Jorge Perlingeiro, o vice presidente e Diretor Comercial da Liesa Hélio Motta, e o Diretor de Carnaval, Elmo José dos Santos, relataram progressos na parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, que garantiu a instalação de um destacamento permanente do Corpo de Bombeiros na Cidade do Samba.
Perlingeiro frisou que, em dois meses de trabalho, a nova Diretoria da Liesa conseguiu avanços da maior importância:
“Retomamos as parcerias com a Prefeitura do Rio e, agora, com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, que se organiza para deflagrar, ao longo desta semana, um projeto de grande alcance social, através das 12 Escolas de Samba do Grupo Especial. Temos certeza de que, além da Prefeitura, o Governo do Estado também será um grande parceiro para ajudar nossas Agremiações a superarem as dificuldades atuais. Com a união de todos, faremos um Carnaval memorável em 2022”.
Foto: Henrique Matos/Liesa
O encontro com os presidentes aconteceu na tarde de sexta-feira, na sede da Liga. Também compareceram o presidente do Conselho Deliberativo da Liesa, Nelson de Almeida, os Diretores Secretário, Moacyr Barreto; de Patrimônio, Moacyr Henriques; e Cultural, Luis Carlos Magalhães, presidente da Portela.
Prefeitura ajudará na construção de alojamentos
O presidente anunciou que o Governo do Estado já autorizou a Liesa a tomar as providências necessárias para a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros na Cidade do Samba, cuja reabertura acontecerá nas próximas semanas.
“Teremos a oportunidade de retomar os contratos com as seguradoras, para a formatação de novas apólices contra incêndio e proteção do patrimônio”.
Perlingeiro adiantou que a Prefeitura ajudará à Liesa na construção do alojamento para os bombeiros e demais dependências do destacamento, que suprirá uma carência no sistema de segurança contra incêndio na Zona Portuária. Lembrou que, atualmente, a unidade mais próxima dessa região é o Quartel Central dos Bombeiros, na Praça da República, a 20 minutos de distância – sem contar com a eventualidade de engarrafamentos e retenções no trânsito, comuns naquele perímetro.
O novo destacamento atenderá não apenas à Cidade do Samba, mas a toda Zona Portuária. E será instalado naquele local devido ao posicionamento estratégico e de suas amplas entradas e saídas, com bastante espaço para manobras das viaturas.
A promessa do governador Cláudio Castro foi feita na quinta-feira, 20, no Palácio Guanabara, num encontro do qual também participaram o diretor de Marketing da Liesa, Gabriel David, o Diretor Jurídico, Fernando Leite, e o deputado estadual Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, que faz a interlocução entre o Estado e a Liesa.
Celebrando os mais de 25 anos de parceria entre a porta-bandeira Selminha Sorriso e o mestre-sala Claudinho, que conduzem juntos o pavilhão da Beija-Flor de Nilópolis, a escola de samba oficializou no último domingo, 16, a indicação dos dois para cargos em sua diretoria, sob nova direção desde o mês passado. O presidente Almir Reis, à frente da azul e branco com a bênção família do patrono Anísio Abraão David, escolheu Selminha para chefiar o Departamento Cultural da instituição, enquanto Claudinho irá liderar o Departamento de Esportes. Os dois, que irão continuar desempenhando suas funções tradicionais na Sapucaí, foram recebidos por Reis na quadra para celebrar a novidade.
— A Selminha e o Claudinho são figuras que representam todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira que passam pela Avenida. E agora estarão junto à nossa diretoria, certamente prestando um serviço maravilhoso para a nossa comunidade. Estou muito feliz por poder contar com eles — afirmou Reis, ladeado pela dupla de dançarinos.
A trajetória do casal de mestre-sala e porta-bandeira já extrapolou a garantia de notas dez no quesito há muito tempo. Além de terem se tornado um símbolo do Carnaval do Rio, após conquistarem nove títulos junto com a Beija-Flor, Selminha e Claudinho ministram aulas de dança para crianças e jovens que sonham em desfilar conduzindo o pavilhão de uma agremiação. O aprendizado acontece através do projeto social “Sonho do Beija-Flor”.
Com a transição para a administração da escola, os dois poderão desenvolver novos projetos culturais e esportivos a serem anunciados nos próximos meses. Paralelamente, Selminha e Claudinho também estão focados no próximo Carnaval, quando se apresentarão junto à Deusa da Passarela com o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. Por causa da pandemia, a data dos desfiles ainda será marcada.
Termina na próxima terça-feira, dia 25, às 18h, o prazo para as inscrições nos dois editais de carnaval da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. A SECEC orienta os proponentes a não deixarem para a última hora seu registro de candidatura no sistema Desenvolve Cultura, disponível no site (www.cultura.rj.gov.br). Ao todo, serão destinados R$ 4,3 milhões para blocos e escolas de samba.
Para participar é necessário que comprove experiência cultural há dois anos e que tenha desfilado no ano de 2020. No caso dos blocos, eles precisam ser filiados a entidades representativas tanto da Capital quanto do Interior, com no mínimo dois blocos, dependendo da categoria. O objetivo da premiação é atender a uma demanda dos grupos carnavalescos e foliões, prejudicados pelo cancelamento dos desfiles deste ano, medida tomada por conta da pandemia.
A SECEC procura, com isso, manter viva essa importante atividade cultural e fomentar a cadeia produtiva do carnaval. Como forma de gerar renda, é necessário que os projetos beneficiados destinem pelo menos 25% da verba para o pagamento dos profissionais.
“O carnaval é fundamental para o Estado. E toda sua indústria criativa movimenta o turismo, a cultura e gera emprego e renda para as pessoas. Estamos nos últimos dias do prazo de cadastramento das propostas e é fundamental que as escolas e blocos fiquem atentos aos prazos. O Estado tem feito todo esforço para prestar auxílio e apoio aos fazedores de cultura”, afirmou a Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros.
Os projetos precisam também prever pelo menos três ações virtuais, sendo obrigatória uma apresentação musical. *Entidades devem se enquadrar nas categorias disponíveis e pelas regras de distribuição das vagas do edital, 60% dos prêmios vão para organizações do Interior e 40% para a Capital.
A SECEC informa que entidades que já receberam verba da Secretaria nos últimos 12 meses, incluindo os editais da Lei Aldir Blanc, não poderão concorrer. Outro ponto importante é a necessidade de comprovação de desfile em 2020. Dúvidas podem ser esclarecidas através dos e-mails: [email protected], [email protected].
A Liesa e o Governo do Estado do Rio de Janeiro estão acertando os últimos detalhes para a criação de uma parceria destinada a levar os benefícios do auxílio Supera Rio às comunidades das 12 Escolas de Samba do Grupo Especial.
O governador Cláudio Castro recebeu, na tarde desta quinta-feira, o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, o Diretor de Marketing, Gabriel David, e o Diretor Jurídico, Fernando Leite, para uma troca de ideias sobre a logística de atendimento aos interessados, nas quadras das agremiações.
A reunião aconteceu no Palácio Guanabara e também contou com as presenças do deputado estadual Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, e do assessor especial do Governador, Vinicius Sarciá, que antecipou alguns detalhes do Supera Rio – um auxílio emergencial criado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de ajudar aos cidadãos fluminenses que estão passando por dificuldades em função da pandemia de Covid-19.
Cidade do Samba terá contará com um destacamento especial dos Bombeiros
Ficou acertado que uma nova reunião acontecerá na tarde desta sexta-feira, onde técnicos do Governo do Estado darão maiores explicações aos presidentes das 12 escolas de samba do Grupo Especial.
Ao final do encontro, o presidente da LIESA, Jorge Perlingeiro e o Governador Cláudio Castro apertaram as mãos. (Fotos: Rogério Santana)
O presidente Jorge Perlingeiro ficou muito feliz com o encontro: “O Governador Cláudio Castro demonstrou o seu carinho pelas Escolas de Samba e nos deu outra grande notícia. Anunciou que tão logo a Cidade do Samba volte a funcionar, contará com um destacamento especial do Corpo de Bombeiros, que passará a funcionar dia e noite dentro do complexo de produção de alegorias e fantasias do Grupo Especial”, concluiu.
O intérprete Dominguinhos do Estácio, de 79 anos, internado desde a semana passada, precisou ser intubado para melhorar sua respiração.
“O paciente Domingos Ferreira precisou ser intubado para melhorar a respiração que encontra-se um pouco fragilizada. O mesmo precisou também ser sedado para que o quadro de saúde evolua melhor. O paciente progride de forma razoável”, diz o boletim divulgado nas redes sociais de Dominguinhos.
Em 11 de maio, o cantor foi internado, após ter uma hemorragia cerebral e ser submetido a uma cirurgia de emergência.
“O carnaval é de todos e para todos, mas são os negros que sustentam as bases dessa cultura”. Essas são as palavras de Thiago Silva Mendonça, 32 anos, morador de Anchieta e mestre-sala na Imperatriz Leopoldinense. Com passagens na Beija-Flor (2003) e Renascer de Jacarepaguá (2011) o sambista é apaixonado e defende o pavilhão com amor ao lado da porta-bandeira Rafaela Theodoro. Thiaguinho é o personagem do “Lugar de Fala” desta semana e recebeu o site CARNAVALESCO para o bate-papo. Há 18 anos no universo do samba, ele revela a trajetória pessoal e os obstáculos.
“Cresci assistindo todos os desfiles em casa sozinho ou na casa da minha avó, não frequentava pois a religião que eu seguia não permitia”
No mundo do samba a mistura de concepções religiosas contribuem para a pluralidade de ideias, pensamentos, criações e pode ser considerada a porta da liberdade. Thiago experimentou essa realidade de perto e chegou a pensar que não poderia desfilar na avenida. Em casa o desafio foi superado, mas outra adversidade surgiu fora das quadras.
“Eu precisei convencer os pais da minha esposa que o samba me dá a base e projeção de carreira dentro e fora dele e diferente do que dizem, o carnaval não é bagunça pois trabalhamos com seriedade e somos remunerados por isso”
Participar dos desfiles e viver esse momento único são os presentes que o dinheiro não compra. O dançarino reconhece a grande responsabilidade que assumiu e a retribuição financeira que ajuda a pagar as parcelas da faculdade e sustentar a família. O samba pode ser considerado o microfone do povo para contar ao mundo as versões que foram excluídas durante anos, como os casos de preconceito na sociedade, principalmente, sobre os bastidores.
“Eu, como mestre-sala, ganho essa voz e a oportunidade de ser ouvido, além do cuidado ao falar”
O posicionamento de um homem negro, classe média e sambista é importante para legião carnavalesca. Escutar as pessoas que estão dentro e fora abre espaço para dialogar e amadurecer o pensamento sobre o mundo do samba, as diferentes classes sociais, culturas e religiões. Antes de alcançar o posto de mestre-sala, Thiaguinho, buscou por referências do meio artístico, entre os nomes citados está Julinho (Viradouro), Ubirajara (FlaMangaça) e Raphael (Tuiuti), pessoas que ele acompanha e quando tem a oportunidade assiste o desfile presencialmente.
“Esse ano eu acrescentei atividades, hoje faço aulas de ballet, além de atividades físicas de dietas. Não mudei minha rotina e os planos, apenas adaptei tudo devido às restrições”
Assumir a identidade de homem negro é renovar o surgimento do carnaval e a resistência do samba. É importante valorizar, conhecer e entender o papel que desempenha na comunidade, pois toda arte é acompanhada por crianças, jovens, adultos e os mais idosos com emoção.
“Nós somos referência para muitos, e muitos de nós somos vistos como exemplo de que o negro, pobre, suburbano pode encontrar uma maneira de sobreviver”
As conquistas alcançadas na vida do mestre-sala são nota dez dentro e fora da escola. No samba, Thiaguinho conheceu a esposa Cristiane e colabora para a perpetuação de um legado deixado por pessoas que marcaram a história da passarela como: Adamastor, Carlinhos Brilhante, Delegado e o Mestre Dionísio. O sambista enfrenta as consequências do cancelamento do carnaval e os reflexos na renda da população, apesar das tribulações ele se mantém firme e assumiu uma postura empreendedora.
“Além da empresa que trabalho, mantenho uma segunda atividade por conta própria, que está me ajudando nas contas”
Quando perguntado sobre os casos de racismo, o mestre-sala relatou dois episódios que fere toda sociedade de homens negros e mulheres negras.
“Um guarda já me cercou no mercado, taxista parou na minha frente, nem baixou o vidro e foi embora, a sensação é como se estivesse algo nada prazeroso escrito na testa”
Sair de um berço forte e criado para superar as barreiras, Thiago não esconde a pílula da motivação para driblar os problemas. “O sorriso, o bom humor, a simpatia, o foco, me traz bons resultados em qualquer aspecto”.
A oportunidade de defender o pavilhão no Grupo Especial, por exemplo, foi um dos maiores presentes que não demorou para chegar com base no preparo, dedicação e na paixão em servir a escola. Ser leve nos movimentos, ter brilho no olhar é um dom que o mestre-sala tem de sobra.
“Ainda um aprendiz, mas sempre com muita humildade e disposição para trabalhar e honrar a oportunidade que me foi dada. Eu sempre converso com casais para tirar dúvidas ou pegar uma dica, viajo para São Paulo para fazer aulas e volto com muitos conhecimentos, sempre aprendendo”, finaliza Thiago.
Estreia nesta quinta, às 20h, o Jornal Viradouro, que será exibido ao vivo, quinzenalmente e sempre às quintas, pelas redes sociais da atual campeã do carnaval carioca.
Entre os destaques desta primeira edição, uma entrevista com Luma de Oliveira. Num papo com Ciça e a jornalista Alice Fernandes, Luma faz revelações inéditas sobre bastidores da parceria com o mestre, nos cinco anos em que reinou à frente dos ritmistas da escola de Niterói. Luma também contou que foi sugestão dela um dos enredos mais famosos que a vermelho e branco levou à Marquês de Sapucaí.
E em maio, mês das mães, três personagens que brilham na Avenida vão falar sobre a maternidade: Luana Bandeira e Lore Improta, musas da Viradouro, e Priscilla Mota, coreógrafa da comissão de frente da Mangueira.
O carnavalesco Mauro Quintaes também estará no JV, e vai contar como se recuperou da Covid-19, depois de 16 dias internado numa UTI.
O telejornal terá ainda quadros como previsão do tempo, apresentado pela passista Preta Coutinho, da Viradouro, e o “Adivinhe quem tá falando?”, onde o público tentará identificar, pelo vídeo com a imagem desfocada, de quem é a voz do personagem da vez. Os palpites serão por ligação via Whatsapp, com um presente para o primeiro acertador.
O Jornal Viradouro, que é produzido pela Muitamídia, será apresentado pelas jornalistas Alice e Elisa Fernandes no Facebook e no YouTube da escola, simultaneamente.
Banzo ê Banzo ê vai embora
Ê saudade grande feito monte santo
Santifica o filho mais um rei do Congo
Meu retinto peito bate em ritmo de bombo
Tenho a força do axé ginga de Catupé
Agbê, gonguê rufam caixas de lembrança
Em São Paulo da esperança
Cor da pele fez lição
Nego véio ensinou
A talhar a… vida
Na coragem e na luta
Dessa gente perseguida
Sonho meu!
De Erê Ganga, Zumbí
Tantas páginas e livros
E miragens pela frente
Sonho meu
Desde cedo aprendi
Que o verbo resistir
Se conjuga no presente
Vencer as feridas (açoite cultural)
Arenas da vida (senzala social)
E ser bem amado (a luta ao fim servil)
Persistir no Brasil
É sangue de Palmares<
Nas veias emoção, nos palcos meus altares
Orixá da nação
Espelho a cintilar a arte
Um santo, a cruz da liberdade
A Santa Cruz é liberdade
Preto rei! Preto é rei
Nesse rio de Oxossi fiz o meu gongá
Preto rei! Preto é rei
Saravá Milton Gonçalves na coroa de Oxalá
Lendária porta-bandeira do carnaval carioca que inspirou várias gerações de mulheres sambistas, Maria Helena Rodrigues, 76 anos, é a homenageada de 2021 do projeto “Mães do Samba”, que o Museu do Samba realiza desde 2014, sempre no mês de maio. O troféu “Mães do Samba” será entregue à sambista no próximo sábado, 22 de maio, em transmissão realizada pelo canal Fita Amarela, no Youtube. A oitava edição do evento faz parte da programação da 19ª Semana Nacional de Museus, que o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) está realizando entre 17 e 23 deste mês.
“Maria Helena é dona de um legado fundamental para a preservação do tradicional bailado dos casais de porta-bandeiras e mestres-salas; ela foi exemplo de garra e talento na Passarela do Samba e continua a influenciar porta-bandeiras de diferentes idades”, afirma Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba.
A homenageada recebeu a notícia com emoção e bom humor. “Estou achando muito chique essa homenagem; para mim é importante que os sambistas sejam lembrados enquanto ainda estão vivos. Eu só tenho a agradecer ao Museu do Samba”, declarou a porta-bandeira, que estreou no carnaval do Rio de Janeiro há cinquenta anos.
Maria Helena foi seis vezes campeã do Carnaval pela Imperatriz Leopoldinense. Entre 1983 e 2005, ela dançou com seu filho Chiquinho na Imperatriz, formando um casal que transformou-se em referência dos desfiles na Marquês de Sapucaí. A dupla também deu aulas do bailado de mestre-sala e porta-bandeira para crianças da Vila Cruzeiro, comunidade do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, e da Vila Olímpica de Ramos.
Maria Helena nasceu em 1945, em São João Nepomuceno, Minas Gerais, e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1960. Em 1971 estreou como porta-bandeira, aos 26 anos de idade, defendendo a Unidos da Ponte. Além da Imperatriz e Ponte, a sambista teve passagens pelas agremiações cariocas Unidos da Tijuca, Império da Tijuca, União da Ilha e Alegria da Zona Sul e pela Unidos da Vila Mamona, no Mato Grosso do Sul.
Sobre o Troféu Mães do Samba – Desde 2014, o troféu “Mães do Samba” é entregue pelo Museu do Samba a mulheres que são consideradas referências para a preservação e difusão da identidade do samba carioca, por meio de sua liderança em movimentos culturais e sociais e de sua luta pela valorização dos sambistas. A celebração acontece uma vez por ano, sempre em maio, mês em que se comemora o Dia das Mães.
Nas sete edições anteriores foram homenageadas sambistas como Tia Surica, Selminha Sorriso, Vilma Nascimento, Dorina, Tia Nilda, Tia Glorinha do Salgueiro, Ângela Nogueira, Dorina, Geisa Kety, Selma Candeia e Tia Gessi, entre outras.
O diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, participou da última série de lives “Pensando a crise no samba”, na noite de segunda-feira, com Milton Cunha e mestre Casagrande. No papo, ele contou que a Liga quer ouvir os sambistas em plenárias na Liga.
“Lançamos uma pesquisa com objetivo de entender e ouvir as pessoas. Vamos marcar algumas plenárias na Liga para conversarmos com quem faz o carnaval, como casais, mestres de bateria, cantores, diretores de carnaval, carnavalescos e toda galera que faz o carnaval como um todo. Tem muita informação que é importante para gente entender o que pode ser melhorado. Trocar ideias e definirmos ordem de prioridades para o que podemos atender. Não vamos conseguir mudar tudo de uma hora para outra. Ainda não tivemos plenária depois da eleição na Liga. A primeira será com os presidentes e depois vamos definir datas para esses encontros”.
“Acho que o mundo ideal, sem dúvida, é que as escolas conseguissem arcar com os custos gerais sem depender de terceiros. Seria o mundo ideal. Mas até aqui todo mundo do carnaval não era bem estruturado como um todo. A crise do carnaval já existia antes da pandemia. Esse momento que estamos passando acredito que chegaria mais cedo ou mais tarde. A pandemia só acelerou esse processo. É ver como extraímos disso algo melhor para o futuro e que as próximas adversidades não sejam tão graves como essa agora”.
Confira mais sobre o papo.
Receita para o carnaval
“Em julho, na primeira quinzena, é quando entra o primeiro dinheiro do carnaval. Gostaria muito que fosse antes, mas acho improvável diante do cenário que estamos vendo pela frente. Acho que a gente talvez consiga alguns empréstimos antes disso para que a gente consiga trabalhar quando a Cidade do Samba abrir, que deve acontecer dentro dos próximos 15 ou 20 dias no máximo”.
Mudanças na estrutura do carnaval
“Algumas coisas básicas precisavam passar por uma mudança, como estão passando agora, para que a gente deixasse de depender única e exclusivamente de verba pública ou de um parceiro. Foi o que sofremos na transição do Eduardo (Paes) para o Crivella. A estrutura financeira do carnaval tem três pilares fundamentais hoje em dia: somos altamente dependentes da venda de ingressos, que é um super problema para o próximo carnaval, porque se a gente chegar lá na frente e não pudermos vender a mesma quantidade vendida até aqui a receita será afetada e já estamos preocupados para que caso aconteça, tenhamos o problema resolvido antes que atinja todas pessoas. Temos a verba da TV Globo que é fundamental. Se de um dia para noite a TV Globo para de cobrir carnaval, o carnaval está financeiramente ferrado. Não é chegar em outra emissora e conseguir a mesma verba. E o terceiro ponto é a verba pública. Quando tem o impacto em um desses três pilares você sofre como um todo”.
Carnaval como receita para Estado e Prefeitura
“O carnaval ficou em uma zona desconfortável e não mostrou para população e poder público o que entrega durante o ano. A gente não entrega só cultura, entregamos dinheiro durante o ano. Isso era um mito e deixou de existir. A pandemia mostrou para o poder público que se não tiver carnaval você sofre nas contas, deixa de ganhar dinheiro. Em nenhum momento do ano você, estado ou prefeitura, ganha tanto dinheiro como nos dias de carnaval. A gente vê a necessidade dos governantes que tenha carnaval no próximo ano”.
Contrato da Liesa com a prefeitura
“Conversamos sobre datas e queríamos antecipar o máximo possível esse pagamento. A gente precisa movimentar a engrenagem e a economia do carnaval, porque estão completamente estagnadas. Durante a reunião com o prefeito, chegamos a acertar alguns detalhes, inclusive, sobre a subvenção do próximo carnaval, não temos ainda o valor exato, mas entrará dentro do contrato que será assinado. Sabemos que teremos a verba e a entrada do dinheiro na primeira quinzena de julho. O contrato de cessão do Sambódromo vai englobar mais pontos do que normalmente englobaria entre Liga e Riotur, com todas regras”.
Reabertura dos barracões
“Eles tem que ser reabertos, precisamos voltar a trabalhar. Existem protocolos para reabrimos com total segurança para os trabalhadores. Não adianta liberar a Cidade do Samba sem dinheiro para trabalhar, porque muitas escolas possuem dívidas na rua e a gente da Liga está muito preocupada com isso. Queremos entregar o pacote completo: ambiente de trabalho, segurança e dinheiro”.
Liberação das quadras
“Acredito que será possível usar as quadras. Óbvio que não para fazer shows neste primeiro momento, mas algumas atividades não imagino que tenha problema, seguindo os protocolos e os decretos (sanitários) da prefeitura. Não vejo problema ter bares e restaurantes abertos e não podermos fazer workshop de dança e percussão. Não é permitido ensaio ou aglomeração em massa”.
Apoio do Estado
“O governador tem ajudado. Estamos no meio da negociação com o governo. É diferente da negociação com a prefeitura, que vem de verba direta. O Estado é sempre por um parceiro, como aconteceu com a Light e Refit. Nossa ideia é mantermos uma mesma linha, mas seria a entrega da Liga para esse parceiro apresentado pelo governo do estado. Temos uma reunião com um potencial parceiro marcada para o dia 31 deste mês para apresentarmos o projeto. O governador é muito próximo da Liga e a gente conversa quase que semanalmente com representantes do governo do estado”.
Marca do carnaval
“Todo mundo entende a grandiosidade de um desfile de escolas de samba, mas aonde a marca aparece, como e o que ela ganha em troca. Isso é um grande problema. Uma das prioridades dentro dessas mudanças iniciais que estamos fazendo é a reformulação do poder comercial do carnaval. Nos últimos desfiles, a gente não conseguiu ver aplicação de marca. Estou começando uma interlocução mais positiva com o mercado. Essa mudança comercial provavelmente vai melhorar e ampliar a experiência como um todo do consumidor no carnaval. As chancelas precisam ter um valor financeiro maior do que possuem hoje. Temos que criar ativações, como nos corredores do Sambódromo, que são mortos, quando chove fica cheio de água, é feio, fede e temos que melhorar isso como um todo. É um fato, se você quer trazer as pessoas para perto, tem que fazer que se sintam bem quando chegarem na Sapucaí”.
Outros gêneros musicais nos camarotes
“Há cinco carnavais você chegava perto do carnaval e sobravam carnaval. Nos últimos anos, nós não tivemos isso, sem mudança muito significativa do poderio de vendas ou de comunicação. Os super camarotes conseguiram crescer enquanto mercado e compram os camarotes que estavam faltando. Gera dinheiro direto nas mãos das escolas. Concordo que a gente tem que atrair mais atenção para o desfile, mas não é tirar tudo que está ali atrás. Funk, sertanejo e pagode você escuta todos os dias e os desfiles só acontecem naquela hora. Como você gera mais interesse para que vejam o que está acontecendo ali? Vamos entrar em outros critérios, como a falta de comunicação. Falta mostrar o que fazemos de melhor, com mais detalhes, de forma minuciosa. O desfile criou uma distância muito grande com quem não é sambista raiz. Desde o momento um, quando o enredo é lançado, temos que trabalhar a comunicação para o engajamento das pessoas. Não podemos nos fechar só no que vivemos e presenciamos. A gente sabe como é incrível, mas precisamos mostrar para que todas pessoas vejam isso. Quanto mais experiências você puder gerar ali maior será mais o espetáculo. A Sapucaí é mal planejada e precisamos reorganizar como um todo para esse tipo de problema (vazamento do som dos camarotes para pista” não aparecer”.