
O carnaval carioca perdeu, nesta segunda-feira, um de seus maiores nomes nos bastidores dos desfiles. Morreu Ricardo Fernandes, diretor de carnaval que construiu uma das trajetórias mais vitoriosas e respeitadas da Marquês de Sapucaí, sendo referência no quesito Harmonia e na organização técnica dos desfiles. Reconhecido pela organização dos desfiles, pela atenção aos detalhes e pela capacidade de conduzir grandes equipes, participou de momentos marcantes em algumas das principais escolas de samba do Rio de Janeiro. Não foi informada a causa da morte. As informações sobre o velório e sepultamento ainda não vão ser divulgadas pela família.
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Ao longo de mais de três décadas dedicadas às escolas de samba, Ricardo Fernandes tornou-se sinônimo de disciplina, planejamento e excelência. Sua carreira começou no fim da década de 1980, na Imperatriz Leopoldinense, onde participou da construção de uma das equipes mais marcantes da história da agremiação. Foi um dos responsáveis pela revolução na organização dos desfiles, ajudando a consolidar um modelo de trabalho que elevou o nível técnico das apresentações na Sapucaí.
Segundo destacou a Unidos da Tijuca em nota oficial, foi justamente sob seu comando que nasceu a expressão “tecnicamente perfeito”, utilizada por especialistas para definir desfiles impecáveis em todos os aspectos. Trabalhando ao lado de carnavalescos como Rosa Magalhães e Paulo Barros, Ricardo tornou-se um dos principais responsáveis por estabelecer novos padrões de organização e evolução para as escolas de samba.
Durante sua trajetória, deixou sua marca em grandes agremiações do carnaval, como Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Tijuca, sempre exercendo funções ligadas à direção de carnaval e à harmonia.
Na Unidos da Tijuca, viveu alguns dos momentos mais marcantes de sua carreira. Foi diretor de carnaval da escola nos carnavais de 2003, 2004, 2010, 2011, 2012 e 2013. Sua participação foi decisiva na reconstrução da agremiação a partir de 2003, culminando no histórico vice-campeonato de 2004. Anos depois, retornou para integrar a equipe que conquistou o inesquecível título de 2010 com o enredo “É Segredo”, desfile considerado um dos mais emblemáticos da história recente do carnaval carioca.
Em nota de pesar, o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, e todos os segmentos da escola prestaram homenagem ao diretor.
“Ricardo tornou-se um menestrel do quesito Harmonia, orquestrando com sua obstinação e disciplina uma verdadeira revolução na organização dos desfiles. Para além da técnica e do estilo marcante de comando, o mestre legou discípulos ao carnaval como nenhum outro em seu ramo, sendo muitos destes os que hoje ocupam as funções que um dia ele exerceu”, destacou a agremiação.









