
Há quem ainda insista em tratar a Intendente Magalhães como coadjuvante no carnaval. Não é. Nunca foi. E, ao que tudo indica, está cada vez mais longe de ser. O último sábado foi uma prova contundente disso. Na quadra do Paraíso do Tuiuti, realizamos mais uma edição do prêmio Estrela do Carnaval Ingoo 2026, celebrando os destaques da Série Prata e, pela primeira vez, da Série Bronze. Uma noite de emoção genuína, aplausos sinceros, reconhecimento a quem sustenta, com suor e paixão, a engrenagem mais pulsante do carnaval carioca.
Nos últimos dois anos, o CARNAVALESCO tomou uma decisão estratégica, e, acima de tudo, justa. Ampliamos a cobertura da Intendente Magalhães com uma equipe própria, dedicada exclusivamente a esses desfiles. Uma equipe diferente da que cobre a Marquês de Sapucaí, com olhar atento, sensível e comprometido em contar essas histórias com a grandeza que elas merecem. E o resultado não poderia ser mais revelador: a audiência responde e alto.
Na maioria das vezes, o conteúdo das escolas da Intendente supera, em alcance e engajamento, o material produzido sobre a própria Série Ouro. Isso não é um detalhe. Isso é um recado claro do público. Existe interesse e paixão. Existem comunidades ávidas por se verem representadas.
Estamos falando de agremiações como Santa Cruz e São Clemente, que retornam à Sapucaí carregando suas histórias e comunidades. De escolas tradicionais como Império da Tijuca, Acadêmicos do Cubango, Lins Imperial, Caprichosos de Pilares e Unidos de Lucas. E também de surpresas que encantam e renovam o carnaval, como Império da Uva, Casa de Malandro e Leão de Quintino.
São escolas que não vivem apenas de desfile. Vivem de comunidade. Produzem cultura o ano inteiro. São espaços de resistência, formação e acolhimento. A Intendente não é um palco menor. É um celeiro.
É preciso, de uma vez por todas, que o poder público, municipal, estadual e federal, entenda isso. Apoiar essas escolas não é gasto. É investimento social, cultural e econômico. Sim, é necessário investimento financeiro. Mas não só isso. É fundamental criar oportunidades. Levar ações sociais para dentro das quadras, oferecer suporte básico de saúde aos componentes, promover feirões de emprego, incentivar projetos culturais e educacionais. Dar visibilidade e protagonismo a quem constrói o carnaval na base.
É justo reconhecer que houve avanços. A gestão da Superliga trouxe melhorias importantes para a estrutura da Intendente. Mas ainda há um limite claro: problemas estruturais mais profundos: barracões precários e infraestrutura da pista não vão ser resolvidos sem a presença efetiva do poder público.
Há caminhos possíveis, simples e inteligentes. Evitar o choque de datas entre os desfiles da Intendente e os da Marquês de Sapucaí seria um deles. A medida ampliaria a visibilidade, potencializaria a cobertura da imprensa especializada e permitiria que o público consumisse os dois espetáculos com a atenção que ambos merecem.
Outro passo natural, e necessário, seria a criação de um desfile das campeãs da Intendente. Não como um luxo, mas como reconhecimento, vitrine e afirmação de grandeza.
O CARNAVALESCO seguirá fazendo a sua parte. Em 2027, a tendência é ampliar ainda mais essa cobertura, aprofundar esse olhar, dar ainda mais espaço a essas vozes. Mas essa não pode ser uma missão solitária. A Intendente Magalhães não pede favor. Pede respeito. E, sobretudo, merece ser celebrada como aquilo que de fato é: um dos pilares mais autênticos, vibrantes e indispensáveis do carnaval brasileiro.










