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Leonardo Bessa lança nova música e desabafa: ‘Falta muita empatia com o sofrimento do setor das artes e música’

A pandemia segue cruel com os sambistas. Sem shows, eventos, ensaios e desfiles é preciso se reinventar e lutar pela sobrevivência. Além de cuidar da saúde, eles necessitam de novos caminhos para levarem o pão de cada dia para casa, afinal, com mais de um ano de Covid-19, nenhum auxílio efetivo foi dado para os nossos produtores de cultura. Assim, o intérprete Leonardo Bessa, do Tucuruvi e Renascer de Jacarepaguá, preparou a música “Indestrutível” e lançou nesta sexta-feira da Semana Santa. Ao site CARNAVALESCO, o cantor falou sobre o momento. * VEJA AQUI O CLIPE

“Estou tentando a cada dia me reinventar mas sem abandonar a arte que eu amo tanto e acredito. Estamos vivendo um tempo muito estranho, as pessoas, apesar da pandemia, não conseguem entender a dor e as dificuldades desse setor tão massacrado das artes e da música. Falta muita empatia com o nosso sofrimento”, disse.

Perguntado sobre os posicionamentos dos colegas Wantuir Oliveira e Neguinho da Beija-Flor sobre as dificuldades dos sambistas, Bessa frisou que muita gente está sofrendo e precisa ser ouvida e cuidada com atenção.

“Acho que quando ícones dessa grandeza se pronunciam, a tendência é que a situação fique mais exposta e tenha mais atenção. É importante que não se calem e que se façam ouvir pois tem muita gente sofrendo com falta de apoio e sendo julgadas covardemente por quem não entende a natureza da nossa atividade profissional”.

Ele explicou o que significa o título “Indestrutível” da música composta por Neném Chama e Leandro Saramago. A produção caprichou no clipe. Um dos pontos escolhidos foi a a escadaria da Igreja da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

“Indestrutível é a nossa fé, a nossa esperança em acreditar que a intervenção divina pode guiar os passos da nossa vida em todos os momentos, sobretudo, nesses tempos tão difíceis que estamos atravessando. O clipe foi gravado em três partes. Nos estúdios da Som Livre gravamos com os meus músicos. A segunda parte em parceria com o Renê, da Leme Filmes, procuramos um lugar que representasse bem essa busca pelo milagre e a escadaria da Igreja da Penha traduz muito bem esse sentimento. E a terceira parte fizemos tomadas aéreas com um drone em alguns lugares emblemáticos no Rio, como o Cristo Redentor, a Igreja da Penha e outros pontos da cidade. Aliás, quero agradecer ao Padre Tiago Sardinha da Igreja da Penha e ao Ronaldo do Cacique que nos acompanhou nessas gravações”.

Cláudio Vieira: ‘O misterioso Bicho de Pena’

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Entre as assinaturas dos sambas-enredos que o Salgueiro já apresentou na Avenida, a mais curiosa fez parte da parceria de 1986, quando a Comissão de Carnaval prestou uma homenagem a Fernando Pamplona com o enredo “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso”.

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O título traduzia uma característica do carnavalesco e cenógrafo da TVE, que preenchia com inteligência as lacunas que, fatalmente, seriam abertas pela falta de dinheiro. Foi por isso, inclusive, que a agremiação tijucana assumiria de corpo e alma o slogan “Nem melhor, nem pior; apenas uma Escola diferente”, criado pelo próprio Pamplona.

Diferente era também a parceria do samba, que trazia no selo do disco oficial do Carnaval daquele ano os nomes de Jorge Melodia, Paulo Emílio, Marcelo Lessa e… Bicho de Pena!

Quem seria o iluminado poeta que fazia a sua estreia na galeria salgueirense com o inusitado pseudônimo? Ou teria sido um erro do revisor da gravadora que em vez de digitar Bico de Pena acabou acrescentando um inoportuno “h”?

Não houve erro. O correto era Bicho de Pena mesmo, o novo apelido de Pedro Correia de Carvalho, o Pedro Marreco, o todo-poderoso do Morro do Salgueiro. O filho de Valdir, poeta de raiz, também resolveu mostrar as suas qualidades.

OBS – No Carnaval de 1986, Salgueiro, Caprichosos, Ilha, Estácio e Unidos da Tijuca recusaram a proposta da BMG e gravaram um LP independente.

Cláudio Vieira: ‘Espremidos na Concentração’

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Raras vezes se viu uma Escola de Samba entrar na Avenida com tamanha desenvoltura, como a Imperatriz no Carnaval de 1989, quando apresentou “Liberdade, Liberdade!”

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Muitos acham que foi pela bronca que o presidente deu na hora do esquenta, lembrando o papelão do ano anterior, quando a Verde e Branco quase desceu para o Grupo de Acesso.

Mas o então diretor de Carnaval, Wagner Araújo, que estreava no cargo, tem outra explicação. Conta que depois de arrumar a Escola na Concentração dos Correios foi até em casa para tomar um banho e trocar de roupa. Na sua ausência, um diretor ordenou que todos as alegorias fossem posicionadas na pista central da Av. Presidente Vargas, ocupando o espaço destinado aos componentes das alas.

Resultado: com um carro colado no outro, quase três mil sambistas ficaram espremidos nas laterais da pista. A Ala das Crianças, por exemplo, cuja fantasia era uma xícara de café, os diretores tiveram que fazer pilhas de “xícaras”, colocando umas sobre as outras, como numa pia de botequim.

Quando a sirene tocou e o portão da Concentração foi aberto, os componentes puderam se espalhar , finalmente, desfrutando da verdadeira Liberdade, Liberdade…

Marquinho Art Samba: ‘Luizito me disse que eu seria cantor da Mangueira’

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O intérprete da Estação Primeira de Mangueira, Marquinho Art Samba, participou do programa “Zé Paulo não canta Viradouro”, na terça-feira, e comentou que após lutar muito para assumir um microfone de uma escola de samba pensou por diversas vezes em parar e não realizar o sonho.

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“Pensei muito em parar. Por ter passado por várias escolas de samba, as pessoas batiam nas minhas contas, falavam que eu cantava muito, mas a oportunidade não chegava de jeito nenhum. Nem Grupo A, B e Intendente. Meu pai falava que eu tinha voz boa, mas ninguém dava oportunidade nem para defender samba-enredo. Em 2010, eu resolvi parar para cuidar a família e fiquei de fora em 2011. Aí, o Zé Paulo me chamou para abrir shows na Mangueira e acabei aceitando”, revelou.

Art Samba revelou uma curiosidade da sua carreira.

“Foi em 2011. Eu tremia cantando com a quadra lotada. Sabia todos os sambas. Cantei uns 40 minutos sozinho. Quando o Luizito chegou ele me disse que um dia eu seria cantor da Mangueira. Tenho muito carinho por ele. Falou isso pra mim. Um dia ele me deu uma carona e conversamos. Me deu dois conselhos: Mangueira não tem escola igual e cuidado com mulher de Mangueira (risos)”.

Zé comentou que na época a Verde e Rosa tinha três cantores (Luizito, Ciganerey e o próprio Zé) e com apenas um apoio para participar de todos os shows. Luizito morreu em 2015.

‘Desfiles campeões da memória’: Vote e decida quem vai para semifinal

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Chegou a hora da fase quartas de final no 1º Campeonato dos Desfiles Campeões da Memória. Abaixo, você já pode deixar seu voto. O resultado vamos divulgar na sexta-feira às 20h. Nesta quinta-feira, 1 de abril, a partir de 13h, vamos abrir também as votações de cada confronto no Instagram e no Twitter. Quem vencer no site ganha 2 pontos e quem vencer no Twitter ganha 2 pontos e quem vencer no Instagram leva um ponto. Em caso de empate passará quem tiver vencido pelo site. A grande final é no domingo de Páscoa.

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Com o avanço da pandemia em todo o país e com as medidas restritivas das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, criamos uma opção de entretenimento para o período. O público votou e escolhemos 16 desfiles. Só puderam entrar na votação os desfiles do período do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, ou seja, de 1984 até 2020. Um por escola do Grupo Especial e mais quatro desfiles que passaram pelo Acesso A na Sapucaí (excluindo quem está competindo pelo Especial).

‘Desfiles campeões da memória’: conheça os classificados para quartas de final

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Após cinco dias de disputas já conhecemos os classificados para fase de quartas de final do 1º Campeonato dos Desfiles Campeões da Memória. Com o avanço da pandemia em todo o país e com as medidas restritivas das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, criamos uma opção de entretenimento para o período. O público votou e escolhemos 16 desfiles. Só puderam entrar na votação os desfiles do período do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, ou seja, de 1984 até 2020. Um por escola do Grupo Especial e mais quatro desfiles que passaram pelo Acesso A na Sapucaí (excluindo quem está competindo pelo Especial).

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Foram julgados os quesitos samba-enredo, desenvolvimento do enredo, comissão de frente e conjunto harmônico. Notas de 9 a 10 (fraccionadas no décimo). Participaram do júri: Alberto João, Cláudio Vieira, Eduardo Fonseca, Leonardo Bessa, Gustavinho Oliveira, Thiago Monteiro, Guilherme Ayupp, Samir Trindade e Junior Escafura.

Veja como ficaram os resultados dos confrontos (em negrito estão os desfiles classificados)

Viradouro 1998 119,2 pontos x 118,5 pontos Grande Rio 2010
Unidos de Padre Miguel 2014 118,3 pontos x 119,3 pontos União da Ilha 2003
Beija-Flor 1999 119,9 pontos x 119,8 pontos Mocidade 1987
Salgueiro 2012 119,3 pontos x 119,4 Mangueira 2003
Cubango 2019 119,6 pontos x 119,2 Império Serrano 2012
Portela 2014 119 pontos x 119,1 pontos Vila Isabel 1987
Unidos da Tijuca 2005 119,4 pontos x 119,1 pontos São Clemente 2015
Paraíso do Tuiuti 2019 119,2 pontos x 120 pontos Imperatriz 1993

Os confrontos para fase de quartas de final são:

Cubango 2019 x União da Ilha 2003
Imperatriz 1993 x Unidos da Tijuca 2005
Vila Isabel 1987 x Mangueira 2003
Viradouro 1998 x Beija-Flor 1999

A votação será popular. Nesta quinta-feira, 1 de abril, a partir de 13h, vamos abrir as votações de cada confronto no site, no Instagram e no Twitter. Quem vencer no site ganha 2 pontos e quem vencer no Twitter ganha 2 ponto e quem vencer no Instagram leva um ponto. Em caso de empate passará quem tiver vencido pelo site. Vamos conhecer os semifinalistas na sexta-feira. A grande final é no domingo de Páscoa.

Curso ‘Intelectuais negros do samba’ com inscrições abertas

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O curso é uma iniciativa do blog e canal do YouTube Pensamento Social do Samba, criado por Vinícius Natal e Mauro Cordeiro, que tem como iniciativa mostrar a dinâmica das escolas de samba considerando não só teorias “acadêmicas” do campo das ciências humanas, mas também o cotidiano de quadras, terreiros e barracões.

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Com a finalidade de refletir sobre a história do samba e seus principais personagens, o curso, ministrado por Vinícius Natal, possui como objetivo desmistificar a ideia da intelectualidade, considerando sambistas como “intelectuais orgânicos”, observando como compositores, ritmistas, passistas e outros segmentos internos às escolas de samba podem ser considerados intelectuais dotados de saberes particulares da cultura afrobrasileira.

Sobre o curso:

O curso “ Intelectuais Negros do Samba” considera a obra e a trajetória de sambistas negros como fundamentais para a construção da identidade brasileira. Atuando nas áreas da dança, pintura, batuque, memória e religiosidade, produziram potentes discursos que, ao utilizar seus corpos em trânsito na cidade, fundaram formas de pensar o mundo a partir do samba como prática de expressão social mediadora. São, portanto, intelectuais orgânicos que utilizam de suas próprias vivências para afirmarem o samba como expressão identitária de famílias e grupos negros oriundos do período do pós-abolição.

O curso é voltado para todos os públicos e faixas etárias, ou seja, não é necessário nenhum requisito prévio para participação. O valor é de R$ 100,00 (+ R$10,00 taxa) e será realizado entre os dias 26 e 29 de Abril. As aulas serão gravadas e terão duração de, aproximadamente, 2h30. A carga horária total do curso é de 9hs, Indicaremos atividades extra-classe para o fomento do debate (filmes e textos). A bibliografia do curso será divulgada em breve. As vagas são limitadas.

Política de Bolsas

Oferecemos bolsas integrais para candidatos negros (pretos e pardos) sambistas. Basta enviar uma carta, até o dia 05/04, justificando o interesse de participação no curso para [email protected].

Programação:

1- 26/04 – Samba e arte na obra de Heitor dos Prazeres

2- 27/04 – Miguel Moura e os “carnavalescos” pré-Fernando Pamplona (1930-1960)

3- 28/04 – Poética e afirmação social em Silas de Oliveira

4- 29/04 – Projetos de arte-política na obra de Martinho da Vila

Para inscrições e mais informações:

https://www.sympla.com.br/curso-intelectuais-negros-do-samba—turma-2__1166654

Sobre o professor:

É sambista. Frequenta, desde pequeno, a quadra da Unidos de Vila isabel e União de Jacarepaguá. É ritmista e já compôs sambas para diversas escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, sendo tri-campeão na A.R.E.S. Vizinha Faladeira entre os anos de 2008 e 2010. É Doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição a qual também se tornou mestre, pelo mesmo curso. É graduado em História pela Universidade Federal Fluminense e possui curso técnico em Publicidade e Propaganda, pela Escola Técnica de Comunicação.

Atualmente, cursa o Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História da Arte, na UERJ. Atuou como pesquisador do Centro Cultural Cartola, atual Museu do Samba, instituição responsável pelo encaminhamento do dossiê que titulou as matrizes do samba do Rio de Janeiro como patrimônio imaterial brasileiro (IPHAN); Também foi Diretor Cultural do GRES Unidos de Vila Isabel, coordenando a instalação de um centro de memória físico e virtual, além de implementar a constituição de um acervo de memória oral com componentes da agremiação, dando origem ao documentário “Kizomba – 30 anos de um grito negro na sapucaí “; Exerceu a função de Coordenador de Promoção das Políticas de Igualdade Racial – CPIR – do município do Rio de Janeiro, articulando políticas públicas para a questão racial na cidade, agindo na implementação do MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira – e do Centro de Interpretação do Cais do Valongo, patrimônio mundial sensível titulado pela UNESCO.

Foi, também, professor de História do Colégio de Aplicação da UERJ. Além de artigos em revistas científicas, publicou dois livros: um livro de crônicas, “As Titias da Folia: O Brilho Maduro das Escolas de Alta Idade”, e o “Cultura e Memória nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro: Dramas e Esquecimentos”;, ganhador do prêmio Afonso Carlos Marques do Santos em 2016, promovido pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Hoje, atua como pesquisador do GRES Acadêmicos do Grande Rio, onde, para o ano de 2020, elaborou, junto de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, o enredo “Tata Londirá: o canto do caboclo no quilombo de Caxias”, sobre o pai de santo Joãozinho da Gomeia.

Série Desfiles da Década: Salgueiro fez o couro comer na Sapucaí com o ‘Malandro Batuqueiro’

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O site CARNAVALESCO dá prosseguimento a série de matérias intitulada de “Desfiles da Década”, na qual apresentações marcantes que passaram pela Marquês de Sapucaí, entre os anos de 2011 e 2020, serão relembradas. Nesta edição, vamos recordar o irreverente e repleto de gingado desfile do Salgueiro de 2016 que homenageou todos os tipos de malandros cariocas. Apesar da grande expectativa que o enredo “Ópera dos Malandros” e o samba marcante geraram antes do carnaval, a escola parou no quarto lugar depois de dificuldades com a iluminação da primeira alegoria. Apesar dos problemas e da decepção com a perda do título mais uma vez, o desfile levantou a arquibancada fazendo com que a escola terminasse sua apresentação sob alguns gritos de “é campeã”.

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Pré-carnaval

A expectativa por título do Salgueiro antes do carnaval era enorme. A escola vinha de dois vice-campeonatos em 2014 e 2015, e confiava no trabalho do casal Renato e Marcia Lage, juntos no Salgueiro desde 2003, com exceção apenas de 2009, em que Márcia esteve no Império Serrano e Renato ganhou o último título da agremiação em produção solo. Além da dupla que vinha colecionando grandes carnavais, o Salgueiro apostava no enredo irreverente, divertido e carioca, e no forte samba, de autoria de Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga, Getúlio Coelho, Ricardo Fernandes e Francisco Aquino, que já estava na boca do público no pré-carnaval.

Apostando nos bons desfiles que a agremiação vinha fazendo, a Academia do Samba também manteve o trabalho de outros segmentos da escola, como o coreógrafo Hélio Bejani na Comissão de Frente, o casal Sidclei e Marcella Alves, para mestre-sala e porta-bandeira, Mestre Marcão na bateria, Dudu Azevedo na Direção de Carnaval e comandando os microfones oficiais, o trio Leonardo Bessa, Serginho do Porto e o cantor Xande de Pilares, que havia se juntado à escola no carnaval anterior.

Desfile

O Salgueiro iniciou o desfile com seus “três tenores”, já na arrancada, mostrando que queriam levantar o público na Sapucaí. Leonardo Bessa, aos gritos, profetizava “Lá vem o Malandro Batuqueiro, o couro vai comer”. E o samba que era o grande carro chefe do desfile, foi assim valorizado pelo trio que tinha o privilégio e a responsabilidade de entoar o hino de elaborada letra feita em primeira pessoa, refrão forte e melodia de fácil assimilação. Dessa forma, não poderia ser diferente, a presidente Regina Celi nem precisava ter feito o pedido no microfone para que a comunidade e o público cantassem o samba. Desde o primeiro “É que eu sou malandro…” a Sapucaí veio junto e assim ficou de forma efusiva até o final.

“Foi um processo bem complexo durante a disputa de samba e uma final bem tensa. Mas a preferência da escola acabou sendo respeitada. O samba trouxe uma atmosfera de muito otimismo dentro da escola e isso se refletia em todos os ensaios de quadra e na rua. O samba tomou conta da cidade e foi um grande sucesso também nas rodas de samba. Na avenida foi emocionante ver a reação das arquibancadas. Carro de som e bateria estavam muito entrosados” explica Leonardo Bessa, um dos integrantes do trio que comandava o carro de som da escola na época.

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Na comissão de frente comandada por Hélio Bejani, a escola optou por não trazer elemento alegórico, justamente para valorizar o abre-alas. Onze malandros, elegantes em terno de risco, mas com as calças e os paletós sujos em tom betume eram comandados pela entidade Exu que abria os caminhos para a escola desfilar. Os malandros também tinham a companhia de três damas com saias enormes com placas de LED de onde saía as maiores surpresas da apresentação. Hélio, dialogou bastante com o estilo Lage na vestimenta das dançarinas, fazendo representações de roletas, do símbolo da escola e uma espécie de fogo cenográfico. Os malandros se exibiam cheios de ginga e elegância sendo guiados pela figura mística do Exu que lhes abria os caminhos e os guiava madrugada a fora.

“Eu acho que aquele Exu da comissão de frente foi o grande momento daquele desfile e o Exu interagia comigo e com a Marcella(Alves, porta-bandeira) na nossa apresentação. Ele protegia o casal. Então eu acho que o Exu foi um dos pontos essenciais além dos carros, fantasias maravilhosas, e poxa, também o samba enredo com a escola toda cantando. Era o samba mais ouvido no pré-carnaval”, conta o mestre-sala Sidclei Santos.

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No aspecto visual e enredo, Renato e Márcio dividiram o desfile em 6 setores para apresentar os tipos de malandro homenageados no enredo. No primeiro setor “Eis o malandro ‘no palco’ outra vez…” a Academia do Samba apresentou a Ópera dos Malandros trazendo os personagens da rua, da noite e também evidenciando um contraste entre elegância e até nobreza, como o apresentado nas fantasias do casal de mestre-sala e porta-bandeira Sidclei Santos e Marcella Alves, “Reis da Ralé” com a turbidez, a sujeira e os farrapos que eram expressados também na fantasia da dupla e em outros personagens da cabeça da escola. No detalhe da saia da Marcella, com a renda arrastando no chão, o efeito de sujeira, do manchado lhe atribuía aos dois, a sensação do monarca da pobreza, sintetizando bem a intenção deste primeiro setor.

“A fantasia foi maravilhosa. Eu acho que quando eu vi o desenho que o Renato (Lage) mostrou para mim e para a Marcella (Alves), eu amei porque a fantasia me lembrou a roupa dos antigos casais de mestre-sala e porta-bandeira, da nobreza. Era uma roupa de época com as cores da escola, mas tinha uma sujeira ali. Também tinha uma capa, e essa capa, eu cheguei para experimentar a roupa faltando uma semana pro carnaval e eu descobri que nós seríamos o rei e a rainha da ralé. Então eu tive a ideia de começar a rasgar a capa, já que era o rei da ralé. E realmente causou um efeito muito grande na roupa, fantasia maravilhosa” lembra Sidclei.

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Em seguida a dupla de carnavalescos trouxe a “Ópera Carioca” com o sonho de grandeza do malandro introduzindo uma relação entre o Morro da Babilônia e os históricos Jardins Suspensos da Região de mesmo nome onde hoje está o Iraque. No terceiro momento do desfile “Pra se viver do amor”, o Salgueiro trouxe o mundo do Cabaré com dançarinas e vedetes. No quarto setor “entre dados, cartas e roletas” foi a hora de mostrar a relação com os jogos, encerrada na alegoria “O filho da sorte” que enfatizava a premissa de que todo malandro tem uma relação íntima com a sorte.

No penúltimo setor “Filosofia da Malandragem”, a Academia trouxe o malandro filósofo de bar que tem sempre um conselho em forma de poesia e analogia para passar. O desfile se encerrava trazendo a relação com a religião, retomando um pouco da comissão de frente. ”Apoteose, o malandro de fé e de paz” retoma a presença de Exú, traz os patuás, fala das encruzilhadas até chegar ao último carro “Meu santo é forte” em que o Malandro se torna uma divindade cultuada pelas regiões espíritas, especialmente a umbanda.

Ao longo da apresentação desta narrativa, o Salgueiro traz destaque para algumas fantasias como a da ala das Baianas, fantasiadas de Carmen, de Georges Bizet, em magníficos tons de bordô e preto, incorporando na avenida uma Pomba Gira que roda ao som da batucada salgueirense. Já mais para o final do desfile, a tradicional ala coreografa, comandada por Carlinhos, veio de Exu, o coreógrafo em sua versão africana, e os demais integrantes, já sincretizado no candomblé e na umbanda, com a presença das pombas giras se exibindo com sensualidade e atitude. Outro destaque foram as divertidas fantasias do quinto setor que apresentavam de maneira descontraída, colorida e criativa provérbios de bar como “Camarão que dorme, a onda leva” e “pra tirar o brasil dessa baderna, só quando o morcego doar sangue…”.

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A bateria também foi um show à parte. O casal Lage e mestre Marcão convenceram os ritmistas a vir fantasiados de Geni, um dos personagens mais marcantes da trama da “ópera do Malandro”. Geni personifica a opressão contra os marginalizados. Com a capacidade de negociação e instinto de sobrevivência típicos da malandragem, defendeu a cidade do ataque de um enorme Zepelim comandado por um asqueroso forasteiro na trama. O Zepelim, inclusive, inflado por ar quente, veio acima da bateria, ainda que o nariz estivesse um pouco amassado, foi mais uma atração para o público. A fantasia se resumia a um terno cor de rosa pink, muito elegante, e a máscara da personagem com maquiagem. Uma mensagem contra o falso moralismo e o preconceito. Era também bastante leve, dando condições para que a Furiosa mantivesse o andamento lá em cima o tempo todo. A rainha Viviane Araújo, sempre um acontecimento, também participou da brincadeira e veio fantasiada de Max Overseas, o malandro por quem Geni se apaixonou.

O Salgueiro fez um desfile bastante coeso, alegre, irreverente e colorido. A escola passou leve, cantando, brincando e o samba realmente caiu no gosto do público que cantou junto com a escola o tempo inteiro principalmente o refrão “É que eu sou malandro, batuqueiro, cria lá do Morro do Salgueiro/ Se não acredita, vem pro meu samba pra ver, o couro vai comer”. Porém, a comoção que tomou conta do samba e pelo enredo bem carioca e carnavalesco, talvez, tenha gerado uma expectativa sobre o desfile maior do que aquilo que a escola conseguiu entregar. Isto, somado aos problemas de iluminação do Abre Alas, deixaram a Academia do Samba apenas em quarto lugar. De consolo, ficou apenas os gritos de “É campeã” no final do desfile.

“Minha maior lembrança foi a reação do público no fim do desfile. Um final apoteótico e eu lembro de ter chorado muito no final abraçado com o Serginho (do Porto). Serginho e Xande (de Pilares) foram grandes parceiros assim como toda a equipe musical da escola” conta Leonardo Bessa.

Apuração

Na quarta feiras de cinzas o Salgueiro chegou cheio de confiança, visto o samba que rendeu na Sapucaí e o feedback do público no final. A abertura das notas começou com o Salgueiro indo muito bem nos três primeiros quesitos: samba-enredo, enredo e comissão de frente, não perdendo nenhum décimo válido, pelo critério do descarte da menor nota. Já em fantasias, a escola tomou dois 9,9 e um 9,8, descartado, alcançando apenas um 10. Na justificativa foi citado pouca variação de cores e dificuldade de leitura. No que seguiu a apuração, a Academia passou ilesa na avaliação de Casal, harmonia, evolução e bateria, gabaritando sempre.

O Salgueiro chegou ao último quesito, Alegoria e Adereços, empatado com a Estação Primeira de Mangueira no primeiro lugar. Mas, após a leitura das notas, aconteceu o que nenhum salgueirense queria. A escola não teve nenhum 10 no quesito, recebendo três 9,9 e um 9,8 descartado, despencando na classificação, sendo ultrapassada por Unidas da Tijuca e Portela, e tendo de se contentar com o quarto lugar. Nas justificativas, foi unânime a menção ao problema de luz do carro abre alas que passou apagado em todos os módulos.

“A escola merecia o título. O Salgueiro é uma escola que sempre briga pelo título. Ela tenta sempre alcançar o primeiro lugar. Naquele ano, se não acontecesse alguns erros, erros que todos sabem, que o carro da escola não acendeu, seria sim campeã do carnaval de 2016. Foi muito frustrante para gente, tinha um samba maravilhoso que eu acho que depois do ‘Explode Coração’, é um dos sambas mais cantados do Salgueiro. Foi um samba, um desfile que marcou a minha vida, a vida do salgueirense, só faltou o título realmente par consagrar aquele desfile” entende Sidclei.

Apesar de mais uma expectativa não correspondida no resultado final, a escola manteve boa parte do time para o carnaval 2017, tendo como troca mais importante a entrada de Alexandre Couto no comando da direção de Carnaval no lugar de Dudu Azevedo que havia aceitado convite da Grande Rio. O casal Lage ainda assinaria o desfile de 2017 da Academia do Samba, antes de acertar com a Grande Rio para os carnavais de 2018 e 2019 e com a Portela para 2020, onde estão atualmente.

Cláudio Vieira: ‘Joãosinho, criador de tudo e do nada’

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Revirando recortes antigos da Passarela do Samba encontrei um pacote de fotos e, entre elas, lá estava uma de Severino Silva, feita no dia 17 de janeiro de 1997, no barracão da Viradouro. Mostra Joãosinho Trinta, braço esquerdo erguido, amparando o Caos, ou o Nada, ou sei-lá-o-quê, pois, até hoje, poucos entenderam o que representava o abre-alas da
Escola de Niterói.

A história começa na semana anterior, quando telefonava para vários carnavalescos em busca de notícias para a coluna. Com o 12º lugar do carnaval anterior, João caíra no esquecimento. Estava jururu, lá no cantinho do barracão, mas veio atender ao telefone com a boa vontade de sempre.

– E aí, alguma novidade? – perguntei.

João respondeu:

– Não… – ficou pensativo e emendou – Mas, a gente cria.

Enquanto eu sorria, João engrenou uma de suas histórias:

– Sabe o que eu estou fazendo agora?

– O que?

Foi enigmático:

– Estou fazendo o Nada!

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Brinquei:

– Quer dizer que o homem que já fez de tudo no Carnaval, agora está fazendo o nada?

João voltou a sorrir. E começou a dar gargalhadas, delirando:

– Você já imaginou? Quando o nosso abre-alas passar, como é que os julgadores vão dar nota para o Nada? Como é que eles vão julgar o Nada?

Rimos bastante do absurdo, que acabou virando uma nota. Combinamos uma reportagem no barracão, onde o carnavalesco me mostraria o Nada e contaria como o havia construído.

No dia combinado, assim que cheguei, o presidente José Carlos Monassa me chamou em seu gabinete. Estava preocupado com a notinha que saíra na Passarela:

– O pessoal da Liga me telefonou. Esse negócio dos julgadores terem que julgar o Nada não pegou bem. Não posso ter problemas com os julgadores… – estava angustiado.

Na verdade, eu e João achávamos tudo aquilo muito engraçado. Severo caprichou nas fotos, documentando o Nada – o início de tudo, o momento que antecedeu o big-bang. Lembro-me ainda da primeira pergunta da entrevista que renderia uma página inteira, no domingo seguinte.:

– João, o Nada é feito de quê?

Mais gargalhadas. E a resposta “científica” do carnavalesco:

– De isopor, glitter e tinta preta.

Depois que a matéria foi publicada, equipes de TV, rádios, jornais, todo mundo foi para o barracão da Viradouro entrevistar Joãosinho Trinta sobre o Nada, o Big-Bang, a explosão do Universo e todo o carnaval que daria o primeiro título da história da Viradouro.

Lembro-me do sorriso de Monassa na Avenida, eufórico, apontando para o abre-alas que acabava de entrar, sob o delírio da plateia: – Olha lá! Olha! Esse João é maluco!

Bruna Negreska é a grande vencedora do reality show Carnaval Wall

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Bruna Negreska é a grande vencedora da primeira edição do reality show Carnaval Wall. A Musa da Tom Maior disputou a preferência do público com Waleska Gomes, que ficou em segundo lugar, além delas, foram para a última etapa Isadora Salles e Rodolfo Massera. O resultado foi anunciado em uma live no canal oficial do programa, no YouTube, na noite desta terça-feira.

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“Fiz um trabalho de formiguinha mesmo, no Instagram não dá pra mandar mensagem em massa, fui em um a um. Meu agradecimento de verdade a toda a minha comunidade, a minha presidente Luciana, que é uma pessoa que me apoia sempre em todos os meus projetos. Obrigada pra todo mundo que confiou pra que eu participasse e chegasse a final. Não tô acreditando ainda!”, disparou a Musa logo após saber o resultado.

Muito nervosa, Waleska Gomes agradeceu o segundo lugar e comemorou ter chegado até aqui, ao lado de uma grande amiga que já conhecia antes de participar do programa.

“Muito feliz amiga, foi incrível, você mereceu. Fico lisonjeada em ficar em segundo lugar com você. Muito obrigada minha tropa. Minha família. Foi incrível participar, ninguém imagina o que a gente está passando sem a nossa festa, sem nosso carnaval. Tivemos momentos únicos lá dentro, foi difícil, mas foi incrível estar com essa galera. Queria agradecer a minha mãe, meu presidente Jamil, a todos que fizeram isso acontecer. Todos os momentos que vivi lá vou levar pro resto da minha vida. Muito obrigada!”, agradeceu a porta-bandeira da Acadêmicos do Tucuruvi.

Antes do anúncio oficial, o idealizador Marcus Ferreira, mais conhecido como Kito, agradeceu a todos os patrocinadores e colaboradores do projeto, além de parabenizar os participantes que aceitaram participar do reality.

“Aqui não tem um campeão. Todos são campeões de terem aceitado mergulhar de cabeça num projeto novo. Vamos falar os números das duas pessoas mais votadas. Isadora e Rodolfo, agradeço muito por apoiarem o projeto, acreditarem”, frisou o idealizador.

Isadora Salles também comemorou muito o fato de ter chegado até a final. “Estou muito feliz por todos que pude conviver, conhecer. Meu muito obrigada por todo mundo da minha comunidade, estou com muitas saudades de vocês. Eles me apoiaram muito, muito feliz por me apoiarem em qualquer projeto que eu resolva seguir. Obrigada a todos os participantes. Ao pessoal de casa, a Marina que cuidou dos bastidores, ao Kito a todos que participaram do projeto”.

negreska

O único homem a chegar à final, Rodolfo Massera, também celebrou por ter alcançado seu objetivo inicial que era ir até a final do primeiro reality de carnaval do mundo.

“Queria agradecer todo mundo. Amigos, quem torceu por mim, todos que estavam no reality comigo. Queria agradecer por poder conviver com pessoas que já conhecia e não tinha um convívio mais íntimo. Missão dada é missão cumprida, queria chegar na final e cheguei. Obrigada”, comemorou Massera durante a live.