Por Juliane Barbosa, Júnior Azevedo, Maria Estela Costa e Miguel Correia

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A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu a obra da parceria de PC Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno como vencedores da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027. A Estrela Guia de Padre Miguel será a primeira a desfilar na segunda-feira de carnaval com o enredo “Latinamente Independente”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

Compositores campeões falam para o CARNAVALESCO

“Eu não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo. Sou Independente, nasci dentro desta quadra e vivo a Mocidade nesses 50 anos de vida que tenho. É uma emoção ímpar, estou muito feliz! A minha parceria lutou muito por isso e temos a certeza de que construímos um grande samba, uma obra com a cara e a pegada da Mocidade, com cadência e uma força enorme no refrão principal, que já vem direto na cabeça. Deus foi muito bom, Obatalá e Tupã abençoaram, e a conquista está aí! Esse é o meu terceiro samba vitorioso na escola. Ganhamos em 2018, com ‘Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que habita em você’, em 2025, com ‘Voltando para o Futuro’, e agora, para o Carnaval 2027, com ‘Latinamente Independente’. Eu gosto do samba como um todo, mas a abertura, quando diz ‘Desperta, pioneira’, é algo que te faz sentir o desfile acontecendo na hora. Você se sente cruzando a Sapucaí. Entre a abertura, o refrão do meio e o refrão principal, o conjunto inteiro me emociona demais”, citou o compositor Alex Saraiça, em entrevista ao CARNAVALESCO.

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Compositor Alex Saraiça

“Isso é um sonho. É o que a gente pode dar pela escola de coração, é a nossa contribuição. Eu sou Mocidade, não disputo samba em diversas escolas, disputo samba na Mocidade. E, quando a gente consegue deixar o nosso nome marcado na história da escola, não tem preço! Nós somos tricampeões na escola, e essa conquista tem um significado muito especial. Esse samba é um manifesto. Desde o início, a gente sabia que tinha opções e optou por fazer o trabalho que fizemos. O refrão principal é o nosso xodó”, afirmou o compositor Denilson do Rozário.

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Compositor Denilson do Rozário

“É uma honra para mim. É o primeiro samba que ganho no Grupo Especial e espero levar adiante o legado do meu pai, Cláudio Russo. Estar junto com o Feital é uma honra, porque ele é um mestre. Já tive vitórias na escola fora do Grupo Especial, mas essa experiência eu nunca senti na minha vida e espero que seja a primeira de muitas. Ganhar em uma escola do tamanho da Mocidade é uma honra enorme para mim. E não tem muito o que inventar sobre a minha parte favorita do samba: é aquela parte que explode! A comunidade comprou a ideia, e essa é a melhor parte da obra”, comentou o compositor André Russo.

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Compositor André Russo

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Como passaram os sambas na final

Parceria de PC Feital: O time de Paulo César Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rosário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno fechou a disputa defendido por Zé Paulo Sierra com uma apresentação de muita força e qualidade. O intérprete conduziu bem a obra e encontrou nos dois refrões os principais motores para fazer o samba avançar durante a passagem pela quadra. O refrão principal foi o grande momento da apresentação, com potência e excelente resposta do público. O refrão de meio, embora menos explosivo, trouxe outra dinâmica e também funcionou muito bem, criando uma espécie de intervalo antes da retomada da intensidade. A torcida fez uma atuação de destaque e ajudou a empurrar o samba durante boa parte da passagem. Houve uma pequena perda de força no trecho posterior ao refrão de meio, mas a potência foi naturalmente recuperada com a chegada do refrão principal. Foi uma apresentação que terminou em alta e deu à parceria a impressão de quem soube jogar a decisão nos momentos certos. No fim, PC Feital saiu como o vencedor da “Libertadores” da Mocidade.

Parceria de Jeffinho Rodrigues: O time formado por Jefinho Rodrigues, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Estevão Ciavatta, Cleiton Roberto e Prof. Renato Cunha abriu a final com uma apresentação segura. Defendido por Wander Pires, o samba teve ótimo desempenho do intérprete ao lado dos cantores de apoio, explorando bem as diferentes possibilidades melódicas da obra e dando dinâmica à passagem pela quadra. Em uma noite tratada pela Mocidade como uma verdadeira final de Libertadores, Wander mostrou por que é camisa 10: conduziu a apresentação com experiência e encontrou os espaços certos para fazer o samba crescer. O rendimento se manteve em bom nível ao longo das passadas, embora a torcida tenha deixado a desejar no momento em que foi chamada a fazer a diferença. Faltou um pouco mais de força e envolvimento, especialmente dentro da atmosfera criada para a decisão. Ainda assim, o conjunto apresentado pelo carro de som foi consistente e cumpriu bem a missão de abrir a disputa.

Parceria de Léo Peres: A equipe foi escalada por Léo Peres, Leandro Fregonesi, Felipe Pires, Rogerinho, Wilson Paulino e Bruno Serrinho. Defendido por Emerson Dias e Bruno Ribas, o samba apresentou uma atuação aguerrida do início ao fim. Os dois refrões funcionaram como importantes pontos de aceleração da apresentação, sobretudo o principal, que encontrou forte resposta da quadra e foi responsável por colocar o samba em uma rotação mais alta. A melodia, de construção mais linear e com poucas variações, sustentou bem o rendimento, inclusive na segunda parte da obra. O carro de som conseguiu manter a intensidade sem deixar que essa característica comprometesse a apresentação. Nas arquibancadas, a torcida poderia ter entregado mais. Em uma “final de Libertadores”, quando o torcedor costuma assumir papel decisivo, faltou um pouco mais de pressão. Ainda assim, os adeptos da parceria estiveram presentes e fizeram a sua parte para empurrar o samba durante a disputa.

Parceria de Richard Valença: Richard Valença, Orlando Brósio, Renan Diniz, Georginho Via 13, W. Correia e Cabeça do Ajax formaram o time que levou para a quadra um samba defendido por Tem Tem, Rafael Tinguinha e Charles Silva. O “trio de ataque” entrou com a garra que uma peleja de Libertadores exige e teve ótimo desempenho durante toda a apresentação. A força do carro de som combinou com a atmosfera da noite e fez o samba crescer nos momentos em que era necessário imprimir maior intensidade. Não houve queda significativa de rendimento ao longo das passadas, garantindo uma apresentação regular e competitiva. A torcida também entrou no jogo. Com bandeiras de diferentes países latino-americanos, os integrantes da parceria ajudaram a construir o ambiente de arquibancada que a final pedia. No apito final, ainda foi possível ouvir, mesmo que timidamente, alguns gritos de “é campeão”, sinal de que a apresentação deixou a torcida confiante no resultado.

 

Sucesso em mais uma final

O evento, considerado a maior final da história do carnaval, transformou a quadra da escola em um grande festival. Além da decisão do samba, o público acompanhou uma programação especial no Palco Latinamente Independente, com apresentações musicais, encontros de gerações, gastronomia e atrações que seguiram pela madrugada.

A noite contou ainda com a área gastronômica assinada pela Feira da Glória, o Boteco Independente, com petiscos tradicionais, e uma área de serviços, como massagem, maquiagem e tranças. A programação musical reuniu samba, rap e música latina, além do after comandado pelo Bonde das Maravilhas.