Atual porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, Rafaela Theodoro, compareceu ao sepultamento do presidente da verde e branco, na manhã desta quinta-feira, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ao falar com o site CARNAVALESCO, ela ressaltou o carinho e a relação que tinha com Luizinho Drumond.
“É uma perda muito grande. Antes de ser meu patrão e dirigente de carnaval, a gente criou um elo muito grande. Foi meu padrinho de casamento. Ninguém nunca está preparado para perder alguém. A ficha não cai. Sem dúvida, ele vai fazer muita falta. Convivi com ele por 10 anos e sempre foi muito presente comigo e com a minha família. Não consigo pensar na falta que vai fazer na minha vida e como pessoa. Confesso que minha ficha ainda não caiu”, disse.
A porta-bandeira explicou que Luizinho foi muito importante em sua vida.
“Tive um pai de sangue muito ausente e ele sempre supriu. Me ajudou muito. Nos conselhos e na amizade. Sou eternamente grata. Ele me pegou desde novinha e acreditou. Tenho uma dívida de gratidão muito grande por ele”.
O cantor e compositor Elymar Santos, amigo de Luizinho Drumond e fervoroso torcedor da Imperatriz Leopoldinense, compareceu ao sepultamento do presidente da verde e branco, na manhã desta quinta-feira, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ao falar com o site CARNAVALESCO, Elymar Santos afirmou que o trabalho de Luizinho Drumond mudou os rumos da Imperatriz.
“Tenho um trabalho que lancei agora e faço homenagem para ele. Digo no DVD que sou Imperatriz antes dele. A escola estava no quintal da minha vida. Ele chegou e transformou. Fez a Imperatriz ser essa escola gigante e respeitada. A gente deve a ele o que a Imperatriz é hoje. Caímos em um acidente e ele colocou de volta no Grupo Especial”, disse.
Elymar ressaltou a generosidade do presidente da Imperatriz.
“Teve uma participação muito grande na minha vida e carreira. A gente sempre trocou figurinha. Sempre foi muito generoso. A única certeza que você tem é que um dia vai morrer. Ele teve oitenta anos bem vivido. Cheios de vitórias. A Leopoldina, que ele é da zona da Leopoldina, perde seu filho maior, ilustre. Através da Imperatriz, a região ganhou o mundo. A nação leopoldinense”.
O cantor comentou que agora não sabe qual será o futuro da verde e branco e citou o tamanho da perde para o carnaval com a morte de Luizinho Drumond.
“O carnaval perde um grande homem que fez grandes coisas. Tudo que posso agora é agradecer por tudo que ele fez e que descanse em paz. Sinceramente, eu não sei o que será da Imperatriz em diante. A escola era o Luizinho e ele era a Imperatriz. Olha que a Imperatriz não era a escola de coração dele. Ele era Império Serrano. Não acredito nisso. É lenda. É impossível. Ele é mais Imperatriz que todo mundo. A cara da Imperatriz”.
Atual mestre-sala da Imperatriz Leopoldinense, Thiaguinho, compareceu ao sepultamento do presidente Luizinho Drumond, na manhã desta quinta-feira, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ao falar com o site CARNAVALESCO, ele ressaltou a importância de Luizinho Drumond em sua vida e como mudou seu cotidiano familiar.
“Tive pouco tempo de momentos de convívio e amizade com ele. Ele falou uma coisa que jamais vou esquecer. Disse que já me assistia antes de chegar na Imperatriz. Ele me ajudou a realizar sonhos até fora do carnaval. Me proporcionou mudança de vida, para mim e minha família, que achava que demoraria anos. Ele nem tinha noção de como é importante para mim”, comentou.
O mestre-sala da Imperatriz contou que perdeu o pai em 2019 e Luizinho Drumond não desamparou em nenhum momento.
“Ano passado, eu perdi meu pai e ele se fez presente. Não deu as costas. Ele transformou minha vida. Agradeço muito ter vido um pouco e tão importantes momentos com ele”.
Uma das principais referências da Imperatriz Leopoldinense, a porta-bandeira Maria Helena compareceu ao sepultamento do presidente Luizinho Drumond, na manhã desta quinta-feira, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ao falar com o site CARNAVALESCO sobre a relação que tinha com Luizinho Drumond, Maria Helena ficou muito emocionada.
“Eu sou suspeita para falar. Ele tinha amor gigante pela Imperatriz. Fiquei 30 anos como porta-bandeira da escola. A Imperatriz vai mudar. Ele nunca desistiu. Tirou do zero e botou no céu”, afirmou Maria Helena.
A eterna porta-bandeira Leopoldinense disse que reunirá força para seguir presente na quadra e no dia a dia da verde e branco.
“Estou arrasada. Vivi anos e anos lá dentro com ele (Luizinho Drumond). Enquanto eu existir vou seguir na escola. Eu sou Imperatriz”.
Desde o início da Pandemia, Lins Imperial e Infantes do Lins juntas vêm adotando ações que visam diminuir o drama social causado pelo vírus. Em março, escola mãe e filha lançaram a campanha “Seja Solidário” que contribuiu para a alimentação de mais de 500 famílias através da distribuição de cestas básicas. A solidariedade das duas escolas de samba foi além e em seguida surgiu mais um projeto: o “Jantinha Solidária” que distribui toda terça-feira um jantar para moradores de rua da região, atendendo 100 pessoas semanalmente e que acaba de atingir a marca de 1.000 pratos doados.
Em meio às tantas dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus com medidas que exigem o isolamento social e consequentemente a redução drástica de oportunidades de trabalho informal às famílias sem renda, a solidariedade tem auxiliado a alimentação nesse momento tão difícil que o Rio de Janeiro e o mundo enfrentam.
Para continuar com o projeto, as escolas recebe diariamente de 9 às 20 horas alimentos não perecíveis, frutas, legumes, carnes, hortaliças, descartáveis, materiais de higiene e limpeza. Para quem preferir fazer a doação em dinheiro a conta para depósito é Banco Bradesco, Agência 3249, Conta Corrente 15943-3 – Sociedade Recreativa Escola de Samba Lins Imperial – CNJP 31.108.517.001/22. Quem preferir que a agremiação retire a doação no local poderá entrar em contato com o whatsaap 21 96476-4779.
Em março, escola mãe e filha lançaram a campanha “Seja Solidário”. Foto: Rodrigo Barionovo
Em 2021 a Lins Imperial retorna à Série A desfilando na Marquês de Sapucaí. A escola divulgará em breve o enredo que levará para a Avenida no próximo carnaval.
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), através de sua assessoria de imprensa, divulgou uma nota oficial sobre o falecimento do presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drumond, na manhã desta quarta-feira. Veja abaixo.
“A diretoria da Liesa cumpre o doloroso dever de comunicar, com profundo pesar, o falecimento de seu Sócio-Fundador e Grande Benemérito Luiz Pacheco Drumond, ex-Presidente da Entidade no período de 1998 a 2001.
Luizinho Drumond, como era carinhosamente chamado pelos sambistas, também fazia parte do Conselho de Grandes Beneméritos da Liga Independente e foi presidente da Gravadora e da Editora das Escolas de Samba.
Luiz Pacheco Drumond tinha 80 anos e faleceu na manhã desta quarta-feira. Foto: Henrique Matos
Antes da fundação da Liesa, também fez parte da diretoria da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (Aescrj).
Levado pelo amigo Amaury Jório, assumiu a presidência da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense em 1975, dando início a uma trajetória de glórias da Verde, Branco e Dourado de Ramos.
Sob seu comando, a Imperatriz conquistou oito campeonatos no Grupo Especial e liderou o Ranking da Liesa por vários anos.
Foi vencedora também no Grupo de Acesso Série A, em 2020, quando a agremiação retornou ao Grupo Especial.
Admirador do Botafogo foi diretor de futebol do clube.
Luiz Pacheco Drumond tinha 80 anos e faleceu na manhã desta quarta-feira, 1º de julho, no Hospital Copa Star, em Copacabana, em decorrência de um AVC”.
Deixa viúva, Sra. Lena Drumond, e seis filhos: Luiz Antônio, Cátia, Marcos Lourenço, Simone, Nathália e Vinícius.
A LIESA externa os sentimentos à Família Drumond, à Nação Leopoldinense e conclama todos os amigos a elevarem o pensamento em preces pela alma de seu estimado ex-Presidente”.
O carnavalesco Cahe Rodrigues publicou um texto em suas redes sociais para falar do falecimento do presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drumond, na manhã desta quarta-feira.
O artista trabalhou de 2013 a 2018 na verde e branco. Entre seus desfiles está a homenagem para Zico com o enredo “Arthur X – O reino do Galinho de Ouro na corte da Imperatriz”, que terminou na quinta colocação, e o quarto lugar em 2013 com “Pará – O Muiraquitã do Brasil – Sob a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”.
“Meu profundo sentimento a toda família Drumond. Chegou a hora do Senhor descansar… A Rainha de Ramos se despede do Rei. Vá em paz seu Luiz, que o senhor te receba com festa no céu. O Samba está em luto”.
“Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?”
João 11:25-26
Responsável pelo desfile de 2020 que deu o título da Imperatriz Leopoldinense e o retorno para o Grupo Especial o carnavalesco Leandro Vieira publicou um texto em homenagem ao presidente Luizinho Drumond, que faleceu nesta quarta-feira. Veja o texto abaixo.
“O velho Drumond partiu. Com ele, uma página do carnaval das escolas de samba. Com ele, uma página das relações que os cariocas mais pobres estabeleceram com a “fezinha” diária na interpretação dos sonhos e com a adivinhação dos números. Para a cultura popular, Luizinho foi uma espécie de mecenas. Mecenas que gostava de vestir gente pra desfilar no carnaval. Mecenas de alegorias e adereços. Mecenas de paetês, espelhos e plumas.
Em 2020, o seu último carnaval, tive a oportunidade de conhecê-lo com um pouco mais de intimidade. O Luizinho era uma figura. Uma figura de oitenta anos que era a cara do carnaval “da antiga”. Foi com ele que aprendi, numa fala muito marcante, que o que valia era palavra dita assumida como compromisso. Que não se podia rasgar a palavra que era dada como acordo, mas que era possível rasgar qualquer contrato que tratava de acordos. Coisa de gente da antiga, rara no Carnaval atual. Pra mim, que sempre gostei de conversa fiada, o coroa era um contador de histórias. E se não bastasse isso, Luisinho conjugava a história que contava com um humor cheio de fina ironia.
Gostava de falar de um tempo que passou. Das caríssimas fazendas – era assim que ele chamava o que a gente hoje chama de tecido – que ele comprava para que o Arlindo Rodrigues vestisse a Imperatriz Leopoldinense. Gostava de falar de samba, de compositores e das escolhas. Gostava do vozeirão de intérpretes que levavam o samba na avenida, usando aqui suas palavras, “sem ajuda e no gogó”. Quando mencionava a questão, gostava de falar no nome do Jorge Goulart, um cantor da rádio nacional que puxava samba na avenida.
Não é exagero afirmar que, com a sua partida, uma áurea mítica deixa também o carnaval carioca. Luisinho está para a Imperatriz como o Natal está para a Portela. Impossível dissociar a biografia do homem com a história do Grêmio. Juntos, são a “corda e a caçamba”.
Eu podia seguir falando muito mais dele. Do nosso carnaval junto. De como foi proveitoso. Mas enquanto escrevo, só me vem na memória a sua família. Aliás, isso é curioso: eu nunca vi o Luisinho sem que ele estivesse com alguém de sua família. Tenho certeza que para eles a dor deve estar sendo imensa exatamente porque eles sempre estavam juntos. Nesses casos, a ausência é uma dor sentida. Por certo, hoje é um dia triste. Eles perderam um pai, um marido, um avô, um bisavô. Nessas dores de família, todos nós, sem excessão, somos iguais. De carne, osso, sentimento e nada mais.
Agradeci em vida o tanto que devia a ele. Oportunidades, conselhos; e, sim, generosidade gratuita. Para os seus, a família que carrega seu sobrenome, eu queria deixar apenas o meu abraço. Um abraço carinhoso e apertado”.
No dia do avestruz, com mês carneiro (7) e no ano 20 – que é peru – do século 21 (touro), morreu Luizinho Drumond, o homem que deu consistência administrativa e oito (camelo, coincidentemente um dos animais protagonistas de um dos maiores desfiles de sua escola na Sapucaí) campeonatos à Imperatriz (não me peçam o bicho de cada caneco).
A morte de Luizinho Drumond representa um marco para a história do carnaval. Um dos homens que mudaram o tamanho e cifras da festa, Drumond entregou força e competitividade à Imperatriz Leopoldinense.
Junto com a Beija-Flor (de Anísio) e Mocidade (de Castor de Andrade), a escola passou a dar as cartas na folia, nos anos 80.
A trajetória do folclórico bicheiro, também ex-dirigente do Botafogo, se confunde com a cultura de rua, disputa por espaço público e dribles à lei, no Rio e no Brasil.
Um personagem rico em camadas e típico das características de rua da metrópole forjada sobre pântano e na constante relação entre morro e asfalto: hegemonia, contra-hegemonia, poder, cultura popular e negociação de (co)existência.
O enlace do Jogo do Bicho com o samba emerge do conflito na rua e pela rua. Marginalizados, ambos encontraram no abraço sincero ou interesseiro uma forma de sobrevivência à atmosfera de repressão que vinha de cima.
Por vezes, partindo pro pau. Noutras, em afagos de mutualismo descarado. Assim, decolaram.
Ora, as agremiações nasceram, fundamentalmente, em áreas periféricas e, ocupadas por “benfeitores”, se permitiram a relação de troca em meio ao voo em cego dos segredos de existir.
Não à toa o porquê de perdurarem, a despeito de titubeios aqui e acolá de era em era. Nesse mesmo passo a passo no compasso, a contravenção amealhou moeda-prestígio, garantida em status e cifras.
No meio da década de 70, sob a liderança de Castor, os bicheiros decidiram que valia muito mais a divisão de regiões de mando do que o bangue-bangue urbano por controle de pontos. Mudaram o próprio Rio de Janeiro e a sua dinâmica social.
Não foi coincidência, portanto, que, a partir de 1976, três escolas impulsionadas pelo dinheiro da banca alcançassem vitórias seguidas. Primeiro, a Beija-Flor (1976, 1977, 1978), liderada por Anísio.
Depois, a Mocidade (1979), quando Castor já arriscava uns desajeitados passinhos de algo assemelhado a samba à frente dos ritmistas de Padre Miguel.
Por fim, a Imperatriz Leopoldinense (1980 e 1981), sob a tutela de Luizinho. Além do trio, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ligado à Vila Isabel, também começou a se destacar na chefia da brincadeira séria neste contexto.
Sob as asas de Drumond, a Imperatriz ganhou em 1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. Recentemente, faturou o Grupo de Acesso de 2020.
A frase final sintetiza boa parte da trajetória: “a Imperatriz é um amor e uma cachaça da qual só me separarei com a morte”. Verdade afetiva absoluta.
Quem disse que há maniqueísmo em se tratando de Brasil?
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) cancelou a reunião plenária com os presidentes das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, que estava marcada para noite desta quarta-feira, devido ao falecimento de Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense. Ainda não foi informado quando será o encontro.
Seria a primeira reunião após os desfiles de 2020 projetando o que pode vir pela frente após a pandemia do novo Coronavírus. Diferente das plenárias regulares não seria possível ter mais de um representante por agremiação e haveria distanciamento entre os dirigentes.
Ainda não é possível ter uma decisão fechada sobre o Carnaval 2021 ser realizado em fevereiro, já que é necessário a descoberta de uma vacina ou remédio contra a Covid-19, mas entre os presidentes ouvidos pelo site CARNAVALESCO é consenso que a reunião é fundamental para o debate entre todos e a orientação do que deve ser feito e qual prazo para que seja tomada uma decisão definitiva.