Dragões escolhe samba da parceria de Adnet e aguarda liberação do poder público para fazer evento na quadra
A Dragões da Real definiu o samba da parceria de Thiago SP, Léo do Cavaco, Renne Campos, Marcelo Adnet, Darlan Alves, Rodrigo Atração, Alemão do Pandeiro, Wanderley Monteiro, Paulo Senna, André Carvalho e Tigrão. Os dois sambas finalistas, das parcerias 3 e 14, agradaram bastante a comunidade, principalmente, ao analisar as redes sociais dias antes do evento. O samba 3, interpretado por Igor Sorriso e que se consagrou campeão, carrega uma característica vibrante presente na agremiação. A obra tem uma forma de construção que facilita o entendimento somado a uma linha de raciocínio poética. A melodia do segundo refrão proporciona uma quebra positiva para o contexto do samba.
Um dos compositores, Darlan Alves, explica que pensou em escrever um samba alegre e revela que até a escolha da tonalidade foi pensada para confortar o componente.
“Quando fomos compor o samba, nós pensamos em fazer o que a Dragões já vinha apresentando nos seus sambas, é uma escola muito alegre. Só que o tema tem uma linha sobre o momento que a gente vem vivendo, e foi até uma questão nossa, ‘como vamos falar do fator emocional sem perder a alegria?’. Optamos por uma linha de samba maior e uma melodia mais trabalhada. Pensamos em tom também, que seja agradável para o componente cantar, não muito alto. Deixamos um samba linear, mas sem perder a pegada”, disse.

Já o samba 14, que foi interpretado pelo Gilsinho, chamou a atenção pela modernidade e ousadia na forma da construção. Um exemplo é o segundo refrão, que trabalha o presente e o futuro da situação que o enredo aborda, com uma rima objetiva e melodia forte. Trecho muito bem aproveitado pelo time de palco durante a apresentação. Os compositores colecionam disputas, e sempre com características modernas na letra. Cacá Camargo, que participou da composição, explica que postura visa de fato a inovação.
“A gente tem isso como identidade, nós gostamos de escrever assim. Percebemos que se a gente não fizesse algo diferente, não seríamos notados, iríamos entrar no bolo ‘mais do mesmo’. A gente veio lá de baixo, fomos chegando, conseguimos chegar em algumas finais, ganhamos algumas vezes, e isso porque temos essa visão de pensar fora da caixa”, afirmou.
A final foi realizada em formato drive-in e transmitida por live na página do Facebook. A escola optou por utilizar um ambiente externo, ao lado da quadra da co-irmã Águia de Ouro. Cerca de 102 vagas foram separadas para receber o público. A estrutura favoreceu uma grande parcela do público, que conseguiu assistir o show com nitidez. Para os mais distantes, uma estação de rádio transmitia o som do palco.

O intérprete Renê Sobral explicou motivos da mudança: “A gente fez shows na nossa quadra, mas ela é pequena. Aqui na arena cabe mais carros, a energia é maior. Como é uma final de samba-enredo, teria que ser algo diferente e importante, como essa data”.
Por conta do drive-in, a percepção do samba que mais agradou a comunidade ficou mais difícil. Sabendo disso, a diretoria dispôs dois números de Whatsapp nas redes sociais, cada um para receber o voto de um samba específico. Bastava mandar a imagem da carteirinha que o voto era computado. O aplicativo foi utilizado também para receber pedidos e agilizar o atendimento durante a final.
O presidente da agremiação, Renato Remondini, comentou que mudanças causam incertezas, mas assegurou boa realização do evento.
“Na quadra para gente é muito mais confortável. Quando você vem pro novo, as pessoas precisam se adaptar e mudanças causam medo. Mas pelo que estou vendo, o nosso pessoal se adaptou, estão curtindo demais”, afirmou.

Um ponto de destaque foi a distribuição de componentes da comissão de frente e os casais em todo o espaço. Eles interagiam e se movimentavam de forma organizada. O coreógrafo da comissão de frente, Ricardo Negreiros, contou sobre a performance.
“A gente fez algo um pouco diferente. Na recepção, fizemos uma pequena interação com as pessoas nos carros, mas tudo muito simples, sem muito contato. O que tentei fazer é trazer eles com figurino diferente pra que o público veja distinções de roupas”.
O evento contou também com a presença do carnavalesco Jorge Silveira.
“Muito feliz em poder estar de volta, eu tenho uma relação muito forte com a Dragões. A escola está tendo muita coragem em iniciar os seus trabalhos e respeitando as condições que nós temos agora. A comunidade está participando e temos fé que vamos passar por tudo isso”, revelou.
Presidente da Dragões pensa em pequenos eventos após flexibilização
O estado de São Paulo adotou fases para flexibilização da quarentena, cada uma é separada por cores. Hoje, a cidade de São Paulo está na fase amarela, 3° etapa entre as cinco. O prefeito Bruno Covas anunciou que trabalha com a possibilidade da cidade entrar na fase verde até dia 10 de outubro, que é uma retomada das atividades com critérios menos rigorosos.
Durante entrevista para o site CARNAVALESCO, o presidente Tomate contou que com a mudança de fase, já começa a pensar em pequenos eventos para a comunidade.
“A gente está vendo que está regredindo o pico da doença, e, se Deus quiser, esperamos já ter a cidade de São Paulo na fase verde. Se entrar, a gente começa a pensar em fazer pequenos eventos dentro da nossa casa para 30%, 40% da capacidade”.
Confira o anúncio do samba da Dragões da Real para o próximo carnaval
Os compositores Thiago SP, Léo do Cavaco, Renne Campos, Marcelo Adnet, Darlan Alves, Rodrigo Atração, Alemão do Pandeiro, Wanderley Monteiro, Paulo Senna, André Carvalho e Tigrão assinam o samba-enredo da Dragões da Real para o próximo carnaval. Abaixo, você pode ver o anúncio do samba e depois o samba na íntegra.
Mestre Ciça: ‘Tenho muito preocupação em não deixar o samba morrer’
Mestre de bateria da Viradouro, campeão em 2020, declara amor pela escola de Niterói e pede que os jovens sejam acolhidos nas escolas de samba. Ele conversou com a coluna “Espaço do Sambista”, que é publicada toda sexta-feira no jornal MEIA HORA.
O que representou o desfile de 2020 na Viradouro?
Ciça: “O título de 2020 era o que faltava na minha trajetória. Aumentou ainda mais meu elo de amor com a Viradouro e comunidade”.
Qual sua análise das baterias e o que pode melhorar?
Ciça: “O nível está muito alto. Fica difícil para os jurados tirarem algum décimo. Precisamos melhorar a área de concentração para os ritmistas. Não temos lugar para ficar quando chove e os instrumentos molham enquanto esperamos nosso desfile”.

Os sambistas te acham muito carismático e você é amigo de todos. Qual é o segredo?
Ciça: “Sou um cara totalmente humilde. Respeito todos. Sempre ouvi as pessoas e o grupo. Meu jeito é respeitar o ritmista, porque sem ele não fazemos um trabalho legal.
Você renasceu na Viradouro. Como isso aconteceu?
Ciça: “A gestão da escola é excelente. Oferece todo suporte para o meu trabalho. Isso ajudou no meu resgate. Tenho muito carinho pela escola e eles por mim. Não tem preço essa relação”.
Qual seu sonho para o futuro do carnaval?
Ciça: “Sou um apaixonado. Todas escolas deveriam resgatar suas bases. Trazer os jovens. Tenho muito preocupação em não deixar o samba morrer”.
Carnavalesco Marcus Paulo fará desfile da Unidos de Bangu ao lado de Clécio Régis
A Unidos de Bangu anunciou a chegada do carnavalesco Marcus Paulo, que construirá o desfile da agremiação da Zona Oeste ao lado de Clécio Régis. O artista chega para trabalhar na homenagem para Castor de Andrade.
Com 25 anos de trabalhos no carnaval carioca, Marcos foi por 11 anos assistente do carnavalesco Alexandre Louzada. Como carnavalesco fez parte por seis anos da comissão de carnaval da Unidos da Tijuca e no último ano assinou o carnaval do Acadêmicos da Rocinha, onde irá ao segundo desfile.

“Desde que recebi o convite da Direção da escola fui muito bem acolhido. Vamos desenvolver uma bela homenagem para o Dr. Castor, como ele gostava de ser chamado, na Sapucaí. Nosso homenageado teve muitas contribuições para o carnaval e o futebol. Será um enredo pertinente a quem deixou um grande legado para o Maior Espetáculo da Terra”, revelou Marcus.
“Deu Castor na cabeça” é o enredo que a Vermelha e Branco da Zona Oeste levará para a Sapucaí no próximo desfile.
Luma de Oliveira recebe a bandeira do Bailado Solidário
Querida por todos os sambistas, Luma de Oliveira está na história do carnaval por suas passagens arrebatadoras na Marquês de Sapucaí. Agora, ela mostra que é também uma rainha solidária. Arrematou a bandeira do Bailado Solidário por R$ 15 mil e com o valor será possível ajudar os casais de mestre-sala e porta-bandeira, em atividade ou não, que estão passando por dificuldades financeiras.
“A causa é justa. Merecedora de atenção e apoio. Os casais são incríveis. Ter essa bandeira histórica comigo é maravilhoso”, disse Luma.

Integrantes do projeto entregaram essa semana o pavilhão para Luma. A campanha cresce a cada dia e já foram doadas quase 250 cestas básicas.
Neguinho da Beija-Flor lança ‘Sambas Memoráveis’ em live
Os amantes do carnaval poderão acompanhar, no domingo, às 15h, uma live com Neguinho da Beija-Flor. Apresentada por Alexandre Araújo (integrante do canal Pop Bola no YouTube), a live conta com a história do carnaval carioca representada por “Sambas Memoráveis” de escolas tradicionais, contada através de clássicos da décadas de 60.
Voz oficial da Beija-Flor, o compositor é dono de seis sambas-enredo que a escola de Nilópolis levou para a Avenida (1976, 1978, 1981, 1983, 1984, 1992), e autor de sucessos como “O campeão (Domingo, eu vou ao Maracanã…)”, “A Deusa da Passarela”, “Malandro é malandro, mané é mané”, “Bem melhor que você”, e “Gamação Danada”, com Amir Guineto, entre outros.
É o primeiro trabalho de Neguinho voltado exclusivamente para serviços de streaming. “Sambas Memoráveis” é um projeto do Doentes da Sapucaí que conta com obras que se destacaram nos anos 60 e, em breve, dos anos 70 e 80.
Serviço:
Live Neguinho da Beija-Flor
Dia: 30 de agosto de 2020
Horário: 15h
Canais de transmissão: Ao vivo em quatro canais do Youtube – Doentes da Sapucaí; Carnavarizados; Neguinho da Beija-Flor; e no site CARNAVALESCO
Coração salgueirense explode de solidariedade
O Salgueiro explodiu os corações dos sambistas em 1993 no famoso samba-enredo “Peguei Um Ita No Norte”. Agora, durante a pandemia da Covid-19, a “explosão salgueirense” é de solidariedade. A vermelho e branco concentrou seus esforços nos projetos sociais, e, através das campanhas de arrecadação de alimentos, fez a distribuição de duas mil cestas básicas para comunidade. Os números vão além: 3000 quentinhas de feijoada e 6000 garrafas de água distribuídas à população de rua, 15 mil máscaras, 1000 caixas de bombom na Páscoa. É a escola de samba cumprindo sua função social.

“Uma das nossas primeiras preocupações foi ajudar a comunidade. As pessoas não dão muita atenção, ou até mesmo não têm informação sobre toda a parte social que a escola desempenha, temos muita responsabilidade com nossa gente, isto não é favor, é nossa obrigação com quem, faça chuva ou faça sol, nos ajuda a prepara um espetáculo tão bonito na Sapucaí. Nossos parceiros continuaram nos ajudando com produtos que puderam complementar essa distribuição no morro e também para nossos segmentos. Os passistas, por exemplo, viajam muito nessa época dando aulas, fazendo shows, assim como os ritmistas e, por conta disto, se viram sem oportunidades de trabalho e renda. Fizemos o máximo possível para dar suporte a estes profissionais que estão conosco o ano inteiro”, explicou o presidente André Vaz.
Os funcionários e colaboradores do Salgueiro não ficaram desamparados.
“Continuamos nos esforçando para honrar o nosso compromisso com todos os nossos profissionais, na medida do possível. Conversamos com os segmentos, fizemos alguns ajustes necessários para o momento e estamos nos desdobrando para que eles não sofram mais do que já estão sofrendo, as consequências desta crise. O Salgueiro é uma escola cuja receita da quadra nos ajuda a administrar a folha de pagamento e, sem eventos, sem perspectiva, vai ficando cada vez mais difícil. Não sei até quando poderemos continuar este compromisso e isso nos entristece muito, ainda assim, estamos buscando soluções. O programa Sócio Torcedor vem crescendo e nos ajudando, assim como as vendas dos produtos oficiais. Neste momento, é o que único recurso que temos, além dos nossos parceiros que investem sua marca na escola e que também estão na incerteza do futuro”, comentou o presidente.

Nos próximos dias começa a capacitação profissional para os funcionários em língua brasileira de sinais.
“Desde a primeira live, os intérpretes de libras fizeram muito sucesso e tivemos um retorno positivo, foram quase mil surdos assistindo o evento. A partir daí, começamos a pensar em como poderíamos atingir esse público nos eventos e fizemos uma parceria com o professor Carlos Fidalgo, que vai ensinar a comunicação básica aos atendentes dos bares, segurança, receptivo e também aos segmentos que queiram se comunicar com a comunidade surda. Também estamos traduzindo alguns sambas na língua brasileira de sinais para que essa interatividade também aconteça nas redes sociais. Acho que vai ser mais uma ação de sucesso da nossa equipe”, finalizou o presidente salgueirense.
* Íntegra do texto publicado no jornal MEIA HORA na coluna Espaço do Sambista
Iniciativa na pandemia! Gabriel David fala em produção de conteúdo a distância por parte das escolas de samba
Após a coluna do Ancelmo Gois, em O Globo, nesta quinta-feira, informar o cancelamento dos desfiles das escolas de samba em fevereiro do ano que vem, o conselheiro da Beija-Flor, Gabriel David, fez uma publicação nas redes sociais comentando o assunto. É bom deixar claro que a coluna do jornalista, com o título “Em fevereiro, não tem carnaval”, não citou que nada acontecerá em 2021, o jornalista noticiou a decisão de não ter no mês tradicional, que ainda precisa ser oficializada em plenária na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na segunda quinzena de setembro.
“Tem diversas outras possibilidades para escolas. As escolas tem que estar preocupadas em produzir conteúdo a distância para que o público que ama o carnaval possa consumir”, disse Gabriel David.
Segundo ele, não há necessidade de falar agora em cancelamento dos desfiles das escolas de samba. Existe entre alguns dirigentes a vontade da criação de atividades que possam acontecer em outros meses de 2021, mas que dependeriam da vacina contra a Covid-19, além do apoio do poder público e envolvimento financeiro da iniciativa privada.
“Tem uma reunião em setembro para decidir qual é o futuro do carnaval. A gente não sabe o que vai acontecer no mundo e qual o plano que a Liesa elaborou. Não tem necessidade de falar agora se vai ter ou não”, afirmou Gabriel.
Veja o vídeo abaixo:




