
O Salgueiro realizou a sua semifinal para a escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027. Com a quadra lotada na noite do último sábado, a vermelha e branca da Tijuca escolheu os sambas das parcerias de Marcelo Motta, Ian Ruas e Xande Pilares para a grande final, que será realizada no próximo sábado. Os sambas de Moisés Santiago e Bernardo Nobre foram os eliminados dessa fase. O CARNAVALESCO analisou os sambas que permanecem para a grande final.
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Parceria de Marcelo Motta: Defendida por Dudu Nobre, Tinga e Marquinhos Art Samba, a obra começou num ritmo mais forte e potente, com pegada de gira, que já vemos nos versos “Deu meia-noite, galo canta na calunga, é Xica quem faz macumba, é Xica quem faz macumba, deu meia-noite, começou o canjerê, marafó, mel e dendê, marafo, mel e Dendê”. A repetição dos versos em dois momentos proporcionou um início bastante carregado, que conseguiu energizar a apresentação para os versos subsequentes, que conseguiram contar com excelência as fases de Xica da Silva, como no trecho “Baixei na terra pra contar a minha história, retomar tempo de glória, me dê licença, carrego a força de um grito atemporal, contra a falsa moral, convoco a falange de Valença”, que possui uma melodia que consegue trilhar com beleza as palavras da homenageada. O trecho “Apesar da dor, do tempo colono, amor imposto, o preço é alforria, por toda Maria que não teve dono” mostrou uma melodia interessante, já sob a narrativa de Francisca. Um destaque foi o refrão principal “Vira no santo, Iaiá, virou Salgueiro, nessa canjira, Pomba Gira, aluvaiá, ninguém segura o meu povo macumbeiro, Laroyê, sou eu, Emojubá”, que embalou a torcida que marcou presença em grande quantidade na quadra da escola. Mostrou-se um samba bem qualificado e que encantou os presentes.
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Parceria de Ian Ruas: Defendida por Vitor Cunha e Grazzi Brasil, a obra começou muito forte já no seu refrão principal “Laroyê! Xica da Silva, laroyê! Ê mojubá, toda mulher tem direito à própria história, meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar”, que uniu força na interpretação, além de ter uma boa melodia e pertinência com o enredo, obtendo uma apresentação de muita potência e empolgação. Na primeira parte, destacaria o trecho “Francisca, mãe da encruzilhada, rosa indomada, deusa da rua, na procissão da academia, negra fidalguia se perpetua”, que mostra uma Xica multifacetada, bem mais do que a figura que é contada na ficção, que é mais sexualizada e idealizada. O refrão central “Incorporei no atabaque do meu torrão, festa de ostentação ao poder da negritude, dilacerei as vestes da servidão, meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude” possui uma semântica bastante qualificada e dá uma mensagem muito forte em tom de protesto contra a objetificação de como a imagem de Xica é utilizada, algo que fica permeando o enredo. Ela possui uma melodia bastante interessante e que foi muito bem explorada pelos intérpretes, passando com muito suingue. Teve um momento em que o samba, na segunda parte, deu uma caída, mas cresceu no verso “Gira, desce o morro, meu Salgueiro, meu quilombo pioneiro, renasci nesse conga, firma axé na segunda-feira, é macumba a noite inteira, saravá, alafiá”, que mostrou muita potência e carinho da torcida, que empolgou demais durante toda a apresentação. Foi uma apresentação que mostrou porque é um dos favoritos para a grande final.
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Parceria de Xande de Pilares: Defendida por Charles Silva, Thiago Brito e Rafael Tinguinha, a obra começou muito forte já no seu refrão principal “Hoje o couro vai comer, laroyê! A dona da casa quer girar, furiosa no dendê! Gargalhou na meia-noite, ecoou no meio-dia, a moça incorporou na academia!”, que conseguiu evocar o poder de Xica da Silva e também possuir uma excelente assimilação para quem escuta a obra, conseguindo mostrar valentia durante toda a apresentação. Na primeira parte, apostou em soluções de linguagem padrão para este tipo de enredo, obtendo muita singularidade nos versos finais “Lua de prata no céu, a mulherada sorri, hoje eu não estou de volta, porque sempre estive aqui”. Destaco a excelente mistura com o tambor no refrão sem bis “Auê, auê, auê, auá, quero ver pombogirá, auê, auê, abre os caminhos pro Salgueiro desfilar”, que também foi um dos pontos altos da composição, que conseguiu levantar o público e a torcida presente no final da disputa da semifinal. Outro destaque da letra é o refrão central “Sangue da Costa da Mina, arte que vence demanda, eis a história despida, chegou a Chica que manda”, que possui uma melodia excelente, que traz uma forma mais sedutora à obra. Nos versos finais, fala mais sobre a figura feminina que Xica representa, além de fazer alusão ao chão do Salgueiro: “Francisca da Silva de Oliveira, a Xica da Silva Teles”. Passou forte em todas as passadas e mostrou também o motivo de ser uma das favoritas para a grande final.
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