muito emocionada de estar aqui, porque isso registra que, de alguma maneira, passar por esse palco, além de coroar a gente no ano que ganhamos, nos transforma em um marco na história do nosso Carnaval, e isso é muito importante. É cada vez mais importante que meninas que são crias de comunidade e de escola de samba, fiquem marcadas na história do carnaval.”, disse Maria Mola, Rainha do carnaval de 2023.
Sapucaí recebe asfalto novo para o Carnaval de 2026
A Secretaria de Conservação do Rio iniciou esta semana o recapeamento da Marquês de Sapucaí para o Carnaval de 2026. O serviço será realizado em etapas para respeitar o cronograma de eventos do Sambódromo. Da Praça da Apoteose até a Avenida Salvador de Sá, o processo foi iniciado na quarta-feira com a fresagem da pista, que consiste na retirada do asfalto antigo. Na noite da última quinta-feira, o asfalto novo começou a ser aplicado.
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“Depois das obras que prepararam a Marquês de Sapucaí para modernização do sistema de som, agora, a Conservação realiza o recapeamento completo da Avenida. Na noite desta quinta-feira, foram aplicados dez caminhões de asfalto no Sambódromo. O serviço é alinhado com a Riotur para não comprometer a agenda de eventos no Sambódromo. Nosso compromisso é deixar a Avenida nova para os ensaios e o Carnaval 2026”, explicou o secretário Diego Vaz.
O presidente da Riotur, Bernardo Fellows destaca a relevância da Sapucaí para o Carnaval. “O Carnaval é o maior evento cultural e turístico do Rio, e a Sapucaí é o seu principal palco. O recapeamento é mais uma demonstração do compromisso da Prefeitura em garantir uma infraestrutura à altura da importância da festa. Esse cuidado com o Sambódromo beneficia não só o espetáculo, mas toda a cadeia produtiva do Carnaval, que movimenta a economia e projeta o Rio para o mundo”, diz Bernardo Fellows, presidente da Riotur.
O último recapeamento completo da Sapucaí foi realizado pela Prefeitura do Rio em 2022.

Reformulação do sistema de som
A Prefeitura do Rio prepara a Marquês de Sapucaí para o processo de reformulação no sistema de som do Carnaval. A Secretaria de Conservação construiu dez dutos transversais na Passarela do Samba em toda a sua extensão. As estruturas, além de abrigar os cabos de som, também vão contemplar os condutores de elétrica e iluminação cênica, acabando com os cabos expostos na pista. Os novos dutos foram construídos em valas rasas para conectar o novo sistema de som do Sambódromo. As valas são fechadas com concreto armado e, em seguida, asfaltadas. As dez canaletas têm 14 metros de extensão, e cada uma delas contém três dutos de 100 mm.

