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Esquadrão Tricolor de Caxias! Grande Rio reúne excelência do casal e força do canto em ensaio técnico

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Por Maria Estela Costa, Juliane Barbosa, Juliana Henrik, Lucas Santos e Luiz Gustavo

Acadêmicos do Grande Rio encerrou, no último domingo, a temporada de ensaios técnicos. Sua passagem pela avenida foi marcada pelo protagonismo do casal, pela voz marcante de Evandro Malandro e pelo rendimento do samba na comunidade. Mesmo com a chuva sendo um empecilho, a agremiação conseguiu ter um bom controle na evolução, o que fez com que finalizasse o ensaio com 74 minutos, sem nenhuma correria. Para o Carnaval 2026, a agremiação está apostando no enredo “A Nação do Mangue”, idealizado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, em homenagem ao movimento cultural pernambucano MangueBeat e à sua importância para a resistência cultural em periferias, como na Baixada Fluminense. A Grande Rio será a segunda escola a desfilar na segunda-feira.

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COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelos coreógrafos Hélio e Beth Bejani, a comissão de frente deu início ao ensaio com uma coreografia repleta de referências ao mangue. Inspirada em representar os que vivem a realidade do mangue, os dançarinos usavam uma roupa típica entre os pescadores daquela região: chapéu de palha, calça com cortes de outros tecidos e uma rede de pesca como adereço na parte superior. Exceto pela presença da bailarina que estava com um conjunto de saia e o roxo como cor majoritária, na maquiagem e na roupa, representando a orixá Nanã.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

A todo momento da coreografia, é perceptível que eles representam um grupo: no início, quando chegam marchando e iniciam a coreografia, dançando todos os homens em um círculo, enquanto as mulheres fazem o mesmo dentro da roda; no refrão, quando cantam com mais potência e erguem as mãos em sinal de protesto; e no final, quando fazem, com o corpo, uma espécie de barco e erguem uma das bailarinas, que fica saudando Nanã. Outro passo que chamou atenção foi o de caranguejo, uma referência direta e clara ao assunto homenageado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Daniel e Taciana provaram, mais uma vez, sua elegância e excelência no quesito. A dupla tem uma comunicação muito forte, dança com o olhar atento um no outro, além de conseguir unir tradição com inovação de uma maneira fluida. Vale destacar que a chuva aumentou durante o ensaio; no entanto, o casal conseguiu manter sua elegância em todos os módulos. Devido à chuva, o pavilhão ficou mais pesado e, no terceiro módulo, acabou dando uma embolada, mas a situação foi revertida com agilidade pela porta-bandeira. Entre os destaques na coreografia do casal estão: a conexão com a melodia do samba, no verso “Escute, nossa gente vem da lama”, quando eles fazem um movimento com as mãos de escutar e, em seguida, começam a dança abrindo e fechando os braços em sintonia com os próximos versos; os giros da porta-bandeira, que, mesmo com o peso da bandeira molhada, foram executados com excelência.

Taciana tem habilidade nos giros, não demonstrou nenhum incômodo com o peso da bandeira ou com a chuva, o que refletiu em giros com leveza, deixando claro que, com chuva ou sem chuva, ela vai entregar um bom resultado; a forma como Daniel executa suas danças com elegância e criatividade, conseguindo encaixar o leque em um passo tradicional, dançar orbitando a porta-bandeira, tudo isso mantendo a conexão pelo olhar com Taciana. O casal usava uma roupa com cores que se misturam, o dourado e o tom areia, trazendo um toque a mais de elegância aos passos coreografados.

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HARMONIA

Não é novidade que a ala musical da Grande Rio e a bateria, comandada pelo mestre Fafá, fazem uma boa junção, crucial para o rendimento do samba. A voz de Evandro Malandro se expande pela avenida, fazendo com que o público e a comunidade reajam ao samba com empolgação. A bateria tem bossas e paradinhas que combinam com o samba, deixando a canção mais divertida e fácil de compreender; só de observar a bateria, a pessoa consegue acompanhar a letra. A comunidade caxiense estava cantando o samba com potência e teve seu momento de destaque quando o cantor e a bateria pararam a canção e os deixaram cantar sozinhos: a Nação do Mangue toda cantou.

EVOLUÇÃO

A agremiação teve uma boa evolução, e a chuva não atrapalhou em nada. Do início ao fim, a escola passou sem problemas com buracos ou correria no final; pelo contrário, manteve a mesma caminhada do início ao fim. As alas estavam atentas ao enfileiramento e às instruções dos diretores, mas sem deixar de cantar e se divertir com aquele momento. A maioria das alas apresentava um adereço, entre eles o guarda-chuva, comum no frevo, e o cabo de vassoura, que veio representando uma lança.

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Além da porta-bandeira, outro grupo que ficou afetado com o peso da roupa molhada, devido à chuva, foi a ala das baianas, que apresentou dificuldades para realizar giros em sequência, por conta do peso das saias molhadas. Após muitos ensaios, com chuva ou sem chuva, na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, a comunidade se mostrou preparada para a Marquês de Sapucaí, no canto, na coreografia e, claro, na paixão pela agremiação.

SAMBA

O samba tem refrões fáceis de gravar, mas, para além disso, a entonação da voz de Evandro Malandro deixa a obra mais “chiclete”, por ser fácil acompanhar a melodia, da mais calma à mais potente. Além disso, a bateria também tem seu destaque no rendimento; o mestre Fafá conseguiu conectar bem todas as batidas e melodias com o trabalho de entonação que o intérprete faz.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Virginia Fonseca, esteve presente no ensaio com uma fantasia de caranguejo, toda trabalhada em pedrarias, dando mais glamour ao look. Além dela, também estiveram presentes as musas, entre elas Jaquelline, fantasiada de antena, fazendo referência ao enredo; Luciene Santtinha, que montou um look com pedrarias nas cores da agremiação; Brunna Gonçalves, que criou uma fantasia inspirada na cultura pernambucana; e Alane, que decidiu montar uma fantasia homenageando os artistas do barracão da escola.

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Potência que une técnica e emoção! Viradouro interage muito com o público, mantendo o alto padrão nos quesitos

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Por Lucas Santos, Maria Estela Costa, Juliane Barbosa, Juliana Henrik e Luiz Gustavo

Debaixo de muita chuva, a Viradouro pisou na Sapucaí neste segundo ensaio técnico com o alto padrão de qualidade a que a escola se acostumou nos últimos anos, mas colocando, mais uma vez, nesta temporada um teor significativo de emoção, componente que não poderia faltar ao falar de um personagem histórico da agremiação, que está muito vivo, ativo e trazendo notas para a escola. Com o carinho de quem quer homenagear alguém da família, a Viradouro preparou um ensaio recheado de elementos que traziam a emoção à flor da pele. Com o enredo “Pra Cima, Ciça!”, a Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda noite de apresentações do Grupo Especial.

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Essa grande emoção esteve presente nos passistas, na ala de bambas e nas crianças que vinham à frente da escola, uma forma de homenagear o sambista em geral, valorizando aquilo que Ciça é e foi. Também apareceu nas crianças que soltavam balões no final da apresentação do casal e nos componentes que se abaixavam no trecho “e, hoje aos teus pés”, como uma reverência. Até em pequenos gestos, como na saída da bateria do segundo recuo, quando Marcelo Calil, pai, saiu abraçado com o homenageado e ainda colocou seu chapéu no mestre Caveira.

Tudo isso banhou uma noite de alto rendimento dos quesitos, como na dança forte e emotiva do experiente casal Julinho e Rute, no canto potente da comunidade ou na comissão de frente, que manteve o padrão dos últimos ensaios, divertindo o público, mesmo não sendo a coreografia que irá para o desfile. Excelência de quesitos e padrão Viradouro mostraram, mais uma vez, a ligação entre emoção e técnica que deu muito certo.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandados pelos coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri, os componentes, como no primeiro ensaio técnico, valorizaram a apresentação que veio desde o mini desfile, com fantasias duplas: um terno em que, no lado vermelho, apareciam caveiras em referência ao apelido do mestre, e, no outro lado, o homenageado surgia com seu rosto e seus óculos característicos. A dança e a sincronia dos movimentos faziam a variação e brincavam com os dois personagens inseridos em uma vestimenta e coreografia que remetiam aos movimentos da gafieira.

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Na cabine espelhada, a coreografia mostrava ainda mais o seu valor, pois, sem muito esforço, os componentes conseguiam interagir com o público dos dois lados da Sapucaí. A comissão trouxe o início do mestre Ciça como passista no Morro de São Carlos, traçando um paralelo com o mestre consagrado. A coreografia mostrou leveza, uma verdadeira brincadeira que, desde o início do desfile, evoca um saudosismo que estará presente durante todo o treino, valorizando o sambista ao exaltar a figura de Ciça.

“A alegria define esse ensaio. Foi um momento de lavar a alma. Hoje tivemos um ensaio muito consciente, especialmente em relação ao espaçamento. Mesmo não sendo a coreografia original, já puxamos no andamento correto do desfile e consegui cumprir todas as marcas. A chuva veio para renovar as energias. Eu amo desfilar na chuva, especialmente no ensaio técnico, porque dá uma energia diferente. Foi um ensaio muito produtivo e muito positivo para a gente. Esse ensaio foi tão bom quanto o da semana passada. A diferença é que hoje pegamos chuva logo no início, ficamos no esquenta e isso acabou trazendo ainda mais concentração. A escola estava mais focada, mas com a mesma energia positiva do outro ensaio”, comentou a coreógrafa.

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“Está tudo pronto, mas sempre existem os ajustes finais. É importante pisar mais uma vez na avenida, sentir o público, porque sempre surgem pequenas questões técnicas para acertar na reta final. No geral, está tudo encaminhado. Agora é esperar a próxima vez e, se Deus quiser, entrar na avenida para buscar o campeonato. A principal atenção fica na parte técnica, principalmente por conta do risco de escorregar. Fora isso, o nível foi o mesmo da semana passada. O público compareceu, a galera estava animada e a energia foi muito boa. Agora é levar essa vibração positiva para o desfile”, citou Rodrigo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A dupla principal da Vermelha e Branca de Niterói, Julinho Nascimento e Rute Alves, mostrou por que é um casal tão premiado, tão esperado e que entrega sempre muitas notas para a escola. Julinho, neste ensaio, parecia incorporado e energizado, com passos muito assertivos e, ao mesmo tempo, carregados de emoção. O mestre-sala deslizava pela Sapucaí em total sintonia com o samba e com sua porta-bandeira.

Rute mostrou, mais uma vez, sua coleção imparável de giros intensos, alternados com a delicadeza do gestual e o pavilhão desfraldado com firmeza, sob total controle. O casal entregou ao público uma apresentação que soube dar o tom ao mesmo tempo saudosista e muito forte do enredo.

Com ênfase na valorização do bailado clássico de mestre-sala e porta-bandeira, a inserção de um passo de pegada mais afro no trecho do samba que canta “Atabaque mandou me chamar” teve ótima performance do mestre-sala, apresentando os movimentos com excelência e emoção.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

No final, uma grande surpresa e um momento tocante: no verso “e, hoje aos teus pés”, o casal se vira para a escola e as alas se abaixam em reverência, ficando ainda mais bonito pelo fato de a ala logo atrás ser a das crianças. Na cabine espelhada, elas inclusive soltam balões em direção ao casal, finalizando de forma apoteótica a apresentação. Alto rendimento do casal.

“A gente já tem ensaiado muito aqui quando o tempo permite, porque a gente diz que não há necessidade de sair de casa para ensaiar aqui com o tempo chuvoso. E a maior dificuldade, o maior desafio em relação à cabine espelhada foi criar o desenho coreográfico. Uma vez criado, a gente já teria bastante noção e saberia aprimorar. O ensaio de hoje foi muito bom, nossa diretora artística pode falar; ela é nosso terceiro olhar e realmente observa o que aconteceu. Dentro da dança, eu te digo que foi muito bom”, disse a porta-bandeira.

“Estamos ensaiando há muito tempo, foram muitas vivências para chegar até essa coreografia: troca daqui, testa dali, tem que apresentar um pouco mais para cá. Acho que chegamos a um ajuste; há uns 15 dias chegamos ao ajuste final. Agora, qualquer ajuste é com a fantasia e com o espaço. Com relação à cabine espelhada, acho que isso só irá fazer com que a gente melhore a nossa dança, tanto a nossa como a de todos os outros casais. Vamos procurar melhorar no aspecto de comportamento; a dança seguirá a mesma para todos os casais, mas o comportamento irá mudar. E a parte mental, que é o principal. Falando de dosar, esse enredo é emoção pura, a Viradouro será emoção. É importante a gente saber dosar essa emoção, os momentos em que temos que colocar um pouco mais de vigor, suavizar as paradas, e iremos trabalhar isso junto com nossa preparadora nesta semana. Mas saímos deste ensaio com a certeza de que foi positivo e dá uma mega autoestima para o desfile oficial”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

A obra escolhida pela Viradouro para este carnaval, em homenagem ao mestre Ciça, tem um caráter quase nostálgico, com um campo harmônico mais melodioso e alguns trechos de melodia comparável ao partido alto, como nos versos “lá, onde o samba fez berço, do alto do morro…”, justamente quando conta o início da paixão e da história do mestre pelo samba.

A obra segue nessa toada, permitindo que Wander desfrute de algumas realizações vocais de que ele tanto gosta, como terças e vocalizações. Com andamento agradável, a composição sempre se manteve em uma região que facilitou o canto do componente, mesmo com a chuva forte que caía na Sapucaí.

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A comunidade manteve a firmeza do canto durante todo o ensaio, ainda que as primeiras alas, na cabeça da escola, por se tratarem de crianças, passistas e ala de bambas, mesmo cantando muito, cantassem um pouco menos por conta dos movimentos. Algo normal para o tipo de segmento escolhido para a abertura. No geral, o canto foi muito forte, impulsionado por um Wander extremamente focado e por um grupo de apoio muito bem ensaiado. Destaque para as vozes feitas pelo cantor no trecho de “Atabaque mandou me chamar” até “Legado do mestre Caveira”. Já em relação à comunidade, foi de arrepiar ouvir o trecho a partir de “Ciça, gratidão pelas lições que pude aprender” até desaguar no refrão de baixo “Se eu for morrer de amor”.

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“O balanço do ensaio de hoje foi positivo. Apesar de o som não ter ajudado e ter falhado bastante, o que acabou atrapalhando um pouco, o desempenho da escola como um todo foi muito bom. No conjunto geral, o desfile aconteceu de forma consistente e o ensaio cumpriu o seu papel. É isso que o público pode esperar para a próxima segunda-feira, dia 16: um grande desfile, com muita emoção, muita energia e uma Viradouro com vontade de vencer”, afirmou Wander Pires.

EVOLUÇÃO

A Viradouro é uma escola de ensaio constante, o que resulta em bom controle da evolução. Neste domingo, a agremiação trouxe como estratégia uma evolução um pouco mais rápida no início, até pelo fato de a bateria entrar na pista apenas no último setor. Depois, com a bateria na pista e principalmente no final, houve uma chegada mais cadenciada à Apoteose, com os desfilantes brincando mais.

As escolhas da escola para este ano, pertinentes ao enredo, também influenciaram o quesito, tanto pelas alas mais leves no início, como as de crianças, bambas e passistas, quanto pelo posicionamento da bateria. No geral, não houve impacto no padrão Viradouro de qualidade, fazendo com que a escola evoluísse com fluidez, sem buracos ou grandes espaçamentos, e dando a oportunidade de, no final, curtir com mais calma o trabalho do homenageado.

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“É lógico que, com uma chuva dessas, algumas pessoas não conseguem chegar, infelizmente. A escola fez o seu papel em termos de evolução. Hoje, eu pude perceber mais uma vez uma grande interação entre o público e a escola. A arquibancada, inclusive, onde havia pessoas que não eram torcedoras da Viradouro, também cantou o samba e dançou. Acho que isso é o que o Ciça merece, o que a Viradouro merece: um sentimento muito especial neste segundo ensaio. E tudo tem um propósito. Quando escolhemos abrir com segmentos tradicionais, passistas, as crianças, tudo estava casado com o enredo. Colocamos esses membros para homenagear o sambista e para que a abertura fosse satisfatória. Nós damos uma espécie de saudosismo aos sambistas. Recebemos vários elogios por levar essa proposta, por ter passistas, alas de bambas, as crianças. Percebemos que foi uma escolha acertada, mas tudo casado com o enredo; foi de forma espontânea, uma ideia que nasceu de acordo com o enredo”, explicou Alex Fab, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A Furacão Vermelho e Branco do homenageado mestre Ciça veio no último setor, com diversos componentes trazendo alguma referência às caveiras, apelido dado ao mestre. No esquenta, Wander cantou “Arroboboi, Dangbé”, campeão em 2024, e “Anita Garibaldi”, de 1999.

No início do samba, assim como nos ensaios de rua e no primeiro ensaio técnico, houve a mescla entre sambas que marcaram ou fizeram parte de desfiles importantes na vida do homenageado, da Viradouro e da Estácio de Sá, entre eles “Me dê, me dá”, “Ti-ti-ti do Sapoti” e “A Viradouro vira o jogo”. A rainha Juliana Paes esbanjou beleza e muito samba no pé ao lado do mestre, que ela encontrou ainda em sua primeira fase na escola.

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“Sensacional o ensaio de hoje! O rendimento com essa chuva intensa foi excepcional. Diversos lugares alagaram, alguns componentes não conseguiram chegar e, mesmo assim, fizemos acontecer. A escola está pronta para brilhar e se preparem: o pau vai quebrar”, garantiu mestre Ciça.

A voz que nasceu no morro e hoje conduz a Mangueira

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Existem intérpretes que chegam à escola. E existem aqueles que nascem dentro dela. Dowglas Diniz é cria da Mangueira. Do morro, da quadra, da bateria, da vivência diária que molda não só o canto, mas o caráter. Quando assume o microfone, ele não canta apenas um samba-enredo. Ele conduz uma história coletiva, carrega o peso simbólico do verde e rosa e representa uma comunidade inteira que se reconhece em sua voz.

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Fotos: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

Durante o ensaio técnico, a emoção foi impossível de conter. Ao falar sobre assumir o solo, Dowglas deixou claro que aquele momento ultrapassava qualquer conquista pessoal. Era responsabilidade, entrega e pertencimento.

“Eu me senti muito honrado por estar representando a minha comunidade. Dá pra ver como eu visto essa camisa, como eu represento a Mangueira, o lugar onde eu nasci e fui criado. Estou muito feliz. A Mangueira está com um carnaval maravilhoso. Eu estou muito emocionado, de verdade”.

A fala vem carregada de consciência sobre o processo que está sendo construído. Para ele, o carnaval não se resume ao desfile, mas ao trabalho diário, silencioso e persistente dentro da escola.

“Muita gente fala do centenário da Mangueira, mas só quem está no dia a dia sabe o trabalho que a presidenta Guanayra Firmino está fazendo. A gente está lutando muito. Vai ser um carnaval de nota alta, um carnaval lindo. Podem esperar a Estação Primeira fazendo um grande carnaval. A gente vai mostrar isso na prática, na avenida”.

FRIO NA BARRIGA QUE CONFIRMA A VERDADE

Assumir o microfone em ensaio técnico nunca é algo automático. O frio na barriga aparece sempre. Para Dowglas, isso não é sinal de insegurança, mas de respeito pelo que está sendo vivido.

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“Se não sentir frio na barriga, tem alguma coisa errada. Nervosismo não tem, porque cantar para a minha comunidade é diversão. Eu me divirto. Eu fico feliz. Eu canto pela Mangueira, eu canto pela minha família, eu canto pela minha escola, eu canto pelo meu morro”.

É dessa relação direta com a comunidade que nasce a força de sua interpretação. Não existe personagem. O que se ouve é alguém cantando de dentro para fora.

DA BATERIA AO MICROFONE

Antes de conduzir o samba no microfone, Dowglas Diniz foi ritmista. Sua ligação com a bateria não é discurso, é origem.

“É de onde eu vim, porra. Sou oriundo da bateria. Fui ritmista até 2015. Então a relação é muito forte. É eu por eles, eles por mim e nós pela Estação Primeira de Mangueira”.

Essa vivência molda sua forma de cantar. O tempo, a respiração e a entrega dialogam diretamente com o ritmo da escola. Não há disputa entre voz e bateria. Há comunhão.

REFERÊNCIAS, JAMELÃO E O SONHO DE PERMANÊNCIA

Ao falar sobre suas referências como intérprete, Dowglas cita nomes que carregam história e peso simbólico no Carnaval e no samba.

“Mestre Luizito, Mestre Jamelão, Marquinho de Oswaldo Cruz, Evandro Malandro e Igor Sorriso. Esses caras guardam muito do meu coração.”

Entre eles, Jamelão surge como referência inevitável. Não apenas pela longevidade, mas pela forma como construiu uma identidade inseparável da Mangueira. Questionado se pensa em seguir esse caminho e deixar um legado semelhante, Dowglas responde com humildade e clareza.

“Se Deus quiser, eu estou trabalhando para isso. Eu pretendo deixar meu nome gravado na história da Estação Primeira de Mangueira”.

Não como promessa vazia, mas como compromisso diário com o trabalho, com a escola e com a comunidade que o formou.

UM CANTO QUE É COMPROMISSO

Dowglas Diniz não canta para ocupar espaço. Ele canta para honrar sua origem, devolver à Mangueira tudo o que recebeu dela e reafirmar, verso a verso, a identidade de uma escola que é muito maior que um desfile.

Na avenida, sua voz não estará sozinha. Estará acompanhada pelo morro, pela bateria, pela história e por uma comunidade inteira atravessando seu canto.

Quando a Sapucaí ouvir, vai entender. Não é só samba. É pertencimento em estado puro, cantado em verde e rosa.

Maria Gal homenageia Carolina Maria de Jesus em figurino do Baile da Vogue

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Quarto de Despejo’, marcou presença no Baile da Vogue, neste sábado, no Rio de Janeiro. A atriz, que interpreta Carolina no longa e que vai atravessar o sambódromo como escritora com a Unidos da Tijuca, escolheu um look-manifesto: peças confeccionadas a partir de matérias e texturas que remetem ao universo de Carolina Maria de Jesus, em um gesto de memória, afirmação e sofisticação simbólica. Assinado pela estilista Agatha Lacerda, a roupa reforça a relevância e importância da escritora no cenário cultural.

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A escolha dialoga diretamente com o Copacabana Palace, espaço histórico onde Carolina esteve em 1961, durante o lançamento de seu livro no Rio de Janeiro. Mais do que um endereço icônico, o hotel representa um ponto de virada: o mesmo lugar onde Carolina serviu passa a ser também o espaço onde sua obra foi celebrada.

“Carolina foi uma potência da literatura brasileira, mas além de ser uma escritora de extrema sensibilidade, foi uma mulher à frente de seu tempo em outras áreas da sociedade. Sempre teve um olhar político, social e uma admiração pela moda. Em fotos da época, é possível vê-la, ainda nos tempo em que morava na favela e quando alcançou o auge do sucesso com sobreposições, acessórios e vestimentas que também criava. Conforme sua vida foi melhorando, ela continuou atenta às tendências e sempre se vestiu de forma muito elegante. A minha escolha para a noite do Baile traduziu essa potência feminina que ainda se faz tão importante na atualidade’, explica Maria Gal.

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Sobre o filme ‘Carolina – Quarto de Despejo’ – Título provisório

Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e produção de Clélia Bessa, o longa é uma adaptação do livro ‘Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada’ e explora aspectos menos conhecidos da autora: o afeto, os desejos, a vaidade, a maternidade e sua consciência política. A narrativa utiliza trechos de seus diários como base de uma trama mais complexa. Não se trata de biografia. O recorte vai do momento da escrita do livro até sua publicação.

 

PIMG 9659.HEICrotagonizado por Maria Gal, que dá vida a Carolina Maria de Jesus, a produção conta ainda com Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha, Thawan Lucas e grande elenco. O filme é uma produção da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da Elo Studios.

 

As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, em novembro e dezembro de 2025 em locações como na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no bairro do Recreio dos Bandeirantes, e nos Estúdios Quanta Rio de Janeiro, onde a equipe de arte, liderada por Billy Castilho, reproduziu a Favela do Canindé dos anos 1950 em um cenário de mais de 400m². Além do minucioso trabalho de arte, o cenário também contou com dois painéis de led com 12x5cm e 4x3cm, que estamparam ora o horizonte de São Paulo, ora uma outra perspectiva da favela do Canindé e ajudaram a dar profundidade e ainda mais realismo ao cenário. Juntos, a favela e os telões de LED ocuparam mais de 700m². O filme ainda terá cenas gravadas na Marquês de Sapucaí, durante o desfile da Unidos da Tijuca, que terá Carolina Maria de Jesus como enredo.

Unidos da Tijuca separa lugar especial em alegoria para passistas que fizeram parte da história da escola

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Horas a fio de ensaio. Os movimentos e a sincronia têm que ser perfeitos. Cobranças de diretores, da Harmonia. 100% de presença e entrega. Mas a vida acontece para as jovens que vestem as sandálias de prata. Estudos, filhos, lesões… Para muitas, o sonho morre. Porém, como proposto no enredo da escola deste ano, a Tijuca reescreve a história e dá nova oportunidade a passistas que desfilaram pela escola e se afastaram.

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A ideia veio do próprio grupo, ao se reunir na escola e relembrar os velhos tempos. Crias do Morro do Borel, nem mesmo o afastamento da ala esfriou o amor. Agora, a proposta é outra: reunir essas mulheres em uma ala diferente, desempenhando seu papel, mas com menos cobranças. Johniany Menezes conta como surgiu a ideia e revela a importância do apoio do diretor-geral de Harmonia, Allan Guimarães.

Johniany Menezes
Johniany Menezes

“Estávamos todos na quadra, não foi proposital. E aí a gente falou: ‘Será que a gente consegue uma ala para vir todo mundo de novo?’. E surgiu essa ideia. Eu fui o pivô. Assim que consegui falar com o Allan, ele foi muito atencioso com a gente. E toda vez que a gente se encontrava na quadra, encontrava com o Allan e falava: ‘E aí, será que vai rolar?’. E ele: ‘Quem sabe?’. Até que chegou um dia em que ele falou: ‘Faz o grupo e deixa comigo’. Aí eu chamei a Luana, e a Luana chamou o William, e fomos juntando a galera. Fomos colocando pessoas no grupo até que chegou a hora de levarem ao presidente. O presidente gostou da ideia e autorizou a nossa ala para este ano”, contou ao CARNAVALESCO.

Johniany desfila na escola desde 2015 e, pela primeira vez, desfilará em um carro de sua escola do coração. A passista revela a diferença de vir na ala de passistas para a estreia como veterana.

“É diferente, porque a gente não tem a responsabilidade de estar alinhada, compacta com o grupo. Estamos mais livres e mais soltas, brincando, nos divertindo, tanto nos ensaios quanto no carro. Vamos nos divertir muito!”, disse.

A recepcionista Luana André desfila na Tijuca desde os 17 anos, quando ainda precisava apresentar boas notas no boletim e autorização para desfilar. Afastou-se da ala pelo mesmo motivo das colegas: o excesso de compromissos. Para não prejudicar o grupo, preferiu se ausentar.

Luana Andre
Luana André

“A gente não conseguia assumir mais um compromisso como passista, porque passista tem que estar muito assídua na escola, se dedicar quase 100%. E a gente, para não falhar, preferiu se retirar. A oportunidade de voltar foi uma surpresa para a gente. Estou muito feliz, porque nós somos tijucanas. Inclusive, eu tenho uma tatuagem da Tijuca, sou fanática, apaixonada pela escola. Sempre fui muito bem recebida aqui dentro. A gente vai dar nossa vida aqui na Sapucaí, com a nossa escola”, declarou.

Com a nova ala e a nova proposta de desfile, surgem outras responsabilidades e desafios. Como todas virão em carros alegóricos, Luana afirma que o cuidado tem que ser redobrado.

“Mais concentração, cuidado, porque além da desenvoltura que temos que ter em cima do carro para evoluir, existe o risco, é uma altura. Mas nós vamos com garra, amor ao nosso pavilhão, vamos dar tudo de nós. O samba está na ponta da língua, o samba está no pé, já vem na alma. Tijuca até morrer!”, afirmou.

Tijuca é um amor passado por gerações para as irmãs Diamante. O tio-avô já foi presidente da escola, um tio foi compositor, o pai diretor de bateria, assim como o irmão é atualmente, e os filhos já seguem os mesmos passos. As irmãs foram passistas da escola e agora retornam para o grupo que estreia este ano. Alessandra compartilha os desafios para reunir todas e fazer o sonho acontecer.

Alessandra Diamante
Alessandra Diamante

“Eu me sinto muito honrada que o nosso presidente acolheu e ajudou a gente. O Allan também ajudou muito, porque era um desejo de todas nós há muitos anos. Só que, por motivos pessoais, trabalho, faculdade, filho, a gente não conseguia reunir todas para assumir um compromisso novamente com a escola. E este ano, graças a Deus e graças aos nossos colegas de ala, conseguimos conversar e fazer esse retorno triunfal no carro”, contou.

Livia Diamante
Livia Diamante

A enfermeira Lívia Diamante, irmã de Alessandra, tem um legado extenso na azul e amarelo do Borel. Já passou pela ala das crianças, foi porta-estandarte, passista e, mesmo fora das alas, marcava presença na diretoria. Afastou-se da ala de passistas há oito anos para estudar enfermagem e hoje, formada, volta à escola do coração em um enredo emocionante e significativo em sua trajetória.

“O interessante é que a gente volta logo neste ano, em que o samba fala ‘reconhece o seu lugar e luta’. A gente volta reconhecendo o nosso lugar. A gente nunca deveria ter saído. É aqui, na escola. E vamos lutar junto com a Tijuca para fazer esse diferencial no carro, dando movimento, dando canto, quebrando tudo, fazendo o que a gente pode e o que não pode para concorrer a esse campeonato”, declarou.

Luciene Maria de Oliveira, massoterapeuta e veterana, foi passista por 12 anos e se afastou por conta de uma lesão. Voltou em 2025 e agora pode se reunir com as amigas na ala de veteranas. Nascida e criada no Morro do Borel, contou ao CARNAVALESCO que também foi uma “Carolina”. Sua história se cruza com a de Carolina Maria de Jesus, escritora que é enredo da escola neste ano. Luciene foi catadora de lixo, flanelinha e é filha de mãe solo.

Luciene Oliveira
Luciene Oliveira

“Vir representando esse enredo é de muita importância para mim, porque consegui sair daquela bolha, mas ainda tenho muitas amigas, muitas pessoas lá do Borel, que vivem uma realidade muito difícil. Carrego comigo a responsabilidade de abrir portas para as meninas de lá e mostrar que a gente consegue, mesmo através dessa sociedade, de toda a misoginia e de todo o racismo estrutural que a gente enfrenta, pular esse muro. Eu sou uma vírgula de todo um sistema que tenta nos oprimir. Luto através da minha rede social, mostrando para os meus e para as minhas amigas que estão lá no Borel que, através do estudo, da cultura e da arte — porque o carnaval é arte — a gente resiste, pode ser vista e pode melhorar de vida. A Carolina, para mim, é uma inspiração, como se fosse uma ancestral minha”, compartilhou.

Para Luciene, a ala marca a representatividade não só pelo enredo, mas também como valorização da arte e da comunidade tijucana.

“Eu gostaria muito de ter um pouco mais de valorização por ser da comunidade. Gostaria de ter uma oportunidade de carta de musa para poder inspirar as minhas meninas, as minhas amigas, as crianças lá do Borel, as meninas pretas do Borel. Poder participar deste ano, que é tão importante, em que a Tijuca vem se reencontrando com a comunidade, vem chamando mais a comunidade, ainda mais falando de um jeito preto, de mulher preta… Para mim é uma honra, como mulher preta periférica, poder vir mais um ano para a minha escola e mostrar que estou aqui por ela, principalmente pela minha comunidade, que é o Borel”, disse.

Para todas, o sentimento se resumiu em uma palavra: honra. E Luciene destaca não só receber, mas também dar honra à comunidade que ama.

“É a primeira escola a criar essa ala. É uma forma de a gente homenagear a escola e a escola também valorizar a gente, que se doou ao longo de tantos anos junto com a comunidade tijucana”, declarou.

Presidente da Liga-SP avalia apuração do Acesso 2 no Carnaval 2026 e destaca rigor dos jurados: ‘avaliações foram muito melhores’

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A apuração do Grupo de Acesso de São Paulo trouxe à tona uma realidade diferente do ano anterior: o fim da “chuva de notas 10” e um julgamento mais rigoroso. Em conversa exclusiva com o CARNAVALESCO, o presidente da Liga, Tomate, analisou o processo de avaliação deste ano, defendendo a preparação dos jurados e a transparência do sistema utilizado.

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Diferente do último carnaval, quando a Liga promoveu uma análise com jurados entre os desfiles do Acesso e do Especial, este ano a estratégia foi outra. Segundo Tomate, a decisão de não realizar novos encontros após o julgamento do Acesso foi tomada em consenso, visando evitar a confusão relatada pelos próprios avaliadores no passado.

“Este ano, além de da gente ter mais tempo, houve pelo menos três vezes mais treinamentos, as avaliações foram muito melhores”, explicou o presidente, destacando que a entidade agora utiliza uma plataforma onde todos têm acesso integral às informações.

Para ele, o corpo de jurados está mais maduro: “O ano passado a gente entendeu que por ser um ano com muita mudança no critério, com todos os jurados novos, um novo processo, que a gente precisava dessa conversa”.

Desempenho das escolas e o ‘fim do 10 automático’

Sobre o resultado que consagrou o Morro da Casa Verde, Tomate foi enfático ao dizer que o desempenho da escola foi amplamente reconhecido. “Morro da Casa Verde fez um grande desfile e apontado pelos internautas, por todo mundo como uma das favoritas da subida”, afirmou, citando também o equilíbrio com agremiações como X-9 Paulistana, Pérola Negra e Imperador do Ipiranga. Um dos pontos mais celebrados pela gestão foi a variação das notas, indicando um julgamento mais técnico e menos complacente.

“A gente não teve praticamente nenhum jurado que deu 10 para todo mundo. Se eu não me engano, eu acho que não teve nenhum inclusive que deu 10 para todo mundo. Eu acho que talvez a gente esteja encontrando agora um caminho assertivo”, pontuou o dirigente.

Ao ser questionado sobre a satisfação com o trabalho realizado, Tomate defendeu que a Liga atingiu o limite de preparação possível. Ele comparou o julgamento do carnaval com a tecnologia no esporte para ilustrar que falhas podem ocorrer, apesar de todo o esforço.

“Mais do que nós fizemos não tem o que fazer. Errar é o humano, isso é fato. É, no futebol o VAR erra. Se o VAR erra, como que o humano não vai errar?”, questionou o presidente. Ele reiterou que tudo foi decidido de forma democrática entre os 32 presidentes das entidades.

Para finalizar, o mandatário deixou claro que o foco agora é celebrar as vitórias e corrigir os rumos para o futuro. “A gente resultado de carnaval não se discute. Se comemora para quem tem que se comemorar e corrige para quem tiver que corrigir no caso que que cometeu alguma falha”, concluiu.

MORRO DA CASA VENCE O ACESSO 2 DE SP NO CARNAVAL 2026 E X-9 PAULISTANA FICA COM O VICE

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O Morro da Casa Verde conquistou o título de campeã do Grupo de Acesso 2 no Carnaval 2026. A escola ganha o direito de desfilar no Grupo de Acesso 1 em 2027. A X-9 Paulistana ficou com o vice-campeonato e também vai desfilar no Acesso 1 no ano que vem. Uirapuru da Mooca e Amizade Zona Leste foram rebaixadas para o Grupo Especial de Bairros da UESP. * VEJA AQUI A CLASSIFICAÇÃO FINAL DO ACESSO 2 EM 2026

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Como foi o desfile do Morro de Casa Verde

Com o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”, o Morro da Casa Verde presentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento.

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O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

Como foi o desfile da X-9 Paulistana

A X-9 Paulistana foi a quarta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi, no último sábado, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de São Paulo de 2026. A apresentação da escola da Parada Inglesa foi marcada por um bom conjunto de fantasias, e a atuação primorosa do carro de som e do casal de mestre-sala e porta-bandeira enriqueceram a travessia da Passarela do Samba, concluída após 50 minutos. O enredo da comunidade da Zona Norte foi “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra Sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos.

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A narrativa foi construída como um diálogo simbólico entre a escola e o povo originário, acompanhando o ensinamento transmitido espiritualmente pelo criador Nhanderu ao pajé Guirapoty e o significado desse mito como orientação para a vida em sociedade. A proposta destacou a relação entre espiritualidade, natureza e convivência humana, encerrando o desfile com uma reflexão sobre as práticas necessárias para se alcançar essa terra imaculada diante das agressões sofridas pelo mundo nos últimos séculos.

https://carnavalesco.com.br/folioes-reagem-a-abertura-dos-desfiles-do-acesso-2-no-carnaval-2026-de-sao-paulo/

Acesso 2 São Paulo: Veja classificação final do Carnaval 2026

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MORRO DE CASA VENCE O ACESSO 2 DE SP NO CARNAVAL 2026 E X-9 PAULISTANA FICA COM O VICE

Canto forte anima o Anhembi, mas plástica compromete o Morro da Casa Verde

https://carnavalesco.com.br/performance-do-casal-e-conjunto-de-fantasias-sao-destaques-do-desfile-da-x-9-paulistana/

Foliões reagem à abertura dos desfiles do Acesso 2 no Carnaval 2026 de São Paulo

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Apesar da chuva que caiu na avenida, o Carnaval de São Paulo de 2026 teve início oficialmente nesta noite, com os desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi. Os foliões que compareceram à avenida para acompanhar o resultado de um ano inteiro de preparação das agremiações vivenciaram uma noite emocionante que somente o carnaval pode proporcionar.

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Abrindo o carnaval paulistano, desfilaram pela avenida as escolas: Amizade Zona Leste, Imperatriz da Paulicéia, Torcida Jovem, X-9 Paulistana, Unidos de São Lucas, Unidos do Peruche, Morro da Casa Verde, Imperador do Ipiranga, Uirapuru da Mooca e Primeira da Cidade Líder. Dentro do Acesso 2, as escolas estão na busca pelo acesso ao Grupo Especial para o próximo ano.

Ao longo do percurso, toda a comunidade, com suas fantasias, cantou o quanto podia seus sambas-enredo, acompanhada pela empolgação dos presentes nas arquibancadas. Entre os destaques da noite, o desfile da Amizade Zona Leste emocionou parte do público. Para Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto, a apresentação foi marcante: “Achei que estava muito maravilhoso, a bateria, achei que cumpriram o trabalho. Desfilo há seis anos, parei por um tempo, mas voltei este ano. E tem esse enredo, que acho gostoso, tem uma base boa”, conta a apaixonada pelo carnaval que, este ano, além de querer vir ver a sua escola do coração, decidiu fazer parte da ala musical.

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Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto

Durante a noite, integrantes das escolas também compartilharam suas impressões sobre o desfile e os desafios enfrentados. Ao final da apresentação da Imperatriz da Paulicéia, a componente da bateria Isabela Leão Gomes, 27, avaliou o desempenho da escola, destacando o impacto da chuva: “Acho que a chuva pegou um pouco desde lá do começo, antes da gente entrar na pista já estava chovendo muito, então dá uma pesada na fantasia e tudo mais. Acho que isso deixou um pouco mais difícil, mas a gente tentou segurar o ritmo até o final, chegando no recuo ali da bateria, daquele último gás que ainda não é o último gás, e foi isso. Acho que a gente fez uma boa apresentação”, conta a ritmista.

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Isabela Leão Gomes

Ainda segundo Isabela, apesar das dificuldades, a escola conseguiu entregar o que havia planejado para a avenida: “No geral, entregamos o que a gente tinha proposto, fizemos as coreografias na frente da Monumental e a galera empolgou bastante. Agora é torcer, esperar o gol estar com a gente e o resultado vai vir, se Deus quiser”, fala Isabela, que está animada para esta semana de folia em São Paulo.

Nas arquibancadas, o público acompanhava atento cada detalhe das apresentações. Durante o desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado e explicou sua identificação com o enredo da escola: “O enredo veio muito forte, contando a história da Bahia e das ancestralidades, também dos orixás. Eles falam sobre o orgulho de ser preto, como eu sou, um homem negro da periferia, então me senti muito identificado com o enredo. A fantasia estava muito bonita, muito ligada ao enredo mesmo. O primeiro carro veio todo iluminado e com a molecada, com a velha guarda, então trouxe muita luz para a avenida. O último carro foi o que fala do carnaval na Bahia e apresentou o trio elétrico com muito colorido, divulgando todos os nomes das entidades que fazem parte do carnaval da Bahia dentro dos blocos. Então, para mim, foi muito bonito e bem legal. Estou sempre no carnaval, hoje vim ver a minha esposa, Elaine, desfilar”, comenta.

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Durante desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado

Com o avanço da noite, a expectativa do público também se voltou para a disputa entre as escolas e para quais delas teriam mais chances de se destacar na competição. Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana: “A X-9 já foi uma grande escola, mas hoje em dia já não é aquela potência como as escolas do Especial. Para mim, não emocionou, não empolgou, acho que não sobe, não. Na verdade, acho que nenhuma que vi até agora me empolgou, ainda estão muito abaixo, mas, enfim, tem uma diferença imensa do Especial para os grupos de acesso, então não tem que comparar a luta deles, eles fazem o que podem”, comenta Jeferson, que assistiu ao desfile da escola, mas não viu firmeza na performance.

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Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana

Apesar das críticas, ele também destacou um ponto positivo apresentado pela agremiação: “Foi diferente, porque veio falando dos índios, e muitas escolas que passaram falaram de samba afro, então esse foi um diferencial. Gostei da letra, foi bom”, completa Jeferson.

Para parte do público, algumas escolas conseguiram emocionar e envolver quem estava presente. Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruche: “A escola veio maravilhosa, senti que a galera se emocionou, cantou junto com a gente. Acho muito importante esse enredo. Ano passado foi com o Carlão, infelizmente perdemos ele um pouco antes do desfile, mas este ano continuamos homenageando e temos que homenagear todos os anos”, diz.

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Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruch

Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza, 56, também compartilhou sua percepção sobre o desfile: “Adorei, é a primeira vez que desfilo, vim pela Morro da Casa Verde, sempre tive vontade e agora pude ver também que a escola é muito entrosada, muito batalhadora. Vi muitas pessoas cantando o samba, você ouve da avenida que as pessoas estão participando. Acho que vai subir”.

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Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza

Entre os integrantes da escola, a avaliação também foi positiva. Para Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas, o desfile ocorreu conforme o planejado: “É a primeira vez que venho como apresentadora de casal e foi muito legal, espero que a gente tenha uma boa nota. Para mim, foi ótimo, porque a chuva parou no momento certo, também percebi que o público gostou bastante do desfile”, explica a integrante.

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Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas

Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral, destacando a importância do acesso para o crescimento das agremiações: “Achei bonita, a escola do Ipiranga veio bem colorida, estava bem alegre, ficou bonita. Veio cantando bastante, também é um enredo bem fácil. Gostei, achei muito bom. Acho que a busca pelo acesso começa aqui, podendo abrir a arquibancada para a galera chegar e conhecer as escolas que ainda não conhecem e poder participar. Acho que, juntando uma comunidade de pessoas, conseguiríamos todos crescer”, explica a foliã, que desfila em algumas escolas e vive de carnaval.

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Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral

Com anos de experiência no carnaval, Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca, que acompanhou todo pela arquibancada: “Sou um pouco crítico em relação aos desfiles, nasci em uma família de sambistas, já acompanho o carnaval praticamente há 40 anos. Sobre a Uirapuru da Mooca, no geral, mas agora, quase para o final, a escola deu uma passada a mais, acelerando um pouquinho. Mas acho que é a escola que pode brigar pelo título”, especula Getúlio.

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Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca

Encerrando a noite, o público também elogiou a escola responsável pelo último desfile. Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado: “Foi tudo perfeito e bem organizado, a escola passou no tempo certinho, todo mundo dançando, todo mundo cantando, perfeito. A expectativa é de ser campeã amanhã”, diz o folião, que ainda destacou um dos carros alegóricos: “O carro do DNA foi o carro mais povoado, cheio de gente, mais iluminado e mais bonito”.

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Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado

Opinião! Como foram os desfiles do Acesso 2 de São Paulo no Carnaval 2026

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