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Impulsionada pela bateria, Sossego realiza ensaio vibrante, mas erros em evolução

A Acadêmicos do Sossego realizou neste sábado um ensaio vibrante e com muita energia, segunda escola a pisar na avenida, os componentes demonstraram muita alegria e descontração durante os 48 minutos de desfile. A bateria realizou uma série de bossas que levantou o público, principalmente as coreografadas, porém, mesmo com a animação, espaçamentos foram observados próximo à bateria, causando falhas em evolução. Com uma comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira, dançando no padrão de excelência de Grupo Especial, a agremiação realizou uma entrada potente no Sambódromo. * VEJA FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Antes do início do desfile, uma bonita homenagem tomou conta do esquenta da escola, o intérprete oficial da escola, Nino do Milênio fez homenagem ao cantor David do Pandeiro, morto no ano de 2020, o momento emocionou a todos, já que o intérprete, que foi campeão com o Sossego na Intendente Magalhães no ano de 2016. * VEJA AQUI VÍDEOS DO ENSAIO DO SOSSEGO

Harmonia

A agremiação do Largo da Batalha, em Niterói, cantou com bastante empolgação o samba para o próximo carnaval, a primeira ala se destacou por cantar forte. Durante toda a passagem da escola pela avenida foi possível ver os componentes brincando e se divertindo, apesar de descontraída, a azul e branca demonstrou bastante organização. Baianas desfilaram no final da escola com saias verdes e flores na estamparia, todas cantavam o samba com muito vigor.

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Alguns versos como “Omã me escondeu na floresta” e o refrão, foram os mais cantados ao longo da apresentação total da escola. O destaque ficou para as alas que vieram desde o primeiro casal até a bateria, afinal, foi possível observar todos os componentes envolvidos pelo samba. As duas alas que sucederam o tripé que representava a segunda alegoria da escola também fizeram bonito. Por volta do setor 10, alguns componentes das alas finais da escola deixaram de cantar o samba durante a passagem de alguns versos, porém, nada que não possa ser ajustado nos ensaios de quadra e rua da comunidade.

“As impressões são as melhores possíveis, porque a gente não imaginava que iria fazer hoje um ensaio tão bom e tão a altura da escola. A gente quer trabalhar todos os pontos, né? Queremos passar perfeitos, então ainda vamos trabalhar todos os pontos de seguimento, harmonia, bateria, casal, vão passar por ajustes. A escola está numa crescente imensa e hoje deu para perceber que a escola vai vir enorme, vai vir firme para o desfile do dia 20 de abril. Pode esperar uma Sossego com garra, com comunidade, com chão e com força de sair do oitavo lugar para brigar nas cabeças”, disse Ygor Silva, integrante da direção da escola.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira da Sossego, Fabrício Pires e Giovana Justo, deu um show no palco sagrado do samba carioca, com muita simpatia e alegria, ambos bailaram com muita força e graciosidade. Experientes, a dupla demonstrou muita sincronia nos passos. Com uma apresentação de cerca de 2m30s, ela, com um vestido azul e detalhes em azul escuro e laranja e ele, num belo terno e gravata cor de salmão, arrancaram aplausos da plateia.

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Destaque para alguns passos mais marcados no verso Okê okê arô, odé odé, trazendo referências de dança afro. Ao longo da execução, ficaram nítidos os olhares direcionados um para o outro. Ao final do número, uma inovação: Giovanna deixou de segurar o pavilhão da escola e quem assumiu a posição foi o mestre-sala. Durante o esquenta, o intérprete Nino do Milênio puxou o parabéns para a primeira porta-bandeira que completou mais um ano de vida.

“O retorno da pandemia nos revela duas palavras-chave importantes: simplicidade e dar atenção ao que de fato é realmente importante. Tentamos levar essas ações para o nosso quesito também. Além de tentar evoluir o tempo todo. Ser simples é ir direto ao ponto é o que mais importa. Me sinto feliz, alegre, contente, agora falta menos de dois meses para o desfile. É esse Carnaval no mês de abril vai coroar o fim da pandemia”, disse o mestre-sala.

“É inexplicável falar sobre a volta na Sapucaí. Eu estou muito feliz de pisar nesse solo sagrado que eu amo. Hoje estou aqui para curtir o meu aniversário, o samba e o ensaios da Sossego.alem de me preparar para o oficial. É o meu primeiro ano na escola, mas parece que estou na escola há muito tempo, porque quando gostamos de alguma coisa o resultado é bom, alegre e gostoso”, completou a porta-bandeira.

Samba

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Valente, a obra se mostrou um dos trunfos da escola para alçar vôos mais altos no próximo desfile, bastante aguerridos, os componentes da azul e branca de Niterói cantaram o samba com enorme energia, destaque para as primeiras e últimas aulas, a parte do samba “Eu não largo da batalha, Sossego”, era cantada a plenos pulmões. O intérprete Nino do Milênio faz sua estreia na escola e conduziu o carro de som com maestria.

“Hoje a tive a certeza que faremos um grande trabalho na avenida, estou muito satisfeito, a escola está com uma energia bacana e tudo indica que vamos fazer um grande desfile, um grande trabalho, graças a Deus. AAmaral Peixoto contribuiu muito com todos os ensaios que a gente teve, o último vai ser agora dia três de abril vai concluir pra gente pisar forte nessa avenida no desfile oficial”, comentou o intérprete.

Bateria

Sem dúvida, o maior destaque da Sossego ficou por conta da bateria Swing da Batalha, comandada pelo mestre Laion, os ritmistas deram um show na avenida, durante todo o ensaio bossas difíceis foram realizadas. Em uma a bateria se abria para que o Rei Juarez Souza entrasse e evoluísse, em outro momento a bateria se abaixava em frente a cabine de jurados e ainda fazia reverência ao público. Os ritmistas sustentaram o samba ao longo de todo o percurso pela Sapucaí.

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“Acho que fizemos um grande ensaio, depois de dois anos sem ensaio técnico estamos de volta. É um ensaio muito produtivo e agora é rumo aos 40 pontos, nota máxima. É acertar detalhes para alcançar o objetivo do nosso carnaval. Vão ser 230 ritmistas. A bateria ‘Swing da Batalha’ vem de povos africanos. Vou acertar alguns detalhes com a harmonia da escola, mas as ideias estão prontas. São três bossas (convenções) de muita dificuldade, muita variação entre caixa, repique e terceira, além de duas coreografias. É um trabalho bem elevado, mas que já venho fazendo na escola. Acredito muito nessa proposta e no meu estilo de trabalho”, assegurou mestre Laion.

Evolução

A evolução foi o calcanhar de aquiles da escola, mesmo com as alas compactas e evoluindo com segurança, o mesmo não foi observado durante as apresentações da bateria nos módulos de julgamento, tanto na primeira cabine, quanto na cabine dupla, a ala que vinha à frente da bateria seguiu andando enquanto a mesma se apresentava, apenas no último módulo a situação se resolveu. A escola apresentou elementos para demarcar os setores.

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Após a primeira ala, um tripé ornamentado em forma de um grande cocar e com o símbolo da escola soltava papel picado. Os pompons e bexigas nas cores da agremiação trouxeram, além de beleza, um volume interessante à medida em que os componentes avançavam pela avenida. Destaque para o elemento de mão da ala de abertura. Os passistas estavam sem salto, porém, sambando muito, todos nas cores da escola, com cocar na cabeça e adereços de mãos.

Mais destaques

Outro destaque da escola foi a exibição da comissão de frente, assinada por Jardel Augusto Lemos. Ao todo, 15 componentes homens executaram uma apresentação marcada por passos fortes e bem definidos. O principal representou a figura do pajé, o chefe da aldeia. Quatro dos bailarinos empunhavam um bastão que ajudou nas acrobacias e movimentos ao longo dos 2m25s em frente aos módulos de julgamento.

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Com o enredo “Visões Xamânicas”, a Acadêmicos do Sossego será a sétima e última escola do primeiro dia de desfile da Série Ouro na quarta-feira, 20 de abril. Ao todo, serão três alegorias e um tripé para ajudar a contar a história proposta pelo enredo, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.

Participaram da cobertura: Ingrid Marins, José Luiz Moreira, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Nelson Malfacini e Walter Farias

Comissão de frente e casal são destaques em ensaio com evolução problemática da Inocentes de Belford Roxo

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A Inocentes de Belford Roxo foi a primeira escola a ensaiar na noite de sábado na Marquês de Sapucaí, a escola, carinhosamente apelidada de Caçulinha da Baixada, após forte início, a escola apresentou problemas de evolução e harmonia que comprometeram o bom desempenho do ensaio. Todavia, a comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira, Douglas Valle e Jaçanã Ribeiro, deram show de carisma, força e referência. Foram símbolos de liberdade da afro-brasilidade na avenida. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Eu fiz um andamento de desfile, porque eu queria ver como é que iria sair. A escola veio tranquila, ela está em uma crescente e isso é muito bom, eu tenho certeza de que no dia 21 ela vai atingir o ápice no andamento, no canto, na evolução. Tem falhas? Lógico, como todas vão ter falhas, mas o ensaio é para isso, é pra você ter uma falha e consertar a falha. Eu brigo tanto, no bom sentido, pedindo a compactação, porque nós temos três momentos em que paramos a escola na avenida: primeiro módulo; segundo módulo e terceiro módulo. Agora, no todo eu gostei muito do ensaio, porque a escola cantou, veio com pegada, as alas vieram muito comprometidas com o canto e a comissão de frente fez uma evolução bacana e o andamento é o que a gente fez aqui hoje. Quando você coloca o peso da escola, você liga a fantasia e a alegoria é ótimo que muda, mas ao meu ver foi tudo tranquilo”, explicou o diretor de carnaval, Saulo Tinoco. * VEJA AQUI VÍDEOS DO ENSAIO

Harmonia

Durante o esquenta, os cantores entoaram o samba de 2020, em homenagem a futebolista Marta, lembrado por ser extremamente popular, foi o suficiente para inflamar os componentes e as pessoas nas frisas e arquibancadas, porém, a animação vista no esquenta deu lugar a um canto apenas satisfatório, as primeiras alas até cantavam com força, estavam animados, com elementos nas mãos e balões nas cores da escola, entretanto, o canto não era constante. É verdade que não foi visto componentes lendo a letra do samba, porém, passaram na avenida cantando pouco, ou melhor, com exceção da ala rosário, a escola cantava basicamente o refrão do samba. A ala de baianas desfilou nos primeiros setores da escola, de roupas brancas, a maioria das senhoras cantavam o samba com bastante entusiasmo, e evoluíram com bastante vigor.

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“Se eu pudesse dar uma nota, daria nove, acho que podemos melhorar um pouquinho para alcançar a excelência. Podem esperar que a Inocentes virá brincando na avenida”, garantiu Tem-Tem Sampaio.

“Eu dou nove e meio, pra mim tava muito bom, para um primeiro ensaio aqui na avenida foi show de bola”, comentou Luizinho Andanças.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Inocentes, Douglas Valle e Jaçanã Ribeiro, demonstrou muita sincronia e precisão durante o tempo de apresentação, ambos estavam com uma roupa repleta de signos africanos. A apresentação durou pouco mais de dois minutos e não foi observado nenhum contratempo, os dois se mostraram muito seguros com seu bailado. Eles ainda utilizaram parte do samba para realizar uma coreografia baseada na cultura africana.

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“É uma felicidade muito grande poder estar de volta ao solo sagrado. Ainda mais por estar ao lado de uma porta-bandeira maravilhosa que é a Jaçanã. O carnaval é resistência, vamos ter carnaval sim, vencer todo o medo e a angústia. Será o carnaval da história, depois de dois anos, poder estar aqui devolta, com a casa cheia. A Inocentes de Belford Roxo vem fazendo um desfile maravilhoso. Nós representaremos a meia noite, o horário que acontece muitas lutas, onde apagavam as luzes e só tinham as tochas. Aguardem que é uma fantasia lindíssima”, disse o mestre-sala.

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Carismáticos e com roupas impecáveis, eles estavam bem sintonizados e foi possível ver que os olhos de ambos se encontravam constantemente ao longo da sua coreografia. Também foram destaque os movimentos em referência a alguns orixás, como por exemplo: Em um determinado momento da coreografia, o casal se separa e ao se reencontrarem com olhar fixo no parceiro, promovem o encontro dos punhos cerrados fazendo clara referência para Xangô. Douglas ainda teve alguns movimentos em referência aos terreiros de religiões de matrizes africanas, inclusive, quando no trecho “é o vento de Oyá que evoca egun” o mestre-sala mexe a mão fazendo a ventarola de Oyá, assim como Jaçanã teve movimentos que sugeriam inspirações em outros orixás.

“O coração está a mil por hora, ficamos dois anos sem pisar no solo sagrado que é a Sapucaí e agora estamos ensaiando todos os dias. A defesa da nossa fantasia é que no pátio do terço onde ela realizava o culto dos nossos ancestrais, que são os deuses Eguns, no caso do maracatu, a meia-noite os tambores se calavam e acabavam as luzes”, citou a porta-bandeira.

Samba

A obra da parceria de Cláudio Russo tem sido bastante elogiada nesse pré-carnaval, muito valente, o samba possui refrões fortes, o que permitiu aos componentes um canto forte, porém, esse canto forte não foi visto em outras partes do samba. Nem mesmo a força do carro de som da escola, comandado por Tem-Tem Sampaio, Luizinho Andanças e Silas Leléu, foi suficiente para reverter esse cenário.

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“Achei o ensaio maravilhoso, serviu pra entrosar mais o carro de som com a bateria, foi um ensaio maravilhoso, o canto funcionou, ficou bem sincronizado com a bateria, o andamento foi bom e os três cantores encaixaram muito bem também, o ensaio de hoje é exatamente pra isso”, completou Leléu.

Bateria

A bateria “Cadência da Baixada”, comandada pelo mestre Juninho, demonstrou bastante segurança durante todo o ensaio técnico, no último carnaval, a bateria arrancou aplausos de toda a Sapucaí após apresentar uma bossa inspirada em uma música da banda Queens. Para esse ano, com o enredo voltado para cultura africana, a bateria que contará com 250 ritmista aposta no toque africano para emocionar o público. A rainha de bateria, Natália Lage, estava com uma roupa brilhosa branca com detalhes em prata. Sem as coreografias, mas com ao menos três bossas para o dia do desfile, afinação e ritmo, os ritmistas merecem elogios.

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“Dou nota 9.9 porque eu sou muito exigente. Acredito que sempre pode melhorar, mas vamos trabalhar pra vir o 10. Não é a gente que faz a bossa, é ela que escolhe o samba. A gente vai ouvindo, vai fluindo, vai aparecendo de pouquinho em pouquinho e quando junta tudo dá uma bossa. Vem informações de Maracatu, vem do silêncio que é uma das paradinhas fantásticas e que gosto muito. E também vem mais uma bossa na cabeça do samba para alegrar a galera. Nossa bateria será a mais cadenciada possível”, garantiu mestre Juninho.

Evolução

Ponto fraco da escola, a evolução se mostrou inconstante durante toda a avenida, logo no início foi observado um espaço considerável no primeiro módulo de julgamento entre a musa e o elemento que representava a primeira alegoria da escola. Ao longo da avenida a escola foi buscando se compactar e acertar esses espaços, entretanto, a constante variação de lentidão e rapidez não foi capaz de evitar um buraco que chamou atenção por se fazer presente em todo o setor 3, ou seja, no primeiro módulo de julgadores, e ainda era visto no setor 6, que possui cabine dupla de jurados. Durante a apresentação da bateria, a ala da frente seguiu evoluindo no momento que a bateria fazia sua apresentação, um clarão se formou e a rainha foi colocada na frente.

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Após o recuo da bateria a escola começou a correr de forma desordenada, alas se embolaram e vários buracos foram vistos, a velha guarda não conseguiu acompanhar a correria da escola e um grande buraco se formou no setor 10, o elemento representando a terceira alegoria da escola “O baque estanca no terço” ficou distante das alas na altura do mesmo setor.

Outros destaques

Carlinhos do Salgueiro arrancou aplausos ao vir em cima de um tripé logo na abertura da escola, bastante animado, o sambista mostrou o habitual samba no pé e conquistou o público por onde passou. A coreografia apresentada pela comissão de frente trouxe a presença de uma figura que remete a Oyá, sua coreografia mostra a presença da orixá perpassando pelo ballet que forma frequentes rodas na coreografia. Os olhares marcantes e a força nos movimentos são belos e são justos a ideia trazida no enredo.

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A Inocentes de Belford Roxo será a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí no dia 21 de abril, quinta-feira, com o enredo: “A meia-noite dos Tambores Silenciosos”, do carnavalesco Lucas Milato.

Participaram da cobertura: Ingrid Marins, José Luiz Moreira, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Nelson Malfacini e Walter Farias

Vídeos ensaio técnico da Santa Cruz: arrancada, completo, casal de mestre-sala e porta-bandeira e bateria

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Série Barracões: Tijuca se desprende de alegorias humanas e alas coreografadas, apostando em estética mais artesanal

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Do desfile histórico de 2004 com o carro do DNA, passando pelos anos dourados sobre o comando de Paulo Barros, mas se mantendo em carnavais sem o artista, como 2007, 2008, 2015 e 2016, a presença do efeito visual de carros com grande quantidade de componentes sempre marcou a trajetória da Unidos da Tijuca neste século. Desde 2016 sem frequentar o desfile das campeãs, a escola parece ter decidido dessa vez realizar mudanças que possam acarretar em resultados mais positivos. A contratação do carnavalesco Jack Vasconcelos, terceiro colocado em 2020 com a Mocidade, pode ser um aceno em uma busca por uma estética diferente em 2022.

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O artista está produzindo “Waranã – a reexistência vermelha” e recebeu a reportagem do site CARNAVALESCO no barracão para conversar sobre suas ideias para o desfile deste ano. Jack acredita que uma mudança na forma de concepção da plástica da Unidos da Tijuca será um grande trunfo para este carnaval.

“É o conjunto. É uma estética diferente de Tijuca, sem muita alegoria humana, de alas coreografadas que a Tijuca está acostumada, as pessoas vão ver uma Tijuca diferente do que estão acostumadas. Muito mais artesanal. No processo de construção do carnaval, é um carnaval que literalmente uma peça não é igual a outra, tudo muito manual de verdade. Os aderecistas estão trabalhando bastante desde o início do processo porque isso era de propósito. A gente não queria algo que fosse padronizado, a estética do desfile é toda no conceito de ser uma grande ilustração, o enredo é no formato de conto”, revela o carnavalesco estreante.

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O artista explica que a escola trará um estilo próximo da arte “Naif”, arte mais popular, mais autodidata. Jack entende que esse caminho que a escola está trilhando e se afastando um pouco de um tom mais coreografado, pode ajudar em uma evolução mais espontânea dos componentes. “É como se a gente estivesse abrindo um livro e vendo as imagens desse conto. E ele é todo desenhado, como o enredo fala sobre os olhos do Kahu’ê, sobre o seu olhar mais infantil, ele tem uma pegada plástica mais ingênua que versa até com arte Naif. O enredo todo tem esse conceito, então eu acho que isso já vai chamar muita atenção. E o fato também da Tijuca estar com a proposta de fazer um desfile mais solto. Em termos de harmonia, isso vai chamar bastante atenção”.

Enredo do presidente ganha a cara de Jack Vasconcelos

A proposta de apresentar na Sapucaí o conto do guaraná veio como sugestão do presidente Fernando Horta. Prontamente aceita pelo carnavalesco, Jack utilizou como inspiração dois capítulos da obra “Sehaypóri: o livro sagrado do povo Satarê-Mawé”, do autor Yaguarê Yamã, escritor originário do povo que também será homenageado no enredo, o Satarê-Mawé. O livro que também é ilustrado por Yaguarê, gerou inspiração para diversas ilustrações de carros e fantasias feitas por Jack.

“Originalmente foi uma sugestão do presidente da escola e ele me perguntou se seria um bom enredo, e aí eu disse que sim. E a gente partiu para pesquisa. O que mais me encantou de cara foi a própria lenda. A lenda do Saterê-Mawé, a origem do guaraná e como isso estava ligado diretamente à origem do próprio povo. Eu achei aquilo muito bonito, muito poético”, revela.

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Como já de costume em seus enredos, Jack não poderia deixar de trazer alguma questão importante para sociedade. Por isso, dentro da lenda do guaraná e da formação do povo Saterê-Mawé, haverá uma importante reflexão sobre a importância da preservação da cultura indígena.

“Eu achei pertinente também a gente trazer alguma questão indígena, trazer um pouco desse discurso para o nosso carnaval, porque eu acho uma pauta importante e de uma certa maneira o carnaval sempre versou sobre esses temas. Sempre foi uma linguagem que o carnaval ajudou a construir na cabeça do imaginário da população. Então eu acho que o carnaval historicamente tem um papel importante na preservação da memória da cultura indígena para os não indígenas”, explica o carnavalesco.

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Jack também indica que a preservação da natureza, da cultura indígena e de seus lugares de direito não vai ter um setor específico, mas estará presente durante todo o desfile.

“A gente tem uma parte do enredo que aborda essa questão, mas é uma questão que eu acho que está meio que dentro do enredo inteiro. Tem uma hora que ela fica mais evidente, mas o título de ‘reexistência’ não é à toa. A gente fala sobre esses modos que a gente acabou encontrando no decorrer da história de se reinventar, ou de se transformar durante o processo histórico para se manter. Quem ensina muito isso para gente é a própria natureza, o próprio ciclo de vida e morte, de como a natureza funciona, então, eu acho que ela nos dá o exemplo disso”, esclarece.

Produção do desfile é dedicada e inspirada em Oswaldo Jardim

Autor do inesquecível desfile de 1999 que rendeu o retorno ao Especial à Unidos da Tijuca, o saudoso carnavalesco Oswaldo Jardim terá sua produção artística como inspiração para a produção do carnaval de 2022 de Jack Vasconcelos. O carnavalesco estreante pela escola do morro do Borel explica como a estética de Oswaldo se relaciona com os seus próprios conceitos e estilos.

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“Ele é uma influência importante para mim. O Oswaldo tem uma pegada estética que me agrada muito e que me influenciou quando eu era ‘jovenzinho’ (risos), porque ele trazia um apelo visual muito forte. A cor dele chama muita atenção, ele se comunicava muito com a questão de cor e forma, e ele trouxe experimentos de outros lugares para o carnaval também, ele furou a nossa bolha de conceito do que é material de carnaval, por exemplo, ele conversou muito com as artes plásticas e isso sempre chamou a minha atenção”, revela.

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Jack aponta que as inovações estéticas trazidas por Oswaldo dialogam muito com a própria forma que o saudoso carnavalesco se coloca em relação ao desenvolvimento de seus enredos. “Essas outras possibilidades de comunicação sempre me emocionaram muito, e mais tarde eu fui entender que não era só isso, isso era uma consequência da própria narrativa dos enredos dele. Então, começava pelo jeito que ele abordava os enredos. E aí eu fui vendo uma proximidade do que eu acreditava de carnaval com o trabalho dele. E eu acho que a gente vai ver muito disso na Tijuca deste ano também”.

Fama de grande enredista e antecipação de produção estética nas sinopses

Bastante elogiado pelo desenvolvimento de seus enredos, Jack Vasconcelos procura não ficar melindrado por elogios e explica que costuma buscar uma forma de passar os temas da maneira mais entendível e simples para todas as pessoas que acompanham o desfile

“Eu procuro não pensar nisso. Quando eu recebo uma sugestão, por exemplo, nem todo enredo que a gente trabalha foi nossa sugestão inicial, isso é normal. Mas eu procuro olhar para o tema que me é sugerido e pensar em como eu conseguiria fazer com que ele chegasse para o entendimento das pessoas da melhor forma, da forma mais simples, porque as pessoas precisam entender aquilo que a gente está falando”.

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O carnavalesco esclarece que procura sempre já trabalhar a concepção visual de seus carnavais logo no início da produção do enredo, no desenvolvimento da sinopse, por exemplo. “Eu não sei como é o processo de criação dos meus colegas, ou dos enredistas, enfim, os processos são diferentes. Como eu estou acostumado a fazer os meus enredos, a fazer a minha pesquisa, eu não sei desassociar esse processo. Então, quando eu, por exemplo, lanço uma sinopse, eu já tenho o roteiro do desfile todo pronto, eu já sei as alas, o que elas querem dizer, o carro, o que vai ser, eu posso não ter os desenhos, mas eu já sei o que eles serão. Então, quando uma sinopse minha chega para o público, o público já sabe dos pontos que eu vou falar. Então, o compositor é a mesma coisa. Já tenho o desfile montado na minha cabeça e já sei como ele se comunica visualmente”, informa.

Nesse processo de produção visual em paralelo com produção inicial e escrita do tema, o carnavalesco explica que isso facilita até para que o artista possa dar o entendimento do desfile relacionando cada momento, cada sentimento que o setor quer passar para o público através da própria paleta de cores.

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“Eu penso quais os setores que vão ter cores mais fortes, qual o setor que vai ser mais suave, que dá uma ideia maior de conforto ou de linearidade, não tem conflito, o outro setor é mais conflitante, e eu já sei que ali vai ter umas cores mais fortes e mais chocantes entre elas. Até para passar essa ideia para o público. Mesmo com a fantasia longe, a pessoa já vai ver que tem uma guerra, ou que tem um confronto, uma coisa, ou outra ‘vibe’”, revela.

Preservação ambiental e dos povos indígenas pode ser grande mensagem deixada por este carnaval de Jack Vasconcelos

Jack é conhecido em seus últimos enredos por sempre trazer, dentro das histórias a serem contadas, uma grande mensagem para a sociedade. Em 2018 pelo Paraíso do Tuiuti havia a questão da escravidão e do trabalho análogo ao escravo ou desvalorizado que permanecia até os dias atuais. Em 2019, a crítica aos políticos e a corrupção, e ano passado, na Mocidade, no desfile sobre a Elza Soares, além de toda questão do feminismo e do protagonismo da mulher, que Elza já personificava por si mesmo, o carnavalesco trouxe a valorização dos professores, a pedido da cantora. Para 2022, nessa estreia na Unidos da Tijuca, o enredo sobre a lenda de surgimento do guaraná, também trará como pano de fundo a preservação ambiental e da memória da cultura dos povos indígenas. Com o desfile, Jack espera conseguir tirar da sociedade uma visão romantizada e muitas vezes distorcida dos povos nativos.

“Eu acho que a gente tocando as pessoas sobre a importância de se ter atenção, sobre o ataque que a cultura dos povos originários vem sofrendo principalmente neste período, só isso já estará valendo, eu já vou ficar muito feliz se as pessoas se ligarem que a gente está trazendo para as pessoas que é importante elas se ligarem, tirarem um pouco a questão indígena de um lugar idealizado, as vezes até romantizado, e trazer para o real, para o agora, para o contemporâneo, então, se as pessoas se ligarem nisso, já está de bom tamanho “, espera o carnavalesco.

Carnavalesco acredita que samba na boca do povo ajuda e rechaça barracão atrasado

Sendo festejado em todos os eventos que Wic Tavares e Wantuir apresentam, o “Waranã da Tijuca” fez muito sucesso neste pré-carnaval. A obra mais melódica tem encontrado boa aceitação entre os sambistas. Em geral, isto pode gerar mais expectativas e cobranças para a realização de um grande desfile e para um bom desenvolvimento de enredo e apresentação da parte plástica. Jack não acredita que isso aumente a responsabilidade, mas festeja e aponta o sucesso do samba-enredo como motivação extra para o trabalho.

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“Eu acho que ser aclamado antes do tempo como um dos melhores sambas e tal, massageia o ego da gente, dá uma alegria extra. Responsabilidade, tudo tem. Você fazer uma escola de samba já é uma grande responsabilidade, você já está botando o seu telhadinho de vidro de fora. O mais importante disso é ter um samba que a gente gosta de cantar, porque nem sempre o samba que se escolhe né…. (risos), mas a gente dá um jeito, a gente valoriza. Mas, esse é um samba que a gente ama, a gente canta com alegria, já dá um prazer de você está trabalhando no barracão sabendo cantar o samba, que a gente lá embaixo está trabalhando e cantarolando ele, sabe? Há um prazer com o samba que a gente canta, que a gente vai representar, e isso para mim é incrível”.

Aproveitando para falar sobre trabalho no barracão, houve muita conversa de que a Unidos da Tijuca estaria atrasada com seu barracão neste início de ano. O carnavalesco Jack Vasconcelos rebate esse discurso apresentando um planejamento da escola focado para abril e garantido que a Tijuca estará pronta e bonita no momento certo.

“Eu acho que todo mundo está atrasado porque o carnaval está atrasado. O carnaval não foi na data que tinha que ser. Então, essa questão de quem está atrasado já caiu por terra quando o pessoal pulou para abril. Então, essa questão não existe mais. Se tem gente trabalhando em algum barracão de escola de samba, a gente não pode dizer que alguém cumpriu o cronograma. Então a gente está ‘super’ tranquilo com isso. Não tem motivo para a gente correr, é uma bobagem, não tem premiação para quem acaba antes, se tivesse a gente já estava pronto”, encerra Jack.

Entenda o desfile

A Unidos da Tijuca levará para a Sapucaí, em abril, 5 alegorias, mais um tripé e um “pede passagem”, com 27 alas e cerca de 3200 componentes. O carnavalesco explicou um pouco de como estão divididos os setores da escola:

Primeiro setor: “Na entrada da escola a gente fala sobre os equilíbrios das forças positiva e negativa, que o enredo vai decodificar em Yurupari e Tupana, que fazem o equilíbrio de todas as coisas. A gente fala do equilíbrio, e como o enredo fala sobre ciclos, era importante a gente mostrar que as coisas não são só de um jeito”.

Segundo setor: “A gente fala sobre a lenda em si. Monã cria o Nusokén, que é o paraíso, o lugar idealizado, e aí a gente fala dos três irmãos, Yucumã e Ukumã’wató e a bela Anhyã-Muasawê, por quem os bichos são apaixonados, e quem consegue tocar ela que é a cobra, a engravida. E aí, quando ela fica grávida do Kahu’ê, os irmãos ficam varados de ciúmes dela, porque ela é a responsável pelo lugar, por ter o conhecimento da floresta nela. E isso cria uma inveja. E quando Anhyã engravida da cobra, os irmãos encontram um motivo para expulsá-la de lá”.

Terceiro setor: “Anhyã vai ter Kahu’ê fora dessa floresta encantada e nasce uma criança muito falante, muito feliz e espertíssima. E por ser uma criança muito esperta e curiosa, ela fica sabendo da castanheira sagrada dentro de Nusokén, onde eles não podem entrar mais, e ele vai querer comer a castanha dessa árvore. E ele entra em Nusokén, os tios ficam sabendo, e falam para o Yurupari, que é a força decodificada dentro do enredo como a força maléfica, e o Yurupari dá um ‘jeitinho’, se é que vocês me entendem, na criança”.

Quarto setor: “O Kahu’ê morre, a mãe aparece para levar o corpo do filho e Tupana manda ela tirar os olhos da criança e enterrar. E chorar em cima, regar com as lágrimas, e através disso o guaraná floresce. Desse guaraná ela faz o elixir”.

Quinto setor: “Ela rega onde está o corpo enterrado do Kahu’ê, e desse corpo que ela molha com esse guaraná nasce o primeiro Satarê-Mawé, e a tribo vem toda desse primeiro e depois o segundo que é o irmão, e começa a tribo a nascer desse elixir”.

Sexto setor: “A gente começa a falar desse povo, que é o povo do guaraná, que é um povo que cultiva o guaraná até hoje, essa reexistência vermelha tem a ver com a tribo, através do renascimento do Kahu’ê, uma coisa vai gerando outra, é uma ação ruim do Yurupari, que gerou uma coisa boa do Tupana, que gerou uma coisa maravilhosa que é uma outra tribo. E a gente fala de como Yurupari tenta perseguir ou reinar nessa floresta maravilhosa. E os ataques que as tribos sofrem, agora não só a Saterê-Mawé, mas como um todo, a cultura indígena e a gente reexistindo”.

Último setor: “A gente fala sobre essa natureza toda que dá um jeito de reexistir nisso tudo, por mais que se tenha queimada, garimpo ilegal, por mais que se tenha esses ataques as tribos e a cultura indígenas, essas tentativas de apagamento de memórias, ao longo da história, a gente dá um jeito, a natureza dá um jeito de renascer. E a gente fala também dessa reexistência que também acontece no plano espiritual, dessas entidades, desses caboclos, por que o Kahu’ê transcendeu, deu origem ao guaraná, que deu origem a tribo Satarê-Mawé e vai virar uma entidade. Hoje, onde acontece uma festa de criança, festa de Erê, o Kahu’ê está presente no formato do guaraná que é a bebida dessas festas”.

Ficha técnica do barracão:
Gerente de barracão: Pedro Veloso
Aderecista chefe: Laerte
Aderecista de carros alegóricos: Laerte
Projeto de alegoria: João Torres