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Em Cima da Hora abre a temporada de ensaios técnicos na Sapucaí com bela apresentação do casal e carro de som

O que se viu foi uma Em Cima da Hora muito empolgada com a felicidade por estar de volta a Sapucaí estampada no rosto e nas camisetas dos componentes

A Em Cima da Hora ‘sublimou em poesia’, como diz o samba “33 – Destino Dom Pedro II”, uma reedição de um clássico do carnaval de 1984, na abertura dos ensaios técnicos da Série Ouro no Sambódromo. A comunidade do bairro de Cavalcanti pode enfim voltar a desfilar na avenida Marquês de Sapucaí, após sete anos de hiato. O samba-enredo interpretado por Ciganerey contagiou não só os componentes da escola, como também o público das arquibancadas. Casal e bateria também foram os pontos fortes do treino, que durou 55 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

“Ensaio válido, considerando o canto da escola e os segmentos que vieram em massa. Fizemos um grande ensaio, a comunidade Cavalcanti está de parabéns, assim como o Morro da Primavera. Estou muito satisfeito com o resultado final desse nosso primeiro ensaio técnico na Sapucaí. Mas ainda sim, deu pra ver que a gente precisa acertar alguns detalhes antes do grande dia. A gente está falando de um samba de 1984, então mais do que nunca a gente tem a certeza, de que quando a gente pisar na Marquês de Sapucaí no dia 20 de abril, a gente vai ter a empatia do público e isso vai ser sensacional. Podem esperar uma escola com muita garra, determinação, comprometimento, muito bem acabada e detalhada. Me atrevo a dizer que será o maior carnaval da Em Cima da Hora de todos os tempos”, garantiu Flávio Azevedo, diretor de carnaval.

A comissão de frente da Em Cima da Hora, coreografada por Carlinhos de Jesus, veio leve e solta para ensaiar suas marcações na avenida e apresentar a escola. Os componentes da azul e branco de Cavalcanti cantaram forte o samba de Guará e Jorginho das Rosas, do começo ao fim. As baianas vieram de branco, com detalhes em azul na cintura e na cabeça. Foi uma das alas que mais cantou.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Johny Matos e Jackeline Gomes esbanjaram sintonia, tanto entre eles, quanto com o samba da escola. A coreografia dos dois dialogava diretamente com o breque executado pela bateria. Eles se entendem no olhar. Sempre sorrindo e cantando o samba-enredo, esse casal conquistou o público presente nas frisas e arquibancadas do sambódramo. As roupas de ambos era prateadas, com direito a muito brilho e espelhinho na saia dela, provocando um belo efeito quando ela girava com o pavilhão.

“É um pré desfile, principalmente, esse ano depois de dois anos longe da Marquês de Sapucaí. Foi maravilhoso e muito produtivo. A tendência é melhorar ainda mais para o desfile oficial e por isso consideramos importante, pois é onde colocamos em prática o que ensaiamos. Apesar de não termos feito toda a coreografia dos jurados, alguns pontos sim e outros não. Deixamos um fator surpresa pro dia do desfile. A tendência é estar no desfile muito mais preparado, acima de tudo o que fizemos aqui hoje. Vamos vir representando o tempo. As engrenagens de todo esse tempo, como demoramos numa viagem de trem. O tempo que a gente espera, todas as engrenagens da vida, o tempo da vida”, revelou a porta-bandeira.

“É muito importante testar o chão novo da Sapucaí. Também é importante para o preparo para a gente ver como vai a nossa coreografia e o tempo certo de jurado. Estamos confiantes no nosso trabalho que está muito bom”, completou o mestre-sala.

O samba-enredo pode até ter sido composto na década de 1980, mas continua tão atual quanto nunca. Tecenndo críticas ao transporte público precário e à inflação econômica, a obra também faz referência à vida do suburbano que pega um trem lotado para se locomover pela cidade. O carro de som, puxado por Ciganerey, segurou o canto da escola e contagiou o público. Os trechos do samba “Não é mole não/ Com a inflação/ Almejar as regalias/ Do progresso da nação” e “Não é tão mole/ Andar de pingente no trem” foram cantados com vigor pela comunidade.

“Vi as pessoas cantando, é um samba antológico. As pessoas estavam muito animadas no geral e felizes. Eu acho que vai ser a grande explosão (o samba). É belíssimo, todos gostam de ouvir e a Sapucaí estará cheia. Se Deus quiser será um grande carnaval e aí é só correr para o abraço”, brincou o intérprete Ciganerey.

A bateria Sintonia de Cavalcante, comandada por mestre Wando, empolgou as pessoas que acompanhavam o ensaio da Em Cima da Hora. O ritmo se manteve firme, dando sustentação ao carro de som e ao canto dos demais componentes da escola. Era possível ouvir com clareza cada naipe de instrumentos. Destaque especial para uma bossa mais longa e muito bem executada, que faz referência ao funk carioca. Sambando à frente da bateria veio a rainha, Tania Daley, e o rei, Jorge Amarelloh.

“Em questão de ritmo eu não tenho muito o que falar, graças a Deus os ritmistas fizeram um bom ritmo hoje. Temos que alinhar algumas coisas, é normal, isso é questão de ensaio, faz parte. Não estamos tendo muito ensaio com o carro de som, tivemos dois, contando com esse de hoje aqui na Sapucaí. Acho que mesmo sem tantos ensaios conseguimos fazer um bom trabalho, apesar de algumas falhas, o que é normal, acontece, o ensaio é pra isso, pra acertar os erros. Tenho certeza que no desfile nossa bateria vai estar 100%. O samba é muito bom, histórico. Temos bossas que representam o trombadinha que é falado no samba e também o paquera apanha, que é quando entra o funk”, contou o mestre, que terá 240 ritmistas na Avenida.

Os componentes da Em Cima da Hora passaram com muita alegria e leveza pela passarela do samba. As alas da escola eram compactas, algumas com poucos integrantes, mas preenchendo todos os espaços da avenida. A ala dos passistas veio com roupas azuis de muito brilho, chamando atenção pelo canto e pelo samba no pé. O ensaio fluiu de forma natural, sem erros que pudessem comprometer a evolução da escola.

O que se viu foi uma Em Cima da Hora muito empolgada com a felicidade por estar de volta a Sapucaí estampada no rosto e nas camisetas dos componentes. Baianas, passistas, ritmistas, diretores… Todos os segmentos da escola se mostraram animados com esse retorno. É a comunidade de Cavalcanti e do Morro da Primavera trazendo toda a sua garra e tradição no carnaval carioca. Sublimaram a Sapucaí em poesia do começo ao fim.

Foi um importante ensaio para que a escola fizesse um reconhecimento da pista de desfile. Ficou nítida a grandiosidade deste samba, entoado pelas alas que passaram pela avenida. Alguns componentes não sabiam a letra por inteiro, mas ele ainda terão mais de um mês para aprender. A Em Cima da Hora será a primeira agremiação a desfilar na Sapucaí, quarta-feira, dia 20 de abril. O enredo “33 – Destino Dom Pedro II” é uma reedição de 1984.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Nelson Malfacini, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz

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