A Unidos da Tijuca deu a largada em sua temporada de ensaios de rua na última quinta-feira, com um treino realizado no Santo Cristo, debaixo de uma insistente chuva. A condição climática reduziu o contingente, mas não foi capaz de atrapalhar o entusiasmo dos componentes que estiveram presentes. Depois de um desfile em que sonhou com uma vaga no sábado das campeãs, a escola apresentou uma passagem marcada pela energia de quem busca algo grande no próximo carnaval.

Todos os segmentos estiveram presentes. A comissão de frente apresentou uma coreografia animada, o casal de mestre-sala e porta-bandeira demonstrou experiência e entrosamento, o carro de som esteve muito bem ajustado na condução de um ótimo samba e a bateria teve atuação irrepreensível. Um ensaio redondo, que deixou excelentes credenciais para o início da temporada. O retorno de Mileide Mihaile ao posto de rainha de bateria da escola também foi um dos destaques da noite.

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A Tijuca desfilará na segunda-feira de carnaval, como segunda escola a entrar na Marquês de Sapucaí, com o enredo “A Cabeça do Santo”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, estreante na agremiação.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão comandada por Ariadne Lax e Bruna Lopes apresentou uma coreografia de passagem para os ensaios, com muita leveza e animação, empolgando o público presente. A apresentação foi bastante dançada e teatral, com diversos elementos de quadrilha executados com ótima sincronia pelos bailarinos, especialmente durante o refrão principal. Divertida e bem-humorada, a comissão abriu em grande estilo o ensaio da escola do Borel.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marcinho e Cristiane Caldas realizaram uma apresentação segura no asfalto molhado, apostando em passos mais convencionais e na marcação de espaço. O casal demonstrou toda a experiência e o entrosamento que possui, executando uma série sem sobressaltos, com bastante cortejo de Marcinho e elegância de Cris Caldas na condução do pavilhão. A porta-bandeira também mostrou segurança nos giros durante a movimentação pela pista. A apresentação contou com coreografias inspiradas na letra do samba, mas, de maneira geral, teve uma proposta mais solta, adequada às condições da noite.

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Foto: Alex Maia/Divulgação Tijuca

EVOLUÇÃO

A preocupação da direção neste primeiro ensaio esteve menos voltada à rigidez das fileiras e à ocupação dos espaços, privilegiando a desenvoltura dos componentes e uma evolução mais descontraída. A estratégia deu resultado. A Tijuca passou pela pista com bastante energia, mesmo sob uma chuva que marcou toda a apresentação da escola.

A agremiação avançou sem pressa, também em razão do chão escorregadio, ocupando a via com alas muito próximas umas das outras e sem grandes espaçamentos. A escola se apresentou compacta e energizada, mantendo o entusiasmo até o fim do ensaio, sem deixar o ritmo cair. Algumas alas, porém, estavam reduzidas em razão da ausência de componentes por conta da chuva.

O diretor de carnaval Gabriel Mello comentou a apresentação e destacou a disposição da comunidade diante das condições climáticas.

“Foi um dia extremamente atípico em relação às condições do tempo. Havia previsão de chuva, mas choveu muito no Rio de Janeiro. Seguramos um pouco e decidimos fazer o ensaio mesmo assim. Foi um ensaio guerreiro da Tijuca. Baianas, velha guarda, passistas, crianças, todo mundo na rua. Um ensaio solto, como eu pedi. Claro que temos a divisão de alas, mas hoje era um dia para eles sentirem o asfalto, sentirem o chão, e foi muito bom. Se alguém tinha dúvidas sobre o rendimento do samba, o canto da escola está voando. Sobre a minha bateria, faltam até palavras para descrever o que eles fazem, não só nas paradinhas, mas também na maneira como tiram o melhor de cada instrumento. Minha ala de passistas, que vem brilhando desde o primeiro ensaio na quadra, arrebentou. Foi um grande ensaio. Que Santo Antônio peça um alvará a São Pedro para termos um novembro mais solar e possamos brincar sem chuva nas próximas quintas-feiras”, declarou.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

HARMONIA E SAMBA

Um dos grandes destaques do ensaio tijucano foi o casamento entre o samba e o canto dos componentes, que chamou a atenção desde a largada da agremiação e ganhou ainda mais força com o passar do treino. A obra apresenta trechos bastante dolentes, que poderiam provocar uma queda na intensidade do canto. O que se viu, porém, foi justamente o contrário: uma potência ainda maior em passagens como “Tijuca, ao lume do teu candeeiro, o sonho de um simples vaqueiro, que mãe batizou Samuel”, que conduziu os componentes a um canto bastante emocional.

O refrão central, “Ê, batuque em terreiro de arraiá…”, também foi um dos grandes momentos da noite, proporcionando uma passagem ainda mais empolgante, principalmente nos momentos em que a bateria executou uma bossa sobre o trecho. Foi um ensaio de canto muito forte, com excelente sustentação do início ao fim.

O desempenho também foi impulsionado por um samba de melodia lírica e inteligente, que se mostrou bastante funcional. A obra reúne trechos de características distintas, mas que encontraram um ótimo equilíbrio, resultando em uma apresentação consistente, favorecida por uma ala musical em grande momento.

Marquinho Art Samba e seus apoios realizaram um excelente ensaio, potencializando rapidamente a obra, sem permitir quedas de rendimento e valorizando suas nuances melódicas.

“O trabalho está ficando magnífico. Tivemos quatro semanas na quadra e agora estamos indo para a rua, que é o ajuste final para entender como o samba passará na Marquês de Sapucaí. Estamos muito felizes com a obra, que ainda tem muito a crescer. A comunidade está cantando com toda a garra. Vamos fazer mais alguns ajustes, mas já está ótimo”, afirmou Marquinho.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Pura Cadência”, de mestre Casagrande, mostrou por que é uma das garantias de nota máxima da Unidos da Tijuca. Em seu primeiro ensaio de rua, apresentou um desempenho espetacular. Uma bateria que serve ao samba e potencializa as melhores características da obra, com uma sonoridade agradável e eficiente. O ritmo impulsionou o canto e levantou os componentes, principalmente com a bossa do refrão central, que simulou um arrasta-pé.

À frente dos ritmistas, o retorno de Mileide Mihaile também chamou a atenção. A maranhense voltou ao posto de rainha com muita simpatia e foi bem recebida pela comunidade e pela ala de passistas da escola, que dançou ao seu lado no encerramento do ensaio.

Mesmo debaixo de chuva, as baianas marcaram presença com elegância e simpatia, contribuindo para a bela apresentação da Unidos da Tijuca.