A Unidos de Padre Miguel fez um desfile para brigar forte pelo título. Fantasias, alegorias, comissão de frente e bateria tiveram um resultado muito positivo. A comunidade estava animada, cantando o samba a plenos pulmões. Porém, a escola teve buraco considerável entre os setores 6 e 8, que podem lhe custar uns décimos. Ainda assim, o carnavalesco Edson Pereira terminou a apresentação emocionado e feliz.
Foto: Site CARNAVALESCO
“Missão cumprida. Acho que conseguimos passar uma mensagem que era importante para todos nós nesse momento. Desejo que esse desfile seja para a eternidade da Unidos de Padre Miguel. Sempre faço o carnaval com a intenção de me comunicar com a plateia e acho que consigo fazer. Todas as escolas estão de parabéns”, declarou em entrevista para o site CARNAVALESCO.
O samba e a bateria também devem garantir bons resultados para a Padre Miguel. Os intérpretes Diego Nicolau e Guto foram as vozes principais e mostraram muita sincronia. A bateria ” Guerreiros da Unidos” do Mestre Dinho levantou o público.
Foto: Site CARNAVALESCO
“Fiz tudo que queria fazer, tudo que foi ensaiado e agora vamos aguardar. Foi maravilhoso”, comentou o orgulhoso Mestre Dinho.
“A energia foi absurda, as pessoas cantando junto com a gente. O samba rendeu como já tinha rendido no ensaio técnico. A escola também estava deslumbrante e tudo deu certo. Acho que nos credenciamos ao título”, declarou Diego Nicolau.
Atual campeã do carnaval carioca, a Unidos do Viradouro aposta em um carnaval ainda maior na busca pelo bicampeonato, para isso, a escola terá que quebrar uma escrita que já dura 14 anos, a última vez que uma escola foi bicampeã do Grupo Especial foi a Beija-Flor, quando ganhou em 2007 e 2008. A responsabilidade, afinal, é grande. A Viradouro em 2020 executou um belíssimo desfile, o que lhe garantiu o campeonato e um sentimento de orgulho para a imensa comunidade e admiradores. Para este ano, a escola vai destacar o sentimento dos cariocas na folia de 1919, que marcou o fim da pandemia da Gripe Espanhola, com o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”, a Vermelha e Branca de Niterói pretende tocar o coração de todos os apaixonados por carnaval.
Foto: Site CARNAVALESCO
Indo para o segundo ano no comando artístico da Viradouro, os carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira receberam a reportagem do CARNAVALESCO no barracão para questionamentos e falaram sobre como o enredo surgiu.
“Tínhamos acabado de ganhar o campeonato e a pandemia já estava estourando, a gente já começou a pensar no próximo carnaval e queríamos trazer algum tema que tivesse relevância para o momento, estava todo mundo numa incerteza muito grande, o medo era forte, aí encontramos na Folha de São Paulo uma reportagem falando sobre o carnaval de 1919, que era considerado o maior carnaval de todos os tempos, a gente já sabia dessa história, mas não nos ligamos que era um carnaval pós pandêmico e pós primeira guerra mundial, então nesse momento essa história nos deu uma esperança, se lá atrás as pessoas conseguiram virar a página e realizar um grande carnaval, o próximo também será”, conta Tarcísio.
Dentro da pesquisa do enredo, os carnavalescos encontraram vários personagens que foram importantes para entendermos como chegamos no carnaval de hoje e que mesmo assim são desconhecidos do grande público, a escola pretende contar essas histórias e destacar esses personagens, ao longo do desfile as pessoas vão desvendar o quanto o carnaval de 1919 foi essencial para a virada de página para o povo carioca e brasileiro.
“Temos por exemplo a figura do Jamanta, ele era um condutor ferroviário que durante a pandemia de 18 conduziu os corpos e mesmo assim conseguiu sobreviver, mesmo na época não existindo nenhum remédio, nenhuma vacina, nada que pudesse curar a gripe, mesmo assim ele sobreviveu, durante a pandemia ele carregava os corpos no bonde, durante o carnaval ele pintou esse bonde e conduziu os foliões para o Bloco dos Carões na a praça da República. Outra figura importante é o Caveirinha, ele recebeu esse apelido porque ele tinha contraído a gripe espanhola e um dos sintomas foi ter emagrecido muito, depois disso ele realiza o primeiro desfile do Bola Preta, em 18 ele funda e em 19 desfila, é um bloco que existe até hoje e cresce ano após ano”, conta Tarcísio.
A emoção estará presente durante o desfile da Viradouro, o momento que a sociedade viveu e ainda vive reforça o sentimento de que a esperança de dias melhores passa pelo retorno do carnaval, os carnavalescos pretendem fazer um paralelo sentimental entre Gripe Espanhola e Covid.
“Diversas vezes durante a nossa pesquisa nós nos deparamos com os sentimentos que vivemos hoje em dia, de retomada da vida, do comércio se abrindo, do carnaval sendo essa chave modeladora de que a população pudesse olhar a vida com a normalidade dos melhores dias, então eu acho que o carnaval possui o espírito de que a alegria vai fazer a voltar parte da nossa rotina, a pandemia nos deixou inseguros, toda a humanidade começou a pensar em como seria o retorno, esses sentimentos foram vividos lá atrás. Nós temos acompanhado os ensaios técnicos e o carnaval tem sido essa volta, enfim a normalidade”, pontua Marcus.
Um dos momentos mais aguardados do desfile é a representação da linha de frente dos médicos que lutaram contra a pandemia da Gripe Espanhola e a dos médicos que lutaram contra a pandemia de Covid, em um dos carros os carnavalescos prometem que fazer essa ligação e homenagear os profissionais que tanto fizeram pela população durante esses períodos epidêmicos.
“A gente achou historicamente no carnaval de 1919 que a linha de frente foi homenageada num baile de clube, eram bailes a fantasia, então a gente achou uma foto histórica da linha de frente da Cruz Vermelha, não só médicos, mas enfermeiros e todos que trabalharam em prol da população, eles foram homenageados no Liberty Club, lá eles foram fantasiados de palhaços listrados, queremos fazer a reprodução dessa cena e reverenciar a linha de frente num momento bem bacana”, diz Marcus.
De estreantes à protagonistas da festa:
Estreantes em 2020, a dupla enfrentou a desconfiança por parte da comunidade e também por quem acompanha o carnaval, mesmo com títulos no Grupo de Acesso, muitos torceram o nariz quando a Viradouro anunciou que eles seriam os substitutos de Paulo Barros, que havia levado a escola a um honroso vice campeonato. Passado o desfile, já não restavam dúvidas quanto ao talento dos dois e quando a vermelha e branca de Niterói se sagrou campeã, toda a desconfiança virou agradecimento.
“A maior mudança foi que o título sempre dá uma confiança a mais, era praticamente nossa estreia no Grupo Especial, estreando na escola também, dar mais confiança pro nosso trabalho ser mais aceito, pra gente entender o julgamento e o que os jurados acharam do nosso trabalho, então eu acho que o título coroa todas as incertezas que a gente tinha quanto profissional, quanto jovens que somos. Apesar de termos tido uma boa experiência no acesso com trabalhos que foram amadurecendo e títulos que vieram, na Viradouro veio a certeza que enquanto artistas estamos trilhando o caminho certo”, pontua Marcus Ferreira.
Foto: Site CARNAVALESCO
Antes de formarem a dupla de carnavalescos da Viradouro e serem campeões, Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon até 2019 eram oponentes. O primeiro foi campeão na antiga Série A em 2017 pelo Império Serrano e o outro conseguiu o acesso para o Grupo Especial por duas vezes com a Estácio de Sá. O carnaval foi o grande responsável por unir o casal, eles falam sobre como é dividir uma vida a dois e conciliar com o lado profissional.
“Não é fácil, qualquer relacionamento passa por dificuldades, ainda mais quando você passa praticamente 24 horas do dia ao lado da pessoa que você escolheu pra ser seu companheiro, mas por um lado nós temos o positivo, fazer a parceria com a pessoa que você tem total intimidade facilita no diálogo para chegar em um resultado, não existe entre nós nenhum tipo de vaidade pra chegar numa ideia final, se vai prevalecer a ideia de um, ou se vai prevalecer a ideia de outro, quase sempre com a nossa afinidade e amadurecimento profissional a gente já chega num resultado muito fácil, os pensamentos são muito parecidos, a vantagem é essa, a intimidade de poder dialogar de igual pra igual”, comenta Tarcísio.
Proposta visual do Desfile:
No campeonato de 2020 a Viradouro se destacou com uma plástica impecável, as fantasias fugiram do óbvio e os carros se diferenciavam um dos outros, cada setor tinha seu próprio conceito e estética, projetando o próximo desfile, os carnavalescos contam que a abertura da escola é muito forte, se no último carnaval o abre-alas foi o maior da história da escola, o deste ano já vai superar essa marca.
“A gente mantém a leveza dos figurinos, mas a proposta desse carnaval é totalmente diferente do último, vamos manter alguns atributos que eu e o Tarcísio trouxemos da nossa trajetória, cada setor tem sua plasticidade, uma temática diferente e um uso de colorimetria diferente. A gente manteve as cores quentes que são características da Viradouro, a gente acredita que cada ano é um ano e a pesquisa é fundamental pra isso, conseguimos tanto nas alegorias e fantasias fazer um apanhado de fotos da época para poder usar de inspiração” conta Marcus.
O abre-alas da escola promete retratar o momento em que o Rio de Janeiro está saindo das trevas e entrando na luz, é quando o período da Belle Époque toma conta do Estado, pensando nos efeitos de luz e movimento a ideia é que o carro cause bastante impacto.
“O nível dos carros é bem igualitário, nós não temos uma alegoria que esteja acima das outras, a gente tentou dar uma unidade para todas elas, é claro que a gente acaba se debruçando um pouco mais sobre a abertura da escola, o abre-alas é o cartão de visitas, tem que ter o impacto, então esse ano a Viradouro vem com o maior abre-alas da história dela, maior até que o do último ano, estamos usando um material não comum no carnaval para a forração, que é um tecido furta cor de bolsa, nós conseguimos juntos com a iluminação um resultado bem diferenciado, qualquer cor que jogue em cima desse cima, ele capta e expande, então a iluminação é completamente diferente”, pontua Tarcísio.
O presidente da Viradouro, Marcelinho Calil, costuma dizer nas redes sociais que esse é o maior e mais belo conjunto de fantasias da história da escola, para 2020 ele já havia dito isso e na avenida se confirmou, o público ficou encantado e os juraram distribuíram notas 10, para esse ano, a pesquisa e a criatividade foram fundamentais na construção das fantasias.
“A gente se debruçou em uma pesquisa sobre o carnaval de 19 e sobre os artistas que deram linguagem para essa época, então toda essa linguagem rebuscada de moda estará presente, nós criamos muitos materiais no barracão, o período pandêmico fez a gente ativar a criatividade, já que a ausência de material foi enorme, então tudo isso trouxe um ar muito artesanal para as nossas fantasias e que trouxe esse resultado positivo que o nosso presidente costuma falar, nós sentimos isso já na festa de protótipos, foi uma festa bem fechada, mas a gente conseguiu ver a comunidade bastante emocionada com o que foi apresentado”, pontua Tarcísio.
Foto: Site CARNAVALESCO
Entenda o Desfile:
A Unidos do Viradouro será a quinta escola a desfilar na Sapucaí pelo Grupo Especial na sexta-feira, 22 de abril. A escola contará 3.600 componentes, distribuídos em 6 setores, serão seis alegorias, dois tripés e um elemento cênico da comissão de frente.
Setor 1: “O primeiro setor aborda a retirada do luto da cidade, a população acredita que realmente vai ter o carnaval, então a gente prenuncia a chegada do carnaval de 1919 com um baile pré carnavalesco no clube dos Democráticos, que é a grande sociedade que dá título ao enredo”.
Setor 2: “O segundo setor é o momento que as grandes sociedades e os blocos de sujo tomam a rua com a irreverência contra a espanhola, a gente faz referência ao Chá da Meia Noite, às perucas que foram muito alugadas durante o carnaval, já que as mulheres que tiveram a gripe perderam os cabelos, o Bloco da Viúvas Espanholas, que foram as mulheres que perderam seus maridos por conta da gripe, vamos abordar mesmo essa irreverência para mostrar que apesar de tudo, o carnaval venceu”.
Setor 3: “O terceiro setor é o carnaval da Avenida Central, que é o carnaval mais elitista da cidade, vamos fazer menção a grandes entidades que desfilaram lá, como o primeiro desfile do Cordão do Bola Preta, o bloco do Eu Sozinho, a Batalha das Flores no coreto J. Carlos, esse setor é um setor mais do carnaval da elite mesmo”.
Setor 4: “ No quarto setor a gente traz uma homenagem a linha de frente, nós pegamos especificamente um baile, que aconteceu no Liberty Club, nesse baile os heróis da Cruz Vermelha que vieram ajudar durante a pandemia foram homenageados, então a gente revive esse baile, estaremos homenageando todos os profissionais que se dedicaram durante a pandemia”.
Setor 5: “O nosso quinto setor representa a negritude, a Pequena África, que era um carnaval que era excluído, mas que foi de suma importância, porque foi exatamente nesse ano que o samba se tornou o maior ritmo do carnaval, e o surgimento dos oito batutas, esse desfile que acontecia ali na Praça Onze. Os blocos que desfilavam ali já levantavam a questão da igualdade racial e respeito ao samba, então é um setor bem forte e a gente faz uma referência às tias baianas, como Tia Bibiana e Tia Ciata. Vamos trazer neste setor a cura espiritual para o samba”.
Setor 6: “Nosso último setor é solar, é a nossa quarta-feira de cinzas, é quando os Niteroienses de 19 vieram pro Rio de Janeiro e por coincidência o local mais quente do carnaval de Niterói era no Barreto, existia nessa época o carnaval de Barca, então as pessoas viam de Niterói nas Barcas, elas eram decoradas e ali já era uma grande festa, um grande carnaval, e nesta quarta-feira de cinzas eles vieram se encontrar com os cariocas e viver esse último dia de carnaval, nós faremos esse encontro entre as duas cidades e esses reencontros que a pandemia nos separou, queremos promover no final do desfile o abraçaço, o beijaço, como diz o samba, é o momento de dizer carnaval te amo e na vida és tudo pra mim”.
O Salgueiro busca reencontrar o caminho das vitórias com um enredo que é a cara da escola, afinal, não existe nada mais Salgueiro do que contar a história do povo negro entrelaçada com a do Rio de Janeiro, com o enredo “Resistência”, a escola da Tijuca irá retratar na avenida locais do Rio de Janeiro marcados como pontos importantes de resistência cultural preta. a agremiação se volta para sua riquíssima história e busca emocionar o público mais uma vez em busca do título que não vem desde 2009.
Foto: Site CARNAVALESCO
Indo para o seu o seu quarto ano a frente da academia, já tendo assinado “Senhoras do ventre do mundo”, “Xangô” e “O Rei negro do picadeiro”, Alex de Souza recebeu a equipe do site CARNAVALESCO no barracão para contar alguns detalhes do próximo desfile.
Lançado em meio às manifestações antirracistas em todo o mundo, por justiça social e igualdade, o enredo do Salgueiro para 2022 teve a concepção de Eduardo Pinto e Marcelo Pires, da Diretoria Cultural da escola, juntamente da professora e doutora Helena Theodoro
“Estávamos em meados do ano de 2020, já tinha acontecido toda aquela situação que tocou o mundo inteiro, de manifestações pelo planeta pela morte de George Floyd, aquilo eclodiu e aí já tinha uma sequência de escolas de samba prestando uma homenagem a essa questão, o departamento cultural achou por bem, pela tradição da escola, que a gente não poderia estar de fora dessa corrente, o departamento cultural optou por esse caminho e chamou a Doutora Helena Theodoro para dar o suporte e orientação, foi um trabalho feito por várias pessoas ”, conta Alex.
Poucas são as escolas que tem como marca uma linha de enredos de temática africana, pensar no Salgueiro é lembrar de enredos que traziam ao público personagens desconhecidos da nossa história, sambas-enredos com louvações aos orixás e que dão ao negro o protagonismo que ele de fato merece. Para esse ano, a escola buscou dentro de si a inspiração para valorização da cultura negra.
“O enredo se propôs a não ser tão abrangente, já que só de falar de territórios e formas de resistência no Rio de Janeiro, já bastava para um carnaval inteiro. Então se juntou duas coisas que são muito fortes no Salgueiro, a questão da negritude e o Rio de Janeiro como tema, então juntou duas tradições da escola, uma escola muito carioca e que sempre valorizou a história do negro. Uniu as duas coisas”, comenta Alex.
Durante a pesquisa do enredo, Alex encontrou pontos interessantes e até então desconhecidos para ele e também para o restante da sociedade, é uma oportunidade de falar do Omolokô, uma religião sincrética praticada no Brasil tendo como base elementos africanistas, espíritas e ameríndios, mas que é poucas vezes foi retratada no carnaval.
“Aquela Região do Alto Leblon, que hoje é super valorizada já foi um Quilombo, outra coisa extremamente interessante é falar sobre o Omolokô, no carnaval sempre se fala do Candomblé, as pessoas não tem muito conhecimento sobre as casas de Omolokô, assim como falar da Umbanda, que surge aqui e precisa ser valorizada. Vamos falar também sobre a festa da Penha, que era uma tradição muito importante, era uma festa que teve muito valor pra música popular brasileira e hoje é meio esquecida”, pontua Alex.
O enredo do Salgueiro é uma síntese da resistência carioca em todo o Estado do Rio de Janeiro, a proposta não é fixar apenas no Centro, mas também olhar o entorno e entender que a luta se faz presente em todo o território, o subúrbio terá uma representação enorme, um setor inteiro da escola vai homenagear os grandes bailes oriundos de Madureira, principalmente no Viaduto Negrão de Lima. Para Alex, o enredo será um grande passeio turístico, histórico e cultural sobre a resistência negra no Rio.
“Não é só a cidade do Rio de Janeiro, tem o entorno, tem territórios que a gente identifica em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, que são satélites, é uma coisa muito rica porque pega o Rio todo, o Subúrbio, Niterói. São vários locais, mas a gente começa homenageando o Salgueiro e termina com uma menção ao Salgueiro como local de resistência, como o morro tendo sido um Quilombo”, destaca Alex.
Quando perguntado sobre o maior trunfo da escola para o desfile, Alex acredita que o conjunto fará a diferença, juntamente da garra do componente salgueirense, para ele, a força do enredo fará com que os integrantes sintam a energia.
“A gente deposita toda nossa confiança e esperança na garra do Salgueirense, superando todas as dificuldades que todas as escolas tiveram, e que nós também tivemos, vamos com toda força, cantando a plenos pulmões, a bateria tá fantástica, acredito muito na comissão de frente, ela vai mostrar um grande trabalho, então o conjunto é o nosso maior trunfo, o tema é pertinente a “A gente deposita toda nossa confiança e esperança na garra do Salgueirense, superando todas as dificuldades que todas as escolas tiveram, e que nós também tivemos, vamos com toda força, cantando a plenos pulmões, a bateria tá fantástica, acredito muito na comissão de frente, ela vai mostrar um grande trabalho, então o conjunto é o nosso maior trunfo, o tema é pertinente a escola e ao momento, vai ser um desfile alegre, com muita energia e com muita força”, destaca o carnavalesco.
“Escola de Samba é sempre um reflexo do momento da sociedade”
O carnaval deste ano terá um número enorme de enredos com temáticas africanas, reflexo do que estava acontecendo ao redor do mundo no período de escolha das escolas, nos últimos anos a pegada mais crítica ganhou força novamente, Beija-Flor e Mangueira foram campeãs com enredos extremamente críticos em 2018 e 2019, Alex acredita que o carnaval tem esse dever de retratar o que a sociedade está passando, mas para ele funciona melhor quando a mensagem é passada de forma mais leve.
“Temática negra em escola de samba existe desde sempre e o Salgueiro evidenciou ainda mais isso a partir dos anos 60 com o Pamplona e sua turma trazendo heróis negros que não eram conhecidos, era a história marginal do Brasil, as pessoas não conheciam Xica Da Silva, Zumbi dos Palmares, Chico Rei, até que o Salgueiro foi mostrando, acho que a crítica sempre teve e agora está se refletindo mais, a escola de samba tem esse dever de refletir o momento da sociedade, tivemos momentos de carnavais mais críticos por conta da situação política e com humor, acho inclusive mais bacana quando é mais bem humorado, o recado passa melhor”, comenta Alex.
Foto: Site CARNAVALESCO
Proposta Visual do Desfile:
No último carnaval, a Academia do Samba encantou o público presente no Sambódromo, tamanho o bom gosto de Alex em alegorias e fantasias, extremamente bem acabadas e de fácil concepção, a escola gabaritou em fantasia e não foi descontada em alegoria, Alex inclusive ganhou o Estrela do Carnaval na categoria “melhor conjunto de fantasias”, para esse ano, Alex pretende repetir o sucesso, mas diz que em nada o carnaval passado se assemelha ao desse ano, são propostas diferentes.
“Espero que seja no mesmo nível, mas são carnavais diferentes, a plástica é totalmente diferente, o assunto é outro, o trabalho de aderaçaria é mais forte do que nos últimos anos, então eu espero que esse conjunto funcione muito bem, pelas formas, pelas cores, pelo didatismo, espero que as pessoas consigam entender, principalmente, eu espero que as pessoas se identifiquem”, conta Alex.
O Salgueirense está acostumado com desfiles suntuosos e luxuosos, a grandeza faz parte da história da escola, principalmente após a longa passagem do casal Lage pela agremiação, essa grandiosidade será vista no desfile deste ano, ao chegar no barracão é impossível não se impactar com o tamanho dos carros, a riqueza de detalhes é enorme, Alex conta que a maioria dos carros terá 16 metros de altura, o cuidado nas fantasias também é muito perceptível, o volume está presente em todas as alas, assim como o acabamento primoroso.
“O abre-alas vai ser o de maior identificação, mas acredito que para os mais antigos, aqueles de raiz, seria a traseira do último carro, que é onde a gente fecha essa história Salgueirense”, aposta Alex.
Entenda o Desfile:
O Salgueiro será a terceira escola a desfilar na Sapucaí na primeira noite de desfiles, dia 22 de abril. A escola irá desfilar com 3.500 componentes, distribuídos em 32 alas, cinco alegorias e dois tripés.
Setor 1: “A abertura presta homenagem aos proprios enredos negros do Slagueiro e a estética que o Salgueiro desenvolveu com o Pamplona e sua turma, que a gente identificava de cara como o Salgueiro. É uma África estilizada, uma África clean, para o grande cenógrafo que foi o Pamblona”.
Setor 2: “Atrás do abre-alas nós temos um setor que mostra um período anterior à abolição e pós abolição, época de República Velha e a gente evidencia muito essa região da Pequena África, encerra com o tripé da a Pedra do Sal. Na sequência entra a religiosidade, desde um catolicismo negro, passando pelo Candomble, pelo Omolokô, pela Umbanda a gente vem trazendo essas várias vertentes de matriz africana até encerrar num tripé e numa alegoria referente a religiosidade.
Setor 3: “Neste setor a gente vem com uma parte cultural de cultura de popular com a cultura erudita, começando desde a comida de santo que vira a comida do dia a dia, da culinária dos restaurantes, passa por capoeira, pelo Jongo da Serrinha, pelo Caxambu do Salgueiro, que são primos, passa pelos times de futebol, depois tem a parte dos escritures negros, o teatro negro de Abdias do Nascimento e o balé afro e o balé clássico de Mercedes Batista, e vem o carro como grande palco dessas figuras que trouxeram essa negritude”.
Setor 4: “No quarto setor nós viemos com os ritmos de música e dança, desde lá do início do século com a festa da Penha com os chorões, passando pelas Escolas de Samba, pelos blocos afros, pelo Cacique de Ramos, pelo Charme, pelo funk, até chegar nessa modernidade, mais próxima dos dias de hoje com esses estilos musicais”.
Setor 5: “No último setor a gente vem com os movimentos sociais, nós tivemos várias formas de resistência e no final é o povo na rua reivindicando seus direitos, é uma grande passeata, nós teremos um grande grupo com várias figuras famosas, engajadas, ativistas, artistas, convidados da Doutora Helena para compor esse cenário final. No verso desse carro a gente tem uma lembrança desse morro do Salgueiro, anterior a criação da própria escola, ali é o grande lugar de resistência onde nasceu essa escola que está contando essa história há muito tempo”.
A Acadêmicos de Santa Cruz foi a quarta escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Ouro. A Verde e Branco apresentou na avenida o enredo “Axé, Milton Gonçalves! No catupé da Santa Cruz”, com uma justíssima homenagem para o ator, cantor e diretor. Em entrevista para o site CARNAVALESCO, Zezo, presidente da agremiação, definiu a apresentação como emocionante.
“Foi uma passagem emocionante, mas tem jurado, o que a gente acha, não vale muita coisa. Importante é mostrar que conseguimos fazer uma grande homenagem e a prova disso foram as meninas que desfilaram chorando. Todo mundo feliz, brincando, essa é a proposta do carnaval. O importante é que a comunidade brinque e dance”.
O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira da Santa Cruz, Muskito e Roberta Freitas, desfilou com uma linda fantasia que representava os “Nobres africanos: Raízes ancestrais”. A dupla demonstrou muita segurança, bailado e sincronia.
“Graças a Deus conseguimos executar tudo que a gente ensaiou por meses. Todo esse tempo que a gente ficou sem carnaval foi compensado. Muito feliz e satisfeito”, declarou Muskito.
“Foi sublime. Tivemos o desfile da Cidade do Samba, o ensaio técnico que ajudou na construção desse trabalho. O reflexo hoje foi muito positivo, saio muito satisfeita”, disse Roberta Freitas.
O samba-enredo de Samir Trindade, Junior Fionda, Elson Ramires e Rildo Seixas teve um belo rendimento na avenida. Roninho, voz principal por levar o canto da Santa Cruz, terminou a apresentação bastante emocionado.
“Um baita desfile depois de dois anos pro conta da pandemia, perdemos muita gente do mundo do samba e passar na Marquês de Sapucaí foi muito emocionante. Independente de qualquer coisa que tenha acontecido, foi maravilhoso. A escola passou com alegria, brincamos e, isso que importa”. intérprete Roninho