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Mangueira é a convidada do programa ‘Zé Paulo NÃO canta Viradouro’ na terça-feira

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A próxima edição do programa “Zé Paulo NÃO canta Viradouro”, que será exibida ao vivo na próxima terça-feira, dia 30, terá como destaque a Estação Primeira de Mangueira. No programa, que estreou em fevereiro, Marcelinho Calil, presidente da escola de Niterói, e o intérprete Zé Paulo Sierra recebem sempre o cantor de uma coirmã.

marquinho art samba cred leo queiroz

O repertório é todo de sambas clássicos da escola convidada. A Beija-Flor de Nilópolis, com Neguinho, o Salgueiro, com Emerson Dias e Quinho, a Mocidade, com Wander Pires, e a Vila Isabel, com Tinga, já participaram.

Na atração de terça que vem, estarão no estúdio da MuitaMídia o cantor Marquinho Art’ Samba e Elmo dos Santos, ex-presidente da verde e rosa e diretor de carnaval da Liga das Escolas de Samba. Por chamada de vídeo, participarão a cantora Alcione, a rainha de bateria Evelyn Bastos, a porta-bandeira Squel Jorgea e o carnavalesco Leandro Vieira.

O “Zé Paulo NÂO canta Viradouro” começa às 19h, transmitido pelo canal da Viradouro no Youtube e pela página da escola no Facebook.

Wantuir desabafa e fala do desamparo aos profissionais do carnaval: ‘Estou me sentindo desprestigiado’

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O intérprete da Unidos da Tijuca, Wantuir Oliveira, fez uma publicação em suas redes sociais, na noite de sexta-feira, sobre o desamparo que os profissionais das escolas de samba estão sofrendo. Já passamos de um ano de pandemia da Covid-19 e até agora nenhum auxílio concreto para quem produz o maior espetáculo da terra, apenas promessas e promessas.

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“Estou me sentindo desprestigiado. Profissional do carnaval há mais de 30 anos sem auxílio, sem Rouanet e sem lei Aldir Blanc. Sem salários eu e mais uns cem profissionais só aqui no Brasil que participam da maior festa a céu aberto do mundo, as vésperas de um feriado forçado”, disse.

O intérprete contou que procurou uma solução para sobreviver. Ele está vendendo quentinhas.

“Estou trabalhando entregando as comidas feitas aqui em casa e vou parar por 10 dias. Aonde vamos parar como vamos cumprir nossos compromissos, mas acima de tudo esperançoso de que tudo vai melhorar Deus e Nossa Aparecida no controle vamos que vamos”.

Outros profissionais do carnaval comentaram na publicação do cantor tijucano

“Minha solidariedade e apoio! Politicagem e campanha eleitoral em plena pandemia, onde brincam com a população e seus anseios. Pedindo e rezando a Deus que a vacina contemple a todos o quanto antes . Fé em Deus e na ciência o resto é lacre! Tmj meu amigo” – intérprete Zé Paulo Sierra.

“O que me deixa mais perplexo é a total falta de apoio e empatia. Somos artistas de uma festa que não tá nem aí pra gente…” – intérprete Leonardo Bessa.

“Mano, eu também estou neste mesmo patamar… tenho um empreendimento que estou trabalhando no grito e agora parando tudo, ta muito complicado!” – intérprete Pixulé.

“Já era seu fã tio pelo grande cantor que é, agora com essas palavras ainda mais fã da sua pessoa tbm, é isso ai, vamos correndo atrás da forma que podemos ja que o valor não temos. Forte abraço se cuida tmj” – intérprete Tem-Tem Jr.

Estou me sentindo despretigiado profissional do carnaval a mais de 30 anos sem auxílio sem Ruanet sem lei Aldit Blanc…

Publicado por Wantuir Oliveira em Sexta-feira, 26 de março de 2021

‘A marca do carnaval é imensa e muito forte; É impossível não termos parceiros’, diz André Vaz, presidente do Salgueiro

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Indicado para benemérito e membro do Conselho Fiscal da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), o presidente do Salgueiro, André Vaz, conversou com o site CARNAVALESCO sobre o novo momento da Liga e os projetos para o futuro do carnaval das escolas de samba do Grupo Especial.

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Joaquim Cruz, vice-presidente do Salgueiro, e André Vaz, o presidente, benemérito e membro do Conselho Fiscal da Liesa

“É uma diretoria nova, com vontade, em um momento super complicado, talvez, o mais complicado que as escolas estão vivendo. As pessoas que estão no comando são capacitadas. Estou no Conselho Fiscal. Cada um ajudando vamos encontrar um caminho para sairmos dessa crise. Espero muito trabalho, trazer parceiros novos para dentro da Liesa. Não podemos ficar sempre dependendo do dinheiro público e da Rede Globo. Acho que isso foi um erro que a Liesa teve, não ter Plano B. A Liesa parou e se acostumou com a verba da prefeitura, governo estadual, federal, Petrobras, Rede Globo, e esqueceu de buscar novos parceiros. Com a pandemia, a conta chegou para todo mundo. O desfile das escolas de samba é o mesmo nível do Rock in Rio e você vê eles cheios de parceiros, bancando toda aquela estrutura. A marca do carnaval é imensa e muito forte. É impossível não termos parceiros. O maior evento do mundo não tem parceiros? Isso não existe”, disse.

Sobre os preparativos para o próximo desfile, que depende do avanço da vacina no país, o dirigente salgueirense disse que espera um posicionamento da Liga e autoridades públicas sobre a liberação da Cidade do Samba e a programação para lives das escolhas dos sambas-enredo.

“Tem duas linhas: a primeira é que dependemos da desinterdição da Cidade do Samba. Assim que liberar, vamos também entender como está a área de saúde nesta data. Tudo vai depender da vacina e dos horários que a prefeitura vai liberar para que a gente possa trabalhar. Sobre as lives, vamos aguardar o posicionamento da Rede Globo, junto com a Lei Aldir Blanc, para que a gente possa saber o regulamento e a data prazo. Isso não acontecendo vou aguardar para saber quando poderemos reabrir a quadra com toda segurança e aí vamos marcar uma data”.

André Vaz revelou como está o Salgueiro e falou também sobre o título de benemérito da Liesa.

“Estamos trabalhando o enredo “Resistência”. O nosso carnavalesco Alex de Souza já está produzindo os desenhos de fantasias e alegorias. Teve mais tempo, já que a programação era para o carnaval em julho. Desde janeiro, a gente ficou sabendo que não seria possível e aí ganhamos mais tempo para produzirmos um desfile de alto nível. Estamos trabalhando nessa linha e rezando para ter o carnaval em fevereiro. Se confirmar que vai ter vamos brigar pelo título, como sempre brigamos. Ser benemérito da Liesa é uma honra muito grande. Assumi o Salgueiro em dezembro de 2018, venho fazendo um trabalho com muita dificuldade, assumindo a escola com R$ 4,5 milhões de dívidas, estamos acertando tudo, e a pandemia afetou todo mundo. Mesmo assim, o Salgueiro vem arrecadando dinheiro em lives, contando com parceiros que sempre ajudam quando precisamos, realizando venda de produtos e estamos trabalhando para sair desse buraco”.

Cláudio Vieira: ‘Mais de dez horas no bonde’

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Apesar de pouco falado (e lembrado), José Leite foi uma das figuras mais importantes da história da Vila Isabel.

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Trabalhou na Escola desde a sua fundação e era uma espécie de braço direito de Antônio Fernandes da Silveira, o Seu China, o primeiro presidente (que aparece no retrato mostrado por seu filho, o compositor Djalma Sapo).

Leite sempre foi de jogar para o time, carregando o piano. Uma de suas missões era fazer visitas ao ateliê do pintor e escultor Miguel Moura, um dos primeiros carnavalescos da cidade. Nesses encontros, no Centro, surgiam papos e ideias, e deles nasciam os enredos da Vila – cujas alegorias e fantasias eram criadas pelo próprio Miguel.

Como sempre fazia, Leite embrulhava as pranchas com todo o carinho e tomava o bonde de volta para Vila Isabel.

Certa vez, já no bonde, Leite teve que enfrentar um impiedoso temporal. Ficou mais de dez horas ilhado em diversos alagamentos entre a Presidente Vargas e a Praça Barão de Drumond. Tomou todos os cuidados possíveis para que a chuva não respingasse nas telas pintadas a guache.

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Era quase meia-noite quando Leite conseguiu descer do bonde com o material são e salvo. A chuva já havia passado, mas as ruas estavam cobertas pelo lamaçal. Atravessou a praça, escalou as escorregadias escadarias do Morro dos Macacos até chegar à residência do presidente, que aguardava a entrega do material desde o final da tarde.

Lá chegando, Leite encontrou Seu China só de calção e tamancos, tomando uma cerveja champanhada e ouvindo o noticiário no rádio. Abriu os braços, feliz por ter conseguido cumprir sua missão com lealdade e bravura:

– Meu presidente!

Seu China fez aquela cara de poucos amigos, de cacique empombado, e soltou os bichos:

– Vocês não querem p. nenhuma!

‘Desfiles campeões da memória’: conheça os escolhidos e os confrontos

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O público escolheu os 16 desfiles para o primeiro campeonato “Desfiles campeões da memória” do site CARNAVALESCO. Com o avanço da pandemia em todo o país e com as medidas restritivas das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, criamos uma opção de entretenimento para os dois próximos fins de semana. Vamos assistir juntos desfiles (não campeões e que não estiveram na nossa relação dos 30 do Sambódromo) e faremos uma competição diferente.

desfiles memoria

Importante: só puderem entrar na votação os desfiles do período do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, ou seja, de 1984 até 2020. um desfile por escola do Grupo Especial e mais quatro desfiles que passaram pelo Acesso A na Sapucaí (excluindo quem está competindo pelo Especial).

Vamos dividir o chaveamento em dois fins de semana. No primeiro, teremos uma fase com 16 desfiles e vão passar oito. Na semana de Páscoa, escolheremos o campeão. A competição terá julgadores da equipe do site e convidados. Os quesitos vão ser: samba-enredo, desenvolvimento do enredo, comissão de frente e conjunto harmônico. Notas de 9 a 10 (fraccionadas no décimo). O público também poderá analisar e participar das transmissões especiais. Fique ligado nas nossas redes sociais que vamos divulgar as datas e horários.

Confira abaixo como ficaram os confrontos:

Viradouro 1998 x Grande Rio 2010
Unidos de Padre Miguel 2014 x União da Ilha 2003
Beija-Flor 1999 x Mocidade 1987
Salgueiro 2012 x Mangueira 2003
Cubango 2019 x Império Serrano 2012
Portela 2014 x Vila Isabel 1987
Unidos da Tijuca 2005 x São Clemente 2015
Paraíso do Tuiuti 2019 x Imperatriz 1993

Laíla diz que Perlingeiro está preparado e elogia Gabriel David no marketing da Liesa: ‘Está cheio de vontade, essa é a praia dele’

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Após eleição na sede da Liesa que apontou Jorge Perlingeiro novo presidente, a equipe do site CARNAVALESCO conversou com um dos maiores representantes da folia carioca para saber sua avaliação. Laíla afirma que não concordava com algumas posições da nova diretoria, mas que a partir das mudanças que foram feitas, acreditou que o caminho era o correto.

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“Perlingeiro não é novo presidente. É cria da casa, amigo do Guimarães e trabalhou com o Jorginho durante esse tempo inteiro. Veio desde o doutor Castor. É uma pessoa preparada para assumir a função. Vai dar continuidade, obviamente. Uma das coisas que me preocupava era a presença de um presidente de escola de samba fosse vice-presidente, eu não concordava muito com isso. O caminho traçado é o certo. Sou fundador da casa, me sinto muito orgulhoso por permanecer no coração deles”, explica.

Sobre a modernização da festa e atuação mais atraente para os jovens, Laíla é sucinto em sua opinião.

“Tudo é possível desde o momento que não se achate o samba. Tem que se pensar em tecnologias e loucuras que venham de encontro as raízes sambistas. Temos milhares de caminhos que poderão ser respeitados defendendo a figura principal, que é o maior espetáculo da terra. O Gabriel está cheio de vontade, essa é a praia dele. O Capitão Guimarães foi muito feliz em falar que precisa de renovação e é lógico que está certo. Que as mudanças sejam pensadas dentro dos caminhos normais”.

Laíla finalizou afirmando que ainda segue sem destino para o próximo carnaval, e que está esperando uma nova oportunidade.

“Não tenho contato com nenhuma escola. Ainda não morri. É lógico que quero e pretendo fazer. Tendo oportunidade, lá estarei. É só fazer uma análise da minha história dentro do carnaval. Tive uma infelicidade devido a outros fatores, mas não desaprendi. Se aparecer algo, lógico que vou trabalhar”, finalizou.

Cláudio Vieira: ‘De olho no Malandro Histórico’

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Os primeiros sambas que Monarco compôs na Portela foram em parceria com Alcides. Mas ao contrário de tantas outras vezes, agora Alcides caprichara nos versos que enalteciam a musa – o que valeu até um elogio de Dona Guiomar, mulher do “Malandro Histórico”.

monarco

– Até que enfim vocês fizeram um samba decente. Até hoje, o que tenho ouvido são sambas em que a mulher é obrigada a se humilhar, rastejando como uma cadela.

Ainda rapazola, Monarco ficou meio encabulado. Explicou que era sempre o parceiro quem fazia a primeira parte e ele, então, apenas se limitava a dar continuidade ao argumento, na segunda estrofe.

– Eu sigo o estilo dele… – justificava.

Dona Guiomar encolheu os ombros e foi para a cozinha. Alcides, então, comentou com o companheiro:

– Não liga, não. Toda vez que eu faço um samba romântico, depois ela vem me questionar: “Alcides, quem é essa pilantra?”

Leandro Vieira sobre a fantasias das baianas do Império Serrano: ‘Toda estampada para ser super contemporânea’

Durante a live de aniversário de 74 anos do Império Serrano o carnavalesco Leandro Vieira apresentou a fantasia da ala de baianas da escola da Serrinha. No próximo carnaval o Reizinho de Madureira vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo Mangangá, que contará a história do Mestre Besouro Mangangá, capoeirista baiano, enredo de autoria do próprio Leandro Vieira.

baiana imperio

“Estou ganhando um presente de fazer o Império Serrano. Estou pensando o futuro carnaval da escola. Eu não queria divulgar uma fantasia que tenho um chamego, mas o presidente quis porque quis e achou que seria bacana ser o presente para toda nação imperiana. O carnaval que passou (2020) não foi feliz para elas e merecem sempre estarem bem vestidas”, disse o carnavalesco.

Leandro disse que assim que recebeu o convite do Presidente Sandro Avelar para desenvolver o Carnaval do Reizinho, o primeiro figurino que concebeu foi justamente o das Baianas do Império Serrano. * LEIA AQUI AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO CARNAVAL

“As baianas guardam de tudo que o Besouro representa no nosso carnaval. É baiana tradicional, como o Império Serrano merece, sem ser tradicionalista. Toda estampada para ser super contemporânea. Tem tabuleiro e frutas na cabeça”, explicou Leandro. * VEJA AQUI MAIS NOTÍCIAS DA SÉRIE OURO

Em recuperação da Covid-19, André Diniz deixa UTI e vai para o quarto

Boa notícia! O compositor André Diniz, que está internado em recuperação da Covid-19, deixou a UTI e foi transferido para o quarto. O amigo Evandro Bocão disse que o estado de saúde do maior vencedor de sambas-enredo da Vila Isabel melhora a cada dia. André está lúcido e interagindo no Twitter, inclusive, falando do Flamengo, seu clube do coração.

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Ministro da Saúde diz que meta do governo é vacinar 1 milhão por dia

O novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, reuniu a imprensa para divulgar as novas ações e estratégias do governo federal no combate à covid-19. O ministro também deverá falar sobre a reformulação do sistema público de saúde e sobre a intensificação da campanha de imunização, além da produção nacional de vacinas contra o novo coronavírus.

Segundo Queiroga, o governo aposta na vacinação em massa como ação primária contra a pandemia. O ministro afirmou, ainda, que a meta é vacinar 1 milhão de brasileiros por dia.

Artigo: ‘O interior do Rio de Janeiro e o seu carnaval pouco conhecido’

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Por Sérgio Almeida Firmino

Roberto DaMatta concentra excelentes reflexões em seu livro “Carnavais: Malandros e Heróis”, que trata de uma viva atenção sobre a sociedade brasileira e o que torna a sociedade brasileira diferente e única. O antropólogo explica com requintes de detalhes os vários aspectos e tendências, procedimentos e seus dilemas. Com um olhar crítico e aguçado, o autor de “Ensaios de Antropologia Estrutural” se debruça de forma acadêmica, provando sua capacidade intelectual para discutir os temas que serão abordados neste artigo.

Com efeito, segundo DaMatta, o Carnaval é uma criação social, que reflete aspectos mais profundos e básicos da nossa sociedade, que encontrou no Carnaval meios de apresentar realidades sociais e culturais em meio às rotinas perversas e complicadas do cotidiano.

De fato, precisamos do Carnaval. Não exaltar esse fenômeno com todas as nuances de suas manifestações – escolas de samba, maculelê, jongo, Boi Pintadinho, blocos de enredo, blocos de arrastão, bandas, frevo, Grandes Sociedades, marcha rancho -, enfim, variações regionais de riqueza cultural universal, incomensurável, seria como tentar destruir aos poucos a nossa própria essência de ser brasileiro.

O fenômeno cultural e social Carnaval, em especial as escolas de samba, precisa ser estudado (peço ao leitor que acesse Carnavalesco e leia “Uma Prosa sobre a Origem do Carnaval e a Importância das Escolas de Samba para o Rio de Janeiro”).

Ao estudar sobre o tema, torna-se menos difícil entender alguns contextos importantes. Se o Carnaval brasileiro, com suas escolas de samba, traduz a essência da nossa sociedade e o que é mais belo do ponto de vista cultural, social e econômico, há de se indagar: porque é tão combatido? É um bem nacional, diante do qual, infelizmente, vez ou outra, nos deparamos com certa ignorância cultural por parte de alguns gestores públicos, relutantes em aceitar o que somos e o que possuímos de mais belo. De fato, tentam destruir o que criamos enquanto cultura original, verdadeira e inata de um povo.

Este ano de 2021 é muito importante para a historiografia das escolas de samba, eternizadas noventa anos atrás no momento em que o compositor Ismael Silva atribuiu esse nome a esse tipo de agremiação e manifestação cultural, que, desde então, causa perplexidade pela grandeza e simplicidade que a expressão representa.

DaMatta é importante para ajudar a definir a importância do Carnaval, assim como a psicanalista e mestre em Psicologia Positiva Universidade da Pensilvânia (EUA), Drª. Flora Victória, que estudou a ausência do Carnaval. Sem os festejos do Carnaval em 2021, não houve a pausa em meio a labuta e as preocupações diárias, assevera a pesquisadora, ocasionando problemas de difícil análise clínica e psicológica em decorrência do ineditismo dessa ausência.

Desde o século XVII o Carnaval tem funcionado também como uma válvula de escape. O cancelamento da folia, infelizmente inevitável por conta da pandemia do novo coronavírus, que já vitimou mais de 275 mil pessoas no Brasil, pode significar problemas clínicos psíquicos de relevância no futuro.

As escolas de samba protagonizam, desde sua aparição, movimentos especiais de realização popular. Do simples cortejo à frente da casa de Tia Ciata, na Praça XI, até o exuberante espetáculo de dança, música, cores e muita criatividade na avenida Marquês de Sapucaí, temos um século de densa história. O que, no passado, fazia parte de um congraçamento de comunidades de samba e fantasias simplórias, tornou-se fonte de interesse de pessoas e grupos visionários e, de fato, amantes incondicionais do Carnaval.

Paira a pergunta no ar: se a chamada “contravenção” – ou melhor, os “contraventores” – não vislumbrassem os desfiles das escolas de samba; ganho e prazer, existiriam agremiações do mesmo nível das atuais? Melhor deixar esta resposta para um próximo artigo, no qual poderemos entrar na intimidade de alguns patronos, histórias, momentos inusitados e comentar sobre suas escolas de samba e seu amor incondicional ao Carnaval, além de, quem sabe, fazer revelações pouco lidas nos jornais, ou assistidas em documentários de duvidosa credibilidade.

A LIESA, fundada em julho de 1984, formou um grupo forte, com grandes agremiações, descontentes com a Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A formação de ligas e associações não diminuiu a grandeza dos espetáculos e dos desfiles das escolas de samba, muito pelo contrário.

A disputa acirrada entre as escolas tornou-se o ponto alto dos desfiles. Os patrocinadores principais tornaram-se pontos de relevância para as agremiações, fortalecidas pelos seus investimentos convertidos em apresentações recheadas de criatividade e beleza a cada ano na Passarela do Samba. A união desses atores foi legitimada pelas ligas.

A ação de formar lideranças do Carnaval advém do ditado popular “a união faz a força”. De fato, os resultados financeiros são extraordinários. Se não houvesse lucro, talvez não existiriam escolas de samba, pelo menos não como as vemos atualmente. Com efeito, esse quadro é muito positivo.

O Carnaval observado pelo antropólogo DaMatta também se transformou em fonte de renda e trabalho criativo ensinado por gente especializada. Nasceram e proliferaram mestres, junto às escolas de samba, profissionais habilidosos, formadores de opinião, jovens de sensibilidade laborativa extremamente aguçada. A cadeia produtiva da indústria do Carnaval deve muito aos precursores e aos seus patronos, deve muito à Tia Ciata, que se sentava à beira da calçada para assistir os cortejos do Carnaval e ajudou a construir esta indústria do entretenimento para o futuro.

O Carnaval não é apenas carioca. Moldado de forma inteligente à teia produtiva fluminense no segmento do Carnaval, está presente nos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, que possui uma riqueza imensa e pouco explorada por seus políticos. Esses políticos sempre visitam o segmento do Carnaval nos dias que antecedem os pleitos do escrutínio, mas não retornam para construir uma parceria saudável e rentável para os seus concidadãos, possibilitando a criação de um ciclo virtuoso em qualquer cidade fluminense.

Diante disso, é oportuno se pensar na criação de Comissões Municipais de Carnaval, uma Comissão Estadual de Carnaval, além de Fundos Municipais Setoriais de Carnaval e o Fundo Estadual Setorial do Carnaval. A Lei nesse caso já está votada, em 07 de julho de 2015 e institui o Sistema Estadual de Cultura, facilitando a criação de fundos setoriais estaduais. No artigo 42 da mesma Lei há possibilidade de o gestor criar o Fundo Setorial do Carnaval.

A ausência ou pífia participação do poder público no segmento do Carnaval forçou a idealização de ações internas, como a criação de grupos de empresários e conhecedores de Carnaval e Escolas de Samba.

A LIESA, LIERJ, LIESB e ACAS, por exemplo, são a prova viva da forma como essas lideranças criaram, na capital, possibilidades para estabelecer autossustentabilidade e manter uma relação de entrosamento com o poder público. A Liesa desenvolveu com habilidade uma excelência na realização dos desfiles, conferindo à instituição a tarefa de organizar esse evento e de administrar a Cidade do Samba na zona portuária do Rio a partir de 2005.

Sem embargo, não apenas as escolas de samba saltaram de simples e humildes desfiles para exibições espetaculares, mas também as organizações populares de Carnaval de rua têm seu lugar, com a criação da famosa Sebastiana ou Folia Carioca. Essas manifestações culturais aprenderam a captar recursos para sua realização e a iniciativa privada, por sua vez, entendeu que Carnaval de rua também é um bom negócio. O mesmo vale para as emissoras de rádio e televisão, que realizam transmissões e negociam seus produtos a partir da exibição do Carnaval para o mundo todo.

Com efeito, ainda falta uma atenção especial para o Carnaval dos outros municípios. As demais 91 cidades do estado do Rio de Janeiro possuem uma riqueza pouco explorada pelos seus governantes, pela mídia e, de certa forma, por seus conterrâneos. Lideranças de Carnaval em todo o estado traçam o mesmo caminho da LIESA: organização, criatividade e algum apoio das Prefeituras. Essas instituições conseguiram respeito na qualidade cultural e popular de seus movimentos de inovação no interior do estado.

O cidadão natural desses municípios tem mais uma opção para assistir à folia ao vivo e a cores, como também participar dos festejos do Carnaval em sua cidade natal. Haja vista, o Carnaval de Nova Friburgo, Petrópolis, Campos dos Goytacazes, Angra dos Reis, São João da Barra, Nova Iguaçu, Cabo Frio, Maricá, Volta Redonda e Niterói. Por sua vez, lideranças do Carnaval nos municípios de Itaboraí e Teresópolis – esta última sem desfile de escolas de samba há mais de dez anos – estão trabalhando junto às autoridades locais para entrar na lista das ligas que realizam desfiles dessas agremiações e de outros movimentos culturais populares do Carnaval nesses municípios.

O Carnaval do interior reproduz, como uma mágica criativa, tendências e tradições pouco apreciadas pela sociedade fluminense e menos ainda pelos gestores públicos, magnetizados pelo esplendor dos desfiles das escolas de samba da capital. Infelizmente, atentam apenas para a Marquês de Sapucaí, cujos desfiles são, de fato, grandiosos, mas podem ser reverberados para outras regiões do estado, confortando seus concidadãos e os turistas, ávidos por um Carnaval de qualidade e gastos módicos. Os desfiles da Intendente de Magalhães deveriam ser mais explorados pelo poder público e empresários da região, em cujas imediações hotéis, pousadas, bares e restaurantes deveriam disputar espaço.

As 13 cidades da Baixada Fluminense somam uma população de mais de quatro milhões de pessoas, equivalente à de todo o Uruguai. Ao seu entorno adornam empresas de grande porte, capazes de sustentar tanto a construção de um Sambódromo como de fábricas ou indústrias de Carnaval, que poderiam abrigar as escolas de samba da região e despertar novamente as maravilhas culturais lá adormecidas há tantos anos. Caso o leitor ache improvável essa visão, assista aos desfiles do GRES Grande Rio, de Duque de Caxias ou do GRES Beija-Flor de Nilópolis, ou mesmo das 22 escolas de samba registradas de Nova Iguaçu. Os cidadãos da região teriam entretenimento próximo, o turismo fortalecido, além da rede hoteleira e do comércio em geral, como restaurantes, bares e demais serviços pungentes, com a receita muito bem-vinda para os municípios.

Outro espaço pouco explorado, diante da falta de interesse do gestor público, é a zona oeste da capital. Bandas, Blocos de Enredo, Blocos de Arrastão e outras manifestações de samba e Carnaval podem provocar qualquer tradicional liderança de blocos e bandas da cidade, pela sua criatividade e grandeza.

As lideranças de Carnaval dos municípios, inclusive da capital, acabam de criar a Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro (FICCCERJ). Não se trata de uma liga, tampouco agremiação. Ela é uma instituição, que realiza a união das lideranças do Carnaval de todo o estado do Rio de Janeiro. Mesmo para as lideranças que ainda não promovem os desfiles de escolas de samba, como em Teresópolis, que luta para retomar as apresentações de suas agremiações, Magé e Volta Redonda, todas elas tendo deixado seu legado glorioso no samba com a rica história dessas cidades e seu passado muito especial. Felizmente, a partir da criação da FICCCERJ, quase tudo será possível realizar.

A Federação funcionará como uma plataforma de desenvolvimento econômico às indústrias do Carnaval e dará apoio às escolas de samba e ao Carnaval principalmente do interior do estado. Sua força reside no congraçamento e união de todas as lideranças de Carnaval do estado do Rio de Janeiro.

* Sérgio Almeida Firmino é assessor de economia criativa do Carnaval da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e diretor do Instituto Cravo Albin

Referências:

DaMatta, Roberto: Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma Sociologia do Dilema Brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar (1979; 2* edição. 1980

DaMatta, Roberto: Ensaios de Antropologia Estrutural. Petrópolis: Vozes (1973; 2* edição, 1977)

Agradecimentos: Economista Marcel G. Ballassiano e ao jornalista Flávio Amaral