A ala das baianas, uma das de maior prestígio das Escolas, da Tricolor de Caxias trouxe a representação “Ventou no Canavial”. Um dos principais destaques para a fantasia é que a cana-de-açúcar, Irèké, é um alimento associado à Exu e é muito utilizado em oferendas e rituais específicos. Maria de Fátima, que está em seu primeiro ano pela escola de Caxias após sua promessa de sobreviver à pandemia se concretizar, em entrevista ao site, comentou sua opinião sobre desfilar nesta ala e sobre a fantasia.

“É maravilhoso, nós nos sentimos como se fossemos rainhas. A fantasia está dez, muito bem feita, bem acabada, tecidos de boa qualidade, o que garante a nossa estabilidade como baiana.”

Inspirada em uma narrativa recorrente de terreiros, segundo o qual Exu fuma cachimbo, toca flauta, chupa cana e assovia ao mesmo tempo. Os ventos de Oyá, unidos ao poder de transformar de Exu, possam espalhar por todos os canaviais contemporâneos as chamas da magia capaz de quebrar o medo, a dor, o obscurantismo e a opressão.

Em variações de combinações de cores da escola, as baianas entrelaçadas ao sincretismo presente no samba para saudar Exu enquanto a força que, juntamente com a justiça de Xangô e à intempestividade de Iansã, conduziu milhares de escravizados à lutar pela liberdade. Maria de Fatima Carvalho, desfilante há 8 anos como baiana na Escola, contou, em entrevista para o site, a importância de trazer essa fantasia à Sapucaí.

“Nós somos as colhedoras de cana, da lavoura de cana que faz a cachaça. Exu não é o que o povo fala, Exu é do bem. As pessoas têm que procurar coisas boas, não para ruindade. Se vai procurar a ruindade, Exu faz. Tem que pedir muito, Exu é coisa divina.”, concluiu.

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