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Homenagens a Borjão e forte canto dão o tom do ensaio técnico da Barroca Zona Sul

Camisas com homenagens ao baluarte foram distribuídas entre as alas

Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

Homenagens são sempre importantes, principalmente em escolas de samba, onde o simbolismo está acima de tudo. Este primeiro ensaio da Barroca Zona Sul, foi totalmente dedicado a Borjão, ex-presidente de honra, que faleceu na sexta-feira retrasada. Mesmo assim, a agremiação levou a sério o treino. Canto forte, ala musical entrosada, bateria executando bossas, apagões e a comissão de frente fazendo toda a sua apresentação completa e complexa, foram a prova disso. A ‘Faculdade do Samba’ fez um ensaio satisfatório com todas essas questões citadas acima. Com o enredo “Nós nascemos e crescemos no meio de gente bamba. Por isso nós somos a Faculdade do Samba. 50 anos de Barroca Zona Sul”, a agremiação será a segunda a desfilar na sexta-feira de carnaval.

Comissão de frente

A ala, comandada pela coreógrafa Chris Brasil, mostrou uma série de repertórios. Todos eles focados em um personagem: Um homem interpretando o fundador da escola, o baluarte Pé Rachado. Em uma passagem do samba, o dançarino, que já é um senhor, sentava na frente do grande tripé que a comissão levará e fazia uma cara tristonha. Quando a frase “Prazer, eu nasci Sebastião” era cantada, o homem despertava e começava a coreografia junto aos demais integrantes, onde esses carregavam instrumentos como cavacos e violões. Passistas na forma de malandros também estiveram presentes.

Em outra passagem do hino da verde e rosa, todos os integrantes dançavam no chão e era uma espécie de coração e benzimento em Pé Rachado, pois dali ele daria prosseguimento à fundação da Barroca Zona Sul.

Vale destacar que o senhor que estava interpretando o Pé Rachado, trata-se de Ednei Mariano, que já atuou como mestre-sala da agremiação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Marquinhos e Lenita mostrou grande entrosamento neste ensaio técnico. A dupla optou por trabalhar bastante com os giros horário e anti-horário. A coreografia dentro do samba não foi tão vista. Dava para notar apenas em partes com palavras afro do samba, como nos últimos versos: “É a flecha de Oxóssi, filha de Odé/demanda de Exú, abençoada por Seu Zé”.

Tal análise é confirmada pelo próprio mestre-sala, onde diz que o treino foi feito para ver o andamento e analisar o começo e término do julgamento. “A gente veio para fazer o que a gente vai executar no dia, é para ver o andamento, para ver apresentação de jurado, onde começou e termina, o saldo foi muito positivo. E o que eu brinquei com a Lenita, não foi 100%. Agora ainda não é o momento de 100%, o 100% é lá no dia 9, mas é isso, ficamos muito contentes. Teve alguma coisinha aqui ou ali, que dá tempo nesta uma semana para no próximo estar ok”, destacou Marquinhos.

Lenita lembra do baluarte Borjão e dedica o ensaio a ele, e de acordo com ela, está bastante aprovado. “Eu voltei. O Marquinhos já estava e o Barroca já estava. Eu acredito que o nosso trabalho na pista hoje, foi um trabalho muito bom. Foi fluindo, foi um trabalho contínuo, é claro que a gente não pode falar que foi um trabalho perfeito, porque nada é perfeito, tudo buscamos o melhor. Hoje foi muito, no próximo vai ser muito melhor e no dia a gente vai entregar tudo que a gente tem para mostrar tanto para nossa escola quanto para o nosso presidente de honra, que Deus o tenha que faleceu, que é para ele esse trabalho todo que para ele que o Pavilhão roda e para a nossa comunidade”, finalizou a porta-bandeira.

Harmonia

Se tratando de uma homenagem a si mesma, a escola tem um grande samba. A obra conta toda história da agremiação sendo cantada em primeira pessoa. Para quem é torcedor ou componente da Barroca, deve se sentir bastante emocionado, pois a melodia é proposital para isso. E não foi diferente. A comunidade do Jabaquara cantou a plenos pulmões.

Porém deve ter atenção em uma questão. Outras escolas tiveram falhas, mas há de se ponderar – quando as bossas (principalmente paradinhas) foram colocadas em prática pela bateria “Tudo Nosso”, algumas alas embolaram o canto por alguns segundos, tendo que ser corrigidos pelo departamento de harmonia. Isso porque ainda não se tem o som ambiente do Anhembi. Apenas o carro de som. Entretanto, são treinos que se deve aprimorar, pois às vezes o som da avenida pode falhar e o julgamento continuará seguindo da mesma forma.

Evolução

As alas vieram enfileiradas de forma correta. Teve muito balanço, mas pouca coreografia, o que deu a impressão total de que o ritmo de andamento estava em sintonia com a bateria. O momento alto de uma dança dentro do samba era quando os componentes faziam o movimento de arco e flecha no verso: “É a flecha de Oxóssi, filha de Odé/demanda de Exú, abençoada por Seu Zé”. A maioria das alas carregavam bexigas, o que deu um destaque no contraste da pista.

Samba-enredo

Como dito anteriormente, o samba pegou na comunidade pelo fato de ser cantado na primeira pessoa. Isso demonstra o amor do componente e torcedor pela Barroca, além de colocar várias nuances. Frases podem passar despercebidas, como “A velha-guarda é minha religião”, mas que para uma escola centenária, é importantíssima.

O intérprete Pixulé mais uma vez de interpretação de samba-enredo. É um cantor totalmente identificado com a escola e está à vontade nos microfones da verde e rosa do Jabaquara.

Pixulé destacou a força dos componentes. “A comunidade está afiada! Se, na avenida, faltar o som, a escola leva até o final do desfile de boa. A escola está com o samba na ponta da língua. Hoje, pra mim, não foi nem ensaio, foi desfile oficial”, afirmou.

Além disso, o cantor enalteceu o seu carinho que tem pela entidade. “Eu tenho uma honra imensa de fazer parte da Barroca Zona Sul, até porque sou um dos compositores desse samba. Fazer parte da história do Barroca é uma honra imensa. Cinquenta anos! Não é para qualquer um. Participar dos cinquenta anos de uma escola de samba onde já estou há sete anos como cantor oficial da escola. Para mim, é maravilhoso, gratificante. Não tenho palavras para expressar a minha felicidade em estar aqui”, completou.

Outros destaques

Praticamente todas as alas estavam com uma camisa de “Eterno Geral Sampaio Jr”, o Borjão. Na vestimenta estava a frase criada pelo próprio que foi aderida pela comunidade: “Nós nascemos e crescemos no meio de gente bamba, por isso nós somos a ‘Faculdade do Samba’”.

Uma bateria repleta de repertórios foi vista neste treino. A batucada “Tudo Nosso”, comandada por Fernando Negão soltou bossas e paradinhas por vários instantes, principalmente fora do recuo de bateria.

“Eu achei bacana, achei bom o nosso ensaio técnico. Ainda tem alguns detalhes para arrumar. No próximo ensaio técnico, no sábado que vem, a gente vai ver se vamos melhorar um pouquinho”, disse o mestre Fernando Negão.

O diretor de bateria também lembrou de Borjão e enalteceu o enredo do cinquentenário. “Eu tenho bastante emoção por esse enredo, sim. Sinto bastante emoção porque é a minha escola, foi a primeira escola onde desfilei, em 2002, primeira escola onde fui mestre de bateria. Agora, mais do que nunca, pelo falecimento do Borjão, já que foi ele quem me colocou na frente da bateria… esse carnaval vai ser dedicado a ele, especialmente”, finalizou.

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