“Senhor que fez da arte mundaréu, em suas mãos Padre Miguel, concebeu a criação, plantou sua missão, fez do sertão, barro tauá!”. Estes versos iniciais do samba da Mocidade para o Carnaval 2023 traduzem a ideia da Verde e Branca da Zona Oeste de trazer toda a beleza do enredo sobre o legado dos artistas do Alto do Moura, discípulos do mestre Vitalino. “Terra de meu Céu, Estrelas de meu Chão” está sendo desenvolvido pelo carnavalesco estreante na Mocidade, Marcus Ferreira. O artista revelou na final de samba da agremiação que trazer este tema para a Sapucaí era um sonho antigo de Marcus e produzir enredos com um olhar para a brasilidade foi um acordo firmado na parceria selada entre o profissional e a escola.

O site CARNAVALESCO esteve presente na gravação oficial do samba da Mocidade para o álbum da Liesa. Indo para o seu décimo primeiro carnaval à frente da “Não Existe Mais Quente”, mestre Dudu contou o que preparou para a faixa oficial.

“Agora escolhido o samba, a gente está trabalhando em cima para poder fazer uma boa apresentação. No carnaval de ‘Pernambucópolis’, enredo também com temática nordestina, deu mais para a bateria ficar bem à vontade. E nesse samba não da para ser diferente. Para essa gravação, estive estudando algumas propostas, a gente quis colocar bem a cara do nordeste, fazer um baião, um forró e a proposta para o CD foi colocar umas duas bossas no samba, para que a gente possa colocar no desfile. E até o desfile de repente a gente pode mudar alguma coisa, mas fazer bem característica da Mocidade, pois a gente não pode perder nossa tradição de paradinha. Já temos essas duas bossas que inventamos, ensaiamos três dias após a escolha do samba para poder fazer essa gravação, e o pessoal vai ficar bem surpresa com a gravação, vai vir coisa boa por aí”, prometeu Dudu.

Adepto de um trabalho bastante característico de bateria, sempre valorizando a identidade da “Não Existe Mais Quente”, mestre Dudu revela que apesar do intuito do álbum das escolas de samba ser mais para apresentação de letra e melodia da obra, ainda coube a criação de algumas surpresas características dos ritmistas da Verde e Branca da Zona Oeste.

“Eu vou tentar unir o útil ao agradável, o CD é para apresentar o samba, mas todo mundo espera da Mocidade a paradinha, porque foi onde tudo começou. Jamais vou fazer uma gravação sem paradinha. E já é de praxe eu sempre colocar uma paradinha e uma bossa no CD. Deus abrilhantou nossa cabeça nos ensaios de preparação para este momento e já inventamos duas novas paradinhas para o CD”, explicou o mestre.

Quem vive um grande momento de ansiedade pela estreia, é o cantor Nino do Milênio. Com passagens por Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Sossego, entre outras, em 2023 irá estrear como intérprete principal do carro de som da Mocidade. No dia de colocar a voz no samba da agremiação para o carnaval 2023, Nino contou à reportagem do site CARNAVALESCO de que forma realizou sua preparação para esta importante etapa.

“Eu procuro ter uma boa alimentação antes de ir para o estúdio. O descanso é tudo. Não existe remédio para a voz. Tem que dormir, tem que descansar bastante, e também eu faço um trabalho com a minha fono, para fazer o aquecimento corretamente, para poder pôr a voz maravilhosamente bem”, conta o artista.

O samba escolhido para o carnaval 2023 tem uma característica bem melodiosa, com um campo melódico bem específico e bastante elogiado. Nino, um intérprete reconhecido por trabalhar bastante estes aspectos dos sambas, contou que ficou bastante satisfeito com a escolha.

“Esse samba me permite trabalhar bem a voz, trazer coisas diferentes. A Mocidade tem um grande samba, os três sambas da final eram maravilhosos. E fico muito feliz por estar com esse presente, só tenho a agradecer aos compositores, e com tudo isso, no todo, chega a me dar uma ansiedade de começar os ensaios, porque daqui pra frente, se Deus quiser, é só vitória”, espera o cantor.

O samba da Mocidade para o carnaval 2023 tem autoria de Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, W Correa, Leandro Budegas e Cabeça do Ajax. Quem também esteve presente na gravação da faixa foi o diretor musical da Verde e Branca, André Félix, que explicou um pouco do que a escola vai trazer no CD de sambas-enredo do Grupo Especial.

“A faixa da Mocidade começa com uma introdução referente a região de Caruaru, que é tipo uma festa junina. Na introdução já vem essa ideia. Teve uma alteração no tom do samba, descemos um tom para a comunidade poder cantar também. Porque não basta só o carro de som cantar, a comunidade tem que estar à vontade. E o Dudu preparou diversas bossas para o ‘ ao vivo’, não vão estar no CD”, explica o músico.

Marino fala sobre planejamento após gravação do samba

Na Mocidade desde o ano do último título, 2017, Marquinho Marino, esclareceu que apesar de a faixa da escola ter o intuito principal de apresentar o samba, a escola não poderia deixar de trazer as características marcantes da “Não Existe Mais Quente”.

“O samba da Mocidade esse ano tem uma carga muito forte emocional e harmônica. A gente botou o samba mais a nossa cara, com mais harmonia, mais melodia, samba realmente cantando. Mas é evidente que quando você bota a ‘Não Existe Mais Quente’ não tem como ir reto, porque eles se coçam e vão querer fazer alguma coisa. A gente mesclou, a primeira passada do samba é para mostrar a obra. E na segunda passada a gente deixou o Dudu fazer umas brincadeiras ali, porque é importante para a galera se motivar e criar mais coisas “, revelou Marino.

O diretor musical André Félix acrescentou que uma introdução com contextualização do enredo foi preparada para abrir a faixa da Mocidade.

“O CD é mais para valorizar o samba. Ficou só essa intenção na introdução do samba, que é de clima de festa junina, para chamar a atenção, alusão a cidade e o samba passa praticamente reto, só para o povo entender a letra e a melodia do samba, a comunidade entender bem para os ensaios”, explicou o músico.

O diretor de carnaval Marquinho Marino também aproveitou para falar sobre esse início de preparação da agremiação para o próximo carnaval a partir da gravação da obra que vai embalar o próximo desfile da Mocidade.

“Nós começamos os ensaios de quadra no final de outubro. Fomos para o estúdio, criamos o nosso arranjo, Dudu ficou ensaiando com a bateria com o que a gente criou. Resolvemos fazer às quartas o ensaio de comunidade, e às quintas o de bateria. A gente faz o ensaio de canto para poder limpar realmente a melodia, fazer entrar na veia dos componentes a letra e a melodia, seguir certinho o andamento “, justificou o diretor de carnaval da Mocidade.

A Mocidade Independente de Padre Miguel será a terceira escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.