Nany People será destaque no desfile do Império Serrano. A convite do diretor artístico Arthur Rozas, ela será destaque no desfile de 2020, com o enredo “Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser!”.
Nascida em Machado, Minas Gerais, tendo sido criada em Poços de Caldas, estudou teatro no Teatro Escola Macunaíma. De 1997 a Janeiro de 2003, assinou uma coluna na revista G Magazine e é frequentemente contratada como apresentadora de shows, eventos performáticos, telegramas animados, feiras e convenções.
Na TV, ganhou projeção nacional em 1997, como repórter do programa “Novo Comando da Madrugada”, de Goulart de Andrade, na extinta Rede Manchete. Em 1998, atuou na peça “Um Homem é um Homem”, com direção de Alexandre Stockler. Estreou no Programa Hebe fazendo entrevistas e links ao vivo, entre 2001 e 2006.
Nany esteve no Reality Show A Fazenda, participou dos Quadros do Programa da Xuxa na Record, atriz com vários espetáculos solos em sua carreira, como Meninas Crescidas Não Choram, 3 em 1, De Boca Cheia, Meias Verdades e atualmente em cartaz com Tsunani no Rio e em São Paulo. Indicada a Atriz Revelação na novela global O Sétimo Guardião.
Sendo uma transexual, Nany quebrou barreiras e foi uma das pioneiras dentro da televisão brasileira. Seu nome de batismo era Jorge Demétrio Cunha Santos, mas após 20 anos de batalha judicial, conseguiu o direito de usar o nome Nany People Cunha Santos em todos os seus documentos.
“Foi com grande surpresa muita alegria e lisonja que recebi o convite do Império Serrano para desfilar esse enredo tão providente e necessário: ‘Lugar de Mulher é onde ela quiser!’. Esse convite veio coroar toda uma conduta e filosofia de vida que toda mulher ‘Sis’ ou ‘Trans’ batalha pra ter seu lugar reconhecido e respeitado em sua vida! Obrigada Império Serrano por esse privilégio que aquece o coração de todas as mulheres que lutam por um mundo mais digno sustentável e amável”, disse Nany People.
Nany People vem como destaque na quarta alegoria do desfile, representando a Mulher Trans Emponderada, sob os cuidados do Diretor Ari Guimas.
O especial de barracões do carnaval de São Paulo visitou a confecção da Dragões da Real para o carnaval de 2020, que está localizado na Fábrica do Samba. Na data em questão, o projeto já estava praticamente finalizado, com poucos ajustes a se fazer. O carnavalesco Mauro Quintaes recebeu a equipe do CARNAVALESCO e detalhou o tema: “A Revolução do Riso: A arte de subverter o mundo pelo divino poder da alegria”.
“O nosso enredo fala justamente da evolução do riso, o poder que a alegria tem nas pessoas em transformação, cura. Pra não ficar muito simples, porque a função do carnaval é passar informação, a gente traz a história da comédia desde os seus primórdios. A gente abre o desfile com uma invasão de ataques de risos, é uma estrutura bélica e engraçada pra provocar o riso. Aí falamos da criação da comédia grega, das peças do Molière. Temos uma parte delicada, mas gostosa de fazer que é sobre o humor em tempos de cólera, e como o indivíduo pode usar a comédia para protestar, pra subverter a lei através do humor, e isso nos remete aos anos 80 e 90. Em plena ditadura militar eles passavam mensagens, e eu usei como referência principal a obra O Grande Ditador, do Chaplin. É um setor todo preto e branco e apenas as bandeiras de protesto são coloridas. A gente fecha com a expressão que mais define o enredo que são os Doutores da Alegria”.
Durante a pesquisa de elaboração da sinopse, o carnavalesco conta que curiosidade histórica do século XVII foi o que mais chamou atenção.
“No setor do Molière, a gente fala um pouco da caricatura política que eram feitas na época, de Maria Antonieta, Luis XV, Napoleão, isso também aparece no enredo. Nessa época surgiu a questão de você desenhar uma rainha, a caricatura, a gente pegou o modelo das ilustrações originais. Acho muito importante, porque ali surgiu uma nova leitura da política baseada também na comédia”.
Analisando o estilo de desenvolvimento do projeto do Mauro Quintaes, nota-se uma preocupação com o público nas arquibancadas, e também aos que assistem pela televisão.
“Eu sempre falo que o samba de enredo é a legenda do meu filme, e o nosso samba tem um refrão que vai pegar na terceira passagem. Outra coisa que costumo fazer é trazer personagens populares, e eu consigo essa ligação. Em um dos nossos carros vamos trazer as nossas crianças fantasiadas de Chaplin, e é um exemplo. Isso faz com que os torcedores torçam para as escolas, mesmo não sendo sua agremiação”, disse.
Mauro revela também que ideia do tema surgiu da direção da escola.
“A ideia veio do vice-presidente, o Binho. A gente sentou pra criar um roteiro pra que não caíssemos no clichê. Eu e o Gustavo Melo trilhamos uma linha histórica que desemboca nos Doutores da Alegria”.
Leitura do enredo promete surpreender
Quem escuta o samba, lê o nome do enredo e projeta o modelo de desfile da Dragões da Real pode se surpreender com o resultado. Isso porque a escola está bem atenta para fugir do “clichê”. Durante a entrevista, o artista conta que desfile carrega um contexto histórico importante e inesperado.
“Certamente o público vai esperar algo relacionado a circo, palhaço. A nossa logomarca remete a isso. Mas o nosso enredo é sobre a história da comédia, a maneira de como o ser humano percebeu de como o sorriso é terapêutico. O carnaval tem que causar surpresa. Se faço um enredo sobre palhaço, vai ser aquele clichê. O carnaval tem que ter a carta na manga, impactar o público com a surpresa. Até pelo samba, o público imagina que vai vir vários palhaços, e não temos nenhum momento de circo, ninguém espera ver a Grécia, um ditador. É importante deixar o público esperando uma coisa, e apresentar outra, isso é o grande triunfo do carnaval. A escola gosta disso, eu gosto”.
O final do carnaval da agremiação desemboca no contexto principal, que são os Doutores da Alegria. Uma coroação ao trabalho que efetuam desde os anos 90.
“Os Doutores da Alegria nunca tiveram uma homenagem desse tamanho, eles estão envolvidos na maior festa popular do país. O Wellington Nogueira, fundador do projeto, visitou o barracão e se emocionou muito. Comentei com o presidente Tomate que estamos no caminho certo, e evidente que a escola se preparou nos outros quesitos. O resultado não vai tardar a chegar”, garantiu o carnavalesco.
Mauro Quintaes aproveita pra defender julgamento mais criterioso ao contexto histórico, com menos importância aos pequenos defeitos.
“Eu fiz um abre-alas ano passado, que modéstia à parte foi belíssimo, e pontuaram que um componente descascou o piso. Cadê o equilíbrio? Nos anos anteriores, pontuaram a Dragões por causa de um grão de milho que caiu. Isso não é motivo pra descaracterizar a nota. Aqui a gente tem que se preocupar em grudar tudo, não deixar nada cair, porque se soltar uma coisinha, você perde. Falta uma visão mais do enredo, por exemplo, se eu coloco o Molière vestido de bolinha, eu só preciso deixar que elas estejam iguais e sem nenhum adereço faltando. Não tem um julgamento como ‘Molière nunca se vestiu de bolinha, 9.9’. O julgador não pode apenas conferir, ele tem que ter o punho pra falar se aquela roupa não é daquela época, por exemplo”.
Carnavalesco destaca importância da escola em momento difícil
No começo do ano a mulher do Mauro Quintaes, Kátia Sharp, faleceu por problemas de saúde. Durante a conversa, o artista comentou sobre importância da comunidade da Dragões da Real no episódio.
“Eu me sinto muito bem aqui na Dragões. Toda a minha família está no Rio, e a escola preenche muito bem esse vazio familiar. Eu tive um episódio muito triste recentemente, e fui ao ensaio logo depois. O presidente me fez uma grande homenagem na quadra, e isso me comoveu muito, principalmente ao ver a comunidade toda participando da minha dor. Não sei qual é o futuro, mas a minha passagem por aqui já me deixou muito feliz”, finalizou.
Conheça o desfile
A Dragões da Real terá 2 mil componentes, em 22 alas, com cinco alegorias.
1° SETOR – Ataque de risos
“Nós partimos do achado de um papiro de ladis, onde ele subverte essa versão de gênesis. No papiro tá escrito que Deus criou o mundo através de uma gargalhada, e baseado nisso, se Deus criou o mundo através da gargalhada, quem somos nós pra não rirmos? Abrimos aqui com o ataque de risos. É um trecho muito bélico, tem canhões, tanques de guerra, todo um projeto de guerra”.
2° SETOR – Comédia Grega
“Aqui traremos um carro bastante clássico, mesmo com as cores vibrantes. Tem cortejo de baco, o baco, faunos, centauros. É diferente, e não é um caixotão, ele é bem arejado”.
3° SETOR – Comédia Molière
“Já aqui é um setor mais clássico, mais carnavalzão. Tem cortinas de veludos, encenações. Teremos dois palcos laterais e vamos encenar uma peça. Tem uma série de coisas, eu brinco um pouco nessa alegoria. Ela tem dois momentos, é um pouco parecido com o que fiz ano passado onde tinha quatro momentos”.
4° SETOR – Grande ditador
“Esse carro é todo em preto e branco, onde o falo da peça ‘O Grande Ditador’ do Charles Chaplin, e tem teatro também. As crianças vêm também pra amenizar o impacto do carro, a gente teve essa preocupação também de equilibrar”.
5° SETOR – Celebração da cura pelo riso
“O fechamento é uma grande brincadeira. É o Welington Nogueira saudando o povo do Anhembi e dizendo para o que veio. Os Doutores da Alegria vão estar presentes, juntamente com a alas das crianças. Tem muitas luzes e efeitos especiais, porque a Dragões é uma escola que se preocupa com isso e eu sempre faço carnavais para arquibancada. Se você conseguir fazer com o público entenda, você consegue também com o julgador”.
Emoção e improviso. Foi com essa mistura que Milton Cunha conduziu a abertura da Cerimônia de Lavagem da Marquês de Sapucaí, neste domingo. A celebração, que já faz parte do calendário do Rio era, anteriormente, feita pelo ator Milton Gonçalves, que segue internado no Hospital Samaritano, após sofrer um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), na última segunda-feira. Debaixo de uma tempestade, o comentarista de carnaval usou de toda a sua capacidade de improvisação e contou com a participação do público presente no Sambódromo para abrir oficialmente o evento e, ainda homenagear Gonçalves, que deve ficar fora do carnaval. * VEJA AQUI FOTOS DA LAVAGEM
“Milton Gonçalves é uma referência, um grande ator. As pausas, as respirações que ele utiliza, são sempre um aprendizado. Acontece que hoje (neste domingo) foi caótico, era muita chuva e o texto do Cláudio Vieira dissolveu no meu bolso, então eu não tinha texto aí tive que dar uma improvisada com o que eu lembrava”, revelou Milton Cunha, que decidiu falar de superação, algo que Milton Gonçalves sempre deixava presente em seus discursos.
“O Milton (Gonçalves) sempre fala da superação, da força do sambista, do que fato que o sambista tem que tirar não do dinheiro, mas do ziriguidum a sua força, aí engatei nisso, mas chovia demais… foi muito emocionante porque a bateria logo rufou por ele, depois pedi os aplausos da multidão e ela respondeu à altura, então foi uma grande homenagem”, relembra.
Após participar da cerimônia e desfilar pela Marquês de Sapucaí acompanhado pelas baianas que faziam a lavagem e, por representantes das escolas de samba do Rio, Milton Cunha assistiu ao ensaio técnico da Mangueira no camarote Vivant ao lado do marido e amigos. Sem perder nenhum momento da passagem da Estação Primeira, o comentarista falou ao site CARNAVALESCO sobre a expectativa para o Carnaval 2020.
“A grande expectativa é que o dinheiro não define o carnaval. Acho que vai ser um carnaval de muito samba no pé, luta de bateria, samba… Acredito que vá ser maravilhoso porque quando não temos dinheiro a gente tira recursos da criatividade. Não tem mil plumas de faisão, mas tem uma pena de pato na sua cabeça e você canta com uma felicidade que ninguém tira isso de você”, aposta Milton.
O temporal que caiu sobre o Rio de Janeiro na noite do último domingo não espantou os componentes da Vila Isabel durante o último ensaio de rua da escola para o Carnaval de 2020. O treino debaixo de chuva, além de lavar a alma da comunidade, ainda contou com presenças ilustres da azul e branco, como a rainha de bateria Aline Riscado — ela recebeu um convite especial para permanecer na agremiação em 2021 — e a cantora Mart’nália.
Ao discursar para os desfilantes, pouco após a tempestade dar uma trégua e o cortejo ser liberado para cruzar o Boulevard 28 de Setembro, o presidente Fernando Fernandes disse aos presentes que pretende trazer o campeonato para a Vila este ano. Ele emendou elogiando Aline pela presença assídua nos ensaios do pré-carnaval e a convidando para permanecer no posto na próxima temporada.
“Queria fazer um convite aqui no meio da comunidade à pessoa que participou de todos os ensaios, nossa rainha de bateria. Quero convidar ela para ser rainha em 2021 também”, disse Fernandes.
Aline, que encarou a missão de substituir a apresentadora Sabrina Sato (atualmente no posto de “Rainha da escola”) à frente da bateria, ficou emocionada com o convite e confirmou a permanência, sob o rufar dos instrumentos da “Swingueira de Noel”, que fez festa para saudar a novidade.
“Muito obrigada pelo convite, eu aceito com certeza. Eu tô sendo muito feliz aqui na Vila. Foi um desafio gigante. Quero agradecer a todos vocês por terem se permitido conhecer o novo”, comemorou Aline.
Exaltando Brasília, a capital federal, a Vila Isabel é a segunda escola a desfilar na Segunda-Feira de Carnaval. A escola se concentra na Avenida Presidente Vargas, no trecho correspondente aos setores ímpares do Sambódromo (na região do prédio Balança, mas não cai).
Por Lucas Santos. Fotos: Rafael Arantes/Divulgação
Em ritmo de festa para a comunidade clementiana, a São Clemente realizou seu último ensaio para o Carnaval 2020, na Praça Corumbá, na entrada do morro Dona Marta, em Botafogo, trazendo os segmentos para celebrar o fim da preparação no bairro onde nasceu. Ainda que o local não tenha permitido que a escola evoluísse em linha reta como será no desfile oficial, o teste foi proveitoso para treinar o deslocamento dos componentes da bateria além de fortalecer o canto da escola. A Fiel Bateria foi o grande destaque do ensaio revelando algumas bossas e mantendo um bom andamento para o samba que caiu no gosto da comunidade.
O presidente Renatinho destacou o último ensaio em Botafogo como oportunidade também para uma confraternização de escola e componentes que vem treinando de forma bastante dedicada.
“Alegria. Nosso povo está muito alegre com o que vai acontecer na Avenida. Eu acho que é só esperar. Todo mundo fala Mangueira, Mocidade. As escolas grandes. Mas, ninguém conta com a alegria da São Clemente. Por isso eu estou muito feliz”.
O presidente manteve o tom otimista e cravou 2020 como o ano para a melhor apresentação da São Clemente.
“Vamos fazer um grande desfile. Eu não vou desfilar, eu vou me apresentar esse ano. Tão bonito que esta, eu garanto: vai ser o maior desfile da história da escola”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Desde o ano passado dançando juntos na São Clemente, Fabrício Pires e Giovanna Justo estão se entendendo muito bem e a cada ensaio o entrosamento vai ficando mais latente. Com um terreno irregular e com algumas subidas e descidas, as ruas paralelas da Praça Corumbá não permitiram aos dois, muita ousadia nos passos, principalmente ao se levar em conta a proximidade para o desfile. Ainda sim, o ensaio deste domingo foi repleto de muita simpatia e integração com a comunidade. No início quando a escola ainda não evoluía, Giovanna com seu sorriso marcante levava o pavilhão da escola para que os componentes a beijasse. Durante o trajeto, Fabrício foi quem mais arriscou no bailado e houve momentos de integração com o segundo casal.
Samba-enredo
O samba de Marcelo Adnet e companhia tem sido um dos destaques dos ensaios da São Clemente e já estar pronto para o desfile, bem ajustado com a bateria de mestre Caliquinho. O andamento está confortável, ainda que tenha dado uma pequena acelerada já usual em relação à gravação do CD, mantém a leveza e alegria pelas quais foi concebido, mas também se firmando para colaborar com uma boa evolução da escola.
O intérprete Leozinho Nunes destacou o reconhecimento da obra em diversos locais em que a tem apresentado, destacando o trabalho do humorista Marcelo Adnet, um dos compositores do samba, de divulgar a canção da São Clemente.
“Hoje foi uma festa para o povo. Toda terça feira que a gente tem o nosso ensaio ele (o samba) rende. Ontem, eu estava cantando em um bloco em Bangu e Marechal Hermes e eu nunca vi um samba tão cantado da São Clemente como está sendo cantado esse ano. O Marcelo Adnet está cantando o samba da São Clemente onde passa e isso não é bom só para a São Clemente, isso é bom para o Carnaval porque hoje em dia a gente já não tem mais aquele meio de ir no programa em rede nacional e divulgar. E o Marcelo Adnet está com a gente divulgando a São Clemente e o samba. E o samba está rendendo muito”.
Bateria
Foram testados alguns movimentos que devem ser feitos já no recuo para a reorganização da bateria, além da própria entrada e saída dos ritmistas. Algumas bossas foram testadas como uma em que havia um desenho bastante interessante e marcante das cuícas. Mestre Caliquinho revelou que o samba está sendo trabalhado em 146 BPM (batidas por minuto), um pouco mais cadenciado que o ano passado e ressaltou a importância de ensaiar o deslocamento dos ritmistas da Fiel Bateria.
“O que agrega aqui é que traz a comunidade do Santa Marta e a comunidade de Botafogo toda pra cá e faz um bom ensaio na rua porque a gente não tem condições de andar lá na quadra. Já tivemos como testar as bossas andando e está tudo maravilhoso. Tivemos dificuldade com a chuva outro dia na Sapucaí e hoje então podemos testar tudo ‘direitinho’. Fizemos algumas bossas com a subida da cuíca ali junto com os tamborins. Tem uma bossa ali que é chocalho. Todos os naipes agora estão aparecendo na bateria. Tem umas surpresas ali na Avenida. Estamos trabalhando de 144 para 146. Esse samba não é muito corrido, ele é melodioso. Hoje trouxemos a bateria da São Clemente um pouco mais para trás para apresentar um samba-enredo”.
Harmonia
Na Praça Corumbá o que se pode destacar foi um grande número de espectadores que estavam ali apenas para acompanhar o ensaio da escola. Do meio para o fim, a comunidade se soltou e cantou com mais alegria e descontração que são a cara do enredo. Sem Grazi Brasil e Bruno Ribas, Leozinho mostrou o motivo de vir se destacando e guiou de forma destacada o samba da escola.
Evolução
Como já citado, o espaço da Praça Corumbá não permite um grande teste para a evolução pelo fato de não seguir uma linha reta e por ter desníveis, subidas e descidas, além de alguns espaços mais curtos. A escola, então, treinou mais neste sentido, os momentos de saída e entrada da bateria no recuo, deslocamento dos passistas e algumas alas coreografadas, como a que virá logo no início que se destacava no momento em que o samba dizia “a maré vai virar…” onde os componentes giravam.
Outros destaques
Em um momento de bastante descontração, mestre Caliquinho mostrou muito samba no pé ao dançar com a rainha Raphaela Gomes, cria da escola. As passistas da São Clemente também deram um show de samba no pé e elegância, arrumadas em um bonito vestido prateado com detalhes em dourado.
Por fim, Leozinho Nunes antes e após o ensaio, mostrando sua liderança e integração com a comunidade, a todo o momento lembrava aos componentes informações como horário de concentração no dia do desfile, além de coisas que os foliões podem e não podem levar, devem e não devem fazer.
De sexta-feira até o último trem de terça-feira, a SuperVia vai operar 24 horas por dia com a oferta de viagens extras ao longo da operação e nas madrugadas para os ramais Japeri e Santa Cruz (atenderão também as estações do ramal Deodoro) e Saracuruna.
A estação Central do Brasil ficará aberta do início da operação desta sexta-feira até o último trem de terça-feira de Carnaval. O acesso deverá ser feito pelo portão A. Na operação das madrugadas, todas as outras estações do sistema ferroviário funcionarão somente para desembarque de passageiros.
A SuperVia orienta que os passageiros consultem a programação geral para o período que está disponível no site (www.supervia.com.br/vemprafolia); o “Planeje sua viagem” (no site e no aplicativo); ou o SuperVia Fone, no número 0800 726 9494, para programarem suas viagens e tirarem dúvidas sobre os serviços. O planejamento especial está sendo divulgado nos canais digitais da empresa e em cartazes nas estações.
Sábado de Carnaval e Cordão da Bola Preta
No sábado de Carnaval, os trens vão operar de acordo com a grade horária de sábados, com a disponibilização de trens extras na madrugada, nos ramais Japeri e Santa Cruz.
Para a ida ao desfile do Cordão da Bola Preta, serão oferecidas viagens extras com origem nas estações terminais de Santa Cruz e Japeri em direção à Central do Brasil. As viagens extras de volta para casa serão realizadas de acordo com a movimentação de passageiros, monitorada pelo Centro de Controle Operacional da concessionária.
Domingo, Segunda-feira e Terça-feira de Carnaval + bloco Fervo da Lud
No domingo, na segunda-feira e terça-feira, a operação seguirá a grade de domingos e feriados, com acréscimo de viagens ao longo dos dias e nas madrugadas.
Para a ida ao bloco “Fervo da Lud”, na terça-feira, haverá viagens extras para dos ramais Japeri, Santa Cruz e Saracuruna para a Central. As viagens extras de volta para casa serão realizadas de acordo com a movimentação de passageiros, monitorada pelo Centro de Controle Operacional da concessionária.
Quarta-feira de Cinzas
Na Quarta-feira de Cinzas, a grade de referência será a de sábado e haverá partidas extras da Central do Brasil para todos os ramais no pico vespertino. No final do dia também haverá partidas extras da Central e dos terminais, para igualar o término da operação comercial a um dia útil.
Quinta-feira e sexta-feira após o Carnaval
Nos dias 27/02 e 28/02, os trens vão circular de acordo com a grade horária de dias úteis, com possíveis ajustes conforme a demanda de passageiros.
Transporte gratuito de integrantes de escolas de samba para desfiles no Sambódromo
A SuperVia vai oferecer trens extras e sem cobrança de tarifa para o transporte de ida e volta de integrantes de nove escolas de samba para os desfiles na Marquês de Sapucaí, no Centro. Ao todo, serão 18 viagens especiais para atender as agremiações Acadêmicos de Vigário Geral, Unidos da Ponte, Inocentes de Belford Roxo, Unidos de Bangu, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel, Grande Rio, Mocidade e Beija-Flor. A iniciativa reforça os laços históricos do trem do Rio com o samba, dando continuidade à parceria com as escolas que margeiam a linha férrea e ajudam na preservação da nossa cultura.
Para muitos ele é o mais importante quesito de um desfile de escola de samba. Embora possua a mesma pontuação que os demais oito, o samba-enredo é a trilha sonora da ópera popular a céu aberto, considerada o maior espetáculo da terra. Bons desfiles plásticos já ficaram sem o título no samba-enredo e outros com o visual modesto levaram o campeonato na força deste quesito que o site CARNAVALESCO traz na série ‘De olho nos quesitos’.
O samba-enredo é julgado através de dois sub-quesitos, onde cada um vale de 4,5 a 5,0 pontos no julgamento. Na letra o jurado observa sua riqueza poética e sua adequação ao enredo apresentado. Na melodia há de considerar se a mesma possibilitou um bom canto e se ela está dentro dos parâmetros que constituem uma obra musical em samba-enredo. Engana-se quem sugere que o samba já chega na avenida julgado.
No levantamento realizado pelo CARNAVALESCO a melodia é aquele sub-quesito que só pode ser avaliado na hora do desfile, pois depende de outros fatores musicais. Em 2015, por exemplo, o jurado Eri Galvão abordou um dos tópicos mais usados por jurados no aspecto melódico: a tonalidade. Segundo sua justificativa, um samba-enredo não pode ter grande variação na tonalidade, como a obra da Unidos da Tijuca naquele carnaval.
“A melodia da 1ª estrofe nas linhas 5, 6 e 7 cai um pouco, igualmente na 7ª linha da 2ª estrofe devido à tonalidade dificultando assim o canto. Algumas alas passaram à nossa frente sem cantar as referidas linhas”, explicou.
Como citado anteriormente, a letra precisa possuir adequação com o enredo para levar a nota 5,0 neste subquesito. Nesse sentido a falha nesse aspecto é uma das justificativas mais usadas pelos jurados. Um exemplo foi o desfile da União da Ilha em 2016, conforme justifica o julgador Mauro Costa Júnior.
“Frases soltas sem conexão com o enredo. ‘Os jogos vão começar. Já somos todos irmãos. Os deuses querem ficar. E todo mundo cai no samba'”, destacou em seu texto para tirar três décimos da tricolor insulana.
Há outro momento em que o dois sub quesitos em julgamento se completam, também sendo um dos parâmetros que mais fazem as escolas perderem décimos em samba-enredo. É preciso que letra e melodia se completem. Se elas não conversarem na avenida e dessa forma houve um desencontro, a escola é punida. Como exemplo a justificativa de Clayton Oliveira para o samba do Salgueiro no Carnaval 2017.
“A melodia da primeira estrofe, a partir de ‘sou poeta delirante’ até ‘saciar o meu desejo’ e da segunda estrofe, de ‘toca batuqueiro’ até ‘é feita pra sambar’ são muito confusas. A ideia de simetria de e síncope do gênero, citadas no caderno abre-alas, gerou um ziguezague de frases melódicas que se atropelam”, avaliou.
Outro aspecto que causa desconforto na comissão julgadora em samba-enredo é o andamento acelerado de execução de algumas obras. Parâmetro também observado no quesito harmonia. Mestres de bateria e a direção de carnaval das agremiações precisam estar atentas a isto, conforme alerta Alfredo Del-Penho em sua justificativa para punir a obra do Império Serrano no Carnaval 2019.
“Nem toda música mantém sua qualidade se tiver seu andamento acelerado. O samba-enredo tem como características fundamentais a ciclicidade, ou seja, cada parte alimentar outra em repetição para ser cantada não por apenas cinco, mas 75 minutos, e a função de servir ao desfile e ao canto dos componentes. Ao acelerar o samba de Gonzaguinha, algumas partes ficaram dificílimas de cantar, fazendo com que claramente muitos componentes interrompessem o canto”, detalha Del-Penho.
Aspectos mais citados por julgadores nas justificativas de samba-enredo desde 2015:
– Falta de riqueza poética da letra
– Letra em desadequação ao enredo
– Desencontro entre letra e melodia
– Subida ou queda acentuada de tonalidade melódica
– Refrões sem empolgação
– Letra e melodia sem criatividade
A canta Iza participou do último ensaio de quadra da Imperatriz Leopoldinense, na noite deste domingo, em Ramos. A rainha de bateria era muito aguardada pela comunidade.
Dentro da quadra, a cantora distribuiu simpatia. Sambou muito com a bateria de mestre Lolo, reverenciou o pavilhão Leopoldinense e interagiu com os componentes.
Por Guilherme Ayupp, Victor Amancio, Bernardo Cordeiro, Diogo Sampaio, Caroline Gonçalves, Gustavo Maia, Eduardo Fróis. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Após a forte chuva que caiu durante a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí, o céu se abriu para que a Mangueira realizasse o teste de luz e som. Campeã do Grupo Especial em 2019, ela foi a única escola que teve a oportunidade de fazer um ensaio técnico na Avenida. O samba que retrata Jesus Cristo foi um dos grandes trunfos da escola para ganhar a Sapucaí. Destaque do ensaio vai para a bateria de mestre Wesley. O ensaio também ficou marcado por problemas na evolução da escola. Esperava-se que uma multidão lotasse as arquibancadas e frisas, mas o temporal que atingiu a cidade acabou afastando grande parte dos foliões.
“Nosso enredo é Jesus Cristo. Ele dizia que onde tivesse duas pessoas falando seu nome ele estaria presente. Hoje aqui eram 2 mil cantando o seu nome. A chuva parou na hora de nosso ensaio, correu tudo bem graças a Deus. Vamos em busca de um grande desfile para levar esse bicampeonato para o Palácio do Samba”, afirmou o presidente Elias Riche.
Comissão de frente
Mesmo ainda não sendo a coreografia oficial do desfile, a comissão de frente foi um dos destaques da noite. Comandada pelo casal de coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri, a comissão de frente da Verde e Rosa apresentou uma coreografia com passos bem marcados, misturando estilos de dança distintos como o funk, o hip hop e o próprio samba. O ponto alto da apresentação acontecia quando os componentes pulavam juntos e realizavam uma “sarrada no ar”, arrancando gritos e aplausos do público presente. A expressividade dos bailarinos, além do casamento entre os movimentos da comissão e a letra do samba, principalmente no refrão principal, foram outros pontos de destaque.
“Para o ensaio a gente prepara uma coreografia especial para o público, não é a coreografia oficial do desfile. É importante pra gente ver a marcação do tempo e é mais importante ainda pra gente quebrar essa expectativa imensa que os próprios componentes tem de desfilar na Mangueira, já dá uma energizada, é um combustível, é uma energia boa que chega e ao mesmo tempo dá uma neutralizada neles, essa hora a ansiedade já bate, dá pra eles terem um gostinho do que vai ser e dá uma quebrada nessa ansiedade”, contou a coreógrafa.
Quando questionados sobre o segredo para manter a nota máxima em 2020, Priscilla revelou que é tudo fruto de muito trabalho. “A gente trabalha muito. Se a gente tem uma característica, as pessoas acham que é de inovação, de trazer surpresas e tal. Pra gente que trabalha meses e meses pra fazer um grande desfile, é o comprometimento e o trabalho mesmo. A gente hoje, por exemplo, depois daqui a gente tem ensaio. Então, faça chuva ou faça sol, a gente trabalha”.
Sobre as fantasias, somente puderam adiantar que é uma fantasia muito especial. “É uma fantasia extremamente inusitada, feita por várias mãos… Feita pela gente, pelo Leandro. É uma fantasia que é muito especial pra gente, acho que todo mundo participou dessa confecção”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Com um bailado tradicional e muito bem executado, Matheus Olivério e Squel Jorgea esbanjaram técnica e coreografia em conjunto com a bateria, evidenciando a interação entre letra, melodia e percepção rítmica. Matheus vive um grande momento como mestre-sala e se destacou na apresentação do casal, ele fez passos de funk e dançou com muita garra e elegância. Squel, literalmente com os pés no chão, dançou com leveza e com o sorriso que é sua marca. No primeiro módulo de jurados, o casal apresentou uma diferença de ritmos que afetou a sincronia dos dois: enquanto Matheus se arriscou mais diante da pista molhada, ao realizar passos acelerados e arrojados; Squel preferiu se preservar, fazendo passos mais cadenciados e poucos giros.
“É um privilégio ensaiar neste palco uma semana antes do carnaval. Todos os ensaios são importantes, no ensaio de rua a gente está em contato mais direto com a Mangueira, a comunidade. Já na Sapucaí a gente sente essa energia e o termômetro de como está a escola. Ver a arquibancada lotada e a torcida já vale muito para a gente,” afirmou o mestre-sala.
Já a porta bandeira Squel evidenciou que os ensaios técnicos são uma forma de resistir e mostrar a importância das escolas e das comunidades.
“Os ensaios são importantes para mostrar a resistência, o protesto. Realizar os ensaios é uma forma de trazer alegria para a cidade, para a população porque eles merecem ter esse carinho e ter o contado direto com a escola. É bom também para matarmos a saudade e para a escola, de maneira geral, é essencial por conta da parte técnica e de todo o conjunto”, enfatizou Squel.
Por fim, o casal fez segredo sobre as fantasias. Tanto Squel e Matheus não falaram quais serão suas fantasias para a grande noite.
Harmonia
O canto da escola se manteve forte do início ao fim do treino. Os mangueirenses cantaram o samba-enredo com muita intensidade. Alguns versos como “Eu sou a Estação Primeira de Nazaré” e “Do céu dá pra ouvir” jogam para o alto a voz da comunidade, mas ainda há margem para melhorar em outras passagens. Durante o ensaio, o som na Sapucaí falhou algumas vezes, mas foi retomado com rapidez, sem comprometer a fluência do treino. O carro de som, com a voz principal de Marquinhos Art’Samba está em pleno entrosamento com a bateria. O intérprete chamou pelo componente durante todo teste e obteve resposta com um canto forte. O intérprete dá ao samba o protagonismo que a obra merece, sem interrompê-la com cacos desnecessários.
“O entrosamento com a bateria é o melhor possível, estamos quase 100% para o grande dia mas essa semana a gente fecha isso e vai dar tudo certo, se Deus quiser. Eu acho que esse ensaio foi uma grande resposta e esse samba pode render ainda mais que o samba do ano passado. Já fizemos nosso primeiro ato e vamos em frente para o segundo, que é no próximo domingo”, comentou Marquinhos.
Evolução
Se harmonia foi um dos pontos mais positivos do ensaio, o mesmo não pode ser dito da evolução. O quesito evolução pode ser o calcanhar de Aquiles da Mangueira, apesar de ter feito um bom ensaio, a escola não evoluiu bem e ficou faltando a espontaneidade habitual. A Verde e Rosa apresentou um andamento bastante irregular, alternando momentos de lentidão com outros em que ensaiava uma corrida. O que pode ser notado foram componentes andando, apenas cantando o samba, sem expressividade. Houve também desorganização mistura entre as alas ou a abertura de pequenos claros.
“A escola passou com canto muito forte, no andamento 146 BPM (batidas por minuto). Respeitando nossas coirmãs que sabemos querem o título, mas nós queremos mais. Vamos realizar um bonito espetáculo na avenida para conquistar esse título”, disse o diretor de harmonia, Renato Kort.
Samba-Enredo
Um dos sambas mais elogiados no pré-carnaval, a obra composta por Luiz Carlos Máximo e Manu da Cuíca funcionou de forma perfeita na Sapucaí. A obra foi entoada não só pelas alas, mas também pelo público presente, durante toda a passagem da agremiação pela Avenida. O carro de som e a bateria juntos fazem a obra crescer. O refrão e os trechos “Favela, pega a visão” e “Do céu deu para ouvir” são os momentos que o componente canta mais forte. Com a opção de uma melodia em tom baixo, a escola parece ter optado por um samba mais lento do que o que já era habituado nos ensaios.
Bateria
Comandada por mestre Wesley, a bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim deu um show na pista. Foram diversas bossas executadas ao longo do ensaio, mas sem dúvidas a paradinha funk foi a que mais agitou o público.
“Acho que não tem nada de diferente de tudo que a gente ensaiou o ano inteiro, só que eu não imaginava a reação do público na hora do ‘Favela, pega a visão’ que a gente faz um funk. A reação do público foi muito positiva para a bateria. É uma conexão, se você olhar o desfile do início ao fim, todas as bossas que a bateria faz, ela ajuda o casal e a comissão de frente. Isso foi ensaiado. A gente veio do início do desfile até o final com o mesmo andamento. As bossas feitas em frente às cabines de jurado, tudo perfeito”, disse o mestre, que ainda acrescentou: “A gente vem para avenida com quatro bossas, e uma surpresa que eu não mostrei, que vai ser mostrado no dia do desfile oficial”. Sobre a fantasia, ele disse: “É um segredo de estado. As pessoas vão se assustar… Mas a fantasia leve e tranquila”.
A rainha da bateria da Mangueira mostrou, mais uma vez, porque é uma das mulheres mais admiradas no mundo do samba e referência para sua comunidade. Depois de deslumbrar a avenida com mordaça e correntes em sua denúncia ao assédio contra a mulher no ensaio para o carnaval de 2019, Evelyn vestiu-se agora de Maria das Dores, uma referência cantada no samba às mães que tiveram seus filhos assassinados. No manto branco de sua fantasia, a rainha trouxe os nomes de muitas das vítimas da violência nas favelas cariocas, enfatizando dessa vez o genocídio de vulneráveis e a impunidade.
“Ao falar da fé de cada um, acabamos mexendo no íntimo das pessoas e, em consequência, sofremos muitos ataques motivados pela intolerância. As pessoas precisam passar por uma reforma íntima para entender que a fé é, verdadeiramente, sinônimo de amor. Acredito que o enredo da Mangueira vá tocar o coração de muita gente. Vamos falar do Jesus humano, do Jesus de carne e osso, que sofreu, que foi injustiçado. Assim como ele, quantos injustiçados encontramos dentro das nossas favelas, nos nossos subúrbios e guetos? Quantos ainda precisam morrer inocentes pra virar estatística?”, questionou.
Evelyn também falou da dificuldade que os sambistas enfrentaram no carnaval de 2020, com os cortes de investimento da Prefeitura do Rio de Janeiro na festa e, especialmente, a suspensão dos ensaios técnicos no Sambódromo:
“É lamentável que a prefeitura não ajude a propagar a maior festa cultural do mundo. O carnaval é a cara do Brasil, é uma pena que por motivos religiosos ou de crenças o governo não valorize a nossa ancestralidade, a nossa própria história. Infelizmente o espaço do sambista não foi respeitado, e só a campeã pode fazer o teste no sambódromo. Na minha opinião, a avenida, a nossa casa, foi fechada por intolerância. O carnaval precisa retomar sua posição de protesto e falar dessas nossas dificuldades”, concluiu Evelyn.