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Dilúvio lava a alma do sambista durante a tradicional Lavagem do Sambódromo da Sapucaí

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    Por Victor Amancio. Fotos: Magaiver Fernandes

    Cerimônia tradicional e esperada pelos sambistas, a Lavagem da Marquês de Sapucaí acontece todo domingo antes do final de semana dos desfiles oficiais. Durante a celebração deste ano caiu um verdadeiro dilúvio na cidade do Rio e lavou, literalmente, a alma do sambista que passou por tantas dificuldades e desmandos durante o pré-carnaval.

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    “Eu acho que é o carnaval mais difícil que passamos mas as escolas de samba não aceitaram que pisassem na sua cultura. Nossas mães baianas, tias rezadeiras estão aqui junto com São Sebastião para pedir todas as bençãos para o nosso carnaval e manter o título de maior espetáculo da terra. Quem viver verá um dos maiores espetáculos em todos os tempos. Nossos ingressos estão todos vendidos, será uma grande festa”, falou o diretor de carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos.

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    O festejo contou com a presença de baianas das agremiações do carnaval carioca, casais de mestre-sala e porta-bandeira, velha guarda, escolas mirins e destaques. Novidade este ano foi uma homenagem aos grandes destaques de luxo do carnaval, Milton Cunha vinha em frente a ala e diversas pessoas traziam placas com fotos e nomes de grandes destaques como Clóvis Bornay.

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    O início foi em torno das 20h com a música “Coisa de Pele”, de Jorge Aragão, interpretada por Zé Paulo Sierra. O hino do padroeiro da cidade, São Sebastião também foi cantado durante a abertura, o santo teve sua imagem levada em cima de um carro decorado com muitas flores.

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    Diferente dos últimos anos em que o ator Milton Gonçalves fazia o discurso de abertura que desta vez por motivos de saúde não pode estar presente. Ficou sob a responsabilidade de discursar e abrir os trabalhos o carnavalesco e comentarista Milton Cunha. Os intérpretes do Grupo Especial foram homenageados no início da celebração e ganharam placas de honra por serviços prestados ao carnaval. Neguinho da Beija-Flor, que completa 45 anos na agremiação neste carnaval, foi o homenageado da noite e comandou os interpretes das outras escolas. Cada um cantou um samba histórico da agremiação e o samba deste ano.

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    “Estar aqui representa a nossa união, a nossa força. Estamos sendo desprestigiados e é muito importante que estejamos integrados e unidos. Ser homenageado nessa festa é gratificante. 50 anos de samba, 45 anos de Beija-Flor, sendo fiel a escola e ao samba. Estou muito feliz”, disse Neguinho.

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    No comando da bateria, o mestre Casagrande que dividiu o espaço com os outros mestres presentes. Eram em torno de 130 ritmistas que tocaram durante a Lavagem.

    Galeria de fotos: Lavagem do Sambódromo

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      Galeria de fotos: Ensaio técnico da Mangueira no Sambódromo

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      Vídeo: ensaio técnico da Mangueira no Sambódromo

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      Viradouro alia técnica e emoção em seu último ensaio de rua e mostra porque é uma das favoritas ao título

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      Por Eduardo Fróis e Gustavo Maia. Fotos: Carlos Papacena/Divulgação

      A Unidos do Viradouro realizou seu último ensaio na avenida Amaral Peixoto, no centro de Niterói, neste sábado, numa noite banhada por muitas emoções. A começar, a escola recebeu a visita de dona Maria de Xindó, matriarca das Ganhadeiras de Itapuã, o grupo cultural que será cantado pela vermelho e branca na Sapucaí.

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      Impulsionada pelo belo entrosamento entre o carro de som e a bateria Furacão Vermelho e Branco, a escola cantou o samba-enredo com vigor e emoção do começo ao fim. Destaque especial para o bis do “Ensaboa, mãe”, que levou o público da Av. Amaral Peixoto a cantar junto com a escola.

      Depois de sagrar-se vice-campeã do carnaval de 2019 no retorno da Série A, o brilho no olhar da comunidade da Viradouro está cada vez mais forte. O décimo quinto ensaio de rua da escola, marca dificilmente batida por outras agremiações, deixou os componentes confiantes no segundo campeonato da no Grupo Especial.

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      Marcelinho Calil, presidente da vermelho e branca de Niterói, reforçou a confiança no projeto desenvolvido pelos carnavalescos e por toda a direção da escola e sua comunidade.

      “O que acontece na avenida é resultado do que nós treinamos ao longo dos últimos meses. Viemos trabalhando muito para fazer um grande carnaval. A escola hoje está praticamente pronta para entrar na avenida, faltam pequenos detalhes plásticos e, musicalmente, em termos de quadra e de comunidade, podemos dizer que estamos 99,9% preparados. Faltam apenas os detalhes inerentes à semana que antecede o desfile. A escola está com sede de fazer uma grande apresentação e, consequentemente, disputar o título, respeitando, claro, todas as coirmãs que, assim como nós, buscam seu lugar ao sol”, avaliou o presidente.

      Visita Especial

      A matriarca das Ganhadeiras de Itapuã, que nasceu no ano de fundação da escola, em 1946, encantou a Amaral Peixoto com sua presença. Com sua risada apaixonante, a cantora, que já tinha participado de outros eventos em Niterói, como a festa de aniversário na quadra do Barreto, esteve pela primeira vez em um ensaio de rua da escola que lhe renderá homenagem.

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      “Estou me lembrando dos meus carnavais em Salvador, quando eu pegava na carroceria do trio. Eu fico me beliscando pra saber se tudo o que estou vivendo com a Viradouro é realidade”, contou dona Maria.

      No dia do desfile, dona Maria de Xindó estará acompanhada pelas 28 mulheres que compõem com ela o grupo musical da Lagoa do Abaeté, em Salvador.

      Harmonia

      A voz da emoção tem nome e sobrenome: Zé Paulo Sierra. Comunidade, diretoria, torcida, público… ninguém resiste ao timbre marcante e ao carisma contagiante do intérprete. Zé Paulo é um verdadeiro atleta do carnaval. Mais uma vez, provou ter fôlego suficiente pra fazer tremer o chão da escola, sem comprometer a harmonia. Pelo contrário, o componente, muitas vezes literalmente, abraça o puxador ao longo do desfile. Ao se deparar com o cantor principal de sua escola no meio de sua ala ou presenciar mais um ato de carinho de Zé Paulo diante do público, o desfilante, irmanado, solta a voz ciente de sua responsabilidade na disputa pelo título.

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      A comunidade abraçou de fato o samba da escola, cantando com a mesma intensidade do começo ao fim do ensaio. O canto ecoou por todas as alas, o que significa que a escola soube corrigir uma deficiência notada há alguns ensaios, uma leve queda na harmonia em alguns grupos coreografados.

      Evolução

      O componente foi pra rua com garra e forte emoção, mas sem se deixar levar pelo favoritismo. Não se notaram tropeços, correrias ou paradas da escola ao longo de todo o cortejo, mesmo nas manobras mais delicadas.

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      A Viradouro mais uma vez passou compacta pela Amaral Peixoto, evoluindo conforme o andamento ditado pela escola. Algumas alas são coreografadas, dando um efeito diferenciado no conjunto do ensaio.

      A organização, por sinal, estava evidente não apenas nas maiores movimentações da escola, mas também nos pequenos detalhes, desde a maquiagem em muitas alas até o figurino caprichado das baianas. Destaques de luxo abrilhantaram a passagem da Viradouro, assim como as musas da escola. Nesse cargo, a que faz jus, a escultural Luana Bandeira triunfou mais uma vez.

      Samba-enredo

      Está na boca do povo, não tem jeito. O samba do “Oh, mãe, Ensaboa, mãe! Ensaboa, Pra depois quarar” é leve e animado, tem uma melodia fácil de cantar, ou seja, é a cara da escola. O mérito se deve em grande parte ao trabalho de Zé Paulo e seu time, que firmam a letra como uma poesia, aos ritmistas de mestre Ciça e, claro, à direção de harmonia com os componentes da vermelho e branca. Mas, posto à prova na rua pela décima quinta vez, a reação do público comprovou que não dá mais pra virar a cara para o “Ensaboa”. O verso pegou e se candidata a ser um dos destaques desse carnaval.

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      “Estou muito feliz, acho que a gente fez grandes ensaios aqui. Talvez, nesse a gente estava mais solto, mais descontraído… Essa escola é fantástica. Não tem escola que ensaiou mais do que a gente. Desde que se escolheu o samba foram ensaios ininterruptos, com chuva, com sol. Com a gente bem fisicamente, mal fisicamente. A gente se doou o máximo pra chegar domingo e colher bons frutos. Se vamos ganhar, é uma outra coisa, depende de tudo, de merecimento… Tenho certeza que Deus está abençoando demais a gente nesse momento. Acho que a Viradouro hoje criou uma energia, uma atmosfera de uma escola campeã de fato”, confessou Zé Paulo.

      Para o presidente da escola, Marcelinho Calil, o samba-enredo da Viradouro para 2020 atende a todas as expectativas da escola.

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      “O samba na nossa concepção é impecável para a competição, canta exatamente o que vai ser visto no enredo, além de ser de uma obra de muita emoção. O ‘ensaboa’ se tornou muito popular. No carnaval essa alegria e espontaneidade são muito importantes, e o verso reflete essa energia que nós buscamos todos os anos. O sucesso do samba é resultado de muito ensaio e de todo o planejamento que vem sendo feito pela escola há vários meses. Não tenho dúvidas de que o samba vai render na avenida e vamos fazer um grande carnaval”, garantiu Marcelinho.

      Mestre-sala e Porta-bandeira

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      O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, executou alguns passos em pontos específicos da avenida. Um grupo de sete jovens negras, majestosamente vestidas, acompanhou a dupla em alguns passos. Elas serão as guardiãs do primeiro casal da escola. Entrosamento é o que não falta entre os dois, que esbanjaram elegância e alegria ao apresentar o pavilhão da escola ao público.

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      Bateria

      Os ritmistas do consagrado mestre Ciça mostraram mais uma vez por que são referência entre as baterias do Rio de Janeiro. Eles executaram com perfeição as bossas, paradinhas e paradonas que dão molho ao hino da escola, sempre entrosados com o carro de som. No ensaio, Ciça reforçou o treino para as apresentações nas cabines de julgamento, quando todos os ritmistas se viram para os avaliadores. O destaque vai para os agogôs e para os timbaleiros, estes concentrados no miolo da bateria, na bossa do refrão principal.

      “Na terça-feira acontece o último ensaio de quadra e até lá teremos a oportunidade de melhorar o que não estiver perfeito. Hoje fizemos todas as bossas que levaremos pra avenida, mas tem uma surpresa que estamos guardando para a Sapucaí”, contou Ciça.

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      O mestre acabou adiantando o que a bateria guarda para o dia do desfile: as mulheres que serão elevadas em um pedestal para executar a bossa com timbales. Se haverá outras surpresas, vai ser preciso aguardar o domingo para conferir.

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      Quem não fez surpresa e mostrou mais uma vez toda a sua simpatia e samba no pé foi a rainha Raissa Machado, que está pronta para brilhar à frente dos ritmistas. A beldade cumpriu seu papel de recepcionar a corte do carnaval de Niterói, além dos convidados especiais da noite.

      Eterna porta-bandeira Vilma Nascimento sofre acidente em São Paulo

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        O eterno cisne da passarela, a ex-porta-bandeira Vilma Nascimento, de 81 anos, sofreu um acidente em uma estação de metrô, em São Paulo, na tarde de sábado, e, terá que passar por uma cirurgia. A sambista, mãe da porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti, Danielle Nascimento, está internada no Hospital das Clínicas.

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        Vilma e o neto, Bernard Nascimento, estavam na estação Butantã do metrô, quando um outro passageiro passou de forma abrupta com uma mala grande em cima dos pés da eterna porta-bandeira. Ela, então, perdeu o equilíbrio e caiu para frente, batendo com o rosto numa barra de ferro e sofrendo escoriações.

        Após receber os primeiros cuidados no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), a sambista foi transferida para o Hospital das Clínicas, onde aguarda o resultado de novos exames para saber se precisará passar por uma cirurgia. Ela se encontra na enfermaria da unidade, lúcida, e na companhia de diversos familiares. A sambista havia ido à cidade para receber uma homenagem do bloco Doentes da Sapucaí, na Vila Mariana.

        Entrevistão com Marquinho Marino: ‘Afirmo que tecnicamente a Mocidade disputa o título do Especial em 2020’

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        Imagine realizar o sonho de trabalhar na escola que você cresceu e da qual é torcedor? Essa é a rotina de Marquinho Marino, um sambista que passou por todos os estágios dentro da Mocidade Independente de Padre Miguel. Hoje com a responsabilidade de ser o comandante do projeto da escola, Marino recebeu o CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’.

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        Sincero, Marino confirma que estava fora da Mocidade após o desfile de 2019, mas garante que as coisas de fato mudaram. O dirigente, que já foi compositor de samba campeão na escola, revela o segredo das safras recentes na escola: “Não escolhemos samba por política”. Confira o papo com Marquinho Marino.

        Esses resultados da Mocidade passam diretamente pela sua chegada. Você concorda?

        “Não concordo 100%. Fui uma peça que se encaixou na equipe. De 2016 para 2017 era praticamente o mesmo pessoal. Mas concordo que dei liga. Eu tive minha contribuição? Tive. Mas todos que estavam e ainda estão por aqui também tiveram”.

        Ser um independente te ajuda quanto no trabalho?

        “Já trabalhei em outras agremiações e procurei entender a essência de cada uma. Cada escola tem uma cultura. O segredo é identificar isso. Não existe receita de bolo. Ser um torcedor da Mocidade, ter crescido aqui dentro, me ajuda 100% no meu trabalho”.

        E como é se relacionar com uma torcida tão participativa como é a da Mocidade?

        “Para mim é natural, eu já conheço, sei de onde vêm as críticas construtivas e as negativas. Se você buscar agradar a todos, alguém você vi desagradar. Muitos gostam de mim, me viram desde criança. Outros nem tanto. Eu trabalho para a Mocidade, e é por ela que tenho que buscar objetivos. Alguém sempre vai ficar contrariado em algum momento, mas eu procuro abstrair e fazer o que acho que deve ser feito”.

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        Que lição você tirou da crise que culminou com a saída do antigo casal e do ex-vice-presidente Rodrigo Pacheco?

        “Toda empresa passa por mudanças. Daqui a pouco pode chegar a minha vez. É igual a um clube de futebol, que contrata e dispensa jogadores. As pessoas vão passar e a instituição fica. Natural”.

        Como está o Diogo depois de tanta rejeição na chegada dele?

        “O Diogo quando veio eu tinha certeza de seu potencial. A Mocidade tem uma estrutura para os dois casais. Tem acompanhamento técnico, psicológico, físico. Sinto o Diogo bem tranquilo, todos merecem uma segunda chance. Com isso e talento a pessoa consegue. A forma com que ele saiu era natural a rejeição. Mas só quem estava aqui dentro conhece os reais motivos pelos quais o Diogo saiu da escola”.

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        O que o Marino diretor de carnaval diria para o Marino compositor?

        “Que hoje a Mocidade escolhe o melhor samba e tem consciência total da importância de um samba para o desfile. Escola que escolhe samba errado está fora da disputa. O compositor tem que buscar um diferencial pra vencer. O nível é alto. Política não pode escolher samba. 90% das mudanças na Mocidade nos últimos anos são graças aos sambas-enredo”.

        Qual o segredo do sucesso da ala de compositores da Mocidade?

        “Quando cheguei em 2017 muita gente na escola me via ainda como um compositor. Na minha época eu era muito competitivo. Surgiu uma desconfiança inicial. Mas eu falei com cada um, mostrei que ganharia o melhor. Isso só se mostra fazendo. Após a escolha naquele ano todos passaram a ter respeito por mim. Cada ano ganhou uma parceria. Os compositores passaram a confiar no processo. De 2017 para cá, a cada ano a gente tinha mais opção de escolha. E tem que ser assim. Ganha o melhor para o carnaval”.

        O enredo ser a Elza traz um peso a mais de ser obrigado a ter um grande desfile?

        “Ninguém me pressionou até hoje por conta disso. Tem que ser melhor por que é a Mocidade. Evidente que no torcedor tem um peso emocional. A Elza é uma personagem que mexe com o coração do componente, do independente. Tenho absoluta certeza que vai dar tudo certo. Afirmo que tecnicamente a Mocidade disputa o título”.

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        Por que a Mocidade aceitou trocar com a Beija-Flor no sorteio?

        “Primeiro que a Beija-Flor ganha quando fecha pois fez um trabalho para isso. Não é porque simplesmente fecha. Isso aí é balela. Historicamente para a Mocidade os Correios são uma opção melhor. Logisticamente interfere no projeto o lado de concentração. Assim como a Mangueira prefere o Balança. Nós nos sentimos à vontade daquele lado. Tenho o maior respeito pela Beija-Flor, mas será uma briga boa. A Mocidade não teme ninguém. Entramos na avenida para ganhar. Quem propôs a troca fomos nós. Podem até dizer que a culpa é minha”.

        Você quase saiu da Mocidade, o que te fez ficar?

        “No sábado das campeãs de 2019 informei que não continuaria e cheguei a esvaziar a minha sala. Na semana seguinte o alto escalão da escola me chamou, chegamos a um acordo e eu segui. Sou um profissional e o lado torcedor precisa ficar de fora. Coloquei os pontos que me atrapalhavam e eles me garantiram que não se repetiria. Esse ano está tudo caminhando bem”.

        Enredo em 2020 no Acesso, Feira de São Cristóvão elege Solange Gomes rainha do grito de carnaval

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        “Em São Cristóvão, faz a feira Abolição. Pedacinho do Nordeste no meu Rio de Janeiro”, assim canta o samba enredo da Acadêmicos da Abolição, que em 2020 homenageia os 75 anos da Feira de São Cristóvão. E neste domingo, a partir das 15h, tem grito de Carnaval no pedaço mais nordestino no Rio de Janeiro. E Solange Gomes será coroada rainha do grito de Carnaval.

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        “Não podia dizer não. Representar a Feira é uma alegria. O meu muito obrigada a todos os feirantes e representantes da Prefeitura do Rio pela homenagem e carinho. Forró e Carnaval dão samba”, diz Solange Gomes. que está afastada do Carnaval há dois anos.

        “Eu amo Carnaval. Esse ano iria assistir só dos camarotes na Sapucaí, mas é tanto carinho, que eu não resisti e aceitei o convite da Feira. Estou ansiosa”, disse a beldade.

        A Feira de São Cristóvão inicia suas comemorações do seu jubileu de diamante, no espaço de preservação da cultura e legado nordestino.

        “As comemorações estão a todo vapor e seguem até o fim do ano. Tudo será especial este ano. Sou paraibana e com muito orgulho recebi essa missão do prefeito Marcelo Crivella. Comemorar esses 75 anos é motivo de honra. Parece que foi ontem que eu puxava lona do lado de fora. É um desafio diário, uma responsabilidade, que eu encaro de frente. São muitas conquistas. Tenho a certeza de muito trabalho pela frente neste ano”, afirma a gestora municipal Magna Fernandes.

        O presidente da Acadêmicos da Abolição, Neto Dória, agradeceu receptividade ao enredo e contou todas as estratégias da escola em relação ao carnaval.

        “A história do Rio de Janeiro e do Nordeste se entrelaçam. A alegria contagiante do Nordestino, o espírito de luta e a maneira de levar a vida com alegria, mesmo em meio às adversidades, são características típicas também marcantes dos cariocas. Então alegria e emoção serão os elementos fundamentais, para conduzir nossa escola à vitória celebrando estes 75 anos da Feira de São Cristóvão”, diz Neto.

        Serviço

        FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO. Domingo (16/02), a partir das 15h, tem grito de Carnaval da Feira de São Cristóvão. Campo de São Cristóvão s/nº, São Cristóvão.

        Funcionamento: Ter a qui, das 10h às 18h, com entrada gratuita. Sex e sáb, a partir das 10h. Dom, a partir das 12h.
        Entrada: a partir de R$ 5.

        Série Barracões: X-9 Paulistana irá exaltar os diferentes tipos de batucadas pelo Brasil

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        Por Gustavo Lima

        A reportagem do CARNAVALESCO foi ao barracão da X9 Paulistana e entrevistou Pedro Magoo, carnavalesco da escola. O profissional faz a sua estreia na agremiação e tem como objetivo colocar a escola da Zona Norte de volta ao desfile das campeãs pelo Grupo Especial, pois faz 14 anos que a X9 Paulistana não termina entre as cinco primeiras colocadas da elite do carnaval paulistano. Para isso, Magoo apostará no enredo “Batuques para um rei corado”, uma homenagem a batucada brasileira.

        “Esse enredo é uma grande homenagem a batucada brasileira, os vários tipos de batucada, seja nas manifestações culturais, religiosas e todas as suas influências, mas só que isso a gente não vai mostrar como um simples descritivo. Nós pegamos uma história, que é o dia que os Ibejis enganaram a morte, começaremos com a batucada Ibeji e a partir disso vamos começar a falar da batucada brasileira. É uma história muito legal, bem amarrada e além de fazermos essa homenagem a batucada brasileira, no final nós vamos falar um pouco da história e da batucada da X9 Paulistana, de momentos especiais. Então o xisnoveano que vai ver isso, irá se identificar muito”.

        Magoo revelou que o enredo nasceu de uma música do Arlindo Cruz, “batuques do meu lugar”. O diretor de carnaval Pê Santana teve a ideia e o carnavalesco começou o trabalho de pesquisa juntamente ao Departamento Cultural da agremiação.

        “Na verdade, esse enredo é baseado em uma música do Arlindo, que chama ‘batuques do meu lugar’. O Pê Santana que é diretor de carnaval, veio com essa ideia, mas se fosse só a música ao pé da letra, ficaria algo descritivo, tem coisa legal que iria ficar de fora. Aí eu comecei o trabalho de pesquisa junto com o Departamento Cultural da X9, que é
        um departamento muito legal, e nós chegamos a esse enredo, descobrimos essa história do Ibejis, fizemos a amarração do tema que a gente vai levar pra avenida”.

        Quando se fala em batucada, imagina-se que o enredo irá para um lado afro, reverenciando as religiões como o candomblé e umbanda, mas segundo o carnavalesco, o enredo irá abordar várias vertentes dos batuques, irá homenagear as muitas batucadas que existem dentro do Brasil.

        “Nós vamos mostrar de tudo um pouco, porque assim, em cada região do Brasil existe um tipo de batucada. Tem influência religiosa, folclórica, e o legal disso é que nós vamos mostrar vários movimentos que são poucos conhecidos pelo grande público do carnaval. Nós vamos falar da Súcia do Tocantins, Marabaixo do Macapá, Timcubi, e várias batucadas que não são muito exploradas em desfiles de carnaval, mas que tem seu valor histórico, valor cultural e merece ser difundindo pro grande público. É uma grande história, sendo dentro dela, vamos mostrar a rica batucada brasileira na avenida”.

        O carnavalesco disse que é importante ousar, mas acima de tudo o regulamento deve ser respeitado.

        “Você tem que usar o bom senso, antigamente era difícil segurar o ímpeto, mas com o tempo eu fui aprendendo que você deve ousar, mas não pode esquecer do regulamento. Como eu costumo dizer, o carnavalesco não ganha o carnaval, quem ganha é o conjunto todo, a escola toda, mas eu já vi carnavalesco perder carnaval por teimosia e cometer erros que prejudicaram a escola, então assim, tem que ter essa humildade. Devemos colocar nossas ideias, loucuras que o carnavalesco tem que ter, mas desde que não ultrapasse esse limite, não coloque a escola inteira em risco no regulamento, caia alguma penalidade, alguma pegadinha que possa prejudicar o desfile como um todo, então esse é o desafio maior, manter esse equilíbrio”.

        Magoo levou novos profissionais de barracão junto com ele, pessoas de confiança e com quem ele trabalha há muito tempo, como a equipe de decoração.

        “Nós mudamos a equipe de decoração, tem o Augusto que trabalhou comigo alguns anos na Mancha Verde, é um amigo e pessoa de confiança que eu consegui trazer pra X9. Então eu já tenho uma afinidade e daí ficou bem mais fácil, e as outras equipes também trabalharam comigo tanto na Mancha como na Nenê, são profissionais que eu fui fazendo amizade e quando vim pra cá fiz o convite, eles são todos mais loucos do que eu e estão aqui comigo”.

        Paixão da comunidade e garra para voltar às primeiras posições, podem virar um trunfo da agremiação neste carnaval O carnavalesco falou que o contato com a agremiação nesse primeiro ano vem sendo muito bom, que a X9 tem uma comunidade muito apaixonada, e que não vê a hora de voltar a figurar entre as cinco primeiras, aos grandes anos da X9 Paulistana, que é bicampeã do carnaval paulistano.

        “Os primeiros contatos com a comunidade da X9 vêm sendo muito legal. A comunidade da X9 é muito apaixonada, eu sinto que ela está meio marcada pelo fato de estar há 14 anos sem voltar pro desfile das campeãs, tirando aquele ano que eles estavam no Acesso e foram campeões, mas assim, desfilando no Especial, são 14 anos que não fica entre as cinco primeiras, e pra uma escola que já foi campeã duas vezes é muita coisa. Eu sinto que é uma comunidade muito apaixonada e que sonha em voltar aos grandes tempos da X9 Paulistana, e eu estou trabalhando dia e noite pra ajudar que essas pessoas realizem esse sonho de voltar a ver a X9 entre as primeiras do carnaval”.

        Segundo o carnavalesco, toda essa paixão ajudará bastante no desfile da agremiação e todos estão unidos em busca do mesmo objetivo.

        “Tudo que se faz com sentimento, que você põe em primeiro lugar, é melhor. Aqui em São Paulo têm vários casos que você vê uma escola que atravessa a avenida e fala ‘é ela’. O fator plástica fica em segundo plano, tem aquela conexão arquibancada, público. E sobre a X9, o pessoal está empolgadíssimo, eles compraram a ideia, eles acham que esse ano podem alcançar um degrau acima, conquistar algo a mais no carnaval. Sonhar é bom demais, todo mundo está no mesmo barco e se Deus quiser vai dar tudo certo”.

        CONHEÇA O DESFILE:

        SETOR 1: BATUQUE MISCIGENADO
        “O nosso primeiro setor vem falando da miscigenação, do batuque miscigenado. É uma mistura da batucada indígena, do negro e do branco com a influência europeia. A junção dessas três batucadas que deu origem a batucada brasileira em todos os estados. Esse primeiro setor vem com o abre-alas, baianas, primeiro casal e mais uma ala, que vem contando um pouco dessa história. Nesse setor vem a batucada da região Norte, nossa bateria por exemplo vem fazendo uma homenagem a marujada e a batucada, que são do Caprichoso e Garantido. Só que nós não vamos homenagear o Garantido e o Caprichoso, nós vamos homenagear a bateria dos dois, que é a Marujada de Guerra e a Batucada, e tem outras manifestações culturais e folclóricas como o Carimbó E Ritual da Moça Ticuna. Esse setor vai representar toda a região Norte do país”.

        SETOR 2: FESTA DO DIVINO
        “No segundo setor nós vamos falar da importante manifestação da Festa do Divino lá de Pirenópolis, em Goiás. Daí a gente entra no centro-oeste. A Festa do Divino nessa cidade é uma manifestação lindíssima, e tem uma batucada que se chama “Batuques da Alvorada”, é uma batucada que sai nas ruas no último dia de festividade na parte da noite, passam de casa em casa e várias pessoas vão para a praça dançar e festejar. É uma festa que mistura religião, folclore e quanto mais eu estudei, mais eu me apaixonei por essa festividade. Então o nosso carro vai representar isso, é uma alegoria bem interessante que já está pronta e embalada pra ir pra avenida”.

        SETOR 3: MARACATU
        “No terceiro setor a gente fala do Nordeste, que é um carro que vai falar do Maracatu, mas não do Maracatu em si, nós vamos falar das noites dos tambores silenciosos, que é
        uma noite em que todas as nações do Maracatu se juntam em um ritual religioso, que é muito legal. Nós estaremos levando algumas surpresas nesse carro e é uma das nossas
        apostas pro desfile”.

        SETOR 4: BATUCADA CARIOCA
        “Continuando a viagem pelos estados, chegamos ao sudeste, e nossa quarta alegoria vai representar a batucada carioca. Nós vamos mostrar as escolas de samba do Rio de Janeiro, o pagode que começou lá e os tambores religiosos, vamos falar um pouco dos terreiros do Rio de Janeiro, vamos fazer uma homenagem aos grupos de samba, à primeira escola de samba e mostrar toda essa religiosidade”.

        SETOR 5: BATUCADA DE SÃO PAULO
        “Nós encerramos com São Paulo, falando sobre o samba rural, o samba de Pirapora até chegar ao samba do engraxate, os antigos cordões e o último carro, que é o da coroação do rei, nosso personagem principal que está narrando a história é coroado, é um grande templo, só que ao invés de soldados, são sambistas. O cara que é curioso pela X9, vai
        ver em cada escultura um pouquinho da história da escola, de algum carnaval importante, pessoas importantes, é o carro que vai a velha guarda também. Quem é xisnoveano vai se identificar bastante com esse carro que vai fechar o nosso desfile”.

        Plenária na Liga-SP decide que Pérola Negra será julgada em todos os quesitos

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        Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo estiveram reunidos, na tarde deste sábado, na sede da Liga-SP, e, decidiram que a Pérola Negra será julgada nos nove quesitos no Carnaval 2020. A escola sofreu com a tempestade do dia 10 de fevereiro na cidade. Dentro do julgamento, os presidentes decidiram:

        – No quesito fantasia, será feita uma indicação na pasta de referência dos jurados sobre quais alas sofreram algum tipo de danificação por conta da enchente que afetou o barracão da escola na última semana;

        – Seguindo o manual de avaliação, os julgadores não considerarão sujidades nas fantasias indicadas;

        – As demais fantasias que não forem indicadas serão julgadas normalmente;

        – Fica decidido também que, em caso de empate na apuração, o quesito fantasia não fará parte do primeiro critério de desempate que é a somatória de todas as notas, inclusive, as descartadas.