O Maracanã do Samba recebeu, no último domingo, a grande feijoada de comemoração dos 70 anos da Mocidade Independente de Padre Miguel. A celebração contou com apresentações das 11 escolas do Grupo Especial e reuniu torcedores, personalidades do carnaval e membros da família verde e branca em uma verdadeira festa da Estrela Guia. Durante o evento, a advogada e diretora executiva da agremiação, Dra. Valéria Stelet, conversou com o CARNAVALESCO e fez um balanço do trabalho da escola rumo ao próximo carnaval.
Advogada e diretora executiva da Mocidade, Dra. Valéria Stelet. Foto; Carolina Freitas/CARNAVALESCO
“Quando falamos em balanço, jamais falamos em trabalho individual, e sim em equipe. Toda a equipe da Mocidade está trabalhando muito em conjunto para fazermos um grande desfile no ano que vem. Até agora, o que tenho visto é muita dedicação”, afirmou.
Sobre o samba-enredo escolhido para 2026, que homenageia Rita Lee, Valéria destacou a força da comunidade e a sintonia entre direção e torcedores.
“A comunidade não fez um pedido, ela nos deu uma ordem. Ela é quem manda, e, felizmente, todo mundo ficou muito satisfeito com o nosso samba, que foi abraçado e é maravilhoso”, ressaltou, em tom bem-humorado.
Questionada sobre o nível do desfile que a escola prepara para 2026, a diretora foi direta: “A Mocidade tem um dever para com a comunidade e vai cumprir lindamente, com um carnaval maravilhoso, mantendo o alto nível que a escola sempre teve”.
Mesmo mantendo o mistério sobre o trabalho do carnavalesco Renato Lage, Valéria deixou no ar a promessa de um espetáculo inesquecível: “Não posso contar nada ainda sobre as alegorias e fantasias, senão, ele vai me matar aqui mesmo. Mas posso garantir que será algo espetacular e muito bonito”, brincou.
Encerrando a entrevista, a diretora destacou a importância da feijoada dos 70 anos e da união que move a escola.
“Esse evento foi algo pensado por toda a nossa equipe, para oferecer aos nossos torcedores uma tarde inesquecível de celebração do aniversário da nossa Estrela Guia, com essa festa linda, reunindo nossas coirmãs”.
Antônio Gonzaga estreia como carnavalesco solo no Grupo Especial pela Grande Rio com o enredo “A Nação do Mangue”, que mergulha no universo do movimento Manguebeat. Em conversa com o CARNAVALESCO, ele revelou de onde surgiu a ideia de abordar o tema, como foi a criação da sinopse e quais são as expectativas para transformar a Sapucaí em um grande manguezal sonoro e político.
Gonzaga iniciou falando sobre a concepção do enredo, destacando o papel de seu pai, que assina a sinopse ao lado dele e de Jader Moraes, e a simbólica conexão entre Duque de Caxias e Recife, cidades cercadas por manguezais e marcadas por fortes tradições periféricas.
“Era o momento certo para trazer esse enredo. O Manguebeat, além da potência musical, é um discurso vivo e atual, que nos faz refletir sobre o país e sobre nós como povo e nação. Assim como o samba, é um movimento que nasce da margem e promove transformação social e cultural”, afirmou o carnavalesco.
Acompanhado pela equipe da Grande Rio, Gonzaga visitou Recife para realizar uma imersão de pesquisa. Lá, encontrou nomes como Jorge Du Peixe, Fred Zero Quatro e Louise, filha de Chico Science, além de conhecer de perto espaços de maracatu e projetos culturais como o Daruê Malungo.
“Essa viagem foi essencial para entendermos o caldo cultural que deu origem ao Manguebeat. Conversamos com os herdeiros de mestre Salu, vimos de perto o Maracatu Rural, o Maracatu Nação, o Galo da Madrugada. Tudo isso fortaleceu nossa construção de enredo”, explicou.
O carnavalesco também refletiu sobre o viés político do tema, ressaltando que, no Manguebeat, cultura, arte e engajamento social caminham lado a lado, aspecto que estará presente no desfile da tricolor de Caxias.
“Quando falamos de cultura no Brasil, falamos também de ação social e política. O Manguebeat lança o olhar sobre as periferias, e a Grande Rio vai levantar essa bandeira, mostrando que é das margens que nasce a força cultural do país”, destacou.
Ao comentar os período de trabalho nesta nova fase na Grande Rio, Gonzaga ressaltou a receptividade e a confiança da comunidade, após sua passagem anterior como parte da equipe de criação.
“Está sendo muito prazeroso. A escola está feliz com o projeto. Nosso cronograma está tranquilo e a equipe está confiante”, concluiu.
Comemorando 70 anos, a Mocidade Independente de Padre Miguel aproveita a data para resgatar uma importante memória da sua história. A Verde e Branco se junta à Kappa para lançar mais uma icônica camisa. Desta vez, uma homenagem ao Independente Futebol Clube, time que originou a escola de samba.
A peça é uma reprodução fiel ao uniforme usado na época pelo clube que marcou história dentro dos campos cariocas e foi o elo de surgimento do pavilhão. Para estrelar a campanha, um dos maiores personagens dos gramados e dos sambas: Waldyr Trindade, o Vô Macumba. Conhecido por ser craque do time, o Independente também presidiu a Escola e é um dos maiores nomes dos 70 anos da Estrela Guia.
O diretor de marketing da Escola, Bryan Clem, reforça a importância de resgatar personagens tão importantes e valorizar a história da Mocidade.
“O Independente tem muito orgulho da sua história. Futebol e carnaval são paixões que mudam vidas no subúrbio e tínhamos muito desejo de homenagear o Vô Macumba e o IFC. A nossa missão é valorizar para que nunca esqueçam a importância daqueles que lutaram para que pudéssemos estar aqui hoje. Além da parceria com a Kappa, entregaremos uma coleção exclusiva para os 70 anos da Escola”, revela Bryan.
A parceria com a Kappa, que já é sucesso, agora vem com mais produtos exclusivos. Além da camisa de jogo, a fornecedora italiana produziu boné e uma linha casual para comemorar o aniversário da Mocidade. Todos os produtos da linha comemorativa estarão à venda nso site da Boutique oficial da Escola (www.boutiquemocidade.com.br).
Em mais uma noite de treino, o Paraíso do Tuiuti tomou com força o bairro de São Cristóvão, que desde outubro recebe os ensaios de rua da escola. O “Quilombo do Samba” se apresentou com muita confiança e harmonia, destacando-se pela condução firme e segura de Pixulé, que levou a comunidade a cantar com intensidade o samba-enredo. O casal Vinícius Antunes e Rebeca Tito também teve uma grande atuação, com uma dança muito bem executada e repleta de sincronia. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, o Tuiuti levará para a Avenida o Ifá cubano, vertente religiosa de matriz africana surgida no país caribenho, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. O Tuiuti será o responsável por abrir os desfiles da terça-feira de carnaval.
Sob a batuta de David Lima, a comissão de frente do Tuiuti se apresentou com uma coreografia forte, potente, ágil e bastante descritiva nos trechos do samba. Um integrante ao centro, cercado por outros ajoelhados, deu vida ao verso “Rompendo os grilhões de morte e medo, foi o primeiro babalaô da ilha”, em uma encenação marcada por movimentos afro e religiosos. Bem executada, a apresentação se destacou pelos gestos de braços e pelas formações circulares em diversos momentos, tanto na performance voltada ao público quanto na coreografia de avanço. Isso pode indicar uma preparação já pensando na cabine espelhada, que será implementada no próximo carnaval.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Vinícius Antunes e Rebeca Tito demonstraram total sintonia durante a apresentação. O casal, que recentemente assumiu o primeiro pavilhão da agremiação, exibiu uma dança unida e bem sincronizada, com movimentos tradicionais do bailado de mestre-sala e porta-bandeira, sempre bem executados e já planejados com foco na Avenida.
Em alguns momentos, inseriram leves referências a danças latinas, como no trecho “Babá Moforibalé, Babá Moforibalé, Orunmilá taladê, Babá Moforibalé”, quando balançaram os ombros em harmonia. A dupla exibiu um bom entrosamento ao longo do ensaio de rua, consolidando uma parceria que vem rendendo bons frutos e transmitindo muita confiança.
Samba e Harmonia
Pixulé dominou o samba do Tuiuti com maestria. O intérprete, craque na temática afro, mostrou total conforto com a obra que levará para a Sapucaí em 2026. Sua voz poderosa e expressiva conduziu o canto da comunidade, que respondeu com energia contagiante. O carro de som, comandado por Leonardo Bessa, também teve ótimo desempenho, demonstrando entrosamento e afinação. Com o time musical ajustado, a comunidade cantou de forma vibrante o samba da agremiação, sem deixar o canto cair em nenhuma ala. Sinal de que os componentes do “Quilombo do Samba” estão empolgados com o hino de 2026.
Para Pixulé, os ensaios que vêm acontecendo desde outubro são fundamentais para fortalecer o canto da comunidade e preparar os componentes para o desfile. O intérprete destacou ao CARNAVALESCO a importância de ensaiar ao ar livre e o impacto positivo da repercussão do samba no mundo do samba.
“O Tuiuti foi a primeira escola a divulgar o samba campeão. E ser a primeira a colocar o samba na rua, com ensaios para todas as alas, facilita para o componente aprender e chegar na Avenida com o samba na ponta da língua. E, sendo prepotente, a repercussão prova que o Paraíso do Tuiuti tem o melhor samba do carnaval”, declarou Pixulé.
Evolução
A evolução foi bem cadenciada. A escola ensaiou com tranquilidade, sem correrias ou atropelos, mantendo o ritmo do samba enquanto percorria as ruas do Bairro Imperial. Os componentes demonstraram confiança e controle, brincando e cantando com alegria. As alas passaram animadas, com destaque para duas alas coreografadas que mantiveram o canto forte sem perder a precisão dos passos, uma delas utilizando lenços nas mãos, criando um efeito visual interessante.
O diretor de carnaval, Leandro Azevedo, destacou ao CARNAVALESCO a importância de iniciar os ensaios cedo, ainda em outubro, para preparar melhor a comunidade e permitir ajustes ao longo da temporada.
“O ensaio é justamente para isso. Quanto antes a gente começa, mais oportunidades tem de ajustar os erros, sentir o samba, o carro de som e o canto da comunidade. É de extrema importância o Tuiuti ter começado cedo, e acho que a escola sai na frente nesse aspecto. Em relação ao samba, tanto eu quanto a presidência, diretoria, segmentos e comunidade estamos muito felizes. No Tuiuti já se espera bons sambas, e este ano não foi diferente. Tenho certeza de que o ponto mais forte será no dia do desfile”, disse Leandro.
Outros Destaques
A bateria, de mestre Marcão, passou com muita segurança, executando bossas bem planejadas e realizando um paradão marcante, acompanhado apenas por cordas e alguns instrumentos, enquanto fogos eram disparados para celebrar o momento. A “SuperSom” demonstrou firmeza e empolgação ao longo do percurso, pulsando como verdadeiro coração do Tuiuti. Ainda em recuperação de um procedimento médico, Mayara Lima, rainha de bateria, não compareceu.
A presença da ala trans da escola, nomeada Filhas de Xica, também foi destaque. O grupo reforçou o abraço do Tuiuti à diversidade e ao respeito, continuidade do legado do enredo sobre Xica Manicongo apresentado no último carnaval.
A Viradouro transformou a noite do último domingo em pura emoção na Avenida Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. No primeiro ensaio de rua rumo ao Carnaval 2026, a Vermelho e Branco do Barreto mostrou toda sua força e organização ao fazer um treino vibrante e tecnicamente muito correto. Os grandes destaques foram o “paradão” poderoso da bateria “Furacão Vermelho e Branco” e a performance arrebatadora do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, que mais uma vez deram uma aula de dança e elegância. A escola se prepara para contar, no próximo desfile, o enredo “Pra cima, Ciça”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. Ela será a terceira a desfilar na segunda-feira de carnaval.
Um dos sambas mais elogiados do ano encontrou terreno fértil na voz de Wander Pires. O intérprete deu show na condução da obra, carregada de emoção e poesia, exaltando a trajetória de mestre Ciça. O carro de som, sob a direção musical de Hugo Bruno, manteve o alto nível técnico e a perfeita sintonia com os ritmistas e o canto das alas. Durante o “paradão” da bateria, a resposta da comunidade foi arrebatadora: o canto das alas se elevou. Era possível ver o brilho nos olhos dos componentes, muitos reverenciando o ídolo que dá nome ao enredo. O canto das alas esteve firme e afinado na maior parte do ensaio. Em alguns pontos, a intensidade caiu, algo natural para o primeiro treino de rua. A Viradouro reafirmou seu altíssimo padrão de conjunto e a potência emocional.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Julinho e Rute desafiam a lógica do tempo. Como um vinho de safra inesquecível, a dupla parece melhorar a cada ano e o público na Amaral Peixoto pôde comprovar isso de perto. O casal dançou demais: técnica refinada, elegância inabalável e uma cumplicidade que transforma o gesto em poesia.
Ainda sem revelar a coreografia oficial, Julinho e Rute apresentaram o pavilhão para os dois lados da pista, numa simulação das “cabines espelhadas” que serão novidade no Carnaval 2026. Foi uma performance arrebatadora, aplaudida de ponta a ponta. Cada movimento tinha propósito e emoção. A tradução perfeita do amor que ambos têm pela arte de defender o pavilhão.
Evolução
A Viradouro, mais uma vez, mostrou por que é referência em organização e desempenho técnico. A escola desfilou com segurança e fluidez, preenchendo a larga pista da Amaral Peixoto com alegria e vibração. A contou com boa movimentação das alas e sintonia entre os setores.
O trabalho na entrada e saída do recuo da bateria foi impecável. Detalhista como sempre, a direção de carnaval da Viradouro segue inovando: foi a primeira escola a levar para os ensaios de rua um praticável para que os diretores de harmonia observem o desfile do alto, simulando a visão dos julgadores. Além disso, o local das “cabines” já estava demarcado, mais uma amostra da seriedade e da metodologia de trabalho da escola de Niterói.
Outros Destaques
As musas brilharam com intensidade e carisma. Todas muito bem vestidas, com figurinos representativos e repletas de samba no pé, mostraram que a beleza na Viradouro é acompanhada de muita atitude e entrega.
A ausência da rainha de bateria, Juliana Paes, foi sentida, mas a atriz já é esperada para o próximo ensaio de rua. Em contrapartida, mestre Ciça, homenageado e comandante da “Furacão Vermelho e Branco”, foi o centro das atenções. À frente de seus ritmistas, ele mostrou porque é lenda viva do carnaval: co “paradão” foi executado com precisão e alma. O som poderoso ecoou pela Amaral Peixoto e fez o público vibrar.
O samba ecoou ainda mais forte na Estrada do Portela. Na noite do último domingo, a Portela abriu a temporada de ensaios de rua e fez vibrar Oswaldo Cruz e Madureira. A comunidade cantou em coro o samba de 2026, guiada pela voz melodiosa e presença generosa de Zé Paulo Sierra, novo intérprete da escola. Com uma comissão de frente que demonstrou vitalidade e precisão nos movimentos e o casal de mestre-sala e porta-bandeira evoluindo com cumplicidade, a escola inaugurou um novo capítulo de sua centenária história. Em 2026, a azul e branco levará à Sapucaí o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues. A Portela será a terceira escola a desfilar no domingo de varnaval.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente da agremiação, Júnior Escafura, avaliou o primeiro treino da temporada. “Estou muito feliz com esse primeiro ensaio, porque a gente olha e vê o componente satisfeito, berrando o samba, evoluindo, brincando. É isso que a gente quer: uma Portela solta, alegre, divertida, carregada no dendê. Acho que a Portela nunca tinha saído tão cedo, geralmente a escola vem para a rua entre o meado e o fim de novembro, mas antecipamos o nosso planejamento para que a gente possa fazer um Carnaval grandioso como a Portela”, declarou Escafura, que assumiu a presidência da escola em maio.
Sobre a atual fase da agremiação, Escafura enxerga um movimento de resgate da raiz e de modernização da maior campeã do Carnaval. “Não sei se seria uma nova Portela, acho que pode ser que seja a velha Portela. A escola está resgatando a sua essência, a sua raiz, mas sem perder a modernidade. A Portela tem fala de ser a escola que emociona. A gente quer emocionar e ao mesmo tempo ter aquela energia de escola que briga pelo título”.
Comissão de frente
Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO
Com a coreografia de Cláudia Mota e Edifranc Alves, a comissão de frente da Portela abriu o ensaio de rua com energia contagiante e movimentos precisos. O grupo apresentou uma performance que mesclou a dança dos orixás com gestos coreográficos inspirados no refrão principal, como o braço na parte que se canta “carregada no dendê” e o movimento das mãos evocando a coroa de Bara. Essa fusão entre gestualidade sagrada e popular foi executada com o samba na ponta da língua, cantado com força e entrega, equilibrando presença cênica e participação comunitária.
Mesmo sem apresentar ainda a coreografia oficial, Mota e Alves já deixaram ver a preocupação com a cabine espelhada do novo modelo de julgamento. A coreografia incluiu aberturas de roda, giros e interações que dialogavam com o público dos dois lados da rua, sinalizando uma encenação pensada para os dois lados da Sapucaí. Vitalidade, precisão e diálogo com o público marcaram a apresentação, um dos quesitos mais vibrantes da noite.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Marlon Lamar e Squel Jorgea mostrou, no primeiro ensaio de rua, uma dança marcada pela cumplicidade e sintonia. Os dois evoluíram com leveza e presença, deixando transparecer o resultado de um trabalho de estudo e preparação contínua. A cada giro e entrelaçamento de braços, o casal parecia reafirmar o elo de confiança que sustenta a condução do pavilhão portelense.
Se a comissão de frente trouxe o refrão principal em seus movimentos, o casal dialogou com outros momentos do samba, incorporando gestos que traduzem musicalidade e ancestralidade. No trecho que evoca o terreiro e a fé nos orixás, Marlon e Squel saúdam o chão da Estrada do Portela. Uma apresentação elegante, que fez do pavilhão um símbolo vivo da espiritualidade e da memória portelense.
Squel destacou a dimensão técnica dos ensaios de rua no processo do casal: “A rua é sempre um grande ensaio. Um grande teste. É aqui que a gente alinha tudo: o canto, a evolução, acerta detalhes, vê o que pode e o que não pode. Hoje foi um primeiro grande teste para a gente. Agora sai daqui, vai estudar os vídeos, ver o que deu certo, o que não deu, o que pode melhorar, o que precisa mudar. Hoje aqui é o grande teste”.
Para Marlon, é na rua que o carnaval começa a pulsar de verdade. “Eu começo a sentir que o Carnaval está chegando quando a gente volta pra rua”, afirmou o Mestre-sala, que define Madureira como “a capital do samba, o lugar onde tudo pulsa, onde o povo faz o Carnaval acontecer”. Ele vê o ensaio de rua como um reencontro entre a comunidade e a águia portelense: “Estar aqui é me sentir em casa, é o encontro mais simbólico entre a comunidade e a nossa águia”. Sobre o trabalho apresentado, Marlon destacou que o casal levou “o corpo da coreografia, ainda com coisas para aprimorar, mas já mostrando um pouco do grande espetáculo que queremos levar pra avenida”. E concluiu: “Vai ser um ano emocionante, de muita dança, ancestralidade e criatividade. Uma Portela viva, quente, carregada no dendê”.
Harmonia e Samba-Enredo
O primeiro ensaio de rua evidenciou um dos maiores trunfos da Portela neste início de temporada: o canto forte e vibrante de sua comunidade. A voz azul e branca tomou conta da Estrada do Portela com potência e emoção, especialmente nos refrões do samba, entoados com intensidade e alegria, como em “Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar”. No decorrer do samba, há uma leve queda no volume, mas o canto segue presente, demonstrando que o samba de 2026 já está bem trabalhado na boca do portelense.
O destaque da noite foi o novo intérprete, Zé Paulo Sierra, que conduziu o ensaio com generosidade e carisma. Com uma postura afetuosa, Zé Paulo dialogou com a comunidade. Em certo momento, convidou os moradores dos prédios da Estrada do Portela a acenderem e apagarem as luzes de seus apartamentos, fazendo com que os edifícios piscassem. As luzes piscando dos prédios sintetizaram a acolhida da comunidade e marcaram o início de uma nova relação entre cantor e escola.
Em um momento em que a Portela ainda vive o luto pela perda de Gilsinho, sua maior referência de voz, Zé Paulo chega com humildade e serenidade, conquistando espaço pelo afeto e pela presença.
“Tudo é muito novo pra mim. Sou um privilegiado por estar aqui, vivendo esse momento. O Gilsinho era um irmão, um baluarte do samba. Nada disso estaria acontecendo se ele estivesse aqui. Então vivo cada segundo como se fosse o último, com respeito, com gratidão e com amor à Portela”, declarou Zé Paulo.
Evolução
Com um trajeto menor, devido à realização da Feira das Yabás nas proximidades da Portelinha, a Portela fez seu primeiro ensaio de rua para 2026. A passagem mais curta, porém, não diminuiu o brilho da noite, apenas reforçou um ponto fundamental para o desenvolvimento da escola: a necessidade de fluir. A Portela precisa evoluir de forma mais leve e natural, permitindo que o componente se sinta à vontade para brincar, cantar e dançar, sem rigidez.
O samba já está na boca do portelense, o canto vem forte e espontâneo. O desafio, agora, é transformar esse canto em movimento. Deixar que o samba se corporifique e guie o passo da escola, para que a alegria conduza a evolução.
Alguns fatores externos, no entanto, ainda interferem nesse processo: a geografia da Estrada do Portela, com suas curvas e estreitamentos, e a presença do público, que mesmo com a rua gradeada, por vezes avança sobre o espaço da escola. Encontrar essa fluidez será fundamental para que a águia voe solta e harmoniosa nos próximos ensaios.
Outros Destaques
Entre os destaques da noite, brilhou a rainha de bateria, Bianca Monteiro, uma das presenças mais queridas da Portela. Mais do que a imponência de seu samba no pé, Bianca reafirmou o laço afetivo com a comunidade, em especial com as crianças portelenses. Durante o ensaio, sambou com as pequenas da Estrada do Portela, posou para fotos e distribuiu abraços, gestos de quem pertence ao cotidiano da azul e branco.
“Tem crianças aqui que eu peguei no colo e hoje estão sambando comigo. Estou há nove anos à frente da bateria e vejo essas meninas crescendo, se tornando parte da escola. É muito bonito ver o carinho, esse amor, essa troca. Todo dia eu rego essa relação com a comunidade, porque lidar com pessoas é regar amor e respeito. A Portela mexe com a alma das pessoas, e é com essa energia que eu quero seguir”, disse Bianca ao CARNAVALESCO.
Outro destaque foi a presença de John Sorriso, muso LGBT da Corte do Carnaval Carioca 2026, que participou do ensaio como destaque da ala de passistas. Carismático e vibrante, John somou energia e diversidade à noite portelense, reforçando o espírito de inclusão e alegria que marca a nova fase da azul e branco.
A Imperatriz Leopoldinense abriu, no último domingo, sua temporada de ensaios de rua para o Carnaval 2026 em alto nível, mostrando a mesma pegada, organização e alegria que fizeram da escola uma das principais potências dos últimos carnavais. Um ensaio que nem parecia ser o primeiro, tamanho o entrosamento dos componentes com o samba e a fluidez da evolução em todo o trecho da Rua Euclides Faria, em Ramos. A agremiação realizou um treino bastante performático, no melhor estilo de Ney Matogrosso, homenageado pela escola no enredo “Camaleônico”, desenvolvido por Leandro Vieira. A bateria, comandada por mestre Lolo, levantou os componentes e o público presente com diversas bossas, sendo outro ponto alto da noite.
A comissão de frente, comandada por Patrick Carvalho, apostou em uma coreografia de forte performance corporal, dança e expressões faciais, remetendo às principais facetas artísticas de Ney Matogrosso. A apresentação foi bem dividida e demonstrou grande entrosamento entre os integrantes, resultando em um desempenho de alta qualidade nas três paradas utilizadas pela escola ao longo do percurso.
Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
Mestre-sala e Porta-bandeira
Phelipe e Rafaela vivem um momento espetacular desde que retomaram a parceria para o Carnaval 2023. Neste primeiro ensaio, mostraram que a excelência do casal segue intacta. Uma apresentação leve, limpa e contagiante, de um casal completamente entrosado, com técnica apurada em cada movimento. A performance foi marcada por naturalidade, com coreografias pontuais, especialmente no trecho “Se joga na festa, esquece o amanhã”. Um desempenho à altura de um dos principais casais da atualidade.
Rafaela falou sobre a importância dos ensaios de rua para a escola e para o casal: “Eu particularmente gosto muito dos ensaios de rua porque a gente utiliza bastante a questão do preparo físico durante o percurso. Também é aquele termômetro do que podemos levar para a avenida. Claro que não mostramos tudo o que faremos lá, mas boa parte dos movimentos a gente traz pra rua, pois é através do termômetro da comunidade e da imprensa que conseguimos ver se estamos no caminho certo. O calor da comunidade vibrando com nosso ensaio é único, nos alimenta”, afirmou.
Evolução
Os componentes da Imperatriz seguiram à risca o recado do samba: “Se joga na festa, esquece o amanhã” e entraram na pista de ensaio como se nada mais existisse além daquele momento. Uma escola que pulsou, viveu cada segundo e matou a saudade de evoluir cantando forte e brincando. A comunidade mostrou-se ávida por estar ali, resultando em uma evolução irrepreensível durante todo o percurso, mesmo sendo o primeiro ensaio.
Foto; Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
As alas apresentaram pequenas coreografias de mão, sem perder a naturalidade, o que contribuiu para uma escola solta e feliz. O ritmo da evolução foi linear e fluiu com naturalidade do início ao fim.
O diretor de carnaval, André Bonatte, analisou a força dos ensaios da verde e branca: “Sempre digo que os ensaios de rua têm importância em vários aspectos. A acústica é diferente da quadra, não há reverberação do som, e temos uma dinâmica de harmonia mais próxima do que encontraremos na Sapucaí. O que mais gosto é que só temos um carro de som, conseguimos perceber melhor o canto da escola. As alas mais distantes precisam cantar de verdade, e isso nos mostra os pontos fortes e os que ainda precisam de ajuste. Hoje foi uma grata surpresa para um primeiro ensaio. A cada ano, percebo mais o quanto a Imperatriz joga limpo com a comunidade. É uma escola responsável na entrega de fantasias, com uma presidente como Cátia, uma administradora incansável, e um carnavalesco como Leandro, que é obcecado pelo trabalho. Essa dedicação gera uma troca com a comunidade, e o resultado é essa entrega maravilhosa e o impacto que vimos hoje”.
Samba e Harmonia
Se a escolha pela junção de parcerias gerou burburinho e dúvidas entre sambistas, o desempenho do samba neste primeiro ensaio dissipou qualquer questionamento. Quase todos os trechos funcionaram muito bem, com destaque para a sequência do bis “Se joga na festa, esquece o amanhã…”, seguida do refrão de cabeça “Vem, meu amor, vamos viver a vida, bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina”, que ecoou com força até o fim do ensaio, impulsionando os componentes.
Pitty de Menezes demonstrou total domínio sobre as nuances da obra e, bem acompanhado pelo carro de som da escola, conduziu o canto com categoria. O refrão do meio “Eu sou o poema que afronta o sistema, a língua no ouvido de quem censurar, livre para ser inteiro, pois sou homem com H” teve excelente rendimento.
Foto; Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
O canto da comunidade impressionou para um início de temporada: firme, uniforme e vibrante do início ao fim. Mesmo nos trechos de menor intensidade, a escola manteve potência e emoção.
“Eu estou arrepiado. Pra mim, foi o melhor ensaio que já fiz na Imperatriz desde que cheguei aqui. Foi emocionante! A escola estava cantando antes de eu começar. A comunidade da Leopoldina desceu, veio pro ensaio e gritou o samba. E eu já avisei pra todo mundo que tinha dúvidas: esquece. Quando o samba for pra rua, esquece, está aí, na boca do povo. A prova foi o show que se viu hoje”, declarou Pitty de Menezes.
Outros Destaques
A bateria, de mestre Lolo, trouxe diversas bossas e as executou em praticamente todas as passadas, aquecendo ainda mais o excelente ensaio. A rainha de bateria, Iza, marcou presença com simpatia e elegância. A musa Carmen Mondego brilhou à frente do primeiro setor, com muito samba e carisma. A ala das baianas surgiu com uma bonita roupa branca e cantou com empolgação.
No fim do ensaio, uma ala bastante performática, formada por integrantes LGBTQIA+, chamou a atenção pela alegria e irreverência, com rostos pintados e figurinos coloridos, simbolizando a pluralidade da homenagem a Ney Matogrosso.
A noite do último domingo foi histórica para a Acadêmicos de Niterói. O centro da cidade, mais precisamente a Avenida Amaral Peixoto, contou com um público entusiasmado que acompanhou o primeiro ensaio de rua da escola rumo ao Carnaval 2026. Cantando o samba com força e emoção, a comunidade niteroiense protagonizou cenas marcantes ao fazer o “L”, símbolo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma adesão espetacular ao enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins. A Niterói abre os desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2026, no domingo de carnaval.
O intérprete Emerson Dias comandou um trabalho impecável à frente do carro de som. Com potência e alegria, soube dosar emoção e ritmo nos momentos certos, conduzindo a escola com energia contagiante. A arrancada foi arrebatadora e criou uma comunhão entre componentes e o público.
O samba-enredo, de autoria de Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr, mostrou sua força já neste primeiro treino. O refrão principal ecoou pela Amaral Peixoto como um dos mais promissores da temporada. Para uma escola ainda jovem, o nível de canto nas alas surpreendeu positivamente: a maioria cantou com empolgação. Em alguns setores, canto ainda é necessário e deve ser aprimorado.
Comissão de Frente
Comandada pelos coreógrafos Handerson Big e Marlon Cruz, a comissão de frente apresentou um trabalho cênico que mescla homens e mulheres, o grupo dançou com expressividade durante toda a exibição. A coreografia trouxe referências à fé, à vida dura do nordestino e à luta sindical. Em meio às performances, frases emblemáticas eram ditas pelos integrantes, como “quem tem fome tem pressa”. Não houve momentos de polêmica e nem picos de espetáculo visual. Foco esteve dentro da narrativa do samba-enredo.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Estreantes no Grupo Especial, Emanuel e Thainara demonstraram maturidade e entrosamento. Em todas as simulações nas “cabines de julgadores”, o casal mostrou postura exemplar e desenvoltura.
Thainara, um dos grandes destaques da noite, exibiu movimentos intensos e cheios de vigor. Emanuel soube valorizar e sustentar cada giro da parceira, evidenciando cumplicidade e precisão na dança. Foi uma estreia de encher os olhos e promissora.
Evolução
O primeiro ensaio mostrou uma escola com ótimo contingente. A Amaral Peixoto, larga e desafiadora, foi totalmente preenchida pelos componentes, um sinal de organização.
As alas mantiveram boa movimentação ao longo de todo o percurso. Ainda há espaço para evoluir em vibração e fluidez, mas o desempenho geral foi bom. Na passagem pela bateria e nos recuos, não se observou buracos ou falhas, o que reforça o preparo do elenco para os próximos treinos.
Fotos: Alberto João/CARNAVALESCO
Outros Destaques
O ensaio também foi marcado pela presença de diversos políticos. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, acompanhou a apresentação.
As baianas ensaiaram vestindo branco e a camisa do enredo de 2026. À frente da bateria, comandada com talento por mestre Branco, a ala de passistas, vestida de azul e branco, as cores da escola. A rainha de bateria, Vanessa Rangeli trocando olhares e gestos de cumplicidade com os ritmistas.
A quadra da Inocentes de Belford Roxo foi palco de uma noite especial, no último domingo, quando Camila Beatriz foi coroada rainha da escola. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a nova majestade falou sobre o significado do convite, as referências que a inspiram e a responsabilidade de representar a agremiação da Baixada Fluminense. Camila contou que o convite chegou de forma natural e repleta de emoção.
“Senti uma profunda alegria, pois Belford Roxo fez parte da minha história por muito tempo. Receber o convite para retornar a essa cidade como rainha da escola foi uma experiência incrivelmente feliz, e não encontro palavras para descrever minha gratidão neste momento”, declarou.
Com postura serena e confiante, a nova rainha destacou suas inspirações no mundo do samba.
“Admiro muito Paolla Oliveira e Viviane Araujo, além de acompanhar o trabalho de Carolane Silva, rainha da nossa bateria. Cada uma tem sua singularidade, e todas são admiráveis. Aprendo com cada detalhe que observo nelas”, afirmou.
Camila exercerá um papel de destaque à frente da escola, assumindo com entusiasmo e comprometimento a missão de representar a Inocentes.
“É uma grande responsabilidade, pois representamos toda a nossa comunidade. Pretendo dar o meu melhor, com alma e muito amor”, disse, acrescentando que ainda não pode revelar detalhes de seu figurino.
“Será uma surpresa para vocês! Mas tudo indica que será algo extraordinário”.
Sobre o momento que vive, Camila ressaltou o equilíbrio emocional e espiritual que a acompanha. “Mantenho-me em paz, com o coração tranquilo, pois coloco Deus à frente de tudo o que faço. Ele guia meu coração, e é com essa calma e paz que me preparo para que tudo seja grandioso”.
O presidente da Inocentes, Reginaldo Gomes, também conversou com o CARNAVALESCO e explicou que a coroação de uma rainha da escola não é novidade na agremiação.
“Já tivemos outras rainhas antes. Letícia Guimarães, por exemplo, foi rainha por três ou quatro anos consecutivos, após deixar o posto de rainha de bateria. No ano passado, tivemos uma passista e uma musa como rainhas. Este ano, convidamos a Camila, que é moradora de Belford Roxo e nutria o sonho de participar desse processo. Ela está organizando uma bela festa para celebrar o momento”, destacou.
Presidente da Inocentes, Reginaldo Gomes
Reginaldo aproveitou para comentar as expectativas para o Carnaval 2026. “Teremos um carnaval muito forte, com um bom samba e um intérprete que considero um dos melhores do Rio. Nosso carnavalesco é muito competente, e temos uma equipe pronta para levar a Inocentes de volta ao Grupo Especial”, afirmou.
A escola da Baixada foi a primeira a anunciar o enredo e também a realizar ensaio de rua. “Essa antecipação foi positiva. Começamos cedo e estamos confiantes. Esperamos ser os primeiros também no resultado final do desfile”, completou o presidente.