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Série Barracões: Estácio homenageia a apaixonada torcida do Flamengo buscando fugir da estética óbvia de futebol

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“Parabéns dessa galera, campeã da nova era”, a modificação nos versos antes do refrão principal, realizada pela Estácio de Sá dá o tom de que a releitura do enredo de 1995 traz atualizações importantes, principalmente, ao se falar de um clube que de 2019 para cá ganhou títulos importantes e está hoje no pedestal do futebol brasileiro. A Estácio está longe de apenas querer celebrar as grandes conquistas no âmbito esportivo de Gabigol e companhia. É também a intenção do enredo, mas acrescentar a paixão da torcida pelo rubro-negro que aguardou alguns anos de “vacas magras” sem abandonar o time, enquanto o clube se ajeitava financeiramente.

A dupla de carnavalescos Wagner Gonçalves e Mauro Leite trabalha junta pela primeira vez com a missão de reconduzir a Vermelha e Branco de volta ao Grupo Especial depois do rebaixamento em 2020. Experiente, Wagner Gonçalves tem como principais trabalhos, o desfile da Mangueira de 2011 “O Filho Fiel, Sempre Mangueira”, que conquistou um terceiro lugar no Grupo Especial desenvolvendo o carnaval com Mauro Quintaes, e o título da Série A de 2012 como o enredo “Corumbá – Ópera Tupi Guaikuru” pela Inocentes de Belford Roxo, que rendeu um acesso para a escolar a elite do carnaval em 2013. E. Mauro Leite, que foi efetivado como carnavalesco da Estácio após integrar a equipe de Rosa Magalhães por 34 anos, inclusive no desfile “Pedra” de 2020.

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Wagner conta que a ideia do enredo veio da direção da escola e que os artistas buscaram trazer uma visão diferente do que foi abordado especificamente em 1995. “Primeiro foi uma sugestão da escola, o enredo não é meu, nem é do Mauro, nós recebemos uma ligação do presidente, nós sabíamos dessa possibilidade entre os possíveis enredos, e ele bateu o martelo de que seria. E, a gente achou interessante, eu particularmente já queria fazer um enredo de futebol, que eu acho que os enredos de futebol são muito taxados, estética muito determinada, e eu achei que a gente tinha uma oportunidade de fazer uma coisa diferente. E, quando a gente começou a discutir a criação, o Mauro compartilhava da mesma ideia. Eu falei, Mauro vamos fazer carnaval com fantasia de carnaval, uma história mais consistente, e aí deu super certo”, revela Wagner Gonçalves.

O carnavalesco Mauro Leite explica que a paixão do torcedor rubro-negro será o fio condutor do desfile a partir de uma visão lúdica e da representação de uma narrativa fictícia para, a partir daí, trazer os fatos mais históricos para o enredo.

“A gente partiu do princípio de incluir nessa história o torcedor também. Eu acho que isso é que faz o diferencial do enredo. Porque a gente não está só contando a história do time, a gente incluiu o torcedor como um personagem, e a gente está tentando mostrar o Flamengo pelo lado da paixão do torcedor também. É a visão daquela pessoa que é apaixonada pelo time, que tem a história que a gente construiu no enredo, que seria uma pessoa que está nascendo no ano que a Estácio fez o desfile de 1995. A pessoa estaria ainda na barriga da mãe na verdade. E com 27 anos, ela que vai contar essa história. E a barriga dá até essa conotação da bola”, explica Mauro Leite.

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Mauro complementa e ratifica que a dupla buscou não ficar presa a uma visão histórica e uma citação apenas de fatos relevantes sobre o Flamengo. “Eu acho que tem uma coisa importante também, é que não é uma visão muito histórica, no começo a gente tem um pouquinho da história do Flamengo, mas eu acho que a ideia é que seja mais uma comemoração. Não é exatamente uma ‘contação’ de história, um documentário, uma coisa com uma cara documental assim. É como se fosse realmente uma comemoração de uma vitória, uma celebração de uma paixão”, entende Mauro.

A ideia é trazer o desfile de 1995 como uma jóia na história da Estácio estabelecendo essa relação que se iniciou há 27 anos e que hoje é retomada de onde parou. “Temos uma metalinguagem de usar vários trechos do samba da Estácio, porque na verdade quem pode fazer o Flamengo, que é um novo Flamengo, não é o mesmo de 1995, é a própria Estácio, porque ela já fez, então ela é meio que a dona desse time. Então, é a Estácio olhando o passado, o presente, e o futuro. Então, o enredo tem uma conotação metalinguística também. É um enredo falando de enredo também. Como que ela olha para o seu enredo, como que ela pode reescrever essas possibilidades. E tornou isso mega interessante e atemporal que a gente tem um mundo de possibilidades”, acredita Wagner Gonçalves.

Carnavalescos prometem fugir da estética mais comum de futebol

Enredos de futebol sempre voltam à pauta dos desfiles das escolas de samba. Há quem não goste, mas é compreensível entender que o carnaval como uma festa e uma manifestação cultural que traz conhecimento e explanação sobre todo o tipo de assunto, também tenha o interesse em falar de uma das maiores paixões do brasileiro. Da Beija-Flor de 1986, “O mundo é uma bola”, passando pela própria Estácio de 1995, com a Tijuca em 1998 homenageando o centenário do Vasco da Gama, comemorando o pentacampeonato da seleção brasileira e a narrativa de superação de Ronaldo, contadas pela Tradição em 2003, ou a celebração da vida e carreira de Zico pela Imperatriz em 2014, entre outros que trouxeram alguma parte do esporte mais popular do brasil para Avenida, há sempre um temor pelas agremiações ficarem um pouco limitadas pela estética que acaba recorrendo a signos muito iguais.

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A dupla de carnavalescos da Estácio promete que o desfile desse ano será bem diferente do que já foi visto sobre futebol no carnaval. “Eu acho que o que pesou e o que se tornou interessante foram os desafios que a gente foi construindo para a gente mesmo. Porque nós tínhamos um tema sobre um time, tem uma cor muito forte, temos uma linguagem de carnaval pré-estabelecida. Futebol, meia, essa coisa toda. E nós sabíamos que nós queríamos coisas diferentes e nós nunca tínhamos trabalhado juntos. E o que é diferente para mim, pode não ser diferente para ele. Já que nós tínhamos liberdade, construímos essa narrativa como se fosse uma partida de futebol, então é no compasso de uma bola, ela vai e volta na história, e não é uma história linear”, explica Wagner.

O carnavalesco da Estácio de Sá mais experiente complementa ao discorrer sobre a paleta de cores. “A gente poderia contar essa história a partir de impressões e dos signos que nós já tínhamos na mão. E, eu acho que o que se tornou mais interessante foram esses signos estéticos. Por exemplo, as fantasias, nós poderíamos ter toda a escola vermelho e preto, e não é vermelho e preto assim, acho que predomina o vermelho, mas tem todas as cores. À medida que nós formos trabalhando esse figurino, aí entra o coral, entra o roxo, entra um mundo de possibilidades com o vermelho agrupando isso. Acho que o desafio, foi o desafio estético mesmo, em termos de história é essa história mesmo da paixão do torcedor e desse clube que todo mundo conhece e que tem mais de 100 anos”, esclarece Wagner Gonçalves.

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A preferência pela temática surge em um universo de dificuldades financeiras, em que o futebol apresenta algumas relações estéticas se tornando bastante viável do ponto de vista econômico, é o que acredita Wagner Gonçalves. O artista afirma que entende esse lado, mas preferiu buscar uma outra roupagem que, segundo o carnavalesco, surpreendeu e vem agradando a escola.

“Os enredos de futebol, sobretudo no Acesso, a opção de fazer essas coisas de uniforme, é uma opção de ser mais barata, a gente entende isso também, não é crítica, ou achando que a gente está fazendo uma coisa que é melhor ou pior. E, nós tínhamos também a opção de buscar opções mais baratas, mas fazer um carnaval surpreendente. A gente, achou que nesse caso específico, fazer um carnaval com cara de carnaval em um enredo de futebol, sobretudo do time mais popular do país, seria essa reversão de expectativa, porque é o que todo mundo espera, ‘ah, a fantasia vai vir vestida de futebol’, e toma juíz, e toma bola, todo mundo esperava, e isso na nossa concepção seria uma concepção preguiçosa, ou então, trivial, então a gente apostou de criar reversão de expectativa. E tem dado certo, porque até a própria escola estranhou, ela ficou meio ‘caramba, está bonito, está diferente ‘, e depois entendeu e abraçou”.

Samba e carros voltados para a paixão rubro-negra são trunfos dos carnavalescos

Uma possível vantagem para a Estácio é o samba de 1995, já conhecido da comunidade e que se expandiu e chegou às torcidas organizadas do homenageado, o Flamengo. O carnavalesco Mauro Leite acredita que essa relação escola mais nação rubro-negra pode facilitar um pouco as coisas para o sucesso do desfile.

“Eu acho que a gente tem que tirar partido também de que o samba é quase um grito de guerra, grito de torcida. E eu acho que se isso já aconteceu na Avenida, espero que aconteça de novo, é um trunfo”, entende Mauro.

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Wagner Gonçalves acrescenta que a energia que já se pode identificar da comunidade nos ensaios que têm sido realizados é outro ponto que indica o sucesso da obra para o desfile.

“O que o Mauro quer dizer que se a gente fizesse um samba novo, e o samba fosse aclamado, é uma possibilidade, você não sabe como ele vai funcionar na Avenida, esse samba já funcionou em 1995, ele cada vez vem crescendo mais, e o torcedor já abraçou. Teve flamenguista que falou ‘esse é o samba?’, achei que era o hino da torcida. A gente acredita que ele vai ser um sacode nesse carnaval da Série Ouro, que é um carnaval popular, que tem muitos torcedores, a gente acredita até pelos ensaios, que a gente já viu que a energia é outra, é muito forte mesmo”.

Aliás, essa relação, torcida e time, vai ser bastante retratada tanto no final quanto no início do desfile da Estácio de Sá. Mauro revela que o fato do rubro-negro ser conhecido como um time de massa, de torcida popular, que chega muito às camadas mais pobres da população, também foi explorado, pois o carnaval também é uma festa popular, é uma festa de todos, mas que evidencia também os mais pobres, os coloca no ponto mais alto. Mauro aposta que no final essa relação que vem retratada também no último carro vai tocar o coração dos rubro-negros.

“Eu acho que isso (relação desfile e flamenguistas) vai acontecer no final, pois tem uma comemoração de uma vitória, e aí eu acho que o torcedor vai se identificar mais. Lá para o último setor da escola”.

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Já para o carnavalesco Wagner Gonçalves, essa emoção já vai acontecer no início do desfile quando os rubro-negros verem o abre-alas nas cores do clube, valorizando os símbolos da Estácio e do Flamengo.

“O Mauro acha que vai tocar o torcedor no final, e eu acho que já é no começo com o abre-alas vermelho e preto. O Vermelho e preto é um signo universal, pode representar outra coisa, mas remete ao Flamengo. ‘Tá vestido de vermelho e preto, tá vestido de Flamengo?’, ‘Tu é flamenguista?’ Acho que a gente convencionou usar o vermelho e preto para uma série de signos, a gente pesquisou e configurou isso no abre-alas, acho que já vai chamar a atenção”.

Nova era de conquistas do Flamengo terá lugar especial no desfile

É bem compreensível entender que o novo momento do Flamengo, campeão da Taça Libertadores da América em 2019, bicampeão brasileiro em 2019 e 2020, além de títulos da Supercopa do Brasil e Recopa Sul-americana, campeonato estadual, também foram decisivos para a Estácio pensar em uma releitura daquele carnaval de 1995. O apelo é bastante grande, e a torcida anda bastante orgulhosa nos últimos anos.

“Esse novo Flamengo de 2019 para cá virá representado sim. Esse é um dos motivos para que nós fizéssemos essa narrativa nova para incluir esse feito do Flamengo depois de 1995. O título da Libertadores, tem essa paixão da torcida, como a torcida participou. Tem essa coisa de festa, como festa na favela que é uma gíria totalmente contemporânea. Esse Flamengo atual, o Flamengo ganhou e é ‘festa na favela’ ”.

Entenda o desfile

Para o enredo “Cobra-coral, Papagaio Vintém, #VestirRubroNegro não tem pra ninguém”, a Estácio de Sá vai trazer 3 alegorias, um tripé, 22 alas e cerca de 2500 componentes. Wagner Gonçalves comentou que a escola buscou se manter grande após passar pelo Grupo Especial em 2020.

“Vamos com o número máximo da Série Ouro, como aqui na Estácio a gente veio do Grupo Especial, está na Cidade do Samba, a gente criou os encaixes para os carros continuarem grandes, é a nossa intenção de manter o impacto. A gente conhece a realidade do Acesso, então a gente sabe que essa decisão de não ter acoplamento é uma decisão inteligente para também não ter um desnível muito grande, mas a Estácio vai aproveitar ao máximo o que ela pode, porque chassi nós tínhamos”.

A dupla de carnavalesco decidiu não realizar a divisão por setores. Através do que foi apresentado na entrevista e através da leitura da sinopse, imagina-se que a escola esteja dividida desta forma:

Primeiro Setor: “Pré-jogo”
Escola traz a história do bebê que desfilou na barriga da mãe em 199 no desfile do ensaio, fio condutor, que aos 27 anos em 2022 vai dar um novo olhar para o desfile de 1995. Símbolos da Estácio e do Flamengo vão vir representados nesse setor, onde deve predominar o vermelho e preto.

Segundo Setor: “Apita o árbitro”
“Num passe de mágica, a poesia enfeitada de luar: Adílio toca para Domingos da Guia…. Zico… Fio Maravilha… Everton Ribeiro-Zizinho -acompanha-de-perto-Júnior-toca-para-Castillo-Gabigol fintou o primeiro, avançouprapequenaárea… UM LANÇAMENTO NO COSTADO DA ZAGA-OLHAOQUEELEFEZ-OLHA-O-QUE-ELE-FEZ, Gabriel Barbosa, GabiGooooooooool é o nome da emoção! Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa. Apite comigo, galera!” (Trecho retirado da Sinopse)

Terceiro Setor: “Show do intervalo”
“Notem! É o jogador número 12 do Flamengo está no meio do campo. É ele quem finaliza na grande área das oficinas e das fábricas e quem comanda a equipe através do radinho a pilha. Herói que chacoalha pelos trens, que xinga e berra nas mesas dos botecos. Seu coração é o tambor que emociona a galera!” (Trecho retirado da Sinopse)

Último Setor: “Errrrrrgue o braço (e a taça!)”
“Festa na Favela”, a gíria representa a presença maciça de torcedores rubro-negros entre as camadas mais pobres da população, sinal de time mais popular do país. Haverá a celebração por uma grande vitória do rubro-negro.

Ficha técnica do Barracão:
Diretor de Barracão: Roni Jorge
Chefe de Adereços e Alegorias: Júnior Serqueira, Fafá, Bruna Bee
Escultor: Gilberto França
Pintor: Gilmar

Império Serrano comemora 75 anos com festa na quadra

O dia 23 de março é uma data emblemática para o Império Serrano. Nesta quarta-feira, a escola da Serrinha completa 75 anos de fundação. E para festejar a data mais do que especial, o Reizinho de Madureira receberá os seus torcedores numa noite de muito samba, a partir das 20h, em sua quadra, com entrada franca.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

Antes da festa, ocorre a bênção com o Padre Ubiratan, com o tradicional baile de aniversário em seguida. A banda Copa 7 e os segmentos da escola vão embalar a família imperiana com muita animação e samba-enredo. O presidente Sandro Avelar comemora poder realizar o aniversário da escola novamente recebendo os componentes e torcedores.

“A festa de 75 anos é especial pois marca a volta de um evento tradicional da escola. No ano passado, infelizmente, não pudemos realizá-la desta forma pois havia a necessidade do isolamento social diante da Covid-19, o que nos limitou a uma live. Desta vez, será ao contrário. Sentiremos a energia dos imperianos numa data especial e em grande reencontro”, destaca Avelar.

Serviço
Aniversário de 75 anos do Império Serrano
Data: 23 de março
Horário de início: 20h
Atrações: Banda Copa 7 e elenco show do Império Serrano
Entrada franca
Endereço: Av. Edgard Romero, 114

Donas do samba no pé! Dandara Oliveira, Evelyn Bastos e Mayara Lima falam sobre representatividade no carnaval

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Na última semana, o vídeo de Mayara Lima, princesa de bateria da Paraíso do Tuiuti, viralizou nas redes sociais por conta da sincronia que a musa possui com os ritmistas da escola. No último domingo (20), a beldade encantou o público, mais uma vez, ao desfilar, debaixo de muita chuva, à frente da bateria durante o ensaio técnico na Marquês da Sapucaí. A repercussão foi tão grande que muitas pessoas se perguntaram porque Mayara era princesa e não rainha. Ela, que é da comunidade, começou como passista desde muito cedo, tem samba no pé e esbanja carisma. Porém, no Tuiuti, quem ocupa o posto de rainha é a empresária e cirurgiã dentista, Thay Magalhães.

A representatividade se faz necessária no carnaval, afinal, não é possível falar em escola de samba sem pensar em sua comunidade, já que, em suas origens, o samba nasceu da luta do povo negro, pobre e marginalizado. Para o próximo carnaval, das 12 escolas que desfilam no Grupo Especial, apenas quatro possuem rainhas com raízes fincadas em suas comunidades, são elas: Bianca Monteiro, na Portela, Evelyn Bastos, na Mangueira, Raíssa Oliveira, na Beija-Flor e Raphaela Gomes, na São Clemente. Porém, a representatividade não se resume apenas ao cargo de rainha de bateria, as musas e passistas que se destacam dentro do carnaval fazem com que milhares de meninas possam sonhar em brilhar pela sua escola do coração.

Mais do que uma sambista, Dandara Oliveira é uma figura extremamente importante para o samba, são mais de 25 anos dedicados ao samba, todos eles desfilando pela Vila Isabel, a musa conta que o domínio da arte de sambar não é para qualquer pessoa, é preciso muita dedicação, disposição e amor.

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Foto: Divulgação/Liesa

“Boa parte é dom, gente que é da comunidade, aprende desde criança visualizando desde cedo, mas dá pra aprender, não como o nosso, mas dá, o samba tem suas características, seus passos principais, mas acho que cada um tem o seu, principalmente o sentimento, aquele que a gente ouve a bateria, ouve o intérprete e sente, ouvir o samba, se apaixonar e deixar levar”, conta a musa.

Ao longos dos anos, a sociedade se modificou, e consequentemente o samba sofreu com essas mudanças, o carnaval ganhou ares de espetáculo e isso refletiu no lado comercial, Dandara acredita que a participação do morro no dia a dia das escolas de samba diminuiu e em contrapartida, o asfalto ganhou mais espaço.

“O samba modificou, quando eu comecei há 25 anos atrás, o samba era diferente, a comunidade participava mais, a gente tinha o asfalto, mas era em proporção menor, hoje em dia em algumas escolas tem muito mais asfalto que morro, então as escolas vão se modificando, mas quando você tem amor, pouco importa se você é do morro ou do asfalto, se mora na zul ou não. Mas não podemos esquecer quem fez tudo isso acontecer, que foi o morro e comunidade”, ressalta Dandara.

A musa, que em 2018 desfilou à frente da bateria ao lado de Sabrina Sato, fala sobre essa experiência e sobre o sonho de muitas meninas que almejam chegar nesse lugar: “Hoje em dia, graças a Deus, nós estamos vendo mais rainhas da comunidade do que há uns seis, sete anos, mas ainda é triste olhar pra isso, eu sou de comunidade e já tive a oportunidade de vir na frente da bateria junto com a Sabrina, é uma experiência maravilhosa, sei que é o sonho de 90% das meninas que sambam numa ala de passistas, elas tem o sonho de ser rainha, de ser musa”, explica a sambista.

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Foto: Divulgação/Liesa

Rainha da Mangueira desde 2014, Evelyn Bastos carrega a missão de representar todas as mulheres periféricas, quando uma menina vê que mulheres da comunidade estão ocupando postos de destaque dentro das escolas de samba, ela percebe que o sonho dela está mais próximo. Evelyn usa o espaço que tem para servir de inspiração para toda uma geração que a acompanha de perto em sua comunidade. Sobre o samba no pé, Evelyn acredita que sempre é possível aprender, mas o DNA do sambista faz toda diferença.

“Aqui a gente conta um pouco da nossa história, então a gente canta a dança favelada, a dança do subúrbio, o carnaval é isso, se tem um corpo que pode mostrar muito samba e muita resistência, esse corpo é o da mulher preta!”, destaca a rainha.

Destaque na segunda noite de ensaios técnicos no templo sagrado do carnaval, Mayara Lima tem 24 anos e desfila pelo Paraíso do Tuiuti desde 2011, quando a escola ainda fazia parte da terceira divisão do Carnaval carioca. Ela começou no mundo do samba na Aprendizes do Salgueiro, com 10 anos de idade. Lá, chegou a integrar a ala de passistas do Salgueiro, sob o comando de Carlinhos Salgueiro. No Tuiuti ela já foi passista e musa, até ser alçada ao posto de princesa da bateria. Mayara é professora de samba e acredita que qualquer um pode aprender a sambar.

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Foto: Allan Duffes

“Acho que é um pouquinho dos dois, tem gente que nasce com o dom, mas tem gente que pode aprender também. Costumo dizer que cada samba tem sua personalidade, aprendendo a técnica e colocando personalidade cada um constrói o seu próprio jeito de sambar”, comenta a sambista.

Fazer Carnaval em meio à crise não é fácil para nenhuma escola de samba, e como dito por Dandara acima, nos últimos anos as escolas de samba se afastaram um pouco de suas origens e isso se refletiu no cargo mais cobiçado do carnaval, o de rainha da bateria, alguns dirigentes viram nesse cargo uma oportunidade de arrecadar dinheiro para a escola, sobre isso Mayara tem a seguinte opinião: “o cargo hoje em dia é elitizado, eu acho que esse é a maior motivo de não ter muitas rainhas de comunidade no cargo”.

No último domingo Mayara foi ovacionada pelo público durante toda sua passagem pela avenida, a princesa se emocionou com tanto carinho e repetiu sua famosa “dancinha” com os integrantes da bateria de Mestre Marcão. “Tô muito feliz, de verdade, eu não imaginava que ia acontecer isso, chorei do início ao fim, tô muito emocionada e com muita gratidão no meu coração”, disse Mayara.

Dos palcos para a avenida! Thiago Soares revela expectativa para estreia como coreógrafo da Imperatriz

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Ramos tem motivos de sobra para celebrar a chegada do carnaval 2022. Além do retorno de Rosa Magalhães para a escola, juntamente à uma direção competente, a comissão de frente recebe Thiago Soares, o bailarino mais premiado do mundo para comandar os trabalhos. Único a conquistar o ouro no principal concurso de dança clássica do mundo, o Concurso Internacional de Ballet do Bolshoi, o também professor vibra com a sua estreia na festa carioca. Soares revela à reportagem do CARNAVALESCO que o sentimento é de emoção. Ele, que já participou como bailarino de outras comissões de frente no passado, garantiu que o desejo de contribuir com a festa vem há alguns anos.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Sempre fiquei esperando, o telefone nunca tocou até que a Rosa e a Cátia Drumond esse ano me chamaram. Eu estava morando fora, porém após o convite parei tudo para dar prioridade, afinal, era uma coisa que eu sempre quis fazer. Estou muito agradecido de ter essa entrada, emocionado mesmo e ser tão bem recebido”, disse.

Em meio à sua estreia, o coreógrafo não poupou elogios em relação ao tratamento que recebeu desde que chegou na Imperatriz, destacando que a escola o ajuda a cuidar de cada passo, como uma grande família. “Eles estão me puxando pela mão, me ensinando. É um belo processo de aprendizado. É uma sensibilidade muito grande esse carinho e integração de todos comigo”, afirma Soares.

Embora o carnaval seja uma competição, lidar com pressão é algo inerente na carreira do artista. “Sempre tive que aprender a conviver com essas questões. Eu venho do ballet clássico que é competição todos os dias, sempre em busca da perfeição e já estou acostumado”, completou.

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Com o retorno dos desfiles na Sapucaí após dois anos, o professor ressalta que todos os ensaios são muito especiais, afinal, o carnaval é a festa do Brasil e a celebração cultural mais popular do mundo, fazendo com que todas as pessoas aguardassem ansiosamente por esse retorno. Soares assumiu o comando da comissão de frente em setembro do ano passado após a saída de Renato Vieira, que deixou o trabalho devido incompatibilidade de agenda.

“Eu conheço o Renato, tenho um grande carinho por ele e não sabia das suas ideias para o desenvolvimento da coreografia. Quando fui chamado, ele já não estava mais no trabalho. A gente até se falou depois, trocou um pouco de afeto. Foi um momento muito bonito, temos esse espaço de carinho e admiração mútua. Quando eu cheguei peguei uma folha branca para poder imprimir a minha identidade”, disse o coreógrafo.

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No processo de preparação para a sua estreia no carnaval, o profissional conta com a ajuda de sua equipe que o ajuda a administrar compromissos e cronogramas, visto que ele está sempre viajando entre o Brasil e exterior. Soares afirma que não costuma olhar muito para o trabalho de outros coreógrafos por conta desse nervosismo inicial. “Prefiro respeitar cada um executando o seu e eu sigo de cabeça baixa, fazendo o meu na maior humildade de que estou pisando aqui pela primeira vez. Tem muita gente fera e que já fez coisas incríveis. Muito respeito por pessoas que passaram por esse lugar como Fábio de Melo, por exemplo, além de outros. Vou focar no que estou sentindo. Apesar de ser uma competição, também é muito familiar porque nos conhecemos”, ressaltou Soaresao citar os colegas coreógrafos.

Além desse momento de estreia, o artista comenta que estar na escola em que Rosa Magalhães assina o enredo é uma honra enorme, mas carregada também com uma grande pressão. “A questão é tentar aprender com quem sabe fazer muito bem. A Rosa é uma estrela, realmente uma professora e é muito bom poder estar perto dela, sentir o cheiro desse DNA. Quero fazer a minha contribuição com muito respeito aos que já fizeram e foram premiados”, finalizou.

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Para o enredo de 2022, Soares está empolgado e confiante com o trabalho da sua equipe, porém, garantiu que os segredos serão revelados apenas na sexta-feira, dia 22 de abril.

“Eu senti que é uma volta de todos nós. Estamos respaldados na trajetória de um artista que é o Arlindo e respaldados na trajetória da escola que tem muito orgulho, amor e emoção do lugar que ela está agora. Tenho um elenco muito especial e com uma mensagem que é bem clara e relevante para o mundo em que a gente vive hoje. Temos uma narrativa muito clara aí, mas é uma divisão dessa emoção da volta, esse momento que perdemos dois anos das nossas vidas. Perdemos pessoas e isso mexeu com todos nós. Foi um período para se reavaliar, se olhar no espelho, se empoderar e trazer o melhor de nós. Acho que o espírito do trabalho está por aí”, completou.

De acordo com ele, haverá a presença de elemento cenográfico (tripé) na composição da comissão de frente da escola de Ramos. O artista afirma se agarrar muito nos códigos que também já foram testados por outros coreógrafos e deram muito certo, afinal, fazem parte da essência e da modernidade do carnaval. Entretanto, Soares ressalta buscar também no passado algumas inspirações.

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“Eu vi muitas comissões, coisas incríveis, de grandes coreógrafos e que fizeram muito sucesso. Realmente existem mais trabalhos que vi na internet, muito antigos para mergulhar na história. Óbvio que hoje existem muitos ganhadores e que são estrelas do carnaval, que tenho muita admiração. Gosto de buscar, pesquisar. Vi coisas do Fábio de Melo e percebi que realmente é incrível a sensibilidade daarte e dos detalhes simples que fazem a diferença. Eu fui beber ali em algum lugar”, finalizou.

A Imperatriz Leopoldinense é a primeira escola a desfilar na abertura do Carnaval 2022 do Grupo Especial. Até lá, a equipe comandada por Thiago segue trabalhando de forma incansável para buscar as quatro notas dez no quesito e deixar a agremiação ainda mais próxima do tão sonhado título.

Série Barracões: Beija-Flor quer voltar aos desfiles volumosos sem perder o foco na mensagem do enredo

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Quem viu a “Deusa da Passarela” da primeira década do século XXI, sabe o quanto a Beija-Flor de Nilópolis tem o poder de impressionar seja pelo tamanho de alegorias, seja pelo volume e luxo de fantasias, ou seja, o seu estilo de fazer carnaval. Por exemplo, na dobradinha 2007, 2008, o bicampeonato, quando Áfricas e Macapá foram enredos. Mas não precisa ir muito longe não, em 2015 mesmo, no enredo sobre a Guiné Equatorial, a escola já havia apresentado um grande conjunto alegórico e de fantasias. O título de 2018 passou por uma ideia diferente da escola, mais teatralizado, mais crítica. Nos últimos anos, principalmente, após o décimo primeiro lugar em 2019, há uma expectativa por esse retorno a uma produção mais volumosa e luxuosa da Azul e Branca de Nilópolis. Em 2020, a escola ainda não atingiu aquele nível, mas as expectativas se renovaram para o desfile de 2022, quando a escola decidiu levar para a Sapucaí mais do que apenas um desfile, mais do que um carnaval para competição, uma grande mensagem.

“Empretecer o pensamento, é ouvir a voz da Beija-Flor” está sendo produzido pelo carnavalesco Alexandre Louzada e por André Rodrigues, integrante equipe de criação da Beija-Flor. Em razão da visita do site CARNAVALESCO ao barracão da Beija-Flor, Alexandre Louzada explicou de que forma se colocou na produção de um enredo que é uma oportunidade, um lugar de fala para todos que sentem na pele o racismo.

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“Eu tinha feito um enredo que estava mais voltado para aquele momento que a gente estava vivendo, de início de pandemia. Até que surgiu essa ideia, me propuseram, abracei de bom grado, existia já uma prévia feita pelo João Gustavo Melo, com uma linha de raciocínio muito bem escrita por sinal. E, eu não mexi na ideia central, lógico que ele me deu a liberdade de trazer para o meu entendimento, para a minha ótica sobre esse tema. Por ser branco, era um desafio para mim. Então, eu preferi me colocar em um lugar de intérprete plástico, e preferi ouvir a voz das pessoas que viveram na pele cada situação desse racismo estrutural que existe não só no Brasil, como no mundo”, explica.

O artista complementa citando também o protagonismo como lugar de fala do enredo de André Rodrigues, que também é carnavalesco da Acadêmicos do Sossego. “O que eu posso dizer como intérprete plástico de tudo isso, e porque escolhi o André que é o meu assistente como o meu lugar de fala, é porque eu não posso bater no peito e dizer uma coisa que eu não vivi de verdade. Não é um sinal de grandeza minha, mas é um sinal de inteligência e de coerência para que o enredo possa passar a verdade”, esclarece Louzada.

Com o objetivo de tentar reescrever uma história de luta e de muita contribuição intelectual e artística do povo preto para a humanidade, o desfile da Beija-Flor seguirá um fio temático bastante amarrado com cada ala sendo importante para a construção da mensagem que a escola quer passar.

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“Não é um enredo de curiosidades, esse carnaval da Beija-Flor não é um carnaval de encontro de pérolas. É um desfile que tem um propósito. Eu acho que o mais interessante deste enredo foi a gente se encontrar, se enxergar dentro dele. E a gente conseguir fazer com que outras pessoas pudessem se enxergar dentro dele nesse desenvolvimento de carnaval. Toda pesquisa que a gente ia fazendo sobre cada pessoa, ou sobre o trabalho de determinada pessoa, falava muito sobre a gente. O mais importante de tudo isso, eu acho que é que a gente consiga reproduzir o mesmo processo. Da mesma forma que a gente pesquisou, conheceu, leu a produção de determinada pessoa para entender esse processo de ‘empretecimento’, a gente espera dar isso para as pessoas”, indica André Rodrigues.

O grande trunfo da Beija-Flor para André será justamente aquilo que a escola vai deixar na cabeça de cada um que acompanhar o desfile. “A mensagem, o debate deste carnaval. É uma Beija-Flor novamente cutucando a sociedade, cutucando as pessoas. É um carnaval provocativo. E essa provocação que vai levar a gente aos debates. E a gente começar a debater de novo coisas que são importantes para gente”.

Grande personalidades serão citadas no desfile

A Beija-Flor não pretende trazer para Sapucaí uma grande lista de homenagens, não quer focar nas pessoas, mas sabe da importância de trazer personalidades pretas que tenham realizado grandes contribuições para humanidade, mantendo dessa forma a intenção de reescrever as narrativas e valorizar aqueles que muitas vezes tem seu lugar na história relegado a segundo plano.

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“O mais importante não são as pessoas que serão citadas, nós temos muitas citações, mas o mais importante é pegar essas pessoas e fazer com que a produção delas faça sentido dentro desse carnaval. Não é uma lista de pessoas que serão homenageadas. Dentro da ideia de cada setor, existem produções de pessoas que fazem sentido com aquilo. E esse sentido junto com o próximo ou o anterior formam a gente. A linha de pensamento desse enredo é muito amarrada. Uma ala não faz sentido sem a outra. Tem pessoas que são extremamente importantes como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, mas não é a pessoa, mas a produção dela”, define André Rodrigues.

A ideia é formar na cabeça de quem está acompanhando o desfile, o tamanho da contribuição histórica que veio dos negros e que muitas vezes foi apagada no passado por aqueles que carregavam o poder nas mãos. “A gente fala desses artistas de que nada é por acaso, a gente não deve negar nossas origens. A gente chama esse setor de atravessamento dos ancestrais. Você aceitar que você sofre influência de alguma entidade, para você ser um jornalista, é porque você se inspira em alguém e você absorve energias quem vem de alguma entidade que inspira você para uma determinada carreira. É o caso de você aceitar e se orgulhar da sua ancestralidade. Enquanto o desfile vai discorrendo, a gente na verdade está formando o pensamento das pessoas seja qual etnia que seja”, revela Alexandre Louzada.

Laíla também será homenageado como grande referência preta para o carnaval.

Falecido no ano passado, com mais de 30 anos de Beija-Flor somando suas três passagens, Laíla não poderia ficar de fora em um enredo que aborda a contribuição intelectual do negro para todas as esferas, e obviamente, uma das mais festejadas, é a cultural, especificamente, o carnaval. Nem Louzada, nem André revelam especificamente o lugar onde o grande diretor de carnaval, de harmonia, músico, e etc, virá neste desfile. Mas, Louzada dá algumas pistas do tamanho da homenagem que será realizada para Laíla.

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“Ele é uma figura importante nesse contexto todo, na formação da própria Beija-Flor, e nada mais justo, eu acho que não é só a Beija-Flor que deveria homenagear o Laíla, não só pelas escolas que ele passou, mas pelo o que ele ensinou, para ter ouvido para escolher um bom samba, para fazer arranjos, eu que trabalhei com ele posso falar isso, quanto eu aprendi com ele quando eu nem trabalhava com ele. Só quem conviveu com ele é que entende bem aquela cabeça, aquele pensamento. O Laíla deu o tom da Beija-Flor. Ele terá uma homenagem explícita, não só pelo legado para a escola, mas para a posteridade de todos os diretores de carnaval”, informa o Louzada.

André Rodrigues também prefere não revelar qual o espaço destinado para a homenagem, mas coloca Laíla em um patamar filosófico dentro da festa que ele mesmo ajudou a desenvolver. “Obviamente, não posso dizer onde ele virá. Mas será homenageado. Laíla é um intelectual do carnaval, assim como outros intelectuais do carnaval serão homenageados”.

Carnaval volumoso, mas sem esquecer a mensagem

Como citamos no início da matéria, o mundo do carnaval sente um pouco de saudade de ver a Beija-Flor naquele patamar do início do século, ou em 2015 mesmo. É claro que nos últimos anos muita coisa dificultou essa intenção, passando pelas dificuldades financeiras causadas pela falta de apoio do governo Crivella, até a própria pandemia, e o título de 2018 que trouxe uma Beija-Flor diferente, mais teatralizada e crítica. Quem vai ao barracão da escola, percebe pouco espaço para se movimentar, sinal de grandiosidade para carros em um processo já adiantado, pois alguns já estão até cobertos. As fantasias de alas foram todas produzidas e já guardadas para o desfile. O trabalho vem sendo mais dedicado à vestimenta de destaques. Por isso, a perspectiva é muito boa, a escola parece querer voltar a esses tempos de gigantismo, mas com um enredo que traz uma mensagem social tão importante.

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André Rodrigues alerta que a escola procura não só impressionar pela plástica, mas pelo envolvimento da comunidade e pelo discurso. “Existe uma realidade disso, o desfile é gigantesco. O carnaval é muito grande, acho que o Louzada é um cara que gosta de alegorias grandes, eu sou um cara que colaboro nessa criação, também gosto de carnavais grandes, gosto de peças grandes, e eu acho que isso super casa com o estilo da Beija-Flor. Eu acho que o principal fator de ver a Beija-Flor de volta, não é só a questão da plástica, mas eu acho que é um combo, de ser uma escola que faz as pessoas pensarem, de ser uma escola provocativa, de também ser escola grande, mas ser uma escola aguerrida com propriedade daquilo que está falando, eu acho que é um combo de várias coisas que a Beija-Flor sempre foi”, entende André.

Alexandre Louzada confirma a busca pelo trabalho volumoso, e também ratifica a relação entre comunidade e enredo. “Pode pensar em uma Beija-Flor volumosa com uma comunidade que já tem naturalmente uma grande força, mas que esse enredo toca muita gente. Desde que ele foi lançado, é até horrível dizer isso nesse desgaste que nós tivemos com a pandemia, deu o tempo necessário para você ver até onde pode alcançar um enredo. Até outro dia atrás mais coisas estavam sendo acrescentadas”.

Louzada e André esperam que escola possa deixar algo para a posteridade

Com um tema tão importante para a sociedade como um todo, é significativo entender e prever que o que vai passar na Sapucaí em abril quando a Beija-Flor vai fechar a primeira noite de desfiles não pode também se encerrar apenas naquele templo sagrado do samba.

“Acho que nós estamos fazendo na verdade, não vou dizer que a Beija-Flor vai fazer uma sequência, mas a gente está fazendo a parte um. O que é preciso fazer. Tomara que sempre tenha alguém para fazer a dois, e depois alguém para fazer a três. Por que tem muita coisa para contar, tem muitas vozes para serem ouvidas”, espera Louzada.

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Já André Rodrigues acredita que a mensagem que a Beija-Flor vai deixar será ouvida e poderá sim mudar um pouco a mentalidade das pessoas. “Vai ser possível através do desfile porque já é possível através do samba. Esse desfile vai ser importante para a gente dar um novo marco no carnaval, na minha opinião, sobre as produções de carnavais que tenham a negritude como tema principal. Isso é um dos pontos. Outro ponto é você respeitar essas individualidades de representações negras no carnaval. Quanto mais a gente conseguir tocar as pessoas, é legal, mas, o mais interessante é ver como as pessoas vão reagir pós esse desfile. Porque não é possível que as pessoas não vão assistir esse carnaval, e aí vai ser interessante a gente enxergar depois desse desfile e pensar ‘não é possível que o fulano está fazendo isso’, entendeu?”

Entenda o desfile

Para o desfile de 2022, a Beija-Flor vai trazer 6 carros e um tripé, com 31 alas e cerca de 3000 componentes. André Rodrigues e Alexandre Louzada explicaram um pouco do que virá em cada setor.

Primeiro setor
“É esse retorno a África, e na verdade o entendimento da grandiosidade da África. Entender que o ponto de partida da história do negro brasileiro não é a escravidão”, revela André Rodrigues.

“E, a gente mostra a grandiosidade das civilizações africanas como a Egípcia que a própria história, os filósofos gregos até mudaram o nome para Egito, em terra que se chamava ‘Kemet’, que significa ‘terra negra’”, explica Louzada.

Segundo setor
“Fala sobre produção intelectual de pensamento, fala sobre filosofia. A partir do processo de escravidão, onde o colonizador diz ‘corpo preto para ser escravizado’ como justificativa de que ele era sem alma por não ser cristão, e não era um corpo inteligente. Quando ele diz isso, ele tira da gente o poder de entender que nós produzimos pensamento”, apresenta André.

“A gente mostra através de exemplos que até mesmo a filosofia já existia na África, muito antes da Grécia ser dada como mãe da filosofia. A gente levanta questão porque os ícones gregos são esculpidos em mármore e uma escultura esculpida em ébano não tem o mesmo valor?”, questiona Louzada.

Terceiro setor
“São os atravessamentos ancestrais. É a gente aceitar como essa ancestralidade atua através da gente nas nossas produções”, aponta André.

“A gente fala desses artistas de que nada é por acaso, a gente não deve negar nossas origens. Você aceitar que você sofre influência de alguma entidade, porque você se inspira em alguém e você absorve energias quem vem de alguma entidade”, explica Louzada.

Quarto setor
“Fala sobre a gente pegar o papel e a caneta e escrever a nossa própria história. Falando principalmente sobre o apagamento e silenciamento das produções literárias pretas do país”, esclarece André.

“A gente revela quantos escritores pretos no Brasil que foram expandidos na capa de livro sobre pseudônimos, o próprio fundador da academia brasileira de letras Machado de Assis era preto, era conhecido no meio como o bruxo do Cosme Velho, e sempre com uma máscara”, conta Louzada.

Quinto setor
“Fala sobre a ocupação dos palcos. A ocupação da mídia, sobre nós estarmos ocupando lugares de visibilidade”, apresenta André.

“A gente coloca o preto como protagonista nesse teatro. Por essa igualdade. É uma disparidade de você ter as artes cênicas somente com os melhores papéis para brancos. Cada um tem o seu palco para brilhar e a gente dá luz a essas pessoas que sempre viveram na coxia do teatro”, revela Louzada.

Sexto setor
“Mesmo a gente chegando em um ponto onde nós somos vistos, ainda assim a gente vive em um país racista. O último setor fala sobre as mudanças que são necessárias para que esse país se entenda como um país preto. Isso é o ‘empretecimento do pensamento’ ”, afirma André.

“No final, a gente pergunta, será que vocês estão preparados? Será que vocês entenderam tudo isso que a gente está falando? Você está preparado para ‘empretecer’ seu pensamento? Se não tiver, a Beija-Flor vai te mostrar que ela é uma verdadeira representante desde que ela foi fundada por um preto em um lugar distante, em uma comunidade pobre que não tinha acesso a nada, e que foi formando um verdadeiro quilombo de resistência”, explana Louzada.

Ficha técnica do barracão:

Responsável de barracão: David Tigorofi
Aderecistas de fantasia: Rodrigo Pacheco , Fabinho Santos, Valéria, Simone, Bete, Michelle, Filipe Monstrinho, Aderecistas de carro: Aílton, Bebeto, Isaac, Eliseu.
Carpinteiro: João
Ferreiro: Cláudio e Paulo
Placa de acetato: Baixinho
Escultura e Movimentos: Alex Salvador
Escultura: William Mansur e João Sorriso
Fibra: Bolinha
Pintor: Leandro
Empastelação: Cara Preta
Almoxarifado: Evandro, Wagner e Pagodinho
Iluminação: Dedé
Neon: Marquinhos e Muralha
Porteiro: Edgar, Élcio, Kléber

Ex-presidente da Liesa questiona cobertura da TV Globo e diz preferir ensaios técnicos do que os desfiles

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Durante o papo com Jorge Perlingeiro, no podcast “Só se for agora”, o ex-presidente da Liesa, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, questionou a cobertura feita pela TV Globo para os desfiles de 2022. Confira trechos da conversa.

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TV Globo
“Achei que a Rede Globo não correspondeu com aquilo que fazia todos os anos. Esse ano até agora não vi nada de vinheta e outras coisas. Dizem que vai começar, mas quando começar já acabou o carnaval. Como havia aquela carta que ela (TV Globo) só pretendia fazer o Carnaval 2022, isso é uma coisa para você pensar, não vi essa receptividade. Fomos sempre parceiros. Esse ano não senti ainda, pode ser que minha palavra seja leviana, e a partir de amanhã veja. É isso que chama o povo e desperta”.

Ensaio melhor do que o desfile
“O ensaio na parte de canto e animação é dez vezes melhor do que o carnaval. No ensaio técnico vai o cara que gosta de samba e no carnaval vai o cara que tem o dinheiro para comprar”.

Filho no samba
“Falo para ele aproveitar esse pouquinho que a gente tem. Não sei quantos anos de vida ainda tenho. Já tive 80 anos. Sou filho de pais pobres, nascido na Vila Valqueire, nem existia o bairro”.

Mudança
“Temos que levar a sede da Liga para Cidade do Samba. A Praça Mauá está virando um pólo de museus. A Cidade do Samba tem que ser melhor aproveitada”.

Capitão Guimarães sobre descarte de notas: ‘Se há honestidade no corpo de jurados todos notas tem que ser válidas’

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Ex-presidente da Vila Isabel e da Liesa, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, foi o convidado da estreia do podcast “Só se for agora”, comandado por Jorge Perlingeiro. Confira abaixo os principais tópicos da entrevista dada pelo dirigente.

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Julgamento
“A arquibancada é mais distante da pista. Ficou mais difícil para o julgador. O carnaval precisa acertar o julgamento. Por mais que a Liga se esforce, o julgamento é uma coisa pessoal. Gosto pessoal. Uma alegoria que custa R$ 700 mil, às vezes demora 15 segundos na frente da cabine e eu pergunto se em 15 segundos alguém pode julgar? É tudo no chute. Você para julgar terá que exigir um bom tempo. Ainda não descobri uma fórmula melhor para se julgar do que essa. Sou favorável a todos julgadores julgarem, mas o plenário é soberano e acharam que não. Quando você tira uma nota baixa e aquela nota é descartada. A escola pode ser campeã comentendo um erro grave. Se há honestidade no corpo de jurados todos notas tem que ser válidas. O plenário da Liga precisa de uma sacudidela. O quesito Conjunto, no meu ponto de vista, é importante. Eu daria 0,1 (1 décimo) para melhor escola no conjunto. Quando você sete escolas tirando nota 10 é porque não existe julgamento. Os julgadores querem acertar, agora, o plenário precisa acertar também”.

Enredo
“Não estou gostando da temática que as escolas estão fazendo. Se você põe oito escolas falando sobre escravidão e África, ninguém aguenta mais ver isso, todo ano tem, devem ter dez caravelas na Avenida esse ano. Isso enfraquece o espetáculo. É muito melhor ter temática diversificada. Estou achando muito grande o uso de palavras afro, você canta, mas não sabe o que está cantando. Acho um defeito que estou desabafando para escolas pensarem melhor nisso. Tem escolas com 20 palavras e eu não conheço nenhuma”.

Samba
“Quando os enredos começaram a ser patrocinados, eu pergunto o que isso culturamente contribui? O enredo é fundamental. Só que os presidentes dialogam pouco com os carnavalescos. Isso enfraquece o carnaval. Temos temática vasta. Ninguém faz samba bom com enredo ruim. O carnaval tem provado nos últimos anos que o samba-enredo é o quesito que pesa na hora h. Já vimos escolas não tão boas serem campeãs e maravilhosas perdem o título pelo samba”.

Papel dos desfiles das escolas de samba
“Culturalmente, o carnaval é o que preserva as coisas brasileiras. O desfile é uma ópera popular. O desfile por mais que a televisão aprimore não corresponde a magia da Avenida. Isso deveria ser mais aproveitado pelas autoridades e não achar que aquele dinheiro do apoio público vai para o bolso. Temos 90% das fantasias doadas. Sempre tive visão da escola de samba funcionando não só como samba, mas também como escola. Aproveitando a comunidade carente e fazer curso de informática e inglês. Quando fui presidente comprei 14 gabinetes dentários para que as escolas pudessem cuidar das crianças de suas comunidades. Para isso, é preciso de verba. Essas pequenas coisas, no final vão crescer, e não são aproveitadas. A escola de samba tem papel fundamental na comunidade. Se considerarmos as coisas na sociedade brasileira, a única positiva é o resultado do carnaval. O carnaval traz alegria e esperança para o povo brasileiro”.

Criação da Liga
“A Liga das escolas foi fundamental até nos clubes de futebol, quando criaram o Clube dos 13. Quando entrei não tinha peso e nome no samba. Procurei o Castor. Ele ficou no mandato tampão de 84 a 85, ele gostava mesmo do futebol e depois do carnaval falei com ele que a gente tinha que fazer o Anísio de presidente e eu de vice. Aí, quando acabasse meu mandato na Vila, iria para Liga. A Liga atravessou fases difíceis. O único lugar do Rio de Janeiro que tem o centro de memória é a sede da Liga, já que o Museu, tão falado ao longo dos anos, não saiu”.

Disco do carnaval já vendeu 1,5 milhão de cópias
“Vendemos 1.5 milhão de discos e hoje não existe mais. Andava na Rua da Carioca, que está morta, e já ia ouvindo os sambas-enredo. Fim do ano era Roberto Carlos ou samba-enredo. No Brasil, as coisas vão funcionando e param. Começou a pirataria e isso foi matando a venda dos discos. Se você comprar o disco nem sei onde vende. Hoje, é pen-drive. Ainda sou da cultura do CD, mas faz parte da vida”.

Com proposta diferente, Vila Maria passa mensagem de união entre os povos

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Dando continuidade à série “Barracões” do carnaval de São Paulo, o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Unidos de Vila Maria e teve o conhecimento do projeto da escola para o carnaval de 2022. A ‘Vila mais famosa’ irá para a avenida com o enredo: Se o mundo precisa de cada um de nós, a Vila é porta-voz”, desenvolvido pelo carnavalesco Cristiano Bara.

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O autor do enredo conversou com a equipe do CARNAVALESCO e explanou o tema, que surgiu a partir de um samba-enredo feito durante a pandemia, com autoria do cantor e compositor, Dudu Nobre. A Vila Maria está entre as escolas que mais produz projetos sociais do Brasil. Essa questão. A agremiação ajuda as pessoas mais carentes da região da Zona Norte de São Paulo, comunidades e proporciona aulas de músicas e os mais variados esportes, além de ter uma das maiores escolinhas de bateria do carnaval brasileiro.

“A gente tinha um samba pra transformar em enredo e, em uma conversa com o presidente Adilson José, achamos um caminho muito legal de mostrar da melhorar forma o que tem de essência na Vila Maria, que é falar de ser humano. Foi uma felicidade muito grande em ter uma composição do Dudu, que já é parceiro da escola e pudemos transformar isso em um enredo que mostra bem a cara da Vila Maria, que é bem dedicada àquilo que produz. O bem-estar do ser humano”.

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Dentro da pesquisa para desenvolver o desfile, o carnavalesco comentou que foi um misto de emoções para achar um algo que o mais fascinou.

“Esse enredo é um misto de emoções e sensações que a gente vai causar na avenida. A gente vai falar do início do império romano que sucumbiu, mas que deixou legado. Vamos falar do lado negativo, mas também do lado positivo. Em um outro momento, abordaremos a religiosidade, que a gente sabe que é importante para o auto conhecimento do homem e auto encontro de si mesmo e, o caminho da fé, equilibra muito as pessoas e o cotidiano. Depois vamos falar da realidade do dia adia, onde diamantes são revelados. A gente mostra que as classes menores ensinam bastante. Vivemos em uma pandemia em que a solidariedade foi muito grande dentro da comunidade e mostraremos que mesmo com falta de saúde, saneamento básico, se tem alegria. Tem o funk, tem o samba, gafieira e muita coisa legal”.

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A religião é muito citada dentro do samba-enredo e, Cristiano Bara, falou das religiões que serão abordadas dentro do desfile. “O nosso samba já diz: ‘axé, amém, shalom, salve a Rainha’, onde temos o islamismo, budismo, catolicismo e as religiões de matriz africanas, quando a gente pede agô ao velho atotô, ao Obaluaê. Pedimos clemência e que ele nos dê um futuro sem as mazelas do mundo”.

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O artista também disse que o objetivo da Vila Maria não foi pensar em um desfile luxuoso ou simples e, sim, de passar a mensagem de uma forma correta. “Tivemos um pensamento de que precisávamos informar o enredo com sensações para que as pessoas olhassem e entendessem o nosso espetáculo audiovisual. As pessoas vão ficar muito surpresas com a imagem que tem no centro do carro e na frente. É tudo muito informativo e claro. É uma didática muito boa que as pessoas vão ver, se identificar e interagir com a escola, vendo que só o amor pode salvar”.

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Perguntado sobre o grande trunfo para a Vila Maria dentro do desfile, o carnavalesco disse que os componentes vão fazer a diferença. “Quando o mundo precisa de cada um de nós, carnavalesco não faz carnaval sozinho. Temos uma grande equipe. Nós temos um grande enredo, mas a cereja do bolo é o componente da Vila Maria, que fazer toda essa história que a gente transformou em alegoria e fantasia tomar vida e virar realidade na avenida, sendo dançada e cantada para entender a mensagem que a escola quer passar durante todo o desfile”.

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O carnavalesco está indo para o quarto carnaval na escola e já tem uma grande identificação com a agremiação. Tanto é que desses desfiles, 2019 e 2020, a Vila Maria conseguiu colocações nos desfiles das campeãs.

“Uma identificação e uma coisa de amor. É complicado um profissional de carnaval falar dessa coisa de amor, mas eu tenho pela Vila Maria. Quando eu saí da Beija-Flor e vim para a Vila Maria, foi uma escolha e consegui realizar essa vontade, porque via que a escola tinha um social muito grande e que eu com o meu passinho de formiga, contribuir para que esse espetáculo ficasse grandioso e é uma felicidade muito grande participar de tudo isso. Gosto muito de São Paulo e acho que o espetáculo cresceu muito”.

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A Vila Maria é conhecida por fazer muito enredo “CEP”, que é homenagear cidades e países. O carnavalesco disse que não concorda muito com isso. “Eu não concordo muito com esse rótulo de enredo CEP. Mas assim, a Vila Maria já fez vários países e tem a chancela que pode fazer esses enredos que pode realmente falar. Mas nesse enredo atual, a gente sente que é a essência da escola. Falar de religiosidade, de biodiversidade, de pessoas que são destemidas dentro do nosso país. Então, esse é o enredo que tem a cara do Cristiano, da comunidade e da diretoria”.

Conheça o desfile

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Setor 1
“A gente começa falando do império romano. O samba diz que o ‘império segregou, Roma sucumbiu, pra civilização deixou legado’. Nesse setor, falamos do império romano e da principal causa da queda dele. A questão da ganância, o auto enfrentamento do ser-humano, a gente mostra isso como exemplo ruim, mas em contrapartida, a gente tem exemplos bons, onde falamos da arquitetura, que deixou legado, de organização política e do sistema de governar, como senadores”.

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Setor 2
“Nessa parte, entramos no momento de religiosidade. A integração das religiões para que possamos viver em comum acordo, que é o equilíbrio interno do ser-humano, onde algumas religiões como ‘axé, amém, shalon, salve a rainha’, são representações do samba”.

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Setor 3
“Depois a gente passa por momentos de realidade, onde a gente fala dos destemidos do nosso Brasil, como os idosos e os profissionais da educação. São pessoas que vivem tantas situações adversas em nossos país e, mesmo assim, eles continuam vivendo bem. No carro, a gente fecha o raciocínio que vários diamantes são revelados, vamos mostrar que nossa comunidade em que ali, a gente tem gente que é revelada na arte, cultura e no esporte. Temos o funk integrado com o samba. Mesmo com tantos problemas sociais, vamos mostrar que de lá é produzido muitas coisas boas”.

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Setor 4
No último setor, a gente fala de amor. Na batida da cadência, a cura pra dor é o amor. Temos o amor cibernético, essência do amor e o amor eterno. A gente fecha o raciocínio com a biodiversidade do planeta e as raças integradas e com a mensagem de que realmente o mundo precisa de cada um de nós. Os animais, os microrganismos para que possamos manter o ecossistema do planeta a nossa grande casa e o bem maior. Nesse setor, a mãe terra está lá. Vamos mostrar que Gia foi generosa demais com o nosso planeta e que o Brasil é uma terra onde tudo o que se planta dá”.

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Ficha técnica
2500 componentes
17 alas
4 alegorias
1 tripé
Chefe de Parintins e decoração de alegorias – Roberto Reis
Decoração de fantasias – Vânia Machado

Porto da Pedra faz ótimo ensaio de bateria na Sapucaí e mestre Pablo projeta: ‘Escola vai surpreender muita gente’

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A segunda-feira na Sapucaí foi marcada pelo ensaio de bateria da Porto da Pedra. Apesar do foco ser o aprimoramento do trabalho da ‘Ritmo Feroz’, a escola de São Gonçalo levou outros segmentos e fez bonito espetáculo no Sambódromo. Quem comemorou o retorno à Passarela do Samba foi mestre Pablo, que deu show no Setor 11, e também aproveitou para projetar o desfile da agremiação no próximo mês.

“É uma emoção muito grande. É sempre como se fosse a primeira vez, é um novo trabalho. E voltar depois dessa pandemia é muito bom. Sem palavras pra descrever a emoção de tocar aqui novamente. Sempre tem alguma coisa pra melhorar, e é aqui na Sapucaí que a gente faz isso. Aqui, a quantidade de pessoas é maior, o espaço, a largura da pista. É só lapidar o que tem que ser feito, porque o trabalho está pronto”, disse Pablo, antes de emendar:

“Nosso símbolo não é um tigre à toa, vamos mostrar a garra de São Gonçalo. Além de tocar com seriedade, os ritmistas se divertem tocando. Esse é o nosso grande diferencial. A gente toca com alegria e com amor. Gostamos de transmitir essa energia para o pessoal. A Porto da Pedra vai surpreender muita gente. Eu nunca estive tão otimista quanto estou esse ano. Nós estamos com a faca nos dentes, sangue nos olhos e sede de vitória. Vai dar tudo certo”, concluiu.

Mestre Pablo levará à Avenida 250 ritmistas com três bossas preparadas. A Porto da Pedra trouxe também a comissão de frente, de Paulo Pinna, os casais de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianas e outras alas coreografadas que abrilhantaram ainda mais o espetáculo no Setor 11. Quem também fez bonito e se destacou foi o intérprete Pitty de Menezes, que celebrou o ensaio na Sapucaí.

“Emoção é muito grande, principalmente pra gente que gosta do Carnaval, ficar esses dois anos aí parados foi complicado. Poder voltar a pisar nesse solo sagrado, na Sapucaí e ter esse contato com público, com o sambista, é uma sensação incomparável. É um sonho de criança pra mim cantar no Carnaval, ainda mais na Porto da Pedra, que é uma escola gigante”, comemorou o cantor, antes de encerrar:

“A gente está com trabalho muito firme e sério em busca desse campeonato pra voltar para o Grupo Especial. A diretoria não está medindo esforços pra gente ter estrutura para levar esse título. Esse ensaio de hoje é muito importante, porque a gente ainda não teve a oportunidade de ensaiar na rua, por causa da pandemia. Então o setor 11 é bom para pegarmos a dinâmica e o som ambiente, com bateria e canto. É bom para que dia 9 a gente faça um grande ensaio técnico que a gente venha dizer ‘A Porto da Pedra voltou, o Tigre de São Gonçalo está firme'”, finalizou.

Teresa Cristina é a voz oficial do Carnaval Globeleza 2022

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Alô, meu povão agora é sério: chegou a hora de soltar o grito que há mais de dois anos está preso na garganta! E a cantora Teresa Cristina foi escalada para cumprir a missão de embalar o carnaval Globeleza. É ela quem canta o samba que anuncia a cobertura e a transmissão da TV Globo dos desfiles de carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo. Pela primeira vez, a canção, composta por Jorge Aragão e José Franco Lattari, famosa na voz de Neguinho da Beija-Flor, será interpretada por uma mulher. A vinheta deste ano, que trará imagens emblemáticas de desfiles passados, está centrada na interpretação de Teresa para o samba, que marca o reencontro do público com os desfiles das escolas de samba, após o hiato pandêmico.

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Fotos: Divulgação TV Globo

“O carnaval sempre anunciou a minha felicidade e ser a primeira mulher a gravar essa música é muito importante, não só pra mim, mas para todas as mulheres do samba. O samba nasceu das mãos de uma mulher e foi tirado da nossa mão. Acho muito importante que a mulher volte a atuar no samba, em todos os setores, em todos os lugares. A reparação histórica empurra a gente para frente. É muito bom fazer parte disso. A mulher é protagonista porque o samba no Rio de Janeiro chegou pelas mãos de uma mulher. Esse protagonismo era dela. É pegar de voltar o que já foi nosso”, defende Teresa Cristina.

Desde o convite até a gravação da vinheta, Teresa experimentou uma avalanche de sentimentos, de mergulhos em memórias afetivas até a explosão de alegria caraterísticas de uma autêntica foliã. “Tive uma alegria muito grande, que não cabe dentro de mim. Quando recebi o convite, sonhei com isso por três dias seguidos. Entrava no meu sonho, era muito doido. Sonhei que eu estava em Londres, no Big Ben, e de repente estava cantando o samba do carnaval da Globo. Estava andando na praia em Saquarema e de repente estava cantando o samba do carnaval da Globo. Sabe? Tô no Jardim Zoológico e vem o samba da Globo”, relembra Teresa, gargalhando.

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E como prefere ser chamada: intérprete ou puxadora do samba do carnaval Globeleza? “Jamelão gravou muito samba-canção, era um senhor cantor. Ele percebeu que usavam o termo “puxador” para tentar diminuir o que ele é e ele tinha razão. Como também acho que tem razão quem diz que não se importa, torna a ideia de puxar um samba na avenida, uma tarefa hercúlea. Não qualquer pessoa, qualquer voz, qualquer peito que consegue puxar uma escola. Concordo com Jamelão como concordo com quem não se incomoda com o nome de puxador”, explica ela.

Teresa está pronta para puxar o público para frente da TV toda vez que soltar sua voz. “Comecei a desfilar só em 2001, passei a minha vida inteira vendo os desfiles das escolas pela televisão, então entendo esse momento, essa cumplicidade que a gente tem como telespectador e o desfile da nossa escola. Eu era sempre a corujinha que ficava acordada a noite toda acordando os parentes avisando ‘sua escola vai entrar’. Essa música traz esse tipo de recordação para mim. É encontro de família, é noite em claro e surpresa”.