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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A semifinal de samba-enredo da tradicionalíssima Estácio de Sá para o Carnaval 2027 foi realizada na última sexta-feira, na quadra da escola. Dos seis sambas que se apresentaram, quatro avançaram à grande decisão: os das parcerias de Claudinho Raiz, Diego Nogueira, Claudio Russo e Samir Trindade. Já as obras das parcerias de Alexandre Naval e China do Estácio foram eliminadas do concurso. A final acontece no sábado, dia 8 de agosto. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba, o CARNAVALESCO acompanhou os semifinalistas para escolher o samba-enredo que embalará o desfile de “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, assinado por Marcus Paulo, que será a terceira apresentação do sábado da Série Ouro.

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Parceria de Claudinho Raiz: O Samba 01, composto por Claudinho Raiz, Fernandão, Niquinho Azevedo, Nego Wando, Sérgio das Mercês, Cecília das Mercês, Emanuel Apoteose, Berg Responsa, Irani Montenegro, Guarda Kuhn, Crenilda de Castro, Gabriel Amaral, Marvel Balassiano, Claudinho do Pagode e Anderson Benson, chamou atenção de imediato por ter apenas três intérpretes — o menor número da noite. Dois deles eram o próprio Claudinho Raiz e Claudinho do Estácio. Ito Melodia e Wic Tavares, que defenderam a canção na última semana, não se fizeram presentes. Chamou atenção a letra bastante extensa do samba, com estrofes longas e, além disso, dois versos semelhantes que formam um falso refrão antes do refrão do meio. O refrão do meio, por sinal, começa com a exaltação a outras coirmãs e se aventura a citar desfiles marcantes para destacar a característica estaciana de ser o Berço do Samba. Grandes baluartes estacianos também são citados. Se a obra mais extensa deixa o canto nas estrofes com menos volume, ela convenceu pelo lirismo.

Parceria de Diego Nogueira: Composto por Diego Nogueira, Batista Coqueiral, Júlio Page, Luciano Fogaça, Cecília Cruz, Osmar Fernandes, Juninho do Estácio, Cláudio Altamirano, Rian Rodrigues, Argentina Caetano, Paulinho ZC, Max Toledo, Gilsinho da Vila, Vânia Moraes, Rafael Almada, Leandro Netto e Danielzinho, o Samba 02 da eliminatória teve um destaque imediato: tão logo a canção começou a ser executada, um tripé com partideiros, um Zé Pelintra e uma Pombagira apareceu à frente do palco. Logo atrás, pessoas em pernas de pau carregavam os pavilhões das coirmãs mais antigas da Estácio: Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca e Vizinha Faladeira, que também são citadas no refrão do meio, que, por sinal, é o destaque rítmico do samba, com os marcantes “Quem Vem Lá?”. Por fim, outra pessoa aparecia ao fundo com o pavilhão estaciano, no meio de um corredor formado pelos torcedores. O samba, dentro do padrão que se convencionou apresentar nas escolas a partir da década de 1990, com dois refrões e duas estrofes, tem uma segunda estrofe um pouco mais extensa, na qual explora grandes baluartes e desfiles estacianos. Chamou atenção o fato de o samba ganhar adeptos conforme era executado, em demonstração de força.

Parceria de Claudio Russo: O Samba 08, detentor da maior torcida organizada da noite e composto por Claudio Russo, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Thiago Daniel, Magrão do Estácio, Adolpho Konder, Laura Romero, Binho Teixeira, Juliana Madi, Tinga, Hugo Bruno e Marquinhos Beija-Flor, contou com a animação de quem apoiava o samba-enredo e teve presença maciça das passistas estacianas, que pareceram apoiar espontaneamente a obra. Na composição, extensa para os padrões atuais, a primeira estrofe, mais longa, relembra fundadores e baluartes do samba no Centro do Rio de Janeiro e termina com um inspiradíssimo “O Estácio inventou o Rio de Janeiro”. O falso refrão do meio, utilizando muitas vogais, dá um aspecto tipicamente malandreado à obra. No refrão principal, outra sacada que torna a canção muito leve: o verso “Sou a Primeira, Acabou, Ponto Final”.

Parceria de Samir Trindade: Composto por Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett, o Samba 10 da disputa chamou atenção por não utilizar nenhum dos artifícios tão comuns nas eliminatórias de sambas-enredo, como faíscas, bexigas e papel picado. Ainda assim, não faltou animação por parte dos torcedores nem de Alessandro Tiganá, que foi para o terreiro da escola durante a execução do último refrão da obra. Musicalmente, mais um samba com estrofes mais longas que o convencional contou com um falso refrão de um único verso (“Esse nosso chão tem a garra do leão”) e com um refrão de cabeça em que um verso se repete (“Tem que respeitar”), encerrando-se com um apaixonado “É o centenário do amor da minha vida”.