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Leonardo Antan: ‘Linguagem de carnaval: como os quesitos de um desfile se relacionam’

Enredo, alegoria e fantasias. Você sabe como esses quesitos se relacionam e podem ser analisados num desfile de escola de samba? Entender que os desfiles são formados por uma “linguagem carnavalesca” é fundamental.

Um desfile de escola de samba tem uma linguagem, uma gramática visual estabelecida no imaginário comum. Há uma série de signos e símbolos que já são fundamentais na construção de um cortejo. São elementos desde os mais simbólicos, como a ala de baianas, passistas e a velha guarda, que reafirmam a ancestralidade do samba e se constituem como personagens da festa, até os quesitos julgados pelos jurados, como bateria, comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira. Uma escola de samba se torna uma não só por cruzar o sambódromo nos dias de carnaval, mas por reunir esses signos.

Ao analisar um desfile, é preciso entender o uso desses elementos e suas funções técnicas e narrativas. Central na experiência humana de modo geral, a narrativa também assume protagonismo em um desfile de escola de samba. Há uma história a ser contada, e para isso são usados alas, alegorias, grupos coreográficos, além de aspectos não visuais, como o samba-enredo e as bossas de uma bateria. Tudo isso é enredo. Da dança do passista até o toque para um orixá, na maioria das vezes, essas tramas se sobrepõem, criando ambiguidades e contradições.

Assim, como um diretor cinematográfico dispõe de elementos para compor sua obra, da composição de planos aos elementos da cena, constituindo assim uma chamada “linguagem cinematográfica”, sistematizada e estuda por diversos pesquisadores na área, parece-me evidente que as escolas de samba dispõem de uma “linguagem carnavalesca”. Esta, ainda pouco sistematiza e estudada em pesquisas sobre as artes.

Muito se debate sobre a rigidez que o julgamento submete as escolas de samba, carnavalescos como Leandro Vieira e Jack Vasconcelos já declaram que preferiam um formato de cortejo mais solto e que permitisse diferentes usos de elementos dessa linguagem carnavalesca.

Por exemplo, desde os anos 2000, quase todas as agremiações tem o mesmo tipo de organização: um cabeça com Comissão de Frente, seguida por casal de mestre-sala e porta-bandeira, abre-alas, um conjunto de quatro a seis alas e mais uma alegoria e assim sucessivamente. E se os artistas do visual pudessem brincar com essa estruturar? Imaginar dezenas de alegorias e tripés pequenos, inverter posição de alas e alegorias, isso daria uma diversidade muito maior ao espetáculo.

Mas e os jurados? Como entenderiam isso? É claro que o julgamento é um elemento preponderante para as escolas de samba desde 1930. A competição e o desejo do pódio é algo que faz as agremiações seguirem tendências que são balizadas pelo júri e levam o caneco, explicando assim porque certos artistas e estilos não conseguiram mais fôlego. Para uma liberdade maior na “linguagem carnavalesca”, seria necessário um júri mais aberto e bem formado, que entendesse que não importa se escola levou alegoria mais luxuosa ou maior, mas se outra apostou em carros pequenos e baixos que servem ao enredo também são dignos de nota máxima.

Entender um desfile de escola de samba passa por muitas complexidades e é sobre isso que vou falar no meu novo curso. Quer saber como analisar os elementos de um desfile?

A partir do dia 09 de maio, vou oferecer o curso “Arte+carnaval: o visual como quesito” irá se debruçar no estudo desses elementos clássicos do carnaval brasileiro: enredo, alegorias e fantasias. Irei analisar junto com a turma grandes desfiles e o estilo de vários carnavalescos em alas participativas e dinâmicas.

O curso irá discutir elementos narrativos e visuais dos desfiles, propondo ao final um exercício de análise para os participantes. Os encontros partirão de investigar o carnaval como linguagem artística e seu contato com outras formas de artes institucionais, investigando a formação artística e conceitual de um desfile. Ao final dos 3 encontros, será proposto aos alunos um exercício de análise dos cortejos baseados no conteúdo das aulas. O exercício não será obrigatório. Mas será realizado um último encontro híbrido (presencial e online) na Casa da Escada Colorida para um debate e conversa sobre o exercício. As aulas serão gravadas e ficarão disponíveis para os alunos.

Encontros totalmente online, com aulas gravadas e disponíveis para assistir depois.

Calendário de encontros:
Encontro 1 – Enredo do meu samba (Dia 09/05 – 19h)
Encontro 2 – Fantasias já usadas na Avenida (Dia 11/05 – 19h)
Encontro 3 – Super Alegorias (Dia 16/05 – 19h)
Encontro 4 – Conversa sobre o exercício proposto (presencial e online) (Dia 21/05 – 14h)

Inscrições pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/laboratorio-arte-carnaval-o-visual-como-quesito/1496491

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