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Porto da Pedra irá distribuir doces de São Cosme e São Damião no próximo domingo

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PPA Unidos do Porto da Pedra abre as portas de sua quadra, no próximo domingo, 27, a partir das 17 horas, para a tradicional entrega de doces, em comemoração ao dia de São Cosme e São Damião.

Criada pelo departamento de harmonia da escola, a entrega acontece há mais de 10 anos, e este ano, devido a pandemia do coronavirus, algumas medidas de proteção estarão sendo usadas para que todas as crianças possam buscar seus doces sem nenhum risco.

“Não poderíamos deixar de fazer a alegria da criançada nesse dia. Apesar da pandemia, esse é o momento da gente levar um pouco de alegria e carinho para elas. Todo o departamento de harmonia está preparado para receber as crianças com toda segurança”, disse o diretor de harmonia, Aluízio Mendonça.

A quadra da Porto da Pedra fica na Travessa João Silva, 84.

Bateria da Portela fará live neste domingo com Bianca Monteiro, Gilsinho, Tia Surica e outros convidados

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PortelaA bateria da Portela, sob o comando de mestre Nilo Sérgio, vai promover uma grande live beneficente neste domingo (27), ao meio-dia, com a participação da rainha Bianca Monteiro, do intérprete Gilsinho, da baluarte Tia Surica, do cantor e compositor Serginho Procópio e de integrantes da premiada ala de passistas da Azul e Branco.

A live Família Tabajara do Samba receberá, ainda, o intérprete Rixxa, que fez história em escolas como Portela, Salgueiro e Mangueira, e os cantores Leo Russo e Sandra Portella. Madrinha do carro de som da Portela, a cantora Pipa Brasey vai fazer uma participação através de vídeo. A abertura ficará por conta do grupo Benjoim, formado por jovens talentos da bateria da escola.

Toda a renda arrecadada será revertida para os ritmistas da Tabajara do Samba, que garantiram nota máxima no quesito, no último desfile. A transmissão será através dos canais PortelaTV e Fita Amarela, no YouTube.

A live vai contar com patrocínio das seguintes empresas: grupo Landim Frigoríficos, cachaça Pitú, Lab Água e Tema Festas. A Bonanza Sanitização também dará apoio ao evento, que terá apresentação da rainha Bianca Monteiro, do locutor oficial da Portela, Boka, e do membro da comissão de Carnaval da escola, Júnior Escafura.

Serviço:

Live Família Tabajara do Samba
Data: Domingo, dia 27 de setembro
Horário: Meio-dia
Transmissão no YouTube: canais PortelaTV e Fita Amarela

‘Não é hora de falar em data para o Carnaval 2021’, diz Gabriel David

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beija campeas 40A Liesa decidiu na noite desta quinta, 24, adiar os desfiles do Carnaval 2021 em virtude da pandemia do novo coronavírus. A decisão entretanto não define uma data ou mês para realização do espetáculo no ano que vem. Para Gabriel David, da Beija-Flor, a decisão foi a mais acertada e não é momento de estipular uma data para os desfiles de 2021.

“Depois dessa reunião de adiamento não é o momento em falar de data. Não sabemos o que vai acontecer. Na minha visão foi a decisão mais sentada. Vi uma união como há muito não via entre as escolas. Nesse momento de extrema dificuldade é hora de transformar a crise em oportunidade”, opinou Gabriel em suas redes sociais.

Ainda de acordo com o dirigente da Beija-Flor, engana-se quem pensa que a Liesa e as escolas estão deitadas em berço esplêndido. Segundo ele alternativas estão sendo estudadas e em breve decisões serão anunciadas.

“Importante não ter data agora e frisar que as escolas querem realizar o espetáculo, mas é inviável em fevereiro. As agremiações podem ajudar as pessoas com projetos sociais. E a Liga fomentar recitas alternativas e extraordinárias. Já temos um caminho traçado, mas não pode divulgar ainda. Mas vai ter coisa nova saindo, independente de quando será o carnaval”, finalizou.

Ao optar por cancelar os desfiles apenas em fevereiro, Liesa mostra vontade de ter modelo alternativo ainda em 2021

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Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro decidiram cancelar os desfiles em fevereiro de 2021, em virtude da ausência da vacina contra a Covid-19, mas levantaram um outro cenário com um formato alternativo ainda no ano que vem, caso exista uma resposta positiva da comunidade científica contra o novo Coronavírus.

Ao optar por cancelar os desfiles apenas em fevereiro, Liesa mostra vontade de ter modelo alternativo ainda em 2021
Desfiles podem ocorrer em formato alternativo em 2021. Foto: Henrique Matos

“Estamos pensando em alternativas no formato. As escolas estão trabalhando artisticamente. Tudo isso está sendo desenvolvido desde o momento que temos a impossibilidade de realizar a imunização em fevereiro. A gente entende que em janeiro precisamos ter uma perspectiva”, explicou o presidente da Liesa Jorge Castanheira.

A preocupação é não atrapalhar o cronograma do Carnaval 2022. Por unanimidade, os dirigentes optaram por cancelar apenas os desfiles de fevereiro, deixando no ar a possibilidade de algo ser feito nos outros meses do ano.

“Nossa luta é para não cancelar os desfiles em 2021. Recebemos notícias diferentes que não nos dá condição de segurança nesse momento para fazermos em fevereiro. Estamos junto com o poder público e nossos parceiros comerciais buscando alternativas”.

A Liesa prefere não informar qual mês é o preferido para que aconteçam os desfiles alternativos de 2021, caso tenha a vacina contra a Covid-19.

“Depende do encaixe e do calendário para podermos definir algo alternativo. O que vai acontecer para frente será em acordo com as autoridades sanitárias”.

LIESA CANCELA DESFILES DO GRUPO ESPECIAL EM FEVEREIRO DE 2021

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Em reunião plenária na sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na noite desta quinta-feira, no Centro do Rio, os presidente das escolas do Grupo Especial decidiram que não haverá desfiles em fevereiro de 2021. O anúncio acontece ainda no período de quarentena da Covid-19 e sem uma informação concreta sobre a vacina.

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“Em função de toda essa insegurança, concluímos que esse processo tem que ser adiado. Estamos em permanente reunião. Não decidimos por cancelamento, mas nesse momento para fevereiro o desfile das escolas de samba não tem como acontecer. De julho pra cá muita coisa mudou. Seguimos aguardando a questão da vacina. Recebemos notícias diferentes que não nos dá condição de segurança nesse momento. O modelo tradicional de desfile demanda um tempo muito maior. Nossa luta é para não cancelar”, disse o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.

O dirigente também falou sobre a possibilidade da realização em outros meses de 2021.

“Vamos tentar encontrar nos próximos meses alguma solução que aconteça em outra data, com respeito à saúde das pessoas, pensando em não atrapalhar o cronograma de 2022 também. Temos a expectativa de que em algum momento tenhamos uma resposta para as pessoas que dependem do carnaval. Em fevereiro está difícil. Mas estamos junto com o poder público buscando alternativas”.

Jorge Castanheira falou que é necessário que tenha vacina até fevereiro para que algum modelo alternativo de desfile aconteça ainda no ano que vem.

“Se não tiver vacina até fevereiro não temos condição de fazer. Vamos estar em contanto prospecção para definir junto com o poder público as alternativas. Há um estudo forte nesse sentido para buscar um modelo alternativo, já que em fevereiro fica inviável tanto do ponto de vista do prazo quanto da segurança sanitária”.

Segundo Castanheira, a Liesa e os presidentes das escolas de samba avaliam modelos alternativos de desfiles e de recursos financeiros.

“Existe a possibilidade de um projeto alternativo, com outro tipo de regulamento. Tudo isso está sendo desenvolvido desde o momento que temos a impossibilidade de realizar a imunização em fevereiro. Estamos avaliando hipóteses alternativas de recursos financeiros. Tudo está sendo estudado. A gente entende que em janeiro precisamos ter uma perspectiva”.

Grupo de estudos propõe realização do carnaval em fevereiro de 2021 com adaptações

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grande rio desfile 2020 112 CopyA poucas horas da decisão da Liesa se vai haver ou não desfile em fevereiro de 2021, um grupo de estudiosos de carnaval formado por integrantes do Museu do Samba e do Laboratório de Arte Carnavalesca (LAC) protocolou na Riotur um desejo de se realizar o carnaval em sua data original, mesmo sem vacina e com a pandemia ainda causando restrições.

A ideia do grupo é apresentar propostas que tornem o Carnaval 2021 completamente diferente de todos que já aconteceram. As sugestões do grupo só seriam colocadas em prática com o aval de autoridades sanitárias, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Veja abaixo algumas das sugestões enviadas à Riotur:

– As escolas preparariam, desde já, uma apresentação resumida que pode ser expandida à medida que a situação sanitária vá se resolvendo. Uma primeira fase agruparia o desenvolvimento dos elementos básicos do desfile (sinopse, enredo, samba, desenhos etc.), atividades que podem ser feitas pelos criadores em suas casas. Numa segunda fase, as fantasias podem ser executadas nos barracões (seguindo os padrões por entidades credenciadas – Fiocruz, por exemplo – como acontece nas produções para TV) ou nas casas dos componentes (seguindo o modelo das chamadas alas comerciais nas décadas passadas).

– Procedimento da evolução da vacina, o projeto iria se adaptando mês a mês. O resultado final dependeria do avanço da cura, podendo se apresentar como um espetáculo fechado ou como um desfile mais próximo do tradicional.

desfile viradouro2020– Organizar, paralelamente, um concurso com produção de alegorias, expõe em um site onde as pessoas votassem, gerando engajamento, com escolas agindo e os trabalhadores do barracão sendo remunerados por suas atividades.

– Resgatar o corso, promovendo carnaval nas ruas dentro de automóveis.

– Organizar competições segmentadas, como, por exemplo, melhor sinopse, melhor logo, melhor puxador, melhor bateria, melhor samba de quadra ou mesmo melhor clipe do samba ou pocket show da escola.

– Concurso de fantasias de luxo dos destaques das escolas de samba, que pode ser transmitido pela internet ou pela TV, como acontecia décadas atrás, evitando aglomerações.

– Realizar o cortejo sem público presencial (pode fazer como um NBA e colocar o público em telas de LCD ao longo da Avenida), podendo cobrar ingresso dessas pessoas e vender os direitos de transmissão.

– Aproveitar o ritual carioca de ver os carros alegóricos na Presidente Vargas nas manhãs dos desfiles e espalhar os carros que estão prontos de outros carnavais, ou que completados sendo feitos para 2021, nas ruas da cidade, em diferentes avenidas, na frente das quadras etc.

– Criar uma hashtag que condensar os posts em redes sociais, para ocupar o território online e ficar nos trending topics durante todo o período do carnaval.

– Aproveitar a Praça da Apoteose como um local de “comunhão” das escolas, juntando alguns representantes de cada e transmitindo lives.

Às vésperas da decisão oficial, sambistas opinam sobre futuro do Carnaval 2021: manter, adiar ou cancelar?

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sambodromo 1A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), junto com os dirigentes das doze agremiações que compõem o Grupo Especial, irão definir, nesta quinta-feira, os rumos do Carnaval 2021. Em função da pandemia do novo coronavírus, que afeta o Brasil e o mundo, é praticamente certo que os desfiles não irão ocorrer em fevereiro do ano que vem. Todavia, resta definir se a folia será realizada em outra data ou se não haverá festa em 2021.

Qualquer que seja a decisão tomada, uma série de fatores terão de ser levados em consideração antes do martelo ser batido. Além das questões de saúde pública, que visam evitar uma maior proliferação de casos da Covid-19, há de ser pesado na balança os aspectos financeiros, que envolvem o sustento de milhares de famílias que vivem direta ou indiretamente do Carnaval; como também a situação dos cofres do estado e da cidade do Rio, que tem nos desfiles das escolas de samba uma importante fonte de receita.

Há poucas horas da plenária que irá decidir o futuro do maior espetáculo da Terra, o site CARNAVALESCO ouviu alguns sambistas, de diferentes segmentos e escolas, para saber as expectativas e a opinião deles acerca dos cenários que despontam para o Carnaval 2021.

viradouro samba2020 18Para Rute Alves, porta-bandeira da Viradouro, a manutenção da realização dos desfiles para o mês de fevereiro é algo completamente fora de cogitação. “Ter um Carnaval no início de 2021 é inviável. Primeiro, por causa do vírus, porque mesmo que tenha uma vacina ao decorrer ainda desse ano, em fevereiro, a população não estaria 100% vacinada, imunizada. Segundo, a questão logística, do tempo que cada escola precisa para se preparar, para fazer um grande espetáculo. Até porque chega também de a cada ano ter de diminuir alguma coisa. Nosso espetáculo não permite que diminua mais nada. Ele tem de crescer e não diminuir”, avaliou.

Na opinião de Rute, o ideal seria o adiamento da folia. “Torço muito para que decidam fazer o Carnaval mais para o meio do ano, em julho por exemplo, para que em agosto e setembro já se iniciem os trabalhos para o próximo. E espero que com os dirigentes chegando em um acordo sobre a data, seja elaborada uma equipe capaz de estudar estratégias e algumas normas para que, mesmo em julho, caso ainda não tenha sido toda a população vacinada, adotem-se protocolos para que quem esteja desfilando, trabalhando e assistindo não corra nenhum risco”, defendeu.

portela emquadra2020 6Quem também segue esta mesma linha de pensamento é Júnior Escafura, um dos integrantes da comissão de carnaval da Portela. “Minha expectativa é para que as escolas entrem em um consenso e, junto da Liesa e do poder público, haja um entendimento pensando em todas as pessoas, tanto na saúde delas perante a pandemia, quanto na segurança financeira daqueles que vivem do carnaval e dependem desse trabalho para sobreviver”, pontuou.

“Hoje, acho que o Carnaval precisa ser ser adiado. Talvez para o mês de maio, que aí de repente a gente já tem um cenário melhor dessa pandemia, uma expectativa maior pela vacina. Mas é claro, se chegar em janeiro e fevereiro com o cenário da pandemia do jeito que está agora ou pior, não vai ter como e aí sim vai ser preciso cancelar. No entanto, neste momento, eu acho que a melhor solução é adiar o Carnaval e a gente continuar criando ideias, para que possamos nos adequar, e se consiga ter a realização do Carnaval em alguma data que o cenário esteja um pouco melhor”, prosseguiu.

Escafura ainda alerta que mesmo que haja os desfiles em 2021, são grandes as possibilidades de serem em um formato ou proporção menores ao espetáculo que estamos acostumados. “Diante do cenário em que a gente se encontra, é preciso buscar soluções. Talvez seja necessária uma mudança de regulamento, uma diminuição de alegorias, porque a gente sabe que a questão financeira vai pesar bastante para as escolas”, destacou.

campeas granderio 91Na visão do mestre de bateria Fafá, da Grande Rio, mesmo em meio ao cenário adverso, a folia carioca não pode passar em branco em 2021. “Não consigo imaginar ou visualizar o Rio de Janeiro sem ter de alguma forma o Carnaval. Acho que as escolas de samba, juntamente com a Liesa e com os órgãos públicos cabíveis, com certeza vão chegar a um denominador comum. De alguma forma ou de outra nós vamos realizar o Carnaval, nem que seja algo mais simples ou que não tenha disputa”, assegurou.

“O povo precisa disso. O carnaval traz alegria, gera emprego, não só para as pessoas que trabalham no barracão, mas para várias pessoas que trabalham no entorno também”, complementou Fafá.

tuiuti cds2020 10Já o diretor de carnaval do Paraíso do Tuiuti, Junior Schall, preferiu adotar um discurso ponderando sobre a realização ou não da festa no ano que vem. “Que tenhamos, dentro de uma condição real de proteção, a realização dos desfiles das escolas de samba. Porém, essa situação é pautada por inúmeros fatores que compõe um grande e intrincado cenário ao redor, que não dependem somente da ação da Liesa. A Liga sempre teve o olhar apurado e toda a preocupação para a melhor realização do espetáculo, que não é nada simples. Deste modo, entendo que mesmo num formato e num tempo de calendário diferente, a Liesa, junto das agremiações, e com a segurança em primeiro plano irá encontrar o caminho para termos um evento que represente a festa popular do Carnaval com os desfiles das escolas de samba”, frisou Schall.

“As agremiações tem buscado apoiar as suas comunidades. O desejo e a ação de todos é em relação a saúde, a preservação da vida”, concluiu o diretor de carnaval

Site CARNAVALESCO ouve sugestões para escolas gerarem receitas com iminente adiamento dos desfiles

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tom maior barracao 2A Liesa deve decidir nesta quinta-feira por um adiamento dos desfiles de 2021, que aconteceriam em fevereiro. Há a possibilidade, caso haja uma vacina em tempo hábil, de realização da festa ainda no ano que vem, mas essa é uma situação ainda muito volátil.

Nesse sentido, trabalhadores das escolas de samba vislumbram um cenário macabro pela frente. Sem desfile as escolas perdem receita e não conseguem arcar com os compromissos com eles. Com chance palpável de desfiles apenas em 2022 é um cenário desolador?

Não se as agremiações, que sempre marcaram a história por sua criatividade, buscarem alternativas para gerarem receita, mesmo com atividades paralisadas e sem realizarem eventos que gerem aglomeração, o que é vedado pelas autoridades sanitárias.

aguiaouro barracao2020 5O site CARNAVALESCO ouviu formadores de opinião para saber o que as escolas podem fazer para sobreviver. Para o escritor, compositor e historiador Luiz Antônio Simas é urgente que cada agremiação coloque definitivamente em mente o seu caráter comunitário e compreenda que o desfile é uma consequência do existir das escolas e não o contrário.

“Eu não tenho uma resposta fechada. O ecossistema das escolas é muito diverso. O poder de engajamento de redes das escolas maiores é muito mais forte. Eu disse uma vez que as escolas precisam definir se elas desfilam porque existem ou se existem porque desfilam. Cotidianamente elas são atuantes. Isso envolve uma economia criativa, pessoas que dependem disso. As agremiações têm que conversar com quem entende disso. De engajamento, de gerar receita em cima disso. É crucial. Tem de criar maneiras de ampliar os debates com diversos segmentos. É necessário inseri-las no contexto da cultura. Tenho visto iniciativas bacanas desse setor e vejo as escolas fora desse debate. Trabalhadores do carnaval são da cultura. Às vezes falta esse pensamento mais amplo. Me parece que as escolas ficam fora do debate das políticas públicas de auxílio aos artistas. É preciso reafirmar que as escolas são instrumentos de cultura de ponta. Se conectar com vários setores da sociedade. Eu não tenho solução. O caráter comunitário vem no sentido de que as escolas desfilam porque existem e não o contrário”, opinou.

serrano barracao2020 3O jornalista Aydano André Motta, que cobre os desfiles há mais de três décadas e possui livros publicados sobre escolas de samba, cobra que as agremiações entrem definitivamente no século XXI, comercialmente falando. E dá suas sugestões de possibilidades de gerar receita sem fazer evento público.

“Podem começar a se valorizar como marca. A Mangueira não pode promover um leilão em uma live do desenho do cristo menino que encantou a todos na avenida esse ano? Quem não quer ter um Leandro Vieira original em sua casa? A águia do Renato para a Portela, que foi linda? Isso é uma outra forma de entender a arte. É uma maneira de gerar receita sem aglomerar. Outra possibilidade seria a criação de maquetes de fantasias e alegorias históricas. Isso demanda um certo capital de giro. As escolas precisam entender que o e-commerce vai ultrapassar a pandemia e elas estão ausentes dessa plataforma. Além disso, a Liesa tem obrigação de socorrer. Qualquer tipo de receita que ela possua, ela tem de repassar para as escolas. O momento é de emergência e requer medidas emergenciais. Depois da pandemia vai existir carnaval mas os profissionais podem ficar com a vida inviabilizada caso só ocorra em 2022”, alertou.

Morte de Diego Tavares gera debate entre compositores por mudanças de protocolo

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Diego TavaresA morte do compositor Diego Tavares, aos 37 anos, vítima da Covid-19, na última segunda-feira, abalou o mundo do samba e gerou uma série de reflexões. Entre elas, sobre a realização de eventos durante a pandemia, como as disputas de samba-enredo, e os cuidados tomados na produção destes. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os também compositores Diego Nicolau e Samir Trindade para ouvir deles o que muda ou não, a partir desta perda.

Para Diego Nicolau, autor de sambas em diversas escolas e cantor principal da Unidos de Padre Miguel, o falecimento do xará fez com que a preocupação com um possível contágio pelo novo coronavírus aumentasse. “O Tavares era muito próximo, meu parceiro de samba e fora dele. Quando os números de mortes passam a ter rosto, por mais que a gente já se cuide, é natural que reforcemos ainda mais esses cuidados”, destacou.

Na prática, o receio de contrair a Covid-19 tem levado Diego Nicolau a dizer não para alguns trabalhos. “Já venho agradecendo mas declinando de convites à lives e deixando de ir a compromissos pessoais que aglomeram pessoas. É triste ter que mudar nossa vida social e ter de abrir mão de tanta coisa, porém, por enquanto, é o que pode ajudar a nos proteger. Que venha a vacina e que até lá possamos nos manter saudáveis”, relatou o compositor e intérprete.

bonanza4Tal pensamento é similar ao compartilhado por Samir Trindade, responsável pela autoria de diversas obras do carnaval, nas mais variadas agremiações. Ele, que já participou de alguns eventos e disputas ao longo da pandemia, se diz hoje arrependido e crítico a realização.

“Nós, compositores, fazemos tantas letras sobre resistência, sobre luta, sobre história… Sinceramente, embora seja um vício fazer samba, existem coisas mais importantes neste momento. A gente não sabe quando vai ter carnaval, se vai ter carnaval, então é uma coisa sem sentido disputa de samba. Não agrega em nada agora. É uma coisa desnecessária, que realmente pode esperar”, defendeu Samir.

O compositor alega que os protocolos exigidos para evitar o contágio pelo novo coronavírus não são suficientes. “As lives nas quais eu participei o máximo que aconteceu foi medir a temperatura. E isso não é o ideal para saber se a pessoa está com a Covid-19 ou não”, pontua. “Vamos esperar, vamos ser prudentes e vamos ser exemplo. O que aconteceu com o Diego me fez refletir e mudar a minha atitude”, conclui Samir.

Artigo: ‘Razões para ocorrer o Carnaval em 2021, caso a saúde permita’

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Por Marcel Balassiano – Economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE)

Atualmente estamos vivendo, possivelmente, o pior momento da humanidade pós-Segunda Guerra Mundial, em função de uma pandemia global, que tem fortes impactos na economia. Até 20 de setembro de 2020, mais de 30 milhões de pessoas no mundo já pegaram o vírus, com quase um milhão de óbitos. No Brasil, de casos oficiais, já ocorreram mais de 4,5 milhões de casos, e mais de 135 mil falecimentos. Segundo o Banco Mundial, a recessão deste ano será a décima-quarta crise econômica mundial desde 1876, sendo a quarta mais profunda em termos de perda de atividade econômica, ficando atrás “somente” dos períodos das duas Guerras Mundiais e da Grande Depressão, após a Crise de 1929. De acordo com as projeções do Banco Mundial e do FMI, mais de 90% dos países do mundo devem apresentar um recuo do PIB per capita neste ano, fato inédito na história econômica mundial.

Por outro lado, as “principais cabeças” do mundo estão buscando uma solução para esta grave crise sanitária, e possivelmente até o final deste ano/começo de 2021 teremos uma (ou mais) vacina(s) para (assim esperamos!) resolver a situação. Com a vacina pronta e aprovada, o passo seguinte será a logística (no Brasil e no mundo) da sua produção e distribuição para a maior quantidade de pessoas.

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Dado este contexto inicial, listo abaixo algumas razões (econômicas) para ajudar no argumento da possibilidade de ocorrer o carnaval em 2021, caso a saúde permita. Vale frisar que todas as razões listadas abaixo são sob a premissa básica de que a pandemia já terá acabado, seja com a vacina, remédio, enfraquecimento do vírus, entre outros. Sendo assim, poderá haver o carnaval, na data em que for possível. E, também é importante lembrar, que a economia é apenas uma das óticas para se analisar o carnaval, não sendo a principal. Carnaval é cultura, história, festa, entretenimento, turismo, projetos sociais e também economia!

Na hipótese (mais provável) de não poder ocorrer o carnaval em fevereiro próximo, uma das principais dúvidas é sobre a possível nova data, e se cada município vai fazer o seu “carnaval fora de época” quando quiser, se quiser, ou se haverá uma nova data nacional para o evento. O prefeito de Salvador, ACM Neto, propõe uma data conjunta, envolvendo Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades. Essa ideia do prefeito soteropolitano me agrada bastante, e acredito que o caminho deveria ser esse mesmo, de uma nova data, nacional, a ser definida em conjunto entre as cidades. Porém, vale lembrar que neste ano teremos eleições municipais. Então, neste momento, não sabemos quem serão os(as) prefeitos(as) das cidades no próximo carnaval. Talvez até por isso que uma decisão tão importante (para haver em nova data ou para adiá-la definitivamente e passar para 2022) precise esperar um pouco mais para o martelo definitivo ser batido. Essa incerteza precisa estar presente nos cenários analisados, e também perguntado aos postulantes dos cargos máximos municipais.

O carnaval no Rio de Janeiro envolve, principalmente, desfiles das escolas de samba e blocos. Há diferenças entre os dois movimentos, porém devem se unir como uma coisa só, como ressaltado pela Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro), em evento (virtual) do Museu do Samba sobre os rumos do carnaval 2021, realizado em agosto deste ano. Quando é atacado, o carnaval é tratado como uma forma única. Então, na defesa, também deve ser trabalhado conjuntamente. Claro que há enormes diferenças entre as escolas de samba e os blocos, com objetivos distintos, públicos diferentes, tempos de preparação heterogêneos, entre outros. Porém, a (possível) nova data deveria contemplar tanto desfiles quanto blocos, ou no mínimo, no caso das escolas de samba, algum tipo de evento carnavalesco, se aproximando ao máximo dos desfiles tradicionais.

O calendário pré-carnaval é diferente, pois o tempo de preparação para se colocar uma escola de samba para desfilar na Marquês de Sapucaí é muito maior do que o tempo para se organizar um desfile de bloco na rua. Por isso que a data de fevereiro é praticamente impossível, pois mesmo que num cenário hipotético de todos estarem vacinados na época (original) do carnaval, são necessários alguns meses antes para se preparar o desfile. Por isso que a nova data, seja maio, junho ou depois, é o caminho mais viável.

O presidente da LIESA, Jorge Castanheira, disse ao jornal O Globo, no dia 19/09/20, que um carnaval em meados do ano “só será possível se o desfile for num formato alternativo, com menos alegorias e um custo mais baixo. Caso contrário, as escolas teriam dificuldade de fazer a festa de 2021 e planejar a do ano seguinte em tão pouco tempo”. Perfeito! Isso mesmo que se espera, um desfile possível, dentro das limitações impostas pela situação atual, não necessariamente igual ao carnaval deste ano. É importante ressaltar que o carnaval no Rio de Janeiro não ocorre somente na capital, já que há dezenas de blocos e escolas de samba no interior do estado também. E esse “novo calendário” também poderia (e deveria) ser estendido para as cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro, não ficando somente na cidade do Rio, movimentando também as economias locais. Além de escolas de samba e blocos de carnaval, também há blocos de enredo, “boi pintadinho”, “boi malhadinho”, entre outras manifestações, o que faz com que a cadeia produtiva do carnaval seja maior ainda, sendo fonte de renda de milhares de famílias.

No caso de o carnaval do Rio de Janeiro ocorrer, e em nova data, acredito que a decisão de como será o evento todo deva ser tomada em conjunto, com vários representantes, sejam eles os governos estadual e municipal; as escolas de samba, representadas pelas ligas (LIESA, LIERJ, LIESB…); os blocos, representados pelas associações; a TV Globo, principal parceira das escolas de samba, que inclusive já renovou o contrato de transmissão pelos próximos anos; patrocinadores, camarotes e parceiros dos desfiles; imprensa, principalmente a especializada; entre outros. O governador precisa ser ouvido, além do prefeito (o atual e o futuro, caso o atual não seja reeleito, o que só vamos saber no fim do ano). Não custa lembrar que o carnaval é o principal evento turístico da cidade do Rio de Janeiro, tendo movimentado quatro bilhões de reais neste ano, e atraído 2,1 milhões de turistas! Só para efeitos de comparação, nas Olimpíadas Rio 2016, a cidade recebeu 1,2 milhão de turistas, pouco mais da metade de turistas recebidos no Carnaval 2020, e número próximo de turistas no carnaval de 2016 (pouco mais de um milhão, segundo a Riotur).

A TV Globo precisa ser consultada, para saber se estaria interessada em fazer as transmissões numa nova data, ou não, se prefere esperar o carnaval de 2022. Aqui vale um ponto interessante: não só os desfiles, mas a apuração na quarta-feira de cinzas é um “evento à parte”, tendo inclusive mais audiência na televisão do que o próprio desfile em si. Esse ponto precisa ser lembrado para, na hipótese de mudanças no regulamento, talvez possa não haver rebaixamento, mas seria importante ter o julgamento, o título, e as seis primeiras colocadas voltando no Sábado das Campeãs (mesmo na hipótese de um “carnaval menor”, o desfile das campeãs deveria ser mantido, com a disputa “na parte de cima”). Sendo assim, a posição da detentora dos direitos de transmissão do carnaval é de grande relevância para a realização ou não dos desfiles em 2021. O mesmo vale para os desfiles da Série A, que a Globo transmite na sexta-feira e sábado de carnaval para o Rio de Janeiro desde 2013.

Os camarotes, que cada vez vem crescendo mais, e realizando diversas festas, também precisam ser consultados para saber se teriam interesse em realizar as festas nesse “carnaval fora de época”, ou não. Aqui vale ressaltar que o setor de eventos foi muito prejudicado na crise do coronavírus, com as medias (corretas) de distanciamento social e não aglomeração. Mas, quando tudo isso passar, o setor de eventos vai precisar se fortalecer. Além do mais, por uma questão de demanda reprimida, as pessoas ficaram muito tempo em casa, sem sair para festas, e quando for possível retornar, é provável que haja um crescimento do setor.

Em artigo publicado no site CARNAVALESCO, antes do carnaval 2020, comentei sobre a importância do carnaval para a economia do Rio de Janeiro, e citei a grande relevância dos camarotes, não só financeira, mas também para levar um público novo e diferente para o Sambódromo. Sobre o setor de eventos, uma das “maiores autoridades no assunto”, Roberto Medina, em entrevista aos jornalistas Bruno Villas Bôas e Francisco Góes para o jornal Valor Econômico do dia 15/09/20, afirmou que está confiante para uma vacina, e que o Rock in Rio, daqui a mais de um ano, será possível de ser realizado, e que “vai ser o maior Rock in Rio de todos os tempos. (…) Na gripe espanhola, o carnaval do ano seguinte foi o maior de todos. As pessoas precisam celebrar.” O mesmo vale para o carnaval pós-coronavírus, nos desfiles das escolas de samba, nas festas nos camarotes e nas centenas de blocos nas ruas.

Em relação ao carnaval de 2020, algumas informações divulgadas pela Riotur, numa pesquisa bastante detalhada, são importantes para levarmos em consideração e entender a magnitude da importância do carnaval para o Rio de Janeiro. Começando pelos desfiles do Grupo Especial, o público era formado por 12,4% de turistas estrangeiros; 55,6% de turistas nacionais; e 32,0% moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os estrangeiros, os três primeiros países foram a Argentina (19,2%), EUA (17,3%) e Inglaterra (9,6%). E sobre os turistas nacionais, a maior parte veio de São Paulo (31,7%), seguido do Rio Grande do Sul (9,7%) e Minas Gerais (9,0%). Já nos blocos de rua, apenas 0,9% do público era formado por turistas estrangeiros, 14,4% de turistas nacionais e 84,7% de cariocas. Entre os turistas brasileiros, 70,6% vieram da região Sudeste, 18,0% do Sul, 6,5% do Centro-Oeste e 6,5% do Nordeste. Ainda de acordo com a Riotur, entre os estrangeiros, a permanência média na cidade foi de 7 dias, com gasto médio pouco superior aos dois mil reais por pessoa. Já entre os turistas nacionais, a permanência média foi de 6 dias, com gasto médio próximo de mil reais por pessoa. Segundo a pesquisa divulgada pela Hotéis Rio, a ocupação hoteleira da cidade do Rio de Janeiro ficou na média de 93%, tendo regiões que chegaram a quase 100%. No total, mais de dez milhões de foliões circularam nas ruas do Rio de Janeiro no carnaval deste ano.

O que esses números mostram é que a prevalência de turistas estrangeiros é bem pequena (pouco mais de 10% nos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial e menos de 1% nos blocos de rua). Logo, um argumento de que turistas estrangeiros não vão querer vir para o Brasil no carnaval fora de época, em função da crise sanitária, torna-se menos relevante, pois a grande maioria dos turistas no carnaval do Rio já é de brasileiros. Os turistas estrangeiros gastam, em média, mais do que os brasileiros, mas não são muitos em proporção do total. Mais de 80% dos turistas presentes nos desfiles do Grupo Especial são de turistas nacionais, e 15% do público dos blocos.

Outro ponto interessante é que a maior parte dos turistas brasileiros são da região Sudeste, principalmente de São Paulo, o que facilita o deslocamento. Mais uma questão relevante é que o turismo nacional pode ser bastante beneficiado no pós-crise (já agora, mas também ao longo do ano que vem). Primeiro, por questões sanitárias, pois pode haver uma preferência por viagens para locais próximos, de carro ou ônibus. E, mesmo para viagens de avião, é melhor fazer viagens curtas pelo Brasil (uma, duas, três horas de avião), do que pegar nove, dez horas de avião para ir para a Europa ou EUA, por exemplo. Além disso, com o câmbio brasileiro enfraquecido na comparação com o dólar e o euro, principalmente, viagens nacionais podem ser mais atrativas do que estrangeiras. Sobre esses pontos do dólar alto, e da insegurança sanitária, ambos inibidores de viagens internacionais, Roberto Medina, na entrevista para o Valor, disse que “o turista brasileiro deixa, a cada ano, R$ 78 bilhões no exterior. Se tivéssemos um mínimo de competência e de política pública, poderíamos neste próximo ano pegar um pedaço desses R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões.”

Um fator adicional a ser considerado é que, segundo a pesquisa PNAD Contínua Turismo, do IBGE, com dados do 3º trimestre de 2019, o Rio de Janeiro foi o quinto estado mais procurado para viagens nacionais, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. O RJ recebeu 5,8% dos viajantes brasileiros no período analisado, enquanto SP recebeu 18,9%; MG, 12,8%; BA, 8,7%; e RS, 6,7%. Reforçar o turismo e aumentar a quantidade de viajantes brasileiros para visitar o Rio de Janeiro ao longo de todo o ano, e não somente no verão, é fundamental para o fortalecimento da economia fluminense. Sendo assim, o carnaval, caso seja possível realizar no meio do ano que vem, pode ajudar bastante a aumentar a visitação nesse período. Caso dê certo, até pode-se pensar em movimentar a agenda de eventos nesse período. Roberto Medina, na entrevista recente ao Valor, ao falar que o Rock in Rio tem um impacto de R$ 1,8 bilhão na economia carioca e gera 28 mil empregos diretos e indiretos, frisa que “é natural uma pessoa, um político qualquer de plantão, argumentar que está investindo na creche e não pode tirar esse dinheiro para fazer turismo. Errado. No caso do Rio, cada turista que entra ‘faz’ escola, sala de aula, esparadrapo para o hospital. Nunca vai ter esparadrapo no hospital enquanto a economia principal da cidade estiver adormecida, sem mobilização”.

De acordo com as estimativas da Confederação Nacional do Comércio – CNC, o Rio de Janeiro foi responsável por 1/3 da movimentação financeira das atividades turísticas relacionadas ao carnaval 2020. São Paulo e Bahia, juntos, representaram 1/3 também. Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e demais estados foram responsáveis pelo terço final. Bares e restaurantes, empresas de transporte de passageiros (rodoviário, aéreo e de locação de veículos) e hotéis e pousadas representam quase 90% desse faturamento, sendo que o setor de alimentação fora do domicílio (bares e restaurantes), sozinho, representa mais da metade do faturamento total. Além disso, a CNC estimou a contratação de mais de 25 mil trabalhadores temporários nos dois primeiros meses do ano, para atender o aumento sazonal de demanda, sendo que mais de 70% desses novos empregos, no segmento de serviços de alimentação. Números esses que reforçam mais ainda a importância da data nacional do carnaval, e que mostram que o Rio de Janeiro não pode ficar de fora dessa, dado que é o estado com o maior peso na movimentação financeira das atividades turísticas ligadas ao carnaval.

Na crise econômica atual, em função da pandemia, e isso vale para todos os setores, o objetivo principal é tentar minimizar as perdas. Por exemplo, se uma empresa tem dez funcionários e está enfrentando dificuldades, o objetivo deve ser “tentar sobreviver”, mesmo que com menos funcionários. Se precisar demitir metade, por exemplo, isso se faz necessário para manter os outros cinco. Programas para tentar minimizar os problemas no mercado de trabalho foram feitos no Brasil e no mundo, como os de retenção do emprego na Europa (Kurzarbeit, na Alemanha, por exemplo).

Sendo assim, manter minimamente o ciclo do carnaval 2021 é o que deve ser feito, em vez de simplesmente “pular o ano” e pensar no carnaval de 2022 a partir de meados de 2021. Para 2020, as escolas do Grupo Especial puderam levar quatro, cinco ou seis carros alegóricos para a avenida. E, com isso, muitos trabalhadores do barracão puderam ter a sua fonte de renda. Caso não seja possível (por questões financeiras, de tempo para execução etc.) ter a mesma quantidade de carros e fantasias em 2021 do que no carnaval passado, que se reduza, mas que se mantenha alguma coisa para que, se não todos, pelo menos alguns trabalhadores possam ter a sua fonte de renda mantida, mesmo que com um valor menor. O mesmo vale para os intérpretes, por exemplo. Uma das fontes de renda deles é cantar nas disputas de samba enredo das mais variadas escolas. Caso se decida simplesmente por eliminar o carnaval de 2021 e ir direto para 2022, eles vão ficar um ano sem essa fonte extra de renda. No caso dos cantores, as lives surgiram como uma opção também, mas a manutenção do ciclo ainda se mantém válida. E diversos outros exemplos também poderiam ser dados.

Como sempre lembra o Sérgio Almeida Firmino, assessor de Economia Criativa do Carnaval, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, e diretor do Instituto Cultural Cravo Albin, os sapateiros produzem milhares de pares de sapatos para os desfiles. E aqui eu digo. É melhor esses sapateiros produzirem uma quantidade menor de sapatos, mas continuarem a produzir, do que simplesmente esperar 2022 chegar.

O auxílio emergencial, feito pelo governo federal, foi na direção correta de garantir uma renda mínima para quase 70 milhões de brasileiros, apesar dos problemas que ocorreram, como pessoas que não deveriam ter recebido, tiveram acesso ao dinheiro, e pessoas que realmente precisavam, não terem obtido o auxílio. Campanhas solidárias, como as escolas de samba e diversos segmentos das escolas fizeram e estão fazendo (como Barracão Solidário, entre outras), além das lives, que além de ser um entretenimento também têm caráter social, ajudaram bastante e continuam sendo essencial para determinadas pessoas. No artigo “Crise do Coronavírus Ressalta Mais Ainda a Importância das Escolas de Samba”, publicado na edição de maio deste ano da “Samba em Revista”, do Museu do Samba, eu comentei sobre a importância das escolas de samba para a economia do Rio de Janeiro, e também sobre a grande relevância dos projetos sociais, sempre presentes na vida das agremiações, e que se mostrou mais importante ainda no momento atual, seja fazendo máscaras, doando alimentos para os mais vulneráveis, entre outros. Porém, auxílio emergencial, campanhas solidárias, entre outras, são ajudas muito bem-vindas, mas não a solução principal para o problema, pois as pessoas precisam continuar trabalhando para ter a sua fonte de renda e, com isso, sustentar suas famílias.

Mais uma questão relevante para se manter o “ciclo” do carnaval 2021 é sobre a imprensa especializada, tão importante para o fortalecimento do carnaval durante o ano inteiro. Ao simplesmente “pular” o carnaval 2021, menos informações serão noticiadas, menos eventos (virtuais ou presenciais, mais para frente) serão cobertos e, no final, menos empregos para os jornalistas. O Alberto João citou dados interessantes e importantes na live dos 13 anos do CARNAVALESCO: somente na quarta-feira de cinzas, o site recebeu quatro milhões de acessos, mostrando a enorme força do carnaval, principalmente das escolas de samba. No mês de fevereiro deste ano, foram quase sete milhões de leitores no site. Manter o ciclo do carnaval de 2021 e, com isso, a constante atualização de notícias pelos jornalistas, também tem a sua grande relevância.

Sobre o carnaval em fevereiro próximo, o Museu do Samba realizou o (excelente) “Seminário Carnaval 2021: Vamos fazer uma festa?”, para discutir, entre outros temas, a importância de haver alguma manifestação/evento na data “verdadeira” do carnaval, em fevereiro de 2021, para marcar posição e “não deixar o samba morrer”. Claro que com todas as medidas de segurança sanitárias sendo cumpridas. Também concordo integralmente com essa ideia, além de outras discutidas no debate, como eventos virtuais nas quadras das escolas nos dias que aconteceriam os desfiles, caso o coronavírus não tivesse acontecido, entre outras.

Em resumo, este artigo procurou listar algumas razões econômicas para a realização do carnaval no ano que vem, caso seja possível por questões sanitárias. Mas claro que muitos motivos “não econômicos” também existem e são até mais importantes para a realização da festa em 2021, assim que for possível!

Caso aconteça numa nova data (em fevereiro será praticamente impossível), e se for nacional, o Rio de Janeiro e, principalmente as escolas de samba, precisam estar presentes, dada a relevância das agremiações.

Neste ano o impacto econômico do carnaval do Rio foi de quatro bilhões de reais, com mais de dois milhões de turistas, quase o dobro durante as Olimpíadas de 2016. Além do mais, o carnaval do Rio de Janeiro, sozinho, foi responsável por 1/3 de toda a movimentação financeira do carnaval do Brasil em 2020, o equivalente a Salvador e São Paulo juntos. Sendo assim, caso o carnaval ocorra numa “data alternativa”, o Rio de Janeiro, incluindo escolas de samba e blocos, deverá ser peça fundamental, dada a sua grande importância.

A grande maioria dos turistas que vem para o Rio durante o carnaval são brasileiros, e, entre eles, a maior parte veio de lugares próximos, principalmente de São Paulo, o que facilita a vinda deles, e isso deve ser incentivado, dado fatores inibidores de viagens mais longas para o exterior (dólar alto, questões sanitárias etc.).

decisão de se realizar (ou não) um carnaval numa data alternativa precisa ser feita em conjunto, entre os governos estadual e municipal, ligas das escolas de samba, associações de blocos, TV Globo, patrocinadores, camarotes, imprensa (principalmente a especializada), entre outros atores. Minimizar os impactos da crise e manter minimamente o ciclo do carnaval é importante, para que os profissionais que trabalham com isso, como carnavalescos, intérpretes, artesãos, ferreiros, costureiras, imprensa especializada, entre outros, consigam manter suas fontes de renda, se não na totalidade, pelo menos uma parte. Além de uma nova data para o carnaval 2021, nos dias originais, em fevereiro, algum tipo de manifestação também teria que ocorrer, como amplamente debatido no evento do Museu do Samba.

E, como disse o Roberto Medina na entrevista ao Valor, ao se referir ao Rio de Janeiro, “o produto está pronto. É só colocar o artista para cantar. É só colocar a bilheteria na porta e iluminar a cidade, porque ela está pronta para fazer dinheiro.” É só colocar a bateria para tocar, o mestre-sala e a porta-bandeira para bailar, os componentes para evoluir, pois o carnaval estará pronto para alegrar as pessoas no pós-crise e ajudar na retomada econômica!