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Justificativas da avaliação dos sambas do Grupo Especial do Rio

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    Notas e justificativas de Leonardo Bruno

    MANGUEIRA: 10. Letra com enorme qualidade, fazendo uma leitura poética do tema, com passagens interpretativas que expandem o significado do enredo, como “Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, “Minha mãe é Maria das Dores Brasil” e “Eu tô que tô dependurado / Em cordéis e corcovados”. A melodia surpreende em vários trechos, como na transição do canto esticado em Sem saber que a esperança / Brilha mais na escuridão” para o impactante “Favela, pega a visão”.

    MOCIDADE: 10. Um samba que faz a aposta certa na emoção, casando de forma perfeita com o perfil da homenageada. A letra estimula a garra da escola ao relembrar a trajetória de Elza Soares, sem deixar a potência cair em momento algum, mas o grande trunfo está na melodia, especialmente na cabeça do samba e na repetição de “Para a preta não chorar”.

    GRANDE RIO: 9,9. Uma letra rica, que consegue contar com criatividade e imagens interessantes a trajetória de Joãozinho da Gomeia. A melodia vai por caminho difícil, procurando unir o embalo da escola a trechos mais líricos. E é bem-sucedida, como vemos no trecho “Bailam os seus pés / E pelo ar o bejoim / Giram presidentes, penitentes, yabás / Curva-se a rainha / E os ogans batuqueiros… pedem paz”.

    TIJUCA: 9,9. Samba inteligente, que subverte o enredo usando a visão particular do morador do Borel sobre tema tão denso como a arquitetura. A letra usa recursos criativos em todos os trechos, aproximando a temática do dia a dia do componente, com expressões como “quintal”, “bangalô”, “palha e sapê”, “capela”, etc. A melodia traz trechos que saltam aos ouvidos pela originalidade, com construções que não são muito comuns no gênero samba-enredo, como “Lágrima desce o morro / Serra que corta a mata / Mata…”, além da boa sacada na repetição do trecho que prepara para o refrão do meio: “Vem, é lindo o amanhecer…”

    TUIUTI: 9,8. Refrãos fortíssimos, favorecendo o desempenho do desfilante na Sapucaí. Nos trechos entre refrãos, a melodia fica mais dolente, permitindo o respiro que prepara o próximo momento de explosão. O refrão final, com a repetição em partes, é boa sacada: “No Morro do Tuiuti / No alto do Terreirão / O cortejo vai subir / Pra saudar Sebastião”. A letra é objetiva ao contar o enredo, mas não consegue deixar totalmente claro o enredo que une Dom Sebastião e São Sebastião.

    PORTELA: 9,8. Um samba forte, com melodia explosiva, que a todo momento parece emular os cânticos rituais indígenas e pode proporcionar bom desfile aos componentes. Os dois refrãos são muito felizes. A letra não se arrisca muito, procurando dar conta do enredo de forma direta, mas sem conseguir êxito na tarefa de deixar clara a narrativa. A repetição da expressão “a ira de Monã” não se justifica por nenhum recurso reiterativo, então soa gratuita.

    BEIJA-FLOR: 9,7. Boas sacadas nos refrãos, especialmente em “Nilopolitano em romaria / A fé me guia! A fé me guia!”. A letra não é bem-sucedida ao contar o enredo de forma clara. A melodia tem soluções ricas, mas se repete em muitos trechos, o que torna o samba pesado. A sequência de versos antes do refrão do meio, com passagens melódicas semelhantes, pode se tornar cansativa: “E nessas andanças, eu sigo teus passos / São tantas promessas de um peregrino / É crer no milagre, sagrados valores / Em tantos altares, em tantos andores / A vela que acende, a dor que se apaga / A mão que afaga se torna corrente”.

    VIRADOURO: 9,7. Um refrão fortíssimo antecedido pela ótima sacada do “Ó, mãe, ensaboa, mãe” prometem uma entrada vibrante para a Viradouro. A primeira parte traz uma bela letra, com versos como “E o balaio é do tamanho do suor do seu amor”. A segunda parte não mantém a mesma potência, caindo bruscamente, retomando apenas na volta dos refrãos iniciais.

    SÃO CLEMENTE: 9,7. Letra adequadíssima ao enredo e ao estilo da escola, contando de forma clara o enredo e com sacadas espirituosas. A melodia segue a proposta da letra, ao não trazer grandes novidades e seguir em seu “feijão com arroz” caprichado. No conjunto, é um samba que pode permitir um bom desfile à São Clemente. Na comparação com os demais sambas, perde um pouco na criatividade de letra e melodia.

    SALGUEIRO: 9.6. A letra procura trazer soluções criativas para contar o enredo, usando figuras como “Quando cair, no talento, saber levantar” e “Aqui o negro não sai de cartaz”, mas não consegue fugir dos lugares-comuns associados ao universo circense. A melodia é o ponto mais problemático da obra, trazendo nos dois refrãos sonoridades já ouvidas muitas vezes na Sapucaí.

    VILA ISABEL: 9,6. A letra busca caminhos criativos para contar um enredo denso. É difícil imaginar um componente em 2020 cantando versos como “Quando um cacique (JK!) inspirado / Olhou pro futuro / E mandou construir / Brasília, joia rara prometida”. Soa anacrônico, e os versos de uma obra devem dialogar com seu tempo. A melodia ainda salva alguns trechos, como o refrão do meio: “Ô, viola! / A sina de preto velho / É luta de quilombola / É pranto, é caridade”.

    ESTÁCIO: 9,5. É um samba duro, sem trocadilhos com o enredo “Pedra”. A letra ainda esboça alguma criatividade, com a rima interna em “O poder que emana do alto da pedreira / Tem alma justiceira, tem garra de leão” e a repetição do “peneirar, peneirar”, num falso refrão. De resto, se limita a descrever os setores do enredo numa leitura que não foge do óbvio. A melodia é insípida e não apresenta momentos de grande criatividade.

    UNIÃO DA ILHA: 9,5. A letra não tem sucesso ao explicar o enredo, que fica nebuloso do início ao fim, numa sequência de versos aparentemente sem conexão. Muitos trechos batem no lugar-comum da autoajuda: “Inocentes, culpados, são todos irmãos”, “Eu sei o seu discurso oportunista / É a ganância, hipocrisia / O seu abraço é minha dor, seu doutor”, “Eu sei que todo mal que vem do homem / Traz a miséria e causa fome”. A melodia não procura novos caminhos e se contenta em explorar uma sonoridade nada novidadeira.

    Notas e justificativas de Aydano André Motta

    Grande Rio: 9.9. O mais bonito samba do ano conta com beleza e empolgação a história de Joãozinho da Gomeia. O refrão “Eu respeito seu amém/ Você respeita meu axé” é o ponto alto.

    Mocidade: 9.9. Força e empolgação para celebrar Elza Soares na medida certa. E Vander Pires sem exageros. Um espetáculo.

    Portela: 9.8. Samba rico e emocionante para festejar o Rio antes de o Rio existir. A devida exaltação aos indígenas com críticas a quem merece.

    Viradouro: 9.8. Zé Paulo em grande forma canta obra de qualidade, que vai empolgar os componentes na avenida. O refrão “ensaboa” é apenas uma das valências do hino.

    Tijuca: 9.7. O samba mais criativo do ano canta a favela como obra (brilhante) de arquitetura. Golaço num enredo que não prometia muito.

    Mangueira: 9.6.  O Jesus renascido no morro da Mangueira desfila num samba de bom nível. Falta um pouco a cara da escola. Mas vai funcionar.

    Tuiuti: 9.6. A encomenda da escola deu numa obra mediana, com menos crítica do que propõe o enredo. Os bons refrãos são o ponto alto.

    Beija-Flor: 9.6. A mítica comunidade nilopolitana tem samba correto para o ano da reconstrução, após a tragédia de 2019. A segunda parte cai um pouco, mas o início é empolgante.

    São Clemente: 9.6. O alívio cômico da safra, lembra os marajás “puxando férias em Bangu” e o país que caiu na fake news. Pavimenta desfile divertido da escola de Botafogo.

    Vila Isabel: 9.5. O enredo deveria ser Brasília, mas a capital só aparece em dois versos. No mais, conta a história antes de a cidade ser construída. Estranho.

    Salgueiro: 9.5. A saga do primeiro palhaço negro do Brasil ganhou música apenas regular, de letra previsível.

    Estácio: 9.5. Samba mediano que tem dificuldades de explicar o enredo. Os refrãos são a melhor parte.

    Ilha: 9.5. O enredo de difícil compreensão inviabilizou a construção de obra melhor. “Chumbo trocado”, imagem de um refrão, não deveria estar no Carnaval.

    Notas e justificativas de Pedro Ivo

    Estácio de Sá: 9,7. Letra pobre, sem nada mais rebuscado. Compositores não conseguiram sair da frieza da sinopse para algo brilhante. Se preocuparam apenas em reproduzir o que está pedido e ponto. Enredo é bastante confuso, logo problematiza para quem precisa fazer um samba a partir daquilo. Uma melodia até certo ponto agradável, mas repetitiva. Uma ou outra boa variação melódica. Quando você estica uma sílaba (muda acentuação) ou outra para encaixar no samba, ok. Não vejo tanto problema. Mas Estácio faz isso com frequência. Tanta prosódia ratifica a falta de inspiração.

    Unidos do Viradouro: 9,8. Samba forte e que promete funcionar para o desfile da Viradouro. A definição de forte, no entanto, combina muito mais com as passagens interessantes da melodia (numa tentativa de repetir modelos recentes de sucesso), não com sua letra – fraca e sem tanta clareza em alguns momentos. Não chega a trazer algo novo e surpreendente em termos de qualidade. Não se pode, no entanto, negar o mérito da parte final combinando a subida para o refrão “Ó, mãe! Ensaboa, mãe!”.

    Estação Primeira de Mangueira: 9,9. Uma letra espetacular, mas com uma melodia que não acompanha no mesmo nível. A escola mexeu, tentou, ajustou, mas não parece ter encontrado o “casamento” ideal de letra-melodia.  Melodia não acompanha o brilho da letra. A diferença entre os dois aspectos – especialmente no refrão principal – acaba sendo determinante para descontar ponto de um samba que poderia ter avaliação máxima.

    Paraíso do Tuiuti: 9,9. Um bom samba. Se não chega a ser brilhante nas principais de avaliação (letra e melodia), cumpre bem o seu papel. E mostra potencial em outra vertente: a síncope. Boa e necessária para um samba-enredo. Destaque para os três refrãos, com boas melodias. Boa letra da primeira parte – sobre o Maranhão – não é acompanhada na segunda parte – sobre o Rio de Janeiro (de “Rio, do peito flechado” a “Salve o Rio de Janeiro”).

    Acadêmicos do Grande Rio: 10. Letra e melodia muito excelentes, entregando um samba à altura do que o grande enredo merecia. Samba que já foge do óbvio em sua cabeça – a condução a partir do caboclo Pedra Preta é uma grande sacada e dá peso à obra. Refrão principal forte, fácil – sem parecer “bobo” – e fechando com a ideia de recado/apelo por mais tolerância religiosa. Uma obra que explora muito bem o aspecto da ancestralidade, conseguindo transformar expressões não tão simples em situações fáceis de serem cantadas.

    União da Ilha do Governador: 9,6. Um (não) enredo que complicou a missão dos compositores. Diante do que me pareceu uma dúvida sobre a clareza do tema para o desfile, a letra esclarece menos ainda. Um samba que você ouve e não consegue identificar exatamente um tema sendo contado ali. Criança? Mulher? Negro? Pobre? Esperança de dias melhores? Coisas que já passaram pela Avenida, mas que o samba não explica exatamente como contará. Uma série de expressões clichês soltas, perdidas. Como o enredo, que tem uma logo, mas não uma sinopse a se seguir. São questões soltas que devem formar uma ideia no desfile. Porém não se sabe qual. Não há exatamente um encaixe para facilitar o entendimento. Por enquanto, é tudo uma incógnita. Até mesmo o desempenho de um samba muito abaixo do que a Escola merece. Uma melodia razoavelmente agradável em algumas partes evita uma avaliação ainda pior.

    Portela: 9,9. Samba forte e que consegue dar a cara/ideia do enredo à obra com citações e expressões bem encaixadas. Termos indígenas não apareceram de forma cansativa, mas sim de maneira necessária para expressar o ar da temática ali. Apenas a letra, no entanto, poderia ser mais bem trabalhada. Não brilha como a melodia.

    São Clemente: 9,9. Letra inspirada e com sacadas interessantes. Alcança de forma direta o que o enredo pede, mantendo a tradição da linha de obras da Escola. A extensa segunda parte, no entanto, acaba deixando a melodia levemente cansativa, comprometendo uma nota máxima.

    Vila Isabel: 9,8. Uma composição que, somada a ideia do enredo de ser pré-Brasília, consegue resolver um tema que soaria “clichê”, dado o número de vezes que a capital federal já passou pela Avenida. Melodia agradável, apesar das variações talvez exageradas. Destaque para o bonito refrão do meio e algumas boas passagens de letra do meio para a subida do refrão principal.

    Acadêmicos do Salgueiro: 9,8. Um samba regular para um enredo que poderia gerar obras mais interessantes. Primeira parte pouco inspirada. Com exceção da boa sacada do refrão do meio, a obra não mostra brilho em nenhum outro momento e tem até alguns clichês isolados. Refrão principal sem tanta força, diferente do que a Escola gosta de apresentar e cantar.

    Unidos da Tijuca: 10. Uma obra muito boa. Um samba que resolveu um enredo que, inicialmente, parecia não inspirar os compositores. Falar sobre arquitetura a partir da realidade do morro do Borel, da favela, do sonho do pobre, foi algo muito feliz. Desenho melódico excelente, poético, combinando uma letra inspirada.

    Mocidade Independente de Padre Miguel: 10. Letra muito boa e que conta com facilidade o forte enredo. Melodia acompanha a inspiração da letra. Obra que cumpre a expetativa de um enredo desejado pela comunidade de Padre Miguel. Excelente encaixe entre as partes do samba, além da boa preparação de cada parte para os refrões. 

    Beija-Flor de Nilópolis: 9,9. Um samba que retoma a característica de anos da Escola de Nilópolis. Forte, de boa melodia. Refrãos interessantes. Uma obra que prepara para pegar na veia na hora do refrão principal. Como ressalva, uma letra um pouco abaixo da melodia e que não chega a trazer a maior clareza do enredo – ainda que o mesmo possa ser percebido ao lado da composição.

    Notas e justificativas de Alexandre Lozetti

    MANGUEIRA: 9,7. Obra rebuscada e corajosa, mantém a linha de fortes críticas sociais, mas vê sua melodia provocar uma ou outra desarmonia. Faltou um caminho melhor para o refrão principal, mas a essência do samba pode funcionar novamente na avenida.

    VIRADOURO: 9,8. Pode não ter a letra mais poética ou as soluções mais brilhantes, mas o mérito de invadir e criar raízes no cérebro de quem ouve também é grande. Dá vontade de cantar, de brincar, de curtir a festa. E o “ensaboa mãe” pode arrastar a Sapucaí para o refrão principal.

    VILA ISABEL: 9,6. O enredo não empolga e as soluções encontradas parecem de outros carnavais. Há bons momentos, como a cabeça do samba e o refrão central.

    PORTELA – 9,9. Depois de uma sequência de obras em que a Portela falava mais de si mesma que dos enredos, quaisquer que fossem, o samba de 2020 acerta em cheio na abordagem, nos refrães, na vibração melódica e, principalmente, ao não ter bispo e nem se curvar a capitão.

    SALGUEIRO: 9,5. Para um enredo tão bom e com potencial de emocionar, o samba soa blasé, sem a pegada do salgueirense, carece de sentimento. A letra em primeira pessoa é bonita em alguns momentos. A harmonia terá que resistir ao insólito dueto de Emerson Dias e Quinho.

    MOCIDADE: 9,9. Elza Soares certamente está feliz com a bela obra, valente e exitosa na missão de materializar a relevância da homenageada para a música brasileira. O verso “Essa nega tem poder, é luz que clareia” resume a mensagem ao país onde o racismo volta a se assanhar.

    UNIDOS DA TIJUCA: 9,8.É possível identificar Jorge Aragão, um dos compositores, em trechos do samba – bangalôs têm muito a sua cara. Isso não faz da obra impecável. Ela parece se estender um pouco além da conta e a melodia com isso se arrasta, mas há mais bons momentos, como o refrão central.

    PARAÍSO DO TUIUTI: 9,7.Parece que ouvi o samba pela primeira vez em 2018, tamanha a precocidade da divulgação. Os refrães são fortes, marcantes, podem embalar mais um desfile valente da escola que, a cada ano, se consolida no Grupo Especial.

    GRANDE RIO: 10.Obra que conta com maestria o enredo proposto e tem no refrão principal um apelo emocionante e pertinente para os tempos de intolerância. A melodia também parece ter sido criada especialmente para musicar a vida de Joãozinho da Gomeia. O melhor samba do ano.

    UNIÃO DA ILHA: 9,3.Não se vê nada de União da Ilha nesta composição enfadonha. Não há coesão e nem se percebe o enredo na leitura do samba. A comunidade aguerrida terá um desafio e tanto pela frente. Salve-se quem puder!

    BEIJA-FLOR: 9,9.Carrega a identidade da escola na melodia forte que estimula o canto da comunidade, e na letra que não apela a recursos fáceis. A junção do refrão do meio e a segunda parte, mais curta, chama o nilopolitano pelos brios, e isso costuma dar resultado.

    SÃO CLEMENTE: 9,5. A letra é divertidíssima e faz jus à genialidade de Marcelo Adnet, agora compositor de samba-enredo. Mas a melodia por vezes soa básica demais, como se dedicada a paródias. É o desequilíbrio da obra, mas o traço de deboche é importante para a história da São Clemente.

    ESTÁCIO DE SÁ: 9,4.Obra mal resolvida, no meio do caminho entre a leveza e a complexidade, não alcança qualquer um dos resultados. O refrão central desafoga, permite a brincadeira, mas não atenua os problemas melódicos.

    Notas e justificativas de Jairo Rozen

    MANGUEIRA. Nota: 9,9. O samba da Mangueira é sem dúvidas muito forte, com letra de extrema inteligência. Mas a melodia deixar a desejar. Sem pontos explosivos, o samba passa bem, mas sem um grande trecho de destaque. Poderia ser um samba sensacional mas algumas passagens dificultam, como por exemplo o refrão: “Mangueira / Samba, teu samba é uma reza / Pela força que ele tem…”.

    VIRADOURO. Nota: 9,6. “Ensaboa mãe” pode parecer um pouco apelativo, mas após ouvir o samba algumas vezes é impossível não ficar com essa parte na cabeça. A letra é correta e os refrões são fáceis, apesar de algumas rimas, que aqui em São Paulo chamamos de pobres. Cumpre o seu papel, porém, o enredo pedia mais, soa um pouco genérico em alguns momentos.

    VILA ISABEL. Nota: 9,5. Um samba funcional, sem novidades com algumas estrofes que não fazem muito sentido de imediato. Também falta explosão. O samba não compromete, mas certamente não será um dos hits de 2020.

    PORTELA. Nota: 10. Certamente, é um dos melhores sambas do ano no RJ. O refrão de cabeça é lindo e a melodia melhor ainda. Um sambaço.

    SALGUEIRO. Nota: 9,6. O samba começa alegre e pra cima, mas se torna bastante burocrático e com a melodia sem grandes variações. “Fazer sorrir quando a tinta insiste em manchar” é sensacional e a letra no geral é boa, bastante superior a melodia que deixa muito a desejar.

    MOCIDADE. Nota: 10. O samba da Mocidade é o samba do Carnaval 2020.

    TIJUCA. Nota: 9,8. A qualidade da letra e melodia desse samba são inquestionáveis e fogem do lugar comum de outros sambas. Minha única ressalva é a falta de um grande momento de explosão, que faça o componente bater o peito.

    TUIUTI. Nota: 9,8. O samba é muito bem construído de frases curtas e diretas e uma melodia diferente, mas, comete um pecado que para um paulista é difícil não descontar pontos: Muitas rimas terminadas em “ado” em toda a letra.

    GRANDE RIO. Nota: 10. Sambaço, oriundo de um enredo espetacular. Apesar de abusar de palavras difíceis é arrebatador.

    UNIÃO DA ILHA. Nota: 9,3. Não entendi o enredo através da letra do samba. Não encontrei momentos contagiantes e a melodia se arrasta.

    BEIJA-FLOR. Nota: 9,9. O samba começa com muita energia, melodia pesada e vibrante, com uma letra muito bem construída. Só não leva a nota máxima, pois pareceu ser muito longo, isso pode comprometer.

    SÃO CLEMENTE. Nota: 9,7. A melodia pra cima, a letra crítica e bem humorada fazem o samba ser contagiante e simpático. Ao mesmo tempo que tem todas essas características, peca pela simplicidade e pela falta do algo mais. Algumas esticadas em vários versos fazem o samba perder um pouco de dinâmica.

    ESTÁCIO DE SÁ. Nota: 9,4. A primeira impressão do samba é que a palavra “Poder” está lá de maneira totalmente equivocada. Melodia pesada e letra pouco inspirada proporcionam poucos momentos de vibração.

    Notas e justificativas de Leonardo Antan

    Mangueira: 9,9. Com uma das mais bonitas e inspiradas letras do ano, o samba da verde e rosa possui algumas variações melódicas bruscas e versos mais alongados que podem prejudicar seu melhor desempenho.

    Vila Isabel: 9,7. A construção de um enredo confuso reflete na letra do samba da Vila Isabel. Apesar de tentar evocar belas passagens e algumas se destacarem pela qualidade melódica, o samba da azul e branco passa uma sensação apenas burocrática, explodindo num refrão cheio de lugares comuns.

    Viradouro: 9,8. Um dos sambas que mais cresceu desde a disputa, o samba da Viradouro evoca o enredo com boas passagens e ganha ainda maior força com a boa interpretação de Zé Paulo Sierra.

    Portela: 9,9. Forte e com bastante pegada, o samba da azul e branco é uma das grandes obras do ano. Com um refrão explosivo e passagens valentes, o único senão fica por frases muito reducionistas e pouco elaboradas, que acabam por simplificar demasiadamente um enredo com grande potencial.

    Salgueiro: 9,8. Apesar de criticado, o samba-enredo do Salgueiro cumpre seu papel ao evocar um imaginário circense. A letra constrói pelas imagens e versos inspirados que explodem num refrão animado, mesmo que clichê. A melodia peca em alguns sentidos, mas funciona bem no contexto.

    Mocidade: 9,9. Ao materializar a esperada homenagem a Elza Soares, os compositores do samba da verde e branco da Zona Oeste apostaram num samba explosivo, deixando um pouco de lado a linha mais melódica que a agremiação vinha seguindo. O samba reflete de maneira valente a história da homenageada numa bonita crescente, apesar de construções mais óbvias e com poucos momentos realmente inspirados.

    Tijuca: 10

    Tuiuti: 9,9. Um excelente acerto, o samba da Tuiuti pode não chamar atenção na primeira ouvida, mas a cada nova audição, o samba cresce e pode chegar na Avenida com sua potência máxima. O samba constrói belas imagens e costura de maneira competente o enredo da azul e amarela, um dos seus únicos senões é alguns versos muitos alongados que dificultam o canto.

    Grande Rio: 10

    Ilha: 9,5. A proposta da comissão de carnaval da União da Ilha de não escrever uma sinopse que guiasse a criação dos seus compositores parece ter influenciado diretamente na qualidade da obra insulana. Com um amontoado de imagens clichês que não parecem se conectar, a obra faz uma crítica rasa e sem foco, apesar de tentar evocar grandes carnavais da tricolor, como É hoje e O Amanhã.

    Beija-Flor: 9,8. Com a força característica nilopolitana, o samba tem um refrão explosivo e forte, que é certamente um dos melhores do ano. Entretanto, apesar de sua força, a obra de se perde em alguns versos e acaba por exaltar demais a agremiação e fugir o intuito de contar o enredo.

    São Clemente: 9,8. Com passagens bem-humoradas e inspiradas, o samba da preta e amarela conduz bem o tema desenvolvido e traz belas imagens ao enredo, servindo bem a proposta da escola. O único senão da obra parece uma segunda parte mais longa do que o necessário, numa sequência de versos que poderia ser facilmente dispensada dando mais agilidade a obra.

    Estácio: 9,6. Uma obra valente, o samba da Estácio tem altos e baixos ao tentar dar conta do enredo, se utilizando de muitos lugares comuns e versos poucos inspirados.

    Notas e justificativas de Guilherme Alves

    Viradouro: 9,9. O samba é valente e tem um refrão que pode pegar na Avenida (“Oh, mãe, ensaboa, mãe”). A primeira parte do samba parece um pouco abaixo do restante da obra em termos de qualidade.

    São Clemente: 9,9. Samba inteligente, com boas sacadas e soluções, não fica preso à fórmulas ou modelos comuns do gênero. Falta um algo a mais, um diferencial, pra conseguir a nota máxima.

    Vila Isabel: 9,8. O samba possui uma melodia valente e a interpretação do Tinga valoriza a obra. O uso de alguns recursos já usados em sambas de carnavais anteriores, como o “sou da Vila não tem jeito”, acaba desvalorizando um pouco a obra.

    Tuiuti: 9,8. Samba interessante por possuir um formato diferenciado na construção de versos e refrões. A principal dificuldade do samba parece ser a melodia, que exige um esforço maior no canto.

    Grande Rio: 10

    Portela: 10

    Mangueira: 10

    Beija-Flor: 10

    Mocidade: 10

    Salgueiro: 9,7. Um samba que fica abaixo da expectativa devido à qualidade do enredo, além da tradição do Salgueiro em ter grandes sambas e do próprio grupo de compositores, que já fez obras inspiradíssimas para a escola. A obra possui algumas boas sacadas, mas parece cansar em alguns momentos.

    Ilha: 9,6. Um samba extremamente subjetivo, tem poesia, mas não dá uma noção exata do que se trata o enredo. E também causa estranheza o estilo de samba, a proposta foge um pouco das características da escola.

    Tijuca: 9,6. O samba é um tanto quanto irregular. Possui passagens inspiradas, como no refrão central, mas também algumas soluções incômodas, como o “eu sou favela” do refrão principal, em que há extensão nas duas últimas sílabas da palavra “favela” durante o canto e acaba soando mal.

    Estácio: 9,4. A proposta do enredo da escola parece interessante, mas infelizmente não rendeu um samba dos mais inspirados. A obra poderia ser melhor lapidada, a impressão que fica é que falta mais poesia, lirismo à letra.

    Como ficou a avaliação do Especial do Rio:

    Grande Rio: 69,8 pontos
    Mocidade: 69,7 pontos
    Portela: 69,3 pontos
    Mangueira: 69 pontos
    Beija-Flor e Unidos da Tijuca: 68,8 pontos
    Paraíso do Tuiuti: 68,5 pontos
    Viradouro: 68,4 pontos
    São Clemente: 68,1 pontos
    Salgueiro e Vila Isabel: 67,5 pontos
    Estácio de Sá: 66,5 pontos
    União da Ilha: 66,3 pontos

    ranking especial2020 rj

    Júri dos sambas de São Paulo aponta empate entre Mocidade Alegre e Tatuapé no 1º lugar

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    Mocidade Alegre e Tatuapé empataram na primeira colocação no Júri do CARNAVALESCO formados por pessoas convidadas pelo site. Participaram Rodrigo Coutinho, a equipe da TV Mais Carnaval, Matheus Mattos e o compositor Diego Nicolau. Vale frisar que a avaliação foi feita em cima do CD oficial da Liga-SP para o Carnaval 2020.

    empate sp

    Notas e justificativas de Rodrigo Coutinho

    MANCHA VERDE – NOTA 9,8 – O samba cumpre bem o papel de contar o enredo. Está alinhado ao caráter ‘’positivista’’ que a escola pretende passar. Acredito que a melodia do primeiro verso do refrão principal poderia ser mais bem resolvida(-0,1). Acaba acelerando a pronuncia das palavras num momento que deveria ser de mais exclamação. O verso ‘’Perdoe se algo te fiz, me abrace vem ser feliz’’(-0,1) não acompanha a riqueza poética do restante da obra. Soa simplista.

    DRAGÕES DA REAL – NOTA – 9,7 – Apesar da grande interpretação de Renê Sobral na faixa do CD, a melodia do samba se ressente de adequações mais inerentes a alguns versos (-0,2). Os trechos ‘’De alma lavada eu vou’’ e ‘’Ser amigo do tempo’’ acabam ‘’alongados’’ para uma melhor interpretação da obra. Os fatos causam certa monotonia ao ouví-la, não trazendo a dinâmica musical esperada para um samba que trata do tema proposto. Com relação a letra, há trechos ‘’genêricos’’ (-0,1), ex: ‘’Todos juntos desatar os nós/A festa não tem hora pra acabar’’…. ‘’Afaste a dor/ Vista a sua fantasia’’. O fato compromete e riqueza poética da letra.

    ROSAS DE OURO – NOTA 9,8 – Samba de ótima letra, inteligente e adequada àquilo que a escola pretende mostrar na Avenida. Vejo, porém, dois pecados em melodia que acabam impedindo a nota máxima. A solução melódica dada ao refrão do meio poderia acompanhar o ótimo nível da primeira parte do samba, assim como as boas sacadas do refrão principal. A opção ‘’pergunta e resposta’’ já vista em outras obras tornou o conjunto melódico do samba irregular. Bem como a passagem entre os versos ‘’Chegou a hora de rasgar o manual/Quero ver minha roseira passar’’. Há um ‘’espaço musical’’ grande entre os versos neste trecho, quebrando a fluência.

    UNIDOS DE VILA MARIA – NOTA 9,9 – A obra consegue retratar com riqueza poética o enredo em quase toda sua extensão, exceto pelo verso ‘’Que retrata esse país continental’’, que acaba quebrando a beleza do restante da letra e parece grande demais para o ‘’espaço musical’’ disponível na melodia (-0,1). Destaco a melodia muito bem construída no refrão do meio e a bela sacada no refrão principal. Obra feita exatamente para o estilo de canto de Wander Pires.

    IMPÉRIO DE CASA VERDE – NOTA 9,9 – Mais um samba que cumpre bem a função de contar o enredo. ‘’Redondo’’! Mas, a meu ver, com um pequeno detalhe negativo em melodia (-0,1). Na passagem da primeira parte para o refrão do meio, há uma quebra na ótima sequência utilizada até então. Poderia ser mais bem trabalhada. Em termos de letra, conteúdo correto. Discurso claro, direto e de bom nível poético.

    ÁGUIA DE OURO – NOTA 9,8 – Melodia fluente. Passa por toda a obra sem grandes problemas e apresenta variações inerentes ao gênero samba-enredo. A letra, no meu modo de ver, peca em alguns momentos (-0,2). Principalmente no refrão principal, onde os versos apresentam caráter genérico. Poderiam ser inseridos em muitos desfiles e falam pouco sobre o enredo. O mesmo ocorre no primeiro verso após o refrão principal.

    ACADÊMICOS DO TATUAPÉ – NOTA 10

    MOCIDADE ALEGRE – NOTA 10

    GAVIÕES DA FIEL – NOTA 9,9 – Letra bem adequada ao propósito do enredo, traduz com beleza poética em muitos momentos a intenção da escola, mas a melodia poderia ser mais bem trabalhada nos quatro versos anteriores ao refrão do meio. A obra tem uma ‘’pegada’’ mais ‘’dolente’’, mas falta dinâmica ao trecho citado acima(-0,1) trazendo certa monotonia em conjunto ao refrão do meio.

    X-9 PAULISTANA – NOTA 9,7 – A obra mostra-se irregular ao apresentar trechos de muito valor em letra e melodia, como os refrãos, mas peca em outros relativos a letra e construção dos versos. Os versos ‘’Cada passo mostra o que passou/Sou um contador e conto a dor de um peregrino’’ soam redundantes e comprometem a beleza poética do samba (-0,1). O mesmo ocorre na segunda parte da obra, com uma sequência de versos sem muita relação entre si. Colocados para preencher o conteúdo do enredo, mas comprometendo a fluência da obra (-0,2).

    COLORADO DO BRÁS – NOTA 9,9 – No que diz respeito a adequação entre a letra e a entonação dos versos é um dos melhores sambas deste ano. Muito bem interpretado na gravação, inclusive. A meu ver, porém, há uma ‘’quebra melódica’’ (-0,1) que poderia ser mais bem planejada na junção dos versos ‘’ Herdeiro esperado por uma nação/De nobres e plebeus’’.

    TOM MAIOR – NOTA 10

    PÉROLA NEGRA – NOTA 9,9 – Melodia bem construída em grande parte da obra. Samba que flui naturalmente em uma ótima interpretação de Daniel Colete. Letra forte e bem coesa com aquilo que a escola pretende mostrar no desfile. Acredito que a conjunção dos versos ‘’Cheguei ao Brasil/Terra de encantos mil’’ poderia ser mais bem trabalhada em letra para estar à altura do restante do samba.

    BARROCA ZONA SUL – NOTA 9,8 – Samba de ótima letra e muito coeso àquilo que a escola pretende mostrar na Avenida. A melodia é muito bem construída no refrão principal e em toda a primeira parte, exceção feita ao primeiro verso do refrão do meio, onde há uma aceleração do verso ‘’Em plena floresta’’, dificultando a fluência e o entendimento perfeito do trecho. A construção melódica dos versos ‘’O povo não se cala, oh Tereza de benguela/Vem plantar a paz por essa terra/A emoção que se liberta’’ tira a dinâmica vista no restante da obra, poderia ser mais bem trabalhada.

    Notas e justificativas de Matheus Mattos

    Mancha Verde – 9.9. O samba da Mancha Verde atende o item riqueza poética, fácil de ser cantado e ouvido, fato dado também pela boa estrutura da letra. Nota-se uma falta de ousadia na separação da melodia entre a primeira e segunda estrofe, em determinados trechos elas se igualam.

    Dragões da Real – 9.8. A Dragões da Real optou por um samba mais interpretativo, ou seja, as ideias do enredo é contada de uma forma implícita nas letras, e é previsto em regulamento. A obra tem pouco melisma, é alegre, provoca descontração do desfilante. A retirada dos décimos se da pelas rimas pobres, pouco ousadas, como o trecho “vamos rir de nós” e “desatar os nós”, e “caminhar contra o vento” e “ser amigo do tempo”, que já causou alguns conflitos entre componentes da agremiação.

    Rosas de Ouro – 9.9. Assim como a Dragões da Real, o samba da Rosas de Ouro também entra na definição de samba interpretativo. A obra pouco responde, e deixa dúvidas para o que parece serem respondidas durante o desfile. A melodia é uma das mais singulares da safra de 2020, mas as palavras e frases usadas não acompanham o mesmo nível.

    Unidos de Vila Maria – 9.9. A Unidos de Vila Maria aposta num samba descritivo e que exalta o enredo, dessa forma a obra é pra cima e explosiva. Por essa característica, ao ouvi-lo causa a impressão de similaridade em toda a estrutura.

    Império de Casa Verde – 10

    Águia de Ouro – 9.9. O samba é didático, fácil de interpretar e tem uma divisão de influencia positivamente para o quesito que julga o canto do componente, porém a falta de variação do desenho melódico justifica o décimo. A obra tem poucos trechos que se distinguem.

    Acadêmicos do Tatuapé – 10

    Mocidade Alegre – 10

    Gaviões da Fiel – 9.9. A obra dos Gaviões atende bem o que é pedido no enredo, e de uma forma bem objetiva. Porém pode-se notar rimas simples, pouca ousadia no entrosamento entre letra e melodia. O samba utiliza muito do melisma, um fator que pode refletir no quesito harmonia, tanto no lado positivo quanto no negativo.

    X-9 Paulistana – 9.9. Em comparação aos demais, o samba da X-9 Paulistana é uma das que mais atende o item fidelidade dentro do regulamento, isso porque o samba é bem descritivo. Outro ponto importante é a riqueza de versos e palavras utilizadas, fugindo do padrão com criatividade. O décimo perdido é explicado pela definição de “Divisão melódica”, principalmente no trecho: “Quando um toque ritmado toca o destino”, um trecho que dificulta a compreensão imediata.

    Colorado do Brás – 9.9. A obra da agremiação do Brás em bastante explosivo e trabalha o canto do forte do componente no momento do desfile. Ele é bem explicativo, detalhado, utiliza termos presentes na história de Dom Sebastião durante a primeira estrofe e questiona o destino na segunda. Um trecho em especifico explica a retirada do décimo, que é o “Abençoado, fiel desbravador”, onde contém poucas palavras pra melodia trabalhada.

    Tom Maior – 10

    Pérola Negra – 9,8. O samba da Pérola Negra atende exigências pontuais do regulamento do quesito. É de fácil interpretação e tem rimas que não são pobres, porém a divisão melódica não é evidente, a primeira estrofe se iguala a segunda, poucas variações encontradas na estrutura da canção.

    Barroca Zona Sul – 10

    Notas e justificativas da equipe da TV Mais Carnaval

    Mancha Verde – Nota: 10

    Dragões da Real – Nota: 10

    Sociedade Rosas de Ouro: Nota: 9.8. Composição coerente com a sinopse do carnavalesco. Em uma avaliação informal e não-oficial, a letra do samba de enredo alterna as construções dos versos entre ordens diretas e indiretas. Muitas vezes com a intenção de justificar a rima.

    Por exemplo: Ordem indireta: Eterna como a rosa, assim será. Ordem direta: Sou eu, coração de aço. Essa alternância diminui a fluidez da letra junto à melodia. Exige força da comunidade para que a composição chegue à explosão de canto.

    Unidos de Vila Maria: Nota: 10

    Império de Casa Verde: Nota: 10

    Águia de Ouro: Nota: 10

    Acadêmicos do Tatuapé: Nota: 10

    Mocidade Alegre: Nota: 10

    Gaviões da Fiel Torcida: Nota: 10

    X-9 Paulistana: Nota: 10

    Colorado do Brás: Nota: 9.8. Samba de enredo de 36 versos e coerente com a sinopse do carnavalesco. Por ser uma obra a cima da média em números de versos há uma grande variação melódica no decorrer da letra, o que dificulta as retomadas de canto a cada estrofe. Quase toda composição está baseada em rimas alternadas (Por onde está nossa alteza/Na Índia ou habitando o mosteiro/Preso misterioso em Veneza). Em uma avaliação informal e não-oficial, são pontos que não diminuem a qualidade da obra mas exigem maior fôlego da comunidade no desempenho de canto por conta da repetição do formato de rimas alternadas.

    Tom Maior: Nota: 9.9. Um enredo com profundidade em um tema importante originou uma composição com palavras eruditas (servil; ribalta; retinta; legado). O que é bem coerente, de acordo com a sinopse e resolvido pela boa articulação do intérprete.

    Nessa avaliação informal e não-oficial, apenas despontuamos por conta da forte parada melódica que há no término do refrão “Herança que a mordaça não calou”. A pronúncia da palavra “calou” é estendida ao máximo para sustentar a queda melódica. A melodia é a mais forte do grupo especial 2020 de São Paulo. Privilegia a divisão silábica de todos os versos. Porém, perde força apenas neste trecho.

    Pérola Negra: Nota: 9.8. Visivelmente uma obra escrita com a preocupação em atender fielmente os detalhes sugeridos pela sinopse do carnavalesco (Andaluzia; Inquisição; Vera Cruz).  Em uma avaliação informal e não-oficial, acreditamos que a grande variação melódica dentro das estrofes promovem uma quebra no desenvolvimento do canto. Antes mesmo que as estrofes cheguem ao seu fim. Trechos como “Se a vida insiste em dor em sofrimento” e “Olhai por nós” comprometem o canto da comunidade com quebras no desenvolvimento das estrofes.

    Barroca Zona Sul: Nota: 10

    Notas e justificativas de Diego Nicolau

    DRAGÕES DA REAL: 9,8. O samba parece seguir um caminho despretensioso para contar seu enredo, a letra busca simplicidade imensa e a melodia também se preocupa mais em dar a chance de canto à escola do que propriamente em ofertar algo original e criativo.

    ROSAS DE OURO: 9,9. Destaque absoluto para a ótima melodia muito bem aproveitada pelo sensacional Royce do Cavaco. A letra talvez pelo enredo acaba caindo em lugares comuns mas nada que a desabone demais, há versos inclusive muito felizes sobretudo na segunda parte do samba. Refrãos fortes e emotivos devem ecoar na avenida.

    VILA MARIA: 9,8. Um enredo pouco inspirador acabou gerando dificuldade para a poesia. O fenomenal Wander Pires canta uma melodia que alterna momentos emotivos e outros mais comuns mas talvez a letra comprometa mais o resultado final da obra que apesar disso tem potencial de avenida.

    IMPÉRIO DE CASA VERDE: 10

    MANCHA VERDE: 10

    ÁGUIA DE OURO: 9,9. A melodia é muito forte, me parece óbvio que vai gerar um desfile aguerrido mas a letra pra um enredo tão relevante talvez precisasse de versos marcantes, de maior reflexão e embora não comprometa parece que faltou algo que tornasse o samba completo.

    TATUAPÉ: 10

    MOCIDADE ALEGRE: 10

    X-9 PAULISTANA: 10

    GAVIÕES DA FIEL: 9,9. Típico samba redondinho que não compromete mas não se destaca melodicamente. A segunda parte do samba aparece um pouco mais e culmina num refrão que aposta na segurança do último verso aberto para ecoar na avenida.

    COLORADO DO BRÁS: 10

    TOM MAIOR: 10

    PÉROLA NEGRA: 9,8. Apesar do bom enredo já muito explorado em muitos carnavais pelo Brasil afora, o samba poderia buscar elementos mais originais para contar essa história. A letra descreve bem o enredo mas não traz versos marcantes e a melodia talvez seja o calcanhar de Aquiles do samba pois não parece ter a força suficiente para um desfile aguerrido ou emocionante. Apesar disso não vejo problemas de construção que mereçam maiores críticas.

    BARROCA ZONA SUL: 10

    RESULTADO FINAL

    Mocidade Alegre e Tatuapé: 40 pontos
    Império de Casa Verde e Tom Maior: 39,9 pontos
    Barroca Zona Sul: 9,8 pontos
    Mancha Verde e Gaviões da Fiel: 39,7 pontos
    Águia de Ouro, X-9 Paulistana, Colorado do Brás e Vila Maria: 39,6 pontos
    Dragões da Real: 39, 5 pontos
    Rosas de Ouro: 39,4 pontos
    Pérola Negra: 39,3 pontos

    notas sp2020

    Júri dos sambas da Série A para o Carnaval 2020 aponta empate triplo no primeiro lugar

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      O site CARNAVALESCO revela o resultado do júri dos sambas-enredo da Série A para o Carnaval 2020. Participaram os jornalistas Guilherme Ayupp, Matheus Emanuel, Antonio Junior e Rodrigo Godoi. Houve um empate triplo na primeira posição. Cubango, Império Serrano e Imperatriz Leopoldinense formaram 40 pontos, a pontuação máxima. Vale lembrar que a avaliação é feita em cima do CD oficial da Lierj para o Carnaval 2020.

      Notas e justificativas de Matheus Emanuel (jornalista da Rádio Tupi)

      Inocentes de Belford Roxo: 9,8. A letra é bastante explicativa e torna o enredo simples e didático. O trecho que antecede o refrão principal é o ponto alto do samba. No entanto, da “cabeça do samba” até os primeiros versos após o refrão do meio, a obra apresenta dificuldades melódicas, o que pode dificultar o canto da comunidade de Belford Roxo.

      Vigário Geral: 9,9. O refrão principal foge do lugar comum e possui uma linda passagem melódica. Porém, a melodia não mantém o alto nível no decorrer da obra. A letra do samba é bem construída e faz com que a obra tenha qualidade do começo ao fim.

      Império da Tijuca: 9,7. Apesar da boa condução de Daniel Silva, o samba se mostra cansativo. Tanto o refrão do meio, quanto o refrão principal carecem de qualidade melódica. A letra da obra é mediana como um todo, o que impede que o samba evolua de maneira satisfatória. O que vemos é uma obra que precisará muito da garra dos componentes da agremiação para passar de forma aceitável na Marquês de Sapucaí.

      Cubango: 10

      Porto da Pedra: 10

      Imperatriz: 10

      Unidos da Ponte: 10

      Unidos de Padre Miguel: 10

      Império Serrano: 10

      Santa Cruz: 9,9. Samba com uma letra muito bem elaborada, que elucida o enredo de forma categórica. A obra peca na parte melódica especialmente na “cabeça do samba”. O destaque da obra fica para o excelente refrão do meio. Caso a harmonia da escola se apresente de forma positiva, o samba da Santa Cruz poderá ter um ótimo desempenho na Avenida.

      Renascer de Jacarepaguá: 9,8. A Renascer não manteve o padrão elevado de samba-enredo dos últimos carnavais. A obra apresenta irregularidades na melodia durante toda a sua extensão e possui uma letra que não sai do lugar comum. A agremiação terá que contar com uma ótima estreia de Leonardo Bessa para que o samba cresça e ajude o desempenho da escola na Sapucaí.

      Acadêmicos da Rocinha: 9,8. Acredito que a obra teria um rendimento bem superior caso o refrão principal tivesse no lugar do refrão do meio. A letra não explica o enredo de maneira satisfatória. A melodia possui algumas boas passagens durante o samba, mas não demonstra a linearidade para que o samba alcance um desempenho de excelência.

      Unidos de Bangu: 9,6. Samba extremamente cansativo. A letra se mostra confusa em diversos momentos e a melodia não é atrativa. O canto da escola será fundamental para que a obra não tenha um rendimento ruim na Marquês de Sapucaí, uma vez que a harmonia da agremiação pode fazer com que o samba suba de produção, apesar dos defeitos citados acima.

      Acadêmicos do Sossego: 9,8. Apesar da boa letra e do excelente desempenho da bateria no CD oficial, a melodia do samba não possui tanta qualidade, fato que prejudica o desempenho do samba como um todo. O trecho que antecede o refrão principal é a melhor parte da obra, que precisará de ajustes até o carnaval para que o samba proporcione um bom desfile para a agremiação de Niterói.

      Notas e justificativas de Rodrigo Godoi (jornalista da Sasp)

      Cubango – 10

      Imperatriz – 10

      Santa Cruz – 10

      Unidos de Padre Miguel – 10

      Rocinha – 10

      Império Serrano – 10

      Inocentes – 10

      Porto da Pedra: 9.9. Pra mim a grande surpresa do CD 2020 da Série A é o intérprete Pitty Menezes, que cantou muito bem o samba da Porto da Pedra. Falando da obra, ela foi muito bem escrita pelos compositores, mas com uma melodia mais comum, comparando com outros sambas do CD, por isso tiro esse décimo.

      Renascer de Jacarepaguá: 9.9. Gosto muito desse samba da Renascer, composto por um trio que dispensa comentários e muito bem interpretado pelo Bessa. A letra é belíssima, usando palavras pouco usadas por outros compositores, porém a estrofe “Para o combate do espinho com a flor”, a melodia ficou um pouco corrida e isso pode ser um ponto negativo para o canto da escola.

      Império da Tijuca: 9.8. O samba da escola do Morro da Formiga é bom, mas comum, sem nenhuma novidade que chame a atenção. A melodia das estrofes finais da obra, pouco antes da volta para o refrão principal, não me agrada por conta da repetição, quando você acha que virá o refrão, tem mais quatro estrofes do samba.

      Unidos de Bangu: 9.8. O samba da Bangu é uma obra clássica, que me agrada, pois gênero se consagrou assim. Mas se compararmos com outros sambas do grupo, ele fica um pouco atrás. Na estrofe “resistindo a natural pena de morte”, achei que o canto ficou rápido, para a letra para se encaixar na melodia, isso pode prejudicar o canto dos componentes.

      Unidos da Ponte: 9.8. Esse samba tem uma leveza melódica, que em outros sambas não me agradou, mas que nesse eu gostei bastante, ele é bom de ouvir, e sua letra é simples. Claro que em uma disputa com grandes obras, essa leveza melodia e a letra comum o deixa abaixo das demais obras, mas o samba é bom.

      Vigário Geral: 9.7. O samba tem uma letra muito bacana, totalmente dentro do enredo, fazendo críticas diretas para a atuação situação do nosso país. Porém sua melodia é bem comum e não valoriza a letra do samba nos trechos fortes, como nos refrões.

      Acadêmicos do Sossego: 9.7. O samba da escola vem com uma letra comum, sem grandes inspirações, assim como sua melodia. Comparando com outras obras da Série A, ela acaba não chamando tanta atenção.

      Notas e justificativas de Antonio Junior (jornalista da Sasp)

      Acadêmicos de Vigário Geral: 9.9. Com a responsabilidade de abrir o carnaval na sexta-feira, pode-se dizer que a escola de Vigário Geral escolheu bem a obra que será responsável por embalar seu desfile. Letra inteligente para abordar a história do Conto do Vigário, com destaque para a segunda do samba muito bem elaborada.

      Acadêmicos da Rocinha: 10

      Unidos da Ponte: 9.8. Com um tema um pouco mais complexo como a eternidade, a letra busca tentar tornar de mais fácil identificação e entendimento o enredo da agremiação. Numa safra tão qualificada como a da Série A, é um samba bom, porém um pouco abaixo em comparação a outras integrantes do grupo de acesso carioca. Destaque positivo para a exaltação à escola na reta final da segunda do samba, ponto alto da obra.

      Unidos do Porto da Pedra: 9.8. Com uma temática de enredo já bastante elaborada no carnaval brasileiro, a Porto da Pedra escolheu um bom samba para o carnaval 2020. As últimas estrofes da segunda do samba são bastante interessantes. O samba cumpre bem seu papel de apresentar o enredo da escola de São Gonçalo.

      Acadêmicos do Cubango: 10

      Renascer de Jacarepaguá: 10

      Império Serrano: 10

      Acadêmicos do Sossego: 9.8. Com uma temática afro, a escola do Largo da Batalha conta com uma obra bastante regular e que tem boas chances de cumprir seu papel de apresentar o enredo da escola de maneira correta. Destaque para o refrão do meio e o refrão ao fim da segunda do samba, ambos bem elaborados.

      Inocentes de Belford Roxo: 9.6. A sensação é que a rainha Marta poderia ter uma homenagem mais bem elaborada, especialmente no refrão principal. A letra tem bom desenvolvimento, especialmente na primeira e no refrão do meio, mas a segunda e principalmente o refrão destoam das partes citadas anteriormente. No refrão principal, por exemplo, são utilizados quatro vezes o “É” para falar da homenageada, além de algumas soluções mais simples ao longo da letra.

      Unidos de Bangu: 10

      Acadêmicos de Santa Cruz: 10

      Imperatriz Leopoldinense: 10

      Unidos de Padre Miguel: 10

      Império da Tijuca: 9.9. O samba da escola da Formiga é daqueles que são gostosos de ouvir. Em um grau de comparação com outras obras do grupo, acredito que esteja pouco abaixo, mas é um samba bem interessante. Com alternâncias melódicas, a letra foi muito bem elaborada pelos compositores e conta, no CD, com uma interpretação de bom nível de Daniel Silva.

      Notas e justificativas de Guilherme Ayupp (Site CARNAVALESCO)

      Cubango: 10

      Porta da Pedra: 10

      Imperatriz: 10

      Império Serrano: 10

      Império da Tijuca: 9,8. A obra pecou em alguns aspectos. A melodia torna a canção monótona. Poderiam ter explorado melhor a potência vocal do intérprete Daniel Silva. A letra também deixa a desejar com passagens de pouca inspiração poética, casos de trechos como “luz do breu” e “já clareou um novo dia”.

      Santa Cruz: 9,8. A letra é bastante inspirada, impulsionada por um enredo bastante interessante. Entretanto a melodia é enjoativa com repetições de nuances nordestinas que deixaram o samba um grande ‘xaxado’ descaracterizando um pouco a composição. Como o que é julgado aqui é que ouve-se do CD, fica o alerta para a avenida.

      Unidos de Padre Miguel: 9,9. Certamente é o refrão do ano na Série A. Forte, marcante, representativo. Brilha como sempre o intérprete Diego Nicolau. Finalmente recebe uma oportunidade em uma escola competitiva. Tiro um décimo pelo sequenciamento do samba não seguir uma linearidade. A letra carece de passagens mais inspiradas e a melodia ao longo da obra não cumpre o mesmo requisito encontrado no refrão.

      Renascer de Jacarepaguá: 9,8. Em que pese o extenso alusivo na introdução, mais uma boa obra da Renascer. A melodia torna a obra um pouco acelerada, dificultando a compreensão de algumas palavras. Valoroso o trecho “ó preta velha meu Brasil quer tua cura para tirar a amargura desse povo sofredor”. Boa estreia de Leonardo Bessa na escola.

      Unidos de Bangu: 9,9. Brilhante interpretação de Igor Vianna, um dos principais intérpretes da Série A. A letra é muito boa e inspirada, mas em julgamento comparativo tiro um décimo de alguns aspectos que poderiam estar melhor trabalhados.

      Inocentes: 9,8. Marta é um personagem riquíssimo para um enredo. Mulher, negra, nordestina. O samba da Inocentes está à altura da homenageada, mas poderiam mais. A melodia possui muitas variações que deixam o samba um pouco enjoativo de cantar. Destaque para o refrão.

      Unidos da Ponte: 9,7. Obra pouco inspirada para a agremiação de São João de Meriti. O enredo é bastante abstrato e os compositores tiveram dificuldade de criar a obra encomendada. “Ponte tu és o elo da eternidade” é um verso com pouca pouca característica poética, como pede o manual do julgador.

      Rocinha: 10

      Sossego: 9,8. Novamente o destaque é o intérprete Guto. O intérprete valoriza uma obra apenas mediana. A melodia não favorece um canto linear e a letra é batida, sem trabalhar a poesia que o enredo sugere.

      Vigário Geral: 9,7. Retorno de Vigário para a Série A carecia de uma obra melhor construída. A letra tem trechos de pouca inspiração, como a repetição de jargões populares, sem uma coerência entre eles. A obra não sabe se quer ser irreverente ou histórica. Essa falta de linearidade torna o samba confuso e pouco claro.

      Veja abaixo a classificação final:

      Cubango, Império Serrano, Imperatriz: 40 pontos
      Unidos de Padre Miguel: 39,9 pontos
      Rocinha: 39,8 pontos
      Porto da Pedra e Santa Cruz: 39,7 pontos
      Renascer: 39,5 pontos
      Unidos de Bangu e Unidos da Ponte: 39,3 pontos
      Inocentes, Império da Tijuca e Vigário Geral: 39,2 pontos
      Sossego: 39,1 pontos

      raking2020 seriea

      Escolha os melhores dos últimos 10 anos do carnaval do Rio de Janeiro

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        A equipe do site CARNAVALESCO votou e apontou três por quesito na escolha dos melhores dos últimos dez anos. Está em discussão a polêmica se a década deve ser contada de 2011 a 2020 ou de 2010 a 2019. Por isso, optamos por frisar que estamos em levando em consideração o período 2010 a 19. A votação fica no ar até o dia 16 de fevereiro. O resultado será divulgado no dia 18 de fevereiro. A entrega dos prêmios será feita durante a festa do Estrela do Carnaval 2020.

        São 10 categorias: desfile, samba-enredo, comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, baianas, bateria, intérprete, alegoria, momento 2010/2019 e personalidade. Abaixo, você já pode votar. Quem votar e deixar o e-mail vai concorrer a ingressos para festa de premiação.

        Riotur se posiciona sobre verba para os desfiles da Intendente Magalhães

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        Curicica carnaval2019 38

        A polêmica ainda segue sobre o futuro dos desfiles na Intendente Magalhães. De um lado, a Liesb que comandou a Série B até 2019. Do outro lado, a Livres criada após uma ruptura com a Liesb. Procurada pelo site CARNAVALESCO, a Riotur se posicionou sobre o futuro do Acesso.

        “A Riotur informa que já definiu e já comunicou que o repasse será realizado diretamente às escolas de samba conforme determina a legislação, independentemente da liga a qual é filiada”, diz a nota dada pela Riotur ao CARNAVALESCO.

        Sendo assim, as próprias escolas vão ter que definir em qual Liga vão desfilar, mas aí surge uma questão complexa: em qual dia e em qual lugar. O prefeito Marcelo Crivella afirmou que dará R$ 3 milhões de subvenção, mas até o momento não informou quando será feito o depósito e nem publicou a autorização para o custeio no Diário Oficial.

        A Liesb decidiu unir as antigas séries B e C em um chamado Especial da Intendente. O antigo Grupo D será chamado de Acesso. Pela Livres estão oito escolas fundadoras (Unidos de Lucas, Tradição, Arame de Ricardo, Siri de Ramos, Vizinha Faladeira, União do Parque Curicica, Engenho da Rainha, Alegria da Zona Sul) e a Caprichosos de Pilares.

        O site CARNAVALESCO procurou a Livres e a Liesb sobre a decisão da Riotur e se existe alguma possibilidade de diálogo entre as duas instituições.

        Posicionamento da Livres

        “Como de acordo em nossa última reunião com a Riotur, foi definido que, a própria Riotur vai pagar a cada escola de samba da Série B, sendo assim a responsabilidade de estar com estatuto certo, ata correta e outras coisas correlacionadas a regularidade ficam por conta de cada escola. Colocando a Liga apenas para gerir as agremiações filiadas. Como uma liga que se preocupa com o futuro do carnaval, nós da LIVRES compreendemos o posicionamento da Riotur e por um lado, achamos uma ótima definição. Pois a partir de então, a prestação de contas vai estar na responsabilidade de cada escola. Mas por outro lado, se torna uma coisa limitada, pois a liga não vai ter como controlar a dívida de cada uma das escolas, em relação a carta de crédito e coisas assim. De início, acredito que as escolas terão um pouco de dificuldade em relação a prestação de contas com a Riotur, pois não é apenas isso, tem toda uma cartilha a ser seguida a mando do órgão. Entretanto, seguimos para que o melhor seja feito em relação ao carnaval”.

        Posicionamento da Liesb

        “A Liesb representa suas filiadas e sempre busca o melhor para o carnaval. As agremiações planejam seus carnavais contando com a verba municipal, independente de como será feito o repasse. O diálogo sempre é importante. Como notório conhecimento, a Liesb sempre primou pela eficiência dos espetáculos apresentados, conseguindo ano após ano realizar eventos que hoje além de serem parte do calendário cultural de nossa cidade, representam igualmente a historia e tradição de nossa gente. ​Tal sucesso possui muitas vertentes, mas a principal, sem sombra de duvidas, foi a já histórica autonomia concedida pelo poder publico para que as entidades carnavalescas realizassem os seus eventos. ​Mesmo sabendo da vedação a interferência estatal em associações, a LIESB em profundo respeito ao seu maior parceiro e incentivador, Riotur, sempre comunicou a vontade de seus filiados”.

        Domingo é dia de ensaio da Vila Isabel no Boulevard 28 de Setembro

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        19 12 Vila Isabel Ensaio no Boulevard Fotos Eduardo Hollanda 144

        Após as festas de fim de ano, a Unidos de Vila Isabel retoma a sua rotina de ensaios de rua no domingo, a partir das 18h. Todos os componentes da escola estão convocados. A presença é obrigatória! A concentração acontece em frente a Igreja Nossa Senhora de Lourdes.

        Segunda escola a desfilar na segunda-feira de folia em 2020, a Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo ‘’Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil’’, de autoria do carnavalesco Edson Pereira, que fará uma grande homenagem a ‘’brasilidade’’ e a miscigenação do nosso povo.

        SERVIÇO:
        Ensaio de Rua da Vila Isabel
        Data e horário: dia 05 de janeiro, a partir das 18h
        Local: Concentração em frente a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, Boulevard 28 de setembro n°200
        Informações pelo tel. 2578-0077
        Entrada Franca
        Censura livre

        Gabriel David festeja parceria com Alexandre Louzada na Beija-Flor: ‘Menor vaidade que vi no carnaval’

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        A volta de Alexandre Louzada para a Beija-Flor deixou os nilopolitanos muito esperançosos de que um grande carnaval virá em 2020. Afinal, foi com ele que a escola conquistou três carnavais. Mas um em especial tem celebrado a parceria com o experiente artista. Gabriel David, conselheiro da escola, elogia Louzada em entrevista ao CARNAVALESCO e diz que ele tem uma das menores vaidades do carnaval.

        “Estou muito satisfeito com a volta do Louzada, é um cara que eu gostaria de trabalhar. É um dos caras com o menor nível de vaidade que eu já vi no carnaval. E o Dudu Azevedo é um cara que faltava para a gente desde a saída do Laíla. Todos os setores abraçaram ele, e ele está fazendo um trabalho brilhante”, destacou Gabriel, ainda na época da escolha do samba-enredo.

        Gabriel admite os erros de 2019, mas afirma que não vai mais repetir o modelo de alegorias teatralizadas com atos. Ele ressalta que nem tudo se deve jogar fora daquilo que a escola apresentou nos últimos dois anos.

        “Página de 2019 foi virada, mas não esquecemos os erros para que eles não se repitam. A realidade é que precisamos voltar algumas casas em nosso conceito de desfile, Nem o público e nem os jurados gostaram daquilo que foi apresentado. Tivemos coisas positivas, mas estamos buscando atender todos os pedidos de nossos carnavalescos. Uma escola grandiosa, luxuosa, mas inovadora. Não será um desfile tradicional. Nossas cinco alegorias tinham atos. Isso não vai se repetir. Temos de ter autocrítica em entender que não funcionou. Nem em 2018 quando fomos campeões deu certo, pois perdemos pontos no quesito alegorias. Em 2019 novamente. Nesse sentido nós iremos recuar. Teremos outro tipo de inovação”, garante.

        Grande Rio volta com seus ensaio de rua no domingo

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        No domingo a Grande Rio retoma sua agenda de ensaios. Com o objetivo de aperfeiçoar cada vez mais seu desempenho, seus segmentos e comunidade voltam à Avenida Brigadeiro Lima e Silva a partir das 19 horas, com concentração na altura do supermercado Carrefour.

        Os treinos estão previstos para acontecerem todos os domingos até o dia 16 de fevereiro, no mesmo local.

        Na terça-feira seguinte, dia 7, será a vez do retorno dos ensaios de quadra, também a partir das 19 horas.

        Serviço:

        Ensaio de rua da Grande Rio
        Local: Avenida Brigadeiro Lima e Silva (concentração na altura do Carrefour)
        Data: 5 de janeiro
        Horário: a partir das 19 horas
        Evento gratuito

        Portela abre 2020 recebendo Estácio e Tuiuti nesta sexta-feira

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        A Portela abre 2020 em grande estilo, nesta sexta-feira, recebendo as coirmãs Estácio de Sá e Paraíso do Tuiuti para uma noite de muito samba e alegria. Reunindo passistas, baianas, casal de mestre-sala e porta-bandeira e a rainha Bianca Monteiro, a anfitriã iniciará os trabalhos do ‘Sextou Portela’. Gilsinho e a bateria Tabajara do Samba vão relembrar sambas antológicos da maior campeã do carnaval carioca e apresentar o hino de 2020, “Guajupiá, Terra Sem Males”, sobre a cultura tupinambá.

        Em seguida, os integrantes da Estácio tomarão conta do palco. Campeã do Grupo Especial em 1992, a escola mostrará clássicos como “Festa do Círio de Nazaré” (1975), “Chora, Chorões” (1985), “O Tititi do Sapoti” (1987) e outros. O samba de 2020, sobre pedra, também está no roteiro.

        O Paraíso do Tuiuti também promete sacudir o público com obras memoráveis, como “Um Mouro no Quilombo. Isto a História Registra!” (2001), “A Farra do Boi” (2016), “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?” (2018) e “O Salvador da Pátria” (2019). “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, hino de 2020, é outro destaque.

        A abertura da noite será com o grupo Samba dos Crias. O ingresso custa R$ 15 (entrada franca até as 23h). A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3217-0983.

        Serviço:
        Sextou Portela
        Atrações: Ensaio-show com elenco da Portela, da Estácio de Sá e do Paraíso do Tuiuti. Abertura com o grupo Samba dos Crias
        Data: Sexta-feira, dia 03 de janeiro de 2020
        Horário: A partir das 20h
        Local: Quadra da Portela
        Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira

        Entrada franca até 23h. Após: R$ 15
        Mesas com quatro lugares: R$ 70 (já inclui as entradas)
        Camarote inferior (com 15 lugares): R$ 300
        Camarote superior (com 15 lugares): R$ 400
        Classificação etária: 18 anos
        Informações: (21) 3217-0983
        Vendas na bilheteria da quadra e pela internet (www.ingressocerto.com/portela)

        Império Serrano anuncia nova rainha da escola

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        rainha imperio

        Na noite desta quinta-feira o Império Serrano utilizou suas redes sociais para anunciar que Anny Santos é a nova rainha da escola. Ela entra no lugar de Monique Rizzeto.

        Quitéria Chagas segue como rainha de bateria para o Carnaval 2020. A escola está na Série A e será a sétima a desfilar na sexta-feira de carnaval.

        Anny Santos já foi rainha de bateria da Alegria da Zona Sul e no Império Serrano ocupava o posto de musa.