Dom Orani João Tempesta, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, esteve na Cidade do Samba como parte dos festejos da trezena de São Sebastião, período de preparação para o dia de comemoração do padroeiro do Rio de Janeiro. Em cerca de uma hora e meia, ele visitou o barracão da Beija-Flor, onde conheceu um pouco mais do enredo que a escola levará para a Sapucaí em 2026, e abençoou os pavilhões das doze escolas de samba do Grupo Especial. Ao CARNAVALESCO, o arcebispo metropolitano falou da integração entre fé e carnaval, afirmando que tudo o que é humano e cultural também interessa à fé e à Igreja, que se abre ao diálogo com todos, de todas as religiões, ideias e culturas, e que reza pelos trabalhadores do carnaval e pelos que se apresentam na Marquês de Sapucaí.
“Estivemos aqui outras vezes, celebramos uma missa aqui, e o padroeiro dessa casa é São Sebastião, aqui entronizado logo na entrada da Cidade do Samba. Tudo o que é humano e que é da pessoa humana não nos é alheio. Nós sabemos que cremos em Jesus Cristo e o anunciamos, e queremos que nossa presença, junto a todas as culturas, ajude cada vez mais a trabalhar para o bem das pessoas, para o bem de quem já trabalha aqui com as escolas de samba, e que essa presença possa apresentar algo que leve as pessoas a viverem melhor, a sentir mais a beleza e a viver na paz e na fraternidade. Essa é a nossa presença e nosso diálogo com a cultura”.
O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, destacou a importância de receber a peregrinação da imagem do padroeiro da cidade do Rio, que também protege a Cidade do Samba, tendo sua imagem na entrada. Horta relembrou ainda os festejos realizados antigamente no local, que eram maiores, com a imagem passando por lá também no dia 20.
“Essa vinda é muito importante e, com a minha escola, embora seja uma escola versátil, eu fiz questão de trazer os três casais para participar desse momento, que é muito importante para nós, manter mais um pouco de fé e paz, que é o que interessa para nós”.
Já a primeira porta-bandeira da Mangueira, Cintya Santos, também comentou sobre essa parada da trezena no lugar em que nasce o maior espetáculo da Terra, tendo o pavilhão em suas mãos também abençoado nesta tarde.
“Enxergo como inclusão, como respeito. Independentemente da religião, catolicismo, umbandista, candomblecista, nós devemos respeitar, e o samba não pode ter preconceito. É um momento de respeito a todas as religiões e que nós merecemos também”, afirmou Cintya.
Wallace Capoeira, diretor de carnaval da Mocidade, escola que tem São Sebastião como padroeiro, também acompanhou a visita com bastante atenção, estando presente junto a outros integrantes da escola, e pontuou como um momento de paz e tranquilidade em meio à preparação do próximo desfile.
“É um momento único e especial para nós que estamos aqui recebendo essa ilustre visita, em um momento de paz, trazendo tranquilidade e recebendo a bênção. É uma coisa rara e que acalma o nosso coração para essa jornada que está por vir”, destacou.
Gabriel David, presidente da Liesa, acompanhou a visita de Dom Orani à Cidade do Samba e ao barracão da Beija-Flor, reforçando o diálogo com a Igreja Católica no Rio de Janeiro e destacando o respeito que vem movendo esse diálogo, considerado por ele direto, verdadeiro e transparente, e que demonstra o sinal de respeito que a Igreja tem pela manifestação do carnaval. Para o presidente, a presença de Dom Orani é motivo de orgulho e felicidade para todos.
“É um momento de respeito, acima de tudo, e quando nós somos respeitosos, também atraímos respeito. Tenho certeza de que as escolas de samba são extremamente respeitosas. Tenho certeza de que todo mundo que tem o seu caráter e a sua origem vindos de uma quadra de escola de samba, principalmente, carrega muito consigo respeito, união, paz e amor, e é isso que esse momento simboliza. Esse cenário de protagonismo dos grandes artistas dessa cidade — que são os mestres-salas e as porta-bandeiras, os mestres de bateria, os passistas e as passistas, as baianas, os carnavalescos, esses artesãos incríveis que estão aqui na Cidade do Samba — é visto pela Igreja como pessoas importantes e fundamentais dentro da nossa sociedade”, declarou.
O ator Antônio Pitanga esteve no barracão da Acadêmicos de Niterói, na Cidade do Samba, e confirmou sua presença no desfile da agremiação, que homenageará o Presidente Lula. Acompanhado de sua esposa, Benedita da Silva, o ator já tirou as medidas para o figurino do grande dia.
Foto: S1 Fotografia/Divulgação Acadêmicos de Niterói
Antônio desfilará em uma das alegorias da agremiação e foi recebido pelo Presidente Wallace Palhares, a primeira dama Amanda Palhares, o carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo. Durante a visita, ele e Benedita conheceram todo o projeto da agremiação.
A Acadêmicos de Niterói desfilou no dia 15 de fevereiro, abrindo os desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O Carnaval 2026 está se aproximando e, nesta sexta-feira, a agremiação realizou o último ensaio de rua antes de ensaiar na Sapucaí. O evento foi realizado na principal praça de Guilherme da Silveira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Neste ano, a Unidos de Padre Miguel está apostando no enredo “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema”, idealizado pelo carnavalesco Lucas Milato, em homenagem a Clara Camarão, que se destacou após lutar contra as invasões holandesas no Recife e, a partir disso, tornou-se símbolo da resistência da mulher indígena. O ensaio foi marcado pela alta qualidade apresentada pela escola, do primeiro casal até as últimas alas.
Sobre as expectativas e os avanços da escola, o diretor de carnaval, Cícero Costa, revelou: “A gente está no caminho certo. Graças a Deus que, em primeira mão, 90% das fantasias estão prontas, faltando 28 dias para o carnaval. É um balanço positivo, o planejamento está bem encaminhado, acredito que, no começo de fevereiro, a gente já comece a entregar as fantasias. O barracão está praticamente resolvido e é só esperar o dia do desfile”.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
A sintonia entre Marcinho e Cris não é mais novidade para os apaixonados por carnaval. Logo, a cada ensaio, eles fazem questão de reafirmar isso, deixando evidente a parceria e o carinho existentes entre os dois. Seus passos, além de sincronizados, tinham referências do enredo, como quando dão as mãos e giram juntos ou quando fazem um movimento de “vai e vem” com os ombros, como se estivessem intimidando alguém.
O mestre-sala não perdeu sua parceira de vista em momento algum, e ela focou em manter o pavilhão sempre erguido. Nas vestimentas, o casal optou por conforto, mas com referências à agremiação: Cris, com um vestido completamente vermelho e botas brancas, e Marcinho, com calça e blusa regata também na cor vermelha; nos pés, usava sapatos sociais nas cores vermelho e branco.
HARMONIA
O samba-enredo pegou na comunidade como chiclete; a comunidade estava em peso, com a letra gravada na memória. As alas, em sintonia com a bateria e o carro de som, cantavam com potência, e o público também acompanhava. Esse sucesso do samba ficou explícito na paradinha da bateria e dos intérpretes, justamente para deixar o povo soltar a voz, e eles fizeram isso com excelência: cantaram com muita força e admiração pela agremiação.
A ala musical se complementa com a bateria e reflete um trabalho em conjunto para que haja um bom rendimento no samba-enredo. Além disso, diferentemente do ensaio da semana passada, desta vez não houve nenhuma ala atrasando; todas acompanharam o samba no mesmo ritmo.
EVOLUÇÃO
As alas estavam bem posicionadas, todas atentas ao enfileiramento e ao tempo de prosseguir. Essa atenção contou com o auxílio dos diretores de ala e dos componentes da harmonia. Apesar dessa exigência, crucial para o desfile, os desfilantes se mostraram alegres e confortáveis, dançando, cantando e interagindo com os espectadores. Algumas alas levaram adereços em referência ao que será utilizado no desfile. Entre elas, a ala 1, em que cada integrante segurava um cabo de vassoura em pé, como uma lança; as alas 3 e 4, que estavam com duas bolas nas cores da agremiação; e a ala 12, que, além de segurar um cabo de vassoura ou arminhas de brinquedo, está coreografada, com passos que remetem a uma batalha, como se estivessem defendendo algo.
SAMBA
O samba teve bom rendimento. A ala musical estava em total sintonia e, assim, fazer o que se gosta com alegria deixa o trabalho mais leve; esse sentimento refletiu no desempenho durante o ensaio. Além disso, a bateria “Guerreiros”, comandada pelo mestre Laion, fez com que suas paradinhas fossem o complemento que faltava no samba, que foi bem recebido pelo público.
“O samba é muito bom! Trabalhar com samba bom ajuda muito no trabalho. Para lapidar, ficam pequenos detalhes. Tem o ensaio técnico na sexta-feira, estou muito convicto, estou trabalhando bastante, fazendo dois ensaios na semana. Acho que, para eu tirar um parâmetro mesmo, ter uma ideia do que posso lapidar, é após o ensaio técnico. Se ficar um errinho aqui ou outro ali, vão ser questões mínimas de limpeza. É o ano em que estou mais confiante no trabalho, meu melhor ano de trabalho”, afirma o mestre Laion.
OUTROS DESTAQUES
O ensaio não contou com a apresentação da comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna. Porém, contou com a presença da rainha de bateria, Dedê Marinho, que encantou a comunidade com seu gingado e samba no pé, além da fofura de seu filhinho Noah, que também marcou presença. Para o look, a rainha escolheu um conjunto com as cores da agremiação e a logo na altura do peito; nos pés, estava com um salto dourado. Além disso, as musas Jaquelline, Crislin e Mari Mola também compareceram ao evento e entregaram carisma, interação com o público e, claro, muito samba.
A Uirapuru da Mocca realizou seu único ensaio técnico na última sexta-feira e deixou sinais claros de organização, identidade e envolvimento com o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”. A escola, presidida por Sidnei Aguilera de Almeida, o Sidão, levou para a pista um trabalho que já demonstra leitura de avenida, entendimento de proposta e pontos positivos que chamam a atenção de quem acompanha a preparação para o Carnaval 2026. A cronometragem oficial marcou 48 minutos, contando a partir do início do canto do samba-enredo, tempo bem administrado ao longo do percurso.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, comandanda por Rosani Garcia, apresentou uma proposta bem definida, mesmo em ensaio, com elementos cênicos que ajudaram a marcar o espaço do tripé e organizar a movimentação no início do desfile. Os integrantes carregavam um tipo de escudo, utilizado como elemento simbólico e também como recurso coreográfico, reforçando a ideia de proteção, luta e resistência, diretamente conectada à figura de Maria Felipa. Rosani Garcia optou por trabalhar duas coreografias distintas ao longo do ensaio: uma executada durante uma passagem inteira do samba e outra apresentada na segunda passagem completa, o que demonstra preocupação com variação, leitura dinâmica e ocupação de pista.
Os movimentos eram amplos, com deslocamentos bem pensados, giros coordenados e momentos de impacto visual quando os escudos eram utilizados em conjunto. A vestimenta seguia uma fantasia carnavalesca de inspiração afro-brasileira, com tecidos estampados em grafismos étnicos, amarrações no corpo e adornos que remetem à ancestralidade e à força coletiva. Mesmo sem o acabamento final de desfile, o conjunto já ajudou a criar atmosfera e facilitou a leitura da proposta artística da comissão. A escola levará para o Anhembi o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência” e será a nona a desfilar.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Alexander Oliveira e Pamella Calzone apresentou um ensaio de alto nível técnico, com muita leveza, sincronia e conexão entre os dois. Alexander e Pamella mostraram entrosamento do início ao fim, sempre atentos um ao outro, com troca constante de olhares e movimentos que dialogavam diretamente com a melodia e os versos do samba. As coreografias foram executadas respeitando os tempos musicais, com giros bem marcados da porta-bandeira e conduções precisas do mestre-sala, que manteve a postura correta, proteção contínua do pavilhão e leitura clara de cada movimento. Não houve registros de bandeira enrolando, desencontros de mão, perda de eixo ou momentos em que um dos dois deixasse de se comunicar com o outro. Mesmo em ritmo de ensaio, o casal manteve energia elevada, sorriso constante e fluidez, valorizando o conjunto e contribuindo para elevar o nível artístico da apresentação.
HARMONIA
A harmonia da Uirapuru apresentou um panorama de envolvimento crescente ao longo da escola. A Ala do Adivan, primeira ala, trouxe coreografia e bastante animação, com integrantes demonstrando entrega corporal ao samba, embora o canto tenha soado com menor intensidade em alguns momentos iniciais. Ainda assim, a empolgação ajudou a manter a energia alta na largada do desfile.
Na sequência, a Ala das Baianas veio com uma representação simbólica forte, trazendo a fé como elemento central. As fitas do Senhor do Bonfim eram utilizadas como faixas, criando uma imagem de devoção e resistência, além de contribuírem para a leitura visual do enredo. O canto se mostrou mais uniforme, acompanhando bem o andamento imposto pelo carro de som. A Ala Estrela Dourada manteve boa regularidade vocal, enquanto o Bonde do Jethai trouxe animação e resposta rápida aos comandos do intérprete, reforçando trechos importantes do samba. Ao longo da escola, foi possível perceber alas cantando com mais força em pontos estratégicos do percurso, especialmente no segundo setor, onde o canto ganhou mais corpo e projeção.
O intérprete Thiago Brito teve papel central no rendimento geral, sustentando o samba com boa extensão vocal, chamadas claras e interação constante com a comunidade. O carro de som acompanhou com equilíbrio, garantindo base para que as alas se mantivessem conectadas ao canto. Houve pequenas oscilações naturais de ensaio, mas sem comprometer a leitura geral. Para uma escola que retorna ao Grupo de Acesso 2 após subir do Especial da Uesp, o conjunto demonstra potencial, ainda que existam ajustes necessários para quem almeja o Acesso 1.
EVOLUÇÃO
A evolução apresentou pontos positivos e aspectos que merecem atenção. A Ala do Adivan, mesmo com coreografia, mostrou momentos de compactação maior, exigindo correções rápidas para manter o espaçamento. As Baianas evoluíram de forma segura, com deslocamento constante e boa ocupação de pista, sem abrir buracos significativos.
A Estrela Dourada manteve ritmo regular, enquanto o Bonde do Jethai apresentou animação e movimentação solta, contribuindo para uma leitura mais leve do desfile. Em alguns trechos, foi possível notar alas ajustando o passo para preencher espaços e evitar buracos maiores, o que demonstra atenção da direção e resposta rápida dos componentes. De modo geral, a escola apresentou organização, alas alegres e integrantes sambando com liberdade, algo cada vez mais difícil de se ver. A presença de alas sem excesso de fileiras foi um ponto que valorizou a estética do desfile, reforçando a sensação de fluidez na pista.
SAMBA
O samba-enredo 2026 da Uirapuru da Mocca mostrou rendimento consistente ao longo do ensaio. A obra, que traz versos como “Pulsa minha ancestralidade” e “Sou eu Maria, mulher preta e heroína”, encontrou boa resposta principalmente no refrão principal, onde o canto cresceu e ganhou força coletiva. Em alguns momentos iniciais, o samba foi cantado de forma mais contida por determinadas alas, mas ao longo do percurso houve crescimento perceptível, especialmente com o reforço do intérprete e do carro de som, que souberam explorar os momentos de maior impacto melódico.
A letra permitiu identificação e entrega, principalmente nos trechos que exaltam a luta, a ancestralidade e o protagonismo feminino negro. A composição é assinada por Thiago Meiners, Thiago Brito, André Valencio, Marcel da Cohab, JB Laureano, Diego Laureano, Wil PZ, Daniel Rizzo, Sandra Aranha e Tubino, e mostrou potencial de crescimento conforme a escola avança nos ajustes finos de canto e interpretação coletiva.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, comandada por Murilo Borges, apresentou duas bossas bem definidas, dialogando com ritmos da Bahia, como o Olodum, em sintonia com a proposta do enredo. As paradinhas foram bem encaixadas e sustentadas, mantendo o andamento do início ao fim do ensaio.
A rainha de bateria, Acássia Nascimento, teve presença marcante, interagindo com o público, cantando o samba e acompanhando as bossas com leitura corporal e energia. Sua roupa de ensaio valorizou os movimentos e ajudou na comunicação visual com a arquibancada.
A conversa da bateria com o público, aliada às bossas e à postura confiante do conjunto, contribuiu para manter a pista viva e conectada com quem acompanhava o ensaio, fechando a apresentação com sensação de identidade bem construída.
Por Will Ferreira, Ana Carla Dias e Letícia Sansão
O Império de Casa Verde fez o primeiro ensaio técnico para o Carnaval 2026 na última sexta-feira. Com o enredo “Império dos Balangandãs: Joias negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza, a agremiação que abrirá o sábado do Grupo Especial, a escola mostrou muita força no quesito a quesito e uma “cabeça” (jargão para designar o início da apresentação) bastante vibrante. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conta como foi o primeiro ensaio técnico do Império de Casa Verde para o Carnaval 2026.
Pela primeira vez coreografada por Sérgio Cardoso, o primeiro quesito imperiano já trouxe muita curiosidade para quem acompanhava a apresentação. Um elemento alegórico bastante algo foi um dos destaques, com muita interação com os componentes do segmento. Por sinal, é importante destacar que quem estava em tal local, por vezes, inclusive entrava no tripé – dando a entender que, em determinado momento, pessoas não ficarão expostas para o público e para os jurados, mas estarão contracenando. Também foi interessante notar que componentes trocavam de roupa, vislumbrando uma coreografia mais extensa que a de outras coirmãs.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Em mais um quesito comandado por estreantes na agremiação, Patrick Vicente e Sofia Nascimento defenderam o pavilhão do Tigre em uma noite que teve diversos momentos com garoa – muito embora, até a Arquibancada Monumental do Anhembi, não caía chuva em intensidade alguma e a pista secava com celeridade. Tal qual pede o enredo, a dupla usou e abusou das coreografias bastante intensas e também fez uma grande sequência de giros, todos com ótima velocidade.
De azul claro, ambos não abriram mão dos calçados tradicionais mesmo com as condições climáticas adversas – mostrando personalidade e destemor.
“A gente se arrisca mesmo, faz a palma da mão, as paradinhas com a bateria, o povo cantando, se mexendo. Eu acho que isso é o propósito que a gente vai levar para o carnaval de 2026. E, a sensação de entrar no nosso primeiro técnico, sendo a nossa estreia foi muito prazerosa, porque a comunidade estava tão agitada. Essa energia transmitiu pra gente, atravessa de um para o outro. Dentro da avenida é hora de ir para cima. É a prova que o Tigre está vivo, a escola veio linda, cantando, e é o que dá o gás. Você vai passando por uma, duas, três cabines e aí, quando você olha pra trás, você vê aquela comunidade em peso, te abraçando, motiva demais”, disse o mestre-sala.
“Foi um ensaio muito gostoso e com sensação de dever cumprido. No dia 1º, vamos estar aqui novamente para fazer um show ainda maior. Da mesma forma que a escola nos acolheu, a gente também acolheu e abraçou essa causa, com braços abertos. Nós estamos indo com a mesma gana, com o mesmo fogo nos olhos para trazer o título para nossa casa. Sabemos que é consequência, mas a gente está trabalhando nisso, o Império trabalhando nisso. Queremos fazer um belo espetáculo no dia 14 (data do desfile)”, completou a porta-bandeira.
HARMONIA
A primeira ala que não fazia parte de segmento pontuado, de nome “Ala Casaverdense”, já chamou atenção pelo canto alto no ensaio técnico. A questão é que todo o Império teve um canto bastante forte ao longo de toda a exibição, de maneira bastante linear e colocando a régua do segmento muito para cima.
EVOLUÇÃO
O canto forte teve paralelo na interação dos componentes com o samba-enredo. Se movimentando bastante e curtindo a apresentação, os componentes imperianos fizeram questão de demonstrar muita alegria no primeiro ensaio técnico da agremiação. Embora vigilantes, os Harmonias no corredor lateral do Anhembi pouco precisaram fazer para manter a organização do Tigre – a despeito da felicidade azul e branca.
Em determinados momentos do samba-enredo, toda a escola fazia movimentos simples – como levantar os braços e/ou os adereços de mão que determinadas alas possuíam. Outro destaque foram as palmas que boa parte da escola fazia quando a Barcelona do Samba executava uma bossa no refrão do meio.
SAMBA
Elogiado, o samba-enredo do Império de Casa Verde para 2026 teve ótimo rendimento no Anhembi. Com canto regular e ainda mais alto nos refrãos e nos primeiros versos de cada uma das estrofes.
Um dos intérpretes da agremiação, Tiago Nascimento gostou do que viu e ouviu: “Para um primeiro ensaio foi muito bom! O Império de Casa Verde vem trabalhando muito nos ensaios de quadra, ensaios de canto, para que a gente possa trazer essa energia positiva para o desfile. E o ensaio técnico é para isso, pra gente sentir como a comunidade está desenvolvendo isso na avenida. Eu acho que a gente pôde ver que a comunidade está feliz, que é o mais importante, está contagiando, dançando… Esse é o nosso objetivo. Porque um desfile solto, um desfile alegre, contagia não só os nossos componentes, mas o público geral. Assim a gente consegue desenvolver um desfile deslumbrante”, comentou.
Mais sucinto, Tinga concordou: “A escola foi maravilhosa, a comunidade está de parabéns. Cantou forte e com muita alegria, mostrou a força da nossa escola e do nosso samba. Se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile”, afirmou.
Ambos também fizeram questão de falar um do outro. Tiago começou: “Cantar com esse mestre aqui é uma grande honra. O Tinga na verdade é um grande amigo, um grande padrinho. Então é um aprendizado cantar ao lado dele. A gente vai cantando e observando. Às vezes ele dá uns puxões de orelha ali, dá umas indicações aqui, mas é tudo em prol do trabalho. A gente não tem vaidade nenhuma. Cantamos em prol do pavilhão do Império”, revelou.
Tinga não deixou por menos: “O Tiago é um irmão. A gente fez essa amizade aqui no Império. É uma honra estar ao lado do Tiago cantando. A gente vai fazer um grande trabalho importante e como ele falou, aqui é tudo em prol da nossa agremiação para a gente chegar no nosso objetivo, que é ser campeão do carnaval. Então a gente vai lutar bastante para ajudar o Império a conquistar esse sonho aí”, finalizou.
OUTROS DESTAQUES
A “Barcelona do Samba” apresentou, pela primeira vez no Sambódromo, a nova corte da bateria: Theba Pitylla segue como rainha; enquanto Victoria Santos, primeira princesa da Corte do Carnaval de São Paulo de 2026, tornou-se a primeira princesa dos ritmistas; já Sthefany Victória, rainha juvenil da Corte da ASASP de 2026, é a nova segunda princesa da bateria imperiana.
“Acho que o samba enredo esse ano do Império é muito bom. E a comunidade abraçou. A gente veio do ano passado, onde a gente teve várias críticas em cima do samba e a gente conseguiu superar com uma ótima composição. Tivemos hoje um bom desempenho. O diferencial da bateria do Império, que sempre foi a nossa prioridade, que é o ritmo. A gente sempre priorizou esse ritmo, essa coisa mais cadenciada, mais forte assim que a gente tem. A gente nunca priorizou a paradinha, a bossa, a coreografia, sendo a parte da escola que dá a base. A gente tenta manter essa tradição do ritmo, que a gente não pode deixar se perder por aí”, comentou mestre Zoinho.
A Mancha Verde realizou seu primeiro ensaio técnico nesta chuvosa sexta-feira. Mesmo com a cidade de São Paulo em caos, com diversos pontos alagados, os componentes não arredaram o pé e foram ao Anhembi cantar a todo vapor. Por falar em canto, a harmonia da escola foi um dos grandes destaques do ensaio. É sabido que a comunidade da Mancha canta forte, mas, com este samba reeditado de 2012, a expectativa é ainda maior. Trata-se da obra mais marcante da história da escola, apresentada em um desfile histórico, ao amanhecer. Mesmo em outro contexto, o ar de nostalgia permanece, e a garra pelo acesso vibra nos componentes da agremiação.
Tudo isso foi embalado por uma ala musical de ótima sonoridade, comandada pelo intérprete Fredy Vianna, que é um dos compositores da obra e teve sua estreia em 2012 — outra grande curiosidade deste desfile que está por vir. Um ensaio completo, sem erros, ainda com alguns pontos passíveis de ajuste para alcançar a excelência nas próximas etapas.
A Mancha Verde será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, pelo Grupo de Acesso. Com uma comissão de carnaval definida, o enredo tem como título “Pelas mãos do mensageiro do Axé, a lição de Odu Obará: a humildade”, reedição do Carnaval de 2012. A “Mais Querida” volta a ensaiar no Anhembi no dia 31 de janeiro.
COMISSÃO DE FRENTE
O grupo, comandado por Marcos Kazan e Wender Lustosa, apresentou uma coreografia de fácil entendimento, ao menos neste ensaio técnico. Fato é que muita coisa ainda está por vir nesta comissão de frente, pois o elemento alegórico que será utilizado foi apenas demarcado como espaço e ainda não se encontra no Anhembi. Sendo assim, viu-se um grupo executando diversas danças afro, cumprindo os requisitos de saudar o público e apresentar a escola, além de mostrar uma prévia do enredo.
Os bailarinos gritaram e simbolizaram as mazelas que o mundo enfrenta neste momento da humanidade. Em determinado ponto, o personagem que representa Oxalá altera o curso da narrativa, fazendo com que o bem prevaleça, para o desespero dos integrantes que simbolizam o mal.
Vale destacar a presença do ex-mestre-sala Marcelo Silva, que até 2025 foi parceiro de Adriana Gomes. Neste treino, ele auxiliou a comissão de frente e segue demonstrando engajamento com a escola.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Thiago Bispo e Adriana Gomes realizou seu primeiro ensaio técnico junto no Anhembi. O mestre-sala desfilava como segundo e foi promovido a oficial, enquanto a porta-bandeira tem uma longa trajetória na Mancha Verde. Vale lembrar que ambos desfilaram juntos no Carnaval de 2024, quando Marcelo Silva adoeceu e precisou ser substituído. Na ocasião, conseguiram garantir a nota para a escola.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
No ensaio, optaram por uma apresentação bastante técnica. Ao menos neste primeiro momento, houve uma coreografia discreta, priorizando os movimentos obrigatórios. Destaque para a leveza de Adriana Gomes, que demonstrou intensidade nos giros horários e anti-horários. Não faltou elegância ao estender o pavilhão para o público, arrancando aplausos dos presentes nas cadeiras e arquibancadas. Uma mostra de sorriso no rosto e alta sincronia para um primeiro ensaio técnico em conjunto. Resta observar se a dupla manterá essa estratégia nos próximos treinos ou se apostará em uma abordagem diferente.
“Eu acho que a grande mudança é a experiência de estar junto. Porque o segredo de um grande casal é você trocar ideias, experiência, a inexperiência. E não só a dele, a minha também. Acho que a gente se renova. Eu venho de parcerias muito grandes, eu fiquei oito anos com Emerson, eu fiquei 12 anos com Marcelo. É muita coisa, eu falo que eu tive uma separação e agora estou namorando de novo, namorando um homem maravilhoso. A gente está partindo para o nosso noivado. A gente fez o nosso noivado aqui hoje e vai para um casamento. Se Deus quiser, a lua de mel, vai ser o desfile das campeãs. Mas eu acho que tudo isso vale de experiência, vale de aprendizado. Eu estou aprendendo demais com ele. Ele está me ajudando a ter paciência, porque ele vem do novo, não porque ele é mais novo do que eu, mas ele vem novo, com ideias novas que a gente vai se implementando, se construindo, se completando. Acho que esse é o grande plus da nossa dança agora”, disse a porta-bandeira.
“É meu primeiro ensaio como primeiro mestre-sala, porque 2024 só foi ‘vai lá cara, vai pra pista e vamos ver o que dá’. Mas brincadeiras à parte, foi um ensaio incrível! Tem um nervosismo, mesmo tendo 24 anos de dança, ser o primeiro mestre-sala de uma escola tão grande como a Mancha Verde, a escola do meu coração é difícil. Mas foi um um ensaio muito bom mesmo, eu saí muito contente. Se a gente conseguir executar da mesma maneira na pista, vamos estar 1.000% feliz, 100 e pouco”, completou o mestre-sala.
HARMONIA
O canto dos componentes foi o grande destaque do ensaio técnico. Até o momento, a Mancha Verde acertou em cheio ao escolher a reedição do enredo de 2012 para buscar o retorno ao Grupo Especial. Nas outras duas ocasiões em que houve rebaixamento, a escola também apostou em reedições, mas, desta vez, escolheu o samba mais querido pela comunidade.
Do refrão de cabeça ao último verso, a comunidade cantou sem parar. Não há uma estrofe específica que se sobressaia, mas vale destacar os versos finais, quando a bateria “Puro Balanço” realizou dois ou três apagões:
“Oh Senhor,
Perdoai a humanidade,
Iluminai a consciência
Pra guiar essa mudança.
Vou guardar no coração,
Levar em minhas mãos
A mensagem de esperança”.
Um “paradão” que culmina em uma explosão no refrão principal.
O único ponto de atenção é o tempo de canto entre as alas. Na retomada da bateria, houve uma divergência perceptível entre os componentes da cabeça da escola e os desfilantes do fundo, possivelmente em razão da falta de som no Anhembi, já que todos se orientam apenas pelo carro de som do intérprete, que por vezes fica distante. Com o sistema completo nas próximas semanas, a tendência é que essas falhas sejam minimizadas.
EVOLUÇÃO
A escola apresentou uma evolução de alto nível no Anhembi. Houve grande animação por parte dos próprios componentes, com movimentação constante de um lado para o outro da pista. Também estiveram presentes alas coreografadas no ritmo do samba, que evoluíram de forma contínua. Não houve teatralização excessiva, mas o conjunto gerou um belo contraste dentro do ensaio da Mancha Verde.
Não foram registradas ocorrências de espaçamento ou divisões entre alas. Tudo ocorreu de forma correta, reflexo de um fundamento que vem crescendo na escola nos últimos anos. Vale destacar ainda a montagem da cabeça da escola: comissão de frente, ala coreografada, casal de mestre-sala e porta-bandeira, ala de enredo e, por fim, a marcação do abre-alas. Atenção máxima para evitar sobras de grades no desfile oficial.
“O samba, ele já traz essa energia. Desde 2012, um samba meu, uma composição minha. Fico muito orgulhoso de cantar ele pela segunda vez. Sou o primeiro do Brasil a cantar uma reedição e uma composição minha e, eu acho que a comunidade, ela desde o início, quando nós lançamos o enredo ela abraçou a causa e está todo mundo no mesmo pensamento, todo mundo veio na mesma energia de ‘nós vamos levar a Mancha para o Especial com o samba favorito da gente’, porque esse samba ele ganhou numa enquete da escola o melhor samba-enredo. Não tinha uma escolha melhor. Tenho o costume de cantar, que cabe muito bem na minha voz, porque eu fiz a melodia dele. É muito orgulho para uma só pessoa. A expectativa é voltar ao Grupo Especial. Ficou engasgado esse rebaixamento, mas vamos ver o que vai dar. É uma briga boa, muitas escolas boas, mas a Mancha está forte e unida. Está com um carnaval incrível de barracão. Um carnaval de comissão de frente incrível, vai ser uma coisa sensacional, que vocês nunca viram”, disse o intérprete Fredy Viana.
SAMBA-ENREDO
Outro grande destaque do ensaio. Além da qualidade da letra, já amplamente reconhecida, a ala musical mostrou-se extremamente entrosada. O intérprete Fredy Vianna conduziu o samba com interação constante com o público, contando com apoios de altíssimo nível e presença marcante de vozes femininas.
No trecho “Orunmilá criou senhores do destino”, há um contracanto bastante conhecido, repetido pelos componentes (“ôôô”), executado pela ala musical, enquanto Fredy permanece responsável pela melodia principal. Um excelente samba, perfeitamente alinhado a um carro de som de qualidade ímpar.
OUTROS DESTAQUES
A rainha de bateria da “Puro Balanço”, Viviane Araújo, esteve presente e levou o público ao delírio. Integrante da Mancha Verde há mais de duas décadas, desfilou ao lado da princesa Duda Serdan, vista como um espelho de sua pupila.
A bateria “Puro Balanço”, dos mestres Vinny e Cabral, levou um ritmo mais cadenciado do que o habitual para a avenida. Houve a realização de bossas, com destaque para o apagão nos últimos versos do samba.
As baianas, vestidas em diferentes tons de verde, ajudaram a cantar o samba a plenos pulmões.
O Centro de São João de Meriti viveu, na noite da última sexta-feira, uma prévia do que a Unidos da Ponte pretende levar para a Marquês de Sapucaí. O ensaio de rua transformou o asfalto em pista de desfile e reuniu comunidade, segmentos e público em uma noite marcada por identidade, pertencimento e pulsação rítmica. Antes do início do ensaio, o presidente Tião Pinheiro fez questão de prestar homenagens e agradecer à comunidade por, mais uma vez, caminhar ao lado da escola em mais um carnaval.
Com o enredo “Tamborzão: O Rio é Baile! O Poder é Black!”, a escola de São João de Meriti aposta em uma leitura que exalta a cultura negra e periférica, colocando o funk, os bailes e o tambor como expressões de resistência, identidade e celebração. A Unidos da Ponte será a última escola a desfilar na Série Ouro, encerrando o sábado de Carnaval, no dia 14 de fevereiro, na Sapucaí.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou uma coreografia totalmente conectada à proposta do enredo. A movimentação é ritmada, com jogadas de corpo que acompanham o tamborzão e facilitam a leitura da ideia central do desfile. A apresentação se constrói de forma leve, dinâmica e comunicativa, tornando a execução fluida e de fácil compreensão para quem assiste, além de dialogar diretamente com o clima de baile proposto pela escola.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Thiaguinho e Jéssica protagonizaram um dos momentos mais consistentes do ensaio. O casal apresentou um bailado intenso, com forte conexão entre os movimentos e leitura clara do samba e do enredo. A coreografia se desenvolve com continuidade, mantendo o casal sempre em sintonia, o que potencializa a apresentação e evidencia o entrosamento da dupla.
Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Em entrevista, o casal destacou o processo de construção do trabalho: “Está sendo um trabalho maravilhoso, com muita dedicação e muito esforço. A gente procura fazer o melhor para a escola, e esse samba é maravilhoso, o que ajuda muito. O trabalho está fluindo e está sendo gostoso de fazer”, afirmou o casal. Sobre a fantasia, mantiveram o suspense, mas adiantaram a proposta: “Vai ser tradicional, não vai fugir dos padrões que a gente tem buscado e que o casal gosta de dançar. Tem um detalhe pequeno que vai fazer um efeito legal na avenida. Só isso que a gente pode contar agora. E, claro, tem penas, tem pedras e cores”, brincaram, entre risos.
HARMONIA E SAMBA
O canto da Unidos da Ponte apresentou diferenças perceptíveis ao longo do ensaio. As alas iniciais mostraram maior domínio do samba, com canto mais firme e entrega corporal mais alinhada à proposta do desfile. Já nas últimas alas, a queda de rendimento foi nítida, tanto no canto quanto na dança, indicando a necessidade de ajustes e reforço nos próximos ensaios para equilibrar o desempenho da escola como um todo.
O carro de som foi comandado por Matheus Gaúcho. Thiago Brito não pode estar presente por compromisso em São Paulo. Gaúcho conduziu o ensaio com intensidade, alegria e leitura clara do enredo, sustentando o samba ao longo de todo o percurso.
Em sua fala, o intérprete ressaltou a parceria construída ao longo dos anos com Thiago Brito: “Thiago é um amigo de anos, a gente já trabalha há muito tempo junto. Já defendemos o samba em várias escolas, o que torna este trabalho uma grande parceria”, afirmou. Sobre o samba da Unidos da Ponte, Gaúcho projetou o impacto na avenida: “Aguardem por um samba alegre, irreverente e animado. A Ponte é a última escola do sábado de Carnaval, então senti que precisávamos de um samba leve e animado, e a escola vem cantando muito para fazer um grande desfile”, citou.
Vivendo seu primeiro ano na agremiação, o cantor também falou sobre a expectativa para a Sapucaí: “Minha expectativa é a melhor possível. Fui muito bem recebido na escola e agradeço, como sempre, o convite do Tião Pinheiro, nosso presidente. É uma parceria muito grande com todos os segmentos, com os mestres de bateria, então a gente vai, se Deus quiser, fazer um grande trabalho”, afirmou Matheus Gaúcho.
Evolução
A escola apresentou uma evolução organizada no início do ensaio, com cuidado nas divisões e boa leitura do conjunto. Ao longo do percurso, um ponto de atenção apareceu na divisão das musas, que em alguns momentos acabaram se sobrepondo, reduzindo o destaque individual esperado para o segmento e interferindo na leitura visual do desfile.
O diretor de carnaval, Camarão Netto, avaliou o ensaio como parte de um processo em construção: “Este é o nosso segundo ensaio de rua. A gente está começando a lapidar a questão do canto e ainda sente dificuldade de a massa como um todo cantar, mas a escola está cantando firme, porque é um samba fácil, empolgado, para cima. Ainda não chegamos aos 100%, mas isso é coisa de detalhe”, afirmou.
Camarão também destacou o conceito central do enredo: “O nosso enredo traz o funk, o soul e o lundu, toda a raiz do tambor. O funk tem origem afro, e o nosso enredo vai trazer um pouco de cada gênero. É um ritmo que não deixa ninguém parado, como diz o nosso refrão. A cultura preta é de onde vêm o nosso samba, o funk, a raiz e a essência. O tamborzão é um poder que a gente não consegue estimar. Ele é muito importante para a cultura do samba, para a cultura preta e para a cultura do nosso país”, explicou o diretor.
OUTROS DESTAQUES
A bateria sustentou o ensaio com ritmo intenso e afinação constante, apresentando bossas bem encaixadas e mantendo a energia da escola elevada do início ao fim, reforçando o clima de baile que a Unidos da Ponte pretende levar para a avenida.
Ao levar o ensaio para o Centro de São João de Meriti, a Unidos da Ponte não apenas treinou quesitos ou ajustou detalhes de pista. A escola reafirmou o sentido do próprio enredo ao transformar a rua em baile, o tambor em discurso e o corpo em linguagem. O “Tamborzão” não surge apenas como ritmo, mas como símbolo de uma cultura que resiste, ocupa e celebra, conectando o samba às batidas que ecoam nas periferias do Rio.
Se o carnaval é território de afirmação, a Ponte mostra que desfilar é também um ato político e coletivo. Entre ajustes técnicos e momentos de potência, a escola constrói um desfile que nasce do chão da comunidade e se projeta para a Sapucaí como festa, identidade e pertencimento. Ao fechar o sábado de carnaval, a Unidos da Ponte promete não apenas encerrar uma noite de desfiles, mas abrir um grande baile onde o poder, de fato, é black.
A União de Maricá realizou, na última sexta-feira, seu ensaio de rua com muita alegria e força, na passarela do samba localizada na Rua Abreu Rangel, no centro de Maricá. A escola veio cantando forte seu samba para 2026, mostrando como ele foi abraçado por cada componente que anseia pelo título da Série Ouro e a subida para o Especial. Com bom desempenho, também se destacou o casal Fabrício Pires e Giovanna Justo, que demonstrou muita segurança na dança para 2026. A União de Maricá levará para a Sapucaí o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, do carnavalesco Leandro Vieira, sendo a sexta escola a desfilar no sábado de carnaval.
Com grande harmonia e segurança, Fabrício Pires e Giovanna Justo fizeram um excelente ensaio, demonstrando entrosamento e suavidade em uma dança clássica, com gestos e movimentos mais suaves em determinadas partes do samba e maior intensidade em outros momentos. Fabrício dançou muito bem ao longo do percurso, enquanto Giovanna equilibrou bem a suavidade de seus gestos com a força da dança, em especial mais para o fim da letra do samba. Ambos demonstraram bastante vigor e preparo durante todo o tempo do ensaio, guiando a frente da escola nesta sexta-feira.
SAMBA E HARMONIA
Zé Paulo comandou com maestria o carro de som da União de Maricá neste ensaio, jogando a comunidade maricaense para cima em todos os momentos, com desempenho muito firme dele e de seus cantores de apoio. A comunidade também cantou forte, dando voz durante o ensaio desta sexta-feira, mostrando muito vigor durante todo o tempo do treino, mantendo o samba sempre em alta, em especial nos refrões da obra e na subida para o refrão de cabeça, a partir de “Tantas pretas consagradas”, quando a voz já firme dos componentes ganha ainda mais força para cantar desta parte em diante.
Zé Paulo conversou com o CARNAVALESCO e avaliou o ensaio de rua desta sexta-feira, pontuando a evolução que observa nos foliões da agremiação, o abraço que os cidadãos estão dando à escola e o rendimento do samba de 2026.
“Acho que hoje fizemos um grande ensaio de rua. Temos feito grandes ensaios, mas, como eu falei no início, escola que está almejando alguma coisa tem que se arriscar. Acho que a escola entendeu esse recado e hoje cantou mais do que nos outros ensaios, evoluiu mais do que nos outros ensaios. Hoje a população de Maricá invadiu, a rua está lotada. Acho que não só a comunidade que desfila na escola, mas a cidade está começando a entender o quanto é importante abraçar a União de Maricá. É muito bacana ver isso. À medida que o carnaval se aproxima, temos que evoluir mais, fazer muito mais, chegar lá e ganhar esse título. É o que a gente vai fazer: ensaiar, trabalhar, tentar fazer um melhor que o outro, e assim chegar ao nosso objetivo”, declarou Zé.
EVOLUÇÃO
Pisando forte no chão de Maricá, a comunidade mostrou muita desenvoltura ao desfilar pelas ruas do centro da cidade. A Maricá demonstra que seus componentes estão leves e animados, movimentando-se bem durante o ensaio da escola, muitos fazendo coreografias, além das alas coreografadas, que também foram um ponto muito alto do ensaio. Os componentes se movimentaram bem, sem exageros e evitando ficar parados, fazendo a escola passar muito bem, sem correrias ou atropelos.
O presidente da União de Maricá, Matheus Santos, falou com o CARNAVALESCO sobre o crescimento da escola nos últimos ensaios e como isso vem se refletindo no desempenho da agremiação.
“O ensaio está em uma crescente muito grande, e desde que começamos nossos ensaios de rua neste ano, está em uma tendência que dá gosto de ver: o samba na boca do povo, o samba na boca da galera, todo mundo muito animado e empolgado com a obra, que foi eleita um dos melhores sambas da Série Ouro. O samba em si está em uma crescente, em uma evolução muito grande. Fico muito feliz com isso”, afirmou Matheus.
OUTROS DESTAQUES
A “Maricadência” deu um grande show sob o comando de mestre Paulinho Steves, com destaque para a bossa do refrão do meio do samba. Presente também esteve a rainha Rayane Dumont, que esbanjou simpatia e alegria ao longo do ensaio. A comissão de frente, comandada por Patrick Carvalho, não esteve presente no ensaio desta sexta-feira.
A Portela realizou, na última quinta-feira, seu ensaio de bateria no Setor 11. Com o comando de Mestre Vitinho, a Tabajara do Samba tomou conta da pista no trecho final da Passarela do Samba, realizando, pela primeira vez, esse momento à frente dos ritmistas da Portela. O ensaio da Águia de Madureira também contou com a ala de passistas e com a presença de Júnior Escafura, presidente da agremiação. A escola de Oswaldo Cruz e Madureira vai levar para a Avenida, no domingo de Carnaval, o enredo “O mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, sobre o Príncipe Custódio do Bará e a cultura negra do Rio Grande do Sul, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.
Vitinho falou sobre esse momento com a “Tabajara do Samba”. Comandando pela primeira vez a bateria portelense, o mestre reforçou a importância de reconhecer o campo antes do jogo acontecer, mas, ao mesmo tempo, destacou que se trata de um ensaio mais tranquilo. Ainda assim, ressaltou a grande responsabilidade de comandar tantos ritmistas, independentemente da situação, e afirmou que o ensaio de bateria é um grande momento para estar com todos eles, reforçando a dedicação e o esforço dos ritmistas, além de comparar os momentos de treino, ensaio técnico e desfile a situações do futebol.
“Trabalho é trabalho e bateria é ancestralidade. Mas, estando aqui, é um terreiro, é como se fosse rolar ali um candomblé, um xirê. A gente pede licença já para chegar, e eu sempre gosto de fazer isso, para pedir licença, porque tem pouca gente, a gente fica mais à vontade. A gente limpa os arranjos, vê se tem alguma dificuldade, procura ajustar para chegar no ensaio técnico com excelência. Na minha visão, o ensaio técnico já é o jogo de ida. Se você entrega um muito bom, no jogo de volta a galera já está te esperando e vibrando pelo teu momento. Levo muito à risca o ensaio do Setor 11, eu não deixo ninguém faltar”, disse.
O comandante da “Tabajara do Samba” também declarou qual será o trunfo da bateria para 2026, com destaque para o ritmo, o andamento e a felicidade que os ritmistas estão carregando.
“O ritmo, o andamento, os arranjos, a bateria feliz, alegre, interagindo com o público. Acho que vai ser algo que você toca e o povo grita, dança e canta. Este ano será em conjunto, a bateria querendo fazer e acontecer com a escola, pulsando muito para, se Deus quiser, ter o sonhado título para Madureira. Foi tudo muito bem pensado, não foram arranjos para tapar buraco, não tem que colocar alguma coisa aqui porque tem um momento. É algo muito musical, e todos são importantes, todos os arranjos têm uma coreografia. É muito legal porque a Marquês de Sapucaí é um espetáculo aberto, o maior da Terra, e quando você toca e dança bem, o público já vem junto. Acredito que em todos os momentos, mas especialmente no arranjo em que a gente para para o povo cantar ‘que o povo preto não possa enfrentar’, vai ser o bum da Sapucaí, o povo vai abaixo. E quando a gente começar a dançar para o lado, a galera da Sapucaí vai vir junto”.
O diretor de carnaval, Júnior Schall, afirmou que o ensaio é muito importante, não apenas pela bateria, mas por agregar outros fatores preponderantes para o êxito do desfile como um todo.
“Você vem realmente para o grande palco, o grande terreiro. O mestre Vitinho, com a Tabajara, veio em quase sua totalidade. Isso é muito bom porque você entende como a bateria vai se comportar em todas as circunstâncias do samba, em todas as convenções, em todo o andamento, junto com o carro de som. Trouxemos a ala de passistas e a ala que faz a cobertura do recuo da bateria, porque é muito importante que todos entendam a dinâmica do desfile a partir da questão do som e do ritmo”.
Schall também destacou o rendimento do samba da Portela, falando sobre como cada componente assumiu para si o hino da escola de Oswaldo Cruz e Madureira para 2026 e como a felicidade com essa obra se demonstra a cada ensaio. Na visão dele, há uma crescente que deve seguir até o dia do desfile, encerrando com a afirmação de que se deve esperar uma Portela muito feliz em 2026 na busca do título.
“Com todo o máximo respeito aos seus autores, hoje o samba é de cada portelense, sendo cantado com intensidade de alma, força, felicidade, emoção e garra, mas compondo técnica para o desfile, ou seja, visando sempre um arco de crescimento para o dia do desfile. É isso que a gente vai tentar fazer e vamos conseguir nessa reta final de ensaios. Tem uma questão muito interessante que o Júnior coloca, que acho que resume tudo: espere o portelense feliz, pois ele está feliz. Uma escola como a Portela, feliz, torna a Avenida feliz, desfila feliz, e o êxito é de todos nós”, afirmou.
Zé Paulo esteve presente no ensaio e comentou sobre a parceria com Vitinho, desejada há muito tempo por ambos. Mesmo com as condições em que ela se realizou, o intérprete observa que os dois têm construído algo muito bonito na Águia de Madureira entre a bateria e o carro de som e aguarda os ensaios técnicos para já utilizar o som da Sapucaí. Zé também falou sobre a importância do ensaio para a bateria e para o carro de som portelense.
“O Vitinho pôde exercitar algumas coisas, como a apresentação para o julgador e os conteúdos de bossa. Claro que não mostrou tudo, mas o importante também é o ritmo. Conseguimos manter bem o andamento com um som que não é o do dia do desfile. A bateria é muito grande, o som às vezes não suporta, mas, mesmo assim, acho que a gente conseguiu, dentro do que temos e do que é possibilitado no momento, fazer um ensaio bacana e se preparar ainda mais”, reforçou.
O cantor também lembrou que cantou o samba na eliminatória, antes do falecimento de Gilsinho, e comentou sobre o rendimento da obra nos ensaios que acompanhou.
“Sou muito suspeito para falar desse samba porque eu canto ele desde setembro, me identifico muito, já está entranhado, está muito na minha veia. A escola comprou o barulho, quem já foi a alguns ensaios pôde perceber, e hoje rendeu muito bem. Acho que a gente nem imprimiu um ritmo tão forte, e o samba continua rendendo. O Vitinho colocou um ritmo mais forte dentro do box ali, o que é uma estratégia e também um ensaio. Ele é um irmão, a gente tinha um sonho de trabalhar junto, tanto ele de trabalhar comigo quanto eu de trabalhar com ele. Calhou de ser nessas condições, com a perda do Gilson, mas também é a realização de um sonho nosso. Estamos trabalhando juntos e acho que temos tudo para fazer um grande trabalho. Primeiro porque somos amigos, gostamos um do outro e, musicalmente, nos entendemos”.
O presidente Junior Escafura falou sobre como enxerga o ensaio no Setor 11 como estar no palco do jogo, um momento para ver a pulsação do ritmista, sentir a energia e reconhecer o solo da Avenida. Escafura também comentou sobre a alegria e a felicidade da Portela com o samba de 2026 e afirmou que se pode esperar uma escola alegre e com muita vontade de vencer no próximo carnaval.
“A energia é diferente. Conseguimos ver aqui essa pulsação do ritmista, do carro de som, já sentir o clima da Avenida. A cada semana de ensaio melhora mais o samba, a bateria, e a pegada fica melhor e mais firme, com o ritmista mais confiante e o carro de som também. A Portela está cantando com muita alegria, com muita felicidade, e acho que isso é uma das coisas mais importantes, além da enorme vontade de vencer”, declarou.