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Comunidade mostra força e impulsiona União da Ilha em ensaio técnico

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Por Luiz Gustavo, Juliana Henrik, Matheus Morais e Júnior Azevedo

A União da Ilha fechou a segunda noite de ensaios técnicos da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, no último sábado, e exibiu algumas de suas marcas eternas. Um chão de muito fundamento, uma escola com identidade própria e uma alegria que contagia quem assiste à Ilha passar. Mesmo com um samba que não está no topo das obras do grupo neste ano, os componentes honraram as tradições da agremiação insulana e deram uma aula de canto e de evolução leve, brincante, sendo a mola mestra da apresentação no sambódromo. Outro destaque foi a “Baterilha” comandada pelo mestre Marcelo, em mais uma grande exibição dentro de suas características, como a batida de caixas e o andamento confortável. Outros quesitos, como o jovem casal formado por João Oliveira e Duda Martins, também exibiram pontos positivos. Faltou um desempenho melhor do samba, que foi cansando e mostrando queda de rendimento com o passar do ensaio. A União da Ilha será a sexta escola a entrar na avenida na sexta-feira de carnaval, com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira.

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COMISSÃO DE FRENTE

Junior Scapin elaborou uma comissão com componentes vestidos com uma malha azul e uma saia na mesma cor, com estampa de estrelas amarelas, uma indumentária que, esteticamente, poderia ser melhor resolvida. Uma coreografia com muitos elementos, principalmente movimentos envolvendo as mãos. Alguns passos simulavam como se os componentes fossem máquinas.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

Na primeira metade da apresentação, os elementos de dança eram maioria, temperados com interpretações de expressão facial. Na segunda metade, a teatralização ganha protagonismo, com o momento de maior clímax da apresentação: cenas de sedução e entrega física entre os componentes, uma síntese do “viver o hoje” falado pelo enredo. Uma comissão que cresce com a teatralização.

“A gente trouxe 70% do que vai levar para a avenida. A gente depende muito do nosso carro; é nele que vai acontecer muita coisa da apresentação. Estamos trazendo um carro bem grande, em proporções de Grupo Especial. Eu queria que, este ano, a comissão da Ilha viesse muito grandiosa e fiquei muito feliz, porque as nossas fantasias estão praticamente prontas. Já estamos ensaiando no nosso carro, e isso é muito bacana. Considero que essa comissão de frente seja polêmica, porque, em um determinado momento, vai acontecer uma coisa que as pessoas não esperam e podem ficar, de certa forma, espantadas, mas acredito que de uma forma engraçada. Foi bacana ensaiar com a pista molhada, pois isso pode acontecer no dia; então eles já sentiram. Até pedi para que não tirassem o sapato, pois no desfile oficial não poderão tirar. Fiquei feliz com a resistência dos meninos. Tenho essa coisa de colocar muita coreografia, e todo mundo terminou bem; isso é o que importa”, disse o coreógrafo.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O jovem casal João Oliveira e Duda Martins realizou um bom ensaio técnico no sambódromo. Na primeira cabine, a apresentação foi mais contida, e o casal não pareceu 100% à vontade; inclusive, em um determinado momento, eles esbarraram os braços após um passo coreográfico. Nas demais cabines, o casal se soltou um pouco mais e o desempenho cresceu.

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Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

Duda realizou alguns giros curvando um pouco o pescoço e os braços, emendando com giros com o corpo mais ereto, mostrando versatilidade e boa execução. João mostrou um bom trabalho de pernas no bailado cruzado e um ótimo cortejo. A melhor sequência do bailado de ambos foi na parte final, no refrão de cabeça. Uma apresentação de um casal inexperiente como principal na Marquês de Sapucaí, mas que exibe um imenso potencial.

“A minha análise é muito simples. Eu sou humilde, então, para mim, a emoção de estar com o pavilhão da União, com a minha escola, com a minha sala, é tudo. Acho que a análise é essa: amor, união. Estou até sem palavras, perdoa. Eu acho que sempre tem o que melhorar. Até a nota 40 tem observação, tem justificativa, e este ano isso vai ser muito importante. Mesmo que seja 10, vai ser justificado. Hoje eu me sinto pronta para entrar e fazer tudo o que eu preparei para o Carnaval deste ano. Melhorar? Sempre”, disse a porta-bandera.

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Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

“É muito amor transbordando. Não é suor, é amor. O suor é resultado de tanto trabalho. A gente fica aqui, às vezes, de segunda a segunda, vocês acompanham isso. E chegar aqui hoje, conseguir realizar tudo o que a gente organizou e até um pouco mais, esbanjar emoção, porque aqui é diferente. Quando a bateria começa, quando o canto vem forte, a gente se sente na obrigação de entregar um trabalho mais do que perfeito. Espero que a gente tenha conseguido fazer isso com toda humildade. Eu também estou extremamente satisfeito e concordo com o que minha parceira falou. Sempre tem um detalhe, uma mão, uma respiração para ajustar. A perfeição absoluta não existe, mas acredito que estamos firmes, fortes e preparados para entrar na avenida. Podem esperar surpresa, emoção e a alegria insulana que todo mundo associa à União da Ilha. A Ilha é feita disso: grandes sambas, grandes momentos. E a gente vai, mais uma vez, fazer história”, completou o mestre-sala.

EVOLUÇÃO

A Ilha dominou a pista do Sambódromo com a alegria peculiar e uma evolução marcada pela leveza. Uma escola que soltou seus componentes para se mexerem com mais liberdade dentro de suas alas, buscando mais lateralidade e preenchimento de espaços. Uma das primeiras alas da tricolor insulana segurava bastões infláveis e desfilou com muita energia, marca da agremiação em todo o ensaio, sem militarismo ou engessamento, em uma evolução contagiante. Em relação ao andamento, a escola seguiu a toada da bateria comandada pelo mestre Marcelo e evoluiu sem correria, aproveitando para brincar carnaval. Muito gostosa a evolução da União da Ilha.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

“Em relação ao ensaio de hoje, devido à pista molhada, dei uma segurada no andamento da escola para que viesse um pouco mais devagar. Como hoje não tivemos as alegorias, conseguimos ganhar esse tempo dentro da avenida. Dei uma segurada, mas fiquei muito feliz, primeiramente com a evolução e depois com o canto da escola, defendendo esse samba que a comunidade abraçou. Em relação ao Carnaval da Ilha, hoje estamos com a totalidade das fantasias já ensacadas, prontas para serem entregues, as roupas dos casais já prontas, as roupas da comissão já entregues, e estamos terminando de fazer o último carro para que possamos estar com o Carnaval totalmente pronto em, no máximo, cinco dias. A gente sabia o que poderia esperar dessa comunidade, mas ainda temos mais dois ensaios de rua, que pretendemos fazer ainda melhor, para que, no dia do desfile, não deixemos dúvidas sobre a nossa harmonia e evolução”, analisou Junior Cabeça, diretor de carnaval.

HARMONIA E SAMBA

Desempenhos díspares nos dois quesitos. O canto da escola seguiu a leveza da evolução e funcionou muito bem em vários momentos do ensaio. Principalmente após o samba ter uma queda de rendimento, ficou ainda mais visível que o canto da comunidade segurou o ensaio e o potencializou. Uma energia da velha Ilha, uma ancestralidade presente ali naquela pista. A insulana não parou de cantar e cumpriu seu papel com louvor. Até alas que costumam ter um canto mais morno, como a ala de passistas, mostraram que estão com o gogó em dia. Mais um show de canto da União da Ilha.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

O canto poderia ter sido ainda mais visceral caso o samba tivesse apresentado um rendimento mais linear. Começou forte na Sapucaí, mas, depois de alguns minutos, a obra já dava sinais de que não aguentaria o desfile inteiro em alta e acabou caindo rapidamente. O samba é melhor em letra do que em melodia, que possui poucas variações. Um dos trechos mais inspirados do samba está no refrão central, com os versos: “Descobri um Rio de Janeiro bom vivant, rebuliço carioca dura até de manhã, poesia nas calçadas, festa, batucada, partideiro versejando pelas madrugadas.” Tem-Tem Jr. se esforçou, junto com seus auxiliares, para manter a pegada do samba, mas não obteve êxito, e a obra foi perdendo força ao longo do ensaio. Mesmo com o canto da escola a mil, a questão técnica do samba influenciou no desempenho irregular.

“Sou suspeito para falar: desde o primeiro dia em que cheguei a essa escola, eu me apaixonei por ela. Você vê no semblante de cada componente a vontade de vencer, a vontade de voltar para o nosso lugar, que é o Grupo Especial. E não foi diferente: pisamos forte, e hoje a chuva caiu para abençoar. Não vou reclamar com Papai do Céu, que é a honra dele, a vontade dele. E cantamos o samba até o final. Não vou julgar também; sabemos dos erros técnicos de som. Hoje é um teste. Espero que, no dia do desfile, não aconteça da mesma forma. Para ali, volta aqui… A gente sabe que não foi só para a Ilha; foi para outras escolas também. Está sendo uma adaptação, está sendo um teste. O nome já fala: é ensaio técnico. Então, é esperar melhorar, no caso, o produto, a proporção do que foi montado para ser esse espetáculo grandioso que é. E a gente se sente pronto, preparado para voltar ao Grupo Especial, se Papai do Céu abençoar”, garantiu o intérprete Tem-Tem Jr.

OUTROS DESTAQUES

Impressiona a constância e a educação musical da bateria comandada por Marcelo Santos. Várias escolas jogariam o andamento para frente para manter o samba mais vivo, mas a Ilha manteve seu padrão de conforto e musicalidade dentro da bateria.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

“Foi um ensaio técnico maravilhoso. A escola veio muito bem, a bateria veio dentro do que a gente esperava, mantendo a cadência e executando bem as bossas. É muito gratificante ver o trabalho de meses ser colocado em prática aqui na avenida e receber esse retorno positivo da comunidade e do público. Sempre tem o que melhorar. O ensaio serve exatamente para a gente pontuar esses detalhes. Vamos ajustar um pouco mais o equilíbrio dos naipes, dar uma atenção especial à afinação para o dia oficial e garantir que a entrada e a saída do recuo sejam perfeitas. O objetivo é chegar aos 100% para não dar margem a nenhum erro perante os jurados. Eu espero um desfile de resgate, a União da Ilha sendo a Ilha que todo mundo ama: alegre, vibrante e técnica. A bateria vai vir com tudo para sustentar o canto da escola e emocionar a Sapucaí. Estamos trabalhando para fazer um Carnaval inesquecível e colocar a Ilha no lugar de destaque que é dela por direito”, garantiu mestre Marcelo Santos.

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Gracyanne Barbosa veio à frente dos ritmistas e, no final do ensaio, interagiu com a ala de crianças que vinha logo antes, em mais um momento de leveza do ensaio da tricolor insulana.

Opinião! Análise dos ensaios técnicos de sábado no Anhembi

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Imperatriz encerra ensaios de rua em alto nível e consolida força para brigar pelo título do Carnaval 2026

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A Imperatriz Leopoldinense conseguiu afastar a chuva ao iniciar o seu último ensaio de rua, na Rua Euclides Faria. Os componentes concluíram essa etapa do pré-carnaval com muita emoção e divertimento, sensibilizados com a homenagem ao cantor Ney Matogrosso. Com o enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, a verde e branca de Ramos tomou a rua com todos os signos que representam o homenageado, seus trejeitos, sua alegria e sua expressividade.

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Antes do ensaio, o vice-presidente João Drumond fez uma avaliação sobre o pré-carnaval da escola, analisando o desempenho do barracão, a plástica a ser apresentada e as críticas ao samba-enredo de 2026.

“Foi um pré-carnaval de muita organização no barracão. É um projeto ousado. Na minha concepção, é o maior projeto de alegorias que a escola já teve. Esteticamente, eu não tenho dúvida de que está no nível, ou acima, do ano passado, que, para mim, foi o grande projeto artístico do carnaval que passou. E, em nível de samba-enredo, que desde o início foi muito discutido, eu acho que quem acompanhou os ensaios da Imperatriz, tanto na quadra quanto na rua, sabe a força do samba que a Imperatriz vai levar para a avenida, e eu não tenho a menor dúvida de que, mais uma vez, a Imperatriz terá um dos maiores sambas do carnaval”, definiu o vice-presidente.

João Drumond também antecipou suas expectativas quanto aos ensaios técnicos das próximas duas semanas. A escola ensaiará na Avenida Marquês de Sapucaí nos domingos, dias 1º e 8 de fevereiro.

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“Eu acho que ensaio técnico é a festa do povo. Pretendemos dar um grande espetáculo para quem está nos assistindo, mas cientes também de que o ensaio técnico é o desfile para nós. Temos que executar tudo de maneira perfeita para que, quando a gente chegue lá no dia do desfile, as coisas saiam como a gente planeja”, declarou.

Os gresilenses provaram que estão disputando no topo da tabela do Grupo Especial. O carisma e a excelência da comissão de frente de Patrick Carvalho e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, aqueceram a escola para a empolgação que os desfilantes apresentaram em seguida. Além disso, o desempenho do intérprete Pitty de Menezes e do mestre Lolo evidenciou a integração da escola e elevou a energia contagiante do ensaio.

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Diferentemente dos ensaios de rua anteriores, desta vez o ensaio fez uma curva na Rua Teixeira Franco e subiu em direção à quadra, na Rua Professor Lacé, para a celebração acompanhada da Roda de Samba e Pagode do Mestre Lolo.

COMISSÃO DE FRENTE

O coreógrafo Patrick Carvalho apresentou uma performance muito condizente com as performances do artista Ney Matogrosso. A expressividade do rosto e do corpo, os trejeitos e a sensualidade do cantor foram interpretados com garra e precisão pelos componentes da comissão de frente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O mestre-sala Phelipe Lemos e a porta-bandeira Rafaela Theodoro se apresentaram com garra e elegância, em uma coreografia bem próxima da corte tradicional. A abertura para a irreverência acontece no refrão do meio, em referência a “Homem com H”. Phelipe e Rafaela reforçaram o quanto estão conectados ao longo desses anos de trabalho conjunto, assim como evidenciaram a capacidade que têm de levantar o público a cada movimento preciso.

HARMONIA E SAMBA-ENREDO

Pitty de Menezes conduziu o carro de som com excelência e emoção. O intérprete lidou com respeito e divertimento com a composição animada de Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna, Wilson Mineiro, Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente e Bernardo Nobre. Pitty conversou com o CARNAVALESCO sobre o desempenho da noite.

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“Foi um ensaio assim, como vocês dizem, avassalador! Foi um ensaio maravilhoso! A comunidade desceu em peso, cantou muito com a escola. A escola está gritando o samba e está preparada para ganhar essa décima estrela. Está preparada para a guerra e para ganhar esse campeonato. Foi uma noite de muita emoção, uma noite de muita entrega, de alegria, de celebração, de encontro com a sua comunidade. Foi um ensaio inesquecível”, destacou o intérprete.

O final do desfile foi marcado pela celebração dos gestores e de sua comunidade, e Pitty de Menezes chorou de emoção com o desempenho da escola e refletiu sobre sua trajetória.

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“É meu quarto ano na escola. É uma escola que acreditou no meu trabalho e no meu talento, apostou no jovem. E hoje passou um filme na minha cabeça, de quando eu cheguei aqui. Estamos com uma energia muito parecida com a do Lampião (2023). É uma escola de que muitos não falam como candidata ao campeonato, mas vai surpreender. Eu olhei o Mestre Lolo ali e não consegui me controlar. É uma emoção muito grande estar aqui nessa família. A gente construiu uma grande família, mais do que colegas de trabalho. É uma celebração muito grande. A emoção não tem como, né? A gente sente o samba, porque o samba é isso, o samba é união, o samba é de todos os povos. Foi muito bom hoje, foi um ensaio maravilhoso, e eu não tive como: chorei”, comentou Pitty de Menezes.

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Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz

Como relatou o intérprete, a escola mostrou que se apropriou devidamente do samba. Cantou alto e integralmente a letra e suas referências a Ney. Todos os refrões foram entoados com muita força, além de trechos como “Canto com alma de mulher / Arte que sabe o que quer”, “O bicho, bandido, pecado e feitiço / Pavão de mistérios, rebelde, catiço” e “O sangue latino que vira / Vira, vira lobisomem”.

EVOLUÇÃO

A comunidade gresilense desfilou com animação e fluidez pela Euclides Faria. Para além das alas performáticas e coreografadas, os desfilantes movimentaram o corpo com os trejeitos e a expressividade de Ney Matogrosso. Dançaram bastante, brincaram carnaval e fizeram um cortejo colorido.

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OUTROS DESTAQUES

Impossível ignorar a energia da bateria Swing da Leopoldina, do mestre Lolo, e da rainha Iza. Além da boa execução das bossas já presentes na gravação do álbum de sambas-enredo de 2026, há o diferencial da bossa que reproduz o ritmo de bloco de rua, animando bastante a escola. A empolgação foi tanta que o mestre decidiu encerrar o desfile descalço e ajudou a soltar os fogos que encerraram a apresentação.

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Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz

A cantora Iza, reinando à frente da bateria, trouxe um look inspirado em um visual clássico de Ney Matogrosso e esbanjou carisma: cantou trechos do samba ao lado de Pitty de Menezes e mostrou seu samba no pé e seu ritmo.

O brilho no olhar da presidente Cátia Drumond e do vice-presidente João Drumond, além da alegria nítida do diretor de Carnaval André Bonatte e dos demais diretores, também evidenciaram o espírito de dever cumprido e a disposição para a briga pela décima estrela em 2026.

Freddy Ferreira analisa bateria da Botafogo Samba Clube no ensaio técnico na Sapucaí

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Um bom ensaio da bateria “Ritmo Alvinegro” da Botafogo Samba Clube, na estreia de Marfim como mestre na agremiação. Uma sonoridade simples, mas funcional, foi apresentada, com bossas que se aproveitam das variações melódicas do samba, com pressão sonora dos surdos, além de um trabalho destacado entre tamborins e chocalhos.

Na parte da frente do ritmo da Botafogo, uma boa ala de cuícas exibiu um toque sólido. Uma ala de chocalhos acima da média apresentou-se de forma integrada a um consistente naipe de tamborins. O carreteiro firme de ambos os naipes foi um dos pontos altos de toda a bateria, assim como seus desenhos rítmicos simples e funcionais, com destaque para um trecho da segunda, em que tamborins e chocalhos tocam de forma entrelaçada.

A cozinha da bateria “Ritmo Alvinegro” contou com boa afinação de surdos, além de marcadores de primeira e de segunda firmes, mas precisos. As eficientes terceiras ficaram responsáveis pelo balanço entre os graves. Um naipe de caixas, com bom volume, tocou integrado a repiques coesos.

O arranjo bem elaborado do refrão do meio, contando com levada nordestina, casou muito bem com o que solicitava o trecho do samba, mostrando-se eficiente quando apresentado. Já a paradinha do estribilho prossegue pela cabeça do samba, aproveitando-se das nuances da melodia para consolidar seu toque, com destaque para a pressão sonora dos surdos.

Um bom treino da bateria da Botafogo Samba Clube, sob o comando do estreante mestre Marfim. Um conjunto de bossas baseado na simplicidade foi exibido de modo eficaz, impactando positivamente o samba-enredo da escola alvinegra.

Freddy Ferreira analisa bateria da União da Ilha no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria da União da Ilha do Governador, comandada pelo mestre Marcelo Santos. Uma “Baterilha” com sublime equalização entre os timbres, aliada a uma educação musical diferenciada.

Na parte da frente do ritmo, uma boa ala de cuícas tocou junto de um agogô de nítido valor sonoro, que executou um desenho rítmico baseado nas nuances da melodia do samba insulano. Uma ala de tamborins esplêndida tocou interligada a um naipe de chocalhos primoroso. Sensacional o desempenho de ambos, contribuindo com uma sonoridade diferenciada e sendo o ponto alto do belíssimo trabalho envolvendo as peças leves.

Na cozinha da “Baterilha”, uma afinação de surdos extremamente acima da média foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza, mas de modo seguro. O balanço irrepreensível dos surdos de terceira também deixou sua contribuição entre os graves. Uma batida rufada de caixas impecável tocou junto de uma ala de repiques de alta técnica musical.

Bossas altamente musicais foram percebidas, todas pautadas pelas variações melódicas da obra para consolidar seu ritmo. Algumas se aproveitando da pressão dos surdos para efetuar o toque, como é o caso do trecho “Coração insulano bate dentro do peito”, em que os surdos simulam com eficácia a batida de um coração. Arranjos, em sua maioria, pautados pela simplicidade, mas que se mostraram, na prática, profundamente eficientes.

  • Uma apresentação exemplar da “Baterilha”, sob o comando do mestre Marcelo Santos. Um ritmo bastante equilibrado e equalizado, com excelência musical simplesmente em todos os instrumentos da bateria da tricolor do bairro da Ilha do Governador. Um ensaio técnico que deixou os insulanos esperançosos por mais um desfile para pleitear pontuação máxima, além de garantir uma grande exibição.

Freddy Ferreira analisa bateria da União do Parque Acari no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Fora de Série”, da União do Parque Acari, comandada pelos mestres Daniel e Erik. Um ritmo profundamente bem equalizado foi exibido, graças a uma afinação de surdos acima da média e à boa educação musical dos ritmistas. Impressiona o preenchimento da sonoridade em todos os mais diversos naipes, deixando leves, médios e graves ressoando, em qualquer ponto de onde se ouça a bateria da Acari.

Um naipe de tamborins sólido exibiu integração musical com uma boa ala de chocalhos, demonstrando um grande trabalho em conjunto na cabeça da bateria da Acari. Cuícas eficientes também contribuíram com a musicalidade da parte da frente do ritmo.

Uma parte de trás do ritmo condizente com o apelido da bateria, totalmente “Fora de Série”. Uma afinação de surdos bem acima da média auxiliou os marcadores de primeira e de segunda a serem precisos e firmes, tirando som sem dar pancada no instrumento. Os surdos de terceira, com balanço envolvente, também complementaram os graves, assim como caixas de guerra consistentes e repiques, que tocaram com coesão, preenchendo a sonoridade dos médios com virtude musical inegável.

Bossas que se aproveitavam das nuances melódicas para consolidar seu ritmo foram exibidas. Um leque de bossas com caminhos musicais distintos, mas todas buscando imprimir a sonoridade dos arranjos por meio das variações da obra da União do Parque Acari. Destaque para a musicalidade cativante da paradinha iniciada na segunda parte do samba, que termina no estribilho, com direito a uma subida progressiva com tapas dos mais diversos naipes, utilizando a melodia do trecho “No cordão de Acari”.

Uma apresentação muito boa no ensaio técnico da bateria “Fora de Série”, da Acari, dirigida pelos mestres Daniel e Erik. Um ritmo com equalização diferenciada, brilho sonoro em todos os naipes e um andamento confortável foi exibido. Um baita show de coletividade musical.

Freddy Ferreira analisa bateria da União de Maricá no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria da União de Maricá, sob o comando do mestre Paulinho Steves. Um ritmo envolvente, com balanço baiano e africano nas bossas, que possibilita que os componentes dancem e evoluam impulsionados pelo belo trabalho da bateria “Maricadência”.

Na cabeça da bateria da Maricá, logo na primeira fila, um naipe com ritmistas tocando timbal acrescentou seu molho à sonoridade da parte da frente do ritmo. Cuícas sólidas e um bom naipe de agogôs também contribuíram para o preenchimento musical das peças leves. Uma ala de chocalhos de qualidade acima da média tocou interligada a um naipe de tamborins técnico e ressonante.

Na cozinha da bateria “Maricadência”, uma boa afinação de surdos foi percebida. Os marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e precisão. Os surdos de terceira deram um balanço bem envolvente à parte de trás do ritmo. As caixas tocaram de modo consistente, junto de repiques coesos. Atabaques vieram ao meio do ritmo, mais precisamente no corredor, sendo utilizados de forma luxuosa na paradinha do refrão do meio.

Bossas baseadas nas variações melódicas do samba da escola foram apresentadas, desde uma levada com direito a ritmo baiano até um arranjo no refrão do meio exaltando a ancestralidade africana por meio do toque dos atabaques. Vale ressaltar que os atabaques são tocados no arranjo utilizando baquetas, o que religiosamente conecta ao uso do aguidavi sagrado.

Uma apresentação muito boa da “Maricadência” no ensaio técnico, dirigida pelo mestre Paulinho Steves. Um ritmo de nítida virtude sonora foi exibido. Com bossas dançantes, é possível dizer que a bateria da Maricá ajudou a impulsionar tanto o samba da escola quanto a evolução de seus componentes, coroando sua grande exibição nessa noite.

Freddy Ferreira analisa bateria da Unidos de Bangu no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma boa apresentação da bateria “Caldeirão da Zona Oeste” (CZO), comandada pelo mestre Dinho em sua estreia na Unidos de Bangu. Um ritmo com conceito musical de simplicidade foi exibido. Em vez de complexidade musical nos arranjos, a opção escolhida foi produzir bossas objetivas, didáticas e altamente funcionais.

Na cabeça da bateria “CZO”, uma ala de agogôs tocou um desenho rítmico baseado nas nuances melódicas com eficiência. Um bom naipe de cuícas também auxiliou no preenchimento musical das peças leves. Uma ala de chocalhos de virtude musical fez uma convenção rítmica simples, com qualidade sonora. Impressionante demais o carreteiro uníssono e impactante dos chocalhos. O naipe de tamborins, também com desenho rítmico pautado pela simplicidade, apresentou-se com solidez. O trabalho musical de ambos, em conjunto, pode ser considerado um ponto alto da parte da frente do ritmo da Unidos de Bangu.

Uma parte de trás do ritmo da “Caldeirão da Zona Oeste” contou com uma boa afinação de surdos, além de um bom trabalho dos marcadores de primeira e de segunda. Os surdos de terceira deram bom balanço aos graves. Um naipe de caixas com bom volume tocou em conjunto com repiques de técnica diferenciada.

Bossas simples, funcionais e eficientes foram apresentadas com precisão. Destaque para o arranjo do final da segunda parte do samba, em que a bateria da Bangu utiliza a levada rítmica da Mangueira. Mesmo com um conceito musical simples, na prática o desempenho foi excelente, além de ser de fácil assimilação para o público, para os ritmistas e ótimo para impulsionar os desfilantes.

Um bom ensaio técnico da bateria “CZO”, da Unidos de Bangu. Do alto de sua experiência, o mestre Dinho revelou sua sagacidade na escolha conceitual de criar bossas simples, funcionais e objetivas. Isso impactou positivamente não só o ritmo, como também o próprio clima da bateria da Bangu, que pôde fazer seu ritmo sem deixar de lado sua espontaneidade. Uma atuação segura e que dá esperança para um grande desfile oficial.

Entre ancestralidade e protagonismo negro, MUM faz ensaio técnico de afirmação no Grupo Especial

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Por Letícia Sansão, Gustavo Mattos, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Mocidade Unida da Mooca realizou seu primeiro ensaio técnico no Anhembi como escola do Grupo Especial e chegou bonita, com o pé na porta, mostrando que veio para ficar. A MUM levantou as arquibancadas e apresentou um trabalho seguro e coeso, sustentado pelo canto constante. A escola mostrou que chega para brigar pelas primeiras posições, e não apenas para buscar a permanência no Especial.

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O enredo foi desenvolvido a partir da trajetória e da atuação do Instituto Geledés, referência histórica na luta das mulheres negras. O desfile propõe uma narrativa de ancestralidade, resistência e protagonismo feminino negro. A agremiação terá o desafio de abrir os desfiles do Grupo Especial, na sexta-feira (13 de fevereiro).

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Sabrina Cassimiro, a comissão de frente apresentou uma proposta de forte impacto. A coreografia se dividiu entre ações no chão e intervenções em cima de um elemento alegórico. O carro, feito pela Mocidade Unida da Mooca, também favoreceu as coreografias na altura das cabines de jurados.

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No topo do carro, em alguns momentos do desfile, era possível ver a representação de Exu em uma performance solo, com movimentos firmes e de grande presença cênica, conduzindo a narrativa do quesito. A escolha de posicionar essa figura isolada em altura privilegiada reforçou a centralidade do personagem como mensageiro. Ao longo da apresentação, surgiram também referências diretas a Odùdúwà, deusa da terra, citada no samba.

Os demais integrantes representavam ancestrais, e a coreografia conversou diretamente com a letra. Os integrantes utilizaram lentes de contato brancas, criando uma atmosfera ritualística desde o primeiro contato com a pista.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Jefferson e Karina apresentou uma dança integrada ao discurso musical do samba. Além dos movimentos tradicionais do quesito, incorporaram gestos coreográficos que simulavam o toque de tambores, dialogando diretamente com a temática afro-religiosa da escola.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Houve sincronia entre os dois durante toda a apresentação, com deslocamentos coordenados e atenção constante à bandeira. A execução manteve regularidade, sem registros de erros visíveis, como enrolamento do pavilhão, mesmo diante do vento constante no ensaio.

“Enfrentamos muito vento, assim como todos os casais nessa noite. É um desafio, principalmente para a porta-bandeira, que o nosso braço tem que ficar firme e forte. É muito difícil, mas acho que, no geral, foi positivo. Acho que agregou bastante para a gente construir melhor ainda a nossa dança. Então deu para a gente tirar algumas dúvidas no ensaio de hoje. A gente ainda não tinha pego, no ensaio técnico, as cabines, com o andamento da escola. Por mais que a gente faça nos nossos específicos, é um pouco diferente”, conta Karina.

“Hoje deu para sentir o que é preciso ajustar para o desfile oficial, mas a gente está satisfeito. Achei que foi um excelente primeiro ensaio, já que hoje realmente foi uma luta contra o vento. E aí só a porta-bandeira sabe o quanto é difícil. E, na minha opinião, foi excelente exatamente por ela ter conseguido superar o vento e as adversidades da natureza, e é algo que despontua a gente sem dó nem piedade. Mas fiquei muito feliz com o nosso desempenho, principalmente por ela ter conseguido enfrentar o vento de uma maneira brilhante”, explica Jefferson.

HARMONIA

A comunidade chegou para mostrar que “escola que canta, ganha”. O canto foi um dos pontos centrais do ensaio da Mocidade Unida da Mooca. Todas as alas apresentaram resposta vocal intensa, sem quedas perceptíveis ao longo da pista. O samba tem letra poética e estrutura que favorecem o canto forte; foi possível ver que ele foi sustentado com força do início ao fim.

“O que eu vi passando na frente, com o que eu pude interagir, foi, sem dúvida nenhuma, o ensaio de uma escola que esperou muito para viver isso e que está tendo a oportunidade de viver depois de muito tempo, depois de muitos anos. E está aproveitando, está sabendo aproveitar as oportunidades. Foi uma escola que curtiu muito, curtiu muito viver isso. É um sonho de uma vida inteira, de uma vida inteira. Eu estou na Mooca desde 2011 para 2012, cantando desde 2016, e vi muita coisa. Muitas pessoas que não viram, mas que mereciam muito estar vendo e vivendo esse momento. Foi o ensaio de uma escola de Grupo Especial. É emocionante. Não tem como não se emocionar, não tem como não lembrar de muita coisa que a gente passou, não tem como não lembrar de pessoas que não estão vivendo esse momento. Foi a melhor coisa do mundo viver esse primeiro ensaio”, disse o intérprete Gui Cruz.

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Destaque para a atuação dos intérpretes, que conduziram a escola com chamadas constantes antes do refrão. A ala musical trabalhou em sintonia com a bateria, criando espaços para que a comunidade assumisse o protagonismo vocal, especialmente nas retomadas após as bossas.

“Foi uma avalanche, uma energia deliciosa. O público na arquibancada veio junto com a gente. Foi lindo”, garantiu a intérprete Sté Oliveira.

“Uma energia absurda, uma troca maravilhosa, arquibancada correspondendo, samba funcionando absurdamente. Bom, essa é a visão que a gente estava tendo dali. E na hora que a escola fez o paradão, achei que foi uma sacada genial do mestre e que tivemos uma resposta. Eu acho que daqui para frente vai crescer, para chegar no dia do desfile e a gente arrebentar”, garantiu o intérprete Emerson Dias.

EVOLUÇÃO

A evolução da MUM tem a cara da escola: organizada e controlada. As alas desfilaram majoritariamente enfileiradas, com deslocamentos bem definidos e coreografias executadas de forma conjunta. Apesar da formação mais rígida, não houve engessamento.

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As referências visuais em dourado, presentes em diversas alas, assim como Oxum, associada ao ouro e à fertilidade, dialogaram diretamente com o discurso do enredo, reforçando a estética do desfile.

A condução indicou domínio do tempo de desfile e entendimento coletivo da proposta apresentada, principalmente nos momentos em que haverá carros. A organização para a entrada dos carros foi feita com excelência.

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SAMBA

O samba-enredo mostrou alto rendimento na pista, sustentado tanto pela comunidade quanto pela ala musical. A obra apresenta uma narrativa clara sobre ancestralidade e protagonismo feminino negro. Os versos favorecem o canto forte e contínuo e, na passagem pela Monumental, arrepiaram quem esteve presente.

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A condução também garantiu fluidez ao samba, sem problemas de andamento. O canto coletivo ganhou destaque em trechos de maior densidade poética, reforçando a identidade musical da escola já neste primeiro contato do ano com o Anhembi.

OUTROS DESTAQUES

A bateria apresentou bossas que abriram espaço para o crescimento da harmonia, com apagões estrategicamente posicionados para ampliar o canto da escola. A resposta dos componentes foi imediata, criando momentos de forte impacto sonoro na pista.

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É importante notar também os destaques posicionados em um carro com o pavilhão da Mocidade Unida da Mooca e o símbolo do Instituto Geledés, reforçando visualmente a parceria que fundamenta o enredo. No carro, provavelmente virão personagens importantes da história do Instituto. A presença desses elementos já no ensaio contribuiu para a clareza da proposta.

No conjunto, a Mocidade Unida da Mooca deixou o Anhembi com a leitura de uma escola que entende o peso do Grupo Especial e demonstra, desde o início, ambição compatível com ele.

Comissão de frente inspirada em Oxóssi e sintonia do casal marcam ensaio técnico do Jacarezinho

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Por Maria Estela Costa, Juliane Barbosa, Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

Após 12 anos desfilando na Intendente Magalhães, a Unidos do Jacarezinho se prepara para seu retorno à Marquês de Sapucaí. Na última sexta-feira, a Unidos do Jacarezinho fez seu ensaio técnico e teve como destaque a comissão de frente, que veio representando Oxóssi, orixá do homenageado Xande de Pilares. No Carnaval 2026, a agremiação levará à Sapucaí o enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, criado pelo carnavalesco Bruno Oliveira, em celebração à vida do cantor Xande de Pilares, apresentando suas raízes no Morro do Turano e a importância do Jacarezinho em sua carreira. Assim como no ensaio técnico, a escola será a primeira agremiação da Série Ouro a desfilar, no dia 13 de fevereiro.

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COMISSÃO DE FRENTE

Dando início ao ensaio, a comissão de frente, coreografada por Akia de Almeida, chegou com representações do orixá Oxóssi, justamente por ser o orixá de cabeça do cantor Xande de Pilares. Oxóssi é responsável por proteger as matas, conhecido também como “Rei das Matas”, e tem a flecha como um de seus símbolos. O coreógrafo Akia conseguiu implementar todos esses detalhes sobre Oxóssi na coreografia da comissão de frente. Os passos pareciam estar protegendo algo, fazendo a flecha com a mão, dançando em círculos, dando pulos e, em seguida, movimentavam as mãos como se estivessem nadando. A coreografia finaliza com uma criança surgindo com a camisa do Flamengo, representando o homenageado enquanto criança, e Oxóssi abraçando-o com a bandeira da agremiação.

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Os dançarinos vestiam uma fantasia que, no short, havia rebarbas de tecidos na cor verde e uma estampa de onça-pintada na cor cinza, remetendo à ideia de floresta; nos braços, alguns braceletes dourados e uma camisa cor nude. Já o dançarino que representava Oxóssi estava com uma roupa longa, com camadas e estampa verde, assim como é visto nos terreiros de Candomblé. Por fim, a criança vestia uma roupa comum entre os cariocas: bermuda jeans, camisa do Flamengo e tênis branco.

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“De alguma forma, vamos usar o sagrado presente na vida do Xande de Pilares, vamos por esse caminho. Oxóssi foi apenas para abençoar o nosso ensaio técnico. A nossa ideia original é totalmente diferente; hoje quisemos utilizar esse lado mais sagrado para o público poder identificar de maneira fácil. As cabines todas funcionaram bem, o nosso elenco está ensaiando muito. O efeito que a gente fez hoje será outro: vai ter efeito, vai ter coreografia, vai ter força. Acredito em um grande desfile da Jacarezinho”, disse o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Maycon Ferreira e Lorenna Brito demonstrou sintonia, resultado de uma melhora no diálogo entre eles. Essa evolução ficou muito clara para quem acompanha o trabalho deles. Eles mostraram que estão prontos para defender o pavilhão, pois se arriscam fazendo passos ousados. Mesmo com a pista molhada pela chuva, eles giravam em sintonia, Lorenna com o pavilhão erguido e Maycon com os braços abertos e sem tirar os olhos dela. Maycon sambava e girava com uma perna no chão como apoio e a outra erguida, apoiada no joelho, seguida por um deslize no chão para retornar à posição inicial, tudo isso enquanto Lorenna rodopiava à sua frente.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

A porta-bandeira estava com um vestido branco que, na parte superior, era todo trabalhado em pedrarias da mesma cor, enquanto o mestre-sala vestia uma roupa social branco-acetinada e, nos pés, um sapato social na cor dourada.

HARMONIA

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As alas sabiam a letra, mas não entregaram tanta potência e entusiasmo no canto. No entanto, a voz dos intérpretes e a junção com a bateria foram cruciais para a harmonia, pois auxiliaram a escola a manter o canto mais forte e sem embolar. É crucial a escola demonstrar energia, pois é o que provavelmente o jurado vai compreender, uma vez que as caixas de som são altas e só dá para escutar a comunidade cantar se a bateria e o carro de som fizerem a paradinha, o que não aconteceu com a Unidos do Jacarezinho neste ensaio técnico. Cada quesito conta para o resultado final da escola, e neste não é diferente: é preciso uma exigência maior dos diretores de harmonia para com os desfilantes, para que a escola possa se manter no Grupo de Acesso e, futuramente, ingressar no Grupo Especial.

“Cantar com este garoto aqui, meu sobrinho, é um prazer, uma satisfação. Temos feito muito no dia a dia, tentando ajustar da melhor forma possível as nossas vozes, para que a gente passe muito bem no desfile oficial. Hoje, eu dou uma nota 8. Pela primeira vez, o Jacarezinho passa em um ensaio técnico, e, para mim, é um orgulho participar disso ao lado do Thiago”, afirmou o intprete Ailton Santos

“O Jacarezinho é uma escola muito forte, é muito chão, uma comunidade apaixonada por esse pavilhão. Pisar hoje aqui com essa escola, sabendo o significado que o ensaio técnico tem para a gente, foi fantástico. Estar ao lado do Ailton está sendo um prazer imenso, ele me recebeu com muita humildade e receptividade. Estamos tendo uma sintonia maravilhosa, divisão de cacos, está sendo prazeroso. A gente não desfila preocupado em não errar, a gente desfila curtindo, porque estamos amando o que estamos fazendo”, revelou Thiago Acácio.

EVOLUÇÃO

As alas estavam desfilando bem à vontade, o que trouxe uma leveza maior para o ensaio. Havia uma preocupação com a questão da fila, mas nada que atrapalhasse o momento especial dos desfilantes. Porém, próximo à terceira cabine de jurados, na altura do setor 11, a ala dos passistas teve uma falha na evolução e ficou dividida, uma parte muito à frente e a outra atrás, o que gerou um buraco, mas que logo foi resolvido pelos diretores de ala. Apesar disso, a escola conseguiu ter um bom controle do tempo de evolução e finalizou o ensaio no minuto cinquenta e cinco.

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SAMBA

O samba tem dois refrãos que são fáceis de aprender; em poucas vezes escutando, já é possível ir acompanhando a letra. Não é à toa que era o momento em que a comunidade mais cantava. Como dito anteriormente, o trabalho do carro de som e da bateria foi crucial para o rendimento do samba neste ensaio técnico: conseguiram manter a mesma potência durante toda a apresentação, o que auxiliou os desfilantes a seguirem na mesma linha.

“Cara, todo mundo falava do Jacarezinho antes do desfile. Que ‘o Jacarezinho é isso’, ‘Jacarezinho é aquilo’, e acho que quem veio prestigiar aqui viu um bom samba, um bom andamento, um grande desfile em relação à bateria. A escola é bem compacta. A comunidade comprou o samba, pelo menos os dois refrões muito bem cantados. E o que me impressionou na puxada da escola é que, à medida que a gente ia passando pelos setores que tinham componente, tinha a arquibancada prestigiando, respondendo o samba. Então a Sapucaí vai tremer, e isso é bem maneiro. Acho que a resposta maior não é nota, imprensa, é a própria escola chegar aqui na avenida e a avenida abraçar o projeto, positivo ou negativo. E acho que o Jacarezinho tem que sair daqui com a certeza de que foi um projeto bem positivo hoje. Foi uma grande entrega, pelo menos”, diz Jonathan Maciel, um dos diretores da agremiação.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Karen Lopes, esteve presente no ensaio com um look feito com pedrarias rosas; nos braços, uma franja longa na cor rosa e, nos pés, uma sandália dourada. Ao seu lado, o rei de bateria, Jorge Amarelloh, também marcou presença com uma fantasia similar à de um soldado, com referência na música “Eu sou de Jorge”, uma das mais famosas de Xande de Pilares. Os dois demonstraram muito respeito pela agremiação, interagindo com a comunidade e o público presente.

“Eu acho que as pessoas que andaram falando muito na internet sobre o Jacarezinho tinham que ter tempo para fazer outras coisas. Porque é uma comunidade que busca, é uma comunidade que subiu, e, se ela subiu, foi por mérito dela. Então, deixa o Jacarezinho trabalhar, deixa a escola finalizar… e as críticas devem existir, sim, como qualquer coisa na nossa vida, mas depois que acontecer. Antes não existe nada. […] Então deixa o Jacarezinho passar, estamos trabalhando quietinho, o barracão está caminhando direitinho, a fantasia está rolando, deixa a escola finalizar. Quando acabar o Carnaval, falar ‘pô, o Jacarezinho não aconteceu’, ok. Se tiver crítica, a escola aceita, mas deixa passar; antes não tem como fazer isso”, afirma Jonathan Maciel.