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Série Barracões SP: Buscando o bicampeonato, Águia de Ouro pede paz nas bençãos de Oxalá

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A equipe do site CARNAVALESCO visitou o barracão da atual campeã do carnaval de São Paulo, Águia de Ouro, e viu de perto todo o desenvolvimento do projeto de desfile da escola para 2022. A agremiação irá para a avenida com o enredo: “Afoxé de Oxalá – No ‘Cortejo de Babá’, Um Canto de Luz em Tempo de Trevas”. Sidnei França, carnavalesco responsável pelo desfile, explanou o enredo.

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“Esse enredo, é inspirado na canção de Luiz Antônio Simas, que é um intelectual brasileiro, ligado às brasilidades. É um escritor, professor, compositor, poeta, jurado do estandarte de ouro e é um cara muito referenciado, principalmente nos assuntos ligados à brasilidade, como futebol, umbanda, candomblé, samba e carnaval. Enfim, ele é um cara que tem a alma carioca muito aflorada e ele compôs ‘Afoxé de Oxalá’, que é uma canção que utiliza dos fundamentos do candomblé, utilizando o orixá Oxalá como uma salvação para a humanidade perdida. Então, o que a Águia de Ouro vai fazer é carnavalizar essa música. Obviamente, eu tive que fazer algumas adaptações de construção de narrativa para que quando as pessoas assistam o desfile e entendam como uma peça de teatro que tenha começo, meio e fim”.

Crítica social fará parte do desfile

O enredo em que a escola irá desfilar para buscar o seu bicampeonato, tem a autoria completa do carnavalesco Sidnei França e, dentro de toda a pesquisa para desenvolver o desfile, segundo o artista, falar de ancestralidade no meio de todo esse enredo, reflete na atualidade.

Realmente tudo é opinativo e deve-se refletir. Em um mundo descrente de tudo, onde vivemos em guerras, a figura de Oxalá pode se fazer presente em orações. Uma entidade tão amorosa, curaria todo o mal que nos cerca.

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“O que mais me fascinou na pesquisa, veio da canção do Simas, que é o quanto falar de ancestralidade é atual. Como eu disse, eu utilizei da figura de Oxalá para no último setor do desfile, falar sobre preconceito, discriminação e intolerância. Olha como você vai lá na ancestralidade para enxergar uma figura mítica para dialogar com necessidades do mundo atual. Ter mais entendimento de um com o outro. Quando se fala em ancestralidade, parece que ficou lá em um mundo que não nos cabe mais. No entanto, quando você vê essa força praticada nos terreiros de candomblé em 2022, interagindo com a atualidade, eu acho isso muito rico”.

Ancestralidade atual, desfile colorido, samba-enredo e canto da comunidade são as principais apostas

Em 2020, a escola da Pompéia, apresentou dois setores imponentes e luxuosos em seu desfile. O carro abre-alas, entrou na avenida cheio de detalhes e muito colorido. Dessa vez, o carnavalesco destacou que não será diferente. A questão multicor se fará presente. Além disso, a Águia de Ouro irá misturar a ancestralidade com o atual. Também, segundo o artista, o canto da comunidade e o samba-enredo são as forças da agremiação.

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“Esse desfile vai ter alguns códigos visuais que vão prender as pessoas, onde elas vão ver uma forma bacana de combinar o afro com a atualidade. Elas vão esperar coisas como palha, búzios, máscara, que são coisas características de enredo afro. Claro que vai ter, mas com o passar do desfile, vai ficando cada vez mais contemporâneo e mais moderno. Acho que isso é um elemento a se destacar. Outra coisa que eu usei em 2020 e vai ter neste desfile, é muita cor. Águia virá muito colorida, vibrante e eu acho que isso vai ‘acender’ o desfile. Outro elemento também é o samba. A escola canta muito, mas esse samba em especial, tem toda uma emotividade que vem da africanidade e tem uma letra muito própria para o que o enredo precisa, que é pedir paz”.

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Sidnei França destacou a ala das baianas, o casal de mestre sala e porta-bandeira e a segunda alegoria do desfile. “Acho que têm vários momentos (de destaque). As baianas vão passar muito bacanas pela beleza da fantasia, mas também pela representatividade do que elas vão ter no enredo. Apresentam Orum-Aiyê, o céu e a terra. O primeiro casal e o carro dois. Das quatro alegorias, a segunda, acho que vai ter a estética menos óbvia. Não estou falando de bonito ou não. Estou falando de uma proposta visual diferente do usual. Vai ter um certo choque. Não importa se é positivo ou negativo.

Carnavalesco marcou sua história na agremiação por escrever o primeiro título da história da Águia de Ouro

Logo de cara, a identificação de Sidnei com a comunidade da Pompéia foi nítida. Foi muito bem recebido e conseguiu obter todo o respaldo necessário da diretoria para executar o seu melhor desfile. E deu certo. Conseguiu entregar um desfile digno em 2020 e levou o seu primeiro caneco para a escola.

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É fato que um carnavalesco não ganha carnaval sozinho, mas é responsável por grande parte do que se vê em um desfile de escola de samba. Queira ou não, Sidnei França marcou o nome dele na história da agremiação e é o carnavalesco responsável pelo primeiro e único título da Pompéia.

“Dos meus 2 aos meus 36 anos de idade, eu fui de uma mesma escola de samba, que é a Mocidade Alegre. Fui da ala das crianças, de adultos, fui para a diretoria da Solange quando ela assumiu, fiz parte da comissão de carnaval, diretoria carnaval até virar carnavalesco. Ganhei quatro campeonatos: 2009, 2012, 2013 e 2014 na Mocidade Alegre, fui para a Vila Maria e Gaviões e não deu certo. Ganhar esse último carnaval serviu para eu pensar que tenho a oferecer. Eu era um menino da Mocidade Alegre que quando saiu de lá, não conseguia me achar. Então, a Águia de Ouro me deu essa oportunidade de desenvolver um trabalho do jeito que eu gosto, com a calma que eu tenho, pesquisas, que acabou funcionando e teve o resultado esperado para todos. É honroso para mim saber que eu tenho o nome na história da escola como carnaval ganho no Grupo Especial. Tenho um carinho muito grande pela comunidade, que é uma escola familiar, organizada, disciplinada, de pessoas alucinadas pelo pavilhão. É uma comunidade muito engaja e dedicada com os propósitos. Ser coroado com o título e ver a emoção dessas pessoas na apuração, não tem preço. Pessoas da velha-guarda me agradecendo e falando que aguardou tanto por esse momento. Isso é espetacular”.

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Dentro do carnaval paulistano, é inegável que Sidnei França está na primeira prateleira dos carnavalescos. O artista já assinou doze desfiles e já tem 5 títulos no currículo. Em 2009, logo em sua estreia na comissão de carnaval da Mocidade Alegre, já venceu. Dentro disso, Sidnei pregou humildade e mostrou todo o seu amor à folia de São Paulo

“Eu cresci em escola de samba. Minha mãe era passista da Mocidade Alegre e eu acompanhava sempre. Minha primeira memória não é de festa de aniversário, viagens ou de escola, e sim dentro de uma escola de samba. A escola de samba está na minha construção. Quando eu voltava de férias da escola, minha redação era sobre carnaval. Eu olho pra Nenê, Peruche e Camisa, eu lembro da minha infância, porque eu comecei na Tiradentes. Na pandemia teve muitas lives e eles sempre me perguntavam se eu tenho vontade de trabalhar no Rio de Janeiro e eu falo que não. Minha identidade é muito paulistana e eu acho que tenho muito que fazer no carnaval de São Paulo. Então, se um dia eu não for mais carnavalesco, eu continuo sambista acima de tudo”.

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Conheça o desfile

Setor 1
“Oxalá interferindo a favor da humanidade. Oxalá é o senhor da criação e da vida. Diz a lenda africana, que o ar que nós respiramos, é o sopro da vida dado por Oxalá. Então, nesse setor, vamos mostrar Oxalá agindo na Terra a favor da paz. Ele encontra um planeta arrasado, caótica e começa a atribuir com suas qualidades de um ser supremo. Começa a derramar compaixão, empatia, esperança. Cada ala vai mostrando como Oxalá vai agindo para corrigir as mazelas da humanidade perdida”.

Setor 2
“Quando a gente chega no segundo carro, ele vem representando o amor de Oxalá pela natureza, porque ele criou a vida na Terra. Ele tem amor por sua própria criação. Por exemplo, visualmente falando, nós vamos ter muitos caramujos, que é um animal de Oxalá. É um animal lento, porque Oxalá é um orixá idoso, anda curvado e o caramujo é associado por ser lento e ter um casco nas costas. Vamos ter água, terra, fogo e ar, que são os elementos da natureza. Toda a questão da natureza, estará nesse segundo carro”.

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Setor 3
“Depois a gente sai dessa questão ampla da vida e do amor para começar de fato a entrar na maneira de como Oxalá é celebrado. Principalmente no Brasil e mais especificamente na Bahia. Vamos mostrar a Bahia como o portal do novo mundo. Os orixás juntos com os escravos chegaram no Brasil e formaram o candomblé. A gente mostra como a Bahia mostrou e ensinou a cultuar Oxalá. Também aparecem outros orixás. A história de Ogum com Oxalá, Iemanjá, Oxóssi, Iansã. Então, nessa terceira parte, vamos mostrar como Oxalá é visto no Brasil.

Setor 4
“Nesse fechamento do desfile, dei um tom mais crítico e social. A gente deixa de falar de natureza e passa a falar de hoje. Como o mundo está atualmente e como Oxalá pode ser a salvação. Vamos falar sobre intolerância religiosa, preconceito racial, discriminação de gênero. A gente começa a mostra ala por ala, que Oxalá é presente nos dias atuais nessa questão de corrigir uma sociedade que é doente. Vamos mostrar o público GLS, igualdade de gênero, a questão das pessoas que atacam os terreiros de candomblé e umbanda. Mostrar como Oxalá que é um orixá supremo e paciente, amoroso, cordial, pode agir a favor da humanidade hoje e quebrar esses preconceitos hoje.

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Ficha técnica

Alegorias: Quatro
Componentes: 1800
Dois casais mestre-sala e porta-bandeira
16 alas e quatro grupos cênicos
Diretor de barracão Raimundo – (Rai)
Decoração de fantasias – Jaqueline Meira

Parceria e companheirismo: Claudinho e Selminha Sorriso completam 30 anos juntos com muito amor ao carnaval

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Claudinho e Selminha Sorriso formam o casamento e sintonia perfeita do casal de mestre-sala e porta-bandeira. No carnaval 2022, a dupla da Beija-Flor completa 30 anos de parceria e cumplicidade. Agradecendo e celebrando cada ensaio de quadra, os ensaios técnicos e também todos os desfiles que eles chegaram até aqui. Passando por dificuldades juntos, superando e aprendendo um com o outro é um pouco do que define a amizade do primeiro casal da azul e branco de Nilópolis. Mesmo com dificuldades, o que prevalece é o sentimento de parceria.

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Fotos: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Criamos nossos filhos juntos, nossa família é unida, tem todo o casamento, claro que é de um casal de mestre-sala e porta-bandeira. Somos muito amigos, óbvio que não pensamos iguais e temos ideias diferentes. Porém, o amor pela arte, pela escola, pela bandeira que defendemos nos faz sempre nos superarmos, sempre encontrando um ponto de equílibrio”, diz Selminha.

Para a porta bandeira é ótimo ter um equilíbrio na relação deles, como se fosse um casamento, só que de mestre-sala e porta-bandeira. “Tem que se equilibrar, se encontrar, um vibrar pelo outro, puxar quando tem que ser puxado, é toda uma magia de uma relação linda”.

Depois de dois anos sem ter carnaval por conta da pandemia da Covid-19, estar na Sapucaí desperta uma emoção profunda nos sambistas e com o mestre-sala Claudinho não foi diferente. “É algo maravilhoso. Acho que a gente estava com fome, com sede disso, depois de tantas vidas perdidas. Esse carnaval, esse ensaio técnico é para celebrar a vida, por isso estamos aqui”, conta o sambista.

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Já Selminha enfatiza o quanto é importante cuidar da avenida e das pessoas que passam por lá. “Aqui é um templo, onde temos que saudar os deuses e pedir passagem. Entender que é sempre um desafio, que os guerreiros que passam por aqui estão passando por um desafio, é incrível como é mágico”.

A emoção é o sentimento que se faz presente em todos que voltam a pisar novamente na Sapucaí, muitos se prepararam para estar lá e a primeira porta-bandeira da Beija-Flor foi uma dessas pessoas. “Tem que ser reverenciado. Ver a comunidade toda, o respeito, foi muito emocionante. As pessoas respeitam a imagem, a dança, a história. Por mais que você se prepare, é preciso redobrar o preparo. É na emoção, é no canto, é na dança, é na fantasia. Alguma coisa você tem que se desdobrar e falar: eu mereço estar aqui, muito obrigada por estar aqui”, relata Selminha.

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Com 30 anos de parceria, a sintonia do casal é muito boa. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a dupla contou que o casal tem uma disciplina incrível e o dinamismo necessário. Com 48 anos de idade, Claudinho dança como se tivesse 20, o bailado, a proteção, firmeza e cuidado com Selminha são algumas das qualidades que o mestre-sala possui. No total eles têm quase 52 anos desfilando, enfrentando limitações, mas no final o que vale é o amor, a força e a garra que ambos possuem pelo pavilhão.

Amor fraterno, amizade e companheirismo são alguns dos tipos de amores que Selminha tem por Claudinho. De acordo com a porta-bandeira, eles vão envelhecer juntos e compartilhar histórias com a galera mais jovem. “Sempre vai ter o meu amor, amor de irmão, de porta-bandeira, de amiga. Vamos ficar velhinhos juntos, contando histórias, compartilhando conhecimento. Estamos aprendendo ainda, mas com o pouco que a gente sabe compartilhamos com os mais jovens. Eternizando nossas histórias e compartilhando conhecimento e experiências”, explica a sambista.

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Religioso, Claudinho diz que tudo acontece com a permissão de Deus. Seja nos ensaios de quadra, rua, ensaio técnico e no próprio desfile, ele agradece muito por estar ali. “Porque Deus tem um propósito em nossas vidas e só temos a agradecer a ele. E que venha o desfile sobre as bênçãos de Deus”, afirma o mestre-sala.

De bailado em bailado, coreografias e danças sempre na temática do enredo. O experiente primeiro casal nilopolitano sabe muito bem quais são os seus limites e também como surpreender a todos. No ensaio técnico na Sapucaí, a dupla não apresentou a coreografia pro desfile e deixou um gostinho de quero mais para o público presente. Claudinho comentou a decisão: “A coreografia não é oficial, a gente colocou alguns pontos que vamos usar no dia do desfile. Tem muita surpresa ainda. Mas colocamos 50% que é nosso condicionamento físico”.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Beija-Flor

Por fim, essa dupla é consagrada e muito respeitada por todos os sambistas. Esses 30 anos dizem muito sobre toda a sintonia que possuem e esperamos ver Claudinho e Selminha brilhando na Sapucaí por muito tempo. Para que assim possam abrir portas para o pessoal mais jovem compartilhando experiências e o conhecimento.

Mangueira teve nota máxima em samba e enredo nos últimos cinco anos, mas sofreu em comissão de frente

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A série ‘De olho nos quesitos’ dá sequência ao levantamento das notas aplicadas nos últimos carnavais aos nove quesitos do julgamento dos desfiles. A Mangueira é a escola abordada nesta reportagem do site CARNAVALESCO. Campeã duas vezes nos últimos cinco desfiles, a verde e rosa chegou a gabaritar todos os quesitos em 2019.

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Ao longo de cinco anos a Mangueira foi punida em 23 décimos, o que dá uma média de apenas 0,4 de punição por ano. O já citado ano de 2019 foi o desempenho mais positivo da escola, onde não perdeu nenhum décimo e em 2020 o pior, com 1,1 ponto de punição total.

Abaixo leia o desempenho da Mangueira quesito a quesito:

Alegorias e Adereços

Desde que contratou o carnavalesco Leandro Vieira, a Mangueira perdeu apenas quatro décimos em cinco anos neste quesito. E se não fosse o julgamento de 2020 (quando verde e rosa perdeu três décimos em seus carros) teria sido apenas um décimo perdido no desfile de 2018. Em 2016, 2017 e 2019 a escola tirou 30 pontos.

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Bateria

Apenas no desfile de 2018 a bateria Tem que respeitar meu tamborim sofreu alguma punição do julgamento. A escola deixou um décimo ao ser descontada em dois módulos de julgamento. Em 2016, 2017, 2019 e 2020, mesmo tendo sido despontuada em algum módulo, pelo regulamento do descarte a Mangueira fechou o julgamento com a nota máxima, o que coloca como o segundo melhor desempenho da escola nos últimos cinco carnavais.

Comissão de Frente

Este quesito responde por 40% do total de perdas da Mangueira nos últimos carnavais. Foram nove décimos de punição desde 2016. O pior ano foi em 2018, quando a escola perdeu quatro décimos em comissão de frente de uma só vez. Com a mudança no comando do quesito, após a chegada de Priscila Motta e Rodrigo Negri, em 2019 os 30 pontos foram conquistados e apenas um décimo foi perdido em 2020.

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Enredo

Desde a chegada de Leandro Vieira, a Mangueira não sabe o que é perder pontos em enredo. A partir de 2016 foram 30 pontos em todos os anos de julgamento, com direito a dois títulos, muitas premiações e o reconhecimento de Leandro como grande enredista da festa.

Evolução

Impulsionada por grandes desfiles e grandes sambas, a evolução da Mangueira perdeu poucos pontos no levantamento recente. Em 2017 a escola perdeu um décimo, em virtude de um buraco deixado na pista quando a escola rumaria para um inquestionável bicampeonato. Em 2020 foi perdido outro décimo no quesito, totalizando apenas dois nos últimos cinco anos.

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Fantasias

Outro quesito do julgamento relacionado ao trabalho do carnavalesco e à gestão de barracão da escola, fantasias também só perdeu dois décimos nos últimos cinco anos. Os dois em 2020, quando a escola totalizou 29,8. Entre 2016 e 2019 a verde e rosa fechou o julgamento com 30 pontos.

Harmonia

Outro quesito impulsionado pela recente safra de grandes obras escolhidas foi o Palácio do Samba. Em 2017 a escola acabou não obtendo uma nota máxima que era certa, em virtude do já citado acidente em evolução, que acabou respingando em harmonia. O outro décimo perdido aconteceu em 2020, quando o samba acabou não obtendo o resultado esperado no canto dos componentes.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Não fosse o desfile de 2020 para o casal da Mangueira, este seria o melhor quesito da escola nos últimos anos, junto de enredo e samba-enredo. Entre 2015 e 2019 foram 30 pontos, com direito a nenhum décimo perdido independente do descarte. Em 2020, entretanto Matheus Olivério e Squel perderam três décimos, quebrando a boa sequência do quesito.

Samba-Enredo

Com obras antológicas levadas à avenida desde 2016, os poetas de Mangueira foram aclamados com 150 pontos em cinco carnavais. Isso representa 100% de aproveitamento do quesito, o melhor da Mangueira nestes anos ao lado de enredo.

Entrevistão com Zé Paulo: ‘os grandes responsáveis pelo meu amadurecimento como cantor são ‘os Marcelos’ (Calil)’

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Na Unidos do Viradouro desde 2014, o intérprete Zé Paulo Sierra viveu nestes oito anos em que está na Vermelha e Branca de Niterói um período de grande amadurecimento, se firmando como protagonista e voz oficial no Grupo Especial, após subir com a escola em 2019. Antes da Viradouro, Zé Paulo passou por Unidos da Ponte, Arranco, Caprichosos de Pilares, X-9 Paulistana, além de dividir o microfone oficial na Mangueira. Na Viradouro sossegou, evoluiu, aprendeu muito com Marcelo e Marcelinho Calil (patrono e presidente), aos dois se refere carinhosamente, como “os Marcelos”.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Zé Paulo fala sobre todo aprendizado que o ajudou a crescer como cantor na Viradouro, revela seu entendimento sobre a profissão de intérprete e as dificuldades destes profissionais do carnaval de se estabilizarem em carreiras fora da folia, descreve sua relação com o mestre Ciça, além de relembrar carnavais e sambas importantes que viveu e cantou no carnaval.

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Intérprete ou puxador? E qual diferença para você?

Zé Paulo Sierra: “Eu sou um pouco de cada coisa. Eu acho que o puxador faz parte da minha vida porque eu vivenciei o carnaval criança vendo os puxadores de samba. Então, tinha essa nomenclatura, o único que não gostava de ser chamado era o mestre Jamelão. Mas, aí também a gente entende o sentido da palavra intérprete. Eu me considero um pouco puxador por ter vivenciado na minha infância e na minha formação os puxadores de samba, e me identifico como intérprete, porque acho que o samba é composto de letra e melodia, e a letra precisa ser interpretada da sua forma total. Então eu tento conjugar dentro do que eu acho mais bacana, até para o desfile da escola, essa parte da letra e da melodia. Você usa um pouco da pegada do puxador, da chamada da escola, e na letra você consegue colocar a parte interpretativa. No meu caso também com teatralização, caracterização. Mas, eu me considero intérprete e puxador sem problema nenhum”.

Por que é quase impossível um cantor de escola de samba ser um cantor de samba ou MPB o ano inteiro?

Zé Paulo Sierra: “Eu acho que criaram um estereótipo no cantor de samba-enredo que não existe. Aquele cara duro que canta um samba. E, acho que era por isso que o Jamelão brigava tanto, para desfazer esse estereótipo. Porque você tem o Jamelão, Dominguinhos do Estácio. Neguinho é hoje o único cantor que tem uma carreira paralela ao samba-enredo. Mas, você tem o Wander Pires que canta pra caramba, que canta outros gêneros, tantos outros cantores aí que podem ter essa vertente. Às vezes a gente até tenta, já teve grupos de puxadores de samba, Jackson Martins que era um fenômeno também, e já tem os puxadores de samba, o ‘Setor 1’, mas parece que as pessoas nos olham como o cantor de samba-enredo. Eu acho até engraçado, porque às vezes você vai fazer uma live e canta até alguma coisa fora de samba-enredo, as pessoas até já ficam chateadas, ‘pô, tem que cantar samba’. Atrelam muito a nossa imagem ao cantor de samba-enredo, aquele cara que passa na Avenida puxando ou interpretando samba, mas fica muito rotulado. Acho que tem muitos talentos no meio e com possibilidades de cantar outras coisas. Eu me considero um cara versátil, já tenho trabalhos cantando outras coisas, até um projeto da Rádio Arquibancada que eu canto ‘Love of my life’ do Queen, rádio pirata do RPM, me vejo em uma condição bacana para tentar esse tipo de voo mais alto. Se eu quero, já é outra etapa. Eu acho muito mais fácil um cara que canta samba-enredo, que é tão difícil de ser cantado, ir para uma outra vertente, do que uma pessoa que não está acostumada a cantar samba-enredo, vir cantar samba-enredo”.

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Você gosta de cantar outros gêneros na quadra. Ainda existem os xiitas que não gostam. O que você pensa sobre ter outras alternativas dentro de um ensaio comercial ou show da escola?

Zé Paulo Sierra: “Lá na Viradouro, a gente não tem ensaio comercial, mas acho que muitas escolas fazem hoje, não vejo nada de ruim nisso, desde que fique claro que o carro chefe daquela casa é o samba-enredo. Mas, acho que um pocket show da escola pode se fazer uma coisa para uma apresentação de um segmento, ou uma coreografia de uma ala de passistas, ou uma ala coreografada com outro tipo de música, ou outro gênero. Mas, acho que dentro de uma escola de samba tem que ficar claro que ali é um reduto de samba-enredo”.

O que o Alabê representa na sua vida?

Zé Paulo Sierra: “Eu falo que eu encenei o Alabê na Avenida porque aquilo realmente foi uma coisa que transcendeu até a minha expectativa. Eu nunca vou para a Avenida sem um plano. E no Alabê aconteceu muita coisa ali na hora do desfile. Eu tive um problema sério ali no som, uns 15 minutos que a gente ficou tentando ajustar o som, a gente até começa o desfile bem, mas o som dá uma falhada em alguns momentos. Mas, o processo da caracterização do Alabê é muito bacana porque eu lembro de conversar com o Max (Lopes, carnavalesco), e perguntar se eu podia vir de Jesus Cristo com o carro de som. E ele falou que não, porque já tinha alguém que ia encenar o Jesus. Eu fui para casa aquele dia meio sem ideia do que eu queria fazer. Eu botei o samba para ouvir e quando chegou no refrão eu falei ‘ é isso’. Vou pesquisar quem é esse São João Batista. E aí que vem o lance legal, o São João Baptista que eu descobri que era o protetor da Viradouro, era o mesmo São João da minha infância e da festa junina. Pesquisei uma imagem dele, a primeira que veio, era igual a mim. Falei com o Max, ele liberou. E, quando eu cheguei para o dia do desfile e fui para o restaurante que tinha na Sapucaí, eu fico ali me concentrando, aquecendo a minha voz. E, quando eu me vesti, já no restaurante as pessoas começaram a me olhar muito estranho. Uns não sabiam quem eu era, obviamente, os que me conheciam não tinham coragem de falar comigo, porque ficavam tentando entender o que eu ia fazer, como um cantor de samba-enredo está vestido daquela forma, né? E aí eu fui ali para o primeiro box, e ali fiquei sozinho porque ninguém chegava perto de mim. Não sei se era o meu nível de concentração que era muito grande. Eu não tinha a intenção de ficar com a cruz todo o tempo na mão, por causa do microfone e tudo mais. O plano A era fazer uma encenação do São João Batista encontrando com Xangô, a bateria vinha e eu entrava no meio da bateria e a gente batizava algum daqueles apóstolos que era o menino que ficava segurando a minha cruz. Só que como deu problema no som, eu falei assim, agora caiu tudo por terra, eu preciso mudar o rumo do que eu ia fazer. Porque essa coisa de abrir bateria e esperar a bateria abrir para eu fazer, eu já perdi a minha escola passando, e quem me conhece sabe que eu vou no meio das alas e tudo mais. Eu fiquei 15 minutos parado dentro do box sem poder ver as alas passarem, sem poder me comunicar com a escola naquele início porque eu estava tentando ajustar o som. Quando ajeitou o som e eu saí, eu decidi que ia com aquela cruz até o final na mão. Para mim é um acontecimento. Porque é o que eu falo, as pessoas me viam e ficavam muito impressionadas. Eu só fui ter a noção mesmo do que aconteceu no dia seguinte, quando abre rede social, teu telefone toca, mas é uma coisa que até hoje nas apresentações da Viradouro, quando eu vou fazer, que eu me visto de São João Batista, é uma coisa que impacta muito. O Alabê é a grande mola propulsora da minha carreira como intérprete de samba-enredo”.

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E o ‘ensaboa’ que poucos acreditavam e aconteceu?

Zé Paulo Sierra: “É muito especial porque é um samba que as pessoas não acreditavam. E, isso motiva demais, cara. A gente trabalha muito aqui na Viradouro, a gente ensaia demais, só no ano do ‘ensaboa’, e eu gosto de frisar isso, foram 16 ensaios de rua. Então, a gente tinha certeza que esse samba ia acontecer. Quando a gente ouvia as pessoas falando ‘ah, esse samba vai ser caricato’, vai ser isso, vai ser aquilo, e conforme a gente ia ensaiando, esses caras estão errados, não é possível. E aí, isso motivava a gente ensaiar mais e tentar transformar esse samba no que ele foi executado na Avenida. Isso vem de um quebra-cabeça, eu e o Ciça, a gente bate muita bola, a gente está o tempo todo se comunicando, e quando sai a gravação do CD, as opiniões começam a mudar sobre o samba. E aí, foi o primeiro termômetro para a gente. Aí tem o mérito do Jorge Cardoso, que é o nosso diretor musical e arranjador do disco também. Junto com a equipe toda, Ciça, Dudu e Alex, Marcelinho e Marcelão, a gente consegue botar o CD na rua e as pessoas conseguem já identificar o samba e falar ‘opa, esse samba já não é tanto assim como a gente pensava que era’, é um samba que dá para acontecer alguma coisa, mesmo assim tinha aquela dúvida. E aí, vem o lançamento do CD na quadra do Salgueiro, e eu virei para o Ciça e falei ‘vamos largar o ‘ensaboa’ para ver o que vai dar’, e ele concordou. Largou, quando largou, todo mundo cantou. Já foi um outro termômetro para a gente. Vai passando ensaio, a gente sentindo o samba crescer, a escola firme, com vontade de ser campeã, porque tinha sido vice um ano antes. E, também tinha aquela coisa de ser a segunda escola de domingo. Aquele ensaio da Amaral Peixoto, quando filmam a gente de cima de um prédio, é toda a escola na Avenida cantando o samba, ali foi o grande momento. Só que para muita gente já era tarde, o samba pegou. E para mim, a última pecinha de encaixe para saber se ia funcionar, foi no dia da Lavagem. Vamos largar para ver o que acontece, estava chovendo muito, pouca gente, mas todo mundo cantou, e a gente tinha essa surpresa das meninas tocando, a gente sabia que ia ter um momento para isso. E, o samba aconteceu na Avenida. E aí que vem o grande lance de 2020, as pessoas ficam falando muito de dinheiro aqui, mas esquecem que a gente trabalha para caramba. E, o quesito que a gente ganha, não tem dinheiro. É a harmonia e a evolução. E no quesito que o dinheiro poderia fazer a diferença, a gente poderia ter perdido o carnaval, que foi um gerador que não funcionou, e um carro veio apagado. Carnaval acontece na Avenida, a verdade é essa. Ninguém ganha parado com um barracão bonito. Ninguém perde parado com um barracão estranho. Tem um quesito que ele é altamente subjetivo, e que ele só se torna visível na Avenida, que é a emoção. Hoje você canta o ‘ensaboa’ em qualquer lugar, e em qualquer lugar virou hit. Aquele samba que era o patinho feio do início da disputa de samba, ele se tornou o hit do carnaval 2020”.

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Hoje, o ensaio da Amaral Peixoto é o melhor do Rio? Qual a importância dele para o seu trabalho e da escola?

Zé Paulo Sierra:”Melhor do Rio, eu acho que não dá para cravar. Eu acho que os ensaios de todas as escolas de samba são maravilhosos. Você está perto do seu público, já é fantástico, seja em Niterói, seja em Padre Miguel, na Mangueira, ou em Madureira, ali em Vila Isabel, enfim, todos. Essa cumplicidade de escola e comunidade não dá para cravar que um ensaio é melhor que o outro. Cada um tem a sua característica, tem a sua identidade. O que a gente tem ali na Amaral Peixoto é o privilégio muito grande de ter uma avenida tão propícia para fazer um ensaio técnico, que permite a gente ter um espaço, se não igual, muito parecido com o que a gente vai ter no dia. Então, a gente consegue refazer os dois recuos bem, a gente tem avenida reta e larga, é para gente o melhor ensaio que tem. Porque a gente consegue ensaiar tudo, claro, só não tem o som da Avenida. Você consegue ensaiar o que você quer, principalmente, andando e fazendo movimento. A gente tem uma área de concentração enorme. Você consegue concentrar bem, uma concentração de desfilante, em que os últimos ensaios lá a gente conseguiu colocar quase todo mundo que ia desfilar no desfile oficial. Nos ensaios da Amaral Peixoto a gente tem um contingente de desfile. Para a gente é muito importante, porque além do movimento de desfile, das estratégias que a gente vai fazer, a gente executa exatamente o que a gente vai fazer, o tempo de parada, simula jurados, as bossas, enfim, a gente só não tem alegoria, e ainda tem o público, o morador de Niterói”.

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Fala da sua relação com o Ciça?

Zé Paulo Sierra: “Um cara que te liga em 2019 quando ele volta para a escola, apresentação dele em uma segunda-feira na quadra, tem 400 ritmistas esperando o cara, aí você vai botar a voz no disco, neste dia, no primeiro ano do retorno, ele te liga porque ele quer te ver colocar a voz no disco, cara. É uma relação de pai e filho. Eu converso com ele praticamente todos os dias, não só de carnaval, mas de tudo, porque a gente gosta de conversar, fizemos muitas coisas juntos durante a pandemia. Além de um ser humano fantástico, um cara que tem um carisma fenomenal, uma estrela gigante, ele tem tudo que um ser humano precisa ter. É engraçado, é ranzinza, é uma figura que você olha e dá vontade de abraçar. Então, o Ciça é um cara muito especial na minha vida, além de tudo me deu o privilégio de em 2020 eternizar o nome dele com o ‘Vai Ciça ‘, entrar no meu grito de guerra. Foram cinco vezes no desfile passado, nas cinco bossas, esse ano a gente preparou uma coisa diferente, até porque para não ficar aquela coisa do mesmo lugar, sem dar brecha no julgamento de Harmonia, sempre em lugar vazio do samba. A gente preparou porque ele gosta, ele pede, e as pessoas esquecem que o seu Domingos já fazia isso com ele na Estácio, o Ito fazia ele com isso na Ilha. E eu graças a Deus tenho esse privilégio de fazer isso com ele na Viradouro. E pode se preparar porque o velhinho está empolgado e ele vai trazer surpresinhas na Avenida”.

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Trabalhar na gestão Calil é diferente de tudo que você já viveu?

Zé Paulo Sierra:”Você está aqui no barracão e está vendo o que é. Isso aqui é uma empresa. As pessoas estão de crachá aqui dentro. Você tem um chefe de segurança de trabalho, técnico de segurança de trabalho 24h dentro de um barracão. Uma estrutura de sala de imprensa, sala de ensaio. É uma gestão de pessoas. São dois caras, a gente chama eles de ‘os Marcelos’. Que não só te olham como um número aqui dentro. Claro que eles cobram, é normal, quem não quer ser cobrado não tem que ter responsabilidade. A gente é cobrado, trabalha muito para ter resultado. E, assim, qualquer coisa que marcam com eles, eles são os primeiros a chegar e os últimos a ir embora. Como é que alguma pessoa vai ter coragem de fazer diferente, se você vê o seu patrão chegando primeiro, não tem como. Além de tudo, é uma gestão de respeito, humanidade. Meu pai morreu e uma das primeiras pessoas que me liga são eles. Não só, Dudu e Alex, que estão sempre dispostos a tudo, que são porta-vozes também quando eles não podem falar. Tem toda uma estrutura aqui que faz essa engrenagem funcionar. É muito diferente de tudo, não só do que eu trabalhei. É uma empresa, tem hora para chegar, hora para sair, onde se respeitam as opiniões, se conversam muito, de trabalha muito, e se tem muita dedicação. A maior cobrança deles é que você esteja aqui por inteiro e se dedicando. Eu falo com o Marcelinho todo dia. Ele vê um vídeo nosso no Baródromo, é já fala ‘o que você acha de fazer aqui, aquilo que você fez’, ‘ficou legal, vamos tentar fazer, mas é só uma sugestão’, e eu já compro essa ideia. Se for legal já ponho para jogo, se não der eu falo também, sugiro outro, meu carro de som é a mesma coisa. A gente troca uma ideia já. Nada aqui funciona de forma aleatória, ou sem que ele saiba. A gente vai para o desfile já sabendo tudo o que vai fazer. Contando uma curiosidade, pouca gente sabe disso, em 2019 no desfile, eu dei o grito de guerra antes de começar o desfile. Porque a gente ensaiou muito na Amaral Peixoto de eu cantar o samba hino, o Marcelão ia falar e assim que ele acabasse de falar, ele me entregava o microfone e eu dava o grito de guerra para começar o desfile. E assim foi feito, o Marcelão acaba de falar, me dá o microfone, e eu começo, opa, grito de guerra. Mas, eu sempre estou muito atento. E eu olho e vejo o Marcelinho correndo, e se movimentando muito. Eu fiz o ‘prepare o seu coração’, e ele se movimentando, procurando alguém. E, eu fui olhando para ele, ‘e lá vem a escola da emoção’, e eu vi e pensei ‘deu m….’. Não fiz nada, segurei, fiquei quietinho. Paramos tudo, porque não tinham autorizado o nosso desfile ainda. O nosso cronômetro é cravado como o do relógio para liberar a apresentação da comissão de frente. E, autorizou novamente, e a minha condição psicológica estava muito boa, porque eu me preparei bem para aquilo, então dei o grito depois como se nada tivesse acontecido, mas assim que acabou o desfile, nós conversamos. Eu, Dudu, Alex, Marcelão, Marcelinho, todo mundo. Aí o Marcelinho virou para mim e falou ‘isso nunca mais vai voltar a acontecer’. Na entrada de 2020, está eu e Marcelinho um do lado do outro o tempo todo esperando a ordem do Alex para começar o desfile. E só começa quando o Alex autoriza e a gente aperta a mão e vai. É tudo muito orquestrado aqui. Não é só uma gestão comercial, tem uma gestão pessoal também, eles sabem lidar com esse povo”.

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Gostaria do carro de som ser oficializado como sub-quesito de Harmonia, como letra e melodia são de samba?

Zé Paulo Sierra:”Não é uma coisa que me incomoda não, se a gente não quisesse responsabilidade, a gente não estava ali, né. Eu acho que só virá mais uma responsabilidade para gente, a gente precisa entender o jogo. E, voltando aquele lance de gestão pessoal, e em 2018 quando eu renovo para 2019, uma conversa que eu tive muito importante com o Marcelo e com o Marcelinho foi na questão do meu amadurecimento como cantor. E, eles passaram para mim ‘ eu não quero só o cara que se caracteriza ‘, ‘ você canta para cacete, eu quero o cara que se caracteriza, mas eu quero o cantor’, ‘o primordial é o cantor’. Em 2016, 2017 e 2018, apesar da caracterização, de prêmio, eu tomei pancada de jurado, justamente nesses quesitos, por que eu estava sendo julgado. Em 2019 e 2020, eu já não tomo. Porque a conversa que eu tive com eles me fez entender esse jogo. O jurado está ali, ele não está ali à toa. Então o cantor de samba-enredo tem uma função. Claro que é subjetivo o que o jurado quer, mas ele está ali prestando a atenção no que você está fazendo. O que a gente entende hoje é que ele não quer que um caco atrapalhe a letra do samba. Ele não quer que você desafine. Ele não quer que você cante fora do tempo. Ele não quer que você cante diferente do seu apoio. As vozes desencontradas. Então, se virar quesito não tem problema, porque a gente vai fazer o que a gente vem fazendo, já é avaliado em harmonia. Se você pegar justificativas de harmonia nos últimos anos, tem batido em carro de som. É importante ler justificativas, a gente precisa saber o que está acontecendo, em que a gente perdeu ponto em determinados quesitos, principalmente em samba-enredo e harmonia, até para tentar consertar o que vem pela frente. Então, se virar quesito, para mim não vai fazer diferença nenhuma porque eu já estou sendo julgado”.

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A gente nunca mais vai ver o Zé subindo na grade e indo nas frisas nos desfiles?

Zé Paulo Sierra: “Não vai (risos), é uma questão de amadurecimento. É o que eu falo, a gente não precisa daquele Zé Paulo que subia na grade. Eu fazia aquilo ali com uma forma de tirar o foco de algumas coisas erradas que de repente estavam acontecendo. Não tem mais necessidade disso, a minha função é cantar. Foi isso que os ‘Marcelos’ me fizeram enxergar. ‘Eu não quero você em cima da grade, você não precisa estar ali’. ‘A gente quer você cantando, claro que você não vai perder sua identidade, sua parte emocional, brincar com componente, mas não precisa subir em cima da grade’. E é verdade, qual a diferença que eu vou trazer subindo em cima da grade? O que que vai mudar no desfile? Nada. Então, eu acho que tudo isso é uma questão de amadurecimento, de você entender. Porque você recebe muito elogio. E quando você recebe uma crítica construtiva, você precisa ter o discernimento de entender que aquilo ali é uma coisa para o seu bem. E, não é toda hora que alguém vai te dar esse feedback cara. Eu falo isso para eles de boa, os grandes responsáveis pelo meu amadurecimento como cantor são os ‘Marcelos’. Porque eles me fizeram enxergar essa coisa de colocar o intérprete como fator primordial. E, eles citaram o desfile de 2017, uma coisa que o jurado não me tirou ponto, mas que ele fala muito bem, ‘o cantor deixou de fazer o seu papel principal, para trocar de roupa’. Só que eu estava dentro de uma casinha cantando, mas o jurado não estava me vendo cantar. Então, eu podia ter prejudicado a escola com aquilo. Tudo isso vai fazendo você amadurecer e ver qual é o melhor caminho”.

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A preparação dos cantores profissionalizou ou ainda tem muito folclore que é só chegar lá e cantar?

Zé Paulo Sierra: “Eu acho que ainda tem, isso é legal também. Eu não compartilho, acho que tem que ter uma preparação, porque é muito desgastante, você cantar uma hora, a mesma música o tempo todo, tendo que colocar intensidade, vibração, garra. Nem sempre você vai conseguir usar a técnica o tempo todo, então, é muito desgastante. Eu acho que além da preparação física, a preparação vocal para mim é fundamental. Eu acho que a maioria agora está se cuidando bem, cada um com seu jeito, mas se cuidando, eu tento o máximo, dentro da minha característica de canto, que é muito mais expressiva, me movimento bastante, a minha parte física tem que estar muito em dia. Eu tenho um Jiu-jitsu que me ajuda para caramba. De 2017 para cá, eu faço terapia também que me ajuda muito na parte psicológica. E ainda tem a saúde vocal. É primordial. Eu abdico de muita coisa para chegar naquele dia lá. Eu amo tomar uma cerveja, eu amo comer um churrasco, eu estava me preparando para fevereiro, então, quando virou o ano, eu já estava abdicando de tudo. Mas, como teve essa pausa, a partir de março abdiquei de muita coisa, deixando de fazer o que a gente gosta, para estar focado 100% no dia 22(04), que para mim ainda vai ser mais especial pois é o dia do meu aniversário”.

O ‘samba da carta’ calou os críticos? Pode ser a obra do ano?

Zé Paulo Sierra: “Cara, eu acho que calar 100% não, só vai calar no dia do desfile, nem calar, sempre vai ter alguém que vai falar besteira. A gente canta esse samba em muitos lugares, e é bom que tenha gente que duvide. Eu gosto. De verdade. Eu acho que tem que ter mais gente duvidando ainda. Quanto mais melhor. Eu acho que é um samba maravilhoso, lindo. Eu acho que é um dos grandes sambas que eu vou ter a oportunidade de defender, como o Alabê, o Arranco 2006, e a ‘Carta’. Acho que a ‘Carta’ é o grande grito do carnaval. Esse samba tem várias frases soltas que você pode usar para um monte de coisa. Mas, o ‘carnaval te amo, na vida és tudo para mim’, é muito representativo por aquilo que a gente vem vivendo, ataques ao carnaval, principalmente aos desfiles das escolas de samba, muitas vezes baseado em fakenews. Então, que fique muito claro que as escolas de samba não têm nada a ver com pandemia e foram as primeiras a se manifestar, a pararem suas atuações, cancelarem seus eventos, ajudarem no que era preciso. E a ‘Carta’ é esse desabafo também, para a gente poder dizer o quanto a gente ama o carnaval, independente se a gente vai ganhar o carnaval ou não. Quem tem boca fala o que quer. E, eu acho isso bom para caramba, também. Eu acho que a gente vive em um país que a gente tem essa liberdade. Mas, tudo isso tem uma consequência. Eu acho que muita gente ainda vai se render, outras por mais que seja uma catarse, vão continuar batendo, o que eu acho fantástico também, porque não vão mudar de opinião. Eu gosto que as pessoas tenham dúvidas porque isso motiva, isso traz um gostinho especial para o dia. Eu acho que o Filósofo e os parceiros foram muito felizes no que fizeram, é um samba que vai se eternizar principalmente porque ele é lindo e porque gera debate. Tudo que é muito bom e gera debate, é essencial”.

De olho nos quesitos: Imperatriz perdeu 15 décimos em comissão de frente nos últimos cinco anos e apenas três em bateria

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A temporada 2022 da série ‘De olhos nos quesitos’, produzida anualmente pelo site CARNAVALESCO, traz um levantamento dos últimos cinco anos de julgamento do Grupo Especial. Iniciamos esta série com a Imperatriz Leopoldinense e a amostragem propõe abordar as notas dos nove quesitos em julgamento de um desfile.

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Com o rebaixamento ocorrido em 2019, nossa pesquisa engloba o período entre 2015 e 2019, para haver isonomia entre todas as escolas. A verde e branca de Ramos vem sendo muito penalizada, principalmente, naqueles quesitos considerados plásticos. Em cinco anos, foram 1,5 pontos perdidos em comissão de frente, uma média de 0,3 por ano. Em alegorias e adereços a Imperatriz perdeu 13 décimos desde 2015 e 12 em enredo.

Em contrapartida o desempenho nos quesitos de pista tem beirado a perfeição na verde e branca. A bateria Swing da Leopoldina só perdeu 0,3 ponto em cinco anos, todos em 2015, ainda sob o comando de mestre Noca. Desde que Lolo assumiu a bateria foram quatro carnavais com a nota máxima. Outro quesito que teve ótimo desempenho foi samba-enredo. Dos cinco décimos perdidos em cinco anos, três ocorreram em 2019, ano do rebaixamento.

Alegorias e Adereços

Apenas no Carnaval 2016 a Imperatriz conseguiu deixar um julgamento do quesito com a nota máxima, 30 pontos. O pior desempenho da escola aconteceu no ano de 2019, quando deixou seis décimos somando apenas 29,4, o seu pior naquele ano ao lado de enredo. Em 2017 e 2018 foram três décimos e em 2015 apenas um décimo perdido. O levantamento confirma o enfraquecimento da gestão de barracão da agremiação que culminaria com o rebaixamento.

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Bateria

A Swing da Leopoldina tem garantido notas máximas à Imperatriz nos últimos carnavais. O trabalho de excelência de mestre Lolo foi o único a gabaritar o julgamento em 2019. A última vez que a Imperatriz saiu de uma apuração sem a nota máxima em bateria foi em 2015 (onde perdeu três décimos), justamente o último ano de mestre Noca à frente dos ritmistas de Ramos.

Comissão de Frente

Este é o quesito mais desafiador para a nova Imperatriz. A agremiação perdeu no mínimo dois décimos por ano em comissão de frente, totalizando 1,5 ponto ao longo dos cinco anos do levantamento. Só em 2019 foi 0,5 ponto de punição. Em 2017 foram quatro; em 2015, 2016 e 2018, mais dois. Vários coreógrafos passaram no período e nenhum conseguiu conquistar os jurados.

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Enredo

Assim como outros quesitos visuais da verde e branca, enredo tem significado a perda de muitos décimos à Imperatriz. O desempenho mais fraco aconteceu em 2019, quando a escola deixou seis décimos somente neste quesito, o que representa 50% de toda a perda analisada. Em 2015 a Rainha de Ramos conquistou os 30 pontos e nos três anos subsequentes foram dois décimos perdidos por ano.

Evolução

Ao lado de fantasias, evolução é o terceiro melhor desempenho da Imperatriz na avenida nos cinco anos abordados no levantamento. Com oito décimos perdidos no total, metade deles aconteceu no desfile de 2019, quando a escola acabou rebaixada. Os carnavais de 2015 e 2016 representaram a nota máxima (30 pontos), o que não se repetiu em 2017 e 2018, com a perda de dois décimos por ano.

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Fantasias

Em relação à plástica o melhor desempenho da Imperatriz tem sido em fantasias. Foram três décimos perdidos no fatídico 2019, mas apenas um em 2015, 2017 e 2018. No ano de 2016 a perda foi um pouco maior, dois décimos. Na soma total, oito décimos foram perdidos em cinco desfiles, média de apenas um por ano.

Harmonia

Ao se analisar apenas os quesitos considerados de pista (samba-enredo, bateria, evolução e harmonia) o último obteve o mais fraco desempenho dos últimos carnavais. Foi um total de nove décimos perdidos em harmonia entre 2015 e 2019, quatro deles apenas no ano do rebaixamento. Apenas em 2016 a Imperatriz alcançou a nota máxima.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A formação do casal Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro ajudou o quesito a ser o terceiro melhor da Imperatriz nos últimos cinco carnavais, sete décimos perdidos. A primeira vez que perderam pontos aconteceu justamente no rebaixamento em 2019 (três décimos). Em 2015 (dois décimos perdidos) e 2016 (dois décimos) a formação do casal era diferente e apenas Rafaela era a defensora do pavilhão.

Samba-Enredo

Talvez seja o quesito mais bem sucedido da história da Imperatriz. Com uma linhagem de obras das mais ricas da história, em cinco anos a verde e branca foi punida com apenas meio ponto perdido. Isso porque a obra de 2019 acabou representando três décimos em relação ao cômputo geral. Em 2015 e 2016 foram 30 pontos e em 2017 e 2018 apenas um décimo de punição. Apenas o quesito bateria obteve melhor desempenho.

Série Barracões Série Ouro: ‘Deu Castor na Unidos de Bangu’

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Desde 2018 desfilando na Marquês de Sapucaí pela Série Ouro, a Unidos de Bangu é uma agremiação de respeito da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. A escola foi criada por conta de um bloco que teve a fundação feita por operários da extinta fábrica de tecidos de Bangu, que eram apaixonados por samba. No carnaval de 2020, a escola veio falando de “Memórias de um Griô: a Diáspora Africana Numa Idade Nada Moderna e Muito Menos Contemporânea”, no desfile tiveram erros que resultaram na 10ª colocação. Mas para este ano tudo será diferente, ainda mais falando em amantes do samba, é o que ela pretende levar para avenida neste carnaval.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação Unidos de Bangu

Nada de “bonecões gigantes” no desfile da Unidos de Bangu em 2022. Pelo menos é isso que o carnavalesco Marcus Paulo garantiu. Desenvolvendo o enredo “Deu Castor na cabeça”, que vai homenagear o mecena e contraventor Castor de Andrade, também vai contar a história do bicheiro com o bairro de Bangu. Quando Marcus chegou na agremiação, a diretoria logo disse que o enredo da Bangu para 2022 seria sobre Castor.

“Castor de Andrade é endeusado no bairro de Bangu, nascido e criado lá ele tem uma ligação fortíssima com o bairro. Os moradores e até mesmo os próprios dirigentes da escola falam ‘Doutor Castor’, como se o próprio ainda estivesse vivo. Isso eu acho muito legal”, conta o carnavalesco.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação Unidos de Bangu

Durante a pesquisa de enredo, Marcus contou com a ajuda de uma amiga que viajava junto com Castor de Andrade, e falou sobre vários fatos que o artista não sabia sobre o bicheiro. Ele também diz sobre o que mais de interessante encontrou durante todo o processo de desenvolvimento do enredo. “A inteligência de Castor. Onde ele chegava fazia questão de ser chamado de “Doutor”, além disso o amor dele pelo samba, pelas escolas de samba. Isso realmente é algo que me encanta”.

Castor era sem dúvida uma pessoa que atraía atenção onde passava. Para Marcus, o grande trunfo do desfile da Unidos de Bangu neste carnaval começa pelo enredo, pois ele espera que todos entendam a alegria e o “jeitão carioca” de Castor. “Esse jeitão carioca é falando do homem que nasceu no bairro da Zona Oeste da cidade, gostava de fazer a fézinha dele no jogo, apaixonado por futebol, tanto que já foi da diretoria do Bangu e amante do samba que respeitava a Marquês de Sapucaí como ninguém”.

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A comunidade banguense abraçou o enredo e o carnavalesco conta que a alegria deles é para brincar no Sambódromo. “O Castor se divertia, ajoelhava ali na avenida, mas se jogava no samba. Folião nato! Essa é a essência que quero passar na avenida”.

Marcus ainda deixa um spoiler falando que no início do desfile terá uma surpresa que irá impactar todo mundo. Castor de Andrade possuía vários perfis: o de bicheiro/contraventor,
apaixonado por samba e por futebol. Segundo o artista, na Unidos de Bangu todos vão ser explorados, mas o do samba é fundamental. “Na Unidos de Bangu estamos olhando pelo lado romântico e a troca que as escolas de samba tem com os seus banqueiros de bicho, com os patronos”.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação Unidos de Bangu

Ele também fala de como vai retratar um desses perfis: “Esse lado de Castor de Andrade que vestia as pessoas de comunidades, todas do entorno de Bangu, ele vestia elas como reis e rainhas que se sentiam assim na Sapucaí e estampavam os noticiários por sua escola estar fazendo um desfile fantástico. A Vila Vintém foi para os jornais, porque a instituição de lá foi impecável na avenida. Assim Padre Miguel foi lançado no mundo inteiro por ter sido representado por uma escola de samba, que pela vaidade do seu patrono fazia um grande desfile”, esclarece.

Em um desfile sobre Castor de Andrade é claro que não pode faltar falar sobre o conhecido “jogo do bicho”. Algo que veio da família de Castor e se enraizou. A avó dele fez a primeira banquinha e logo depois os negócios foram se expandindo.

“Dona Yayá foi quem montou a primeira banquinha. A partir do momento em que o pai de Castor se casa com a mãe do próprio, assume tudo e expande por toda Bangu. Herança matriarcal e numa época que esse jogo era mais descontraído. É esse toque que estou dando no jogo do bicho da Unidos de Bangu”, explica o carnavalesco.

 

Impossível falar de Castor sem citar a Mocidade Independente de Padre Miguel e o Bangu Atlético Clube. E na avenida, a vermelho e branco da Zona Oeste vai representar isso muito bem. De acordo com o carnavalesco da escola, eles vão levar para avenida uma alegoria representando o time do Bangu.

“Castor e sua família alçaram o clube para o cenário nacional. O torcedor do Bangu é muito apaixonado e acredito que vão se identificar muito com a nossa alegoria que traz alguns atletas do clube”, diz o artista. Falando da Estrela Guia de Padre Migual, não dá pra fugir, pois Castor era patrono da Mocidade. “Temos um setor inteiro em homenagem a escola e um carro alegórico também”, completa Marcus.

Dificuldades da Série Ouro e a pandemia de Covid-19

Por conta da pandemia, é notório que as escolas pararam suas atividades e só foram voltar quando já estavam liberadas. Essa incerteza de ter carnaval ou não mexeu com muitas pessoas, principalmente os profissionais do meio. “Nesse tempo só dava para desenvolver o enredo e desenhar o projeto. Quando voltamos na ativa, recebemos uma pequena verba da Prefeitura, que não é a ideal para a gente da série ouro. Com esta incerteza de ter desfiles ou não, ficávamos segurando e dando continuidade aos trabalhos, sem saber se a verba ia vir mesmo. Falta o olhar das autoridades para as escolas da Série Ouro, para a gente. cho que elas não tem o olhar, as instalações de barracão, na verba que é um abismo do Grupo Especial para as da Ouro e de lá para as da Intendente Magalhães”, relata o carnavalesco.

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Além da dificuldade financeira enfrentada, os carnavalescos também tiveram que lidar com a falta de materiais para fazer a concepção das fantasias e alegorias. “Está tendo uma falta muito grande de materiais no mercado, uma escassez. Mas aos pouquinhos estamos conseguindo fazer tudo, dando um jeitinho aqui e outro ali. A gente desenvolve o projeto com muita dificuldade, temos que ter a arte a flor da pele o tempo inteiro”, finaliza Marcus.

Entenda o desfile

Homenageando Castor de Andrade, a escola pretende explorar o lado alegre, familiar e amante do samba e futebol do bicheiro. Mesmo com as dificuldades encontradas para realizar este carnaval, o trabalho está a todo vapor no barracão da escola e deixando o carnavalesco, Marcus Paulo, satisfeito com o resultado. Ele explica um pouco de como será o desfile da vermelho e branco na Sapucaí.

Primeiro setor: “A gente começa em Bangu com aspectos rurais. Começamos na época da avó de Castor de Andrade, que plantava vegetais no seu quintal. Rural, porque existia uma fazenda no bairro que se originou no nome. Estou trazendo isso para o desfile, com os animais e fazendo uma brincadeira com o jogo do bicho”.

Segundo setor: “Nasce Castor de Andrade no seio dessa família dona do jogo do bicho da região de Bangu. Aí já começamos a falar da juventude de Castor, um menino estudioso, atleta, pois ele era apaixonado por natação e por futebol”.

Terceiro setor: “Chego no Castor de Andrade já adulto, sendo contraventor. Ele ajudou a fundar a “Liga Independente das Escolas de Samba”, que acabou se tornando o primeiro presidente da Liesa. O espetáculo ganha essa organização com essa iniciativa dele junto com os outros presidentes de escolas de samba”.

Quarto setor: “A gente finaliza fazendo uma grande homenagem a Castor no carnaval e também à Mocidade Independente de Padre Miguel pelos seus títulos conquistados na escola. E finalizamos com o mundo do samba agradecendo a ele pelo legado que deixou pra gente no carnaval”.

Ficha Técnica
Número de alegorias: 3 alegorias e 1 tripé
Número de alas: 17 alas
Carnavalesco: Marcus Paulo
Diretor de barracão e carnaval: Marcelo do Rap
Chefe de pintura e esculturas: Marcos (veio de Parintins)
Chefe de carpintaria: Mineiro
Chefe das ferragens: Adilsinho
Chefes de adereços: Wellington Leite e Fábio

Bateria da Ponte prepara grande coreografia com direito a show de pirotecnia

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A Unidos da Ponte retornou a Sapucaí na última segunda-feira para treino específico da bateria de olho no desfile daqui duas semanas. Após ensaio técnico no último mês, a escola fez mais um trabalho no Sambódromo para ajustas os últimos detalhes antes do Carnaval. A Ritmo Meritiense prepara uma grande coreografia com divisão muito movimento e divisão da bateria em duas partes, além de um show de pirotecnia revelado pelo mestre Branco Ribeiro ao site CARNAVALESCO.

“É tudo novo para mim, que sou estreante. Já tenho um tempo de bateria, já ensaiei aqui com outras escolas, mas estar responsável por montar toda essa logística, trazer a galera e ficar no comando do ensaio é gratificante. É sempre bom fazer esse treino aqui, para as nossas bossas e principalmente a coreografia, que não conseguimos ensaiar em outros lugares. Se deixasse eu faria um monte de coisa nova ainda, mas temos que pensar no conjunto, a escola já está familiarizada, o carro de som também, então agora é só dar o ajuste final, de limpeza, de detalhes”, disse Branco, antes de emendar:

“Eu entrei na escola em 2016, e 2022 é o ano que a escola me deixou mais satisfeito com o que eu vi, na questão plástica e de organização. A escola está trabalhando muito certo e isso torna o trabalho da bateria muito mais fácil. O trabalho da diretoria está muito bom, subsidia nossas loucuras. Temos uma bossa na segunda do samba, que vamos trabalhar em conjunto com uma pirotecnia, que vai ser o nosso carro-chefe. Mas temos outras duas com muita coreografia também, porque a gente não tem medo de ser feliz. A gente vai entregar um desfile muito bom no carnaval”, completou o mestre.

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A Ritmo Meritiense levará para a Sapucaí 217 componentes, com três bossas planejadas. Na última segunda-feira, o mestre Branco Ribeiro também implementou outra nova coreografia, onde todos os ritmistas levantam a mão no verso ‘Estenda a mão pra acalentar os filhos teus’. Décima segunda no último Carnaval na Série Ouro, a Unidos da Ponte chega para 2022 com enredo em homenagem a Santa Dulce dos Pobres, freira que ganhou notoriedade por atos de caridade na Bahia. Intérprete da Ponte, Charles Silva falou sobre o retorno ao Sambódromo e projetou o desfile da escola.

“Essa pandemia foi uma loucura. Em dezembro do ano passado eu completei um ano de escola e nem tinha cantado ainda. A gente nunca imaginou passar por isso, então o primeiro pensamento é de gratidão por estar aqui. Esse carnaval é muito disso, celebração da vida. É fundamental ter esse ensaio aqui. A gente conseguiu mostrar um entrosamento e bateria muito legal, sentir a energia dessa pista, com a formação original. Só de estar aqui, ainda mais a poucos dias do Carnaval, é muito importante, está 95% pronto, agora é só dar os ajustes finais”, disse Charles, que completou.

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“Esse Carnaval vai ser sem sombra de dúvidas o mais disputado dos últimos anos, porque tá todo mundo com muita vontade de fazer acontecer, de desfilar. A expectativa é a melhor possível. A Ponte vai surpreender muita gente. Já parabenizei o trabalho da diretoria e dos nossos carnavalescos, o barracão está grandioso. Sempre temos alguma coisa para alinhar, principalmente no canto, e estamos ensaiando muito isso, pra gente chegar aqui com tudo no desfile oficial. Pode ter certeza que faremos um grande carnaval”, finalizou o intérprete.

Portela volta à Sapucaí para ensaio no setor 11, Nilo Sérgio prepara nova bossa e projeta: ‘Escola vem pelo título’

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Quase um mês após o ensaio técnico em março, a Portela voltou à Marquês de Sapucaí, desta vez para treino no setor 11 do Sambódromo. O trabalho foi específico para a bateria e carro de som, mas outros segmentos da escola também participaram da apresentação. A Tabajara do Samba fez mais um bom ensaio, com direito a nova bossa que estava escondida pelo mestre Nilo Sérgio. O comandante da bateria da Portela falou sobre o treino na Avenida.

“Esse ensaio aqui no setor 11 é bom pra gente alinhavar, tirar algumas dúvidas, ver se está tudo legal, retomada, aqui é bom para isso. A gente está ensaiando no mesmo local que vamos desfilar. Ensaiar é sempre bom, a gente ensaia segunda, quarta, domingo, pra chegar no dia do desfile e fazer um grande trabalho. Depois de dois anos, fizemos nosso primeiro ensaio na Sapucaí, que foi muito bom há algumas semanas, mas hoje o que viemos trabalhar aqui foi, principalmente, a bossa da cabeça. Já fizemos na escola, mas é bom fazer aqui, no campo aberto, para ver se funciona. Questão de alinhamento, lapidar, não tem mais, só essa bossa da cabeça mesmo, as outras duas já estão encaminhadas”, disse Nilo Sérgio, que comentou sobre a utilização do metrônomo pelos jurados.

“Tivemos uma reunião na com a Liesa sobre isso, disseram que sempre usaram o metrônomo. Mas a gente tem que se adaptar ao novo, eu sempre tento manter a mesma pegada para não ter nenhum tipo de problema com relação a isso. O que eles falaram foi que vão aceitar dois BPM para cima ou para baixo, essa é a variação deles. Se é pra inovar, legal. Mas é o que eu falo, a máquina julgando o ser humano. Nós somos sentimento, e pegar isso para deixar de lado é complicado. Agora, a Portela vem querendo o título. Muitas pessoas falaram do samba, o samba já funcionou. O barracão da Portela tá muito bonito. A escola tá calada. Eu sou portelense, mas sou muito crítico, a escola tá muito bem, com um conjunto tá muito bom”, completou o mestre da Tabajara do Samba.

Nilo Sérgio levará à Sapucaí 280 ritmistas, com três bossas planejadas. Em uma delas, a bateria realiza coreografia com passos para o lado, marcado por tamborins. A do refrão também é bem utilizada, com uso de vários naipes. O agogô também é bastante utilizado nas bossas. A Portela também levou para o ensaio desta segunda-feira comissão de frente, alas coreografadas, ala infantil, passistas, além do carro de som comandado por Gilsinho. O intérprete também falou sobre a importância do ensaio no setor 11 e falou sobre o retorno à Sapucaí após a pandemia do Coronavírus.

“O ensaio técnico foi muito bacana. A gente saber que a gente sobreviveu essa loucura toda, saber que estão todos bem. Para as pessoas que vivem o carnaval foi muito impressionante. A gente espera que nunca mais se passe um ano sem Carnaval, que é a nossa vida, o que a gente gosta de fazer, e o que fazemos melhor. Esse ensaio no setor 11 é muito importante para carro de som e bateria ajustarem algumas coisas que em outros lugares a gente não consegue. A gente aqui trabalha na dimensão certa, no lugar certo, com a energia da Sapucaí. Algumas alas vem e aproveitam para ensaiar também. O barracão da Portela está muito bonito, dentro da expectativa que a gente tem sobre os nossos carnavalescos”.

Claudia Mota diz que comissão de frente do Tuiuti será surpreendente

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De 2020 para 2022, muitas escolas de samba fizeram mudanças em alguns segmentos. O Paraíso do Tuiuti não foi diferente, a escola trocou o carnavalesco, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, meste de bateria e também a coreógrafa da comissão de frente. Optando por Paulo Barros, que desenvolve o enredo “Ka Ríba Tí Ye”, e na comissão ninguém mais do que Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ela possui um currículo super experiente quando se trata de carnaval. Ela já comandou comissões de frente da Unidos da Tijuca, Império Serrano, Viradouro, São Clemente, Imperatriz Leopoldinense e entre outras. Agora, ela tem a missão de comandar a do Paraíso do Tuiuti. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a coreógrafa contou que é uma grande surpresa trabalhar na Tuiuti, mas no bom sentido.

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Foto: Divulgação/Liesa

“Surpresa, porque encontrei aqui uma diretoria muito focada no que ela faz”, afirma. Além disso, ela também comentou como é trabalhar com o carnavalesco Paulo Barros. “Não é novidade, já trabalhei por alguns anos com ele. E, com toda certeza, vai ser um desfile surpreendente como sempre é os desfiles dele”.

Ideias e trocas produtivas, é isso que define o trabalho da coreógrafa da comissão de frente, juntamente com o Paulo Barros. O carnavalesco está sempre tendo ideias e Claudia com o seu grupo tenta colocar em prática.

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Foto: Divulgação/Liesa

“Paulo tem as ideias e tentamos colocar em prática. Nem sempre é muito fácil, mas ele ajuda muito. É um carnavalesco que abraça, que ajuda. A comissão está pronta. O trabalhoso é a gente tentar entrar na cabeça dele (Paulo Barros), mas depois que entra está tudo certo”, frisa a bailarina.

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Fazer uma coreografia no enredo afro pode ser um desafio para alguns coreógrafos, mas para Claudia é maravilhoso. Segundo ela é como estar em casa, já que todas as coreografias que ela montou nesta temática receberam nota 10 e espera que nesse ano se repita. “Eu não posso falar muita coisa aqui, senão o Paulo arranca meu coro, risos. Mas posso dizer que vai ser surpreendente e vocês vão gostar”, conta.

Claudia é irmã da também coreógrafa de comissão de frente, Priscilla Mota, que comanda a comissão de frente da Mangueira e da Ilha. As irmãs são bem conhecidas na folia carioca e trocam muitas experiências.

“Começamos juntas. A gente troca ideias, experiências e evito saber o que eles estão fazendo e vice versa. Para assim termos uma surpresa e nos surpreendermos no dia”,
esclarece a coreógrafa.

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Perguntada sobre o que acha do julgamento do quesito, a coreógrafa ressalta: “Esperamos que seja interpretado da maneira que estamos trazendo para a avenida. Temos que fazer nosso trabalho e torcer pra que dê tudo certo”.

Série Barracões São Paulo: Saudosa Maloca, Trem das Onze e Adoniran Barbosa, Dragões aposta em enredo com raízes de São Paulo

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A Dragões da Real vai cantar Adoniran Barbosa no Carnaval de 2022. O enredo é focado nas músicas de Adoniran, essas que contam sobre a cidade de São Paulo, ou seja, uma grande homenagem para um dos personagens mais marcantes da história da cidade paulistana. E a promessa é que a escola vai trazer o músico que morreu há 40 anos de volta para desfilar com a comunidade, será?

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Para 2022, a escola contou com o retorno do Jorge Silveira que foi vice-campeão do carnaval paulistano em 2017 com a Dragões. Entre 2018 e 2020 esteve como carnavalesco da São Clemente, no Rio de Janeiro, na qual considera uma grande experiência. Segundo ele, amadureceu muito profissionalmente, e analisou que encontrou uma Dragões também mais madura do que estava em 2017.

A escolha do enredo: Adoniran Barbosa

Neste retorno, Jorge pensou em um enredo diferente do que a Dragões costuma trazer: “É uma oportunidade da Dragões de fazer uma transformação no seu próprio universo. Ela vem de uma herança, de um percurso de vários enredos muitas vezes lúdico, muitas vezes mais leve. Às vezes abstratas. Conversei com o presidente e falei que se a gente quer chegar em um resultado que não chegamos, precisamos procurar fazer o que ainda não fizemos. Ter ousadia de fazer enredos com outras características, um enredo mais maduro, mais cultural, enredo de mais densidade, e aí que apresento a figura do Adoniran que surgiu muito que ao acaso para mim. Sempre gostei da obra do Adoniran, sempre fui fã da musicalidade dele. Durante a pandemia fiz desenho de vários músicos, que sou fã, e publiquei nas minhas redes sociais. E curiosamente uma das imagens que mais despertou atenção das pessoas, foi justamente um desenho que fiz do Adoniran. E a ficha caiu na minha cabeça de uma maneira muito forte. E eu percebi que enquanto carnavalesco no carnaval de São Paulo, precisava entender, que era hora de dar voz ao universo da cultura de São Paulo”, explicou.

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Enredo será sobre a parte musical de Adoniran e não sua bibliografia

Com um personagem tão complexo e rico devido sua vasta história em diversas áreas de atuação, a Dragões resolveu focar mais na parte musical de Adoniran Barbosa e é isso que a escola vai cantar buscando seu primeiro título do carnaval de São Paulo.

“O enredo do Adoniran, a proposta da Dragões, não é um enredo biográfico. A gente não conta a vida do Adoniran. Ele é um enredo sobre a obra musical dele. Pois é através da música que as pessoas identificam com ele. O povo paulistano se reconhece nas suas letras, na sua melodia, no seu jeito de ser, que é expresso na musicalidade. O personagem Adoniran era imenso de possibilidades, trabalhou na TV, fez cinema, trabalhou em rádio, infinito, um desfile com quatro alegorias não iria dar conta da multiplicidade cultural que ele tinha… Então a filosofia desse trabalho é permitir que o próprio Adoniran conte e cante o seu amor por São Paulo através das suas músicas”.

São Paulo, Demônios da Garoa e aposta no emotivo

A Dragões da Real realmente está fazendo um carnaval bem diferente do habitual, e com isso as apostas são grandes. O personagem Adoniran Barbosa traz algo em comum com o carnaval, que é demonstrar diferenças sociais, ele mostra uma realidade de quem vivia caminhando pelas ruas da cidade. Mas vai dizer ‘faz muito tempo’, porém muitas coisas continuam iguais ou piores.

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“Talvez, seja um dos desfiles mais emocionais que a escola vai fazer na sua jovem trajetória de 22 anos. É um desfile bastante emotivo, pois ele toca no coração do paulistano. A gente vai se ver na avenida, o Adoniran está presente na vida de todo paulistano de alguma forma”.

Maiores interpretes da obra de Adoniran, os Demônios da Garoa são convidados e estão próximos de estarem no desfile em uma alegoria. A questão fica por conta da agenda deles, mas está sendo alinhado. Por outro lado, a certeza é que a cidade de São Paulo estará muito presente em todos os quesitos: “São Paulo vai se ver, identificar, através desses cenários, talvez seja o carnaval mais cenográfico que eu já fiz. Porque cada carro se dedica a construir, ou reconstruir um cenário musical do Adoniran. A gente tem a Saudosa Maloca visualmente na avenida. O Trem das Onze vai estar literalmente na avenida através da estação da Luz, vamos representar a Luz que é um ícone da arquitetura de São Paulo. E por aí vamos caminhando pela cidade, o paulistano vai se ver no desfile da Dragões, através da paisagem física da cidade. E vai se reconhecer pela musicalidade e pelo que o Adoniran canta”, afirma o carnavalesco.

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Escola pronta e simplicidade

Mesmo com mudança no cronograma devido interrupções por conta da pandemia, a Dragões da Real está com suas fantasias prontas, e finalizava detalhes do último carro. A aposta de Jorge Silveira é mais no estilo do seu homenageado: “Tem momentos de muito luxo, mas tem momentos de muita verdade. A música de Adoniran é de simplicidade e verdade. A simplicidade é a forma mais sofisticada que existe, fazer algo elaborado é fácil, você encontrar uma forma sintética, simples, que resuma uma ideia é muito mais difícil. E Adoniran fazia isso com maestria, o meu desafio é encontrar as formas exatas para traduzir o Adoniran”.

As fantasias

O carnavalesco da Dragões revelou que sua missão é sempre trazer fantasias que sejam fáceis de serem entendidas pelo grande público, e com Adoniran a situação favorece, afinal por si só, o músico já era claro em suas letras, e por aí que elas estarão na avenida: “O que posso dizer é que as fantasias, todas elas são músicas”.

Conheça o desfile

A ideia de Jorge Silveira é trazer Adoniran Barbosa para o desfile da Dragões em 2022. Como ele explica através dos setores, a escola trará um outro lado do grande símbolo paulistano que é sua parte cômica, afinal, Adoniran também era um humorista. Mas passará por outros momentos do personagem, e tudo isso será mostrado de acordo com sua obra musical.

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“Ao ouvir a obra de Adoniran, eu percebi que de uma certa forma, ele criou uma espécie de opera para a cidade de São Paulo, tem algumas músicas dele, ou quase todas, que elas se interligam, se conectam, quase que uma história começa e continua na sequência da próxima música, e isso com certeza ele não fez de forma intencional, porque não é do habito do cronista, o cronista vai se descrevendo. Então eu senti que ele próprio já tinha escrito um enredo sobre a cidade de São Paulo com suas músicas”.

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“A nossa abertura, ela vai iniciar os trabalhos contradizendo a ideia de que São Paulo é o túmulo do samba. São Paulo não é o túmulo do samba, São Paulo tem tradição, herança, tem escolas de muita tradição no carnaval de São Paulo, tem grandes artistas. A gente vai se apropriar do título de túmulo do samba para dizer que aqui não é o túmulo do samba. E a gente vai fazer um samba, um pagode, para o Adoniran no cemitério, para acordar ele. Trazemos ele do mundo dos mortos para que ele próprio possa cantar sua história por São Paulo, então a abertura é esse momento, mais engraçado, mais cômico que a gente vai tirar a poeira dos esqueletos, e fazer um pagode no cemitério para ele”.

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Setor 2
“Em um segundo momento mostraremos a visão do Adoniran em um cenário da cidade, mostramos como ele descreve a diferença social, os cenários mais pobres da cidade, vai mostrar o amor pelo bairro italiano de origem, vamos mostrar aspectos físicos e visuais que ele identificava na cidade. Com alegorias interativas, como de costuma para a Dragões da Real, Jorge Silveira chama atenção do público: “Se eu pudesse convidar o público para prestar atenção em alguma coisa, eu queria que o público prestasse muita atenção no carro número 2 que é justamente o ‘Saudosa Maloca’. Esse carro vai ser muito diferenciado, tanto pela forma dele, é o carro mais diferente que eu já fiz em termos de arquitetura, é um carro que não tem nada da cara de um carro tradicional de carnaval. Ele traz uma linguagem de comunicação muito grande com o público. Não tem destaque, não tem composição, ele só tem gente encenando. E vivendo o que a música representa, acho que isso vai ser um ponto alto do desfile”.

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“Em um terceiro momento vamos mostrar um Adoniran mais boêmio, romântico, Adoniran da noite, que galanteava as mulheres, que usava sua música para cortejar, tudo isso vai estar presente no terceiro momento que é uma outa característica dele”.

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Setor 4
“E nosso encerramento, quarto momento, a gente vai fazer uma viagem na memória afetiva do próprio Adoniran, tem uma música dele muito marcante, chamada ‘Vila Esperança’, onde ele conta nessa música que foi na Vila Esperança que ele se apaixonou pela primeira vez pelo carnaval. Em que ele viu no bairro, o carnaval acontecer, ele não sabia que existia, e é lá que ele se apaixona. Se a gente olhar o jovem Adoniran em São Paulo, é a mesma época que nascem as grandes matriarcas do carnaval de São Paulo. O Adoniran de certa forma foi testemunha visual do nascimento da Lavapés, Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde, Peruche, as grandes matriarcas, as ancestrais do carnaval de São Paulo, então esse último setor, convido essas escolas, as mães do samba de São Paulo para adentrarem o desfile das Dragões, e cortejarem, homenagearem o sentimento do Adoniran, então nosso encerramento está muito relacionado a uma celebração do samba de São Paulo através do que o Adoniran viu e viveu, em homenagem ao próprio artista, e ai encerramos para subir e ele volta ao sono profundo dele, de onde ele voltou”.

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Ficha técnica
Alegorias: 4 + elemento de comissão de frente
Componentes: 2200
Alas: 22