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Julgadores de samba-enredo acharam que samba da Vila ‘não contou enredo’

Na avaliação dos julgadores de samba, a obra da agremiação tinha passagens poéticas de pouca inspiração

Com apenas uma nota 10 obtida no julgamento de 2020 em Samba-Enredo, a Vila Isabel viu seu desempenho na apuração, devido às notas nesse quesito e também em enredo, se afastar das primeiras colocações. Na avaliação dos julgadores de samba, a obra da agremiação tinha passagens poéticas de pouca inspiração e não contou o enredo de maneira adequada, como prevê o manual do julgador.

O julgador Felipe Trotta, localizado no primeiro módulo de julgamento, tirou um décimo do samba da Vila Isabel. Dividido em dois sub-quesitos (letra e melodia) o jurado só puniu letra da obra da azul e branca. Segundo sua justificativa, “apesar de bem construído e com ótimo refrão o samba foi levado pelo enredo a narrar de modo convencional um espécie de ‘aquarela brasileira’, algo já explorado em sambas antológicos do passado. Imagens poéticas pouco criativas, como ‘desemboquei no Velho Chico’ ou ‘joia rara prometida’ são alguns exemplos que enfraqueceram a riqueza poética do samba”.

Alfredo Del Penho estava localizado no mesmo ponto da avenida que o colega Trotta, o setor 3. Mas para Del Penho além de falta de beleza poética na letra (ele cita trechos como ‘sertanejo em romaria é mais forte que mandinga’; quando um cacique inspirado’ e ‘ô viola, a sina de preto velho’) a melodia da composição também deixa a desejar, como explica em seu texto para justificar o 9,8.

“Algumas partes não são bem conectadas a ponto de criar um bom discurso melódico como ‘é mais forte que mandinga’ para ‘assim nasceu a flor’. Além de trechos menos inspirados como ‘quando a cacimba esvazia’ e ‘olhou pro futuro e mandou construir’.

Eri Galvão usou uma justificativa rasa e sem aspectos técnicos para reclamar do samba da Vila Isabel. Embora tenha achado a letra adequada ao enredo, segundo justificou, no aspecto da melodia, para punir a agremiação com a perda de um décimo, Galvão usou a “falta de criatividade, exceto o refrão” como motivo para descontar a escola.

Para os julgadores de enredo a narrativa da Vila Isabel apresentada na avenida esteve um tanto quanto confusa. Por esta razão a escola só alcançou uma nota 10 no quesito. Esse aspecto também foi notado pela julgador Alice Serrano em samba-enredo. Ela aplicou um 9,9 também alegando certa confusão no entendimento da letra.

“A lenda onírica do menino Brasil quem parte em viagem com a ave jaçanã que te torne menina Brasília, não ficou clara na letra do samba. É uma narrativa confusa que a letra não conseguiu resolver, deixando o público com uma compreensão parcial do enredo”, explicou em um trecho de sua justificativa.

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