Elmo José dos Santos, diretor de carnaval da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), esteve no velório do diretor de carnaval, Laíla, na manhã deste sábado, no cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao site CARNAVALESCO, ele citou que Laíla era fundador da Liesa.
“O Laíla, além de fazer a produção dos sambas-enredo para o disco, era fundador da Liesa. Um dos poucos fundadores vivos. Como diretor de carnaval, eu tenho o máximo respeito por esse mestre. Trouxe a bandeira da Liga, ele era nosso benemérito. Na primeira plenária, com certeza, faremos uma grande homenagem. Ele será sempre lembrado e homenageado. O samba precisa desse momento, porque estamos perdendo nossas referências”.
Elmo disse ainda que o legado deixado por Laíla é imensurável, já que ele atuava em prol de todo o carnaval e não apenas de uma única escola de samba.
“Como diretor de carnaval era ímpar, um mestre e craque. Se o carnaval deu esse salto de qualidade nós temos que agradecer ao Laíla. Ele nos ensinou muito. Era um cara dedicado, não só na Beija-Flor, que teve mais títulos, mas a bandeira do samba. Perde o carnaval, os amigos e perdemos nosso grande professor. Devemos respeitar os velhos mestres do passado. O Laíla foi o livro que nos ensinou tudo.
Mestre Paulinho, que durante anos comandou a bateria da Beija-Flor de Nilópolis, esteve no velório do diretor de carnaval, Laíla, na manhã deste sábado, no cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao site CARNAVALESCO, ele falou sobre a importância do trabalho feito por Laíla para o carnaval.
“É uma perda irreparável. Melhor presente foi a gratidão dele ter me convidado para Beija-Flor. Devo muito ao Laíla. Sempre amei ele. O samba aprendeu e copiou o trabalho do Laíla. Ele me ensinou para muita gente o que é o carnaval. Perdemos um professor”, disse.
Paulinho falou que teve um período brigado com Laíla, mas que recentemente ficaram bem.
“As pessoas pensavam que nós éramos desafetos, mas ele me ajudou muito. Tivemos um atrito, mas fizemos as pazes. É meu amigo eterno”.
O domingo é especial no Campeonato Carioca da Série C. O Império Serrano Esporte Clube enfrenta o time de Belford Roxo, às 15h, no Centro de Futebol Zico. O duelo é de futebol, mas também poderia ser entre duas escolas de samba: o próprio Império Serrano e a Inocentes de Belford Roxo. O site CARNAVALESCO ouviu os dois presidentes, Reginaldo Gomes e Sandro Avelar, sobre o confronto.
“O Sandro é um grande amigo. Tenho consideração muito grande por ele. Quando tivemos ideia de fundar o time, nós convidados o Sandro para ser o vice-presidente do time. Ele nos ajudou na montagem da equipe e depois ele teve a ideia de ter uma equipe voltada para o futebol. Foi tocar o projeto do Império. Vai ser uma grande honra ter esse clássico do futebol e com as duas equipes com muita ligação com o samba”, disse Reginaldo Gomes, que dirigente a escola de samba e o time. Ele não quis arriscar o placar do jogo.
“Não dá pra arriscar nenhum placar como eu disse é um clássico é clássico não tem favorito”.
O presidente do Império Serrano, Sandro Avelar, também rasgou elogios para o amigo Reginaldo Gomes.
“É meu amigo particular e grande incentivador do Império Serrano Esporte Clube. Participei da fundação do Belford Roxo e conheço o potencial da equipe. É o grande favorito pra levar esse título. Será um jogo bastante disputado e confesso que é o mais aguardado por ambos os times”, afirmou Sandro, que apostou na vitória por 1 a 0 para o Império Serrano Esporte Clube.
Maior personalidade da Vila Isabel, o cantor Martinho da Vila, presidente de honra da escola e enredo para o Carnaval de 2022 se despediu do amigo mestre Mug nas redes sociais. Os dois estavam juntos no histórico desfile “Kizomba”, de 1988.
“Descanse em paz, Mug, campeão do carnaval de 88. Nunca o esqueceremos”, postou o artista.
A cantora Martnália também prestou sua homenagem. “Vai na paz. A sua bateria seguirá honrando a nossa cadência. Valeu, Zumbi”, publicou a filha de Martinho. Atualmente, Mug era presidente de honra da bateria.
Amiga de Mug, a apresentadora Sabrina Sato, que foi rainha de bateria da Vila Isabel por dez anos, lamentou a morte do veterano.
“Que Deus conforte o coração dos familiares e amigos do nosso amado Mestre Mug, que fez história no mundo do samba e à frente da bateria da Unidos de Vila Isabel”, postou.
O prefeito Eduardo Paes utilizou suas redes sociais para prestar uma homenagem para Laíla, que faleceu nesta sexta-feira. Veja abaixo.
“Sempre inveja da Beija-flor por ter esse cara e ele não estar na minha Portela. Que perda para a nossa cultura. Meus sentimentos aos amigos e familiares. Obrigado por tudo que você fez pelo carnaval carioca! Salve Laíla!”
Sempre tive inveja da Beija-flor por ter esse cara e ele não estar na minha Portela. Que perda para a nossa cultura. Meus sentimentos aos amigos e familiares. Obrigado por tudo que você fez pelo carnaval carioca! Salve Laíla! pic.twitter.com/psOfzN6OU4
“É com profunda consternação que recebemos a notícia de mais uma perda para o mundo do samba. Hoje, toda a comunidade salgueirense veste o luto por mais um de seus filhos que se despede de nós em face de uma doença terrível, a qual vem nos deixando cada vez mais órfãos de nossas referências.
Aos 78 anos batendo em um ritmo apaixonado e intenso, o coração de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo parou. Nascido no Morro do Salgueiro, nosso “guri” foi uma pessoa fundamental na história de nossa escola. Melhor dizendo, de SUA escola, pois, esse amor cresceu com ele.
Líder nato, já menino funda uma escola de samba mirim no morro e é a partir dela, que seu talento desponta e começa a participar do Salgueiro onde fez tudo: foi compositor, intérprete, ritmista, harmonia, diretor de vários segmentos, tendo sempre atuação marcante, traço de sua personalidade forte e perfeccionista. Aqui, depois de participar de todos os carnavais antológicos da Revolução Salgueirense, foi semear conhecimento passando por Beija-Flor, Unidos da Tijuca, Grande Rio e União da Ilha.
Nem melhor nem pior, Laíla levou esse espírito revolucionário que ajudou a criar no Salgueiro para nossas coirmãs, mudando e marcando para sempre os desfiles cariocas.
Saiu da vermelha e branca de coração para ganhar o mundo, afinal, é para isso que criamos os filhos, mas sabia que ali era o seu LAR, sua raiz. Nos últimos dois anos, a quadra salgueirense passou a receber mais visitas do filho que não escondia sentir-se em casa, não somente pela recepção que nos cabe dar às figuras do carnaval, mas, especialmente, pelo RESPEITO que lhe era devido.
No próximo carnaval já era uma das personalidades salgueirenses convidadas para o desfile em que falaremos da Resistência, tema tão caro para quem que teimou em fazer resistir a essência dos desfiles: Harmonia e Samba.
Que despedida difícil para todos nós sambistas e amantes do Carnaval. Mais ainda, para quem pôde aprender com o mestre. Seguiremos daqui, orgulhosos em saber que você nos levará em seu coração.
Que sua luz continue firme, filho querido de nossa Academia do Samba, e que a sua força espiritual e fé inabalável nos faça vencer. Te amaremos para sempre. Obrigado”.
“Com tristeza e pesar, a Beija-Flor de Nilópolis informa aos sambistas e à sociedade nilopolitana e fluminense a morte de seu ex-diretor de Carnaval Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, aos 78 anos, nesta sexta-feira, 18. Acometido pela Covid-19, ele estava internado desde sábado, 12, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Israelita Albert Sabin, na Tijuca, Zona Norte.
Foto: Eduardo Hollanda
Laíla havia recebido as duas doses do imunizante contra o coronavírus ao longo do primeiro semestre deste ano, após meses de isolamento em casa se protegendo da doença. Ainda assim, acabou infectado e não resistiu às complicações da infecção. Além da própria família, sua grande paixão além do Carnaval, Laíla deixa uma legião de admiradores que o viram revolucionar o espetáculo da Marquês de Sapucaí ao longo de mais de 50 anos de trabalho.
Na Beija-Flor, onde permanecerá eternamente na memória de cada componente, Laíla atuou por quase três décadas — a dedicação ocorreu em três passagens diferentes: entre 1975 e 1980, 1987 e 1992 e, por fim, 1994 e 2018. No período mais recente e duradouro, o laço se manteve por 23 anos e somou oito vitórias da Deusa da Passarela com Laíla comandando a brilhante Comissão de Carnaval que transformou em arte enredos célebres como “Manaus, Amazônia, Terra Santa (…)”, de 2004; “Áfricas (…)”, de 2007 e “A simplicidade de um Rei”, de 2011.
A perda de Laíla coloca em luto oficial, por tempo indeterminado, toda a família Beija-Flor (aqui representada pelo presidente de honra Anísio Abraão David e o presidente Almir Reis), ao mesmo tempo em que mobiliza toda a comunidade carnavalesca, já tão impactada com outras partidas significativas em meio à pandemia.
Conhecido pela genialidade e a personalidade forte, Laíla carregou consigo o mérito de ter transformado os desfiles da Beija-Flor em um “rolo compressor” capaz de cruzar a Avenida sem perder décimos em praticamente todos os quesitos, principalmente os “de chão” (Harmonia e Evolução, intimamente ligados ao canto e a dança). Também merecem destaque o luxo e a suntuosidade das alegorias e fantasias que deixaram o barracão da Beija-Flor rumo ao estrelato diante de milhares de foliões.
Os resultados foram reflexo de uma equipe que Laíla reuniu e manteve firme Carnaval após Carnaval, sempre com o apaixonado coração azul e branco trabalhando em prol do melhor para a Beija-Flor. Mesmo fora da azul e branca nas duas últimas temporadas de desfile, Laíla permaneceu querido por todas as pessoas que compõem a instituição. Despediu-se, em 2018, em meio à gratidão do povo de Nilópolis. Agora, chega à eternidade embalado da mesma maneira.
Além da Beija-Flor, Laíla também despertou admiração por outras escolas onde passou. Foi o caso de Salgueiro (onde iniciou a carreira, em 1960); Unidos da Tijuca (para onde retornou em 2019); Vila Isabel; Grande Rio e União da Ilha. Foi convidado a trabalhar no Carnaval de São Paulo pela Unidos do Peruche e pela Águia de Ouro. Encarou todos esses desafios sem nunca pensar em abandonar a festa mais popular do Brasil.
A Beija-Flor agradece a todas essas agremiações, e suas outras coirmãs, pelo carinho com que trataram Laíla ao longo dos anos e por encontrarem nele uma referência sobre as melhores maneiras de se colocar um Carnaval na rua.
Em seu retorno à Passarela do Samba ao fim da pandemia, quando for possível desfilar em segurança, a Beija-Flor estará com Laíla no coração e em pensamento. Os ensinamentos do mestre guiarão cada passo do futuro nilopolitano.
Uma pessoa de fé, sempre fiel à própria religião, Laíla será recebido pela espiritualidade com luz e preces dos torcedores da Beija-Flor em todo o país. Assistirá, de onde quer que esteja, à continuidade de seu legado na festa profana que o santificou.
A mesma Beija-Flor que lamenta a perda de Laíla é a Beija-Flor que celebrará, para sempre, a vida de seu eterno dirigente.
Nossa solidariedade à mulher de Laíla, Marli, seus filhos e toda a família. Que o carinho das multidões por Laíla possa acalmar o coração de cada um.
O intérprete Neguinho da Beija-Flor fez uma publicação em suas redes sociais sobre o falecimento de Laíla. Veja abaixo:
Foto: Arquivo pessoal
“Vai ficar a saudade daquele que foi meu primeiro produtor musical, no início da minha carreira, no Cordão da Bola Preta, meu amigo durante 50 anos da minha vida!! Personalidade fortíssima, excelente profissional e amigo de todas as horas!! Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o “Laíla, melhor diretor de carnaval de todos os tempos!! Que Deus o tenha, meu amigo!!”
O dia é de luto para o mundo do carnaval. Após o falecimento de mestre Mug, a Rádio Tupi informou a morte de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, de 78 anos, que estava internado no Hospital Israelita Albert Sabin, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Ele estava com Covid-19 e sofreu uma parada cardíaca na manhã desta sexta-feira e não resistiu. O diretor morreu por volta das 11h30
Que Laíla foi um gênio da cultura popular e personagem fundamental na construção da identidade do desfile das escolas de samba não resta margem para dúvida. Mas como todo gênio, sua personalidade era forte e por isso o sambista, na mesma medida que espalhou admiração, despertou controvérsias e criou desafetos.
Foto: site CARNAVALESCO
A mais famosa polêmica envolvendo Laíla ainda é carregada de mistérios. Em 1989 a Beija-Flor chocou o mundo com um desfile arrebatador, ‘Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia’. A escola tinha a intenção de levar o Cristo Redentor travestido de mendigo. A arquidiocese entrou na justiça e a imagem foi proibida de desfilar. A solução foi genial: cobrir a escultura com um plástico preto e a inscrição: ‘Mesmo proibido olhai por nós’. A ideia teria sido de Joãozinho Trinta, carnavalesco da escola. Anos depois Laíla pleteou a autoria da frase. A única pessoa capaz de responder quem é o verdadeiro criador da frase nunca se manifestou: Anísio Abraão David.
Laíla sempre demonstrou muita firmeza em seus posicionamentos, o que despertava em muitas pessoas a equivocada ideia de que o sambista tinha pouca educação. Recentemente, em mais um arroubo típico de sua personalidade, Laíla acusou o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, de estar atuando para manipular jurados. Isso aconteceu após o Carnaval 2016, onde a Beija-Flor terminou na 6ª colocação. Horta reagiu e processou Laíla. Felizmente algum tempo depois eles se entenderam e Laíla voltou a trabalhar na Tijuca no Carnaval 2019.
Apesar de ser uma espécie de líder comunitário para os nilopolitanos, Laíla não deixou somente amigos na Beija-Flor. Durante mais de duas décadas na escola, muitas pessoas reclamavam de sua intransigência em muitos momentos. A saída de Laíla da escola, após o título de 2018, não foi pacífica e o diretor de carnaval nunca mais voltou a pisar na escola, depois de deixar a agremiação discordando dos rumos que o departamento de carnaval queria dar à escola.
Laíla tinha um conhecimento profundo de todos os processos que envolvem um desfile de escola de samba. Sua vivência valia muito mais que qualquer passagem acadêmica. Por isso suas inovações eram muitas vezes vistas como necessidades de abastecer o próprio ego, o que muitas vezes se provou equivocado. Como em 2002, quando Laíla levou o casal de mestre-sala e porta-bandeira para a parte inicial da escola. Hoje em dia, nenhum casal desfila mais à frente da bateria, como no passado.