Depois de dois anos aguardando para se emocionarem no solo sagrado das escolas de samba, os sambistas finalmente regressam para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, com a temporada de ensaios técnicos visando a preparação para os desfiles de 2022, que acontecem entre 20 e 23 de abril próximos. Neste domingo Imperatriz, São Clemente e Portela abrem a temporada das escolas do Grupo Especial, já que neste sábado Em Cima da Hora, Império Serrano e Lins Imperial, pela Série Ouro, ensaiaram na pista de desfiles.
A programação tem início às 20h30 com a Imperatriz Leopoldinense. A octacampeã do carnaval regressa à elite dos desfiles após o acesso alcançado em 2020. A verde e branca repaginou seus departamentos e vem realizando um dos pré-carnavais mais interessantes desta temporada. A bateria Swing da Leopoldina e o belo samba da Rainha de Ramos são os principais aspectos que o público deve prestar atenção. A Imperatriz será a primeira desfilar no dia 22 de abril com o enredo ‘Meninos, eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine’, de autoria d carnavalesca Rosa Magalhães.
Dando seguimento à noite de ensaios será a vez da São Clemente passar. A preta e amarela de Botafogo traz uma homenagem ao ator Paulo Gustavo, que morreu em 2021 vítima da Covid-19. A grande expectativa pelo ensaio da escola fica por conta da presença de familiares de Paulo, como sua mãe Déa e o seu marido Thales, ambos citados no samba. ‘Minha vida é uma peça’ é o título da homenagem, que será desenvolvida pelo estreante Tiago Martins. A São Clemente será a quarta a desfilar na primeira noite de apresentações do Grupo Especial em 22 de abril.
Encerrando a primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial, a Portela promete um grande sacode na pista de desfiles. Quem tem acompanhado os ensaios da escola de Oswaldo Cruz e Madureira sabe que o canto do portelense deve ser o grande destque desta primeira noite. Gilsinho e mestre Nilo Sérgio tem colocado o samba para render muito bem. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, também merece atenção. A Portela será a segunda escola a desfilar na noite de 23 de abril, com o enredo ‘Igi Osé Baobá’, dos carnavalescos Márcia Lage e Renato Lage.
Serviço
Ensaios Técnicos – Grupo Especial
Abertura dos portões: 17h
20h30 – Imperatriz Leopoldinense
21h40 – São Clemente
22h50 – Portela
Entrada Franca
A Em Cima da Hora ‘sublimou em poesia’, como diz o samba “33 – Destino Dom Pedro II”, uma reedição de um clássico do carnaval de 1984, na abertura dos ensaios técnicos da Série Ouro no Sambódromo. A comunidade do bairro de Cavalcanti pode enfim voltar a desfilar na avenida Marquês de Sapucaí, após sete anos de hiato. O samba-enredo interpretado por Ciganerey contagiou não só os componentes da escola, como também o público das arquibancadas. Casal e bateria também foram os pontos fortes do treino, que durou 55 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“Ensaio válido, considerando o canto da escola e os segmentos que vieram em massa. Fizemos um grande ensaio, a comunidade Cavalcanti está de parabéns, assim como o Morro da Primavera. Estou muito satisfeito com o resultado final desse nosso primeiro ensaio técnico na Sapucaí. Mas ainda sim, deu pra ver que a gente precisa acertar alguns detalhes antes do grande dia. A gente está falando de um samba de 1984, então mais do que nunca a gente tem a certeza, de que quando a gente pisar na Marquês de Sapucaí no dia 20 de abril, a gente vai ter a empatia do público e isso vai ser sensacional. Podem esperar uma escola com muita garra, determinação, comprometimento, muito bem acabada e detalhada. Me atrevo a dizer que será o maior carnaval da Em Cima da Hora de todos os tempos”, garantiu Flávio Azevedo, diretor de carnaval.
A comissão de frente da Em Cima da Hora, coreografada por Carlinhos de Jesus, veio leve e solta para ensaiar suas marcações na avenida e apresentar a escola. Os componentes da azul e branco de Cavalcanti cantaram forte o samba de Guará e Jorginho das Rosas, do começo ao fim. As baianas vieram de branco, com detalhes em azul na cintura e na cabeça. Foi uma das alas que mais cantou.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Johny Matos e Jackeline Gomes esbanjaram sintonia, tanto entre eles, quanto com o samba da escola. A coreografia dos dois dialogava diretamente com o breque executado pela bateria. Eles se entendem no olhar. Sempre sorrindo e cantando o samba-enredo, esse casal conquistou o público presente nas frisas e arquibancadas do sambódramo. As roupas de ambos era prateadas, com direito a muito brilho e espelhinho na saia dela, provocando um belo efeito quando ela girava com o pavilhão.
“É um pré desfile, principalmente, esse ano depois de dois anos longe da Marquês de Sapucaí. Foi maravilhoso e muito produtivo. A tendência é melhorar ainda mais para o desfile oficial e por isso consideramos importante, pois é onde colocamos em prática o que ensaiamos. Apesar de não termos feito toda a coreografia dos jurados, alguns pontos sim e outros não. Deixamos um fator surpresa pro dia do desfile. A tendência é estar no desfile muito mais preparado, acima de tudo o que fizemos aqui hoje. Vamos vir representando o tempo. As engrenagens de todo esse tempo, como demoramos numa viagem de trem. O tempo que a gente espera, todas as engrenagens da vida, o tempo da vida”, revelou a porta-bandeira.
“É muito importante testar o chão novo da Sapucaí. Também é importante para o preparo para a gente ver como vai a nossa coreografia e o tempo certo de jurado. Estamos confiantes no nosso trabalho que está muito bom”, completou o mestre-sala.
O samba-enredo pode até ter sido composto na década de 1980, mas continua tão atual quanto nunca. Tecenndo críticas ao transporte público precário e à inflação econômica, a obra também faz referência à vida do suburbano que pega um trem lotado para se locomover pela cidade. O carro de som, puxado por Ciganerey, segurou o canto da escola e contagiou o público. Os trechos do samba “Não é mole não/ Com a inflação/ Almejar as regalias/ Do progresso da nação” e “Não é tão mole/ Andar de pingente no trem” foram cantados com vigor pela comunidade.
“Vi as pessoas cantando, é um samba antológico. As pessoas estavam muito animadas no geral e felizes. Eu acho que vai ser a grande explosão (o samba). É belíssimo, todos gostam de ouvir e a Sapucaí estará cheia. Se Deus quiser será um grande carnaval e aí é só correr para o abraço”, brincou o intérprete Ciganerey.
A bateria Sintonia de Cavalcante, comandada por mestre Wando, empolgou as pessoas que acompanhavam o ensaio da Em Cima da Hora. O ritmo se manteve firme, dando sustentação ao carro de som e ao canto dos demais componentes da escola. Era possível ouvir com clareza cada naipe de instrumentos. Destaque especial para uma bossa mais longa e muito bem executada, que faz referência ao funk carioca. Sambando à frente da bateria veio a rainha, Tania Daley, e o rei, Jorge Amarelloh.
“Em questão de ritmo eu não tenho muito o que falar, graças a Deus os ritmistas fizeram um bom ritmo hoje. Temos que alinhar algumas coisas, é normal, isso é questão de ensaio, faz parte. Não estamos tendo muito ensaio com o carro de som, tivemos dois, contando com esse de hoje aqui na Sapucaí. Acho que mesmo sem tantos ensaios conseguimos fazer um bom trabalho, apesar de algumas falhas, o que é normal, acontece, o ensaio é pra isso, pra acertar os erros. Tenho certeza que no desfile nossa bateria vai estar 100%. O samba é muito bom, histórico. Temos bossas que representam o trombadinha que é falado no samba e também o paquera apanha, que é quando entra o funk”, contou o mestre, que terá 240 ritmistas na Avenida.
Os componentes da Em Cima da Hora passaram com muita alegria e leveza pela passarela do samba. As alas da escola eram compactas, algumas com poucos integrantes, mas preenchendo todos os espaços da avenida. A ala dos passistas veio com roupas azuis de muito brilho, chamando atenção pelo canto e pelo samba no pé. O ensaio fluiu de forma natural, sem erros que pudessem comprometer a evolução da escola.
O que se viu foi uma Em Cima da Hora muito empolgada com a felicidade por estar de volta a Sapucaí estampada no rosto e nas camisetas dos componentes. Baianas, passistas, ritmistas, diretores… Todos os segmentos da escola se mostraram animados com esse retorno. É a comunidade de Cavalcanti e do Morro da Primavera trazendo toda a sua garra e tradição no carnaval carioca. Sublimaram a Sapucaí em poesia do começo ao fim.
Foi um importante ensaio para que a escola fizesse um reconhecimento da pista de desfile. Ficou nítida a grandiosidade deste samba, entoado pelas alas que passaram pela avenida. Alguns componentes não sabiam a letra por inteiro, mas ele ainda terão mais de um mês para aprender. A Em Cima da Hora será a primeira agremiação a desfilar na Sapucaí, quarta-feira, dia 20 de abril. O enredo “33 – Destino Dom Pedro II” é uma reedição de 1984.
Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Nelson Malfacini, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz
Apontada no pré-carnaval como grande favorita, até pelos reforços que trouxe para o seu time, um deles o carnavalesco campeão atual do Acesso, Leandro Vieira, o Império Serrano mostrou força no primeiro dia de ensaios técnicos da Série Ouro com destaque para a bateria de mestre Vitinho e a coreografia da comissão de frente de Patrick Carvalho. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Verônica Lima, além do samba, um dos mais aclamados antes do carnaval, também se destacaram no treino realizado na Marquês de Sapucaí. A escola passou com tranquilidade em um ensaio de 52 minutos, contando a partir da arrancada do samba para 2022. O canto começou avassalador por público e desfilantes, mas teve alguns pontos de irregularidade em algumas poucas alas. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Antes do início do desfile, o presidente da Serrinha, Sandro Avelar, em discurso lembrou que não existe favorito antes do desfile, pregando trabalho pela escola, mas também destacou o Império Serrano como escola de Grupo Especial.
Harmonia
O início da escola foi muito bom com todo mundo cantando e uma acentuada interação com o público. Destaque para alas importantes da comunidade como a velha guarda e as baianas que cantaram bastante, além da bateria que em diversos momentos, principalmente nas bossas, também deixou uma excelente impressão em relação ao canto. Porém, é importante citar que houve alguma irregularidade no canto principalmente depois que a escola passou da metade da Sapucaí, algo bem pontual e não preocupante, algumas poucas alas, como a ala sete, em que algumas pessoas não estavam cantando parte do samba, principalmente as estrofes, ou enrolavam um pouco a letra para fingir que estavam cantando. No grosso, a escola não precisa se preocupar, pois o samba está na boca do sambista, tanto do componente como do espectador e deve causar um grande frisson no dia do desfile mais uma vez. O trabalho é mais para manter a pegada e não deixar relaxar.
“Fizemos um ensaio bom, mas que pode ser muito melhor. Não acho que estejamos 100% preparados, estamos caminhando para aprimorar ainda mais a bateria, o canto da escola, o trabalho do barracão e a conscientização da harmonia e dos seus segmentos, para que assim possamos fazer exatamente aquilo que buscamos, o acesso ao Grupo Especial. Queremos mostrar também que o Império Serrano está vivo, pulsante, com muita energia e com muita vontade de fazer um belo desfile oficial em abril, de modo em que eu considero que estamos no caminho certo. Acho que temos que ter paciência e continuar trabalhando. O ateliê entra agora na reta final e a bateria tem trabalhado exaustivamente para chegarmos aqui com excelência no desfile”, comentou o vice de carnaval, Paulo Santi.
Fotos de Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império Serrano, Matheus Machado e Verônica Lima, vieram vestidos de branco. Ele em um singelo terno, e ela cheia de brilhantes até na tiara. Começaram sua apresentação com bastante intensidade, inicialmente com movimentos rápidos e técnicos, principalmente Matheus, e depois de uma forma mais delicada, apostando no entrosamento, no contato e no olhar, em uma apresentação que durou cerca de dois minutos na frente do módulo de jurados. Antes da apresentação no módulo de cabine dupla, Verônica parecia um pouco incomodada com o aperto da roupa, mas algo logo foi resolvido por alguém da harmonia, nada que atrapalhasse a apresentação.
“Um encontro de um grande amor aqui hoje. Como se fosse a primeira vez. Lá no início, eu, Matheus e o nosso coreógrafo nos emocionamos, porque somos muito apaixonados por essa avenida, por esse carnaval. Foi maravilhoso. A gente não pode falar o que vamos vir representando no desfile, mas vou dar um spoiler, tem a ver com representatividade. Dentro de todo o enredo, nós estamos na parte religiosa, parte mística e do jeito baiano de ser”, revelou a porta-bandeira.
“Pra mim foi maravilhoso (o ensaio). É gratificante estar pisando aqui novamente depois de dois anos sem carnaval, sem ensaiar também, pois não estávamos ensaiando. A gente pisar aqui de novo é uma felicidade tremenda, porque é nosso palco e nós somos os artistas. É o palco onde o sambista se sente em casa, à vontade. Estou muito feliz e realmente é gratificante estar novamente na Sapucaí”, completou o mestre-sala.
Samba-Enredo
“Mangangá”, escolhido ainda em 2020, da parceira de Paulo César Feital, foi conduzido pelos intérpretes oficiais da Serrinha, Igor Vianna e Nêgo. A dupla levou a obra com muita garra, e desde a arrancada o samba levantou quem acompanhava nos primeiros setores. A dupla demonstrou entrosamento, Igor mais novo, tendo a emoção pela primeira vez desde que chegou no Império poder conduzir o samba na Sapucaí, segurava mais a obra para deixar Nêgo brilhar em momentos chaves, sem nenhum tipo de vaidade. A parte mais cantada pelos componentes era o refrão principal entoado algumas vezes com bastante intensidade e animação: “Bate marimba camará/Camugerê paticumbum/Sou eu Império/Da patente de Ogum”. Como lado negativo houve alguns momentos em que foi nítido perceber que alguns foliões tinham dificuldade para cantar no segundo refrão a parte do “Camará, Mangangá”. E, mais para o meio do desfile, as estrofes perderam um pouco mais de intensidade. Energia que foi retomada mais para o final do desfile.
“O rendimento foi o que a gente esperava. Estamos ensaiando, o samba tem uma boa aceitação, letra e melodia e foi o que a gente viu hoje na avenida. Pode esperar muita raça, muita raiva por conta de tudo o que a gente passou e muita alegria para trazer o Império, se Deus quiser, de volta para o Grupo Especial. Eu acho que a gente vai tacar fogo no palhaço (risos)”, brincou Igor Vianna.
“Foi muito bom o ensaio, andamento no lugar certo. Situação harmônica da escola correspondeu. Um samba bonito, letrado, com situação harmônica muito pegada. É um samba de pegada e vai levantar a galera. Junto com a bateria, temos tudo para tirar as quatro notas dez. Com esse retorno e a parceria junto com o Igor tudo para dar muito certo, o pai dele era muito meu amigo. Estou feliz em voltar e lutar para o Império voltar ao Grupo Especial que é o lugar de onde não deveríamos ter saído”, afirmou o intérprete Nêgo.
Bateria
A Sinfônica do Samba, comandada por mestre Vitinho, foi um show à parte e contribuiu bastante para o samba tomar conta da Sapucaí, fazendo crescer uma obra que por si só já tem o seu brilho. Vitinho em alguns momentos ficou em pé em cima de um suporte nas cores da escola e era visto acima dos ritmistas, facilitando o gestual com os diretores. Outro ponto alto, fora da parte musical, foi o jogo de capoeira realizado na frente dos ritmistas em um momento de bossa, dando um efeito bastante dramático, levantando quem assistia ao ensaio.
Quanto aos destaques do ritmo, a escola trouxe um naipe de berimbaus, como o enredo obviamente pedia, e ele ganhava valor em uma das bossas em que a sinfônica justamente imitava o toque de cavalaria, importante citar, o trabalho dos tamborins, que neste momento eram fundamentais para dar o efeito da batida da capoeira, isto, com os ritmistas agachados. Também houve coreografia na ala de chocalhos e em outro momento em que a bateria realizava uma bossa e os ritmistas jogavam primeiro o corpo para frente e para trás, e depois para os lados.
A rainha Darly Ferrattry, mãe de Lexa, rainha da Unidos da Tijuca, veio com uma roupa toda em dourada, com uma cauda e uma tiara, ambas também caprichadas no ouro. Ela interagiu bastante com o mestre Vitinho, chegando a dançar em uma bossa, e também no momento na surpresa em que apareciam os dois capoeiristas.
“Treino é treino, jogo é jogo, sou um cara muito crítico com meu trabalho. A gente vem de um momento difícil, de pandemia, todos nós do samba passamos dificuldades e vontades, só de estar na Marquês da Sapucaí, o solo sagrado, e sentir o calor do sambista a gente já fica feliz. O calor da emoção pode enganar minha avaliação do desempenho, eu vi senhoras chorando, senhores emocionados me agradecendo, dizendo que está lindo, que tá bom. Vou estudar chegando em casa, vou ler as análises, ver os vídeos e chegar na conclusão do que posso melhorar. Para um verdadeiro mestre nunca está bom, tem que ser humilde e procurar sempre melhorar mais”, garantiu mestre Vitinh, que levará 250 ritmistas para o desfile.
“”São três bossas, uma acoplada, fizemos aqui e elas vão pro desfile. A gente estudou muito o andamento, no mini-desfile a gente veio um pouquinho mais pra frente, eu senti que devia dar mais cadência para o samba, é um samba melodioso, é o momento da Serrinha cantar, é o momento do Império Serrano gritar o samba, então não precisa atropelar. Vamos fazer de tudo pra galera curtir o samba. Quando eu cheguei fiquei com muito medo, não medo do trabalho, porque eu amo desafio, nasci pro desafio, fiquei com receio da galera não me aceitar, por mais que eu conhecesse todo mundo, fiquei muito tempo fora da escola e meu pai não era tão querido nas outras gestões. Mas aceitei o desafio e a galera me abraçou, eu já era de casa, hoje mais do que nunca eu posso dizer isso. A bateria do Império Serrano é uma família, um cuida do outro, e juntos vamos fazer o Império Serrano ser o grande Império novamente”, completo o comandante da Sinfônica.
Evolução
Organizada, a escola levou elementos para representar os elementos alegóricos e facilitar a distribuição do desfile. Pelo o que se viu neste ensaio, o Império Serrano não irá apostar muito em alas coreografadas, a intenção parece ser deixar o folião mais à vontade para pular carnaval de forma espontânea, porém organizada. Uma das poucas alas desse tipo, vinha ala logo após o casal de mestre-sala e porta-bandeira, ainda na cabeça da escola, que fazia uma pequena coreografia com bastante expressão corporal e gingado. Como ponto negativo dessa ala no ensaio, foi um momento após a apresentação do casal no módulo de cabine dupla, em que por pouco não se abriu um buraco, com a ala tendo que avançar um pouco mais rápido para que não virasse algo bastante notável.
No mais, importante elogiar algumas alas da comunidade, que assim como na harmonia, fizeram uma boa evolução, velha-guarda que vinha depois da primeira alegoria, as baianas, nas cores da escola, variando em saias verdes, outras brancas. Também é importante citar os passistas, todos com desenvoltura, samba no pé e muita alegria. Aliás, a espontaneidade do folião da Serrinha é digna de elogios, pois a escola passou leve e alegre, mas também em alguns momentos mostrando a garra do enredo e batendo no peito no trecho do “hoje rei da resistência, capoeira que jogar”. No final do desfile, uma ala feminina, trazia belíssimas saias com diferentes estampas e cores, dando um efeito visual muito interessante quando giravam.
Outros Destaques
Patrick de Carvalho, coreógrafo da comissão de frente do Império Serrano, brindou quem compareceu ao ensaio técnico com mais um bonito espetáculo. Seus bailarinos, fantasiados de capoeiristas, com as cores da escola pintadas no rosto, com detalhes de palha nas bermudas, realizavam uma coreografia aguerrida com trechos de movimentos da capoeira. O grande espetáculo foi uma grande forma de mostrar respeito pelo evento que se tornou o ensaio técnico e pelo público que compareceu. O carnavalesco Leandro Vieira esteve presente ao ensaio, bastante animado e sorridente.
O presidente Sandro Avelar chamou a atenção de visual novo, com o cabelo descolorido e era um dos mais animados e emocionados antes e durante o desfile. Antes do ensaio, o Império Serrano reservou para todos um momento mágico do carnaval, ao cantar no esquenta “Aquarela Brasileira”, o samba deu o tom para o público, organizadores, foliões e imprensa, de que o carnaval está voltando para a acontecer.
O ensaio técnico foi mais uma etapa e a Serrinha mostrou que está trabalhando para buscar a volta ao Grupo Especial e que valeu a pena investir em um time forte para organizar o seu carnaval com segmentos, diretores, carnavalesco e coreógrafo com experiência no Grupo Especial, além de apostar em jovens com raízes no Império como o mestre-sala Matheus Machado e mestre Vitinho. Em abril, o Império Serrano vai encerrar a segunda noite de desfiles como o enredo “Mangangá”.
Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Nelson Malfacini, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz
Após mais de 10 anos longe da Marquês de Sapucaí, a Lins Imperial pisou novamente no Sambódromo e deixou claro que não pretende mais sair. Com enredo em homenagem ao humorista Mussum, falecido em 1994, a escola passou forte na Passarela, com bom canto e muito verde e rosa. A agremiação da Zona Norte fez o ensaio técnico neste sábado com 52 minutos. Um dos pontos a ser melhorado até o desfile oficial é o entrosamento entre alas e a regularidade do canto da comunidade. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
No início do ensaio, as alas demonstraram força e empolgação, principalmente a ala 3, ‘Samba é minha inspiração’. Pouco depois, a ala 7, que vai homenagear a Mangueira, escola do coração do ator, passou mais fria. As duas, assim como a maioria das alas vieram com a camisa do enredo e com bolas de festa verde e rosa, nas cores da agremiação. Quem também utilizou as cores foram as baianas, nas saias. As matriarcas também cantaram bonito. Abusando do verde e rosa, os passistas masculinos deram show, com muito samba no pé, que também marcou a apresentação das passistas femininas, que vestiam verde neon.
“Uma escola que tinha dez anos que não pisava na Sapucaí, eu acho que a gente cumpriu o papel que propomos para hoje. Ainda tem muito o que acertar mas acredito que estamos no caminho certo. É um enredo que além de ter comunicação imediata com o público, conta também com a bateria do mestre Átila, com algumas bossas que mexem tanto com a escola, tanto com o público. Aposto muito nessa empatia. A Lins Imperial é uma escola de bandeira pesadíssima. Vocês podem esperar a Lins com muita vontade de ficar no lugar dela, que é na Marques de Sapucaí”, disse Mauricio Dias, Superintendente de Carnaval.
Um dos grandes destaques da Lins Imperial foi a apresentação do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Jackson Senhorinho e Manoela Cardoso deram show na Sapucaí com linda exibição. A dupla mostrou entrosamento, elegância, carisma e competência. Com cerca de 1m50s de apresentação, o casal foi impecável e vestia tons vibrantes de verde e rosa, sendo ele com um terno e ela com roupa brilhante.
“Ficamos quatro anos na Intendente Magalhães, estar retornando na Marquês de Sapucaí com a escola que eu desci está sendo muito gratificante. É uma emoção muito grande, pois esse ano eu faço 15 anos de Lins Imperial. Vai ser marcante esse desfile. Não tenho palavras pra descrever a emoção, é mais do que isso, pois são todos os sentimentos reunidos. Fiquei sem mestre-sala um bom tempo, tive que fazer readaptações na minha dança e reciclagens. Veio pra escola e tivemos a sintonia perfeita”, disse a porta-bandeira.
“É meu primeiro ano como primeiro mestre-sala da Série Ouro. Com garra e com vontade de mostrar o porquê eu estou aqui. Ela veio pra ficar e aqui é o nosso lugar. Eu não recebi o convite da Lins no começo da pandemia, demorou um pouquinho. Mas acredito que tudo acontece do jeito que tem que acontecer. E essa fase de pandemia, de renovação dentro de mim e de dentro da escola, dentro do carnaval vem a casar e agregar positivamente”, completou o mestre-sala.
O samba em homenagem ao ator foi bastante cantado pela comunidade, principalmente do verso ‘Mussum, um trapalhão que inspira tanta gente’, até o fim do refrão. Logo após o refrão, a força do canto dá uma leve caída, da parte ‘Nêgo menino, lá no morro iluminado’ até ‘A sua estrela brilhou’. No geral, o canto da escola foi bom, com grande parte dos componentes entoando o samba do início ao fim. Contudo, ainda foi visto alguns componentes com a letra do samba no papel, principalmente os integrantes que se colocam nas últimas fileiras das alas. Sem deixar a peteca cair um só instante, os intérpretes Lucas Donato e Rafael Tinguinha fizeram ótimo trabalho na Sapucaí.
“Quando a Sapucaí ver toda a família do Mussum, toda a energia da escola bonita, linda demais, eu tenho certeza que vão se emocionar. O Mussum era um cara maravilhoso e todos têm ele no coração. O coração vai acelerar como é natural de um estreante, mas isso
não interfere tanto porque buscamos manter a maior calma possível”, citou Rafael Tinguinha.
“Primeira vez pisar na passarela ao lado desse cara (Tinguinha) que dispensa comentários, meu irmão de muitos anos é especial. A gente faz sambas juntos. Somos amigos, frequentamos as casas, socorremos quando preciso e assim vai. Eu gostei demais do ensaio, pode ser ainda melhor. Tá fluindo, tá rolando, colocando o samba no lugar. É um samba melodioso e irreverente. Estamos encontrando o meio termo. Para treino, gostei demais”, afirmou Lucas Donato.
Comandada por Mestre Átila, a bateria da Lins Imperial também fez bonito na Sapucaí. Logo ao entrar na avenida, fez uma coreografia aliada a uma bossa e levantou o público no setor três. No módulo dos julgadores após o segundo recuo, a ‘Verdadeira Furiosa’ fez outra bossa, mais curta, mas executada de forma correta. Danny Foxx, rainha de bateria da agremiação, esbanjou simpatia, elegância e carisma, mas poderia ter sambado um pouco mais.
Ao site CARNAVALESCO, mestre Átila revelou que vai desfilar com 251 ritmistas. Ele contou que todos vão representar o “Mumu da Mangueira”, de rosa e com cartola.
“Vai ser uma coisa linda, do jeito que ele gostava, ele merece. Estamos fazendo de tudo pra ajudar a Lins e ninguém aqui (da bateria) tem salário, é por amor. A satisfação é maravilhosa, montar e reorganizar uma bateria, sem falar mal do mestre Jorginho e mestre Adílio, estamos todos somando forças, mas a felicidade é enorme por conseguir montar um trabalho técnico em cinco meses, estou muito feliz. Vamos fazer uma bossa só no dia do desfile, que é em homenagem ao Mussum, aqui nós fizemos a bossa da Mangueira e impactou bastante, a galera curtiu. A do dia do desfile é a nossa cereja do bolo, precisamos de algo a mais do que a Lins tem, o andamento é maravilhoso, mas se tem o fator ousadia, temos que arriscar”, garantiu.
A escola evoluiu bem pela Sapucaí, não abriu buracos, correu ou desacelerou o passo. Contudo, foi percebido um desentendimento entre dois harmonias após a saída da bateria do primeiro recuo. Um deles pedia para a ala que estava na frente da ‘Verdadeira Furiosa’ correr, enquanto o outro não queria acelerar os componentes. Na apresentação do segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, a escola cometeu um erro. Enquanto a dupla exibia sua dança, outros cinco componentes coreografados invadiram o espaço do casal. Ao perceber o ocorrido, um harmonia correu para consertar a situação. No mais, todas as alas se comportaram bem, se mostraram animadas e organizadas.
O ensaio estava previsto para às 21h, mas começou quase às 23h por conta do atraso do início do desfile das escolas anteriores. A escola também trouxe um bonito pede passagem com o rosto do comediante, e à frente do tripé, componentes carregavam o nome ‘Lins’ e ‘Mussum’, em grandes balões de aniversário. Colado a eles, quatro integrantes da agremiação vestiam chapéus com o rosto de todos os ‘Trapalhões’. Já mais para o fim da apresentação, entre alas, um jovem simulava Mussum, vestido de verde e rosa e com reco-reco, instrumento tocado pelo ator.
Depois de honrar a memória de Mussum com um grande ensaio técnico, a Lins Imperial promete um bom desfile em abril. A escola tem poucas coisas a melhorar, mas deixou claro que não quer retornar à Intendente Magalhães. Primeira escola de quinta-feira, dia 21 de abril, a verde e rosa tem a missão de abrir o segundo dia, mas com componentes comprometidos e desfile leve e bem humorado, as expectativas são as melhores para a agremiação.
Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Nelson Malfacini, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz
No gás final para o tão aguardado desfile das escolas de samba, em abril, a Beija-Flor retornou seus ensaios de rua, na noite do último sábado. Uma mudança simples de dia, que costumava ser aos domingos, fez a Avenida Mirandela encher de nilopolitanos fervorosos e dispostos a gritar o samba sem parar. Com uma harmonia invejável e uma evolução categórica, a azul e branca de Nilópolis parece ter a receita certa para tudo funcionar no grande dia. O ensaio não contou com a presença dos componentes da Comissão de frente e seu ponto alto foi o canto.
Diferente do que aconteceu nos últimos ensaios, dessa vez, a data apontava para um sábado. A previsão era de chuva e uma frente fria se aproximava. Mas, nem a natureza estragaria um dia de graça. As nuvens não vieram e a lua virou espectadora, em um céu estrelado, que testemunhou um ensaio digno da Deusa da Passarela. A Avenida Mirandela, palco de diversos ensaios de rua, aos domingos, estava lotada. Das varandas, os moradores gritavam em busca de serem notados pelos defensores de um pavilhão idolatrado. Era a Beija-Flor que passava de forma contagiante.
Não parecia só um ensaio de rua. Parecia uma escola de samba que estava se despedindo do povão para ir desfilar já no dia seguinte. Porém, o melhor é que o dia de hoje ainda tem mais algumas datas para se repetir. A mudança do dia funcionou porque era visível que tinha muito mais gente para aplaudir, pedir fotos com Claudinho e Selminha, gritar o nome da Raíssa e gravar stories dos passistas. Dudu Azevedo, diretor de carnaval, explicou a mudança para o sábado e já aprovou a nova data.
“Muita gente começou a falar que, fazer os ensaios aos sábados, deixaria os domingos livres. Aqui, aos domingos, acontece uma feira e a gente só armava as grades depois dela. Fazendo sábado, logo cedo a estrutura já estava pronta. E acho que a gente acertou, porque ficou bem cheio… O nosso povo está aqui e fizemos um grande ensaio. Presenteamos a nossa população, que é apaixonada pela escola”, explicou.
Harmonia e Samba-Enredo
O canto dava pra se ouvir de longe. Era como se todo mundo tivesse disposto a gritar de forma minimamente afinada, que nem era a exigência quando Dudu Azevedo avisou aos componentes: “não quero ninguém cantando. Quero todos gritando o samba”. E assim foi feito do início ao fim. O canto não caiu e, se tem uma coisa que eles amam, é esse samba.
Samba, que é devidamente coreografado. Todos sabem a hora de levantar um braço ou bater no pulso. Como quem tem feitiço na letra, é encantador a forma como os nilopolitanos tomaram o samba-enredo como hino da vida deles. E o público vai junto com o carro de som. A equipe de cantores não deixa nada a dever e entrega mais que o necessário para que o ensaio aconteça. Bem entrosados, o time ajuda a agitar a massa nilopolitana.
O público canta o tempo inteiro, com uma ressalva: eles só param de cantar para gritar a rainha e o casal.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Casal que era só amor com a turma da grade. A população foi para rua, chamava e iam Claudinho e Selminha levarem a bandeira. Por todo lado eram aplausos e um assédio aconchegante, que mostra o quão ícones da escola eles são.
Fotos de Allan Duffes/site CARNAVALESCO
“Lá no Sambódromo você tem o palco e tem que atender a algumas regras. Aqui, a gente tem que atender o carinho do nilopolitano. É lindo eles verem o patrimônio da cidade deles, que é a Beija-Flor, passando pertinho. Nem todo morador de Nilópolis desfila na escola, mas ama a Beija-Flor e seus artistas que fazem a diferença lá na Marquês de Sapucaí”, disse Selminha Sorriso.
Sobre a apresentação, nunca é qualquer coisa. Eles que apresentaram um pouco do levarão ao desfile, ainda prometem guardar surpresas, embora tudo o que eles fazem ainda parece ser uma surpresa. Falando no desfile, o de 2022 será o trigésimo em que dançam juntos, sendo 27 pela Beija-Flor.
Neste sábado de Mirandela cheia, Selminha era leveza. Quanto ao Claudinho, o que ele faz dançando parece tão sofisticado que não é uma questão para poucos, mas sim só para ele mesmo. É capaz de flutuar e pousar sem correr nenhum risco.
Evolução
Risco zero é o que parece ser a evolução da escola. Ninguém parado, ensaio fluindo e ainda deu para terminar com bastante calma. A direção de harmonia era só sorrisos, assim como o diretor de carnaval, que comemorou a apresentação da noite.
“A gente vem fazendo os ensaios direto, às quintas-feiras. A quadra já dá uma visão de trabalho muito boa, mas claro que a rua é fundamental. O canto está muito forte, a evolução está alegre e solta. Temos quase certeza de que teremos o resultado desejado”, disse Dudu Azevedo.
Outros destaques
Quem também brilhou nessa volta da Beija-Flor às ruas foram os passistas. Extasiados, eles faziam de tudo para levantar o público. É claro que conseguiram e ainda arrancavam calorosas reações da plateia. O grupo de rapazes que possuída pandeiros nas mãos, ainda arriscavam umas acrobacias. Mais um motivo para fotos e gritos de incentivo de todos os lados.
Agora, aparentemente a azul e branca de Nilópolis tem um novo dia para ensaiar e mil motivos para se encher de esperança para a apuração. Como carnaval só se resolve no desfile, o que precisa ficar para o torcedor é a expectativa e a confiança de que os filhos de Abrãao estão trabalhando forte por um final feliz.
O diretor de marketing da Liesa, Gabriel David, fez algumas publicações neste sábado para esclarecer o que está permitido de comida e bebida que o público possa levar para o Sambódromo, nos ensaios técnicos, que começam com três escolas da Série Ouro. Ele reconheceu que a Liga falhou na comunicação inicial, já que foi bastante reestritiva e causou preocupação nos sambistas.
“A cervejinha para o consumo próprio pode ser levada. O que está proibido é que os ambulantes circulem dentro do Sambódromo vendendo produtos para outras pessoas. Para consumo próprio, tanto bebida, quanto comida, podem ser levadas pelo público. Pequenas quantidades de comida e bebida podem entrar. A gente tinha vários problemas de liberação dos ensaios técnicos (por parte do poder público) por venda de produtos ilegais que aconteciam ali dentro. Lá dentro, a cerveja será R$ 5 e vai ser muito fácil de comprar do que era no passado. Não vamos criar alvoroço em cima disso. Reconheço que a primeira comunicação foi muito reestritiva por parte da Liga. Foi um erro nosso. Existe uma questão de segurança e jurídica que precisamos atender para os ensaios técnicos serem realizados”.
Gabriel David respondeu também e negou a possibilidade de cobrança de entrada para os ensaios técnicos. “Todos os ensaios técnicos são 100% gratuitos. Assim como, a água que será oferecida pela Águas do Rio para o público em todos os setores do Sambódromo. Arquibancadas e frisas são 100% gratuitas em todos os ensaios. A Liga, inclusive, está indo atrás de pessoas que falsamente estão cobrando valores, de forma indevida, e não podem. Não paguem! Os ensaios técnicos tem que ser do povo e de forma acessível. A ideia é que lá dentro seja o mais barato possível, lógico que nem tudo que a gente imagina, conseguimos realizar no primeiro momento. Estamos mudando todo o sistema de bebida e comida no Sambódromo, inclusive, para os desfiles”.
Por fim, Gabriel David falou sobre a iniciativa da Liesa de transmitir ao vivo todos os ensaios técnicos do Grupo Especial pelo YouTube. “As transmissões vão ser ao vivo todos os domingos. Todas escolas daquele. Ainda não consigo fazer para o Grupo de Acesso neste primeiro momento. Estamos utilizando para transmissão o antigo canal da Liesa, que possui 20 mil inscritos, e agora será o Rio Carnaval. O Milton Cunha vai comandar as transmissões”.
Símbolo da cultura e resistência do povo preto da Baixada Fluminense, a Beija-Flor de Nilópolis fez festa na quinta-feira, em sua quadra e seu barracão, para receber um grupo de intelectuais e influenciadores digitais negros chamados para o desfile de 2022. O enredo deste ano é “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, uma exaltação à inteligência negra brasileira — detalhes do tema foram conhecidos pelo grupo de convidados, que inclui nomes como a cantora Teresa Cristina e o ator e escritor Rodrigo França, entre outros.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
No fim da tarde, a azul e branca abriu sua Fábrica de Sonhos na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro, para que os convidados pudessem conhecer detalhes do desfile desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada a partir de ideias pensadas coletivamente pela comunidade nilopolitana. Louzada conta com o apoio do grupo de artistas negros André Rodrigues, Fabynho Santos e Rodrigo Pacheco no processo de criação.
Do barracão, os intelectuais e influenciadores foram guiados à quadra, em Nilópolis, onde assistiram ao espetáculo embalado pela bateria “Soberana”, dos mestres Plínio e Rodney e da rainha Raissa de Oliveira; pela voz sem igual de Neguinho da Beija-Flor; pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso e também pelos demais segmentos da agremiação.
‘Mais que urgente’, diz França
Além de Teresa Cristina e de Rodrigo França, a “comitiva” incluiu a escritora Katiuscia Ribeiro; a acadêmica Winnie Bueno; a escritora e roteirista Eliana Alves Cruz; o advogado Joel Luiz Costa, junto da equipe do Instituto de Defesa da Pessoa Negra e a economista Giselle Florentino, com o time da Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial. Todos receberam camisas do enredo da Beija-Flor para este ano e foram convidados a se apresentar com a escola: ela é a sexta e última a desfilar no dia 22 de abril, sexta-feira, na Sapucaí.
“Fico lisonjeado. Como professor de Filosofia, o enredo da Beija-Flor me parece um mecanismo de democratizar o saber: a escola de samba volta à sua vocação de traduzir o que o povo e a comunidade pensam sobre si e a sociedade em geral. Empretecer é mais do que urgente num país em que 56% da população se declara como negro e negra e também diante do apagamento que a nossa população sofre. É uma honra estar junto com a escola”, disse França.
Katiuscia Ribeiro fez coro a França, elogiando os detalhes apresentados no barracão e na quadra:
“É fundamental empretecer o pensamento e trazer uma outra narrativa que reconheça a verdadeira história dos povos negros. As escolas de samba são espaços de construção de pensamento e saber, e isso irá atravessar a Avenida com uma história potente. Parabéns à Beija-Flor por trazer a verdade: porque verdade é poder. E reconhecer a nossa trajetória enquanto negros permitirá um futuro grandioso para todos nós”, finalizou Katiuscia.