Início Site Página 1479

‘Por Onde Anda?’: Paulinho Mocidade se dedica à carreira fora do carnaval: ‘o samba-enredo está muito encomendado’

0

Paulinho01O site CARNAVALESCO inicia hoje a série de reportagens “Por Onde Anda?”, que tem o intuito de trazer para os leitores o que andam fazendo alguns dos nomes que marcaram a história do carnaval carioca, mas que nos últimos anos estão afastados da festa. E o primeiro a conversar com a reportagem é o cantor e compositor Paulinho Mocidade.

No bate-papo, o sambista falou como tem sido o período da pandemia para ele. “Todo cuidado é muito pouco com um vírus invisível, tremendamente perigoso e que já causou milhares e milhares de mortes pelo mundo. Estou me cuidando neste aspecto e escrevendo algumas músicas, formatando alguns projetos muito legais, que assim que essa pandemia der um tempo, a gente vem com tudo”, relatou.

Nascido e criado na Zona Oeste do Rio, Paulo Costa Alves despontou no mundo samba como compositor da Mocidade Independente de Padre Miguel, agremiação esta que carrega em seu nome artístico até hoje. Participou da criação de obras que embalaram desfiles clássicos da Verde e Branca, mas se consagrou de fato na folia ao assumir o microfone oficial da escola, em substituição ao lendário Ney Vianna. Logo na estreia, em 1990, sagrou-se campeão na Avenida ao entoar o “Vira, virou: a Mocidade Chegou”.

Ao longo dos anos, construiu uma carreira vitoriosa, com passagens aínda por agremiações como Unidos da Tijuca, Império da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense no Rio, além da Águia de Ouro na folia paulistana. No entanto, desde 2014, está afastado da Marquês de Sapucaí, depois de comandar, por dois anos consecutivos, o carro de som da Acadêmicos de Santa Cruz, na Série A.

“Na época em que saí da Acadêmicos de Santa Cruz, o presidente queria renovar. Agradeci, mas recusei. Estava com alguns projetos, fazendo em estúdio um novo disco, que foi o sétimo da minha carreira, chamado ‘Como é bom’, e eu queria dar um tempo em escola de samba. Minha vida toda foi dentro de escola de samba”, pontuou.

Paulinho02Na sequência, Paulinho Mocidade seguiu explicando a decisão de se afastar da festa. “Carnaval eu já fiz o que tinha de fazer. Fui tetra campeão na Sapucaí, sendo bi-campeão na Mocidade e bi-campeão na Imperatriz Leopoldinense. Tive alguns sambas antológicos na carreira, na Mocidade, como ‘Elis, um trem de emoções’ de 1989 e ‘Como era verde o meu Xingu’ de 1983, além de ‘Sonhar não custa nada, ou quase nada’ de 1992 que a imprensa considera o maior samba da história da Mocidade e um dos 20 maiores sambas-enredo de todos os tempos. Me sinto muito honrado e orgulhoso por isso”, prosseguiu.

Porém, mesmo focado na carreira fora do carnaval e afirmando que já “fez o que tinha de fazer” ao longa da sua trajetória na folia, Paulinho Mocidade não descarta um retorno. De acordo com o intérprete, algumas conversas para uma possível volta chegaram até mesmo a acontecer recentemente. “Tive até um namorico agora, logo após o Carnaval e antes de começar a pandemia, ali no período de fevereiro março, aqui no Rio e também São Paulo. Mas não sei, eu acho que já fiz tudo que poderia fazer na Sapucaí. Sinto falta sim, até por causa do público que cobra minha presença, e agradeço a todos que torcem, que gostam do meu trabalho”, declarou.

Paulinho Mocidade ainda opinou acerca de algumas tendências que tomaram conta da festa nos últimos anos. “O samba de enredo está muito complicado, muito encomendado… Isso é muito ruim para história das escolas de samba, para história da alas de compositores, onde tem muita gente competente e talentosa, que a cada carnaval perde espaço para um outro segmento de pessoas, para denominadas firmas. Tem um lado positivo nisto tudo que até aplaudo, mas por outro eu não aplaudo não”, avaliou. “Uma escola de samba é composta, basicamente, pelo canto, pelo ritmo e pela dança. Essa é a espinha dorsal e ela não pode ser ignorada. Esses três segmentos tem que ser valorizados e muito”, finalizou.

Gabriel David explica próximos passos para reabertura de quadras e barracões

0

gabrielUm dos líderes nas negociações entre escolas de samba e poder público para a retomada dos eventos do mundo do samba, o empresário Gabriel David explicou por meio de suas redes sociais como se dará o processo de reabertura das quadras na próxima fase de retomada prevista pelas autoridades sanitárias.

“As quadras servem como espólio econômico nas comunidades. Existem projetos sociais que devem poder voltar. Vamos elaborar o protocolo e dentro de mais ou menos um mês iremos apresentar às autoridades de saúde. A partir deste momento saberemos as possibilidades de reabertura e de que maneira”, disse Gabriel.

Ainda de acordo com o dirigente da Beija-Flor, os barracões já podem ser reabertos, uma vez que se enquadram no modelo de fábricas e escritórios. Mas Gabriel informa que isso deve ser feito com organização e planejamento das escolas.

“Barracões já podem reabrir no modelo de fábricas e escritórios. Não significa necessariamente a volta da produção. Mas a partir do momento que se decida algo alternativo no lugar dos desfiles para 2021, é preciso estar organizado para conseguir o retorno sem maiores problemas”, explicou.

‘Quem trabalha com o carnaval, tem que estar preparado para tudo’, afirma Alex de Souza

0

alex de souza por alex nunesSem previsão de data e nem mesmo de como irá acontecer, tudo que envolve o próximo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro trata-se de uma incógnita. Porém, mesmo em meio às incertezas, diversos artistas da festa seguem ativos e atuantes, no processo de criação e desenvolvimento do espetáculo.

A partir de hoje, o site CARNAVALESCO inicia uma série de entrevistas especiais acerca da produção e do planejamento do Carnaval de 2021. O primeiro nome entrevistado foi Alex de Souza, que no próximo desfile, irá assinar o seu quarto trabalho no Salgueiro. Confira abaixo:

CARNAVALESCO: Como tem sido o período de pandemia para você?

Alex de Souza: “Tenho cumprido a quarentena, mesmo assim, a preocupação continua. Espero que esse pesadelo termine”.

CARNAVALESCO: E como funciona o seu processo de criação do desfile em meio a tudo que está acontecendo?

Alex de Souza: “Da mesma forma que os anos anteriores: em casa, pesquisando e desenhando. Isso não foi alterado. A diferença é que não existe um calendário”.

CARNAVALESCO: De que forma o enredo do Salgueiro para 2021 (“Resistência”) dialoga com este atual momento?

Alex de Souza: “Resistência é unir forças. Assim como no enredo, é bonito ver a capacidade que o povo do samba teve em promover ações sociais, como a diretoria do Salgueiro e demais escolas de samba ou como a iniciativa do Wagner Gonçalves com o Barracão Solidário, no auxílio aos trabalhadores do carnaval”.

CARNAVALESCO: Qual a sua opinião acerca do adiamento dos desfiles de 2021?

Alex de Souza: “Já era de se esperar que não fosse ocorrer em fevereiro. A expectativa é se haverá condição de acontecer, ainda que de forma alternativa, ainda em 2021. Até agora não se chegou á uma vacina eficaz, daí até imunizar a população e recursos para garantir a realização… Ninguém tem resposta”.

CARNAVALESCO: Está preparado para fazer alterações no projeto, caso haja redução no número de alegorias ou outras mudanças no regulamento por exemplo?

Alex de Souza: “Quem trabalha com o carnaval, tem que estar preparado para tudo. Quem já enfrentou incêndio, interdição em barracão, dificuldades financeiras e todo tipo de adversidade que sofri e que outros carnavalescos sofreram, não se assusta com mais nada. Importante é se sentir seguro para realizar”.

Quadras poderão ser reabertas na próxima fase de retomada no Rio de Janeiro

0

RetomadaO Rio de Janeiro vem aos poucos retomando as suas atividades econômicas que foram paralisadas em virtude da pandemia do novo coronavírus. Na próxima etapa de flexibilização as quadras das escolas de samba devem ser contempladas com a liberação de funcionamento parcial.

A proposta foi debatida em uma reunião realizada nesta terça-feira na Prefeitura do Rio. Participaram do encontro, além de Gabriel David, da Beija-Flor, Júnior Scafura da Portela, Jorge Castanheira e Luiz Gustavo Mostof da Liesa, o vereador e ex-secretário de Eventos, Felipe Michel, a secretária de Saúde, Bia Busch, e o superintendente da Vigilância Sanitária, Flávio Graça.

Na pauta a criação de uma comissão afim de elaborar um protocolo sanitário que será apresentado ao comitê científico da Prefeitura. A expectativa é que os eventos nas quadras sejam liberados na próxima fase de retomada, a partir de 1 de novembro, com 50% da capacidade.

Em relação ao Carnaval, haverá uma nova reunião na próxima semana na Fiocruz para avaliar o andamento dos testes da vacina contra a covid-19 e tentar definir uma data no calendário do ano que vem.

Candidatos à Prefeitura do Rio opinam sobre verba para o carnaval e se apoiam os desfiles em outa data no ano que vem

0

UrnaOs candidatos à Prefeitura do Rio foram convidados para um game proposto pelo Jornal O Globo, onde tiveram de responder perguntas sobre diversos assuntos da cidade. Duas dessas perguntas tratavam do carnaval especificamente. 13 dos 14 candidatos participaram. Apenas Henrique Simonard (PCO) não respondeu aos questionamentos enviados.

O primeiro questionamento proposto pelo jornal foi acerca da realização do próximo desfile no Sambódromo. A Liesa já tomou a decisão de adiar o evento em virtude da pandemia do novo coronavírus. Mesmo assim o veículo perguntou aos candidatos se os desfiles devem ser adiados para o meio do ano que vem. Oito candidatos responderam que depende, cinco disseram concordar com a decisão de adiamento e nenhum declarou estar em desacordo com o adiamento. Veja abaixo a resposta de cada um.

O carnaval deve ser transferido para o meio do ano de 2021?

Bandeira de Mello (REDE): “Depende da avaliação das autoridades de saúde.”

Benedita da Silva (PT): “Depende. A candidata não justificou a resposta.”

Clarissa Garotinho (PROS): “Sim. Porém, isso tem que ser planejado com o trade de turismo, com as escolas de samba e com associações de blocos.”

Cyro Garcia (PSTU): “Depende. Desde que até lá estejam regularizadas as condições sanitárias e as aglomerações não impliquem em riscos.”

Eduardo Paes (DEM): “Depende. Volto a dizer que a primeira coisa que temos de pensar é na segurança da população e tomar decisões baseadas na medicina. Esse calendário único para o carnaval em julho, proposto pelo ACM Neto, pode ser uma boa alternativa.”

Fred Luz (NOVO): “Depende. Determinados eventos devem ser realizados na data natural, religiosa, e outros eventos de maior complexidade poderão ser adiados para alguma outra data.”

Glória Heloíza (PSC): “Depende. Prefiro que não, mas se for necessário, para a segurança de todos, que assim seja. Na minha gestão irei dialogar com os promotores e dirigentes do carnaval, com o intuito de encontrar soluções para que tenhamos um grande evento.”

Luiz Lima (PSL): “Sim. Aparentemente não há mais tempo hábil para as escolas se organizarem para os desfiles no começo do ano. O carnaval é muito importante para a cidade, para o turismo, hotéis, restaurantes, bares. É uma festa carioca.”

Marcelo Crivella (REPUBLICANOS): “Depende. O candidato não justificou a resposta.”

Martha Rocha (PDT): “Sim. É preciso dialogar para chegarmos a um entendimento acerca das condições de realização do carnaval em outro período. O importante é garantir as condições sanitárias e não prejudicar a grande economia que gira em torno do carnaval.”

Paulo Messina (MDB): “Sim. O candidato não justificou a resposta.”

Renata Souza (PSOL): “Depende. Se houver vacina, sim. Mas se até lá não houver imunização da população, o carnaval deve esperar.”

Suêd Haidar (PMB): “Sim. Porque ainda não temos uma vacina que evite a COVID-19. Ineditamente, grandes eventos mundiais foram adiados. O carnaval deve ser adiado com dialogo e chamando os cientistas para proporem um modelo adequado de organiza-lo neste período difícil que estamos vivendo.”

A segunda pergunta deu origem a um dos maiores debates da gestão de Marcelo Crivella. A Prefeitura deve apoiar financeiramente as escolas de samba? Durante o mandato do pastor, houve significativa redução do apoio e um embate grande entre o prefeito e os dirigentes de ligas e agremiações. Os candidatos foram maioria em concordar com o apoio financeiro da prefeitura. Sete concordam e três responderam que depende. Clarisa Garotinho (PROS), Fred Luz (NOVO) e Marcelo Crivella (REPUBLICANOS) disseram discordar da subvenção pública dada às escolas. Veja todas as respostas abaixo.

Você concorda com o patrocínio da prefeitura para escolas de samba?

Bandeira de Mello (REDE): “Depende. É preciso uma avaliação de custo-benefício e prestação de contas com transparência.”

Benedita da Silva (PT): “Sim. A candidata não justificou a resposta.”

Clarissa Garotinho (PROS): “Não. Mas é importante que a prefeitura garanta a realização do evento até que o setor privado seja capaz de arcar com tudo sozinho. É um evento que atrai turistas, além de gerar emprego e renda na nossa cidade.”

Cyro Garcia (PSTU): “Sim. O carnaval é uma das manifestações culturais mais importantes de nossa cidade, além dos impactos positivos na economia.”

Eduardo Paes (DEM): “Sim. O carnaval é uma manifestação cultural importantíssima e tem um retorno financeiro gigantesco para a cidade por causa do turismo. O caminho ideal é que o poder público estabeleça as condições necessárias para que as escolas conquistem autonomia financeira e não precisem mais do patrocínio da prefeitura.”

Fred Luz (NOVO): “Não. A Prefeitura deve criar condições e apoiar para que o carnaval seja rentável para os promotores do evento.”

Glória Heloíza (PSC): “Sim. Com certeza! Uma gestão eficiente e transparente do Carnaval do Rio, internacionalmente reconhecido, será uma de nossas fontes permanentes para a geração de emprego e renda. O Rio é vocacionado para o turismo amplo, incluindo aquele promovido pelos grandes eventos, espetáculos e negócios.”

Luiz Lima (PSL): “Sim. Todos que têm retorno com as escolas de samba devem patrocinar o espetáculo. Prefeitura, televisão, fornecedores, rede do turismo, todos ganham com o carnaval carioca.”

Marcelo Crivella (REPUBLICANOS): “Não. O candidato não justificou a resposta.”

Martha Rocha (PDT): “Depende. Da forma como era feito, com a distribuição de dinheiro, sou contra. Mas se forem definidos critérios transparentes e contrapartidas que aproximem as escolas de suas comunidades, projetos culturais e educacionais ao longo do ano, é adequado.”

Paulo Messina (MDB): “Depende. O candidato não justificou a resposta.”

Renata Souza (PSOL): “Sim. Além de ser um patrimônio cultural, o carnaval traz lucro para a cidade. Vou assegurar a subvenção ao carnaval e medidas de transparência para festa.”

Suêd Haidar (PMB): “Sim. A Prefeitura deve ajudar a desenvolver a cultura na cidade, pois é muito importante para o desenvolvimento humano. Além disso, o carnaval traz recursos para a cidade.”

Wallace Palhares fala sobre o futuro do carnaval da Série A e o momento atual das escolas na pandemia

0

wallace lierjA pandemia do novo coronavírus já provocou a morte de mais de 150 mil brasileiros. Somente no estado do Rio, cerca de 19,3 mil vidas foram perdidas por conta da Covid-19, doença provocada pelo vírus. Em meio a este estado de calamidade pública, as atividades das escolas de samba estão completamente paradas, e a falta de perspectiva acerca de quando haverá uma vacina, tornaram incerto o futuro de quando poderá ocorrer os desfiles, com a devida segurança.

Em plenária realizada no mês de setembro, a Liesa, que gere o carnaval do Grupo Especial, optou pelo adiamento das apresentações de 2021, sem definir uma data. Apesar da expectativa de que a Lierj acompanhe a mesma decisão, o destino dos desfiles da Série A só será definido em uma reunião com representantes das quinze agremiações do grupo e a direção da liga, ainda sem uma previsão de quando será feita.

wallace palharesO site CARNAVALESCO conversou com o presidente executivo da Lierj, Wallace Palhares, sobre o atual momento de indefinições na festa e de fragilidade das escolas. A entrevista completa pode ser conferida abaixo:

CARNAVALESCO: A Lierj tem realizado algum tipo de trabalho ou prestado algum auxílio para as escolas do grupo durante a pandemia?

Wallace Palhares: “A Lierj está procurando ouvir todas as escolas e buscando parcerias. Sempre que pode, a gente está tendo distribuição de cesta básica, através da nossa parceria com a Ação da Cidadania. Estamos procurando ajudar as comunidade das escolas nesse sentido”.

CARNAVALESCO: Existe algum projeto de live ou atividade com as escolas da Série A ainda para este ano ou para o início do ano que vem?

Wallace Palhares: “Nós já fizemos a nossa live com todas as escolas, que foi sucesso absoluto, mas lógico que a gente estuda fazer uma outra. Porém, nesse momento já de abertura, nós estamos analisando com calma, porque até para live a gente precisa de ajuda, precisa de parceiros, e esse momento é um pouco delicado”.

CARNAVALESCO: Caso tenha os desfiles, a Lierj estuda algum tipo de mudança no regulamento?

Wallace Palhares: “Tendo o desfile, até um desfile menor, qualquer mudança de regulamento cabe aos presidentes das escolas, em plenária. A gente escuta todas as sugestões, de todas as escolas, para saber se vai ter alguma mudança ou não. Mas a Lierj em si não decide isso. Quem decide é as escolas”.

CARNAVALESCO: Já em caso de cancelamento do Carnaval 2021, existe a possibilidade da realização de algum evento para não passar o ano em branco?

Wallace Palhares: “A gente estuda com a TV Globo alguma coisa, alguma solução (em caso de cancelamento dos desfiles). Assim como a Liesa está estudando, a Lierj também estuda algo nesse sentido”.

CARNAVALESCO: Quanto as eleições municipais, a Lierj tem conversando com os candidatos?

Wallace Palhares: “A Lierj já conversou com alguns candidatos e sempre está aberta e disposta a conversar com qualquer um que queira dialogar para melhoria do carnaval”.

CARNAVALESCO: Existe hoje a possibilidade da Globo exibir as escolhas de samba, em formato de live, das escolas do Grupo Especial, na TV Paga ou no Globoplay. Há algum projeto deste tipo com a Série A?

Wallace Palhares: “Já temos escola com sambas definidos (para 2021). Então, a gente pensa um outro projeto. Não as escolhas de samba em formato de live, mas a gente pensa em algo para apresentação do samba das escolas ou coisa parecida. Mas, por enquanto, ainda é só conversa”.

Veja como foi: live com os cantores do Acesso e Especial de São Paulo e a entrega do Estrela do Carnaval 2020

0

Em live beneficente, Milton Cunha, cantoras e passistas das escolas defendem legado e arte do samba no pé

1

Milton Cunha reuniu passistas das escolas de samba, na tarde deste sábado, para a live “Passista Ajuda”. O site CARNAVALESCO foi parceiro e transmitiu o encontro.

passistas juntos

“Estou muito feliz, porque são 40 presidentes de alas de passistas, desde a Sapucaí, Especial, até a Intendente. É a luta de manter samba no pé. Dedicaram a Ciro do Agogô, ou seja, tem história, tem cultura, tem luta, porque o samba ele é um traço característico do nosso povo e esses aí são os guardiões desse mistério do tambor corporificado. O corpo dessa gente vibra cultura e eu fico feliz que eles falam, pedem diversidade, respeito, falam das profissões. Acho importantíssimo no mundo do samba o Brasil ver que eles falam, que eles se colocam, que eles estão aí vivendo. Salve os passistas”, disse Milton Cunha.

milton cunha

Veja abaixo depoimentos de sambistas que estiveram na live. Eles falaram sobre a live, a luta pela sobrevivência na pandemia e a importância do passista nas escolas de samba:

viviane

Viviane de Assis: “A importância da inclusão é todos se sentirem iguais, de poder ter oportunidade de chegar aonde quiser, com respeito e dignidade, seja no samba, seja no trabalho, seja aonde for, é muito importante a inclusão em qualquer local, na escola, na vida. Dia 1º de Novembro estarei no Passista Samba no Pé, serei coroada rainha. No dia 25 de outubro estarei no Cristo participando de um evento de pessoas com nanismo, esse é o nosso dia, da luta contra o preconceito a pessoas com nanismo e no próximo carnaval, se não for em 2021, em 2022, serei enredo na escola de Niterói Experimenta da Ilha. Queria agradecer ao Milton Cunha, querido, principalmente, a minha escola, Viradouro, ao meu presidente Marcelo Calil pai e Marcelo Calil filho e a toda a família Viradouro”.

george

George Louzada: “Já venho recolhendo alimentos e fazendo doações desde o início da pandemia para os passistas e alunos. Desde abril eu e minha equipe na Mocidade e na Unidos de Padre Miguel estamos fazendo esse processo. Quando o Milton Cunha colocou em pauta esse projeto eu me vi no direito de somar com a minha força e das minhas alas de passistas visando um grupo maior. O intuito aqui é somar o maior número de passistas e ajudar o maior número de pessoas. É importante que cada diretor, cada coordenador se doe um pouquinho para pensar no próximo e aderir a ideia do Milton Cunha. Tenho um projeto chamado Passos da Zona Oeste, já estamos atuando há oito anos, em média, por ano, temos uns 200 alunos. Não faço testes para admissão nas minhas aulas, todo o passista que tem o sonho de ingressar na ala da Mocidade ou da Unidos de Padre Miguel ele precisa passar pelo projeto que é a base. Ali, a gente forma aquela pessoa e capacita ela para o carnaval porque tem muitas pessoas que tem o sonho de serem passistas, mas nunca foram passistas. O projeto está ali justamente para ensinar essa pessoa a se portar e se tornar um passista ou uma passista”.

aldione

Aldione Sena: “Meu coração é dividido ao meio, metade é verde e rosa e a outra azul e branco porque tenho história nas duas escolas. Histórias de longas datas de desfiles, em uma fiquei 22 anos e na outra 19, Mangueira e Vila Isabel. Comecei a desfilar muito nova, com seis anos de idade, hoje tenho 65 e estou aqui hoje porque como sou uma referência para esses passistas que estão aí, não podia faltar num evento desse, nem o Milton Cunha permitiria. É mais pela representatividade mesmo, estou aqui representando os passistas decanos, que são maravilhosos, e passar para essa garotada a persistência de lutar pela classe e pela cultura do samba no pé. Na minha época éramos considerados tapa buracos ‘passista só serve pra tapar buraco na Avenida’, houve uma evolução muito grande para isso. Hoje, os passistas não são mais tapa buracos, estão à frente das baterias das escolas, algumas ainda mantém eles atrás do carro de som. É um lugar horrível porque eles vêm ali respirando aquele gás carbônico, realmente para quem samba e agora tem que cantar, realmente é muito complicado. Mas devagarinho estamos chegando lá. Só essa mudança do passista não ser mais tapa buraco, já foi uma grande mudança, um reconhecimento dentro das escolas. Eles acabam de sambar, tem uma água para beber, tem a liberdade para se apresentar com os diretores, coordenadores. Estão com mais liberdade pra agir e poder mostrar o trabalho deles junto a ala, isso já é uma evolução”.

passistas serrinha

Junior Lima (diretor da ala de passistas do Império Serrano): “Esse projeto é incrível, com vários outros diretores de outras escolas. A ala de passistas é muito importante para todas as escolas, a gente precisa ser valorizado, respeitado e, ajudar nossos passistas. Nós diretores nunca deixamos de ser passistas é algo muito importante e muito maravilhoso. No Império coordeno a ala com a minha grande amiga Juliana Pinho, esse é o nosso segundo ano, espero que o segundo de muitos. Temos muitos projetos no Império Serrano, espero que essa Covid-19 acabe logo, temos um projeto de gafieira, futuramente queremos fazer um funcional pra trabalhar com o corpo, a aula de samba no pé que é muito importante, mas a gafieira nós queremos juntar com o tradicional e inovar e assim crescer no Império Serrano”.

tina

Tina Bombom (Coordenadora e diretora de passistas da Inocentes de Belford Roxo): “A importância dessa live é grandiosa porque a gente sabe as carências que os passistas passam, principalmente, hoje com o baixo emprego. Você como coordenadora vira mãe, quer ajudar de todas as formas, e, infelizmente, você não tem como abraçar a todos. Qualquer tipo de ajuda, nesse momento, é muito bem-vinda. Essa live não é só pra nós, mas pra todos os passistas de todas as escolas, de todas as séries. O importante é a gente ajudar de alguma forma. As portas no Grupo Especial são mais fáceis de se abrirem. Quando você cita que é de uma escola, as pessoas infelizmente ainda têm aquela história de ‘que meu pavilhão pesa mais’. Isso não existe, o pavilhão tem que ser respeitado independentemente de Série A, Especial, somos todos sambistas, na hora de entrar na Sapucaí a função é a mesma. Se dedicar, dar o melhor, respeitar o próximo, ter samba no pé, que é o que a gente precisa ter. Tento fazer um trabalho com os passistas pra que eles não se sintam menores indiferente se estão no Especial ou no Acesso”.

sandra chocolate

Sandra Chocolate: “Fiquei desempregada na pandemia, como não tinha nada para fazer e gosto muito de maquiagem comecei a fazer cursos on-line. Agora que está dando esse tempo na quarentena, a pandemia não acabou, mas como está dando uma afrouxada na quarentena comecei a fazer outro curso presencial. Sou passista da Portela, guia de turismo e agora maquiadora”.

nilce

Nilce Fran: “A importância dessa live é o reconhecimento, trazer para o povo a energia do samba no pé, dar oportunidade, não só para a aparecer, mas para mostrar a grandiosidade do nosso trabalho, desse segmento maravilhoso. Apesar do compromisso, apesar do trabalho, porque é trabalhoso. Estar fazendo essa live e poder ajudar os nossos é muito importante”.

cristiano tijuca

Cristiano (Coordenador de passistas U. da Tijuca): “A importância da live é muito grande, principalmente, pelo momento que estamos vivendo. A live está acontecendo para gente conseguir captar recursos e dar assistência aos menos assistidos. Muitos passistas, muitas famílias de passistas que estão vivendo em situação de dificuldade, porque muitos são dançarinos do samba, de profissão. Eles estão muito carentes. Nesse momento de pandemia resta a solidariedade. Se nós estamos aqui falando e se tem gente nos ouvindo é porque de certa forma somos privilegiados porque tem gente que não tem nada disso, não tem nenhum meio de comunicação, um teto, uma, casa. Não é algo que a gente ouve falar, todo mundo conhece alguém em situação de dificuldade como eu conheço muitas pessoas por conta do carnaval e por conta de cuidar de uma ala que tem no mínimo 60 pessoas. São 60 famílias, tive vários relatos de passistas com dificuldades, mas a Unidos da Tijuca teve distribuição de cestas básicas, de carne. A Tijuca fez esse movimento e dentro da ala de passistas conseguimos direcionar”.

karinah

Karinah (cantora): “A sensação de estar na live é de alegria, uma mistura de emoções, pessoas do bem. Milton Cunha é um homem que tem um coração muito grande, muito bondoso. Foi uma energia maravilhosa, de algo sublime. Todos esses passistas, essas pessoas queridas, é realmente uma sensação que só que está ali sente, isso o samba proporciona pra gente. A gente está passando uma fase muito complicada, acho que o mundo inteiro está passando por isso, mas essa comunidade, do sambista, do passista, dos músicos, a gente vem sofrendo muito porque realmente a dificuldade é muito maior, não pode ter aglomeração em lugar nenhum. A live é uma forma da gente poder contribuir fazer as pessoas ajudarem de alguma maneira, trazer um pouquinho de alegria, de conforto, de saber que eles estão sendo olhados, sendo cuidados, vistos. Essa é a principal causa dessa live, é a solidariedade. É o que realmente nos faz bem, fazer o amor, o bem ao próximo”.

tete

Bruno Teté (Diretor social da Lierj): “Primeiramente a gente tem muito a agradecer ao Milton Cunha, que é o idealizador desse projeto, que começou no Baile dos Passistas, que aconteceu na Unidos da Tijuca, depois na Mangueira. Quando surgiu essa pandemia, nós que fazíamos parte desse Baile dos Passistas junto com o Milton, que já integrava a ala de passistas do Grupo Especial, da Série A e da Intendente Magalhães, conseguimos fazer uma grande harmonia, uma grande alegria como é nossa associação de velhas guardas, que todas são afiliadas. Essa integração é muito importante porque a baiana foi passista, a velha-guarda foi passista, aqui está a raiz do samba, está a nossa união, aqui está o samba pulsando vivo e que ele sempre resistirá. A Lierj foi a primeira entidade a iniciar ajuda durante a pandemia, juntamente com a Ação da Cidadania. Foi entregue uma tonelada de alimentos”

flavia cantora

Flávia Saolli (Cantora): “Exaltar o passista e a passista no dia de hoje tem toda a importância porque precisamos exaltar a cada segmento de uma escola de samba e sem o passista qual seria a propriedade de uma escola de samba? É fundamental a gente exaltar os passistas, assim como as baianas, mestre-sala e porta-bandeira, sem o passista não tem samba”.

carlinhos juliana

Carlos Rocha (Coordenador de ala da Imperadores Rubro Negro): “É uma visibilidade que a gente precisa ter e sermos reconhecidos também. Nós sabemos sambar e se apresentar. As pessoas têm que ter essa visão do samba sobre a gente”.

milena cantora

Milena Wainer (Cantora): “Essa live é muito importante. Eles precisam de ajuda sempre, mas antes tinham alguns shows, as escolas ajudavam, dependendo dos shows que eles faziam dava pra ter uma ajuda de custo pra eles. Infelizmente, por conta dessa pandemia, nem todo mundo conseguiu auxílio, então ter essa live é muito importante pra mobilizar, principalmente as escolas para que ajudem os passistas, não só eles, outros segmentos das escolas que também estão passando por dificuldade. Já vi gente de carro de som passar por necessidade. Agradeço muito ao Milton pela oportunidade por abrir as portar pra nós, por reconhecer que as mulheres também têm seu lugar no samba, que as mulheres podem ser o que quiserem no samba. Ele dar essa oportunidade pra gente foi muito importante pra gente, com certeza”.

Por Danilo Freitas e Rennan Laurente

Acompanhe agora: Live ‘Passista Ajuda’ com Milton Cunha

0

Crivella faz uso de fake news para atacar carnaval em programa eleitoral

0

crivellaA propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão teve início nesta sexta-feira e já contou, logo no primeiro dia, com afirmações polêmicas relacionadas ao carnaval carioca. Em seu programa de estreia, o atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos), declarou que a Prefeitura do Rio, em gestão anterior à sua, destinava R$ 70 milhões anualmente para a folia e que, nos quatro anos de seu governo, não gastou se quer um centavo com a festa. Além disso, acusou a TV Globo e a Liesa de serem as únicas beneficiárias do espetáculo das escolas de samba.

Após a repercussão das falas de Crivella, o serviço de checagem de dados e apuração de notícias “Fato ou Fake”, do Grupo Globo, publicou uma reportagem desmentido o político. Segundo valores levantados pela matéria no portal público Rio Transparente, entre os anos de 2008 e 2016, a Prefeitura do Rio em nenhum ano chegou a colocar R$ 70 milhões no carnaval da cidade. Neste período, a verba recorde repassada para festa foi de cerca de R$ 50,2 milhões, em 2015.

Outra informação dita por Marcelo Crivella que não procede, segundo o serviço de checagem, é a ausência de gastos com o carnaval durante os últimos quatro anos. Apenas na atual gestão, a Prefeitura do Rio destinou R$ 79,6 milhões para folia, sendo R$ 14,3 milhões apenas em 2020. Uma curiosidade é que em 2019, ano do menor repasse no governo Crivella, o valor colocado na festa foi algo entorno de R$ 13,5 milhões; superior aos R$ 13,2 milhões destinados em 2012, na administração anterior.

Na propaganda eleitoral, o atual prefeito alega que a verba que era referente ao carnaval foi repassada para creches, informação esta que o serviço de checagem não conseguiu comprovar a veracidade. No entanto, a Prefeitura afirma que o número de vagas ofertadas cresceu mais de 10 mil e o valor pago pela administração municipal para os espaços conveniados teve um aumento de R$ 300 para R$ 650 por criança.

Já com relação as declarações contra Liesa e a TV Globo, a matéria trouxe um posicionamento das duas partes. A Liga afirmou que “os recursos vindos da venda de ingressos e dos direitos de transmissão do carnaval são repassados para as escolas que trabalham na confecção de carros alegóricos e fantasias que são doadas aos moradores das comunidades”. A emissora carioca também se defendeu dizendo que “faz historicamente altos investimentos tanto na compra de direitos dos desfiles das escolas de Samba do Grupo Especial de São Paulo e do Rio de Janeiro, como na promoção e na cobertura das festas que representam a maior manifestação de cultura popular do país, fonte de renda para milhares de pessoas envolvidas no espetáculo”.