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Cláudio Vieira: ‘Jarbas, o terrorista da Vila’

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A Vila Isabel ainda era uma escola ioiô, oscilando entre os primeiro e segundo Grupos. A cada rebaixamento, fervilhava a roda de comentários nos bares da Praça Sete. E uma das vozes que mais protestavam era a rouquidão de Jarbas, compositor, um dos filhos de Seu China (Antônio Fernandes da Silveira), fundador da Azul e Branca.

– Só tem um jeito: explodir isso tudo! – alardeava o compositor, com a sua voz de xiita, os olhos faiscando de indignação.

Naquela época, no início da década de 70, as reuniões da Vila eram feitas na antiga Escola Torres Homem, na rua Barão de São Francisco, na descida do túnel Noel Rosa. E eis que, numa bela noite, chega o Jarbas, carregando uma sacola suspeita. A reunião da diretoria já havia começado. O compositor passou sem cumprimentar ninguém e ficou sentado numa das últimas cadeiras. Pôs a sacola ao lado.

De repente, a voz sinistra de Jarbas fez calar os diretores: – Chega de sacanagem! Agora chega porque hoje eu vou explodir essa… – levantou-se e enfiou a mão na sacola suspeita. Saíram todos em disparada. Não ficou ninguém pra ver.

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Minutos depois, o zelador da escola voltou, apavorado: – Calma, Seu Jarbas. As crianças precisam da escola pra estudar. O “terrorista” abriu a sacola: – Fica frio. São só as minhas ferramentas… – mostrou os pincéis, estopas, lixas e um rolo de fita adesiva.

Série Futuro do Carnaval: ‘A profissionalização tende a passar pela Academia’, diz Tarcisio Zanon

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O site CARNAVALESCO dá início à série “Futuro do Carnaval”. A ideia é apresentar um exercício de imaginação para profissionais e personalidades do samba sobre tendências e sugestões que possam ajudar a projetar os próximos anos da folia. O primeiro convidado foi o carnavalesco Tarcisio Zanon, da Viradouro, campeão em 2020 do Grupo Especial em companhia de Marcus Ferreira, e também vencedor da Série A em 2019, pela Estácio de Sá. Na conversa, Tarcisio apresentou ideias sobre diversos temas como escolha de enredos, uso de tecnologia nos desfiles e trabalho de barracão.

Formado como designer gráfico na Escola Técnica Federal de Campos dos Goytacazes, com pós-graduação em Carnaval e Figurino na Universidade Veiga de Almeida, o artista destacou a importância da universidade para uma melhor qualificação e para facilitar a entrada de novos profissionais no universo do carnaval.

“Em relação ao mercado para novos profissionais, eu vou contar da minha própria experiência. Eu estou há seis anos no carnaval e há seis anos que eu estou no carnaval do Rio de Janeiro trabalhando. E, eu entrei através da academia, através de uma pós-graduação. Então, eu acredito que o caminho da profissionalização do carnaval, da formação profissional do carnaval tenha essa tendência. Porque a grande maioria dos novos carnavalescos, e de novos profissionais, não digo só carnavalescos, como escultores, ferreiros, pintores de arte, eles têm saído deste ambiente acadêmico”. * VEJA AQUI NOTÍCIAS DO CARNAVAL

Campeão da Série A em 2015 (este em companhia do carnavalesco Amauri Santos) e 2019 na Estácio de Sá, com trabalho no Grupo de Acesso realizado também na Unidos de Manguinhos, Zanon destacou a importância de levar os conhecimentos adquiridos nas universidades, escolas técnicas, para a comunidade ao redor das agremiações. * NOS ACOMPANHE NO INSTAGRAM

”Eu acho que o ambiente acadêmico hoje é importante para o carnaval, é importante para a formação desses novos profissionais e é claro precisa-se ter novos formatos, para que a gente possa fazer oficinas de aprendizado nas comunidades, dentro dos barracões, porque nem todos têm acesso a essa educação formal, mas existem muitas pessoas dentro das comunidades que precisam trabalhar e aprender um ofício. Então, eu acho que é necessário que se tenha essas oficinas pensadas pelas escolas para que cada vez mais a gente consiga formar profissionais preparados para fazer essa grande festa com qualidade, com responsabilidade e com tudo que esse espetáculo merece”, deseja o carnavalesco.

Em relação a um possível contexto de crise econômica se aprofundando após a pandemia, Tarcisio aponta uma retomada do trabalho mais artesanal como caminho para driblar as dificuldades impostas por uma eventual diminuição de recursos.

“As incertezas financeiras são muitas. Mas, aí é que mora a questão e aí que mora a origem do carnaval. Eu acho que cada vez mais a gente precisa olhar para a nossa origem para entender o nosso futuro. O carnaval sempre foi feito de uma forma muito artesanal. E a gente já está sentindo muito essa dificuldade do mercado. De não termos produtos que a gente tinha antes com muita facilidade. Produtos oriundos da China, com grande efeito, e cada vez mais a gente vê a indústria local refazendo esses produtos e até aprimorando. Hoje a gente tem um fornecedor, por exemplo, em Nova Friburgo que faz os mesmos galões que são produzidos na China. Hoje, a gente já criou uma formula dentro do nosso barracão para produzir um paetê artesanal”, conta Zanon.

Série Futuro do Carnaval: ‘A profissionalização tende a passar pela Academia’, diz Tarcisio Zanon

O carnavalesco destaca que esse momento pode ajudar a trazer oportunidades para a criação de uma nova mão de obra desenvolvida dentro das comunidades. A própria Viradouro tem seguido essa linha de utilizar cada vez mais seus colaboradores já na produção do protótipo, seguindo, é claro, todo o protocolo sanitário contra a Covid-19.

“Então, o que eu acredito é que cada vez mais o carnaval vai precisar ser artesanal por conta da falta de materiais importados que o mercado não está conseguindo prover. E isso é muito positivo, porque acaba que a gente aquece a mão de obra. A gente consegue empregar muito mais pessoas e esse é o nosso ideal em um momento que as pessoas precisam retomar a vida, retomar a economia de casa, levar o pão para casa. E, assim, nós temos construído esse carnaval. Esse próximo carnaval, fazendo um trabalho bem artesanal, que a gente possa empregar bastante dos nossos colaboradores, desses tantos artistas que precisam tanto desse trabalho e isso tem sido muito positivo, esse momento de criação”.

Veja abaixo mais propostas do artista:

Uso de tecnologia e carnaval como espetáculo multimidiático

“Eu vou me basear um pouco no que aconteceu lá atrás, pois até foi um estudo que a gente está fazendo sobre o Carnaval de 2019, que foi quando a economia criativa do país se diversificou. No período de 1918, o Brasil não produzia sapatos e, por conta da pandemia e da não importação, começou-se a produzir artesanalmente os sapatos no Brasil. E, acredito que todo esse problema financeiro que a gente tem passado, e esse problema também de pandemia que veio afetar ainda mais, a economia do carnaval tem se mostrado de uma forma muito eficiente para a criatividade dos artistas. A gente percebe que cada vez mais a gente tem tecnologia local e que isso acaba que vai ser empregado também no carnaval. E vai desenvolver também a indústria de tecnologia local. Então, eu não acredito que no futuro, por conta das crises financeiras e dos problemas que o carnaval enfrenta, que essas tecnologias possam cair, mas sim que elas possam se reinventar ou se ‘abrasileirar’, se é assim que eu posso dizer”.

Utilização de enredos com maior presença de crítica social

“Acredito que exista espaço para todo tipo de enredo. As vezes a gente rotula muito os enredos. Mas eu acho que a gente precisa buscar alcançar todo o tipo de público. Sempre que eu penso em enredo, eu penso que o enredo tem que tocar em todos. Ele tem que alcançar, ele tem que se comunicar com toda a camada da sociedade. Quanto mais diversos forem os enredos, mas a gente vai conseguir atrair público e fomentar a economia do carnaval, e atrair amantes do samba. Então, eu acho que existe espaço para o enredo histórico, existe espaço para o enredo lúdico, existe espaço para o enredo social, o importante é que a gente tenha diversidade para o enredo afro também, o importante é que a gente tenha diversidade para que a gente possa alcançar todos os públicos e para que o carnaval venha a continuar sendo o maior espetáculo da terra, que a gente possa crescer cada vez mais com esse grande espetáculo”.

Trabalho de barracão

“Eu vejo o carnaval cada vez mais feito por mãos humanas. E, eu digo, assim, substituindo totalmente as máquinas. As máquinas de bordado, isso cada vez mais vai ser feito à mão, a criação de novos produtos para o carnaval. Hoje existe também a questão da pluma ecológica, das penas ecológicas, então tudo isso é produzido por mãos humanas e isso é muito bacana. Eu prevejo um carnaval no futuro cada vez mais sustentável, cada vez mais ecológico, cada vez mais reciclável, e cada vez mais artesanal. E vejo isso como uma possibilidade incrível para mão-de-obra do brasileiro, do artista brasileiro, do profissional de cultura”.

Desejos para o futuro

“Eu desejo para o Carnaval que cada vez mais as comunidades estejam próximas de suas escolas, que não existam abismos entre a escola e a comunidade. Que isso esteja cada fez mais integrado e que o carnaval seja mais democrático, que as pessoas que realmente se dedicam o ano todo a esse trabalho possam ter acesso às arquibancadas, aos locais privilegiados dos desfiles e que isso possa acontecer de uma forma cada vez mais natural e economicamente viável. E que essa festa cresça, que os cariocas e os brasileiros possam cada vez mais entender o potencial que é o carnaval, não só economicamente, não só culturalmente, mas também psicologicamente para a população mundial”.

Ouça o papo completo abaixo em formato de podcast:

Ministro da Saúde anuncia 15,5 milhões de doses de vacina da Pfizer até junho

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou hoje que será antecipada a entrega de doses da vacina da Pfizer contra a covid-19. Serão 15,5 milhões de doses de abril a junho.

“Trago para os senhores uma boa notícia: a antecipação de doses da vacina da Pfizer, fruto de ação direta do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o principal executivo da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões da Pfizer já no mês de abril, maio e junho”, disse em pronunciamento após participar da segunda reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Também participaram da reunião e do pronunciamento o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) e a enfermeira Francieli Fantinato, que foi anunciada por Queiroga como secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde.

Francieli é atualmente coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante entrevista coletiva após reunião do Comitê Nacional de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19.

No pronunciamento, foram anunciadas ainda novas medidas para agilizar compra de medicamentos e oxigênio, proposta de programas de geração de emprego e de apoio a crianças que perderam os pais para a covid-19.

Almir Reis é o novo presidente da Beija-Flor de Nilópolis

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Em cerimônia realizada na noite desta terça-feira a Beija-Flor de Nilópolis oficializou Almir Reis como novo presidente da escola da Baixada Fluminense. Ele ocupava o cargo de vice-presidente. Agora, o vice é Biel Maciel. Novo diretor de marketing da Liesa, Gabriel David, deixou o cargo de conselheiro da azul e branco.

“Tô muito feliz por ter feito hoje uma surpresa para o @almiriss, que é um grande apaixonado pela @beijafloroficial e agora será presidente da escola. Ele é muito merecedor da posição que está alcançado e eu, assim como todo mundo na escola, sei o quanto ele a ama e o quanto batalhou por ela. Esse é o melhor recado que a nova posição do Almir pode trazer a quem está chegando: para buscar títulos e bons resultados para a Beija-Flor, é preciso ser bom e dedicado, mas antes de tudo é preciso amar esse pavilhão. E esse amor eu sei que o meu irmão @bielmaciel, novo vice-presidente, sente há muito tempo. Ele é uma pessoa em que eu confio muito e vai fazer de tudo para posicionar a escola da melhor maneira possível, da mesma forma como fez com os outros desafios que assumiu até hoje. Enquanto isso, eu estarei logo ali, no Departamento de Marketing da Liesa, cumprindo o meu papel junto a todo o Carnaval, incluindo a Beija-Flor. Deixo a posição de conselheiro e entrego a escola nas mãos da nova diretoria com confiança e felicidade. Sensação de dever cumprido e uma empreitada ainda maior a encarar adiante”, afirmou Gabriel.

Ao site CARNAVALESCO, após o Carnaval de 2020, Almir Reis falou qual era o próximo passo da Beija-Flor.

“Dar continuidade ao trabalho deste ano, manter o padrão. temos coisas a acertar, não da forma como fomos julgados. A comunidade gostou, viram a Beija-Flor de volta e o segredo é dar sequência”.

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Almir Reis também falou sobre Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija-Flor.

“O Anísio tem 83 anos de idade. Está na hora dele descansar um pouco também. Acho difícil que ele se aposente, mas tirar um pouco o pé. Algumas coisas vão cansando, a falta de reconhecimento do poder público. Ano passado a escola fez uma aposta, não deu certo e vida que segue. Voltamos ao modelo tradicional esse ano, dentro de nossas condições. Usamos muito material alternativo. Deram o mesmo efeito. A palavra do Anísio vale muito. Ele enxerga coisas que nós não enxergamos”.

Vai-Vai 2011: análise do desfile

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Gabriel David fala da relação com a TV Globo e do auxílio para os profissionais do carnaval

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Perto de completar um mês no comando da direção de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, respondeu algumas perguntas enviadas pelos apaixonados por carnaval sobre o trabalho e o futuro dos desfiles das escolas de samba.

“No departamento de marketing da Liesa, passamos o dia de hoje (ontem, segunda-feira) em uma imersão elaborando as possibilidade que temos diante de um espetáculo tão magnífico que nos proporciona experiências únicas, que quando bem elaboradas podem obter valores imensuráveis em um mercado tão competitivo”.

Em suas respostas, Gabriel David assegura que a TV Globo segue com os direitos de transmissão dos desfiles do Grupo Especial e respondeu sobre o auxílio para os profissionais do carnaval. Veja abaixo todas respostas do diretor de marketing da Liesa.

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Reunião para busca de soluções para o carnaval do Grupo Especial do Rio. Foto: Reprodução de internet

Redes sociais da Liesa

“É uma das nossas principais intenções para o próximo ano, mas para isso existe um trabalho de branding (estratégia de gestão da marca que visa torná-la mais reconhecida pelo seu público e presente no mercado) que precisa ser feito. Estamos trabalhando em cima. O processo de criação dessa marca já foi iniciado e deve ser concluído nos próximos meses”.

Apoio aos profissionais do carnaval

“O primeiro retorno que teremos para os profissionais de carnaval realmente vai ser uma ajuda pública e que precisa acontecer o quanto antes e estamos lutando para isso ser o mais rápido possível. Junto com a abertura dos barracões que deve acontecer em 15 dias”.

Transmissão dos desfiles

“As transmissões dos desfiles não só de 2022, como nos próximos quatros anos, com certeza serão com a TV Globo. Temos um contrato assinado. Estamos em um processo de mudança, junto com a TV Globo, para melhorar ainda mais a transmissão do espetáculo e a nossa parceria”.

Fusão no departamento de marketing da Liga

“O departamento englobou três diferentes: comunicação, comercial e vendas. Estamos fazendo uma integração entre esses três departamentos. Eles vão conversar o tempo inteiro, entender o que está acontecendo e tomar decisões em conjunto”.

Carnaval em fevereiro e plano B

“Temos um plano B. É muito importante falar isso. Independente de podermos ter os desfiles em fevereiro, caso a existe não possa ter, haverá o plano B. Se houver o desfile em fevereiro, o plano B será reutilizado em outro momento ao longo do ano. Teremos outras ações. Estamos criando outros produtos e conteúdos. Caso a gente tenha que prorroga os desfiles, tenhamos outras coisas muito interessantes para acontecerem na semana do carnaval em fevereiro. “.

Fim da venda de ingressos por fax e comercialização dos ingressos para o Carnaval 2022

“É óbvio que isso (fim da venda por fax) é uma coisa que vamos fazer. Estamos fazendo toda restruturação de vendas, comunicação e poderio comercial da Liesa e dos seus parceiros. Esperamos abrir a venda de ingressos até o início de junho. Vai ter carnaval em algum momento, temos diversas ações, porque precisamos movimentar a economia do carnaval”.

Trabalho de marketing na Liesa

“Estamos fazendo todo um brainstorming (é uma técnica que tem como objetivo auxiliar as pessoas na busca por soluções criativas para diferentes tipos de problemas) com todas potenciais ativações de marketing. É toda reestruturação da Liga para o mercado. É um trabalho muito minucioso ainda no início. É lógico que as pessoas estão ansiosas para saberem novidades. Não podemos sair anunciando tudo, mas muita coisa está sendo feita, a Liga está avançando. Estou muito feliz, tenho certeza que muita gente vai gostar do que estamos fazendo”.

Centenário de Dona Ivone é comemorado com lançamento de inéditas

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“Dona Ivone Lara, a coisa mais linda do Brasil, amor das nossas vidas”. Assim Caetano Veloso saudava a cantora e compositora, ao participar do “Baú da Dona Ivone”, disco que, em 2012, reuniu canções inéditas da rainha na voz de grandes nomes da música brasileira. Nove anos se passaram, e Dona Ivone, que nos deixou em 2018, segue cada vez mais linda — a despeito do Brasil que, desde então, vem insistindo em mostrar seu lado mais feio e triste. A beleza crescente das melodias da imperiana, registradas no “Baú da Dona Ivone”, está ao alcance de todos nas plataformas digitais, pela primeira vez, como parte das celebrações do centenário da artista — as 12 faixas, raridades que até pouco tempo existiam apenas em CDs físicos, distribuídos em escolas da Prefeitura do Rio, foram disponibilizadas agora pela Radar Records em três EPs, lançados entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021.

A notícia já é motivo de alegria enorme para quem ama o Brasil radiante que Dona Ivone representa, mas a celebração vai ainda mais fundo no baú. Bruno Castro, seu parceiro e idealizador do “Baú da Dona Ivone”, garimpou mais canções da compositora. Elas ganham a luz neste dia 13 de abril, quando a artista completaria 100 anos. Quatro delas são completamente inéditas: “Dois corações abrindo a manhã”, na interpretação de Maria Rita; “O espaço pra sonhar”, com Fundo de Quintal; “15 anos após o centenário”, no dueto de Dudu Nobre e Pretinho da Serrinha; e “Já é hora”, na voz de Xande de Pilares. “Nas escritas da vida”, lançada em 2010, volta agora em registro inédito, com Dona Ivone dividindo os vocais com Gilberto Gil. Completando a homenagem, Dandara Mariana canta “Silêncio da passarada”, feita por Bruno Castro e Ciraninho, em tributo à autora de “Sonho meu”.

O time dos sonhos inclui também grandes arranjadores. Rildo Hora assina o arranjo de “O espaço pra sonhar” e, Jota Moraes, o de “Dois corações abrindo a manhã”. Leandro Braga fica responsável por “Já é hora”, “Silêncio da passarada” e “15 anos após o centenário”. “Nas escritas da vida” tem a caneta de Maurício Verde, que havia trabalhado em todas as faixas do “Baú da Dona Ivone”, em 2012.

A história de cada uma dessas canções registradas no novo EP revela um tanto da alma de Dona Ivone. “Dois corações abrindo a manhã” nasceu de um dos famosos contracantos (os “laralaiás”) que a cantora improvisava com extrema naturalidade.

— Estávamos num show em Curitiba, no Sesc da Esquina, em 2005, e Dona Ivone estava especialmente inspirada aquele dia, interagindo demais com a plateia — lembra Bruno Castro. — Em “Tendência”, ela deixou o canto com o público e veio fazendo um desenho de improviso

bem peculiar, ela estava na ponta dos cascos. Como tinha esse show gravado em CD, separei esse improviso e mostrei a melodia pro Rildo Hora. Ele perguntou se podia fazer uma segunda parte e me mandou pra fazer a letra.

Bruno se inspirou numa cena que viveu com a mulher — um café da manhã no qual o casal, que comemorava 20 anos de casado, ganhou um bolo com dois corações desenhados. Viu ali o mote para a letra romântica da parceria tripla (Dona Ivone, Rildo e Bruno), que agora ganha a voz de Maria Rita.

“O espaço pra sonhar” (Dona Ivone e Bruno Castro) nasceu numa fase, nos últimos anos de vida, em que Dona Ivone ficava muito em casa, criando melodias, sentada em seu quintal em Oswaldo Cruz. Numa dessas melodias, Bruno construiu a letra de exaltação ao samba:

— É uma letra bem política, no sentido de afirmação do samba — explica o letrista, antes de cantar versos que exemplificam o que diz. — “Bem mais que ofício, me faz ser brasileiro/ Verdadeiro, a cantar os meus Brasis”. Também digo: “Se vejo em curso um preconceito/ Eu canto samba/ Pra cantar nosso direito/ Eu canto samba/ E se partir pro desrespeito/ Eu faço samba”. Tínhamos que chamar o Fundo de Quintal para essa.

“Já é hora”, que Xande de Pilares canta, tem uma origem inusitada. Amante de doces (que nem sempre podia comer por questões de saúde), Dona Ivone improvisou um samba em louvor ao pudim de Dona Fátima, sogra de Bruno. Seu parceiro registrou a melodia e, tempos depois, conta que acordou com a segunda parte da música inteira na cabeça:

— Na hora peguei o instrumento e gravei. Depois, Dona Ivone veio a falecer, e o (compositor e cavaquinista portelense, Serginho) Procópio, que é um aficionado por ela, perguntou se eu tinha alguma melodia de Dona Ivone. Mostrei essa. Ele levou e no dia seguinte trouxe a letra pronta. Ele mesmo mostrou pro Xande, que adorou e quis gravar.

A outra inédita dessa leva, “15 anos após o centenário”, foi feita por Bruno e Zé Luiz do Império, a partir de melodia de Dona Ivone — e seus relatos sobre Vó Tereza, personagem fundamental pro jongo, para Serrinha e para toda a comunidade de Madureira. Mãe dos lendários Mestre Fuleiro e Tio Hélio, e tia de Dona Ivone, ela é celebrada num samba em forma de crônica, narrando uma fictícia festa dos 115 anos da matriarca.

— Fizemos na linha daquelas coisas de Nei Lopes, o grande cronista do samba — diz Bruno.

Em “Nas escritas da vida”, Gilberto Gil colocou seu canto ao lado da voz gravada por Dona Ivone, em 2010. Um dos gigantes da música brasileira, o baiano canta com reverência frente à imponência natural da cantora.

“Silêncio da passarada”, que imagina os pássaros do quintal de Dona Ivone se dando conta de sua ausência depois de sua morte, é relida por Dandara Mariana — em 2022, a canção

ganhará o formato de livro infantil. A atriz e cantora foi uma das escaladas para representar Dona Ivone no musical “Um sorriso negro”, em 2018.

O projeto “Baú da Dona Ivone”, aliás, tem forte caráter educativo. Em 2012, ele nasceu com o apoio da Prefeitura do Rio (na gestão do então prefeito Eduardo Paes), e foi distribuído para as escolas e bibliotecas do município, junto com um suplemento pedagógico. Bruno procura revitalizar esse material, preparado pelo professor Douglas Fagundes, e agora seguindo com a curadoria da professora Helena Soares.

— A História do Brasil está nas canções de Dona Ivone. “Não é miragem”, dela com Délcio Carvalho, é um hino da redemocratização. “A luta imperiana” nasceu de uma nota de jornal sobre os mandos e desmandos dos traficantes na comunidade da Serrinha — conta Bruno. — Estamos gravando vídeos com esse material, no intuito de democratizá-lo.

As sessões de gravação deste novo EP foram registradas em vídeo também, com depoimentos dos artistas. A ideia é que eles possam ser aproveitados num documentário futuro.

As novidades em torno do “Baú da Dona Ivone” abrem as celebrações do centenário da artista, que prometem ser longas. Até porque há uma controvérsia sobre a data de seu nascimento. Dona Ivone tem documentos que afirmam que ela nasceu em 1921 e outros que atestam que foi em 1922. A própria família da compositora, que apoia as iniciativas do “Baú da Dona Ivone”, não tem uma definição sobre a data. Ou seja, anuncia-se um cenário de homenagens que se estenderá ao longo de 2022. Uma imprecisão histórica que atua a nosso favor. Afinal, dois anos é pouco para a grandeza de Dona Ivone — e o Brasil anda precisado.

Portela se despede de Souza, que fez história na Tabajara e na Galeria da Velha-Guarda

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A família portelense está de luto. Morreu nesta segunda-feira, Carlos Souza Santos, carinhosamente apelidado de Souza, aos 73 anos, após perder a luta para um câncer. Ele era solteiro e não deixa filhos. Por conta da Covid-19 não foi possível realizar velório. O enterro do corpo foi realizado nesta terça-feira, 13, às 9h, no Cemitério do Caju, Zona Norte do Rio, na presença apenas de familiares.

Souza nasceu em Bonsucesso e na adolescência descobriu o gosto pelo carnaval. Chegava a fugir de casa para participar do bloco Cacique de Ramos. Logo em seguida conheceu a Portela, que se tornou amor para a vida toda.

Aos 22 anos começou a desfilar na escola. Passou em ala, pela comissão de frente e chegou à bateria, onde comandou a ala de tamborins, no carnaval de 2004. Nos últimos anos precisou se afastar da bateria por problemas de saúde, mas continuou a desfilar pela Portela na Galeria da Velha Guarda até descobrir um câncer na próstata.

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Mestre Nilo Sergio o tinha como uma grande referência: “Quando eu cheguei na escola ele era da bateria e logo acolheu. Sempre muito elegante, bem-vestido, um sambista à moda antiga. Dizia orgulhoso que era do grupo-show do Mestre Marçal e chegou a tocar com Clara Nunes. Uma enorme perda!”

O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e toda a diretoria da Portela lamentam o falecimento e se solidarizam com seus familiares e amigos.

‘O carnaval só poderá ocorrer quando houver uma boa cobertura vacinal’, diz diretor da Fiocruz

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HERMANO CASTRO – Médico pneumologista, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz e membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – Entrevista publicada no Relatório da Comissão Especial do Carnaval da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro (apresentado em dezembro de 2020).

Em comparação com outras cidades brasileiras, qual foi o impacto epidemiológico da pandemia no Rio de Janeiro?

A cidade do Rio de Janeiro tem um dos índices mais alarmantes de letalidade e mortalidade em comparação com outras capitais e estados. Durante alguns meses a taxa de letalidade na cidade atingiu cifras acima da média mundial. Em setembro, o município do Rio de Janeiro apresentava uma taxa de letalidade de 10,7% (uma pessoa morre a cada nove pacientes infectados por Covid-19 na cidade), enquanto a taxa de letalidade do Brasil era de 3,7%, compatível com a taxa mundial, de 3,3%. Ou seja, na média os cariocas morreram três vezes mais do que as médias brasileira e mundial.

Com a chegada da pandemia no Rio, o que a prefeitura deveria ter feito para gerir a crise e evitar mortes?

A cidade já vinha sofrendo uma redução na atenção primária em saúde e já havia um déficit de recursos humanos e materiais na rede SUS. A redução da cobertura da Estratégia de Saúde da Família (ESF) em quase 10%, aliada a ausência crônica de atenção especializada dificultaram o enfrentamento da pandemia. Os investimentos em hospitais de campanha para internações em leitos intermediários e UTIs Covid tiveram efeito reduzido, dada às dificuldades de contratação de pessoal e problemas de corrupção no Estado. No pior período da pandemia, entre maio, junho e julho, houve aumento de óbitos nas residências e nas UPAs, de pacientes que aguardavam nas filas de internação. Naquele momento teria sido fundamental a cobertura da ESF para o atendimento adequado
aos pacientes que necessitavam, principalmente, de oxigenioterapia para os quadros clínicos moderados. Houve estrangulamento do sistema com falta de leitos para receber a demanda daquele momento.

Quanto tempo será necessário para garantir a imunização da população carioca após a aprovação de uma vacina?

Primeiro precisamos de um plano nacional, estadual e municipal de vacinação. Definir prioridades por grupos de risco, como profissionais de saúde, idosos e outros é necessário para iniciarmos a vacinação. O Brasil possui uma das melhores experiências em vacinação do mundo, usando a rede do SUS. Para que ela atue em sua plenitude, é preciso um planejamento que defina a logística de compra de insumos, que vão de seringas e agulhas à própria vacina, formas de transporte seguras e rápidas e meios de distribuição. Como as principais vacinas disponíveis em fase 3, até o momento, requerem duas doses para imunização, esse planejamento precisa contemplar essas duas etapas para cada um dos grupos prioritários, o que é mais um desafio logístico. Precisaremos, portanto, de vários meses para contemplarmos a população das maiores cidades brasileiras.

O que deve ser levado em consideração para garantir um carnaval com segurança sanitária na cidade do Rio de Janeiro?

O carnaval é um evento necessariamente com aglomerações e, por seu porte e importância cultural, toda segurança deve ser garantida para que não se coloque em risco a saúde da população. O carnaval só poderá ocorrer quando houver uma boa cobertura vacinal, lembrando que, por sua dimensão internacional, é possível que só tenhamos condições seguras de realização com o controle da pandemia a nível mundial.

Quais são as principais lições que devemos tirar dessa pandemia?

A maior lição é a necessidade do trabalho cooperativo de todas as nações para a preparação ao combate a esta pandemia e outras que certamente surgirão, garantindo a vacinação global como direito para todos os povos, independente do poder econômico. A valorização da ciência e a importância do Sistema Único de Saúde que, apesar de suas fragilidades, tem sido o suporte para o atendimento à população. Sem ele, teríamos um quadro ainda mais grave de óbitos. E, por fim, a necessidade de entendermos que não estamos sozinhos, que nossas ações se refletem no outro e devemos cuidar de todos. Como dizia Clarice Lispector, “A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro.”.

Morre o jornalista Aloy Jupiara, membro do Estandarte de Ouro e um dos maiores representantes da imprensa brasileira

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O carnaval perdeu uma das principais referências na cobertura jornalística das escolas de samba. Faleceu nesta segunda-feira, vítima de complicações da Covid-19, o jornalista Aloy Jupiara. Imperiano de coração, ele é um dos autores de dois livros “Os porões da contravenção” e “Deus tenha misericórdia dessa nação”, todos escritos em parceria com o jornalista Chico Otavio. Recentemente, ele participou do documentário sobre Castor de Andrade.

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No jornal O Globo, Aloy participou do júri do prêmio Estandarte de Ouro e era membro do Conselho Deliberativo do Museu do Samba. Ele participou da elaboração do dossiê “Matrizes do samba no Rio de Janeiro”, para registro do samba como patrimônio cultural do Brasil.

Formado na Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. De 1987 a 2000, trabalhou como repórter, coordenador e subeditor de Rio e Nacional/Política do jornal O Globo. Entre 2001 e 2004, foi editor do site do jornal. Em 2009, liderou a equipe que criou o site do jornal Extra. Também foi gestor de projetos digitais. Atualmente, ele exercia o cargo de Editor-Chefe no Jornal O Dia.