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Editorial: Consórcio dos sites de carnaval

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Há pouco menos de 20 anos, a imprensa especializada de carnaval sobrevive, às duras penas, na internet – espaço que restou para os aficionados da nossa maior festa popular terem acesso, 365 dias por ano, às informações mais importantes do cotidiano de nossas agremiações. Trabalho realizado por verdadeiros abnegados, que desde sempre contaram com imensas dificuldades e limitações financeiras, a imprensa de Carnaval já sobrevivia, com muita dificuldade e raros apoios até março de 2020.

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Foto: Divulgação/Riotur

Com a pandemia da Covid-19 e a consequente paralisação da vida mundial, poucos setores sentiram tanto os efeitos quanto o da cultura e do entretenimento. E, neste universo, sem dúvida, as escolas de samba foram as mais afetadas. Por meses sem qualquer atividade, com seus milhares de funcionários paralisados, sem renda, sem trabalho. Muitos, sequer, sem ter o que comer.

A imprensa de carnaval, por sua vez, também passou muitas dificuldades. Muitos profissionais deixaram o ramo. Outros diminuíram suas cargas de trabalho e passaram a priorizar outras atividades. Alguns se mantiveram focados e, com sangue, suor e lágrimas, estão ativos até hoje.

Por volta de janeiro de 2021, após o anúncio do cancelamento dos desfiles que estavam marcados para julho, integrantes de seis veículos de renome e relevância no meio (Site Carnavalesco, Rádio Arquibancada, Samba é Paixão, Carnaval Interativo, Apoteose.com e Mais Carnaval) uniram forças e superaram antigas divergências para criar um grupo que, em primeira instância, passou a conversar entre si e pensar em ações que fossem possíveis serem criadas em comum para que se encontrassem soluções para a situação da imprensa e do Carnaval carioca. Batizado informalmente de Consórcio dos Sites de Carnaval, o grupo tentou articulações com entes públicos, muitas delas paralisadas por receio dos próprios órgãos em tocar no tema Carnaval em data ainda tão distante dos festejos.

Com a redução dos índices de mortes pela Covid-19 e a volta das atividades presenciais em praticamente todas as áreas, o Carnaval começou a ter uma rotina normal. Sambas foram escolhidos, ensaios e eventos começaram a ocorrer e os barracões voltaram a funcionar. Todo o clima para a realização do Carnaval 2022 estava criado.

Porém, com a campanha de perseguição, inicialmente por hostes fundamentalistas e reacionárias e agora até encampadas por personagens que pareciam ser progressistas e nossos aliados, vemos, sob um imenso manto de hipocrisia, a realização do Desfile das Escolas de Samba de 2022 altamente ameaçada – em um momento em que, a despeito do aumento do número de casos, atividades esportivas, shows, cultos religiosos, festivais de música, feiras e até cruzeiros acontecem normalmente em todas as partes do mundo sem qualquer questionamento da mídia e das autoridades. Importante destacar também que a cidade do Rio de Janeiro não registrou nenhuma morte por Covid na primeira semana do ano.

Estamos bastante indignados e prontos para lutar pelo Carnaval. Seguiremos nosso trabalho, procurando levar ao apaixonado pela folia as informações mais corretas e coerentes, sempre respeitando o sambista. Evidentemente, se o número de mortes e casos graves voltar a um patamar inaceitável, seremos os primeiros a defender a suspensão dos preparativos para o Carnaval. Porém, jamais compactuaremos com a perseguição travestida de preocupação sanitária.

Assinam: Apoteose, Carnaval Interativo, Carnavalesco, Mais Carnaval, Rádio Arquibancada e Samba é Paixão

Consórcio dos sites de carnaval
Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 2022

Infectologista Roberto Medronho ataca desfiles das escolas de samba na Sapucaí: ‘O carnaval verdadeiro é o de rua’

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Durante live no canal do vereador Tarcísio Motta, na tarde deste sábado, o infectologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, atacou os desfiles das escolas de samba.

“Dizem que está mantido o carnaval na Marquês de Sapucaí, mais uma vez, não é o carnaval. Está mantida a Marquês de Sapucaí e os bailes carnavalescos. Porque, pra mim, o carnaval verdadeiro é o de rua. Quando eu saia no subúrbio, bloco de sujos, em Pilares, por exemplo, na João Ribeiro. Esse que ajudamos a reviver quando criamos o “Simpatia é quase Amor” foi interessante que depois na Zona Sul se espalhou pelo Rio de Janeiro todo”.

Em entrevista na GloboNews, na semana passada, Roberto Medronho defendeu o cancelamento dos desfiles na Marquês de Sapucaí, fugindo da defesa dos critérios sanitários.

Carnaval do Rio escolhe Corte Real em noite de festa na Cidade do Samba

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A Corte do Carnaval 2022 do Rio de Janeiro já está formada. Wilson Neto foi escolhido como Rei Momo Primeiro e Único do Carnaval carioca, e Thaiana Rodrigues será sua rainha. Completando a realeza do samba estão Luara Neto Lino como primeira princesa e Deisiane de Jesus como segunda. Alex de Oliveira, que esteve no cargo principal por 10 vezes, será o vice de Wilson para o caso de alguma emergência. O Rei Momo e a Rainha receberam além da coroa, do cedro e da faixa, um prêmio em dinheiro no valor de R$ 30 mil. Para as princesas, a quantia foi de R$ 22,5 mil, e o vice-rei momo recebeu R$ 3,5 mil.

A apresentação do evento ficou por conta do presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, que animou a festa com a sua simpatia e seu humor, conversando com os candidatos, fazendo brincadeiras para descontrair o nervosismo dos postulantes, e ajudando o público e os jurados a conhecer um pouco mais sobre cada concorrente.

O rei momo Wilson Neto é locutor e brincou com Jorge Perlingeiro que seu desejo era seguir os passos da voz potente do presidente da Liesa. A fantasia do Rei Momo eleito remetia a uma homenagem à vacinação e ao SUS. Este será o quinto reinado de Wilson, que tem 35 anos. Após o anúncio, emocionado e eufórico, o Rei Momo fez uma defesa da vacinação e do carnaval ao ser entrevistado pela reportagem do CARNAVALESCO.

“Em primeira instância, eu quero agradecer a Deus por estar vivo e ser o rei da maior manifestação cultural popular do mundo que é o nosso carnaval. Segundo, eu quero dizer a todo folião carioca, que depois que tudo que nós passamos, nós merecemos um carnaval de luz e um carnaval de vitória. Então, todos estejamos juntos para confraternizar, para se divertir e para se alegrar. Sabe por quê? Porque nós já choramos demais. É a hora de comemorar, é a hora de a gente ver a população cada vez mais vacinada. Hoje eu vim aqui, defendendo a vacina, fazendo questão de que as pessoas tenham essa conscientização para que a gente possa colocar o carnaval na rua. Não depende só da Prefeitura, depende também do coração de cada cidadão”, entende Wilson.

Wilson também revelou aos risos, ao ser questionado sobre o prêmio, que vai usar uma parte do dinheiro para pagar a fantasia que usou no concurso. “Que, o que eu vou fazer com esse prêmio? Primeiro eu tenho que pagar a roupa para estar aqui hoje. A roupa foi cara para caramba (risos). Eu dividi em várias vezes, mas vou ver o que vou conseguir fazer. Mas, eu tenho fé que a gente vai conseguir trabalhar bastante ‘pra’ gente se formar em alegria”, acredita o rei momo.

Já a rainha Thaiana Rodrigues tem 30 anos e trabalha como dançarina vivendo para o samba como ela mesma definiu. Foi a primeira vez que Thaiana concorreu ao concurso e a fantasia da rainha representava as cabrochas. Thaiana já representou o Brasil em Dubai através do seu samba no pé com uma companhia de dança. Emocionada, a rainha contou à reportagem do CARNAVALESCO que considera a vitória no concurso como uma grande realização profissional.

“Quando eu entrei em uma ala de passistas, eu entendi que aqui seria também uma profissão como qualquer outra. Então, o que representa na minha vida, é exercer a função que eu escolhi, como profissional do samba no pé. Eu dou aula de samba no pé, também faço shows, então, eu trabalho com isso. Então, eu acho que o que representa realmente para mim é a minha função que eu escolhi para o meu lado profissional”, revelou Thaiana.

A rainha também fez um apelo aos seus súditos, os foliões, para procurarem a vacinação e a proteção contra o vírus, também defendeu o carnaval, além de contar sobre os planos para o prêmio em dinheiro recebido.

“Eu acho que cada um tem que ter a sua real consciência, isso é muito importante. Sou muito a favor da vacina, acho que todos têm que se vacinar, mas o carnaval, ele traz um retorno financeiro para milhares de famílias, então, é um trabalho. Então, eu digo para os foliões, que eles tenham consciência realmente do que a gente está nesse momento, é um carnaval de desafios. E, eu quero muito a comunicação, quero muita dedicação, muita simpatia e principalmente a criatividade do povo brasileiro. Um sonho maior que é a gente ter a nossa casa própria, né? Mas, o investimento será ainda maior na minha profissão, que é essa que eu escolhi. E, outras coisas, eu ainda não pensei porque você me pegou de surpresa ( risos)”, contou a nova soberana do carnaval.

Outro ponto alto da festa ficou por conta das apresentações. Carlinhos Salgueiro trouxe a ala de passistas da Academia e ficou responsável pelas coreografias também da apresentação em conjunto das candidatas a Rainha e Princesas do Carnaval, e dos candidatos a Rei Momo. Diversos sambas das escolas do Grupo Especial foram cantados, sempre com uma coreografia especial.

A primeira princesa do Carnaval 2022, Luara Neto Lino, professora de dança e de arte do samba, assim como a Rainha Thaiana Rodrigues, lembrou a todos que é passista e que o título recebido também se trata de uma realização profissional.

“Primeiro eu quero dizer que eu estou muito feliz. Essa vitória representa muito. Eu sou passista, eu vivo do samba. Então, é para mostrar para as outras passistas que é possível sim, sonhar e realizar este sonho de estar na corte do carnaval e levar o samba no pé como troféu”.

Deisiane de Jesus, a segunda princesa do carnaval carioca, é professora de maquiagem e já esteve neste cargo outras 4 vezes. Deisiane aproveitou para relembrar as inúmeras oportunidades que o samba e o carnaval lhe ofereceram.

“O samba sempre acrescenta na minha vida. Eu vivo dele, eu vivo da arte do samba. E, ele sempre transforma minha vida de alguma forma que eu nunca sei, lá na frente que eu venho a saber. E, eu sou muito agradecida por todas as portas que esse concurso me abre, todas as portas que o carnaval me abre, ou que me dá trabalho, oportunidade de vida, de crescimento não só profissional, mas pessoal também. Então, que o carnaval seja de alegria, de superação e de muita felicidade”, desejou emocionada Deisiane.

Daniela Maia comenta sobre orientação para interrupção de ensaios de rua

Presente ao evento e participando como jurada do concurso, a presidente da Riotur, Daniela Maia, comentou sobre a importância do evento para a escolha da Corte Real do Carnaval.

“O concurso é muito importante porque representa o carnaval daqui para fora, para o país, para outros lugares mostrando o que é o carnaval do Rio de Janeiro, o maior carnaval do mundo”, entende Daniela Maia.

Daniela também comentou sobre o ofício que a Riotur enviou às escolas orientando a não realização dos ensaios de rua, acontecendo os treinos no máximo nas quadras com controle de vacinação.

“A gente orientou as escolas não desfilarem agora nestes 15 dias em um sentido de a gente estar tendo um pico grande de transmissão de Covid. Então, nesse momento, a melhor coisa a fazer é não ir para às ruas”, explicou a presidente da Riotur.

Ao ser questionada sobre o carnaval na Estrada Intendente de Magalhães das escolas da Superliga, Daniela garantiu a realização dos desfiles.

Perlingeiro sobre interrupção dos ensaios de rua: ‘Não teremos essa semana e na outra, somente nas quadras’

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Presente na final do concurso de Rei Momo, Princesas e Rainha do Carnaval 2022, na noite desta sexta-feira, na Cidade do Samba, o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, falou sobre o pedido da Riotur para que as escolas de samba não façam ensaios de rua e levem seus para treinos para quadras, onde é possível fazer o controle sanitário.

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Foto: Henrique Matos

“A presidente da Riotur é minha amiga e sei da preocupação dela. Essa semana e a outra não teremos ensaios de rua, somente nas quadras. Vamos esperar e isso vai passar. Não tem mortalidade e não estamos vendo hospitais cheios. Até a garganta, mas não ataca o pulmão, que é o mais importante. Estou confiante que as coisas vão correr bem”, disse Perlingeiro, em entrevista para TV Mais Carnaval.

Segundo o presidente da Liesa, apesar da pressão para o cancelamento dos desfiles, as escolas de samba estão se preparando e cobrando a compravação da vacinação e criando o aplicativo para o controle sanitário nos desfiles.

“Pressão sempre tem, mas a gente supera com o resultado. Todos que entrarem na Sapucaí precisam estar vacinados. Temos o aplicativo próprio para isso e vamos apresentar na semana que vem para o secretário municipal de Saúde. O prefeito está solidário e sabe a importância do carnaval de forma segura e vamos garantir isso”.

Secretário estadual de Saúde reforça desfiles no Sambódromo com segurança sanitária

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O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, defendeu a realização dos desfiles das escolas de samba no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. “O carnaval na Sapucaí e em locais mais controlados podem ser realizados. Com testes e exigência da vacinação”, disse o secretário ao RJTV.

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Foto: Divulgação

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) ampliou a capacidade de realização de testes para detecção da Covid-19 no Rio de Janeiro. Pessoas com sintomas leves da doença ou que tiveram contato com alguém que testou positivo há quatro ou cinco dias poderão realizar o exame em estruturas anexas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bangu, Campo Grande e Jacarepaguá, na Zona Oeste; e Tijuca, Penha e Marechal Hermes, na Zona Norte. O atendimento será realizado de segunda-feira a domingo, das 8h às 18h, mediante distribuição de senha. Serão oferecidos testes rápidos de antígeno e também RT-PCR para monitoramento do cenário epidemiológico.

Pacientes com sintomas moderados a graves, como febre acima de 37,5º e dificuldades respiratórias, deverão procurar diretamente uma UPA ou emergência hospitalar, onde realizarão o teste e passarão por atendimento médico para avaliação do quadro de saúde. As 28 UPAs do estado também irão realizar atendimento e testes para casos moderados e graves da doença.

Os centros de testagens vão funcionar nas estruturas montadas junto às UPAs, no início de dezembro, para acolhimento e atendimento de casos de síndrome gripal. Inicialmente, serão distribuídas 150 senhas por dia em cada unidade.

“Com o aumento de casos de Covid-19 em função da circulação da variante Ômicron, vimos a necessidade de realizar a testagem também em pessoas com sintomas leves, que muitas vezes não procuram atendimento médico. A ideia é diagnosticar essa pessoa para que ela possa fazer o isolamento social”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe.

Ilustre Bamba: ‘No fio da navalha, histórias a contrapelo de um historiador das macumbas e brasilidades’

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O aceno feito pelo talentoso amigo, criador desta série de imagens que ilustra bambas do carnaval, me alcança oferecendo sensações distintas: sinto-me honrado e, ao mesmo tempo, experimento o peso da responsabilidade ao ser convidado para escrever sobre alguém que tem como uma de suas virtudes a escrita. Como escrever sobre quem escreve tão bem? Como apresentar uma pessoa que é lida, conhecida e referência para tantas outras?

simas bamba

Sem saber por onde começar busco inspiração em uma de suas paixões: o carnaval. E nos enredos que o levaram a escrever um livro sobre esses temas que as escolas de samba, mobilizadoras de seus afetos, desfilam na Sapucaí. Também me valho dos escritos do próprio autor para escapar dos rigores e me permitir começar o texto a partir de histórias de pessoas ordinárias e comuns.

Uma delas, minha mãe. A outra, eu mesmo. Minha mãe, durante quatro décadas, foi cliente assídua do seu Zair. O cabelereiro, pai de Luiz, foi o responsável por cortar meus cabelos pela primeira vez. E assim, através de tesouras, pentes e navalhas, algumas histórias foram sendo enredadas…

Luiz, agora conhecido pelos demais nomes que compõem a sonoridade da tríade, Antônio Simas, não seguiu o ofício do pai. Mas parece ter herdado seu talento de fazer a cabeça das pessoas. Lava documentos da história oficial para revelar muito do que foi apagado, recorta temas que permaneciam invisibilizados, escova a história a contrapelo e raspa a superfície para acessar a raiz de fios que contam outras histórias. Simas é uma das vozes e mentes mais profícuas nos estudos das culturas populares e das brasilidades.

Imprevisibilidades e caminhos alternativos constituem os modos de ser e produzir do boêmio que acorda às 4h da manhã pra ler, estudar e escrever. E se apresentam como fragmentos de um mosaico multifacetado, composto por pedrinhas miudinhas, que compõem Luiz Antônio Simas. Vivenciando, se inspirando e difundindo as culturas de rua, Simas tece tramas e historietas que evidenciam ruas, vielas, esquinas e encruzilhadas cariocas como espaços pujantes de sociabilidades. Atuando na fresta entre defensor e promotor das ricas miudezas do cotidinao, ginga entre a função de guarda-copos e atacante de petiscos, enquanto experimenta e promove a potente dinâmica de botequins, estádios de futebol, e outros redutos da boemia, formulando exusíacas maneiras de interpretar as ruas, as gentes e os brasis.

Quando investe na pequenez dos relatos, revela crônicas desfiadas a partir da notação e reflexão sobre o cotidiano de nossa cidade e sociedade. Assim, alumeia nossas potências, valências, tensões e contradições. Como bom botafoguense e imperiano, encarna as (im)possibilidades e mandingas que fazem do Rio uma cidade mais que maravilhosa…

Simas conta, canta e encanta a cidade dos seus sonhos. Imagina, e desse modo cria, realidades fantásticas e fantasias reais sobre o que fomos e vivemos. Sobre aquilo que achamos ser e viver. E, através de seus livros, posts, palestras, composições, músicas e aulas, descortina horizontes de poesia popular onde podemos habitar para escapar da realidade que tantas vezes nos assombra.

Assombração.
Deslumbramento.

Simas mergulha, raspa o fundo do tacho, e retorna à superfície do nosso convívio para levar adiante seu propósito de mostrar a riqueza, a beleza e a natureza do conjunto de Brasilidades que existem no Brasil. E que vão além de seus limites territoriais, das efemérides contadas a seu respeito e da história oficial que nos é ensinada. Dadivosos e diligentes, seus volteios ao passado, enxergando-o não como dado imutável, mas como um campo (aberto e incessantemente tensionado) de possibilidades e de lutas, se oferecem como a dança de um mestre-sala na Avenida.

Algumas dessas refregas envolvem a reconstrução do passado que efetivamente se realizou. Outras, com um passado que (se) esqueceu – ou foi impedido – de acontecer. Suas obras, porém, nos engancham às suas narrativas pela sensibilidade de unir o que aconteceu com o que poderia ter acontecido, tornando-nos, a todos, protagonistas do Brasil que nele mora.

Simas, a cada arrazoado, vai reivindicando seu lugar como imortal encantado na ABL: Ajuntamento de Brasilidades Libertadoras. Brasilidades as quais, uma vez (re)conhecidas, nos oferecem oportunidades – e diversos convites – para escaparmos dessa forma binária, limitadora, desencantada e desinteressante de ver e viver o mundo. Ao escovar a história a contrapelo descobriu, não apenas, um modo de ressignificar a profissão do pai, como celebrar aquele que homenageou ao batizar seu filho, Benjamim: encontrou uma maneira de realizar a empreitada de modo exusíaco, ou seja, sinuoso, oblíquo, imprevisível, como um drible dado por pernas tortas e dançantes carregando um místico 7 às costas.

O retorno ao passado com olhar de estrangeiro, desconfiado, ainda que encantado com o imprevisível e com o quê, de tão pequeno, sequer é notado, permite ao autor identificar fragmentos de memórias, vestígios de acontecimentos e mosaicos cujas peças apresentam dores, delícias e toda sorte de lutas e aventuras de indivíduos e sociedades que foram negligenciados, esquecidos, silenciados, invisibilizados ou retirados da história.

Ao escapar das armadilhas da ciência racionalizante; iluminista, positivista, hegemônica, que a tudo e a todos lança seu infinito facho de luz, Simas se deixa guiar pelo fulgor de pedras miúdas. E é pela luz (e pelas sombras que deixam naquilo que o farol-sol da ciência cega, oblitera e agride) que ele vai (re)conhecendo e (en)cantando o mundo que insiste em nos apresentar.

Desarrumando as pedras do caminho, desalojando-as da formalidade e rigidez dos conceitos nos quais campeiam empistemes caravélicas e colonizadoras, o historiador das macumbas rearranja cada uma delas, alumiando as pequeninas, para que estas revelem a imensidão da alma, dos desejos e das potências dos pequenos: dos excluídos, dos boêmios, dos marginalizados, periféricos, invisibilizados, perseguidos, ignorados ou subestimados. Todas e todos que aqui, nessa encruzilhada chamada Brasil, vieram habitar.

Esse caminho tortuoso, construído na ginga de suas músicas, no drible de palavras que desorientam a marcação do cânone ocidental, na dança emergente pela sonoridade de seus poemas, permite que ele nos ofereça a ampliação dos horizontes futuros para a (re)construção de nossas existências enquanto cidade e sociedade. Agindo no presente, nos deixa de presente a oportunidade de assistir e participar da edificação de seu legado, que é nosso: Simas é um corpo encantado na/da cidade do Rio de Janeiro, vagando por suas praças, bares, botecos, escolas (de samba) e terreiros.

Diferentes linguagens encruzadas para revelar um professor de chão de sala de aula. Amante das ruas, do futebol, do carnaval, dos rituais e do samba. Alguém que pratica, vive, conta e encanta a sua cidade como terreiro em cada post, em cada composição, em cada conto, relato e livro. Um sujeito bom de copo e de papo, há anos integrante de um estandarte de ouro que reluz o que há de mais original e popular em nosso país. Um apaixonado pela vida que vibra e pulsa, alvinegra e alviverde, como suas paixões.

Vibremos juntos…
Salve, Simas!

Cássio Novo: Geógrafo, Doutor em Geografia, Cultura e Natureza, Mestre em Geografia Humana e Especialista em Análise Ambiental e Gestão do Território

Velha Guarda Show é a atração especial da feijoada da Portela neste sábado

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O ano de 2022 vai começar em alto nível, pelo menos no que depender da Majestade do Samba! A primeira edição da Tradicional Feijoada da Família Portelense terá a honrosa Velha Guarda Show como atração principal. O evento será realizado neste sábado, a partir das 13h, no Portelão (Rua Clara Nunes, 81 – Madureira). Na programação, teremos também o grupo Tempero Carioca e o encerramento com o elenco show da agremiação. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos na bilheteria da escola, de segunda a sexta, das 10h às 18h, ou pelo site www.ingressocerto.com.br . Informações: (21) 3217-1604. A escola prepara ainda uma homenagem a Monarco, Presidente de Honra da escola, que nos deixou no mês passado.

A feijoada será realizada respeitando todos os protocolos sanitários de segurança estabelecidos pela Prefeitura do Rio. Será necessário comprovar a vacinação para participar do evento. A comprovação poderá ser feita através do certificado de vacinação digital – disponível no aplicativo ConecteSUS -, pela caderneta de vacinação ou ainda pelo comprovante de vacinação, seguindo o calendário oficial do município, disponível em: https://coronavirus.rio/comprovacao/31196/ A quadra possui dispensers de álcool em gel. Na entrada haverá verificação de temperatura e tapetes higienizadores. O uso de máscaras será obrigatório durante a permanência no local.

Serviço:
Feijoada da Família Portelense edição de janeiro
Atrações: Velha Guarda Show, Grupo Tempero Carioca e Elenco Show da Portela
Data: Sábado, 08 de janeiro
Horário: a partir das 13h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira)

Ingresso Individual – R$ 20,00
Mesas – R$ 100,00
Camarotes Superior – R$ 600
Camarotes Inferior – R$ 400

Secretário de Saúde sobre desfiles no Sambódromo: ‘Vamos precisar das próximas duas semanas para alinhar os protocolos’

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Em entrevista para o canal Jovem Pan News, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, falou sobre o avanço da cepa Ômicron na cidade, a utlização de leitos na rede pública e os desfiles no Sambódromo.

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Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

“A gente passou dezembro com vários dias dezembro com zero óbitos por Covid-19 e entramos nessa primeira semana [de 2022] com muito poucos casos graves. Se esse cenário se mantiver, podemos pensar num cenário com algumas comemorações em áreas mais restritas. Se houver uma mudança e tiver aumento de casos graves, de internações e óbitos pode ser que tenha que tomar outras atitudes. Ainda é cedo para tomar essa decisão, vamos precisar das próximas duas semanas para alinhar os protocolos e ver como a ômicron vai se comportar num cenário com uma alta cobertura vacinal”, afirmou Soranz.

Riotur orienta que escolas de samba do Rio de Janeiro não façam ensaios de rua

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As escolas de samba do Rio de Janeiro receberam um ofício da Riotur, no início da tarde desta sexta-feira, com uma orientação que não aconteçam os ensaios de rua, devido ao avanço da cepa Ômicron na cidade. A recomendação é para todos os grupos, ou seja, Especial e séries Ouro, Prata e Bronze. Pela solicitação, as agremiações podem realizar seus ensaios em suas quadra, onde é possível controlar a entrada do público e exigir o comprovante de vacinação, como vem sendo feito desde o retorno do samba.

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Dani Maia é a presidente da Riotur. Foto: Reprodução

O ofício está assinado pela presidente da Riotur, Daniela Maia, e informa que é a ampliação das medidas de proteção à vida, relativas a Covid-19.

“Em decorrência do surgimento da nova cepa da repectiva doença denonimada Ômicron e Flurona, esta Empresa de Turismo orienta o cancelamento ou, alternativamente, a transferência dos eventos e ensaios das Escolas de Samba, programados para a realização em locais públicos, sem o devido controle de acesso, em locais fechados, com o controle de acesso, em consoância com as medidas sanitárias vigentes”, diz o comunicado da Riotur.