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Águia de Ouro apresenta plástica competitiva, mas problemas com evolução podem atrapalhar bicampeonato

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Quarta escola da noite de sábado, e atual campeã do Grupo Especial, o Águia de Ouro entrou na avenida com um ritmo cadenciado, e precisou acelerar pra encerrar o desfile dentro do tempo permitido. A escola pode se prejudicar no quesito Evolução, e em outros que possam ser afetados pela correria. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Evolução

O quesito sofreu algumas falhas durante o desfile. Na entrada da bateria no recuo, o abre-alas parou pouco antes do momento certo, e os ritmistas precisaram desviar pra entrar no recuo.

No minuto 52, quando o último setor passava pelo setor B, a escola precisou aumentar o seu ritmo de andar. Conforme o tempo ia passando, a velocidade ia aumentando. Mesmo com o tempo apertado, a escola conseguiu fechar os portões com 63 minutos.

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Samba

O carro de som da escola teve um desempenho sem complicações, mas as cordas chamaram a atenção. Momentos antes de realizar o apagão do trecho “Senhor”, os surdos param de tocar, enquanto as caixas e repiques seguram o andamento. Nesse momento o vilão 7 cordas aproveita pra fazer um dedilhado. Aliás, a variação do violão foi notado em mais trechos diferentes.

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Os cavacos também apresentaram variações criativas dentro do samba. No trecho: Awurê, Awurê, Awurê os cavacos fazem um solinho seguindo a melodia. Os cavacos também solam e arpejam no “Epa Babá… Xeu Epa Babá”.

Comissão de Frente

A comissão, nomeada como “Evocação… O Clamor na Fé em Oxalá na Busca Pela Misericórdia”, mostrou Exu Yanguí evocando a paz em nome da humanidade. Os bailarinos estavam divididos entre dois grupos: Ebomis (Título de Quem Já Fez a Obrigação de 7 Anos) e Emis (Elemento Ar – Força Elementar Sob Domínio de Oxalá). Os personagens principais eram Exu Yangui e Oxalufã.

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Coreografada pelo Roberto Mafra, a comissão teve uma apresentação na segunda torre segura e sem complicações.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Foi através da luz de Obatalá que a humanidade surgiu, e Exu Yangui designou a liberdade dos seres vivos. Através disso, o primeiro casal da agremiação, João Camargo e Ana, pisou na avenida com a fantasia nomeada: “A Luz de Obatalá e os Desígnios de Exu Yanguí”.

A parte de cima da roupa era branco, e a parte de baixo, marrom. Conforme olhava de cima pra baixo, o marrom aumentava intensidade (degradê).

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Ao finalizar a apresentação ao jurado da segunda torre, ambos deram dois passos pra trás ainda com o olhar fixado. O casal cumpriu com todos os requisitos exigidos no regulamento. João trouxe um leque na mão e cravou os passos com firmeza. Já a Ana esbanjou simpatia e demonstrou leveza.

Harmonia

O canto da escola se destacou, assim como é em todas as atividades da agremiação. A intensidade do canto aumentou conforme a bateria realizava os apagões, no trecho: “Senhor em tua honra tudo se faz lento”.

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Enredo

Através do enredo “Afoxé de Oxalá – No Cortejo de Babá, Um Canto de Luz em Tempos de Trevas”, o Águia de ouro faz uma grande homenagem à cultura afro-brasileira, um verdadeiro cortejo de exaltação à diversidade étnica.

O primeiro setor, “Águas de Oxalá… O Ritual Sagrado na Busca de Clemência e Paz”, detalha o ritual das Águas de Oxalá. Seguido pelo segundo setor, “Das Trevas ao Esplendor da Natureza… Sagração à Oxalufã e à Oxaguiã”, um início todo em branco. Porém, ao ver de perto, notou-se elementos que representava a terra na parte debaixo (abre-alas, baianas e casal).

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O terceiro, “A Adoração à Oxalá – Awurê, Ao Dono do Saber… Derrame Sobre Nós o Seu Amor, Glorioso Protetor”, mostra como o respeito é um pilar importante as tradições africanas.

“Regozijo em Oxalá… Em Busca de Harmonia, Pompéia Pede Paz!”, é o título do quarto, e último, setor da agremiação. O Águia de Ouro fechou o seu carnaval com um grande pedido de paz.

Fantasias

Num contexto geral, as fantasias da escola apresentaram uma boa diferença nos elementos que continham. Em algumas alas, notou-se adereços de mãos, em outras, fantasias mais leves, sem muitos detalhes como costeiro. A divisão fez sentido com a representação da ala.

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O início da escola foi um grande destaque pela presença do branco, que predominou e contrastou com a mensagem. A ala das baianas chamou a atenção pela divisão de cores. Em cima era branco, combinando com a proposta do setor inicial, porém ao ver de perto, o saiote continha um degradê marrom.

A ala 12, “Etnias… Oxalá Criou a Vida, a Humanidade Dividiu as Raças”, chamou atenção pela forma criativa de falar sobre assunto, fugindo de elementos clichês, como: Mãos de diferentes etnias apertando. Outro destaque ficou no quarto setor e a sequência de fantasias que representavam religiões diferentes.

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Alegorias

O abre-alas representou “O Ritual das Águas de Oxalá, o Horizonte Veste Branco Para Amenizar a Dor”. A segunda alegoria, “No Esplendor da Natureza, a Grandeza do Pai da Criação”, trouxe componentes nas laterais seguravam um guarda-chuva em formato de flor. Ao abrir e girar, dava um efeito visual que contribuiu pro contexto.

O terceiro, “No Novo Mundo, o Altar dos Deuses Africanos… Louvar e Acreditar”, trouxe várias crianças na composição. E o último, “Regozijo em Oxalá… No Panteão dos Orixás, Pompéia, Pede Paz!”.

Guardiões do casal da Vila Isabel reviveram comissão de frente de desfile de 1988

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Vila01A Vila Isabel no carnaval de 2022 homenageou o ícone da escola, Martinho da vila. O enredo ‘Canta, Canta, Minha Gente! A Vila é de Martinho’, levou para Sapucaí a trajetória de vida do poeta, compositor, cantos, sambista e presidente de honra da agremiação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, formado pelo mestre sala Marcinho Siqueira e a porta-bandeira Cristiane Caldas teve a companhia dos Guardiões da Kizomba na Avenida.

Você não leu errado, os Guardiões da Kizomba estiveram na Marquês de Sapucaí em 2022, mas é claro, não é a famosa comissão de frente de 1988 que fazia a síntese do enredo ‘Kizomba, Festa da Raça”. Tratou-se de uma homenagem para aquela comissão. Os guardiões do primeiro casal levaram o axé de Zambi, Deus supremo, criador e senhor do mundo, para o desfile da Vila Isabel.

O enredo de sucesso no fim dos anos 80 talvez tenha saído do imaginário de algumas pessoas, ou fuja de pessoas mais jovens, mas quem lembra ou conhece ainda se emociona com ele. Lembrando o enredo ou não, o certo é que os componentes responsáveis por fazerem os Guardiões mostraram a equipe do site CARNAVALESCO que o seu autor, Martinho da Vila, é atemporal.

“Lógico que lembro. Foi a festa da raça e eu inclusive desfilei. Esse enredo ajuda a mostrar como o Martinho é uma entidade da nossa cultura, um rei do samba de partido e isso tudo me deixa extremamente feliz”, disse Alex de Oliveira para equipe do site CARNAVALESCO.

“Eu tenho uma memória afetiva muito presente, porque já ouvia bastante na casa dos meus tios e depois veio o enredo que vi na televisão. Poder participar do desfile da Vila esse ano me deixa muito feliz”, informou Henrique Seixas.

Alex e Henrique fazem contraponto a integrantes mais novos, como Gerson Medeiros e Gabi Ribeiro, que não possuem as recordações da ‘Festa da Raça’, mas falam com carinho, respeito e admiração sobre o artista homenageado.

“Eu não tenho lembranças do enredo do Martinho, mas meus pais são fãs dele e eu cresci ouvindo. Martinho é um gênio e estar homenageando ele é para deixar todo mundo feliz, porque é um enredo de muita honra e simboliza resistência, porque o Martinho é um cara preto que superou todas as barreiras e se tornou esse ícone”, contou Gerson Medeiros

“Eu não lembro do desfile da Kizomba, mas o Martinho é um poeta que representa muito. Fiquei muito feliz quando recebi o convite para fazer parte dos guardiões, primeiro por ser a Vila Isabel e depois por ser um ano de Martinho,” comentou Gabi Ribeiro

O enredo proposto por Martinho ajudou a Vila Isabel levantar o seu primeiro título entre as gigantes do carnaval carioca. Em 1987 a Lícia Caniné, esposa de Martinho naquele momento assumiu a presidência da escola e desejava que o enredo de 1988 fosse um símbolo da luta contra o racismo. Martinho acabou sendo autor do enredo que derivou da palavra Kizomba, palavra em kimbundo, de origem angolana. Seu significado é ‘confraternização da raça’.

Sua comissão de frente representava os guerreiros africanos, símbolo da garra e superação do povo preto, mas como a escola estava fraca financeiramente, foi obrigada a realizar a fantasia com materiais baratos, como sisal, tecidos com estampas de inspiração em África e palhas. O resultado foi uma comissão de frente de pouco brilho, mas muita presença. Em 2022, a escola mostrou uma fantasia rica e bem-acabada, com uma segunda pele que parecia uma pintura de tribos de região de origem Banto (hoje a região dos Congos e Angola) remetia a retalhos de tecido inspirados em África, por cima da segunda pele havia uma armadura na cor marrom e um aveludado laranja, essa armadura tinha detalhes em azul, amarelo e búzios brancos. Na parte superior dos corpos, uma ombreira imponente com muita palha e tecido e na cabeça um adereço que acompanha a parte debaixo, mas possui um conjunto de penas branca, cinza e azul no topo. Uma verdadeira festa personificada, ou melhor, uma Kizomba.

Ritmistas da Grande Rio se engajam na luta do título inédito e da intolerância religiosa

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GR04bFigura mais atacada pelos intolerantes religiosos, o Orixá dos caminhos, dos mercados e da comunicação, Exú é o enredo da Acadêmicos da Grande Rio de 2022. Todo o simbolismo do primeiro orixá e sua passagem pela Umbanda estão diluídos em alas e alegorias da Tricolor de Caxias.

Figura mais que importante nos cultos de matriz africana, a percussão, o toque, a música e o som, encantam os corpos e estabelecem os transes e a comunicação de entidades e guias com os presentes nos cultos e festas. Além de promover alegria e fazer dançar. E numa escola de samba não é diferente, a bateria, coração da escola de samba provoca esses efeitos em quem assiste e embala o componente, através do toque. O coração pulsante da Grande Rio veio trajada com a fantasia “Nunca foi sorte sempre foi exu”, homenageando fazendo uma analogia aos jogos, gorros utilizados no culto de Exú e capas homenageando as figuras de Seu Zé Pelintra, Maria Padilha, Tranca Rua e do Malandro carioca Madame Satã. Felizes com o significado do figurino, os ritmistas comemoraram o significado da roupa e a confecção da peça, como fez analista contábil Pablo Barreto.

“A roupa tem muita presença e não incomoda a gente. Gostei desse lance nas costas, cada ritmista é um naipe de baralho e uma personalidade, cada um representa uma personificação de Exú. É meu primeiro ano, mas parece que estou há sois, três anos. O clima da bateria e da escola é muito gostoso. A comunidade é muito engajada. Parece que é uma família mesmo e tá todo mundo no propósito do primeiro título”, elogiou um dos integrantes do naipe de tamborim.

GR04cQuem também fez questão de elogiar a confecção da peça foi o costureiro Patrick que também é praticante de religião de matriz africana.

“Desfilo na bateria desde 2018 e esse ano gostei muito do figurino. O acabamento está muito bem, o chapéu está ótimo. Sou macumbeiro assumido e o enredo é muito forte. Todas as escolas falam de tema afro, fora a Vila Isabel. E isso é muito legal, para gente que é macumbeiro a gente fica muito animado”, concluiu o ritmista.

Unanimidade entre os desfilantes, o carnaval em abril provocou uma sensação diferente no componente. Desde 2005 na bateria da Grande Rio, o ritmista Alerson creditou o clima mais ameno do outono como fator determinante para desfilar com menos incômodo e discordou veementemente de quem acreditava que a Grande Rio levaria para avenida um tema pesado.

“O figurino tá bem leve, tá bem confortável. Ele é um pouco quente por conta de algumas texturas aveludadas, mas nada que atrapalhe. O Carnaval em abril deu uma ajudada, embora o carnaval de fevereiro seja maravilhoso. Eu achei o tema maravilhoso, nenhuma escola anteriormente já abordou este enredo na avenida. Em 2020 já vínhamos com tema afro e esse temos Exu que é luz, que é caminho. Mesmo que as pessoas achem pesado, para gente que está dentro não é isso, é maravilhoso”, avaliou o veterano da Invocada.

GR04aDestaque na letra do samba e presente na narrativa, Exu Capa Preta veio representando por ninguém mais, ninguém menos que a autoridade máxima da bateria de Caxias, mestre Fafá. Fazendo coro com o manifesto anti intolerância religiosa da escola, Fafá contou que se sente honrado em homenagear a entidade e pediu ajuda ao sagrado para ajudar a escola a arrematar o caneco.

“Venho representando seu Capa Preta. Foi um pedido do carnavalescos. E topei na hora. Espero que ele abra nossos caminhos para Vitória. Eu me sinto muito honrado de estar falando de Exu. Ainda mais com toda a força da intolerância religiosa. Eu espero que ele abra os nossos caminhos e que façamos algo antológico. Estamos com a melhor expectativa possível. Viemos trabalhando muito forte. Acho que a Grande Rio merece muito este título. Com muito humildade e respeito a todo mundo. Nossos patronos não medem esforços para colocar carros belíssimos, gigantes na avenida. A gente quer trazer esse caneco para Caxias e tirar essa zica da gente”, desejou o comandante da bateria.

‘A Grande Rio está na briga pelo título’, diz porta-bandeira Taciana Couto

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GR03Com o enredo “Fala Majeté! – Sete chaves de Exu”, a Acadêmicos do Grande Rio entrou na avenida falando sobre o orixá que é guardião da comunicação. Incorporando as manifestações culturais que são ligadas a simbologia e também a história de Exu.

Aposta da noite, é impossível não notar o talento do jovem primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da tricolor de Caxias, Daniel Werneck e Taciana Couto. A dupla possui a sincronia perfeita e tem a jovialidade como trunfo.

Representando “A criação”, as fantasias do casal dialogavam com as divindades envolvidas no processo de criação do mundo de acordo com as cosmogonias africanas: Olodumaré, Oduduwa e Exu, com a presença do orixá nos mitos de criação.

Nas cores prata, vermelha, preta e branca, a fantasia do casal é de uma delicadeza linda. Com a saia da porta-bandeira com plumas em vermelho e preto com bolinhas em branco. Já a do mestre-sala era toda trabalhada na cor prata e com pedrarias e ele carregava consigo uma palma também do mesmo tom.

Cria da comunidade caxiense, a primeira porta-bandeira Taciana Couto, esteve desfilando na Pimpolhos da Grande Rio (escola mirim) desde os cinco anos de idade. Relembrando o carnaval passado, onde ela juntamente com Daniel representaram “Exu e pomba gira”. Já para o desse ano, o orixá Exu também está presente no figurino da dupla.

A porta-bandeira conta um pouco sobre o que isso representa: “Representar a criação do mundo, com vários instantes e histórias envolvidas é muito importante. E a relação de exu com essa criação e muitas ideias é algo de extrema relevância”.

Com uma história de vida totalmente ligada às escolas de samba e à arte de dançar. É o que define o primeiro mestre-sala da escola de Caxias, Daniel Werneck, que assumiu o cargo em 2015. Daniel, em entrevista ao site CARNAVALESCO explica sobre a essência da representatividade da fantasia do casal.

“Quando Oxalá é designado para criar o mundo e ele acaba recusando o pedido de Olodumaré. Que pede que antes de oxalá criar o planeta, desse um presente para Exu que nega e acaba se embebedando com o vinho de palma. E Oduduwa quando vem a terra, pega o segredo e cria o mundo e dá o sopro da vida”.

Como foram dois anos sem carnaval por conta da pandemia de covid-19, o mestre-sala Daniel destaca o quão importante é estar simbolizando a criação do mundo em sua fantasia e a representatividade que o enredo sobre Exu traz:

“Hoje isso pra gente é de extrema importância, pois viemos representando justamente isso, que a vida tem um começo, meio e fim, pois como passamos no meio de uma pandemia em que perdemos muita gente. O enredo serve até para desmistificar o que as pessoas pensam pelo orixá, já que acham que exu é algo pesado e na realidade é muito leve”.

Sem dúvidas a Grande Rio arrepiou todos com o desfile que fez nesta noite, a porta-bandeira Taciana expõe a sua opinião sobre como a escola veio: “A escola veio aí para brigar pelo título, então confiamos que fizemos o nosso maior e melhor. Pois nos dedicamos muito para isso, ensaiando e trabalhando bastante. Tenho certeza que apresentamos um trabalho muito bom na avenida”.

Baianas da Grande Rio vibram com espetáculo propiciado pela escola na avenida

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GR02A ala das baianas, uma das de maior prestígio das Escolas, da Tricolor de Caxias trouxe a representação “Ventou no Canavial”. Um dos principais destaques para a fantasia é que a cana-de-açúcar, Irèké, é um alimento associado à Exu e é muito utilizado em oferendas e rituais específicos. Maria de Fátima, que está em seu primeiro ano pela escola de Caxias após sua promessa de sobreviver à pandemia se concretizar, em entrevista ao site, comentou sua opinião sobre desfilar nesta ala e sobre a fantasia.

“É maravilhoso, nós nos sentimos como se fossemos rainhas. A fantasia está dez, muito bem feita, bem acabada, tecidos de boa qualidade, o que garante a nossa estabilidade como baiana.”

Inspirada em uma narrativa recorrente de terreiros, segundo o qual Exu fuma cachimbo, toca flauta, chupa cana e assovia ao mesmo tempo. Os ventos de Oyá, unidos ao poder de transformar de Exu, possam espalhar por todos os canaviais contemporâneos as chamas da magia capaz de quebrar o medo, a dor, o obscurantismo e a opressão.

Em variações de combinações de cores da escola, as baianas entrelaçadas ao sincretismo presente no samba para saudar Exu enquanto a força que, juntamente com a justiça de Xangô e à intempestividade de Iansã, conduziu milhares de escravizados à lutar pela liberdade. Maria de Fatima Carvalho, desfilante há 8 anos como baiana na Escola, contou, em entrevista para o site, a importância de trazer essa fantasia à Sapucaí.

“Nós somos as colhedoras de cana, da lavoura de cana que faz a cachaça. Exu não é o que o povo fala, Exu é do bem. As pessoas têm que procurar coisas boas, não para ruindade. Se vai procurar a ruindade, Exu faz. Tem que pedir muito, Exu é coisa divina.”, concluiu.

Coreógrafa da Grande Rio diz que principal mensagem da comissão de frente foi contra intolerância religiosa

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GR01A Grande Rio foi a quinta escola a se apresentar neste início de domingo, trouxe para a Sapucaí o enredo de Exu. Na comissão de frente, “Câmbio Exu” representou o pedido de proteção para a abertura dos caminhos, apresentou uma interpretação poética para o que os espectadores pudessem imaginar o Exu em sua essência. Beth Bejani, coreógrafa da comissão de frente, em entrevista ao site CARNAVALESCO, contou como foi o processo criativo para a coreografia apresentada.

“A gente estudou muito tempo, demos um pouco de sorte também porque tivemos 2 anos de muita pesquisa, então a gente foi conseguindo acrescentar ainda mais coisas ao trabalho. Os meninos ajudaram muito com a dinâmica da coreografia, com todo o processo. Foi um processo incrível durante todo esse tempo”

“Trouxemos muita energia, com nossos efeitos, por conta do tamanho que se tornou a comissão de frente, mas pudemos trazer, acima de tudo alegria, irreverência. Porque nós trouxemos uma condição de desmistificar que Exu é um personagem do mal e não tem nada disso, é um agente folclórico da nossa cultura popular”, completou Hélio Bejani, também coreógrafo da comissão.

A parte principal da apresentação foi proposto um olhar de conexão entre os mundos terrestre e espiritual, representado como uma espécie de mediador. A comissão da escola de Duque de Caxias, contou a história de uma catadora de lixo, moradora da cidade, que se comunicava com Exu através de um telefone e contava com expressões misteriosas. Com a proposta de deixar a seguinte mensagem a quem assistiu: A energia que vem da transformação é poderosa!

O cenário foi criado com a catadora e os outros catadores vivendo no meio de uma civilização julgada como lixo, insatisfeita com a situação, a personagem principal busca formas de se reconectar com a fé, e colocou em cheque os valores distorcidos da nossa sociedade.

“A gente trouxe como principal mensagem a fé, a intolerância religiosa, contra o preconceito, esses são os pontos principais. Após o ensaio técnico, recebemos uma rede de apoio, pessoas pedindo para que a gente siga e vença por eles. Pessoas que nunca puderam dizer qual era sua fé, sua religião por sofrerem críticas”, completou Beth.

Águia de Ouro 2022: galeria de fotos do desfile

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Fotos: desfile da Mocidade Independente no Carnaval 2022

Coreógrafo da Unidos da Tijuca, Sérgio Lobato fala sobre relação com Jack Vasconcelos: ‘Tinha até um receio, mas foi maravilhoso’

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Tijuca04Quarta escola a pisar na Sapucaí no segundo dia de desfiles do Grupo Especial, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Waranã-A Reexistência Vermelha”. Para a Comissão de Frente, a escola do Borel apostou no coreógrafo Sérgio Lobato, que retorna à Tijuca, agremiação pela qual fez sua estreia na Sapucaí, em 2006.

No seu primeiro trabalho no retorno à Unidos da Tijuco, o coreógrafo apresentou uma comissão em que retratava a “A Reexistência Vermelha”, com o surgimento da etnia Mawé, na qual retratava a morte e o renascimento de Kahu e a resistência indigena brasileira.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, Sérgio Lobato comentou sobre o processo de criação do projeto da Comissão de Frente da Tijuca. Segundo ele, a criação e pesquisa da coreografia se deu junto ao carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos.

“Foi um processo de pesquisa, junto com o carnavalesco Jack Vasconcelos, até chegarmos a uma ideia, um conceito e aí, fomos buscando subsídios para trazer para minha coreografia. Estamos representando a lenda que fala de Tupanã, do bem e do mal, e também trago essa dualidade na coreografia, um pouco dos guetos. Tem muita energia, muita força, muitas coisas bonitas.”, revelou.

Quando questionado sobre o ponto alto da coreografia que foi apresentada na avenida, o coreógrafo preferiu não determinar um único momento, mas sim, contou apostar no conjunto da sua coreografia.

“Não tem uma parte específica, o conjunto coreográfico é muito forte, a história que nós contamos, em um samba só.”, afirmou.

O carnaval de 2022, para Sérgio, marcou a primeira vez em que trabalhou em conjunto com o carnavalesco Jack Vasconcelos, contratado pela Tijuca para este carnaval. Ao falar da relação com o artista, Sérgio Lobato revela ter tido um certo receio de trabalhar com o carnavalesco, que considerava muito sério. Porém, reafirma sua ótima relação com o mesmo.

“Foi bem legal trabalhar com o Jack. Eu confesso que, no início, tinha até um receio, quando falaram que eu ia trabalhar com o Jack, eu nunca tinha trabalhado e sempre achei uma pessoa muito séria. Mas, foi maravilhoso, uma união, entrosamento e parceria.”, concluiu.

Análise da bateria da Unidos da Tijuca no desfile de 2022

Uma grande apresentação da bateria Pura Cadência de Mestre Casagrande. Houve uma exemplar afinação de surdos, amparando musicalmente os demais instrumentos, onde se destacaram o swing envolvente dos surdos de terceira, além da fabulosa caixa de guerra tijucana. As caixas da bateria da Tijuca, com toque uniforme e uníssono, constituem uma base rítmica que preenchem por completo o trabalho acima da média da cozinha da bateria da Unidos da Tijuca. O acompanhamento das peças leves se manteve sólido durante toda pista. Uma ala de chocalhos apresentando valor sonoro com toque preciso de volume elevado. A ala de tamborins tocou com firmeza, executando o desenho simples de forma coesa e obtendo um acrescento musical notável ao ritmo.

O carreteiro dos tamborins da Tijuca engloba um toque identitário que mescla os movimentos de 2 x 1 e 3 x 1. Essa união ajuda no ressoar das caixas, sempre consistentes da bateria da Tijuca. A paradinha da cabeça do samba apresentou uma musicalidade fluída, com um belo arranjo musical. Foi possível notar os tamborins entrando no corredor da bateria, para auxiliar a retomada do ritmo em sua plena síncope na parte de trás do ritmo. As execuções das paradinhas nos módulos de julgadores foi correta, não havendo qualquer problema sonoro evidenciado na pista de desfile.

A bateria de Mestre Casão se apresentou com destaque no primeiro módulo de julgadores, de cabine dupla. Com direito à reconhecimento dos jurados com notórios aplausos. A exibição na última cabine dupla foi simplesmente apoteótica, tendo levado o público ao delírio, assim como encantado os julgadores.