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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O sábado foi de comemoração na Fábrica do Samba, Zona Oeste de São Paulo. Na data, o local sediou o Jantar Dançante em comemoração aos cinco anos do Departamento das Velhas-Guardas da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP). Com diversas homenagens a baluartes do samba, a celebração teve, também, falas importantes de grandes sambistas paulistanos. Sempre presente em eventos importantes para a comunidade do samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conversou com nomes fundamentais para a folia paulistana.

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Respeito e celebração

Presidente da Liga-SP, Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate, sempre destacou em entrevistas que espera ter como legado do mandato à frente da instituição a valorização do sambista. De acordo com ele próprio, tal evento apenas confirma tal intenção: “Eu falo muito do sambista! Fazemos eventos como esse para valorizar quem nos proporcionou estar aqui hoje e pensar no nosso futuro. A gente, o ano passado, com a criação do desfile das escolas de samba mirins, conseguimos algo muito bom: nesse ano, as escolas se mobilizaram muito mais. A ideia do futuro com os griôs é a preocupação da Liga-SP e tem que ser a preocupação da Liga-SP. Nos cinco anos de Velha Guarda, eles mereciam essa celebração. É a primeira festa que a Liga-SP faz efetivamente para eles. Já é o segundo ano que a gente faz o Dia das Mães Baianas, algo que também não tinha. É continuar valorizando o sambista com os pequenos detalhes. Como eu sempre digo para vocês, tem muita coisa para fazer, vai ter muita gente ainda insatisfeita, mas a gente está tentando. A gente está tentando aos poucos melhorar, corrigir, modificar e, sobretudo, valorizar e respeitar. Mais importante do que o menu que você vai comer é você ter um prato limpo para você poder fazer a sua refeição. Isso é o respeito”, metaforizou.

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Ideia

O presidente também explicou qual foi a concepção do evento, citando a atual secretária da instituição: “A nossa equipe, especialmente a Letícia Ferraz junto com a equipe da Velha Guarda, teve essa ideia para fazer uma homenagem a eles. No ano passado, nós levamos eles para passear de trem, levamos eles para Pirapora do Bom Jesus. Nesse ano, a gente está fazendo uma festa. No dia 12 de setembro, a gente vai levar eles para Aparecida do Norte e também vamos para Pirapora do Bom Jesus de novo esse ano. Como eles são muito vaidosos, e são bem das antigas mesmo, com aquela história de ir na quadra de uma coirmã de social, de traje de gala. Eles pediram para fazer a festa com o traje social. Eu disse que a festa era deles, eles fazem a festa do jeito que eles quiserem. Comigo é só pagar a conta, eu pago a conta e eles fazem a festa para vocês curtirem do jeito que eles entenderem”, brincou.

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Baluartes satisfeitos

Grandes homenageados da noite, diversos integrantes de Velhas Guardas paulistanas elogiaram a atitude da Liga-SP. Raimundo Pereira da Silva, popularmente conhecido como Mercadoria, histórico Diretor de Harmonia do Carnaval paulistano e atualmente na Mocidade Unida da Mooca e presidente do Departamento de Velhas-Guardas da Liga-SP, foi um deles: “Estou sentindo que a Liga-SP está olhando com mais carinho para a Velha Guarda, porque, o objetivo da Liga das Escolas de Samba de São Paulo não é só cuidar do desfile oficial: ela está aqui para cuidar de todos os segmentos que estão dentro do Carnaval. A Velha Guarda, as crianças; e, com isso, o Departamento da Velha Guarda da Liga-SP está fazendo cinco anos. Fomos fundados cinco anos atrás e nós temos o privilégio de abrir o desfile de sexta-feira. Foi uma grande conquista dos griôs! Eu também sou um griô, e muito griô, mesmo. O pessoal do Rio de Janeiro até cobra a gente sobre como conseguimos essa proeza. E nós não conseguimos, deram para nós de graça, já que eles acharam que a gente tinha o direito. Tudo isso graças ao Sidnei Carriuolo, ex-presidente da Liga-SP, com o apoio do atual presidente Renato Remondini, que nos proporcionou essa festa muito grande hoje para comemorar os nossos cinco anos. Ele que nos proporcionou essa festa e a gente está muito agradecido por todos esses cinco anos de trabalho”, destacou.

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Vale destacar que Mercadoria nomeou a sala da Velha Guarda na sede da Liga-SP em evento realizado em junho. O baluarte deu um importante testemunho sobre a relação da Liga-SP com os sambistas mais experientes: “Eu mesmo me assusto de vez em quando com a Liga-SP. Eles propõem algumas coisas que deixam a gente maluco! Tem dia que eles levam a gente de manhã cedo, nove horas da manhã, para a Paulista, e a gente adora atividades assim. Agora em outubro nós temos uma grande festa, a Festa das Crianças. São cinco, seis mil pessoas aqui dentro da Fábrica do Samba. Tem, também, viagem para Aparecida do Norte daqui a pouco. O trabalho que a Liga-SP está fazendo, não só para o desfile, mas para toda a comunidade sambística de São Paulo”, disse.

Outros dois nomes históricos da folia paulistana se mostraram bastante felizes com a festividade. Aclamados como Casal Soberano, Gabriel de Souza Martins e Venézia Almeida Martins, popularmente conhecidos como Mestre Gabi e Vivi Martins, destacaram o formato do evento: “Esse jantar é um jantar mais que especial! São as pessoas que começaram tudo, que tem todo o nosso respeito. Eu também já me incluo no meio! Nós estamos aqui, estava até comentando com o Gabi, lembrando dos bailes antigos, tocados com orquestra. Nossa, é maravilhoso! É algo que a gente já não vê mais, infelizmente”, pontuou Vivi.

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Mestre Gabi exaltou os mandatários responsáveis pelo reconhecimento dos baluartes paulistanos: “Eu quero até fazer alguns agradecimentos: tudo isso acontece porque o nosso presidente Sidnei, que esteve anteriormente, deu essa luz. Quando a gente viu aquela luz no fim do túnel, o presidente Sidnei deu aquele avanço. E, agora, o nosso presidente Tomate está fincando a bandeira do samba com as Velhas Guardas. O novo não existe se não tiver o velho. É maravilhoso! Um jantar desses daqui é uma coisa muito gratificante. Nós, que já temos mais de 70, ficamos lisonjeados”, agradeceu.

Vivi aproveitou para pontuar os benefícios das ações da Liga-SP para duas faixas etárias distintas: “Tenho a impressão que a Liga-SP está olhando mais para o departamento da Velha Guarda, que é o ensinamento. Embora algumas pessoas não estejam reconhecendo, essa é a verdade. Também percebo que a Liga-SP está olhando para as crianças, que são o futuro, o amanhã, a continuidade”, comentou. Mestre Gabi, sucinto, concluiu: “A Liga-SP, nesse aspecto, está no caminho certo!”, comemorou.

Ações que geram frutos

O Departamento de Velhas-Guardas da Liga-SP já é responsável por outros tantos programas dentro e fora do Carnaval. Mercadoria dá mais detalhes sobre um deles: “Esse trabalho está repercutindo em outras frentes: o curso de Medicina da Universidade de São Paulo, com o pessoal de geriatria, tem um projeto para ajudar os nossos griôs e eles querem entender como é que pessoas da idade da Velha Guarda, homens e mulheres, conseguem desfilar e se divertir com todas as peculiaridades que as pessoas de idade têm. E, para eles, está sendo um estudo muito real. É um estudo do momento. Eles estão vendo, eles estão acompanhando a gente. Em cada três meses, tem um encontro para falar sobre a geriatria dos nossos velhinhos, doenças e tal. Está dando um fruto muito grande graças ao samba e estamos aí hoje”, afirmou.

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Já Tomate explicou outra ação idealizada pela Liga-SP que foi apresentada no Jantar Dançante: “Vocês tiveram a oportunidade de ver mais uma forma de reconhecimento para a Velha Guarda. Hoje, também, a gente vai dar start em um projeto digníssimo, maravilhoso. Hoje a gente está reverenciando, enaltecendo e firmando o nosso compromisso para que a gente consiga transmitir cada vez mais o conhecimento da nossa Velha Guarda. Hoje a gente deu o pontapé inicial para a Academia Paulista do Samba. Ela vai ser muito similar à Academia Brasileira de Letras: Todas as cadeiras do nosso auditória serão nomeadas com o nome de sambistas vivos, sambistas de grande relevância para a história do nosso Carnaval. Sambistas que estão na atividade. E são esses sambistas que vão transmitir o conhecimento para as novas gerações. Dentro dessa nossa galeria, lá no nosso grande auditório, nós vamos, também, ter na parede a imagem de sambistas imortais que fizeram muito pelo carnaval e estarão imortalizados nas nossas paredes. A ideia é que essa nossa Academia sirva de aprendizado, de conhecimento constante. E ela vai ser renovada passo a passo: cada um desses sambistas que estiverem com a gente no momento da sua passagem serão imortalizados na parede e a própria Academia nomeará novos membros para que isso seja renovado constantemente”, detalhou.

Próximas datas

O presidente da Liga-SP aproveitou para apresentar à comunidade do samba paulistano parte dos eventos que serão realizados no segundo semestre pela instituição: “A gente tem essa viagem da Velha Guarda para Aparecida, que é uma grande caravana de ônibus. Fica o convite para quem quiser ir: não dá para ir com os ônibus da Velha Guarda, mas pega o carro, vai de van e acompanha a Liga-SP nesse evento. Nós vamos ter o Desfile Mirim, que é no dia 12 de outubro, no própria Dia das Crianças, aqui na Fábrica do Samba. Esse ano com mais escolas com baterias, as escolas da UESP convidadas, escolas do litoral, do interior… todas elas convidadas. Vai ser uma festa maior que o ano passado, com mais escolas e com mais gente. É um dia muito bacana. Vamos ter a Semana da Consciência Negra com várias festividades, várias comemorações e, sobretudo várias palestras, vários seminários, uma didática muito grande para a gente poder falar dessa causa. E, na Semana da Consciência Negra, a gente faz a viagem para Pirapora do Bom Jesus, com uma grande festa no berço do samba”, pontuou.

Outrora chamado de minidesfile, um evento, em especial, teve destaque na explicação de Tomate: “No dia 05 e 06 de dezembro, a festa de lançamento do Sambas-Enredo, dividido em dois dias. Nós vamos ter mais escolas no sábado. No sábado, começando mais tarde: a gente começa o sábado por volta de 17h, 18h e, no domingo, a gente começa às 16h. O critério ficou o seguinte: as escolas que desfilam na sexta do Grupo Especial fazem o sábado, as escolas que desfilam no sábado fazem o domingo. Só as duas últimas do domingo, a Tucuruvi e a Milênio, encerram o sábado, por conta de trocas. Elas encerram o sábado porque segunda-feira todo mundo tem trabalho: se der algum atraso, essas escolas seriam penalizadas. Nos acessos, as cinco primeiras a desfilar no Grupo de Acesso II vão no sábado e as cinco últimas a desfilar no Grupo de Acesso II fazem no domingo. O Grupo de Acesso I é a mesma coisa. Só tivemos uma troca: a Dom Bosco para vir no domingo e a Mancha Verde veio para o sábado”, finalizou.