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Especial gravações 2024: Samba da comunidade e bateria ‘Soberana’ são destaques da Beija-Flor

Escola está a todo vapor projetando passar bem e superar todo o estigma que carrega a ordem de apresentação e o dia

Após a escolha de samba que chegou a surpreender muita gente do mundo do carnaval, a Beija-Flor de Nilópolis só pensa agora em tirar o máximo da obra que foi desenvolvida pela parceria de Kirraizinho e Cia, compositores criados na comunidade nilopolitana. Os outros poetas que compõem o time responsável pela composição que vai embalar o carnaval da Deusa da Passarela são Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério, com as participações especiais de Chacal do Sax, Ramon Quintanilha e Naldinho. Na gravação da Liesa realizada na Cidade das Artes, o intérprete Neguinho falou sobre a música escolhida e o potencial que ele acredita que a obra tem para brilhar na Sapucaí.

Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

“Esse é o samba que o povo escolheu, a Beija-Flor deixou a escola a vontade. Foi o samba do povo, do pé no chão, do pé rapado, sabe? É o samba do povo preto. Esse o povo escolheu, a comunidade escolheu. Foram as baianas, a comissão de carnaval, a bateria, o mestre-sala e a porta-bandeira, foi o povo que escolheu. Nós escolhemos, eu também estava nesta parada. Esse samba vai acontecer na Avenida, eu mudo meu nome se não acontecer. O samba da Beija-Flor vai dar o que falar, se Deus quiser será nota 10. Quando o jurado ver toda a arquibancada e a força que a escola vai vir cantando esse samba, não tem menos de 10”, garante o cantor.

Também presente nas gravações oficiais da Liesa na Barra da Tijuca, o diretor de carnaval da Azul e Branca de Nilópolis, Dudu Azevedo, foi outro a enfatizar a identidade nilopolitana, que na opinião do dirigente, a obra escolhida traz.

“Em termos de harmonia musical, para mim, foi um dos melhores sambas que a gente já gravou, tem muita identidade nossa. Quem fez tudo é o Allan( Vinícius, departamento musical) que é nascido e criado dentro da escola. O Betinho (cavaco) que o Neguinho fala que não entra na Avenida sem aquela palhetada do Netinho. Está tudo muito dentro do que é a nossa essência. Está todo mundo muito feliz. Foi um trabalho muito coletivo. Claro que o Neguinho e o Rodney sempre fazem um trabalho excelente e isso ajuda” definiu Dudu.

Em 2024, a Beija-Flor vai ser a segunda escola a desfilar no domingo, horário inédito na história da agremiação. Sobre a posição de desfile, Neguinho admite que inicialmente a ordem assustou um pouco a diretoria e os segmentos, por ser uma colocação que usualmente não tem levado a grandes resultados, mas o cantor garantiu que a agremiação já entendeu como reverter a situação e o próprio artista encontrou perspectivas positivas para a situação.

“Apesar de ter essa coisa do dia e da hora que a escola desfila, para a Beija-Flor isso vai passar batido. Nós somos a segunda escola de domingo e você vai ver o bicho que vai dar. Nós nunca desfilamos nesta posição, eu vou fazer 50 anos de desfile. A princípio ficamos assustados, mas o povo vai estar todo na Marquês de Sapucaí, porque é a segunda escola, ali por volta de 23 horas, o povo vai estar com a cabeça fresquinha, prestando a atenção na letra do samba e vai ser o desfile em que a Beija-Flor vai ser mais vista em todo o Brasil, porque vai estar todo mundo acordado ainda. Segura que vem coisa boa por aí “, promete Neguinho.

Bateria projeta trabalho valorizando a melodia

A quarta colocada do carnaval 2023 levará para a avenida o enredo “Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila”. O tema está sendo desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que estreia na Deusa da Passarela e volta a propor delírio em um desfile. O desfile irá explorar a cultura popular da capital alagoana e terá como ponto central a história de Benedito dos Santos, um homem analfabeto, que ganhava a vida como engraxate, mas que se tornou um famoso folião soberano. Dividindo o comando da bateria Soberana, mestre Rodney e mestre Plínio, estavam bastante plenos na gravação da faixa e demonstravam bastante tranquilidade enquanto os ritmistas exalavam precisão e uma afinação de excelência dos instrumentos. A parte musical e de bossas também vai trazer um pouquinho da região em que se passa o enredo. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Rodney explicou que procurou focar em prestigiar a melodia, que para o mestre é o grande destaque da obra que a Beija-Flor levará para a Sapucaí.

“A gente deu uma passada no que planejamos para a gravação alguns dias antes, e antes de vir no próprio dia. A bateria está bem preparada, o samba é muito rico em melodia, e deu para explorar bem esse lance cultural de Maceió, acho que a galera vai gostar do que vai ouvir e ver. O samba nos permite muitas variações de convenções e a gente, mesmo com pouco tempo de preparação, acho que soubemos explorar. Quando chegar nas plataformas digitais vocês verão que é de muito bom gosto. Acho que acertaram na organização e o trabalho da produção está de parabéns”, elogia o mestre.

Desde 2017, gabaritando pelo menos os 30 pontos na apuração, observando os descartes, a bateria Soberana segue em intenso trabalho para manter a excelência nas notas. No geral, Rodney avaliou o processo desenvolvido para a gravação como eficiente. O comandante da bateria Soberana projeta não só um grande rendimento dos ritmistas no desfile, mas espera uma escola brigando por grandes objetivos.

“A gente vai apresentar algumas surpresas que a gente não vai revelar agora, mas é um samba muito alegre, para se brincar carnaval como antigamente. A gente não para, gravamos a faixa e terminamos esse processo todo que nós começamos em agosto, terminado em outubro, foi satisfatório, temos um grande samba, um grande arranjo, teremos um grande desfile e seremos campeões. Vamos fazer o de sempre, muito trabalho, muita dedicação, a bateria sempre muito bem equilibrada, os arranjos específicos aproveitando o ponto alto que é a melodia, um samba muito rico, pode ter certeza que faremos um grande desfile”, assegura o profissional.

Com o samba escolhido e agora gravado, a escola vai direcionar o foco para o desfile. Durante a disputa de samba-enredo, em mais um ano, a agremiação decidiu gravar as 10 melhores obras já na voz de Neguinho. O que facilitou os arranjos para a quadra e a própria avaliação da Beija-Flor durante o certame. Com a música escolhida, tão logo o desafio para os profissionais musicais da escola era não seguir o óbvio do que havia sido feito para o concurso e traçar novos rumos para a gravação oficial da Liesa. Para o diretor de carnaval, Dudu Azevedo, o departamento musical foi muito feliz naquilo que projetou para as gravações na Cidade das Artes.

“Escolhemos o samba em uma quinta e na sexta-feira a noite o mestre Rodney já estava na quadra ensaiando. O ensaio se repetiu nos outros dias e foi uma semana inteira ensaiando. O mais legal de tudo é o trabalho coletivo da minha galera do departamento musical, Betinho(Santos, cavaco), Jonathan(Calim, cavaco), Alan(Vinicius, violão de sete), e Júlio (Assis), se reuniram em casa, fizeram o churrasquinho, trouxeram para a gente o trabalho, o Rodney bolou uma introdução e quando todo mundo sentou, cada um se dedicando para fazer o melhor, a gente juntou todas as ideias e saiu uma grande introdução para o samba”, conta o diretor.

Participação da comunidade nas eliminatórias é trunfo na preparação de canto

“Aqui é Beija-flor doa a quem doer/ Do gênio sonhador a gana de vencer”, versos fortes que com certeza vão convocar a comunidade nesta parte a cantar com toda a energia. A pretensão da diretoria é que o nilopolitano cante dessa forma, não só essa parte, mas todo o samba, e em todo o desfile. A diretora geral de harmonia da Beija-Flor, Simone Santana, ressaltou o fato de o samba já estar na ponta da língua da comunidade desde as eliminatórias.

“O nosso trabalho começou logo após a gravação, mas a comunidade toda participou dessa escolha de samba e foi uma obra que toda a comunidade queria. Acho que está na boca da nossa comunidade e todo mundo sabe cantar o samba, até o carnaval vamos trabalhar com o canto, com a evolução e com muita empolgação e com a força para trazer esse título para Nilópolis. Fizemos ensaios, a gente tem essa preparação para vir gravar e para e para levar para o desfile tudo aquilo que a gente ensaiou e vamos ensaiar mais ainda”, promete a diretora.

E a escola está a todo vapor projetando passar bem na Avenida e superar todo o estigma que carrega a ordem de apresentação e o dia. Quem está muito feliz são os compositores da obra, pois, para vários, foi a primeira vitória na escola e aconteceu em um disputa bastante acirrada contra parcerias multicampeões. Presentes na Cidade das Artes, vendo a gravação com pegada de ao vivo e toda a produção do vídeo, foi um momento até mesmo da “ficha cair” mais uma vez para os poetas.

“A gente está muito feliz de gravar aqui hoje, ver essa gravação toda ao vivo dá um estímulo, uma energia bem maior para a gente do que a tradicional em estúdio. Ganhar um samba na Beija-Flor é indiscutivelmente a melhor coisa dos mundos, ainda mais para a gente que é escola, o forte do nosso samba é o refrão, de fato é um refrão que mexe com a escola, que mexe com a comunidade, que mexe com a gente compositor, o grande ponto auge da nossa obra, e tenho certeza que vai sacudir a Avenida”, espera o compositor Kirraizinho, que encabeça a parceira.

A Deusa da Passarela será a segunda agremiação a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial.

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