
Quando chegou em casa naquela tarde de semana comum, João Vitor Araújo tinha uma única intenção: passar um café. Não deu tempo. O telefone tocou antes mesmo que a água esquentasse, e do outro lado da linha uma voz dando parabéns por uma indicação que ele não esperava: o Prêmio PIPA, uma das principais premiações brasileiras de arte contemporânea. Ele deu um grito. “Para mim isso é uma grande vitória!”, disse ao CARNAVALESCO.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
Campeão do Grupo Especial em 2025 pela Beija-Flor de Nilópolis, vice-campeão em 2026, João Vitor Araújo vive um momento que ele mesmo descreve como um presente. Não o presente de quem chegou por acaso, mas o de quem esperou, trabalhou e soube, às vezes na dificuldade, aprender a esperar mais um pouco.
“Tem uma hora que o momento da gente chega. E eu esperei muito por esse momento”, declarou, agradecendo a Deus, aos deuses do carnaval e aos seus Orixás.
O aprendizado mais decisivo da sua trajetória tem nome e sobrenome: Rosa Magalhães. Foi trabalhando com a carnavalesca carioca, uma das mais respeitadas da história da Sapucaí, que o jovem João Vitor se deparou com o próprio excesso. “Eu era muito acelerado. Era muito ansioso. Eu achava que as coisas tinham que acontecer de uma hora para outra”, revelou.
Rosa lhe disse, com a serenidade de quem já sabe, que a chave era outra: curtir o processo. “Que é uma coisa que às vezes muitos artistas não fazem”, ele repete, relembrando a lição.
A lição pegou. O que se vê hoje, nas avenidas e nos bastidores, é um carnavalesco que encontrou o próprio tempo. E a indicação como finalista do PIPA, um prêmio também voltado a outras áreas fora do circuito do carnaval, é a confirmação desse percurso. “É o conjunto da obra”, disse. “Eu sou grato aos bons e aos maus momentos. Se não fosse por isso, eu não estaria aqui”.
Totalmente premiado: João Vitor fala sobre a conquista do Estrela do Carnaval
O Prêmio Estrela do Carnaval 2026, nas categorias Fantasias e Alegorias, concedido pelo CARNAVALESCO, chegou na sequência de outro reconhecimento: no ano anterior, João Vitor já havia levado a categoria de melhor carnavalesco. Ele dedicou o prêmio ao barracão da Beija-Flor.
“Não adianta eu pensar numa alegoria, eu pensar no material e eu não ter pessoas competentes para realizar. Esse prêmio é do Atelier, é do Barracão, é dos aderecistas, é dos ferreiros, todos os funcionários daqui de dentro”, afirmou. O barracão fala por si. E os prêmios, também.
Carnaval 2027: “Zeneida: o sopro do pó de louro”
A Beija-Flor de Nilópolis levará para a avenida o enredo “Zeneida, o sopro do pó de louro”, uma celebração à pajé marajoara Zeneida Lima, figura de força e ancestralidade que João Vitor escolheu como tema do Carnaval 2027.
Sobre os detalhes da criação, ele é econômico: “A gente está trabalhando. As coisas vão se desenrolar de forma natural, como todos os outros carnavais”. Ele prometeu uma Beija-Flor forte, pronta para brigar. O sopro já foi dado. Resta a Sapucaí receber.










