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Artistas dos barracões de São Paulo fazem teste de Coronavírus antes de iniciarem os trabalhos

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Os artistas que vão trabalhar presencialmente nos barracões das escolas de samba foram testados na quinta-feira para Covid-19. A ação foi uma iniciativa da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo e aconteceu na Fábrica do Samba, com profissionais recém-chegados de Parintins (AM) e outros que já estavam em São Paulo.

Os envolvidos na construção das alegorias para o próximo Carnaval fizeram o teste de antígeno para covid-19. A pesquisa de antígeno aponta a presença ativa do vírus no corpo, com resultados disponíveis a partir de 15 minutos.

“Todos os presidentes aderiram e todos os profissionais compreenderam a necessidade [de fazer os testes]”, conta Luciana Silva, vice-presidente da Liga-SP.

Com os testes, os artistas que não apresentaram indícios de contaminação por Coronavírus foram liberados para o trabalho.

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“É o nosso compromisso, com as pessoas, com o nosso Carnaval”, explica Sidnei Carriuolo, presidente da Liga-SP.

O desfile das escolas de samba está previsto para acontecer em julho de 2021, havendo vacinação para a população e de acordo com a posição da capital no Plano São Paulo, que determina a reabertura econômica de todos os setores, considerando a disponibilidade de leitos de UTI e o ritmo de contágio da covid-19, bem como as diretrizes que devem ser seguidas para que aglomerações sejam evitadas. A transferência de data foi uma decisão pensada junto com a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado, diante do cenário pandêmico em 2020.

Luto! Mundo do carnaval perde Anatólio Izidoro, o Cidadão Samba

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Anatólio Izidoro, o eterno Cidadão Samba, faleceu nesta sexta-feira, aos 87 anos. Ele era fundador e torcedor da Unidos de Lucas. Por muito tempo, ele foi diretor da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Aescrj). Não foi informada a causa da morte e nem o local do velório e enterro.

“Meu esporte é samba. Eu sou tricolor, mas se me perguntarem não sei dizer quem joga no Fluminense. Já passei por muita coisa no carnaval. Mas fico feliz de ver aonde os sambistas chegaram”, disse Anatólio Izidoro, ao jornal Extra em 2013.

Nascido em Brás de Pina, Zona Norte do Rio, era filho de um montador de chaminés e sua mãe era doméstica. Ao site Sambrasil, em 2018, ele falou sobre o carnaval.

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“Fui o presidente da antiga escola Capela. E também da Unidos de Lucas, na gestão de 1972 a 1976. Eu, que comecei muito cedo, no tempo da discriminação, sei como é bom isso, essa repercussão. Samba é a glória de nosso país”.

Apaixonados por carnaval: ‘O amor que é Independente na identidade’

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O brasileiro é competitivo por natureza, quando se fala de futebol ou qualquer competição ele se joga de cabeça e não entra para perder. Com as escolas de samba não é diferente, é algo que arrepia e estremece as estruturas. Quando você vê, está torcendo, vibrando e roendo as unhas na leitura das notas. E os apaixonados? Aqueles que não vivem sem o carnaval. Seja desfilando, trabalhando no ateliê, no barracão, torcendo nas arquibancadas e camarotes ou simplesmente assistindo na TV de qualquer lugar do Brasil. Como começou o amor pelo carnaval e pela agremiação? Será que este amor passa de pai para filho com o DNA? A série “Apaixonados por carnaval” está aí para ouvir esses amantes dos desfiles.

O site CARNAVALESCO conversou com Renato Souza, de 25 anos, que mora em Realengo. Ele dedica bastante tempo do seu dia trabalhando em prol de movimentar as redes sociais “Independente na Identidade”. Isso poderia ser óbvio de acontecer, já que sua mãe foi passista da própria Mocidade. Mas, o destino quis tirar o pequeno menino dos seios da escola.

“Minha mãe era passista, porém, quando ela engravidou da minha irmã, começou a sair do mundo do samba. Nasci no Rio, mas nos mudamos para uma cidade na Região dos Lagos e fiquei longe fisicamente do mundo do carnaval”, comentou Renato.

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O menino Renato morando na Região dos Lagos ainda sem contato com o mundo do carnaval.

A mãe de Renato contava sobre a época em que era passista, e isso fez o menino Renato sonhar acordado com o mundo do carnaval. Aos oito anos de idade, assistindo ao desfile da Mocidade de 2002 pela TV, despertou ainda mais este encanto.

“Abra as cortinas do seu coração
Nossa arte é vida, cheia de emoção
Vem sonhar acordado
Esse mundo encantado
É fascinação“ – Mocidade 2002

“O desfile do Circo Místico foi aquele que eu me lembro de ter visto pela primeira vez na televisão e ter ficado encantado com a escola”, relembrou.

Para dar uma esperança para o pequeno garoto, quando ele tinha 15 anos, finalmente, foi morar em Realengo, próximo a tão sonhada escola. Mas, nem tudo são flores: “Viemos para o Rio de Janeiro, porém, ninguém queria me levar para a Mocidade, e eu como era menor de idade não pude ir. Foi então que veio o carnaval de 2014”.

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Quem não se lembra, os preparativos para o carnaval de 2014 foram um dos mais conturbados para escola de Padre Miguel, o presidente renunciou ao cargo, a escola mudou de direção e um comunicado mudaria a vida de Renato.

“Louco de paixão, sempre vou te amar
Luz da emoção no meu cantar
Independente na identidade
Com muito orgulho, eu sou Mocidade” – Mocidade 2014

“Antes do carnaval Pernambucópolis, quando já tinha os 18 anos, a escola convocou a comunidade para ajudar a finalizar o carnaval. Com a cara e a coragem, sem conhecer ninguém, que fui lá na Cidade do Samba, nem sabia como era, nunca tinha ido lá, e ajudei na confecção daquele desfile”, disse orgulhoso.

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Renato conheceu pessoas e ajudou a fundar a torcida Loucos de Paixão, onde participou da direção até 2019. E, se “jogando” no mundo da Mocidade, foi que em 2015 ele até perdeu um ingresso que comprou para assistir aos desfiles.

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“No carnaval de 2015, eu comprei um ingresso para assistir aos desfiles, porém, preferi ir para concentração. Fiquei tempos lá parado, a escola era a terceira de domingo, desfilei com uma chuva e o ingresso se desfez”, conta dando rizadas.

“Invade, se joga na felicidade
Fazendo a vontade do seu coração
Hoje é o dia vem se “acabar”
Deixa a Mocidade te levar!” – Mocidade 2015

E o desfile que ele mais vibrou foi o de 2017. “Nós que estávamos desfilando foi fantástico, pura emoção e depois de tempos você via a Mocidade fazendo um desfile digno. Aquele ano foi maravilhoso”, afirmou com entusiasmo.

“Abre-te Sésamo que o samba ordenou
Mil e uma noites de amor
Põe Aladdin no agogô, tantan nas mãos de Simbad
Meu ouvido é de mercador” – Mocidade 2017

Assim, ele ficou ainda mais apaixonado, sabendo como funcionava o organismo da escola, foi então que antecedendo o desfile de 2020 ele fundou o “Independente na Identidade”. Renato explica ao site que não é uma torcida organizada, mas um projeto para as redes sociais onde ele brinca com a linguagem dos memes e preenche o lado do torcedor nas lacunas às vezes deixadas pela escola.

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“A comunicação da escola é boa, e ela que alimenta as nossas informações, porém, aquela linguagem do meme e do deboche nós fazemos. Eu participo também de grupos no Facebook e no Whatsapp para ver as aptidões e o que a galera busca. Não só isso, a escola posta a notícia e eu tento preencher uma lacuna afetiva do torcedor, através da linguagem das redes sociais”.

“É hora de acender
No peito a inspiração
Sei que é preciso lutar
Com as armas de uma canção” – Mocidade 2020

Renato diz que toca quase tudo sozinho nas redes sociais, ele tem ajuda das amigas Fernanda e Carol, e do seu namorado Fabrício para conseguir atualizar as postagens. Mas, mesmo assim, é feliz no trabalho que presta. Perguntado qual recado ele daria para o torcedor da Mocidade, ele não fez de rogado:

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“A torcida da Mocidade merece parabéns. Nas redes sociais ela é ativa, tudo participa e isso é ótimo, porém, essa intensidade faz com que eles peguem pesados em alguns aspectos. O que tenho que dizer é que a participação dos torcedores é ótima, mas em alguns momentos tem que pegar mais leve, ponderar”.

Passarela do Samba: ‘Samba no cemitério’

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Visitar um barracão para fazer matéria é sempre complicado. Geralmente, os carnavalescos não gostam que pessoas estranhas ao serviço vejam as alegorias antes que estejam terminadas. Fotografar, então, nem pensar.

Por outro lado, aprendi que esta curiosidade rouba o que há de mais emocionante no espetáculo: a magia da surpresa, do inesperado. Quando você já sabe o que vai acontecer, as únicas dúvidas são onde e quando. Não é a mesma coisa. Subtrai a emoção na hora de escrever ou comentar.

Por essas e outras, sempre que vou a um barracão fazer entrevistas, já entro olhando para o chão. Não quero ver nada, nem saber o que é isso ou aquilo. A não ser que o carnavalesco resolva mostrar alguma coisa, pois seria uma indelicadeza não atendê-lo.

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Fernando Pamplona foi professor de Rosa na Belas Artes e no barracão do Salgueiro – Fotos Equipe Henrique Matos

Foi assim que entrei no barracão da São Clemente para entrevistar Rosa Magalhães, olhando par o chão. Antes de chegar à porta de acesso ao segundo andar, onde ficava a sala da carnavalesca, levei um susto. Por um instante, tive a sensação de estar passando ao lado de um cemitério. Não resisti à curiosidade, confesso. Levantei a cabeça e, de fato, era um grande cemitério. Imediatamente, veio à dúvida: “Cara, o que isso tem a ver com Fernando Pamplona?” – o enredo para o Carnaval de 2015 era “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé-de-Boi”, que contava a vida do cenógrafo, carnavalesco e mestre salgueirense.

Rosa percebeu que eu estava meio sem graça. Perguntou se tinha visto alguma coisa. Fui sincero:

– Aquele cemitério… Não entendi a ligação com o Pamplona.

Rosa explicou que, quando jovem, Pamplona morou em Botafogo, na época em que o Cemitério São João Batista passava por obras de ampliação. Era lá que ele e os amigos passavam a madrugada tomando cerveja e cantando pagodes. Arrematou:

– É o carro onde vem a turma que trabalha no barracão. Eles gostaram tanto que estão colocando os nomes de parentes mortos nas lápides e nas sepulturas, para desfilarem com eles, no carnaval.

Hoje é o aniversário de Rosa Magalhães, que está de volta à Imperatriz Leopoldinense.

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A turma do barracão se divertiu e ainda homenageou parentes mortos

Bolsonaro diz que vai manter feriado de carnaval em 2021, mas governo federal já decretou ponto facultativo

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Durante sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro respondeu uma pergunta sobre o carnaval tradicional em fevereiro para o ano de 2020. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também participou do papo. Ao responder, Bolsonaro errou ao indicar o carnaval como feriado, quando o próprio governo federal, por portaria do Ministério da Economia, já identificou como ponto facultativo.

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“Aqui tão perguntando se vai ter feriado durante o carnaval. Esse feriado é uma lei federal. Então, a ideia nossa é logicamente não criar nenhum óbice e manter o feriado. Agora se o cara vai pular ou não o carnaval, se vai ter carnaval ou não é outra história. E nós pretendemos manter que é um carnaval religioso, é isso mesmo? Segunda e terça é feriado. Nós vamos manter e cada um é responsável pelos seus atos”, afirmou Bolsonaro.

A Portaria nº 430, de 30 de dezembro de 2020, do Ministério da Economia, indica que o carnaval é ponto facultativo. Os governos estaduais e municipais possuem poder de decisão de decretarem ou não a data como feriado.

Deputado quer feriado para carnaval fora de época

O deputado federal Dr. Luizinho (Progressistas-RJ) segue com o Projeto de Lei 5129/2020 para criar um feriado de carnaval em julho de 2021. Assim, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife fariam suas festas fora de época, obviamente, com a vacinação sendo feita em todo o país.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, ele falou sobre o andamento do projeto na Câmara para um carnaval fora de época no mês de julho, que não o período do carnaval tradicional, que é uma data religiosa.

“O Projeto de Lei passa o carnaval para 12 e 13 de julho, segunda e terça-feira. Seria da mesma maneira que organizamos todos os anos. Cada cidade poderia fazer seu carnaval, definindo o ponto facultativo para sexta e quarta-feira. A certeza da vacinação é fundamental para colocarmos em pauta a votação. Ainda não tem data para ser votado no plenário da Câmara, mas acredito que aconteça na volta do recesso entre fevereiro e março”, afirmou.

Schall desabafa sobre o momento do carnaval: ‘A classe artística está sofrendo muito’

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O diretor de carnaval Junior Schall participou nesta quinta-feira da live “Resenha dos Sambistas” com Junior Escafura. Durante o papo, ele falou sobre a saída do Paraíso do Tuiuti e deu sua visão sobre o momento em que vivem os profissionais do carnaval.

“A classe artística do carnaval está sofrendo muito, está machucada. Hoje, nós que somos apaixonados e militantes do carnaval vivemos um campo de incertezas enormes. A gente chegou em um ponto que toda vontade de fazer carnaval quer acontecer, mas o universo ao redor está impossibilitando. Precisamos nos recriar a cada ciclo de 24 horas. Busco outras formas de trabalhar, compartilhar saberes e narrativas de carnaval. Sei de várias pessoas que estão com essa angústia e faca no peito. Falo com muita tristeza no coração, mas temos um campo de incertezas no carnaval. Hoje, eu preciso me adequar com a vida que preciso ter para manutenção do meu lar”, disse.

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Schall reafirmou que o desligamento do Paraíso do Tuiuti aconteceu em comum acordo e elogiou o tratamento dado pela agremiação de São Cristóvão.

“Agradeço ao Tuiuti pelo carinho. Foi realmente comum acordo. Quando falo que não estou mais no Tuiuti, como em outras casas que pude passar, fiz grandes amigos. Tudo que foi acertado comigo foi cumprido. Tudo ok, nota 10. Meu temor era a questão da retomada e não poder atender da forma que o Paraíso do Tuiuti desejava, porque tenho que correr aqui para ajudar em casa. O carnaval está parado. Não tenho nenhum convite e entendo o cenário de hoje. A incerteza e cautela faz parte de todo mundo no carnaval”.

Bar do Zeca Pagodinho decide adiar shows neste fim de semana

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Em virtude do cenário em que se encontra o Rio de Janeiro e no intuito de manter firme os cuidados sanitários com o público, funcionários e artistas, o Bar do Zeca Pagodinho optou por adiar os shows Ao Vivo programados de 7 a 10 de Janeiro. Com isso, as apresentações de Xande de Pilares, Júlio Estrela, Sambinha do Primeiro Amor, Tok Raro, Grupo 100%, Roberta Espinosa, Feijoada do Leandro Sapucahy e Samba da Gota serão reprogramadas para novas datas.

Mas, até lá, o Bar vai continuar a todo vapor e prosseguindo com a tradição de divulgar a boa música. O lugar será tomado pelo o melhor do samba, através de som ambiente, com repertório dos artistas que marcaram presença no palco da casa. Além disso, os frequentadores podem continuar saboreando a comida de Boteco feita pelo craque do gênero, Toninho do Momo que também é responsável pela famosa Feijoada. O prato irá marcar, como de costume, presença no cardápio do fim de semana. Tudo, cercado de muita responsabilidade.

Seguindo todos os protocolos, a entrada só é permitida com o uso de máscaras, o local disponibiliza álcool em gel na recepção, toillets e balcões. As mesas são higienizadas a cada troca de cliente e todos têm sua temperatura medida na entrada do shopping. O público pode acessar o cardápio digital através do QR Code e a capacidade do estabelecimento está reduzida em 50%.

O Bar do Zeca Pagodinho acredita, coopera e torce pela saúde e alegria da população.

Ao vivo: Junior Escafura conversa com Junior Schall no Resenha dos Sambistas

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Viradouro com o lema: ‘honrar compromissos e não acumular pendências’

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Entre todas as incertezas que a pandemia trouxe para o mundo, uma delas foi e ainda é o carnaval. Quem é sambista, viu com preocupação as escolas fechando suas portas, cancelando seus eventos e parando suas atividades de barracão. Na incerteza de quando o carnaval vai para a avenida e como produzi-lo, as agremiações param para olhar dentro delas mesmas, para sua equipe e para sua comunidade. Um desfile não brota do nada. As escolas de samba têm contas a pagar, funcionários para manter e projetos para andar.

Nesse olhar para dentro das agremiações, o site CARNAVALESCO apresentará como as escolas de samba do Grupo Especial viveram e estão vivendo a pandemia. Os prejuízos, as ações, como estão as equipes e como projetam o futuro. Para começar, a campeã Viradouro, com pé no chão e contas em dias, mostra que boa gestão faz uma escola parar e não entrar no tom nada bom do vermelho.

Logo que a “infinita quarentena do carnaval” foi anunciada, o céu de repente ficou nublado na Sapucaí. As escolas começaram uma empreitada para se manterem ativas na internet. Os funcionários viveram momentos de incertezas, até que as informações oficiais foram chegando e, nem sempre, deu para salvar todo mundo. No salve-se quem puder do samba, a questão era manter as equipes ou fechar as contas.

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Reconhecida por ter as finanças sempre em dia, nesta gestão, a Viradouro precisou tomar decisões. Como muitas empresas mundo afora, era hora cortar custos. Com o lema “honrar compromissos e não acumular pendências”, o presidente Marcelo Calil projetou que, desligando alguns funcionários, eles poderiam se manter por alguns meses com suas recisões e seguros desemprego. E explicou:

“Os funcionários essenciais ao momento da escola (de reconstrução de parte do barracão e reparos na quadra) foram mantidos. Os outros tiveram suas demissões efetivadas, e, posteriormente, conversaríamos novamente sobre a readmissão ou ajuda, dependendo, obviamente, da data do próximo desfile”, explicou Calil.

Quanto aos profissionais de desfile, o presidente da escola do Barreto explicou que seguiu com todos eles, com o acordo de pagar 50% do que havia sido combinado na contratação de cada um.

A Viradouro da responsabilidade social

E por falar nesses profissionais, enquanto a diretoria da vermelha e branca planejava o ano de perdas inevitáveis, o intérprete Zé Paulo Sierra, também lamentava o período que o mundo estava passando. Responsável por dar voz, ao lado de sua equipe, aos sambas da escola nos desfiles, o cantor precisou guardar o microfone e sentir o gosto amargo de não poder comemorar o título que acabaram de conquistar. Não foi só a instituição Viradouro a afetada pela pandemia, Zé Paulo contou que o baque com as notícias foi muito grande e explicou o quanto foi atingido pela pandemia:

“Afetou não só a mim, mas também aos colegas. A Viradouro, no que pode, tem nos dado suporte. Mas, eu fui diretamente atingido. Tinha mais de 10 shows pelo Brasil e não consegui realizá-los. Tinha uma viagem internacional para fazer um evento em Portugal, o Mega Samba, e cancelaram”.

Sobre a comunidade, esta não foi desamparada.

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A escola de Niterói não deixou de lado sua comunidade e quem esteve ao seu lado. A agremiação montou uma super ação de distribuição de máscaras para a sua cidade e também São Gonçalo. A ideia da diretoria era ajudar os ateliês que prestam serviços à escola. Assim, a eles ajudariam essas empresas no primeiro momento da pandemia.

“Procuramos nessas ações atender não só a comunidade da escola, mas das cidades em geral, além de hospitais, asilos, etc. À comunidade da escola, foram dadas cestas básicas aos de extrema necessidade, em que alguns, inclusive, nem tiveram alcance ao auxílio emergencial”, afirmou Marcelo Calil.

As ações da Viradouro foram rápidas e a escola foi uma das primeiras a se mobilizarem em prol da comunidade, o que gerou repercussão em diversas mídias pelo país e o reconhecimento de seus componentes.

O sambista, os riscos e a Covid-19

Ainda sobre os impactos da pandemia, é de se imaginar que um profissional que vive de eventos tenha sofrido com a quarentena. Ainda com as quadras fechadas, a situação fez com que os artistas do mundo do samba procurassem se ocupar para não cair no ócio. Enquanto Marcelo Calil pensava em ajudar a comunidade e não deixar Viradouro parar por completo, mantendo ativos os ateliês, Zé Paulo mergulhava nas lives e colocava projetos pessoais em prática. Ele gravou uma música, a “Ninguém tem razão”, a qual se orgulha da repercussão e compôs um samba, ao lado de Dudu Nobre e Diego Nicolau. Samba esse que acabou indo para o Unidos de Vila Maria.

Quanto ao mestre de bateria, Ciça, este precisou se preservar. Pertencendo ao grupo de risco à Covid-19, Ciça não teve outra escolha que não fosse se cuidar mais que muita gente. Há 9 meses sem atuar pelo carnaval, ele lamenta o tempo parado e declara saudade.

“Eu tive até pensando em fazer alguma coisa nesses meses parado, mas não deu, porque eu faço parte do grupo de risco. Então, quase não fui para rua. Mas, o que me acalmava um pouco, era conversar com o pessoal da bateria. Eu senti muito. E você ficar sem fazer aquilo que você gosta, acaba sendo afetado. A saudade dos ritmistas é imensa”, falou Ciça.

O cantor Zé Paulo, ainda que declarando estar se cuidando, foi infectado. Mas, ele comemora o fato de ter passado pela doença sem grandes problemas. Apesar de agradecer de estar vivo, ele alinha seu discurso ao de Ciça para desabafar sobre o período de pausa indesejada:

“A gente é afetado profissionalmente, psicologicamente, fica com medo de fazer as coisas até para não se contaminar ou receber um julgamento que, geralmente, vem de uma forma muito depreciativa, sem saber os motivos que a pessoa tá fazendo aquilo. Tem muita gente passando necessidade de verdade. E o músico vive da música. Vive de eventos. Então, não tendo eventos, acaba complicando demais”, desabafou o intérprete falando ainda do que fez durante o tempo em casa: composições, iniciação científica na OBCAR e montou um workshop que, em breve será lançado.

A incerta volta, a vacina e os desfiles

Quando as escolas de samba vão voltar a pulsar não se sabe, mas vontade é o que não falta. Ciça, está louco para voltar a fazer o ama, Zé Paulo Sierra, espera a vacina e a comunidade junta de novo, e Calil mantém a calma de um presidente que projeta um futuro responsável.

Para manter os ateliês ativos, Calil deixou o barracão fazendo os protótipos para o desfile. Ele confessa que apostava em carnaval apenas em 2022 e abrir os trabalhos de confecção de alegorias em julho de 2021, mas com a data dos desfiles marcada justamente para julho de 2021, ele promete que os trabalhos irão começar já no mês que vem, fevereiro (2021).

“Seguiremos os protocolos utilizados nesse tipo de ofício e buscaremos, juntamente a liga, maiores informações que nos ajudem, no decorrer desses meses, a manter o padrão que sempre tivemos”, explica o presidente.

O intérprete, só pensa na vacina. Ansioso para voltar a ver a quadra cheia, Zé Paulo pensa em missão dividida quando o assunto é festejar a volta:

“Acho que o encontro com a comunidade vai ser um pouco mais a frente, depois da imunização, mas como eles, eu também estou com saudade. Então, eu desejo isso com muita vontade, porque já vai fazer um ano que cantei pela última vez”, lembrou o cantor.

Os ensaios ainda não começaram, embora o mestre Ciça esteja louco para voltar. Ele espera pôr a mão na massa logo, mas teme o tempo curto e pela falta de ritmo dos integrantes da bateria. Para ele, os componentes precisam do ensaio para não perder a pulsação.

“Ainda não começamos. Vamos sentar para conversar e vamos devagarzinho, dependendo da diretoria da escola. Os ensaios fazem muita falta. Se o carnaval for em julho, com certeza o tempo é muito curto. Mas, a gente vai dar um jeito, afinal a gente é sambista”, conta o otimista Ciça.

E o discurso entre presidência, carro de som e bateria, além de ter se alinhado no desfile que deu título a Viradouro, também está sincronizado no desejo de estar de volta ao carnaval, com a quadra cheia e todos imunizados para finalmente comemorar o carnaval de 2020. Ansiosos por esse momento, a escola está na missão de projetar o Carnaval 2021, que pode pular para 22, sem ao menos ter saboreado 20. Nesse dilema, o que se sabe até aqui, é que a vermelha e branca do Barreto tem um encontro, até então, marcado com a passarela do samba. No dia 11 de julho, ela será a quinta escola a desfilar com o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”.

Passarela do Samba: ‘Retrato Falado’

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Para provar a existência de Tereza de Benguela, figura central do enredo “Uma rainha negra no Pantanal”, Joãosinho Trinta conseguiu que o então Prefeito de Cuiabá, Dante de Oliveira, fretasse um vôo para os sambistas da escola e jornalistas da crônica carnavalesca. Os sambistas fariam um show na Universidade de Cuiabá e os jornalistas conheceriam as ruínas do Quilombo do Quariterê, onde Tereza reinou. Aconteceu em novembro de 1993. Glória Maria desceu de helicóptero no Rio Cuiabá, onde gravou matéria para o Fantástico; nós fomos no avião com a Escola, ao lado de Albeniza Garcia, Salete Lisboa, Solange Duart, Denise Ribeiro, Jorge Marinho e outros colegas.

O show na universidade pegou fogo. Ao final, o público invadiu a quadra para sambar ao lado de passistas e baianas, ao som da bateria. As socialites cuiabanas ficaram loucas com os integrantes da comissão de frente, formada por negros tipo NBA.

Na manhã seguinte, um senhor compareceu à portaria do hotel onde a delegação estava hospedada. Nervoso, dirigiu-se à recepcionista, mostrando uma foto:

– Por acaso, você viu esta senhora passar por aqui?

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A recepcionista balançou, pensando em confusão com a polícia:

– Não vi, não. Por que?

– É a minha mulher. Saiu ontem à noite para assistir um show da Viradouro e ainda não voltou.

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O enredo da Viradouro inseriu Tereza de Benguela na História do Brasil

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