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Fotógrafo prepara exposição com imagens de personalidades do carnaval

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Sem os desfiles das escolas de samba em 2021 o fotógrafo Yuri Graneiro fará uma exposição, no Madureira Shopping, em fevereiro, com imagens que marcaram uma geração, inclusive, com fotos inéditas.

Além das fotos inéditas feitas exclusivamente para mostra, a exposição ainda conta imagens de personalidades, como Luiza Brunet, Adriane Galisteu, Sheron Menezes, Quitéria Chagas, Valéria Valenssa, Viviane Araújo, Milton Cunha, entre outros. O fotógrafo vai abrir seu arquivo com fotos do primeiro ensaio sensual de Raissa Oliveira, da Beija-Flor, e da rainha de bateria da Mangueira Evelyn Bastos.

Raissa de Oliveira, Bianca Monteiro e Evelyn Bastos participam da exposição. Foto: Yuri Graneiro

“Fotografar os ícones do carnaval e os baluartes da maior festa popular do Brasil sempre foi uma honra, e hoje devido aos acontecimentos, sinto total necessidade de ajudar de alguma forma com meu trabalho, mesmo que de forma singela. Durante essas quase duas décadas participo do preparativo do carnaval, e vejo o quanto os trabalhadores dos barracões são incansáveis e guerreiros. Muitas vezes me emprestaram seus espaços de trabalho para fotografar. Alguns dos personagens que eu cliquei, me deram autorização para que suas fotos virem quadros decorativos, e que serão colocados à venda, outros vou usar somente na exposição. É importante lembrar que todo faturamento será destinado a ajudar os operários dos barracões”, disse Yuri Graneiro.

O espaço também vai contar com compras e visitação da exposição online. A visita presencial é gratuita e deve ser agendada pelo Instagram @madeincarnaval

Cláudio Vieira: ‘O segredo do pajé’

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A pajé Zeneida Lima, autora do livro “O mundo místico dos Caruanas” e consultora do enredo da Beija-Flor para o Carnaval de 1998, passava a tarde inteira no barracão, revelando segredos das ervas sagradas e de suas andanças pelas matas paraenses.

Contou que, quando pequena, adoeceu e quase morreu. Foi salva por uma beberagem ministrada por um velho pajé:

– Ele me salvou com xixi de veado – explicou.

Um dos colaboradores da equipe de decoração não resistiu. Na mesma hora, deu um gritinho e afirmou:

– Pois saiba que aqui a senhora terá saúde para sempre!

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Paes fala sobre cancelamento do carnaval em 2021: ‘A pandemia não vai estar resolvida até julho; Foi uma decisão feita com tristeza’

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Após decidir pelo cancelamento dos desfiles em julho de 2021 o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, revelou que nos próximos dias será divulgado um edital para ajuda financeira para os profissionais envolvidos na cadeia produtiva do carnaval. Ao falar da decisão, o prefeito disse que foi feita com tristeza.

“A pandemia não vai estar resolvida até julho. Isto está claro, mas vamos ter mais gente vacinada. E isso (carnaval) exige uma preparação que é impossível de ser feita. Eu não vi sequer preparação das escolas, daqueles que ajudam a festa a se mobilizar. Foi uma decisão feita com tristeza. Acabei me tornando o primeiro prefeito do Rio que declara que não haverá carnaval. Logo eu!”, disse o prefeito, em declaração citada na última sexta-feira, durante coletiva sobre a pandemia da Covid-19 no Rio de Janeiro.

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Eduardo Paes em um ato da campanha eleitoral com as escolas de samba em novembro de 2020. Foto: Henrique Matos

Eduardo Paes falou sobre a ideia de ajudar financeiramente os profissionais atingidos pelo cancelamento do carnaval no ano de 2021.

“Já determinei que a Riotur e a secretaria municipal de cultura trabalhem na preparação de editais a fim de permitir que os fazedores dessa grande festa e celebração cultural tenham alguma forma de sustento ao longo de 2021”.

Carnaval 2021 na Bahia? Governo fala em esperar avanço da vacinação

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Em entrevista coletiva, na tarde de sexta-feira, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), explicou que prefere aguardar o avanço da vacinação contra Covid-19 para ter uma posição oficial sobre data do Carnaval 2021 na Bahia. Segundo ele, a tendência é adiar.

“Diante do cenário hoje, com o cronograma de vacina que temos, é fácil imunizar todo mundo até julho, para a gente realizar o carnaval? Se me perguntar qual é a tendência, eu digo que não é. Mas vai depender da vacina. A tendência é não ocorrer em julho”, disse o prefeito.

Também pode acontecer do Carnaval 2021 não acontecer na Bahia, da mesma forma que os desfiles previstos para julho de 2021 foram cancelados pelo prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

“Pode ocorrer em outubro ou pode ser que não tenhamos condição de realizar esse ano, por causa da vacinação das pessoas. É cedo para afirmar. Sem ter um cronograma exato da vacina, não dá para falar de carnaval”, comentou Bruno Reis.

‘Vem se perder no imaginar dos brasis: visões românticas de paraísos e infernos’

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Milton Cunha: “O Carnaval é a utopia dos dias de felicidade, comemoração e prazer de viver em festa. E o desfile de escola de samba muitas vezes traz para a apresentação, versões diferenciadas desta maravilha: o paraíso da loucura, segundo o fabuloso Joaozinho Trinta. Este é o tema sobre o qual se debruça o professor doutor Reginaldo Leite, num texto sobre a idealização das terras brasilis. Sempre inspiramos os brancos europeus. Nossa gente bronzeada sempre mostrou seu valor e a Europa que lidasse com tanta exuberância. Boa leitura!

VEM SE PERDER NO IMAGINAR DOS BRASIS: VISÕES ROMÂNTICAS DE PARAÍSOS E INFERNOS

Por Reginaldo Leite

Vem se perder…

Existe pecado abaixo do Equador?

Durante os dias da folia momesca, inúmeros temas ganham espaço sob os holofotes da rua Marquês de Sapucaí. Reis e Rainhas de diferentes cores e culturas, guerreiros e guerreiras, personagens insólitos e conceitos abstratos invadem a “avenida dos fatos e boatos”, são personificados, incorporados por componentes de distintas comunidades. Atores e atrizes do mundo real, que fazem da festa da inversão palco da representação. Representação esta, de narrativas delirantes, românticas, carnavalescas. Fazem da Avenida dos Sonhos espaço Sagrado para vestirem-se de alegria, serem “Dantes”, “Virgílios” e “Beatrizes”, por quatro noites no universo caleidoscópico do improvável.

Mas entre Paraísos e Infernos, a índia prova do fruto proibido – o maracujá. O prazer se faz presente e nossa história tem início.

“Abram Alas para Aída passar!”. Do assento mais distante do palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, olhos contemplativos observavam cada detalhe da cenografia do espetáculo, as minúcias dos múltiplos figurinos dos cantores e o conjunto cromático diluído por diferentes cenas dramáticas. O dono desses olhos poderia ser o jovem e talentoso funcionário do Theatro – o maranhense João Trinta – orgulhoso ao ver seus adereços abrilhantarem cada ato. Mas falo de outro artista, um espanhol.

Com o libreto de Antônio Ghislanzoni (1824-1893) em mãos, Antônio Infante Zayas tentava reproduzir em papéis o esplendor da ópera de Giuseppe Verdi (1813-1901) – Aída – uma história de cunho romântico composta durante o século XIX. Passado o espetáculo e ainda revestido pelo deslumbramento daquela noite, o estivador “Antoniquinho” mergulhou em pesquisas e, sem hesitar por medo ou relutância, desenvolveu no Rancho Carnavalesco Recreio das Flores, em 1920, o enredo Ópera Ambulante, sobre a trajetória de Aída, a Princesa etíope escravizada no Egito. Ao materializar seu projeto em rebuscadas fantasias para o préstito, o técnico Antônio Infante – como era conhecido o carnavalesco da época – conquistou o campeonato por aclamação dos julgadores.

“O Infante no Paraíso e Inferno de Dante”. Imbuído do ímpeto de conquistar outro título para o Rancho Carnavalesco do bairro da Saúde, Antônio Infante vasculhou as estantes do edifício de arquitetura eclética da Biblioteca Nacional, recém inaugurado após a reforma urbana de Pereira Passos (1910), encontrando um clássico que lhe despertara o interesse já pelo título – A Divina Comédia, livro de Dante Alighieri (1265-1321). A dificuldade textual não intimidou o técnico e ele mergulhou na história de Dante, o homem que desceu ao Inferno da razão humana para vencê-lo e encontrar os braços da musa inspiradora Beatriz. Conduzido pelo poeta Virgílio, Dante ultrapassou os Portões do Inferno – que serviu de alicerce para obras de Auguste Rodin (1840-1917) e William Blake (1757-1827) – passou pelos níveis de pecado e pecadores, se deparou com figuras alegóricas e monstros assustadores, dialogou com o desespero e não perdeu a esperança de alcançar o Paraíso.

O herói deixou o Inferno para trás, escalou a montanha do Purgatório e, no ápice da trajetória desmedida, foi recebido pela amada Beatriz no Paraíso. Por ser uma longa história, contada em livros independentes, Antônio Infante decidiu dividi-la em dois enredos diferentes: Paraíso de Dante (1921) e Inferno de Dante (1922). Ambos renderam títulos ao Rancho Recreio das Flores, que passou a ser tricampeão do carnaval carioca. Mas e a índia adormecida?

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Alegoria do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, 1992. Enredo Não existe pecado abaixo do Equador, da carnavalesca Rosa Magalhães. Foto: Oséas Jarmouch.

“Singrando os mares para invadir o Paraíso”. Pelas mãos criativas da Professora Rosa Magalhães, tivemos a oportunidade de conhecer visualmente, a Tese de Doutorado – Visão do Paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil – defendida pelo Professor Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e publicada em 1959, no desfile idealizado para o carnaval de 1992 da Imperatriz Leopoldinense.

Em Não existe pecado abaixo do Equador, a carnavalesca relacionou a ganância dos espanhóis por riquezas, no além mar, com o encontro do Paraíso terrestre pré-colombiano. Segundo o enredo, os europeus se depararam com um território habitado por homens e mulheres – herdeiros legítimos de Adão e Eva – guardado por monstros, guerreiras amazonas e personagens míticos da floresta. Um Paraíso que passou a ser chamado de América pelos invasores. “Aqui é o Paraíso terrestre, onde ninguém pode chegar, salvo por vontade divina”. As palavras de Colombo, registradas em carta aos Reis da Espanha, explicitavam o significado do lugar.

“Vem se perder, o Paraíso é aqui”.

Na Europa, acreditava-se que o Paraíso terrestre existia e que as fontes bíblicas davam as coordenadas para encontrá-lo. Aos olhos dos europeus que aqui chegaram, os incríveis animais e a exuberância da floresta eram provas da viabilidade da crença. E a presença dos anjos? Após a queda de Lúcifer, anjos o seguiram e foram convertidos em pássaros, de penas coloridas e formosas, que sabiam imitar a voz humana – os papagaios – fazendo parte das aves paradisíacas. E os habitantes nus? Descendentes de Adão e Eva, bastante curiosos e dotados de extrema cooperação entre os semelhantes, sem malícia, detentores de diferentes linguagens visuais e conhecedores do fruto do prazer.

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Comissão de Frente do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, carnaval 1992, Não existe pecado abaixo do Equador, enredo da carnavalesca Rosa Magalhães. Foto: Wigder Frota. (disponível em: www.imperatrizleopoldinense.com.br)

Existem relatos de espanhóis, como o de Francisco Orellana em 1504, das visões de seres com um único olho e outros com os pés voltados para trás, sereias e amazonas. No entanto, contatos com o fantástico, delírios febris, incertezas racionais, idealizações e visões românticas de um Paraíso tropical avançaram os séculos, desembocando no período oitocentista.

O século XIX foi um período de grandes transformações científicas, políticas e artísticas no Brasil. Foi um momento de novas buscas e descobertas, em que estrangeiros surgiam ávidos por conhecer um universo, que aos olhos do visitante e do cientista, descortinava um significativo esplendor exótico e impensáveis sensações visuais. Foi um século de estudos e de observações dos costumes nativos, da diversidade biológica e de registros alicerçados pela literatura e artes plásticas. Expedições científicas grassavam o território nacional em busca do conhecer e depositavam no pintor-viajante o dever de consignar, por imagens, as belezas naturais do ainda não visto e o deslumbramento com os “habitantes do Paraíso”.

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José dos Reis Carvalho, Flor com borboleta. Aquarela, 1859, 53,2 x 36,1 cm. Museu D. João VI/EBA/UFRJ. Foto: Reginaldo Leite.

Ei! Ei! Ei! O jegue é nosso rei! Em 30/05/1856 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ao avaliar o papel das expedições internacionais em solo brasileiro, deliberou uma “expedição científica de exploração” ao Ceará. Os objetivos da viagem eram: organizar uma coleção de espécimes vegetais, minerais e animais; observar os costumes e características das povoações; e, principalmente, registrar por desenhos e aquarelas tudo aquilo que fosse encontrado. Assim, um ex-aluno de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi escalado para o cargo de pintor-desenhista da expedição – José dos Reis Carvalho (1798-1892).

Liderados por Gonçalves Dias (1823-1864), partiram todos em 1859 transportando seus equipamentos, do Rio de Janeiro em direção a seis Províncias do Nordeste, com destino ao Ceará. A viagem foi apelidada por seus críticos de “Comissão das borboletas”, de forma pejorativa devido inúmeras pranchas pintadas por Reis Carvalho, entre 1859 e 1861, que registraram uma rica variedade de espécies de borboletas, delicadamente coloridas, e jamais encontradas em outras partes do mundo. Seres que habitavam nosso Paraíso? E por que não acreditar?

No desfile da Imperatriz Leopoldinense de 1995, a Professora Rosa Magalhães trouxe essa história insólita aos olhos de muitos e inusitada para os apreciadores dos arroubos históricos que marcam a trajetória da carnavalesca. Combinando o fato contado acima com a importação de dromedários e camelos, da Argélia para o Ceará, a pesquisadora discutiu em Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube… Lá no Ceará, a necessidade de valorizar o que é nosso. Os animais estranhos ao solo pedregoso do nordeste não se adaptaram e foi o jegue, protagonista e condutor do grupo expedicionário, o herói nacional. Mas o que tem a ver esse episódio com a ideia de que o Paraíso é aqui? Lembram-se das borboletas pintadas por Reis Carvalho?

“Borboletas invadem minha mente”. Da neve austríaca à visão romântica do Paraíso, a arquiduquesa se perdia no imaginar de Brasis, ao observar pinturas e gravuras expostas nos museus de seu país. Objetos artísticos, artimanhas que a mente humana por meio do imaginário podia materializar, ao criar um Paraíso alimentado de ilusão e impregnado de infinitas possibilidades do fantástico. Uma terra habitada por borboletas gigantes, coloridas, mágicas. No ano seguinte ao bicampeonato, Rosa Magalhães contou honrosamente a história da Imperatriz Leopoldina (1797-1826). Era 1996, o ano em que a Marquês de Sapucaí conheceu a neve pela primeira vez e, que um casamento por procuração anunciava a vinda de uma jovem mergulhada em sonhos.

“E de lá pra cá, só céu e mar… Esperança. No El dourado encontrar, o Paraíso… E bonança”. A visão romântica de Leopoldina, logo fez a moça de olhos reflexivos se encantar por nossa natureza, pelo azul do céu, pela arte dos indígenas – aqueles que habitavam o Paraíso estudado por Sérgio Buarque de Holanda – por majestosas aves (anjos tropicais) e borboletas, que voavam colorindo um cenário deslumbrante. Contudo, assim como o Paraíso, também havia o Inferno. Peculiares visões que refletem diferentes Brasis.

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Ala – Borboletas invadem a mente de Leopoldina. G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, 1996. Enredo A Imperatriz Leopoldinense honrosamente apresenta: Leopoldina, Imperatriz do Brasil, de Rosa Magalhães. Foto: Oséas Jarmouch.

“Transformaram o Jardim das Delícias no Inferno da escravidão”. No carnaval de 2000, o Mestre João Trinta trouxe para o desfile da Unidos do Viradouro o enredo Brasil: visão de Paraísos e Infernos, no qual contava a história dos invasores que aqui chegaram, se deslumbraram com o possível Jardim das Delícias e implantaram abusos aos índios. Não satisfeitos, ainda transportaram africanos para cá em regime de total escravidão. Sob lamentos, mulheres e homens negros – habitantes das terras mágicas de Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas – adotaram sincretismos para que seus costumes e tradições não se apagassem e a memória afetiva de uma África esplendorosa fosse preservada. Com o passar dos anos, culturas e cores se misturaram. Sons, ritmos, manifestações, rituais e danças tomaram vulto em um Brasil de diferentes identidades, de Paraísos e Infernos, mas de exuberância sem igual. Entretanto, essa não foi a primeira relação de João Trinta com o
imaginário do Paraíso e Inferno.

“Orfeu caiu… No abismo da saudade”. Em 1998 na Unidos do Viradouro, o carnavalesco visitou o universo de Dante Alighieri – alicerce para a idealização da clássica obra de Vinícius de Moraes, escrita em 1954, Orfeu da Conceição. Com o enredo Orfeu, o negro do carnaval, João Trinta contou a história de Orfeu e Eurídice ambientada numa comunidade do Rio de Janeiro. Ele, um jovem compositor e Rei das cabrochas, tinha em seus atos a sedução de poeta. Ela, uma jovem do interior do Brasil, exalava um misto de sensações – assombro e deslumbramento pela nova cidade, encanto e hesitação pelo amado carioca. Entre Paraísos e Infernos da realidade de jovens pobres, negros e sonhadores, os protagonistas se depararam com a violência, a traição, as injustiças desmedidas, o desespero, mas assim como Dante, Orfeu jamais perdeu a esperança em encontrar a amada Eurídice. E foi no carnaval, no desfile da agremiação do coração, que o Paraíso se completou.

Perca-se…

“Pecado é não se entregar”. O casal Renato Lage e Márcia Lage, no desfile do Acadêmicos do Salgueiro de 2017, também trouxe sua interpretação magistral da obra de Dante Alighieri, em A Divina Comédia do carnaval. O enredo, uma trinca de Reis, homenageou Fernando Pamplona (1926-2013), Arlindo Rodrigues (1931-1987) e João Trinta (1933-2011). E a homenagem não era gratuita, os três nomes foram fundamentais ao contexto histórico da agremiação. Introduziram inovações, identidade à escola, trabalhos marcantes e vários campeonatos.

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Componente do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, 2017. Enredo A Divina Comédia do Carnaval, de Renato Lage e Márcia Lage. (disponível em: www.jornalrondoniavip.com.br)

A ideia para o desfile estava concentrada em três atos:” Alegria infernal”, “Pecado é não se entregar” e “Divina folia”, e tinham relação análoga aos três espaços do imaginário, descritos na obra original de Dante Alighieri – Inferno, Purgatório e Paraíso. No primeiro ato, o calor dos blocos de mascarados e as labaredas da alegria carnavalesca, em diversos âmbitos do brincar, eram apresentados pelo “Rei do Mundo Inferior”, o qual determinou que a máxima era o divertimento. No segundo, o cordão de foliões deixa de lado seus pecados e num alucinante cortejo, ruma em direção às águas da purificação, sem culpa ou medo de ser feliz. No terceiro momento do enredo, após a purificação do espírito, os foliões cruzam os portais do Reino de Momo. São recebidos pelo corso que anuncia a Santíssima Trindade Carnavalesca, os Reis da Academia do Samba – Pamplona, Arlindo e João. Belíssima homenagem! E fica a pergunta: o Paraíso terrestre está no morro do Salgueiro?

Entendemos quão próximos de Dante estamos e que Antônio Infante Zayas jamais imaginaria que o livro, encontrado por ele na Biblioteca Nacional em 1920 e que o fascinou, seria inspiração de um tema tantas vezes interpretado no carnaval carioca. Brasis de tantos Paraísos e tantos Infernos. Hoje, nosso Paraíso se encontra na Avenida da Fantasia Marquês de Sapucaí. Nela moram seres alegóricos, personagens mágicos, Reis e Rainhas de nossos morros. Elegantes senhores e senhoras que guardam tradições, mistérios e segredos.

Vem se perder no imaginar…

Vem sambar e se vestir de alegria até o dia amanhecer. Porque os habitantes do Paraíso jamais serão catequizados. São Mestres, Deuses e fazem Carnaval.

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Reginaldo Leite é cenógrafo e professor universitário, pesquisador de Pós-Doutorado em
História da Arte (UERJ) e integrante do Studiolo – Grupo de Estudos vinculado ao CNPq e
liderado pela Professora Doutora Maria Berbara. É Doutor em Artes Visuais (UFRJ) e Mestre
em História da Arte pela mesma instituição. Autor de dois livros publicados: Os Crimes de
Platão (2019) e A Insanidade que nos une: um mergulho na arte de enlouquecer (2020).

Aprovado! Parceria de Carlinhos Brown na Mocidade conquista internautas; ouça os sambas concorrentes

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A Mocidade Independente de Padre Miguel paralisou suas atividades devido ao cancelamentos dos desfiles previstos para 2021. Porém, o site CARNAVALESCO ouviu os independentes que apontaram as parcerias favoritas após o primeiro dia de eliminatórias. Com 74% dos votos, os compositores Carlinhos Brown, Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Nattan Lopes, JJ Santos e Cabeça do Ajax saíram na frente.

Quando a escola programar uma nova etapa de samba voltaremos com a enquete para votação dos independentes.

Veja abaixo como ficou a votação:

Parceria de Carlinhos Brown: 74% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Sandra de Sá: 6% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Domenil: 6% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Babi Cruz: 5% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Zé Glória: 4% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Elza Soares: 2% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Jefinho Rodrigues: 1% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Jaci Campo Grande: 1% – OUÇA AQUI O SAMBA
Parceria de Marcelo do Rap: 1% – OUÇA AQUI O SAMBA

Cláudio Vieira: ‘A saga da Tijuca na Romênia’

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Na esteira do sucesso da pirâmide do DNA e de outras “alegorias humanas” que inauguravam um novo capítulo na história dos desfiles das Escolas de Samba, a Unidos da Tijuca foi convidada a fazer uma temporada de shows na cidade de Constanta, na distante e misteriosa Romênia.

A delegação era composta por 30 sambistas, entre ritmistas, passistas e baianas que levaram na bagagem fantasias do enredo “O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível”, que dera o vice-campeonato à Escola do Borel no Carnaval de 2004, revelando o talento de Paulo Barros.

Surgiram notícias de que os sambistas se queixaram das acomodações, da alimentação e dos cachês pagos na viagem.

Perguntado sobre o que de fato ocorrera na Romênia, o divulgador Andrade Chefia lavou as mãos:

– Não sei. Enquanto a turma saía para os shows, eu ficava tomando cerveja até altas horas com o Conde Drácula, num botequim da Transilvânia.

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Milton Cunha: ‘Que coisa inapropriada ficar tentando sambar sobre os cadáveres’

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Por Milton Cunha

Que coisa inapropriada é ficar tentando sambar sobre os cadáveres. Parece saudade de shopping, de viajar, de desfilar. Em que planeta este povo vive? Não sabem que estão em um planeta assolado pela dor, pela morte, pela miséria.

Festa de que? Celebrar o que? Que carnaval? Isso posto, nossa solidariedade dos sambistas para todas as pessoas que sofrem e parabéns para todos que trabalham na linha de frente.

A decisão de cancelamento dos desfiles em julho de 2021 é perfeita. Qualquer gestor, o Eduardo Paes é um grande gestor, faz as contas, e vê que está tendo problema de vacina, que não vai dar para vacinar a quantidade de gente necessária até julho. Pelas melhores previsões otimistas em dezembro você vai ter um número x de vacinados.

Sinto muito, mas vamos ter que lidar com questões muito mais importantes do que isso. Como vamos reconstruir o país no sentido da saúde e educação? Tem questões mais graves.

O impacto que o vírus causa no Brasil inteiro e no mundo é gigantesco. De dor, horror e miséria. Como os trabalhadores gerais vão sobreviver? Os camelôs, os trabalhadores do turismo que não pode ter, e, por conseguinte, tem também os prejudicados da cultura.

Porém, a cultura e o carnaval não são bolhas. O mundo que está sofrendo. O terror é total em todos os segmentos. Sinto muito. Claro que tem a perda cultural, mas o mundo parou. Não só o carnaval, não é só a cultura, o teatro parou. Tudo parou. Vamos ver primeiro ver como vamos sair dessa ratoeira, escapar e reconstruir outras coisas muito mais importantes.

Salgueiro nega demissão de seu quadro de funcionários após cancelamento dos desfiles em julho de 2021

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A direção do Salgueiro, através do presidente André Vaz, informou que não é verdade que a escola terá demissões em seu quadro de funcionários após a definição do prefeito Eduardo Paes de cancelar os desfiles previstos para julho de 2021.

Segundo André Vaz, o “Salgueiro procurou manter o compromisso com todo o seu quadro de contratados, mas que é sabido que, não somente o Salgueiro, mas todas as escolas, encontram-se com sua receita parada há dez meses por conta de uma pandemia que assola o mundo e que trouxe consequências desastrosas para todos os segmentos da economia, especialmente o de entretenimento”.

Confira o comunicado do Salgueiro na íntegra:

“O GRES ACADÊMICOS DO SALGUEIRO informa que, notícias recentemente veiculadas anunciando demissões em nosso quadro de funcionários e segmentos em virtude do cancelamento do Carnaval 2021, são inverídicas e improcedentes.

Consideramos este tipo de “notícia” uma total irresponsabilidade de quem faz tais colocações, principalmente em um momento delicado como este, onde o mundo do samba busca meios de não esmorecer com a crise. É falta de respeito com a instituição e com todo o seu elenco.

É sabido que, não somente o Salgueiro, mas todas as escolas, encontram-se com sua receita parada há dez meses por conta de uma pandemia que assola o mundo e que trouxe consequências desastrosas para todos os segmentos da economia, especialmente o de entretenimento. Anunciar, mesmo sem nenhum tipo de fundamento ou confirmação oficial, demissões, é disseminar fake news, o que rechaçamos com toda força. A atual administração do Salgueiro é pautada na transparência e na verdade e, mesmo diante da incerteza, procurou manter o compromisso com todo o seu quadro de contratados.

Reiteramos que quaisquer que sejam as medidas adotadas por nossa instituição a respeito do futuro do projeto de Carnaval, estas serão, antes de mais nada, discutidas com o corpo diretivo e nosso elenco. Aguardamos o posicionamento da LIESA, entidade que nos representa junto ao poder público, enquanto ao planejamento e datas para 2022 para que, só então, possamos tomar novas resoluções.

Informações pertinentes aos Acadêmicos do Salgueiro que não partam dos canais oficiais da escola, devem, portanto, ser desconsideradas”.

“.

Cláudio Vieira: ‘Um caubói no plenário’

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Entre as figuras folclóricas que já frequentaram as reuniões plenárias da Liga Independente, o ex-presidente do Império, José Marcos da Silva, o Marquinhos dos Anéis, merece destaque.

Em 1996, Marquinhos estava eufórico com a verba que patrocinaria o enredo O Mundo Encantado de Beto Carrero. A empolgação era tanta, que além dos anéis gigantescos, o presidente acrescentou mais um item à sua coleção de extravagâncias: o chapéu de caubói!

Em noite de reunião na Liesa, o presidente Jorge Castanheira, fazia a chamada dos presidentes, antes de abrir os trabalhos.

Chamava Escola por Escola e os presidentes respondiam o tradicional “Presente!”. Até que…

– Império Serrano!

Silêncio. Castanheira chamou, novamente:

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– Império Serrano, presidente José Marcos da Silva… – e repetiu uma, duas, três vezes.

Antes que chamasse a quarta, foi interrompido pelo presidente da Mocidade, Jorge Pedro:

– Ele foi lá embaixo amarrar o cavalo, presidente. Mas já volta!