No carnaval do Rio de Janeiro, não há como falar de comissão de frente sem citar o casal de coreógrafos Rodrigo Negri e Priscilla Motta, que revolucionaram o quesito, em 2010, no título da Unidos da Tijuca, com “Segredo” e a comissão que fazia diversas trocas de roupa na avenida. Em seu terceiro carnaval na Estação Primeira de Mangueira, a dupla promete emocionar os mangueirenses com a comissão do enredo que homenageia três ícones da escola: Jamelão, Delegado e Cartola.
Fotos: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
O enredo Mangueira, “Angenor, José & Laurindo” , desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, busca homenagear três grandes figuras da Estação Primeira de Mangueira, do morro da Mangueira e do carnaval, retratando-os também como figuras do cotidiano da nossa sociedade, um baleiro, um engraxate e um camelô. Diante de tamanha responsabilidade, ao ter que falar de figuras históricas da verde e rosa, que há tempos eram aguardadas como enredo, Priscilla e Rodrigo dizem se sentirem honrados por estarem vivendo esse momento na Mangueira.
”Honra, privilégio e sorte de estar vivendo neste tempo, neste momento e estar na Mangueira neste momento é muito especial. É um enredo feliz, é um enredo que, depois de dois anos e tudo que a gente viveu, a sociedade brasileira principalmente, a gente vem pra lavar a alma e essa chuva veio realmente pra lavar”, afirmou Priscilla. ”É, como a Pri falou, um privilégio”, completou Rodrigo.
Mas, apesar de toda honra e emoção de retratar os três baluartes da Estação Primeira de Mangueira, Priscilla e Rodrigo relatam maior dificuldade em projetar um trabalho de comissão de frente em enredos que abordam homenageados. “É mais difícil, mas eu acho que depois que a gente engatou na ideia, é um prazer e uma honra tão grande que o trabalho deslanchou. Então, a gente está muito feliz com o resultado”, garantiu Rodrigo.
Sem querer adiantar muitos detalhes, sobre o que não pode faltar para esse enredo ou se os homenageados estarão já na comissão de frente, “sem spoiler”, Rodrigo e Priscilla falaram sobre o fator que consideram principal no trabalho realizado para o carnaval de 2022: a emoção. Classificado pelos dois como o projeto que mais os emocionou, o casal trata a comissão como um “presente para o mangueirense”.
”A gente não pode falar, mas assim, vai trazer muita emoção. As pessoas podem esperar que é um dos trabalhos que mais tocou o nosso coração e pode ter certeza que vai ter muita gente emocionada”, disse Rodrigo.
No ensaio técnico na Sapucaí, o casal brindou o público com uma apresentação de comissão de frente formada por 15 homens, vestidos com roupas verde e rosa e chapéu “estilo Delegado” e uma bela dança, com muito samba no pé. O casal garante ter um entrosamento de primeira com o carnavalesco Leandro Vieira, que está em seu sétimo ano na escola.
“A relação é a melhor do mundo. O Leandro é um amigo, um parceiro, a gente se fala todo dia no barracão e depois no telefone em casa, o tempo todo junto, a gente curtindo o que ele faz, ele curtindo o que a gente faz, é sucesso”, comentou Priscilla. ”A gente já tem uma parceria, é o terceiro ano, então assim, o Leandro é um parceiro, está o tempo inteiro conosco nos ensaios”, afirmou Rodrigo.
Por fim, o casal revelou um único detalhe da apresentação da comissão de frente da Mangueira no carnaval de 2022: a utilização de um elemento cenográfico, tripé, o maior usado por eles na escola, até aqui. Além de estar inserido no contexto do enredo, o elemento cenográfico será usado pelo casal como “backstage”, espaço de bastidor que pode ser usado para trocas de roupa, guardar materiais, esconder integrantes que não estejam participando da cena no momento e dentre outras coisas.
“Vamos utilizar o elemento cenográfico, que é um elemento de apoio para que a gente consiga colocar nossas ideias em prática”, explicou Priscilla. “Eu acho que o elemento bem inserido dentro do enredo é super válido. Ele serve de backstage, então assim, é o primeiro ano na Mangueira, que a gente vem trazendo um elemento cenográfico, nos outros anos nós trouxemos um tripé menor e esse também não é tão grande, mas é um elemento cenográfico que vai servir de backstage pra gente”, completou Rodrigo.
Com o casal de coreógrafos super gabaritados no quesitos e promessa de muita emoção, a Mangueira tem tudo para abrilhantar ainda mais a primeira noite de desfiles, dia 22 de abril, com uma bela comissão de frente e o enredo “Angenor, José & Laurindo”, em homenagem aos mestres Cartola, Jamelão e Delegado.
O Império da Tijuca desde o carnaval de 2013, vem arrancando muita expectativa e curiosidades do público quanto aos seus desfiles. Depois da merecida subida ao Grupo Especial com o enredo: “Negra, Pérola Mulher”, a escola vem mostrando um ótimo trabalho e desempenho, que muito se deve também à sua administração e ótima escolha de profissionais. Apesar da chegada triunfal ao Grupo Especial no carnaval de 2014, a escola logo foi rebaixada novamente ao Grupo de Acesso, atual Série Ouro. O rebaixamento foi tão inesperado que repercute comentários até hoje, não só dos componentes da escola, mas sim por todos os sambistas.
Fotos de Isabelly Luz/Site CARNAVALESCO
O jovem carnavalesco Guilherme Estevão é o responsável pelo desenvolvimento do desfile de 2022. O enredo “Samba de Quilombo – A Resistência pela Raiz” gerou muita expectativa não só na comunidade, mas também no próprio artista. “Eu comecei no carnaval virtual com 13 anos, onde eu ganhei três vezes no Grupo Especial, e isso acabou chamando atenção das pessoas no carnaval real. No carnaval real eu trabalhei da série de avaliação até o Grupo Especial como assistente e como figurinista, e fui fazendo como assistente e projetista alegórico várias outras cidades: Uruguaiana, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, etc. Em 2018, quando eu de fato viro assistente do Jaime Cezário no Porto da Pedra, isso abre uma porta fundamental e então eu chego no Grupo Especial como assistente na União da Ilha, e no mesmo ano faço a Independentes de Olaria como carnavalesco, resultando na vitória da escola e diversos prêmios. A partir desse trabalho o Império da Tijuca me convida e hoje estou há três anos no Império da Tijuca com um desfile só. Eu costumo brincar aqui que eu sou o carnavalesco mais longe da escola com um desfile só. Estamos indo para o segundo ano, o primeiro ano foi um ano também atípico porque eu chego na escola já com tema de enredo definido, tema da Educação, eu tive que desenvolver. Esse ano vai ser o primeiro carnaval com um tema meu apresentado a escola, por isso é um carnaval com muita expectativa”.
O Império da Tijuca levará para o Avenida, no dia 22 de abril, o enredo sobre “Quilombo”. Durante a entrevista, Guilherme Estevão contou ser um dos enredos favoritos do público, já era uma vontade sua de muito tempo, e que na verdade essa vontade teria sido descoberta através de uma pesquisa por até então outro enredo sobre Solano Trindade.
“Esse enredo já está guardado na minha gaveta tem uns anos. Eu comecei a descobrir a história do Quilombo pesquisando outro tema, que era Solano Trindade, um importante poeta negro, e com isso acabei descobrindo que Solano havia sido enredo em 1982 de uma escola chamada Quilombo, a qual eu ainda não conhecia. Quando fui descobrir que diacho de escola de samba era aquela, eu pensei: Caramba, que história incrível! A partir disso, me abriu um leque enorme. Obviamente eu tinha alguns receios, até porque o Quilombo é uma escola de samba contra esse processo que a gente vive hoje, a disputa. O Quilombo não disputava carnaval, ele era manifesto contra algumas questões do carnaval. Mas ao passo que eu fui pesquisando Quilombo, eu fui encontrando uma série de similaridades com o Império da Tijuca, então isso foi cada vez mais agregando valor e me sinalizando de que eu deveria trazer esse tema que foi logo abraçado pela diretoria da escola e depois pelos componentes, e eu acho que por todo o grupo de sambistas que amam o carnaval e reconhecem a importância de trazer um enredo como quilombo nesse momento em que estamos vivendo”.
Quando perguntado sobre o que mais o fascinou na pesquisa pelo enredo, o artista do Império da Tijuca citou: “Eu acho que foram esses pontos de encontro com o Império. Primeira questão que eu achei incrível foi um elo espiritual que eu nem conhecia, o Império da Tijuca e o Quilombo são do mesmo dia, 8 de dezembro. Também possuem a mesma padroeira (Nossa Senhora da Conceição- Oxum), então ali já dizia que elas tinham que estar juntas. O Quilombo querendo ou não, não é uma história antiga, a gente está falando de uma história com menos de 50 anos e que muita gente não conhece, além de ter envolvido muito baluartes do carnaval, pessoas que são fundamento e raiz da história do samba e do carnaval e que a história foi omitida e negligenciada durante esse período. Até o conteúdo do Quilombo foi difícil de encontrar, fui buscar através de tese de doutorado e documentários. Quando vamos descortinando os desfiles do Quilombo, porque até mesmo se falar do Quilombo, se lembrava muito do período em que Candeia era vivo. Candeia fundou a escola em 1975 e ficou até 1978. Mas o Quilombo desfila até 1985, então tem uma serie de personagens e de movimentos da cultura afro brasileira de exaltações que o Quilombo fez, que foram muito enriquecedores de descobrir durante essa pesquisa. E mais do que isso, identificar músicas que as pessoas cantam em rodas de samba que elas nem sabem que eram samba enredo do Quilombo. Martinho da Vila, Luiz Carlos da Vila, Nei Lopes. Quando a gente passa a encaixar as peças, as coisas ganham um olhar e uma importância ainda maior”, relatou o carnavalesco.
Não é de hoje e nem segredo para ninguém a discrepância financeira entre o Grupo Especial para a Série Ouro e o quanto essa diferença implica na qualidade do desfile. Por conta da falta de verba, muitas escolas possuem dificuldade seja para se manter no Acesso ou para se manter no Grupo Especial quando sobem. O que já era difícil em tempos normais, se tornou ainda mais complicado em momentos de pandemia.
“A gente está sempre tendo que se adaptar à realidade que é muito dura aqui na Série Ouro, eu diria até que no último carnaval foi ainda pior, porque a gente não teve subvenção alguma, foi um carnaval de milagre aqui no Império da Tijuca, trouxemos notas e um desfile digno. Esse ano a dificuldade também é enorme, querendo ou não você passa dois anos dentro de um projeto em que você repetidas vezes para e anda. Até janeiro as perspectivas eram uma, depois você muda as perspectivas quando mais uma vez interrompe o ciclo e adia o carnaval. Você tem mudança de regulamento justamente pela realidade em que o país e consequentemente o carnaval enfrenta. Foi um carnaval muito cansativo em todos os sentidos. A realidade financeira nos obriga a criar soluções. Aqui no Império a gente buscou fornecedor de vários lugares diferentes para conseguir dar conta de trazer material bom para esse lugar, porque a gente passa por uma crise de produção muito séria aqui no Rio de Janeiro e no país depois da pandemia. Os valores dos produtos estão muito altos por causa do dólar. A gente já tem uma dificuldade muito grande em relação ao calendário do repasse de verba, é uma indefinição muito grande sobre as coisas, e aí a gente tem toda essa incerteza sobre a realização ou não do carnaval. Acho que no final a gente quer muito que esse carnaval saia não só para mostrar o nosso trabalho, mas também para dar uma pausa na cabeça, porque é um cansaço imenso durante esses dois anos de ciclo. Foi talvez o ciclo mais desgastante para todo mundo, não só para o Império da Tijuca, mas sim para todo o Acesso e Intendente, onde esse processo com certeza foi ainda pior”.
Enredo e samba
Mesmo com todos os empecilhos, a escola promete não só para a comunidade do Morro da Formiga, e sim para todo o público um ótimo espetáculo. No barracão, junto ao carnavalesco Guilherme Estevão, outras figuras importantes lutam apelos últimos ajustes para o desfile da escola, destaque para o diretor de barracão Luan Telles e o chefe dos aderecistas Rafael Furtado. A escola conta com 1500 componentes, 20 alas, 3 carros e 2 tripés, sendo um da comissão de frente.
O Império da Tijuca é sempre reconhecido por seus belíssimos sambas por consequência de enredos muito bons. O carnavalesco defende a importância social do enredo da escola para a sociedade, além de prometer um desfile trazendo a verdadeira essência cultural do samba, exaltando a personalidade negra e a tornando protagonista da festa.
“Eu acho que o grande trunfo do desfile é ser verdadeiro com aquilo que é a essência do samba. A gente vive um momento que é delicado, é o momento da transformação do carnaval, de desgaste de muitas formas, desgaste do processo que o carnaval vivia em termos de mercado, em termo de gigantismo. A gente passou agora dois anos sem carnaval, estamos vivendo uma nova realidade, que de alguma maneira obrigou as escolas de samba a se reaproximarem do seu próprio público, da sua própria comunidade, nas ações sociais, na ajuda ao enfrentamento da pandemia, nos problemas e nas dificuldades que a gente teve para os trabalhadores do carnaval. Acho que trazer um enredo que fala da essência fundamental do carnaval, que é o samba de verdade, é o reconhecimento e protagonismo negro na festa, a cultura afro brasileira essencialmente eu acho que é um trunfo muito grande para a gente. Estamos falando de raiz e de identidade, todo mundo que estava vivendo ali, sobretudo no Grupo de Acesso que é uma coisa mais povão, mais verdadeira, o caráter emocional da coisa ganha uma proporção muito maior, então eu acho que essa verdade que vai estar inserida tanto no desfile quanto no samba, é o grande trunfo que a gente tem, mais do que um elemento x ou y”.
Quanto ao impacto social do desfile, Guilherme Estevão afirma: “Esse enredo é importante justamente para a gente passar a se renxergar como escola de samba, como movimento cultural negro, entender o protagonismo do artista negro na festa, se reexergar também não só como objeto de mercado. A gente entende que hoje o carnaval é uma grande cadeia produtiva, gera bilhões para o estado e para a cidade, além de milhares de empregos, mas a gente também precisa entender a lógica fora do mercado do carnaval. É ruim a gente sempre só exaltar a questão financeira para justificar a sociedade que é importante ter desfile de escola de samba. É muito importante exaltar isso, é claro, mas a gente não pode perder de vista o caráter cultural, histórico e ancestral que envolve a escola de samba. Eu acho que esse enredo é justamente olhar para si novamente e entender o que é raiz e fundamento. Foi isso que o Quilombo fez em forma de protesto. Quando se cria a escola de samba é um protesto justamente contra esse novo olhar de mercado, isso lá na década de 70 e a gente segue vivendo isso agora em 2022”.
Entenda o desfile
Setor 1: “O primeiro setor do Império a gente começa apresentando as bases e os fundamentos do Quilombo, o que orienta esse projeto de escola de samba, que é a ancestralidade, a tradição, a resistência do povo preto e a proteção da cultura negra, arte negra. A gente abre com esses fundamentos para mostrar o que o Candeia chamava de nova escola”.
Setor 2: “Passamos para o segundo setor, onde vamos mostrar quais eram as bandeiras de luta desse Quilombo. O Quilombo está inserido no processo da década de 70, que é um momento de ressurgimento do movimento negro, que estava sendo clandestino e oprimido durante a ditadura militar, e aí nesse processo surgem vários núcleos de pensamentos políticos, culturais e sociais da cultura negra e um movimento unificado negro que dentro desse processo estava o Quilombo. Então o Quilombo tinha várias bandeiras de luta, era o reconhecimento da negritude brasileira, do papel político do negro, o processo quanto a essa mercantilização do carnaval e contra esse embranquecimento do carnaval. Ou seja, esse afastamento do protagonismo negro e valorização dos artistas plásticos que não são da comunidade e não vieram da comunidade”.
Setor 3: “No terceiro setor, a gente mostra que o Quilombo era um centro de artes negras, como diz o próprio nome da escola, então era o lugar onde as práticas folclóricas e culturais negras eram exaltadas, como a capoeira, o jongo, maracatu, afoxé, samba de caboclo e rituais afro religiosos. E a gente encerra o desfile trazendo todos os desfiles do Quilombo, os quais tinham como obrigação homenagear heróis, momentos ou lutas da cultura afro brasileira. Então esses desfiles trouxeram Zumbi dos palmares, Solano Trindade, os 90 anos da abolição, os cinco séculos de resistência”.
Setor 4: “E então encerramos isso tudo unindo essas duas resistências, a resistência negra do Império da Tijuca com a resistência negra do Quilombo, que tem um elo para além de resistência e de cor por se reconhecerem escolas pretas, tem um elo espiritual que é o elo da padroeira Oxum, então as escolas tem algo muito íntimo e muito forte que une as
duas agremiações e em todos os sentidos”.
O carnavalesco dos Gaviões da Fiel, Zilkson Reis, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa em São Paulo após ter sofrido uma agressão no fim de semana. Segundo o Boletim Médico, divulgado na terça-feira, o artista ele está com um coágulo na cabeça e um pulmão perfurado.
Confira abaixo a nota oficial dos Gaviões da Fiel:
“Desde domingo (27), estamos apurando, como entidade, uma suspeita de abuso, que o até então carnavalesco, Zilkson, cometeu. Ouvimos a vítima, uma mulher, em estado de vulnerabilidade que nos relatou os momentos de constrangimento que passou. A fim de protegê-la fisicamente, psicologicamente e evitar um maior desgaste emocional, estamos prestando todo o apoio a ela, desde o momento da realização do boletim de ocorrência, até agora.
Mensuramos também, por conta desse fato e para proteger a vítima, Zilkson foi agredido quando ela gritou por socorro. Sabemos que a lei existe para punir indivíduos que cometem crimes, não compactuamos com nenhum tipo de violência, entretanto, para defendê-la naquele momento de constrangimento, se deu o ocorrido.
O prestador de serviços que cometeu as agressões, está afastado da entidade, até que tudo seja esclarecido.
Por conta da situação, entramos em contato com a família do Zilkson, a fim de trazê-los para São Paulo, onde prestaremos assistência, para que possam acompanhar a recuperação dele e uma eventual investigação acerca deste fato.
Quanto ao suspeito, não prestará serviços para a entidade. Essa decisão se dá porque nos Gaviões da Fiel Torcida, não há espaço para situações como esta e qualquer outra forma de desrespeito com a mulher.
NÃO É NÃO. DIRETORIA GAVIÕES DA FIEL TORCIDA”.
Duas semanas após brilhar no ensaio técnico da Sapucaí, o Império Serrano voltou à Sapucaí nesta terça-feira, desta vez para trabalhar a bateria no setor 11. A Sinfônica do Samba fez ótimo treino no Sambódromo e prepara grande show, com variedade de instrumentos e coreografias, além da eficiência implementada por Vitinho. O mestre falou sobre a importância do ensaio com os ritmistas na Avenida e destrinchou algumas surpresas que levará para o desfile oficial.
“Tivemos a oportunidade de ser uma das primeiras escolas a voltar para a Sapucaí e fazer o ensaio técnico, e foi uma emoção muito grande. Ver todos os componentes da escola emocionados foi muito bacana. Aqui é a nossa casa, então poder pisar aqui para poder tirar dúvidas, limpar e se preparar para o dia do espetáculo é uma realização. Nada melhor do que treinar no campo onde você vai jogar a final. A acústica aqui ajuda bastante, a formação aqui também é diferente da que é feita na quadra. Eu fiz questão de ter esse ensaio aqui, porque a gente se prepara ainda mais. As pessoas elogiaram muito o ensaio técnico, mas eu sou chato, bastante crítico”, disse Vitinho, que emendou:
“Em 2020, eu não tive oportunidade de ensaiar aqui com a Ponte, e faz muita diferença. Aqui é muito importante não só para a bateria, mas para o carro de som também. Dentro do ritmo, eu sou suspeito para falar, mas a bateria está pronta. Sempre tem algo para melhorar. Algo que me incomodou um pouquinho foi a formação no ensaio técnico. Então eu pedi esse ensaio aqui não pelo ritmo, porque estamos bem encaminhados, com os naipes de caixa, afinação dos surdos, colocamos vários repiniques. O balanço está bacana. O treino hoje é para a formação e para a capoeira, que é uma pimentinha a mais que eu vou trazer para o desfile”, completou o mestre do Império Serrano.
Vitinho fará o primeiro carnaval como mestre de bateria do Império Serrano, escola do coração do músico. O comandante da Sinfônica revelou que a ideia da bossa da capoeira veio após um sonho, e será realizada com os agogôs reproduzindo o som dos berimbaus. Os surdos de terceira vão substituir os atabaques para dar ainda mais a ideia da capoeira, esporte no qual Mangangá, enredo da escola, ficou notabilizado. Além desta, a bateria do Império deve fazer também outras três bossas.
“É emocionante estar trabalhando no Império, é a minha escola, da minha família. O presidente está sendo incansável, se esforçando o tempo todo para atender os nossos pedidos. Às vezes você não consegue fazer um trabalho por causa de recursos. E aqui, a gente tem isso, então só depende de nós. Os carros estão lindos, minha fantasia já está comigo há dois meses. O público pode esperar uma bateria com andamento bom, com o swing do agogô, caixa bem tocada e o repinique que é uma marca muito forte do Império Serrano. A ideia é passar para os jurados um bom som, e para o público um grande espetáculo com algumas surpresas na Sapucaí, porque é disso que se trata o Carnaval, cultura, alegria e diversão”, encerrou Vitinho.
A Sinfônica do Samba levará para a Sapucaí 254 ritmistas e também vai preparar uma bossa de baixo para impulsionar o canto no verso ‘Sou eu Império da patente de Ogum’. Além da bateria, o Império Serrano também levou para o ensaio do setor 11, a Comissão de Frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, a ala coreografada ‘Exu’ e o carro de som. Os intérpretes Igor Vianna e Nêgo comentaram o trabalho no setor 11 e se mostraram otimistas pelo retorno da escola ao Grupo Especial.
“Cada momento aqui está sendo especial, ainda mais agora que estamos mais perto de entrar na Avenida. Vai ser um momento muito especial. Hoje são os últimos detalhes, é uma parte muito importante do processo. Vocês podem esperar uma escola muito feliz por estar voltando à Sapucaí. Estamos muito unidos e fortes. O presidente está fazendo de tudo para honrar a grandiosidade do Império Serrano e com certeza o povo de Carnaval vai ser emocionar com a escola na Avenida”, declarou Igor Vianna.
“Quando assumiu, Sandro Avelar me trouxe para cá por toda identificação que eu tenho com a escola. E tem sido muito boa essa volta. Para mim foi muito importante também, ganhei dos estandartes aqui. Esse ensaio aqui hoje é muito bom, porque o Império Serrano precisa fazer um grande desfile. O lugar do Império não é na Série Ouro, com todo respeito às outras escolas, mas o Império tem que estar no Grupo Especial. Uma agremiação desse tamanho, com esse nome, não pode se conformar de estar no segundo grupo. A escola tem toda estrutura para fazer um grande desfile e vamos em busca do acesso”, comentou Nêgo.
A Assembleia Legislativa do Rio vai homenagear Carlos Eduardo Arcanjo de Oliveira, o Mestre Dudu, que há mais de 10 anos comanda a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, vai receber a Medalha Tiradentes. Maior honraria concedida pela Casa, a entrega da medalha foi proposta pelo deputado Átila Nunes (PSD) e aprovada por unanimidade. No ensaio técnico, os ritmistas da “Não existe mais quente”, apelido dado a bateria da escola, mostraram um pouco do que vão levar para a Sapucaí neste Carnaval. Em alguns momentos dos desfiles, eles param de tocar todos os instrumentos e viram para o público simulando as flechas de Óxossi, homenageado pelo enredo deste ano.
“A comenda representa o reconhecimento pelo trabalho e dedicação do mestre Dudu à frente da bateria da escola de Padre Miguel há mais de 10 anos. A homenagem é mais que merecida. Ele tem um papel importante no desempenho da Mocidade, que é uma das favoritas ao título deste ano. Importante destacar que o enredo da agremiação nos ajuda a divulgar a liberdade religiosa e o combate ao preconceito no estado ao falar de Óxossi’, defendeu o deputado Átila Nunes.
O Camarote Rio Praia deu mais um passo para fora da Marquês de Sapucaí. Já conhecida do público, a marca, além de possuir uma marca de roupas e acessórios, agora está indo para a linha de eventos durante o ano. Na tarde do último domingo, aconteceu a primeira feijoada Rio Praia. O evento reuniu cerca de 400 pessoas no salão do Hotel Pestana Rio Atlântica, em Copacabana, para aproveitar os shows do grupo Vou Zuar, Bateria do Império Serrano e também Mumuzinho, que será atração do camarote em 2022. Uma convidada que também marcou presença foi Mayara Lima, princesa do Tuiuti, que viralizou nas últimas semanas ao sambar com muito gingado no ritmo da bateria.
Igor Figueiredo é arquiteto, começou a fazer o projeto do camarote em 2018 e no ano seguinte assumiu a direção de logística e produção do camarote. Ele explicou que em quatro anos de Sapucaí é o primeiro evento fora e que se sentiu surpreso com o resultado positivo. “O nosso objetivo é ir para além do Sambódromo, queremos expandir a marca Rio Praia fazer feijoadas antes e depois do carnaval e também queremos uma festa de Réveillon”, revelou. Ele também avaliou sobre o público da feijoada ser bastante variado, com jovens amigos, famílias e idosos. Na Sapucaí o mesmo acontece, inclusive, o Camarote tem o dia Rio Prainha, que funciona nos desfiles das escolas mirins.
A Grace Freitas é biomédica, torcedora da Grande Rio e está com Daniel há 19 anos. O casal é veterano de camarotes na Sapucaí e irão ao Rio Praia pela primeira vez em 2022. “Se for como está sendo a feijoada será maravilhoso. Eu adoro Mumuzinho, ainda vai ter Belo no dia que eu vou”.
Alan Vitor, relações públicas do Rio Praia, falou das atrações que costumam movimentar o camarote desde o começo da operação, em 2018. “A gente recebeu grandes atrações nesse tempo, como Preta Gil, Mumuzinho e Chiclete com Banana. Neste carnaval nós teremos Belo, Matheus Fernandes, Diogo Nogueira, Thiago e Rodolfo e ainda uma atração surpresa”, revelou.
O Rio Praia tem sempre a temática do Rio de Janeiro e toda a sua exuberância de praia, mar, sol, mas neste ano terá uma iluminação especial que acompanhará as cores das agremiações que estiverem desfilando na Marquês de Sapucaí. O camarote fica localizado em frente ao segundo recuo de bateria. Inclusive, é possível assistir aos shows e assistir aos desfiles ao mesmo tempo, já que o espaço dos shows é virado para a avenida. O camarote conta com lounge e frisa para 400 pessoas.
As amigas Mayara e Larissa vieram em família para curtir a feijoada. Elas devem ir ao Rio Praia em uma noite de avenida, mas elogiaram o serviço da feijoada e estão animadas para o carnaval. “A gente espera que seja muito divertido, com bastante bebida e inclusive picolé, que eu amo”, brincou Mayara.
Alan Vitor também reforçou que a mudança para abril foi positiva, pois permitiu que o público consiga se organizar para ir aos desfiles e acredita que as vendas, que hoje estão em 50%, vão estourar no período do carnaval e ainda dá tempo de comprar, parcelando em até 6 vezes”, explicou.
O sucesso da feijoada foi tanto, que os organizadores estão avaliando se farão uma segunda feijoada na semana do carnaval, em abril.
Em um novo lugar, agora no Centro da cidade de São Gonçalo, a Porto da Pedra realizou, na noite do último sábado (26), seu primeiro ensaio de rua para o carnaval de 2022. Embalado pela força de seu samba, um dos mais elogiados no pré-carnaval, com a presença e o canto da comunidade, o alto desempenho da bateria, comandada por mestre Pablo e a força do carro de som comandado por Pitty di Menezes, o tigre avassalador de São Gonçalo retomou com firmeza sua volta às ruas e prometendo briga pelo título.O primeiro casal de mestre sala e porta bandeira, Rodrigo França e Cintya Santos, também foi destaque da noite.
“A importância do ensaio de rua é para trazer a comunidade, mostrar a nossa escola pro público do município e fazer um belo treinamento para a Sapucaí. Podem esperar uma escola que vai brigar pelo título”, disse Aluísio Mendonça, da direção de carnaval.
Com a já citada força do samba e do carro de som, o canto de escola se mostrou bastante forte ao longo do ensaio, em que pese algumas alas com componentes ainda sem decorar toda letra do samba. As alas “Passarão” e “Amigos do Tigre” se destacaram positivamente em relação ao canto, com componentes animados e cantando forte. A comunidade do Porto da Pedra leva a fama de ser muito fiel não é à toa.
Rumo ao quarto carnaval pela Vermelha e Branca de São Gonçalo, Rodrigo França e Cintya Santos, o primeiro casal da escola, provaram, mais uma vez, que estão dentre os melhores da Série Ouro. Com uma roupa no vermelho da escola e detalhes em branco e prata e sua tradicional “dança solta”, o casal brindou o público com uma bela apresentação na principal avenida gonçalense.
Um dos mais elogiados durante o longo pré-carnaval de 2022, o samba da Porto da Pedra, assinado por Obá Adriano Abiodun, Guga Martins e Cia, mostrou toda sua força no ensaio de rua da escola. Além da bela obra, o ensaio também contou com um show à parte do intérprete Pitty di Menezes, que foi um dos destaques da noite, demonstrando todo seu entrosamento com a bateria e embalando a comunidade gonçalense. O refrão principal, com o ápice no trecho “No toque do aguerê, chamei o povo”, foi a parte mais cantada pelos componentes da escola e pelo público presente.
“É um ano de celebrar, momento de celebração, a gente sai da Covid-19 para poder voltar a ensaiar nas ruas de São Gonçalo, nosso município e a comunidade nos recebe com esse abraço calorento. São Gonçalo é amor, fraternidade, amizade e, embora seja grande, todo mundo se conhece. Então, se Deus quiser, com essa garra, com essa união, nós vamos em busca do nosso campeonato e, hoje, é o pontapé inicial de tudo. Eu não tenho palavras para esse samba, ele me arrepia só de falar e a comunidade e o povo do samba receberam com muita aceitação. A comunidade está cantando muito, o povo do samba está cantando muito, então, eu não preciso fazer muito esforço, é só cantar que o resto, a comunidade faz”, disse o intérprete.
A bateria “Ritmo Feroz”, comandada mais um ano por mestre Pablo, foi outro destaque do ensaio de rua do Tigre de São Gonçalo. Em sua apresentação, a bateria apresentou uma bossa na final da passada do samba, antes da subida pro refrão principal, no trecho “Roda yabá é ginga!/Canta pra firmar curimba”. A rainha da bateria, Tati Minerato, também esteve presente no ensaio, com uma roupa em dourado e foi muito tietada pelo público.
“A comunidade está em peso, a escola veio forte, com garra, as garras do tigre, que é o símbolo da escola, e rumo ao campeonato. Eu acho que a Porto da Pedra já está 100% pronta para desfilar na avenida. Mas é sempre bom ensaiar pra dar um condicionamento, porque 100% pra gente não é o suficiente, a gente quer 1000% pra entrar naquela avenida e dar o nosso máximo para trazer o caneco para São Gonçalo. É muito legal ensaiar a céu aberto. A gente acaba tendo noção de como fazer o recuo, a saída do recuo. É diferente do ensaio parado da quadra, onde só a comunidade fica rodando enquanto a bateria ali fica parada”, comentou mestre Pablo.
A evolução foi contagiada pelo samba e pela empolgação do intérprete Pitty de Menezes e seu carro. Soltos e leves, os componentes da Unidos do Porto da Pedra desfilaram de maneira muito coesa e animada pela rua gonçalense. A ala de passistas do Tigre, com uma roupa vermelha e muito samba no pé, e a ala das baianas, numa tradicional roupa branca, foram umas das mais animadas da noite. Foi aparente o esforço em realizar um ensaio altamente técnico e digno para todos ali presentes. Podendo ajustar um errinho aqui e outro lá, a Porto da Pedra prometeu usufruir ao máximo de seus ensaios de rua para o ensaio na Sapucaí e consequentemente desfilar sem erros no dia principal.
A Unidos do Porto da Pedra será a quarta escola a desfilar na primeira noite de desfiles da Série Ouro, com o enredo “O Caçador que traz alegrias”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon, em seu segundo carnaval pela escola.
Enredo, alegoria e fantasias. Você sabe como esses quesitos se relacionam e podem ser analisados num desfile de escola de samba? Entender que os desfiles são formados por uma “linguagem carnavalesca” é fundamental.
Um desfile de escola de samba tem uma linguagem, uma gramática visual estabelecida no imaginário comum. Há uma série de signos e símbolos que já são fundamentais na construção de um cortejo. São elementos desde os mais simbólicos, como a ala de baianas, passistas e a velha guarda, que reafirmam a ancestralidade do samba e se constituem como personagens da festa, até os quesitos julgados pelos jurados, como bateria, comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira. Uma escola de samba se torna uma não só por cruzar o sambódromo nos dias de carnaval, mas por reunir esses signos.
Ao analisar um desfile, é preciso entender o uso desses elementos e suas funções técnicas e narrativas. Central na experiência humana de modo geral, a narrativa também assume protagonismo em um desfile de escola de samba. Há uma história a ser contada, e para isso são usados alas, alegorias, grupos coreográficos, além de aspectos não visuais, como o samba-enredo e as bossas de uma bateria. Tudo isso é enredo. Da dança do passista até o toque para um orixá, na maioria das vezes, essas tramas se sobrepõem, criando ambiguidades e contradições.
Assim, como um diretor cinematográfico dispõe de elementos para compor sua obra, da composição de planos aos elementos da cena, constituindo assim uma chamada “linguagem cinematográfica”, sistematizada e estuda por diversos pesquisadores na área, parece-me evidente que as escolas de samba dispõem de uma “linguagem carnavalesca”. Esta, ainda pouco sistematiza e estudada em pesquisas sobre as artes.
Muito se debate sobre a rigidez que o julgamento submete as escolas de samba, carnavalescos como Leandro Vieira e Jack Vasconcelos já declaram que preferiam um formato de cortejo mais solto e que permitisse diferentes usos de elementos dessa linguagem carnavalesca.
Por exemplo, desde os anos 2000, quase todas as agremiações tem o mesmo tipo de organização: um cabeça com Comissão de Frente, seguida por casal de mestre-sala e porta-bandeira, abre-alas, um conjunto de quatro a seis alas e mais uma alegoria e assim sucessivamente. E se os artistas do visual pudessem brincar com essa estruturar? Imaginar dezenas de alegorias e tripés pequenos, inverter posição de alas e alegorias, isso daria uma diversidade muito maior ao espetáculo.
Mas e os jurados? Como entenderiam isso? É claro que o julgamento é um elemento preponderante para as escolas de samba desde 1930. A competição e o desejo do pódio é algo que faz as agremiações seguirem tendências que são balizadas pelo júri e levam o caneco, explicando assim porque certos artistas e estilos não conseguiram mais fôlego. Para uma liberdade maior na “linguagem carnavalesca”, seria necessário um júri mais aberto e bem formado, que entendesse que não importa se escola levou alegoria mais luxuosa ou maior, mas se outra apostou em carros pequenos e baixos que servem ao enredo também são dignos de nota máxima.
Entender um desfile de escola de samba passa por muitas complexidades e é sobre isso que vou falar no meu novo curso. Quer saber como analisar os elementos de um desfile?
A partir do dia 09 de maio, vou oferecer o curso “Arte+carnaval: o visual como quesito” irá se debruçar no estudo desses elementos clássicos do carnaval brasileiro: enredo, alegorias e fantasias. Irei analisar junto com a turma grandes desfiles e o estilo de vários carnavalescos em alas participativas e dinâmicas.
O curso irá discutir elementos narrativos e visuais dos desfiles, propondo ao final um exercício de análise para os participantes. Os encontros partirão de investigar o carnaval como linguagem artística e seu contato com outras formas de artes institucionais, investigando a formação artística e conceitual de um desfile. Ao final dos 3 encontros, será proposto aos alunos um exercício de análise dos cortejos baseados no conteúdo das aulas. O exercício não será obrigatório. Mas será realizado um último encontro híbrido (presencial e online) na Casa da Escada Colorida para um debate e conversa sobre o exercício. As aulas serão gravadas e ficarão disponíveis para os alunos.
Encontros totalmente online, com aulas gravadas e disponíveis para assistir depois.
Calendário de encontros:
Encontro 1 – Enredo do meu samba (Dia 09/05 – 19h)
Encontro 2 – Fantasias já usadas na Avenida (Dia 11/05 – 19h)
Encontro 3 – Super Alegorias (Dia 16/05 – 19h)
Encontro 4 – Conversa sobre o exercício proposto (presencial e online) (Dia 21/05 – 14h)
Inscrições pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/laboratorio-arte-carnaval-o-visual-como-quesito/1496491
O Instituto do Samba, em parceria com os “Doentes da Sapucaí”, está lançando a série “Samba Comentado”, que pretende explicar o que está por trás das 12 letras dos sambas das escolas de samba do Grupo Especial para o carnaval de 2022. Explicados em formato de vídeo, mostrando de forma ilustrada e dinâmica toda a história, o projeto visar mostrar as curiosidades e as mensagens que estão por trás de cada letra. Ao todo, serão 12 vídeos, um para cada escola de samba do Grupo Especial do RJ de 2022. Cada vídeo tem duração média de 10 minutos e utiliza imagens, vídeos, entrevistas com os compositores, animações e muita pesquisa para ilustrar de maneira didática e dinâmica o significado de cada trecho dos sambas. A apresentação do projeto coube à jornalista Aline Bordalo, pesquisas do jornalista e compositor Alexandre Araujo e direção, produção e edição de Mill Müller. As gravações e as entrevistas dos compositores foram realizadas no Baródromo (Tijuca, RJ) e no Assembleia Bar (Vila Mariana, SP).
Rogério Portos, presidente do Doentes da Sapucaí, e um entusiasta do carnaval, falou sobre o projeto. “Quanto mais entendemos, mais gostamos de um samba. O samba-enredo é de fazer inveja a qualquer livro de história. Responda rápido: você sabe quem foi o 1º presidente do Brasil? A resposta está no samba da Imperatriz 1989, que dizia “Na noite quinze reluzente, com a bravura, finalmente, O marechal que proclamou foi presidente Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós! ”. Em 15 de novembro de 1989 o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república e se tornou o 1º presidente do Brasil. Identificamos que a profundidade do conhecimento a respeito da história por trás da letra do samba está diretamente ligada ao quanto a pessoa gosta daquele samba. O Samba comentado quer colocar luz nos sambas de enredo para o público possa entender melhor a mensagem que está por trás das letras, e assim levar conhecimento ao público para aumentar seu interesse no samba e valorizar o rico conteúdo nele inserido”.
A exibição será feita pelo canal do Instituto do Samba no YouTube (www.youtube.com/institutodosamba). O lançamento será no dia 01 de abril e os 12 vídeos serão publicados diariamente, em sequência. Após o dia 13 de abril, serão divulgados trechos de entrevistas com os compositores, com o presidente da Liesa, entre outros materiais que auxiliarão na promoção do projeto. O 1º episódio que irá ao ar será o da Vila Isabel, que trará detalhes do samba feito em homenagem ao mestre Martinho da Vila, como por exemplo a explicação do trecho “Eu vou junto da família. Do Pinduca à Alegria pra brindar. Modéstia à parte, o Martinho é da Vila”. Por que “Do Pinduca à Alegria”? Vale a pena conferir!
Marcos Seixas Soares, vice-presidente do Instituto do Samba, contou como surgiu a ideia de criar o samba comentado. “O “Samba Comentado” nasceu da ideia de entender passo a passo o samba da Imperatriz Leopoldinense de 2018, que falou sobre o Museu Nacional do RJ e que sofreu um incêndio meses depois de ser enredo da Imperatriz daquele ano. Naquela época, de forma amadora e ancorado apenas em pesquisas pela internet, o 1º Samba Comentado foi criado. Um ano depois veio a 2ª edição, agora falando sobre o enredo dos Doentes da Sapucaí de 2029: “As 10 Campeãs da Sapucaí”.
Segundo o jornalista e sambista Alexandre Araujo, o trabalho faz com que você tenha uma nova visão sobre o samba-enredo. “Nós compositores ouvimos que os sambas são muito parecidos, mas acho que nunca houve um trabalho que esmiuçasse e explicasse o que está por trás de cada letra de samba. Acho que essa série vai fazer com que muita gente se eduque e passa a olhar os desfiles de escolas de samba com uma outra perspectiva”.