Início Site Página 126

Grande Rio representa o maior bloco de carnaval do mundo na Sapucaí

0

Trazendo o carnaval de Recife para a Sapucaí, a ala ‘Festejos Populares’ representou as manifestações culturais pernambucanas no desfile da Grande Rio. A escola celebrou o movimento Manguebeat, encabeçado por Chico Science na última noite de desfiles do Grupo Especial.

Criando um espelhamento de Recife com Caxias, a ala homenageou o galo da madrugada com estandartes em punho e nas cores da fantasia clássica de palhaço. Mesclando o espírito festivo característico do brasileiro a cultura regional, a ala expõe a natureza festiva dos brasileiros.

stephaniegranderio

“O principal povo que sabe festejar é o brasileiro. Essa ala representa muito bem, pois o Brasil é isso!”, declarou Stephanie Calado, componente da ala.

O galo da madrugada é a celebração carnavalesca mais conhecida do estado, e detém o Recorde Mundial de maior bloco carnavalesco do mundo desde 2010. A festa evoca carnavais antigos e enche as ruas do centro histórico de Recife com programação de blocos e o tradicional frevo. E o carnaval, como o maior palco de manifestações culturais do país, dá lugar a narrativas que complementam a folia.

“Eu acho que o Carnaval consegue trazer qualquer tipo de cultura, ele consegue representar, ele consegue trazer história, então eu acho que consegue representar qualquer tipo de manifestação que tem, e da melhor forma, que é festejando”, afirmou.

Em adição, Stephanie ressalta o valor da multipilicidade cultural do Brasil, e que deve ser inserido e valorizado no carnaval do Rio de Janeiro

“O Brasil é multi cultura, tem todo tipo de cultura, então tem que ser trazido para qualquer tipo de festa. E o Carnaval é o maior espetáculo do mundo, não tem como não trazer essa representação para a Sapucaí”, afirmou.

Com a temática inovadora do carnaval da Grande Rio, o folião Alexandre Ferreira, componente da ala, destacou a importância de dar protagonismo a narrativas fora do eixo Sudeste.

“Acho porque a gente não pode só ver só o nosso espaço, como só a Grande Rio, só o Rio de Janeiro. Também tem que falar também das outras, e eu acho interessante isso”, declarou.

Público analisa último dia de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

0

Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro foram as agremiações que passaram pela Marquês de Sapucaí nesta terça-feira de carnaval. As apresentações tiveram como destaque a ancestralidade caribenha e brasileira, celebração da cultura do mangue e homenagens a ícones do carnaval. Os espectadores se contagiaram com os desfiles e se mantiveram ligados aos detalhes e desempenho de cada escola.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Paraíso do Tuiuti

Paraíso do Tuiuti 2026 apresentou o enredo Lonã Ifá Lukumi sobre a resistência da tradição iorubá em Cuba e a força do oráculo de Ifá na Sapucaí.

tuiuti desfile 2026 39

No meio da arquibancada, o Paraíso do Tuiuti dividiu opiniões entre emoção e análise técnica, mas saiu da Avenida com forte repercussão popular no primeiro dia de desfiles.

Torcedor da Grande Rio, Anderson Alberto, 35 anos, ajudante de pedreiro, fez questão de reconhecer o impacto da escola no setor 1.

tuiuti desfile 2026 40

“Um espetáculo as alegorias, as fantasias e o samba rendeu muito no setor 1, incrível como todos cantaram e pularam vibrando pela escola. Tuiuti impressionou, mas infelizmente a escola teve problemas técnicos com os carros e não sabemos como os jurados vão avaliar isso”, afirmou.

Já João de Souza Pinto, 50 anos, faxineiro, acompanhou pela terceira vez o desfile da azul e amarelo e destacou a força do enredo como ferramenta de aprendizado.

“A Tuiuti chegou arrepiando a todos, era impossível conter a emoção com a história apresentada pela escola. A cada ano, eu, homem de pele branca, aprendo cada vez mais com a escola as histórias do povo negro que não são contadas na escola e nem apresentadas a sociedade. O carnaval é história, é cultura, é samba e macumba”, celebrou.

Vila Isabel

Homenageando Heitor dos Prazeres, a Vila Isabel encantou os espectadores com sua riqueza de detalhes nas alegorias e todo legado que carrega. A escola celebrou o resgate da fundação do samba, da ancestralidade negra e de Tia Ciata, que abriu portas para de sua casa para a espiritualidade e musicalidade, e teve um papel fundamental na espiritualidade de Heitor, por ter sido sua mãe de santo.

vila isabel desfile 2026 44

Arthur Batista, ator e músico de 15 anos, torcedor da Grande Rio, assistiu ao desfile da Vila e afirmou que o destaque da agremiação foi as alegorias, que estavam bem feitas, grandes e ricas nos detalhes.

arthurbatista

“Eu achei um desfile muito potente, muito bonito. Eles contaram a história do samba, sobre a Tia Ciata e como era tudo lá nos anos 30. Eu, pessoalmente, sou da Grande Rio, mas eu achei um desfile muito bonito esse da Vila Isabel. Muito colorido, muito bem feito, muito bem cantado, a torcida… eu fiquei muito impressionado, principalmente com as bandeiras, que estavam parecendo até de time de time de futebol. Eu achei o desfile muito bonito”, afirmou Arthur.

Edneia Nascimento, secretária de 56 anos, se encantou com a comissão de frente e sua evolução com auxílio do tripé.

edineia povofala

“Achei o desfile muito interessante, pessoal com muita energia, as fantasias estavam belíssimas, os carros, foi muito bonito. Adorei”, declarou Edneia.

Grande Rio

A Acadêmicos do Grande Rio levou para a Sapucaí 2026 o enredo “A Nação do Mangue”, uma homenagem a Pernambuco e ao movimento Manguebeat, surgido em Recife nos anos 1990. O samba celebrou a resistência periférica, o caranguejo como símbolo e a força dos tambores, citando figuras como Chico Science, com composição de Ailson Picanço e outros.

grande rio desfile 2026 11

A comissão de frente da Acadêmicos do Grande Rio conquistou o público e se tornou, para muitos, o grande momento do desfile. Com caranguejos cenográficos, movimentos coreografados e uma troca de figurinos que surpreendeu quem estava atento aos detalhes, o segmento abriu o cortejo com impacto visual e arrancou reações entusiasmadas na Sapucaí.

grande rio desfile 2026 06

A auxiliar, Joyce Silva Cruz Braga Nunes, de 45 anos, acompanhou a apresentação da escola e avaliou que a Grande Rio saiu forte na disputa pelo título. Afirmou que adorou o desfile e demonstrou confiança no resultado.

“Eu achei que a escola veio com muita força e tem grandes chances de ganhar. Agora é torcer, porque foi um espetáculo”, disse. Questionada sobre o que mais a impressionou, Joyce destacou a comissão de frente. “Aqueles três caranguejos chamaram muita atenção. E quando eles subiram e trocaram de roupa, ficou ainda mais interessante. Foi um efeito muito bonito de ver”, contou.

A copeira, Ana Valente, de 40 anos, também se encantou com a apresentação. “As musas estavam lindas, tudo muito bem apresentado”, comentou. No entanto, assim como Joyce, Ana fez questão de ressaltar a comissão de frente e a ala das baianas. “A ala das baianas estava linda demais, mas a comissão de frente arrasou. Aqueles caranguejos foram o grande destaque para mim”, afirmou.

Salgueiro

Salgueiro encerrou a última noite de desfiles apostando no enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, celebrando a trajetória da carnavalesca Rosa Magalhães. O público se maravilhou com o desempenho da agremiação.

salgueiro desfile 2026 45

O consultor cirúrgico, Lucas Maciel, de 27 anos e salgueirense de coração, se sentiu satisfeito com o desempenho da agremiação. Para ele, as fantasias e o canto dos componentes foram os destaques da noite e os maiores responsáveis por dar energia aos que estavam assistindo o desfile.

lucasmaciel povofala

“Salgueiro é incrível. Todo ano traz uma representatividade pra gente e esse ano, com toda certeza, não deixou a desejar. Eu tô muito feliz de ter participado, de compartilhar esse momento com a escola e eu tô indo embora satisfeito, muito feliz”, afirmou Lucas.

Ana Beatriz de Andrade, médica de 23 anos, se surpreendeu com o desempenho da agremiação. Para ela, o destaque da noite foi as alegorias, por apresentarem uma estética diferente dos outros anos.

anabeatriz povofala

“Achei lindo, um desfile muito emocionante, com várias expectativas diferentes, muita coisa diferente, muito legal”, afirmou Ana.

Na Sapucaí, o julgamento oficial acontece nas cabines. Mas o veredito emocional nasce nas arquibancadas. E se depender da reação do público, o carnaval na Marquês de Sapucaí finalizou em nível máximo de intensidade, agora é aguardar a apuração para ter a campeã do carnaval 2026.

Salgueiro exalta a força da devoração e transforma Rosa Magalhães em símbolo voraz na Sapucaí

0

A quarta alegoria do Acadêmicos do Salgueiro surgiu imponente na Avenida com o enredo “Devorei a nação” e colocou o público diante de um Brasil pensado a partir da devoração. Nas prateleiras abaixo do Equador, como propôs o conceito do carro, não havia pecado, tinha comilança simbólica, mistura, reinvenção. A escola apresentou uma brasilidade construída no gesto de engolir referências e transformá-las em linguagem própria, retomando o pensamento crítico e inventivo de Rosa Magalhães.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Longe de qualquer ideia ingênua de natureza tropical, a alegoria apostou no imperativo antropofágico como chave de leitura do país. Formas selvagens, frutos exuberantes e imagens de terra abundante se espalharam pela composição. A presença indígena apareceu como eixo estruturante: não como figura romantizada, mas como agente central dessa lógica de criação, portadora de saberes que tensionam as interpretações do Brasil.

alegoriasalgueiro1

Do banquete artístico que marcou a trajetória de Rosa, nasceu a imagem do grande bicho-papão que dominou o carro. A criatura, já evocada em outros momentos da obra da carnavalesca, condensou referências da cultura popular e dos signos da natureza brasileira. O resultado foi um monstro simbólico que convidou o público a repensar as imagens do país, um ser-devorador reconstruído a partir de personagens que marcaram carnavais anteriores.

A estética adotada foi assumidamente moderna, com retalhos, restos e estruturas aparentes, dialogando com soluções visuais já exploradas pela artista em diferentes momentos de sua trajetória. O movimento cênico também teve papel central: luzes, encenações e surpresas internas reforçaram a ideia de transformação constante, como se o próprio carro estivesse em processo de metamorfose diante da plateia.

alegoriasalgueiro2

Na linha de frente da alegoria, a artista plástica Rafa Bqueer, de 33 anos, ocupou o posto de primeiro destaque e falou sobre a emoção de viver aquele momento. Ela contou que se apaixonou pelo Carnaval ainda na infância, especialmente pelo trabalho de Rosa Magalhães, e afirmou que estar ali representava uma homenagem dupla, à escola e à carnavalesca.

“O Carnaval é uma referência artística para o Brasil e para o mundo, é também uma intelectualidade preta. Eu, como pessoa trans, acredito que precisamos ocupar esses espaços de destaque. Somos capacitadas, temos qualidade artística e intelectual para estar aqui”, afirmou.

rafasalgueiro

Rafa ainda citou que seu trabalho nas artes visuais e na drag dialoga com essa ideia de transformar referências para criar algo próprio, e avaliou que o Salgueiro honrou a memória de Rosa ao exaltar o Brasil de forma crítica e potente.

Integrando a composição do carro, o enfermeiro Arthur Filipo, de 25 anos, que desfilou pela escola há três anos, destacou o impacto visual da alegoria e contou que a proposta trouxe uma linguagem mais tecnológica e vibrante dentro do enredo, o que tornou a experiência ainda mais especial.

arthursalgueiro

“É maravilhoso fazer parte dessa composição. A gente trouxe um lado diferente, mais carnavalesco e real, algo que a Rosa sempre apresentou. Minha fantasia dialogou com essa ideia de devorar para criar, e eu acredito que foi um desfile grandioso”, comentou.

Também na alegoria, a analista de sistemas Juliana Kiciak, de 41 anos, que desfilou há seis anos pela escola, ressaltou o peso histórico do carro. Ela afirmou que participar daquela apresentação significou ajudar a contar a história dos carnavais de Rosa Magalhães.

juliana2 salgueiro

“Esse carro representou muito do conceito de antropofagia que Rosa Magalhães desenvolveu ao longo da carreira. O público viu na Avenida o trabalho de encenação e as transformações acontecendo dentro do carro. Foi isso que mais me marcou”, completou.

Ao devorar símbolos, estilos e narrativas, o Salgueiro não apenas revisitou a obra de Rosa Magalhães, mas reafirmou sua capacidade de transformar memória em espetáculo. No fim das contas, a grande comilança proposta na Avenida mostrou que o Carnaval segue sendo o espaço onde o Brasil se reinventa e mostra ao mundo para falar de si.

Raízes que apontam o amanhã: Velha Guarda da Grande Rio transforma memória em futuro na Sapucaí

0

A Velha Guarda “Raízes de Caxias”, da Acadêmicos do Grande Rio, trouxe a reflexão sobre o amanhã no desfile da madrugada desta quarta-feira (18), na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “A Nação do Mangue”, a terceira escola a cruzar a Avenida apresentou uma fantasia com o tema: “Quando você não ouve seus passos, você perde o chão”, conectando passado e futuro como partes de uma mesma travessia. Ao CARNAVALESCO, componentes da ala falaram sobre ancestralidade, educação e resistência como pilares para construir novos caminhos.

velhaguarda2 gr

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A ideia de Antônio Gonzaga, carnavalesco da escola, era de inserir a Velha Guarda na construção da projeção do futuro a partir das bases que sustentam a história da agremiação. A base se inicia na compreensão de que o amanhã não se constrói sem memória, e que as raízes de Duque de Caxias são o solo firme sobre o qual a escola ergue suas narrativas.

Para Pedrinho Naval, 72 anos, aposentado e diretor da ala, ouvir os mais velhos é um gesto de sobrevivência cultural.

pedrinhonaval gr

“A gente pensa no amanhã, porque o mundo está se acabando em violência, mas a Velha Guarda é resistência. E a gente busca passar isso para os mais novos, a educação é a chave. A ancestralidade é tudo e ela que guiava a educação dentro da minha casa, o costume de pedir a benção”, afirmou.

Ele reforçou o papel ativo dos veteranos dentro da escola: “Eu falo sempre para a minha Velha Guarda; ‘Nós somos jovens que deram certo, nós não somos velhos’. A Grande Rio cultiva muito o amor ao samba nos mais novos, um exemplo é a Pimpolhos da Grande Rio”.

Rosângela Cardoso, 65, enfermeira aposentada, também destacou a importância de manter vivos os ensinamentos recebidos na infância.

rosangela gr

“Eu sempre ouvi os mais velhos, fomos educados pedindo bença, dizendo onde íamos, perguntávamos que horas podíamos voltar, hoje não existe mais isso”, avaliou.

Para ela, cultivar o amor pelo samba desde cedo é parte desse processo formativo.

“O amor pelo samba no meu caso começou aos 8 anos no Império Serrano, na Grande Rio, temos a Pimpolhos, onde incentivamos esse amor, eles aprendem também, tem aula de tudo, de inglês e até ballet”.

Maria das Graças, 73, aposentada, emocionou-se ao lembrar da própria trajetória no samba.

mariadasgracas gr

“Na minha criação eu ouvia muito os mais velhos, a ancestralidade e acho isso fundamental, assim como cultivar o amor ao samba desde pequeno. Se eu pudesse seria até professora para ensinar e fazer com que mais jovens gostassem”, disse.

Ela relembrou o início aos 15 anos na Portela e celebrou duas décadas na escola de Caxias.

“Vim passando mal, mas não quero nem saber, eu quero é estar na Avenida com a minha escola. É muita emoção, não tem como não estar aqui. O carnaval para mim é amor”.

 

Salgueiro 2026: galeria de fotos do desfile

0

De volta para casa: Salgueiro finaliza desfile com Rosa Magalhães retornando à agremiação

0

A carnavalesca Rosa Magalhães deixou seu legado não só no Salgueiro, como em todo universo carnavalesco. Neste ano, a agremiação apostou no enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, celebrando a vida de uma das maiores carnavalescas do Brasil e suas produções artísticas.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A última alegoria, “Eis a flor dos amanhãs: A filha da Revolução”, retrata o seu retorno ao Salgueiro, com referências à Revolução Salgueirense, Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, além de referenciar sua coroação.

alegoria salgueiro

Teresa Falcão, diretora de teatro de 61 anos, decidiu participar do desfile deste ano pela homenageada, que era sua amiga. Ela se sentiu honrada em ter a oportunidade de participar desse momento em que a Sapucaí toda celebrará a vida de sua amiga.

teresa salgueiro

“A Rosa é uma grande carnavalesca, na verdade uma grande artista que o Brasil tem, porque o legado dela fica aqui e isso é uma das coisas mais bonitas do samba quando fala do legado da Rosa, que formou tantos carnavalescos, que deu tanta alegria. É uma honra imensa estar nesse carro, fazer parte da vida da Rosa de alguma forma e saber que a Rosa fez parte da minha vida”, declarou Teresa.

O atual carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis, João Victor Araújo, de 41 anos, foi um dos amigos de Rosa presentes no carro. João conta que dividiu o carnaval de 2023 com a carnavalesco, na Paraíso do Tuiuti, que fortaleceu os laços deles.

joaovitor salgueiro

“É a nossa matriarca. É a gente olhando para o passado, olhando para ela como uma pioneira, sabe, das artes visuais do Carnaval. Se hoje eu sou, se hoje nós somos, é porque a Rosa foi. A Rosa merece, é digna de todas as homenagens. Se a Rosa for enredo o ano que vem, estarei aqui novamente. Se ela for enredo em 2028, estarei aqui novamente, porque ela tem histórias para mais de 10 carnavais”, afirmou João Victor.

Poliana Rodrigues, relações internacionais de 31 anos, desfila no Salgueiro há 2 anos e afirma que foi um acerto muito grande do carnavalesco em homenageá-la.

poliana salgueiro

“O trabalho que é feito com a gente é sempre muito sério, de passar todas essas informações pra gente, porque e a gente sabe que não é só estar aqui em cima e cantar o samba. A gente sabe tudo que isso representa, todas essas pessoas que estão aqui. Eu acho que a gente viu nos ensaios o samba crescendo e culminando aí no último ensaio técnico que a gente sustentou cantando o samba por mais de 10 minutos e foi catártico, muito emocionante, muito bonito, e eu acho que é isso que a gente vai ver na noite de hoje”, disse Poliana.

O diretor de teatro, João Batista, de 64 anos, desfilou no Salgueiro há muitos anos e retornou neste ano para homenagear sua colega de trabalho, Rosa Magalhães. Ele destaca a importância da agremiação em escolher celebrar a vida dela, uma vez que foram eles que iniciaram a revolução no carnaval.

joaobatista salgueiro

“Eu sinto a coisa que o samba fala, do legado da Rosa de uma forma muito forte. Trabalhei com a Rosa em mais de 20 desfiles fazendo coreografia, carros teatralizados e acho que o legado dela está muito presente nesse desfile todo. Pelo que eu vi passar nos carros, acho que ela vai estar muito presente e deve estar muito feliz onde estiver”, contou João.

Celebrar a vida de Rosa, é celebrar o carnaval, é celebrar o protagonismo das mulheres e a Marquês de Sapucaí como um grande palco de aprendizagens, arte e festa.

Grande Rio 2026: galeria de fotos do desfile

0

Unidos de Vila Isabel reafirma sua raiz negra em homenagem a Heitor dos Prezeres

0

A Vila Isabel entrou na Avenida falando de sonho. Neste ano, com “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, em homenagem a Heitor dos Prazeres, a Azul e Branca volta a valorizar da cultura negra como parte da sua história e da sua comunidade.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Luiz Fernando 2
Luiz Fernando Pereira Teles, de 60 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Esse reconhecimento é sentido de forma profunda por quem ele representa. Para o enfermeiro Luiz Fernando Pereira Teles, de 60 anos, o desfile deste ano tocou em um lado pessoal.

“É um prazer tremendo, até porque sou negro e o nosso país é um país negro. Temos que defender essa pluralidade e o negro precisa saber quem ele é e de onde veio”, potuou.

Eloa Oliveira
Eloá Oliveira Santos, de 38 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A trancista e baiana da escola, Eloá Oliveira Santos, de 38 anos, falou da importância de ser vista enquanto mulher preta e dividiu um emocionante relato pessoal.

“Eu me sinto tendo visibilidade, porque nós negros somos desqualificados. Eu falo para o meu filho: leva identidade até na padaria. Você pode ter doutorado, mas a sua pele vai te desclassificar. Estar aqui exaltando a minha cor é motivo de muita felicidade. Minha mãe já desfilou por nós, a minha avó, passou essa legado pars ela e agora estou aqui. Meu sonho é que nós negros não precisemos ser mortos para seremos vistos, e nem assim somos, pois viramos só mais uma estatística. Que não exista mais desigualdade”, desabafou.

Catia de Jesus
Cátia de Jesus, de 45 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já a terapeuta capilar Cátia de Jesus, de 45 anos, levou a oportinidade de desfilar no ano em que a Vila traz esse tema como honra e aprendizado.

“A história é tão rica, que não tem como não me sentir representada. A Vila sempre aborda temas muito importantes para comunidade negra, e isso é maravilhoso. Esse samba é um aprendizado, ele conta uma história interessante, fala de literatura, música, pintura, e a arte é o futuro. Quando eu entro para desfilar, meus sonhos já são realizados”, comentou.

Laura Espinosa
Laura Espinosa, de 25 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A consultora Laura Espinosa, de 25 anos, que desfilou pela primeira vez na escola, falou sobre a responsabilidade de representar um povo discriminado, mesmo sem fazer parte dele, enquanto aliada.

“Eu sei que não sou uma pessoa negra, mas sinto responsabilidade de participar e contar essa história. Quando você está falando de histórias que normalmente não são contadas, você se sente parte de algo maior. Eu sonho que possamos criar momentos de união e paz. Ver um evento que celebra diferenças me faz acreditar em um mundo melhor”, disse.

A força do samba
Um dos pontos mais altos do desfile deste ano é o samba que embala a homenagem a Heitor. A obra caiu no gosto popular ainda na disputa de samba, em meados do ano passado. Os componentes e torcedores estavam ansiosos para cantá-lo a plenos pulmões na Avenida.

Luizinho Guimaraes 2
Presidente da Vila Isabel, Luzinho Guimarães

O presidente da escola, Luizinho Guimarães, associou a catarse coletiva provocada pelo samba com a vontade da comunidade em voltar a consquistar o tão sonhado título.

“Era um desejo nosso ter um grande enredo e um grande samba. Esse ano fomos muito felizes. Agora é acreditar na nossa comunidade e no nosso segmento para fazer um grande desfile. Se Deus quiser, vai ser um dia maravilhoso para a gente”, comentou o presidente.

Felipe Lacerda
Felipe Lacerda, de 38 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O inspetor de pintura industrial Felipe Lacerda, de 38 anos, destacou a identificação da comunidade com a história contada como o principal fator para essa explosão.

“Foi feito para a gente do Morro dos Macacos. Amamos desde a disputa, já foi aclamado ali. Independentemente de ser o melhor do carnaval ou não, cativou o povo do samba de Noel. Isso é suficiente. Vamos entrar para brincar e curtir, o resto deixa para os jurados”, afirmou.

Tuiuti celebra sincretismo religioso do Ifá

0

O carnaval se faz de muitas culturas, e o Tuiuti vive as diferenças em plenitude neste ano. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola apresentou, na última noite de desfiles do Grupo Especial, a formação da religião afrocubana Ifá.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Foto: Maria Santos/CARNAVALESCO
Foto: Maria Santos/CARNAVALESCO

Com cores e símbolos que evocam a estética afro, a ala celebrou o sincretismo religioso próprio das tradições nascidas da diáspora africana sob a experiência da colonização. Os componentes empunhavam machados de dupla lâmina, os oxês, insígnia de Xangô, orixá da justiça que, na Santeria e no Lukumi, é associado a Santa Bárbara, protetora católica contra as tempestades, representada por estandartes no centro da formação. 

Herança da afrodiáspora, esses cruzamentos também ecoaram no Brasil, onde Iansã é celebrada em 4 de dezembro, mesma data dedicada à santa católica.

estandartes santa barbara tuiuti
Estandartes de Santa Bárbara. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Em um contexto marcado pela intolerância religiosa, o enredo joga luz sobre uma religião de matriz africana ainda pouco conhecida, afirmando-se como instrumento de combate ao preconceito. O componente Moacir Estaric acredita que a força popular do samba pode impulsionar o conhecimento sobre a cultura afro-cubana.

“É um samba que está sendo muito elogiado. Acho que isso vai ajudar o brasileiro a entender um pouquinho e a se permitir, pelo menos, conhecer”, declarou.

Moacir Estaric Tuiuti
Moacir Estaric, componente da ala. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Na ala, um paralelo revela uma diversidade que ultrapassa os limites do próprio enredo: há componentes vindos de várias partes do Brasil e do mundo, ressaltando a abertura do Paraíso do Tuiuti a novas culturas. A mistura de origens e a exaltação do sincretismo reforçam o carnaval como espaço de encontro entre diferenças. A italiana Cintia Ojeda destaca não apenas o Tuiuti, mas o Brasil, como território de acolhimento cultural.

“Aqui todo mundo pode desfilar, todo mundo pode estar junto. O lindo do Brasil é isso: você tem várias culturas, várias religiões, e todo mundo pode viver feliz e junto, sobretudo no carnaval”, afirmou.

Cintia e Federico Tuiuti
Os italianos Cintia Ojeda e Federico Bernardi desfilaram no Tuiuti. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Também italiano, Federico Bernardi ressalta a diversidade religiosa brasileira e reconhece a importância do enredo para ampliar o conhecimento sobre o Ifá.

“Quando chegamos ao Brasil, encontramos uma diversidade incrível em tudo, da religião à cultura. Gostamos dessa escola por essa razão: aprender e conhecer mais sobre essa religiosidade, não só africana, mas também cubana e brasileira”, finalizou.

Grande Rio exalta o Manguebeat e reforça o Carnaval como palco de todos os ritmos

0

A Acadêmicos do Grande Rio foi a segunda escola a desfilar nesta terça-feira e levou para a avenida o enredo “A Nação do Mangue”, celebrando a resistência cultural, a ecologia e o Manguebeat. Desenvolvido pelo carnavalesco Antonio Gonzaga, o tema destacou a força das comunidades periféricas, evocando a figura de Zumbi, a potência criativa de Chico Science e a síntese musical da Nação Zumbi, principal expoente do movimento que uniu guitarras e tambores ancestrais para reinventar a cena cultural brasileira. Na ala 17, dedicada à Nação Zumbi, componentes ressaltaram o valor de o samba dialogar com outros gêneros musicais.

Para saber mais sobre isso, o CARNAVALESCO conversou com integrantes da ala: Ana Claudia Imelk, 45 anos, gerente de dados e analytics, estreante na escola; Luiz Leone, 61 anos, supervisor de vendas, desfilando há cinco anos, mas ligado à agremiação desde 1989; e Amanda Cortez, 31 anos, gerente de projetos, também estreante na Grande Rio.

Qual a importância de o samba reverenciar outros ritmos e contar a história deles?

anaclaudia gr

“Eu acho super importante para poder expandir e trazer esse conhecimento para outros povos que curtem outros ritmos, conhecer também outras culturas, outros gostos e expandir isso culturalmente dentro do Brasil”, afirmou Ana Claudia.

Luiz Leone destacou o caráter agregador da festa. “Eu acredito que todo ritmo de músicas, todo ritmo que venha trazer para nós do Carnaval, é válido, porque são vários gêneros que nós temos. O Carnaval é isso: é uma mistura de gêneros, de músicas, de pessoas, de raça, de todo tipo. Então isso é que é o bom do Carnaval”, disse.

Para Amanda, a valorização é essencial. “Muita importância, porque é uma questão cultural. Eu acho que referenciar toda a cultura que a gente tem no Brasil de um modo geral sempre é importante. O Carnaval está aí para isso”, afirmou.

Você gostaria que essa via fosse de mão dupla, que o samba também fosse representado por outros gêneros?

“Com certeza, eu acho que é uma via de mão dupla, acho super importante essa troca e para a gente de fato expandir a cultura do Brasil, que o samba está presente desde sempre. Faz parte da nossa raiz”, afirmou Ana Claudia.

Luiz também defendeu essa reciprocidade. “Seria muito bom. Claro. Porque o samba, o Carnaval, o samba é o Brasil. Hoje em dia a gente leva o samba para o mundo. Então é necessário que os outros ritmos também possam levar o nosso samba para os outros ritmos. Eu vejo muito grupo de pagode cantando ritmos de rock, diversas diversidades de ritmos. Então eu acho necessário”, disse.

luizleone gr

Amanda concordou com a proposta de intercâmbio cultural. “Com certeza. Essa mistura é sempre muito agregadora. Todo mundo ganha”, afirmou.

Qual a importância de o Carnaval trazer nomes como Nação Zumbi, Rita Lee e Ney Matogrosso para a avenida?

“São pessoas ícones da nossa cultura, da cultura brasileira, e acho que vale trazer isso como representatividade, expandir o conhecimento para um povo mais novo que não conhece essas pessoas que fizeram história no nosso país e na nossa cultura. Acho super importante expandir isso, trazer isso para a atualidade”, afirmou Ana Claudia.

Luiz relembrou memórias afetivas ao falar dos homenageados. “Eu acho muito importante porque são pessoas históricas, pessoas que fizeram o nome delas na música popular e em outras diversidades de projetos que eles vinham ter. Então eu acho que foi necessário isso, e o Carnaval é isso, ele é agregador, agrega essas pessoas, vem trazer Ney Matogrosso. Quem não se lembra de Ney Matogrosso no Secos e Molhados? Na minha época dancei muito Secos e Molhados, década de 70. Rita Lee, na época de Rita Lee, o conjunto Tutti Frutti. Então são pessoas que escreveram o nome na história da música. Então é necessário que venham e que venham outros ritmos também e outros homenageados. Seria muito bom”, concluiu.

amandacortez gr

Amanda reforçou o caráter plural da escolha. “Faz parte da nossa cultura. Tem toda a história da escola e do enredo desse ano. Então acho que agrega muito e, para mim, é tudo uma questão cultural que faz todo sentido trazer a multiculturalidade. A pluralidade é sempre bem-vinda”, concluiu.