Início Site Página 1372

Pensando a crise no samba: Milton Cunha conversa agora com os mestres de bateria

0

Presidente da Banda de Ipanema informa que não desfila em 2022

3

Em declaração publicada na coluna do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, o presidente da Banda de Ipanema, Claudio Pinheiro, revelou que não haverá desfile em 2022.

“A simples e tão desejada vacinação não credencia ninguém à aglomeração. Todos os cuidados deverão ser mantidos integralmente. Não podemos desfilar enquanto pessoas continuarem morrendo de Covid-19. Vamos esperar pelo carnaval de 2023. Pode ser que até lá, tudo se resolva. Mas, em 2022, a situação ainda será de riscos”, afirmou Pinheiro.

Em maio do ano passado, Claudio Pinheiro foi um dos primeiros a garantir que não haveria desfile em 2021. Nas redes sociais, o carnavalesco Leandro Vieira, da Mangueira e do Império Serrano, comentou a notícia desta segunda-feira.

ipanema

“Dói, mas é fácil vislumbrar, que o desfile das escolas em fevereiro de 22 pode encontrar o destino do 21. Custo a crer que ninguém tá pensando desde já num FORMATO POSSÍVEL para esses tempos. Algo que devolva renda para milhares de trabalhadores desempregados”.

Aniversário da Mangueira terá live com espetáculo Matrizes

0

A alvorada no Morro da Mangueira irá anunciar no próximo dia 28, mais um ano de vida da Estação Primeira de Mangueira. Este celeiro de bambas, que despontou e inspirou lindas obras decantadas em todo o mundo, completa 93 anos e, apesar de não poder reunir sua imensa torcida no Palácio do Samba, já tem um encontro marcado online com os mangueirenses.

O “Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc apresentam”, no canal do YouTube da Verde e Rosa, uma grande live com o show “MATRIZES”, premiado com o troféu Yedda Maria Texeira, de melhor espetáculo de 2019, oferecido pela Associação dos Embaixadores de Turismo do Rio de Janeiro.

Produzido para ocupar o interior de seu barracão de alegorias na Cidade do Samba em sua primeira temporada, Matrizes emocionou o público num amplo repertório com vertentes para o jongo, o caxambu, o choro e outros ritmos embrionários, bem como, clássicos do cancioneiro brasileiro e do repertório de célebres compositores da Estação Primeira. Com preciosidades como “Samba Agoniza Mas Não Morre”, de autoria do presidente de honra da Mangueira, Nelson Sargento, no repertório entram clássicos como: “Noites Cariocas”, “Delicado”, “Viva o Samba”, “Olha o Samba Sinhá”, “Escurinha”, “Sala de recepção”, “Canto de Ossanha”, além de vários sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira de grande sucesso, como: Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão – Mangueira 1988 – de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho.

live mangueira

A live acontecerá no dia 28 de abril, às 17h, no canal do Youtube da Mangueira, https://www.youtube.com/watch?v=dTdckU0FXiw e contará com uma grande roda de samba na abertura, com sambas históricos da Estação Primeira.

Quadras da Mocidade e Portela são escolhidas para investimento de ONG do ator Sean Penn na campanha de vacinação

0

A ONG CORE (Esforço de Ajuda Organizado pela Comunidade, na sigla em inglês), fundada pelo ator Sean Penn, fez uma parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Coordenadoria-Geral de Relações Internacionais e Cooperação, da Secretaria de Governo e Integridade Pública (SEGOVI), para investimento em cinco macropolos de vacinação contra Covid-19, entre eles, as quadras da Portela (já é um posto e terá sua estrutura ampliada) e da Mocidade Independente de Padre Miguel.

A ONG doará R$ 5 milhões no combate ao novo coronavírus no Rio, com reforço e montagem de postos de vacinação e testagem e contratação de profissionais. Outros R$ 5 milhões estão em negociação para a compra de medicamentos para intubação, podendo chegar a um investimento total de R$ 10 milhões.

A ideia é que Rio seja a porta de entrada e sirva de modelo para que a ONG ajude outras cidades brasileiras, em apoio ao SUS. Além disso, todos os equipamentos comprados por meio da iniciativa serão doados para a rede municipal de saúde após o término da parceria.

“Precisamos preparar a cidade para as próximas etapas da vacinação contra a Covid-19, à medida que vamos atingir faixas mais jovens. Quando recebermos as doses do Ministério da Saúde, é fundamental que tenhamos mais logística para vacinar a população e ampliar a testagem. Nesse sentido, a parceria com uma ONG experiente no assunto, disposta a investir no Rio de Janeiro, fortalecendo o SUS, é uma grande conquista”, destaca o secretário Marcelo Calero.

quadras

A previsão é de serem criados e fortalecidos cinco macropolos de vacinação com os recursos da ONG, além da contratação de equipes para trabalharem nesses postos (incluindo profissionais de saúde). Os locais inicialmente escolhidos pela Secretaria Municipal de Saúde foram a UPA de Manguinhos, as quadras das Escolas de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel e Portela (onde já funciona um posto, mas será ampliado e mantido com os recursos da CORE), a Vila Olímpica do Complexo do Alemão e o Parque Olímpico (que atualmente está aberto, mas será mantido a partir de agora pela ONG). Nos próximos dias, a CEO Ann Lee deverá visitar esses locais para verificar como será a atuação da CORE. Em uma outra etapa, haverá também centros de testagem, para ampliar a detecção de pacientes contaminados e auxiliar no combate à doença.

Olha a imunização aí, gente! Neguinho da Beija-Flor toma segunda dose da vacina

0

O intérprete Neguinho da Beija-Flor, um dos principais ícones do carnaval, tomou nesta segunda-feira a segunda dose da vacina contra a Covid-19. O sambista recebeu a primeira dose em março.

Com mais de 50 anos de serviços prestados ao carnaval, ele conversou com o site CARNAVALESCO, quando recebeu a primeira dose, e demonstrou apreensão e desespero com a atual situação dos profissionais que trabalham na cadeia produtiva da folia.

“A minha expectativa era que ficaríamos parados por uns três meses, e com o prolongamento do isolamento começou a bater a preocupação e a ansiedade pelo fim da pandemia. Mesmo com as economias adquiridas com o carnaval, muitos profissionais da música não tiveram renda suficiente e logo começaram as lives para dar um suporte a todos”.

O cantor também respondeu sobre a relação das escolas de samba com seus profissionais.

“Quem nunca passou fome, não sabe o que é não ter nem para comprar um pão com leite, muitos dão a vida pelas suas agremiações. É a paixão do verdadeiro sambista. Realmente, eu vejo que falta mais humanidade das direções das agremiações em reconhecerem os seus profissionais”.

Reconciliação de Bruno Ribas e Wander Pires emociona os sambistas

867

Durante a live Vozes do Samba, na quadra da Estácio, na sexta-feira, para celebrar o Dia de São Jorge, um momento muito especial marcou os sambistas. Após anos afastados por desavenças particulares, os intérpretes Bruno Ribas, da Imperatriz Leopoldinense, e Wander Pires, da Mocidade, se reconciliaram.

“É notório para quem é do meio que eu e um grande cara tínhamos um problema que foi criado para fora da gente. Nos deixou mal durante muitos anos. São Jorge trabalhou nas nossas vidas para estarmos aqui dentro do Estácio, da festa de Ogum, resolvendo tudo e botando tudo para dentro da terra até o infinito para gente nunca mais volte a escutar aquelas pessoas do exterior da gente e a gente possa viver a amizade que tive com você”, disse Bruno Ribas.

“Sempre te admirei calado. Estou muito feliz por esse momento que estamos vivendo. O momento que tantos amigos esperavam. Recomeçar, reconhecer seus erros, aceitar, seguir em frente e entender que nossa vida é uma constante evolução. Que nossa caminhada seja abençoada e que nada dessa vez nos faça mal meu irmão, Bruno Ribas”, respondeu Wander Pires.

Reconciliados, os intérpretes cantaram o samba da Imperatriz em homenagem ao galinho Zico, de 2004, e depois o Quinto Império, apresentado pela Mocidade Independente de Padre Miguel em 2008.

Em live do site Samba Rio, Bruno Ribas comentou que falas de outras pessoas afetou a amizade com Bruno Ribas. “Existe espaço para todo mundo. Nunca tive problema com ele e pessoas que criaram na cabeça dele que eu cantava igual. Foi criada uma polêmica, inimizade, por conta de uma besteira”, disse Bruno Ribas.

A reconciliação dos cantores mexeu com os sambistas nas redes sociais. Veja abaixo.

Wander Pires e Bruno Ribas vcs são gigantes e deram um exemplo de humildade para o mundo do samba aonde a vaidade por muitas vezes atropela o caráter das pessoas.
Aula máxima!!!

Publicado por Leonardo Bessa em Sexta-feira, 23 de abril de 2021

As pessoas normais são assim… você é mais novo pensa duas ou três besteiras, fala mais quatro ou cinco sem pensar e…

Publicado por Samir Trindade em Sábado, 24 de abril de 2021

VOZES DO SAMBA 🎶

Orgulho de fazer parte desse time…👏🏼

O samba faz o bem pra nossa alma e quem ta de fora não tem a…

Publicado por Tem Tem Jr. em Sexta-feira, 23 de abril de 2021

Artigo: ‘Carnaval e seus artífices – Os trabalhadores dos bastidores’

0

A sociedade tornou-se dinâmica ao extremo, imagine-se daqui a cem anos como será? O fato é que de hora em hora, minuto a minuto, percebe-se novas ideologias substituídas com celeridade espantosa dos discursos mais antigos, entretanto, estes foram super modernos no passado. No passado intelectuais e artistas eram os porta-vozes de novas ideologias e por meio deles formavam-se modernos discursos.

Na segunda metade do século XIX (1850-1901), líderes de inúmeras categorias se reuniram com propósitos definidos de combater discursos obsoletos que proferiram ou até marginalizaram alguns setores da sociedade. Os trabalhadores das fábricas, por exemplo, do país inteiro, promoveram greves, para reivindicar os seus direitos, haja vista, em outras partes do mundo, as notícias eram de que havia justiça social, direitos das mulheres e a formação do “feminismo”, movimentos contra a segregação racial, que exigiam por parte daquelas democracias, políticas públicas, que garantissem maior liberdade e respeito aos segmentos sociais e profissionais, para o pós “abolição da escravatura” como ocorrera nos Estados Unidos da América do Norte.

Essas ideologias ecoaram no Brasil e conduziram em dar vozes à periferia, que começava a falar mais alto, envolvidas de sentimento em suas manifestações políticas, porém de peso cultural; apontando a diversidade social principalmente, que passou a ser tema constante dos debates acadêmicos. A sociedade como um todo, ouviu e moveu-se para a discussão de novas ideologias. Seja através de livros, jornais, revistas, trabalhos fotográficos, grafite, desenhos, pinturas, textos literários, debates promovidos por entidades da sociedade civil, enfim. O que se pode enfatizar com segurança, é que de todas essas linguagens e veículos de ideologias, que clarearam o olhar e atenção do povo, a que mais contribuiu foi o Carnaval e as Escolas de Samba.

Através do Carnaval, diversas linguagens expressam antigas e novas ideologias. As letras e composições musicais sempre foram apreciadas por todos, especialmente para os menos alfabetizados da população. As propagandas publicitárias, caricaturas, charges, filmes, enfim, todas essas linguagens, estão dentro de uma Escola de Samba, seja ela de qualquer tamanho e esplendor, por um acaso abrigadas pela maior manifestação cultural do mundo que é o Carnaval. O Carnaval e seu enorme poder laborativo, definidos pela sua pluralidade de atividades e ocupações, do trabalho direto e indireto, que tramita diuturnamente nos Barracões das Escolas de Samba, locais de intenso trabalho e criatividade e principalmente por conta de sua grandeza e tendência sócio-política e econômica em trazer à luz os problemas sociais e outras compreensões. As Escolas de Samba nunca foram muito bem vindas pelos governantes e autoridades constituídas. Se assim fosse, não teriam os graves problemas de sobrevivência, todos os anos e em todo o estado do Rio de Janeiro. Caso contrário, e com vontade e total interesse político, fariam das Escolas de Samba de todo o Rio de Janeiro o “glamour” que sua historiografia merece.

grande rio desfile 2020 129 Copy

Segundo o empresário José Antônio Rodrigues, produtor e criador da empoderada marca Plumas & Paetês, assevera que existam 46 (quarenta e seis) atividades distintas numa Escola de Samba. Poderíamos até arriscar mais de 50 atividades de trabalhadores do Carnaval, que são: Aderecista, Assistente de Coreógrafo, Assistente de Tecnologias, Artesão de Vime, Aramista, Artista Plástico, Assessor de Marketing, Batedor de Placas de Acetato, Bordadeira, Carnavalesco, Carpinteiro, Chapeleiro, Compositor, Comunicadores do Carnaval, Cantor, Coreógrafo, Costureira, Desenhista, Destaque de Luxo Masculino, Destaque de Luxo Feminino, Destaque Performático Masculino, Destaque Performática Feminina, Design Gráfico, Diretor de Barracão, Diretor de Carnaval, Diretor de Harmonia, Escultor de Isopor, Escultor de Espuma, Escultor de Formas em Movimento, Estilista, Ferreiro, Figurinista, Gestor de Ateliê, Iluminador, Laminador, Empastelador, Marceneiro, Maquiador Artístico, Mestre de Bateria, Mestre-Sala, Modelista, Porta Bandeira, Passista Masculino, Passista Feminino, Pesquisador, Pintor de Arte, Projetista, Sapateiro, Técnico de Efeitos Especiais, Tingidor de Penas.

Cabe aqui motivação para citar o professor, escritor e consultor administrativo Peter Drucker e sua “gestão por objetivos” que se encaixa no tipo de métodos de planejamento, que tomam como base os fatores quantitativos das atividades de uma Escola de Samba. Outro conceito do professor é a descentralização das empresas, que ele indicava como sendo a divisão de trabalho. O que mais chama atenção nos conceitos desse austríaco, nascido em 19 de novembro de 1909, portanto, início do século XX, é a sua atenção às duas forças de trabalho distintas à disposição dos empregadores: a das pessoas com menos e mais de 50 anos de idade. As empresas deverão remunerá-las de forma diferente: as primeiras com menos de meio século, carecem de renda constante e estável; a segunda, seria aproveitada em trabalhos temporários. Dentro de um Barracão de Escola de Samba a idade pouco representa, a não ser o mais experiente ensinando o aprendiz.

Paulo Freire preferiu ser simples e pontual em apontar “não basta ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com seu trabalho”.

Através do fenômeno social e cultural Escola de Samba, as populações dos municípios do estado do Rio de Janeiro, de suas periferias, favelas e comunidades, aprenderam a conviver com a leitura dos versos dos sambas de enredo e de quadra. Mesmo para aqueles de pouca leitura e escrita, as estrofes dos versos eram expressadas e cantadas, daí o alto nível cultural dos enredos e dos sambas, que são obrigados a serem contextualizados e transformados fisicamente em fantasias, adereços de mão, de cabeça ou sobre os carros alegóricos.

A Escola de Samba é, portanto, veículo gigantesco, genuíno cultural, educacional. São além disso, verdadeiras indústrias com todo o vigor da palavra. Desempenham atividades intelectuais, administrativas, de pessoal e marketing, como em qualquer outra indústria, seja automobilística, de bens de consumo ou cinematográfica, como são as indústrias do cinema dos EUA.

Por que o Brasil não está em pé de igualdade com a indústria do cinema americano com relação ao Carnaval? Talvez tenha sido o protecionismo maciço do governo americano e seu firme objetivo ao lucro e receitas para os cofres públicos, que motivaram o crescimento invejável dessa indústria.

O protagonismo laborativo, exaltando a teia produtiva exuberante e crescente, como também a capacidade de ajustamento em movimentar-se na direção das inovações, fazem da Escola de Samba algo raro, que merece muito estudo.

Segundo a professora Luana Lourenço, fundadora do Grupo de pensadores em Capitalismo Consciente, as Escolas de Samba precisam se preparar para o próximo momento. Elas chegaram no topo, no vértice de buscar novos caminhos, de fato, estão exatamente no ponto de estabelecerem espaço para novas parcerias, menos relação com governos, mais interação com a iniciativa privada. Aliás elas mesmo, possuem esta formação.

A autossustentabilidade de seu espaço industrial, carece de entrosamento com empresas que atuam e demonstram seu sucesso nas publicações através de seus índices econômicos. Inovar, conquistar autoconfiança, desenvolver habilidades, que são inatas, buscar refinamentos e organização para ajustar-se e tornar-se indústrias de interesse sólidas e robustas à frente dos grandes conglomerados, esses são passos a percorrer.

A professora Luana Lourenço apresenta um cardápio de itens básicos, na crença indubitável do crescimento econômico que envolve as Escolas de Samba. A advogada assevera que as lideranças de Carnaval precisam estudar, compreender sutilezas do capitalismo consciente, do qual estão inseridas. Com efeito, passou a hora de saber mais sobre governança, compliance, auto sustentabilidade, inovação, conscientização sócio-econômica e cultural. As Escolas de Samba precisam esquecer o passado paternalista e criarem seus próprios trajetos, de certa forma já demarcados através dos seus 90 anos de idade.

A conclusão é que a Escola de Samba é a indústria criativa cultural mais perfeita e projetada naturalmente no âmbito empresarial, sobrepujando a indústria convencional.

Ao referir-se a Escola de Samba, há necessidade de ser cuidadoso em verificar seu contexto social, muito além do econômico, porém inseridos no mesmo conceito. As Escolas de Samba construíram um sistema absolutamente social, cultural, autossustentável e de valor compartilhado. São organizações fabris, das quais também são desenvolvidos os conceitos primordiais de serem estas indústrias, pungentes e promissoras em seu nascedouro, empoderadas de valores sociais e culturais.

Sobre os valores compartilhados devem partir do pressuposto, que através de uma Escola de Samba, poderão ser criados outros objetivos sem fugir da estrutura que a Escola de Samba oferece naturalmente. Seja no âmbito da educação, da cultura, da indústria, do comércio, das pessoas que trabalham nos bastidores. Essas sim, os artistas invisíveis, que a luz dos holofotes não conseguem focar em dias dos desfiles de beleza e criatividade.

A estes profissionais das Escolas de Samba, seus dirigentes devem começar a demonstrar e reconhecer a necessidade de se pensar grande, pensar como verdadeiras empresas, servindo aos seus trabalhadores todo sortimento de garantias sociais legais, das quais serão cobradas através das possíveis parcerias com outras empresas.

Sem dúvida, a roda já foi inventada, no entanto, há de se investir em: inteligência, sustentabilidade, capacitação, tecnologias, organização, participação das comunidades e naturalmente, exaltar os trabalhadores das Escolas de Samba.

Diante de tudo isso, seria razoável propor para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, para a Câmara Municipal de Vereadores do Rio e para as Casas Legislativas Municipais dos demais municípios fluminenses, a criação do dia do Artífice (profissional) da Economia Criativa do Carnaval! Como citado acima, segundo José Antônio Rodrigues, são 46 (ou mais) atividades distintas que movimentam a cadeia produtiva da Indústria Criativa Cultural do Carnaval, e precisam cada vez mais serem reconhecidas pela importância cultural, histórica e econômica.

Ainda como sugestão, ao dia do Profissional da Economia Criativa do Carnaval do estado do Rio de Janeiro, vislumbro seria uma excelente opção, homenagear Fernando Augusto da Silveira Pamplona. Pamplona, como era carinhosamente chamado pelos seus amigos, nasceu em 28 de setembro de 1926 no Rio de Janeiro, o “ Pai de Todos”, pode ser considerado como o maior incentivador da arte popular, tendo o Carnaval, em especial as Escolas de Samba, como seu cenário principal. Seria justo mencionar sua presença no Mundo do Samba, e que ele tenha influenciado a divisão no tempo, antes e depois de Pamplona. Cenógrafo, professor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, com sua habilidade e sensibilidade, esse Salgueirense trouxe à luz outro modo de se pensar Escola de Samba a partir de 1960.

Fernando Pamplona foi casado com Dona Zeni durante 60 anos, pai de Eneida e Consuelo e também de Joãozinho Trinta, Arlindo Rodrigues, Rosa Magalhães, Renato Lage, Maria Augusta e amigo querido de Candonga, Albino Pinheiro, Ferdí Carneiro, Haroldo Costa, Ziraldo, Sérgio Cabral, Chico Caruso, Paulo Caruso, Jaguar, Lan, Ricardo Cravo Albin e tantos outros…

O dia do Profissional da Economia Criativa do Carnaval é um reconhecimento do povo fluminense ao talento, criatividade e paixão de Fermando Pamplona.

“ Fui criado com contos de fada e não com super-heróis, e tinha muita simpatia pelo Império Serrano pois, na minha imaginação, lá em cima da serra devia estar o castelo da princesa. Minha politização, no tempo da UNE, desviou minha simpatia para a Mocidade Independente. Que nome bonito! Remetia à luta e à liberdade! Porém, a coragem do Salgueiro, seu vermelho e branco, seu enredo falando de um artista-Debret-me marcou. Era 1959. VIREI SALGUEIRO DEFINITIVAMENTE, PARA TODO O SEMPRE!” (Fernando Pamplona)

Por Sérgio Almeida FirminoAssessor Especial de Economia Criativa do Carnaval da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa-SECEC. Diretor Conselheiro do Instituto Cultural Cravo Albin. Referência Bibliográfica: Pamplona, Fernando: O Encarnado e o Branco.

Agradecimentos: ao economista Marcel Balassiano, pelos bons papos sobre o Carnaval, sobretudo pelas informações econômicas. Ao querido amigo e Editor Léo Christiano Ansina, que me presenteou o livro de Fernando Pamplona “ O Encarnado e o Branco” há cinco anos atrás. Ao produtor José Antonio Rodrigues em me ajudar a apresentar os artistas do Carnaval do Rio de Janeiro.

Mara Rosa é a prova do poder transformador do samba na comunidade

0

A série “Personalidades do carnaval” traz um papo com uma personagem que possui o DNA vermelho e branco da Academia do Samba. Filha de antigos funcionários do Salgueiro, porteiro (pai) e auxiliar de serviços gerais (mãe), Mara Rosa teve a honra de nascer nos anos de glória do samba dentro das comunidades do Rio de Janeiro. Cativada desde criança, hoje ela desempenha a função de presidente da escola de samba mirim Aprendizes do Salgueiro. Abaixo o papo completo.

Início no Salgueiro

“Quando pequena, eu dava meus primeiros passos na escola indo levar comida para os meus pais na quadra, almoço. Aos cinco anos entrei para o Aprendizes e me apaixonei mais ainda pelo carnaval e pelo Salgueiro, eu já vinha de uma educação roxa pelas escola. Até que no ano de 2011 entrei para escola de mestre-sala e porta-bandeira do Manoel Dionísio, meu sonho era ser igual a tia Tâninha, primeira porta-bandeira da escola e muito campeã”.

Carreira de porta-bandeira

“Fui a primeira porta-bandeira do Aprendizes dos meus 11 aos 18 anos, até que fui para a escola mãe e comecei a desfilar como terceira no ano de 2003. Depois passei para o posto de segunda nos anos de 2004 até 2008. Em 2009 fui convidada para ser a primeira porta-bandeira da União da Ilha, fui campeã com notas máximas e voltamos ao Grupo Especial, depois passei pela Viradouro como segunda, Tuiuti e Curicica como primeira, encerrei a carreira para ser mãe e não pretendo voltar, pois, hoje dedico a minha vida para minha filha”.

100058000859 83325

Volta ao Salgueiro

“Mesmo sendo porta-bandeira de outras escolas eu nunca deixei de sair do Salgueiro, o meu emprego oficial era nele. Desde os meus 19 anos, eu trabalhava na vila olímpica da escola e depois passei para a função de gerente administrativa da quadra. Cursei a faculdade de Comunicação Social e após isso saí para ir trabalhar na minha área de formação, mas continuei como integrante da comunidade”.

Presidência do Aprendizes

“Quando o André Vaz assumiu a presidência da escola mãe, ele me chamou para assumir a escola mirim. O André queria alguém que entendesse a comunidade, eu sabia bem das necessidades que ela tinha, além de uma abertura muito grande com todos eles”.

100078300552 5015

Trabalhos sociais antes e durante a pandemia

“Um dos maiores trabalhos que eu consegui trazer junto ao André foi o projeto ‘Salgueirar vem de criança’. A nossa escola não tinha escolinhas para a arte do carnaval, só para o esporte. Demos início antes da pandemia com as aulas de ballet, percussão (com um grande número de alunos portadores de deficiências motoras e mentais), samba no pé e para os pais não ficarem à toa esperando os filhos. Temos também a aula de ritmos e alegorias e adereços. Com a pandemia, focamos na busca pela minimização dos impactos dela na comunidade, a fome foi o maior fator e fizemos de tudo para não deixar ninguém passar fome, demos o nosso máximo com a distribuição de cestas básicas”.

Desafios de colocar uma escola mirim na avenida e o lado de bom

“O lado bom é por ser muito gratificante, eu me vejo neles… comecei na escola mirim. Tenho muitas memórias afetivas e isso me faz bem. O ruim é que a gente não tem apoio nenhum do governo para a execução dos desfiles, mas o Salgueiro me dá um apoio muito grande”.

Relação do poder público com o carnaval

“É um descaso total! As escolas de samba chegam nos lugares onde o governo não entra e somos nós que fazemos o papel de agente do bem e oportunidades. Olham quantas crianças eu as coirmãs tiramos do alvo das coisas ruins, damos acesso para a cultura e educação? Tinha que existir um investimento muito grande para as escolas mirins, o futuro do país são esses pequenos”.

100038700280 141638

Além da escola mirim, você se doa para a execução do desfile da escola mãe?

“Hoje o meu doar para a escola mãe é através do social. O trabalho do Aprendizes é tão intenso como o da escola matriz e acabo ficando sem tempo. Mas sempre que dá eu dou uma ajuda para todos que estão na execução do desfile, sempre desfilo com todos de camisa e próximo da bateria”.

O seu papel na comunidade salgueirense se destaca de que forma?

“Eu não deixei de ser comunidade e isso acabou fazendo com que eu seja um meio de comunicação da escola com o povo. Só entende quem é salgueiro”.

O que espera do futuro do carnaval?

“Eu tenho a certeza de que será um carnaval de resistência, quem sobreviveu, quem está com saúde e lembrando tudo que passamos”.

Panorama da nova e antiga gestão?

“Eu não trabalhei na antiga gestão, eu só posso falar é da atual. O André é muito humano, ele tem um olhar diferenciado. É Salgueiro, foi diretor de ala e sabe quem é cada família da escola e suas necessidades”.

Como conheceu o Lolo (marido e mestre de bateria da Imperatriz)?

“Eu o conheci no Tuiuti. Eu era a primeira porta-bandeira e ele diretor de bateria, fomos nos conhecendo e hoje formamos essa família linda com o fruto da nossa filha Luna.”

Como é ter um mestre de bateria em casa?

“Uma loucura! Eu nunca tive namorado de samba, sempre tive o estereótipo de que homem do carnaval é mulherengo, fui conhecendo ele e vi que não era dessa forma. O Lolo é muito íntegro, correto, humano e sempre me deu várias direções e ajudas nas minhas decisões”.

Sobre o carnaval?

“Todo mundo acha que carnaval é só um lazer de quatro dias, não é. Ele é uma ferramenta de mudança de vidas, eu sou um exemplo: filha de analfabetos, pobre, de favela e sem oportunidades. Se não fosse o carnaval eu hoje não seria uma pós-graduada”.

Cidade do Rio de Janeiro imunizou 92% dos idosos e 20% de toda a população

0

A cidade do Rio de Janeiro já vacinou mais de 1,35 milhão de cariocas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Isso representa 20% de toda a população, neste grupo estão incluídos os idosos (grupo prioritário acima de 59 anos), que já estão 92,6% vacinados. O ritmo de vacinação na capital fluminense é um dos mais acelerados entre as capitais do país.

vacinados

“É uma grande conquista. Hoje, a gente encerra a vacinação dos idosos com mais de 60 anos. E amanhã tem a repescagem. São os grupos que mais internam e têm mais chances de evoluir a óbito. A principal estratégia de vacinação é reduzir o número de internações, casos graves e óbitos”, disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, durante a divulgação do 16º Boletim Epidemiológico da Covid-19, no Centro de Operações Rio (COR).

Embora o número de idosos vacinados até agora seja muito bom, Soranz lembra que essa é apenas a primeira dose. É muito importante que todos voltem aos mesmos postos em que receberam a primeira dose no prazo determinado para tomar a segunda. O secretário de Saúde disse que a meta é não deixar ninguém com 60 anos ou mais sem vacinar.

“A Prefeitura começa agora uma cruzada para identificar idosos que ainda não se vacinaram. Vamos cruzar os bancos de dados. Agentes comunitários, médicos e profissionais de equipes da saúde da família vão intensificar a busca ativa de todos os idosos acamados e qualquer outro idoso na cidade que não se vacinaram”, informou Soranz, ressaltando que a partir de agora os idosos que ainda não receberam a primeira dose podem procurar qualquer posto para se vacinar.

Sem auxílio e previsão de apoio, sambistas criam hamburgueria ‘Apoteose Burger’ inspirada nas escolas de samba

0

Os sambistas, desamparados pelo poder público, estão correndo em busca de novos caminhos para sobreviverem na pandemia da Covid-19, que não tem previsão de término, ainda mais em um país que a vacinação caminha com passos de tartaruga. Um dos exemplos de reinvenção é a hamburgueria “Apoteose Burger” (conheça a página no Instagram), que funciona no iFood, pelo telefone (21) 3129-2467 ou pelo WhatsApp (21) 97359-2283. A entrega é feita na região da grande Tijuca, Grajaú, Andaraí, Maracanã, Vila Isabel, Usina, Engenho Novo e Aldeia Campista.

“Hoje estamos com hambúrgueres de sete escolas no cardápio: Mocidade, Salgueiro, Império Serrano, Mangueira, Beija-Flor, Portela e o Pedra Preta (Grande Rio). Também já estamos com a receita do Vila Isabel e do Viradouro, em breve serão lançados no nosso cardápio. A ideia é completar o total de 13 hambúrgueres inspirados em mais agremiações, que serão divididos nas linhas de hambúrgueres tradicionais (já existentes), hambúrgueres de picanha e hambúrgueres artesanais. Além dos sanduíches, temos as bebidas e nossas “Batatas Apoteóticas”, que levam bacon, cheddar cremoso e linguiça na composição. E, junto às novas linhas de hambúrgueres, lançaremos também o cardápio de combos para mais de uma pessoa, carinhosamente batizados de: Combo Arquibancada, Combo Frisa, Combo Camarote e Combo Credenciados, junto com sobremesas, contendo: milk-shake, sorvetes, mousses, petit gâteau, doces, tortas e afins”, disse Felipe Rangel, que trabalha com a mãe Sandra Moura.

O responsável pela “Apoteose Burger” contou como surgiu a ideia da hamburgueria.

“Com o avanço da pandemia, e consequentemente da quarentena, ficamos sem a previsão do próximo carnaval e precisávamos nos reinventar profissionalmente, como muitas pessoas também fizeram. Já havíamos trabalhado com a hamburgueria antes, mas foi algo passageiro, e neste ano de 2021 decidimos voltar com o delivery inspirado nas escolas de samba. Ao mesmo tempo que é uma fonte de renda, acaba se tornando um meio de manter o samba e o carnaval pulsando entre a gente”.

Mãe e filho atuam na produção de croquis para algumas escolas locais e de fora do Rio, além de trabalhar em barracão com alguns carnavalescos como desenhista e assistente.

“Temos um atelier de figurinos, onde confeccionamos fantasias e adereços para musas, musos, rainhas de bateria, destaques e porta-bandeiras. Durante o ano, o foco são os projetos e elaboração de croquis das fantasias e alegorias no barracão. E em paralelo, no ateliê, a produção de figurinos e peças para os eventos de quadra, eliminatórias e finais de samba, shows avulsos, apresentações, ensaios semanais, etc. Quando o mês de novembro se aproxima, começam os preparativos para os ensaios técnicos e os desfiles, com a confecção das fantasias, e um mês após o carnaval tudo iniciava-se novamente. Logo, havia trabalho de maneira recorrente o ano inteiro”.

O impacto da Covid-19 das escolas de samba é devastador. O empreendedor Felipe Rangel revelou a ausência do trabalho no carnaval fez migrar para outras áreas.

“O carnaval é nossa fonte de renda. Uma vez que ele se encontra estagnado, sem qualquer tipo de previsão, nós acabamos perdidos por um tempo, sem uma direção a tomar. Moramos de aluguel, temos outras despesas fixas e a ausência do trabalho no carnaval nos fez migrar para outras áreas profissionais, e a principal delas foi a de empreendimentos. Para ajudar a suprir a falta de trabalho no carnaval, minha mãe começou a fabricar máscaras e outras peças de artesanato, e conseguimos vender alguns cosméticos pela internet. Sem qualquer previsão ou posição sobre o auxílio para os profissionais autônomos do carnaval (que não são filiados a escolas de samba), nós seguimos prestando alguns serviços avulsos em nossas áreas de formação acadêmica e otimizando a hamburgueria”.

Veja imagens de alguns dos hambúrgueres da Apoteose Burger e faça seu pedido:

mangueira burger

beijaflor burger

salgueiro burger

imperio burger