
O Camisa 12 prepara o desfile do Carnaval 2027 com a missão de transformar a força de sua comunidade em combustível para a retomada no Anhembi. Após o rebaixamento no último carnaval, a escola aposta no enredo “Meu terreiro é protegido… Ogunhê. A força que atravessa o tempo!” e no samba-enredo ‘Patakori! Traz a vitória pro meu pavilhão’ para buscar o retorno ao Grupo de Acesso 1. A proposta foi apresentada à comunidade e à imprensa no dia 27 de setembro, em uma noite que também contou com a exibição dos protótipos das fantasias para o próximo desfile. O projeto reúne os carnavalescos Leno Vidal, Fernando Dias e Delmo Moraes, além de uma equipe musical que trabalha para fortalecer a identidade da agremiação.
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O diretor de carnaval, Demis Roberto, destacou que a mensagem central do samba está diretamente relacionada ao momento vivido pela escola. Para ele, a obra precisa transmitir confiança aos componentes e reforçar a capacidade de reação do Camisa 12.
“Todo samba precisa passar uma mensagem. E a nossa mensagem este ano é que o filho do Camisa 12 não cai”, afirmou.
Demis reconheceu a dificuldade de lidar com o rebaixamento, mas ressaltou que a escola já está concentrada na preparação para o próximo desfile. A proposta para 2027 é desenvolver um carnaval mais enxuto, sem abrir mão da grandiosidade das alegorias e fantasias que marcam o trabalho da agremiação.
“A gente quer um carnaval mais enxuto no Acesso 2, mas sem perder a grandeza que já adquirimos nas alegorias e nas fantasias”, explicou.
Ogum no centro da narrativa
O enredo coloca Ogum no centro da narrativa e busca explorar não apenas a figura do orixá, mas também os elementos sociais, culturais e simbólicos que atravessam essa história. O presidente Giovanni Bargi de Souza, conhecido como Madimbu, destacou a confiança na parceria responsável pelo samba-enredo, que já trabalha com a escola há alguns anos. O dirigente também ressaltou a combinação entre a obra e a identidade musical da bateria da escola. Segundo ele, a cadência característica do ritmo do Camisa 12 contribui para o resultado que será desenvolvido até o desfile.
“Eu gosto muito do samba. A parceria já está com a gente há alguns anos e eles já entendem a nossa mensagem. Eles conseguem transmitir aquilo que a gente quer passar. É um samba para frente, alegre, e acredito que vai levar a nossa comunidade para a avenida”, afirmou Giovanni.
“Eu gostei muito do samba. Ele representa aquilo que a gente queria colocar na pista. A gente tentou fugir do óbvio, porque não estamos falando simplesmente de Ogum como orixá, mas de tudo aquilo que está ao redor, que circunda Ogum”, afirmou Demis, diretor de carnaval.
Três carnavalescos na construção do desfile
O projeto para 2027 conta com Leno Vidal, Fernando Dias e Delmo Moraes na equipe de carnavalescos. Os três participaram do desenvolvimento do samba-enredo, em um processo de diálogo com os compositores para aproximar a letra e a melodia da narrativa planejada para a avenida. Fernando Dias destacou a relação entre a obra musical e o enredo.
“É um samba maravilhoso. Ele se casa com o enredo, com a história, com a narrativa. É um samba guerreiro, para frente”, afirmou Fernando.
Delmo Moraes explicou que o trabalho começou com a apresentação da sinopse aos compositores e avançou com ajustes para alinhar o samba ao projeto visual e narrativo do desfile. Leno Vidal acrescentou que a estrutura da narrativa serviu como base para o desenvolvimento poético da obra.
“A narrativa foi estruturada na sinopse para que o samba pudesse se desenvolver. O grupo de compositores conseguiu criar uma relação poética e completa com aquilo que estava sendo proposto”, explicou.
A escolha por um samba encomendado também permitiu uma comunicação mais direta entre os profissionais envolvidos. Segundo Fernando, esse formato facilitou a realização de ajustes durante o processo criativo.
“Não tivemos problema. É muito mais fácil trabalhar com um grupo do que com dez ou quinze grupos. Os compositores conseguem entender melhor aquilo que a gente quer”, explicou Fernando.
Bateria ‘Ritmo 12’ trabalha no desenvolvimento musical
Na parte musical, o samba é visto como uma oportunidade para explorar características da bateria “Ritmo 12”, comandada pelo mestre Lipe. A temática afro abre espaço para o uso de atabaques, tambores e outros elementos que dialogam com a proposta do enredo.
Lipe explicou que o trabalho já vinha sendo desenvolvido meses antes da apresentação oficial do samba. Uma primeira gravação foi realizada para que a escola pudesse ter uma referência da melodia, mas o arranjo definitivo ainda será construído até o carnaval.
“A gente está trabalhando dentro de uma sequência de sambas afro. Tem muito atabaque, tambor e axé. É uma coisa favorável para a nossa bateria”, explicou Lipe.
Clóvis Pê, integrante da parceria de compositores, também destacou a força da letra e da melodia, com crescimento musical ao longo da obra até chegar ao refrão. A equipe pretende acrescentar recursos como cacos, contracantos e vocalizes durante a preparação.
“A gente vem fazendo grandes sambas e acredito que este seja um dos mais fortes em letra e melodia. A melodia vem crescendo e explode no refrão”, explica Clóvis.
Tim Cardoso, também integrante da parceria no carro de som do Camisa 12, destacou que o samba segue a linha musical da escola. “Ele acompanha a linha melódica da escola. O Clóvis é muito detalhista, muito cuidadoso com melodia, letra, acessibilidade e com a evolução do samba. Cada passagem vai ficando melhor”, explicou Tim.
Casal oficial já prepara a apresentação no Anhembi
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luã Camargo e Estefany Olukomim, também já trabalha na preparação para o desfile de 2027. Estefany contou que o processo começou antes mesmo da definição do samba, a partir da apresentação do enredo pela diretoria. Com a obra musical definida, a dupla passou a incorporar a dança e ajustar os detalhes da apresentação. Luã ressaltou que a construção coreográfica exige atenção à leitura dos jurados, sem ficar excessivamente presa a uma interpretação literal da letra ou do enredo.

“A Camisa 12 só faz obra-prima. Todo ano tem um samba memorável. Esse também é memorável e vai arrebentar no Anhembi. A coreografia da pista não pode ficar tão presa ao samba e ao enredo, porque a interpretação do jurado é muito subjetiva. A gente nunca sabe qual parte ele vai observar”, disse Luã.
“É um samba que fica na cabeça. É muito gostoso. Agora temos bastante trabalho pela frente”, comentou Estefany.
Fantasias mantêm proposta de grandiosidade
A apresentação dos pilotos de fantasias, realizada junto à comunidade em setembro, revelou parte da proposta visual que o Camisa 12 pretende levar ao Anhembi. A escola busca conciliar a grandiosidade das fantasias e alegorias com as necessidades de um desfile no Grupo de Acesso 2. O desafio é preservar características já desenvolvidas pela agremiação e, ao mesmo tempo, adequar o projeto ao objetivo de voltar à divisão superior.









