Com o enredo ‘Noite dos Tambores Silenciosos’, a Inocentes de Belford Roxo apresenta na avenida um desfile que aborda distintas ancestralidades pretas vindas do continente africano. Chama atenção a quinta ala da escola, pois é inspirada e apresenta uma tradição distante do cotidiano carioca. Trata-se da Coroação dos Reis Negros.
É sabido que entre os séculos XVI e XIX povos pretos de todos os pontos da África foram escravizados e comercializados para Europa e Américas, os povos de origem Banto estão dentro do conjunto de cativos transportados ao Brasil.
Ocorre que os Banto, diferentemente de outros, não foram catequizados pela igreja católica em solo brasileiro, pois já traziam do Centro-Ocidental da África a relação com o catolicismo. Isso ocorreu, porque o antigo reino do Congo, famoso por sua fortuna e relações comerciais, buscava estreitar laços com novos povos. Portugal, em 1483, foi um dos interessados e elaborou uma visita diplomática ao Congo e por meio de Diogo Cão, enviou um navio para estudo de caso.
Constatada a riqueza e influência congolesa na região Centro-Ocidental do continente, Portugal tenta iniciar conversas para um novo acordo comercial. A ideia era expandir o comércio de cativos e o antigo Congo era uma das nações mais fortes desse mercado, porém, por alguma razão que não se sabe ao certo o encontro acabou de forma conflituosa e com parte dos portugueses presos no Congo. Enquanto por sua vez, os portugueses fugidos do reino levavam alguns presos congoleses. Em solo português, os congoleses foram tratados muito bem, receberam aulas de português e foram inseridos na sociedade. Deste modo, importaram novos hábitos, como o catolicismo.
Após uma temporada, Portugal tentou nova investida no reino mani Congo, mas dessa vez levava nos navios os congoleses aportuguesados junto a tripulação. Com os novos diplomatas entrando no diálogo entre os povos, o laço político-comercial foi consolidado. Os congoleses estavam tão satisfeitos com o acordo conquistado, que o mani Congo (o rei) da época solicitou formalmente um pedido para ser convertido ao catolicismo.
Como na visão congolesa o mundo era divido em dois, uma parte visível e outra invisível. O lado visível é vivo através do povo (preto) e o invisível pelos ancestrais que já se foram e moram do outro lado do mar. Ocorre que com a chegada dos portugueses, eles vieram a descobrir um povo vindo do outro lado do mar e assim a chegada dos brancos foi interpretada como um encontro com os ancestrais que eram mais sábios e generosos, portanto, cabia aos que ainda estavam em vida o respeito e subserviência.
Com um desenrolar da relação de imposição entre Portugal e Congo, a religião católica acaba sendo imposta no reino africano, todavia, não é o mesmo catolicismo encontrado em Portugal e Europa, porque os povos Banto mantiveram vivos muitos traços de sua religiosidade local. Surge aí o catolicismo negro. Por outro lado, o estreitamento de laços também trouxe traços portugueses a ritos congoleses e é aí que entra a ala 5 da Inocentes de Belford Roxo.
A ala que leva o nome de ‘irmandade dos homens pretos’, faz referência a irmandade nascida em salvador, na Bahia. Essa irmandade ficou marcada na história como sendo uma confraria católica criada para receber os pretos que queriam cultuar sua fé, mas eram impedidos pelos seus senhores de frequentar as mesmas igrejas que eles.
A história é representada na ala através de uma fantasia predominantemente branca, com acessórios negros na cabeça e uma peça que cobre peitoral e ombros dos componentes. A fantasia também é rica em detalhes dourados. Seus componentes carregaram um estandarte que levava a imagem de Santo Antônio de Categeró, ex-escravo muçulmano que se converteu ao cristianismo e tornou-se nome forte da peregrinação em nome de Jesus.
A memória resgatada pela ala traz alegria e orgulho aos componentes dela. Como conta a equipe do site CARNAVALESCO, Adriano dos Santos Silva e Edna Conceição de Oliveira.
“Me sinto muito feliz de estar representando nosso povo. Seja do nosso bairro ou não, a gente já sofreu muito, então hoje é uma data feliz”, falou Adriano.
“Não é só essa ala que é importante. Nosso enredo é importante para defender nossa cor. Nosso país tem muito preconceito com a gente, então fico feliz da nossa escola defender a gente e eu estar desfilando nessa ala”, contou Edna Conceição.

Com o enredo “Mussum Pra Sempris- Traga o Mé que hoje com a Lins vai ter muito Samba no Pé”, a Lins Imperial abriu a segunda noite de desfiles da escolas de samba da Série Ouro. Em seu retorno à Sapucaí após dez anos, a Verde-Rosa do Lins de Vasconcelos promoveu a estréia, como intérpretes oficiais, de dois jovens que carregam o samba na veia, desde o berço, Lucas Donato e Rafael “Tinguinha”.
Jovens, ambos não assistiram ao vivo às obras do homenageado do enredo da escola, o humorista Mussum. Porém, demonstram muito orgulho e reverência ao cantar sua vida e obra na avenida. Tinguinha, inclusive, afirma assistir vídeos antigos do humorista na internet.
De volta à Marquês de Sapucaí após mais de dez anos, a Lins Imperial contou a vida e obra do humorista Mussum, nascido na comunidade do Lins de Vasconcelos, na abertura da segunda noite de desfiles da Série Ouro. Responsável pela revelação do artista para o mundo, o grupo “Os Originais do Samba” foi retratado pela sexta ala da Verde-Rosa.
“O enredo da Lins Imperial é muito lindo. Mussum é alegria, é divertimento.O Mussum fez parte da minha infância, acompanhei muito os trabalhos dele, não só no Originais do Samba. A comédia foi um dos marcos principais da década de 70, 80 e 90. O falecimento do Mussum acabou com uma geração de comediantes do tipo “pastelão”. Ele e o Zacarias eram as principais pessoas que alegravam nossos dias na televisão, junto com Chico Anysio, também. Eu não perdia nenhum filme no cinema. A minha infância e das minhas sobrinhas foram enriquecidas pelo Mussum.”, recorda Nádia.
O segundo carro da Verde e Rosa do Lins trouxe à Sapucaí as mais variadas facetas em que Mussum assumiu no decorrer de sua vida, contou em sua composição com personagens que tiveram sua inspiração para a arte no humorista, principalmente, por ser um negro tendo lugar de destaque nos anos 70.
Mussum sempre foi inspiração por onde passou, desde os mais velhos até os mais novos, Hélio De La Peña, em entrevista ao site CARNAVALESCO, falou da importância do ator para a cultura nacional.










A primeira escola que desfilou na noite desta quinta-feira (21/0, trouxe à Sapucaí uma homenagem, mais do que merecida, ao nosso eterno Mussum. A Lins Imperial, apresentou seu o samba enredo “Mussum pra sempris – Traga o mé que hoje a Lins vai ter muito samba no pé” para Avenida como forma de homenagear o ator que foi nascido no bairro Lins de Vasconcelos.
